A Jornada da Juventude não-católica

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 1 mês 8 dias atrás.

Três milhões de peregrinos nas ruas é um contingente expressivo de pessoas, que por sua própria natureza não é passível de ser tratado com indiferença. Não dá para simplesmente fingir que aquela multidão de gente não está lá. Era natural que a JMJ, portanto, influenciasse também a vida de pessoas que não são católicas. O que elas têm a dizer sobre a Jornada?

Trago alguns exemplos. O site do Pe. Paulo Ricardo publicou um interessante texto sobre a «Jornada Mundial da Juventude que comoveu os evangélicos»; enquanto certos pastores xingavam muito no Twitter, outros filhos de Lutero munidos de um grau maior de boa vontade comoviam-se com esta gigantesca manifestação de Fé Católica e, em certo sentido, uniam-se aos que transformaram o Rio de Janeiro em um gigantesco campo da Fé. Por exemplo, a foto abaixo correu as redes sociais:

protestante-jmj

É claro que nem todos os protestantes estavam imbuídos destes santos desejos de unidade entre os cristãos; outros aproveitaram o encontro para fazer o seu proselitismo herético e inclusive atrapalhar os católicos (*) que queriam ver o vigário de Cristo. Mas a própria existência destes espíritos de porco serve para tornar mais admirável os gestos de apoio que recebíamos espontaneamente de muitos de nossos irmãos separados. Que o Deus Altíssimo leve em consideração a sua boa vontade e lhes conceda as graças necessárias para chegarem um dia à plena união com a Igreja de Cristo, pela qual as suas almas anseiam mesmo que – por vezes – sem o perceber.

[(*) Houve inclusive um deles que, portanto um bandeirão amarelo gigantesco, colocou-se rente à grade que demarcava o espaço de passagem do Papamóvel, impedindo muitos católicos que estavam atrás de verem a passagem do Sucessor de São Pedro. Na quinta-feira, o desgraçado estava bem à minha frente. Pensando que se tratava simplesmente de um católico sem noção que estava querendo ver o Papa, eu próprio (e muitos outros) nos esforçamos por conter os gritos de “baja la manta!” que ameaçavam evoluir para atitudes efetivas de desobstrução do espaço à nossa frente. Soubesse que o canalha era um herege que havia se colocado entre o Papamóvel e os católicos com o fito explícito e deliberado de impedi-los de ver a passagem do Romano Pontífice, tinha eu próprio “bajádole la manta” para que ele aprendesse a não aporrinhar de maneira tão cretina a manifestação pacífica da fé alheia.]

Durante a semana da Pré-Jornada, quando nós voluntários já estávamos no Rio, éramos parados amiúde nas ruas por pessoas que simplesmente nos parabenizavam pelo que estávamos fazendo, mesmo que não estivéssemos fazendo nada a não ser andar por aí com os sinais distintivos da JMJ. Nem todas eram católicas, e elas às vezes faziam questão de nos dizer. Eu particularmente não recebi nem presenciei um único sinal de hostilidade durante estes dias; muito pelo contrário até. Uma senhora, que se apresentou como evangélica, chegou inclusive a nos oferecer a casa dela para hospedar voluntários ou peregrinos que porventura estivessem precisando. Tinha acabado de nos conhecer na rua. Fez questão de nos dar o seu telefone e ainda pediu desculpas porque não ia poder ficar em casa, uma vez que tinha que trabalhar, mas disse que nós podíamos ficar à vontade porque ela, com muito gosto, colocava o que tinha à nossa disposição. Ora, tamanha hospitalidade é extremamente admirável! Dona Joelma, que Deus lhe retribua a generosidade. A senhora verdadeiramente nos comoveu com a simplicidade do seu exemplo de amor ao próximo, mesmo aos desconhecidos e diferentes.

Mas nem só os protestantes se permitiram admirar a Jornada. Outras pessoas a elogiavam até por razões não-espirituais. O testemunho abaixo, por exemplo, foi outro que correu a internet. O Dr. Rodolfo Hartmann é professor universitário e juiz federal; a julgar por sua página no Facebook, não parece católico, ao menos não católico praticante. Podia perfeitamente ser um ateu ou agnóstico. No entanto, escreveu o seguinte pequeno texto sobre a JMJ, que faço questão de copiar aqui na íntegra porque é bonito o bastante para merecer um pouco mais de durabilidade do que o Facebook é capaz de lhe proporcionar:

Moro em Copacabana. Fiquei praticamente 4 dias em prisão domiciliar. Grande parte do comércio estava fechada e o que funcionava tinha fila que não acabava. Era difícil sair de carro e era impossível correr ou caminhar na praia. Nem academia funcionou. Vi 5 filmes em 3 dias (a última vez que fiz isso devia ter uns 15 anos). Simplesmente ficou mais cheio do que no réveillon e por mais dias. Mas não escrevo para criticar, pelo contrário. Essa JMJ poderia repetir todo ano aqui em Copacabana. Nesses dias, não vislumbrei desrespeito, sujeira, sedução barata ou mesmo uso de substâncias ilícitas e abuso de álcool. Simplesmente, eu observava as filas e ninguém furava. Carros que eventualmente passavam não eram socados. Não vislumbrei agressões. Também não vi lata ou sujeira no chão. Não tinha gritos e sim cantorias. Peregrinos com as suas bandeiras. Ficou muito cheio, é verdade. Os sanitários disponibilizados eram poucos. Mas, independentemente da fé pessoal de cada um, o que eu vi foram jovens e adultos em uma celebração saudável. E vão embora daqui felizes. E deixaram muitos aqui felizes. Eu curti essa meninada. :)

E, é claro, os meios de comunicação social seculares não puderam ignorar um evento desta magnitude. Muita coisa se escreveu sobre aqueles dias; a maior parte delas eu não pude ler, ocupado que estava em acompanhar in loco o desenvolvimento da JMJ. Mas foi gratificante retornar para casa e ler no El País – no El País conhecido por seu anticlericalismo! – uma matéria procurando explicar por que o papa Francisco fascina tanto os jovens. E não pude conter um sorriso ao ler estas palavras:

Em tempos de descrença geral, enquanto grupos de adultos fazem ritos aqui na rua para “desbatizar-se” ou exibir seu ateísmo, uma boa surpresa é que centenas de milhares de jovens de tantos países e línguas diferentes se apaixonaram por um papa que lhes pede que se despojem da casca do supérfluo para sentir a vibração do que permanece e vale a pena saborear.

Sim, é impressionante como o Papa consegue (e com tanta facilidade) angariar a simpatia de tantos. Para mim, isto é um claro sinal da sede de transcendência – da sede de Deus! – da qual padece o mundo moderno, ainda que não tenha coragem de a admitir. Que não seja somente entusiasmo vazio. Que esta boa vontade concedida ao Vigário de Cristo possa fazer essas pessoas – ao menos algumas dessas pessoas – abrirem o seu coração à Doutrina Católica da qual o Sucessor de Pedro é porta-voz. Rezemos pelo Papa Francisco! A fim de que ele consiga se utilizar desta extraordinária popularidade da qual goza no mundo atual para confirmar na Fé estes tantos que o admiram mesmo sem entender ao certo o porquê.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

12 thoughts on “A Jornada da Juventude não-católica

  1. Marta

    Moro numa região com alta incidência de evangélicos, principalmente luteranos, e as colocações do texto são bastante verdadeiras. Salvo algumas aberrações pentecostais , que já não podem mais ser chamadas de religião mas de caso de polícia, a postura dos evangélicos tem sido de muito respeito e até de admiração em relação ao Papa Francisco. Houve até um pastor luterano que, além das boas vindas ao Papa no seu blog, expressou o seu desconforto e tristeza diante da separação ocorrida um dia entre os cristãos e disse que rezava pela mudança dessa situação. Enfim, sempre acreditei que pessoas verdadeiras na sua procura pela Fé , existem em todos os cantos. E penso que Deus, na sua infinita Misericórdia, não vai abandoná-las.Que a visita do Papa Francisco renda bons frutos!

  2. Leniéverson Azeredo

    Jorge Ferraz, são puros recalques anticatólicos, pessoas que usam da apologética ou ideologia marxista como um meio denigridor da Igreja Católica. Eu já tinha notíciado isso: http://lennyjornalistacatolico.blogspot.com.br/2013/07/artigo-pastor-silas-malafaia-ataca.html Agora, mais recentemente tem isso: http://noticias.r7.com/videos/empresarios-denunciam-falta-de-pagamento-da-organizacao-da-jornada-mundial-da-juventude/idmedia/520b73e50cf25a7d43ff88ee.html O que esperar, não? Mas, de uma coisa eu sei, as portas do inferno jamais prevalecerão sobre a Igreja.

  3. Sidnei

    ” Dr. Rodolfo Hartmann”, pelo sobre nome parece-me ser judeu. Mas não importa, se ele gostou, alguns evangélicos gostaram e a mídia não ficou indiferente, então a JMJ foi nota 10, porém, agora deve-se continuar a dar os bons frutos deste encontro, se não será somente mais um evento como entre tanto que ocorrem no Rio de Janeiro e que só serve para fazer festa e oba, oba. Neste evento não deverá ocorrer isto, ou se dá testemunho a vida toda e não somente durante este evento, ou este evento serviu para nada, agora esta nas nossas mãos levar a adiante as propostas trazidas pelo Santo Padre, e que foram apresentadas durante a JMJ. Que Deus nos ajude.

  4. Sidnei

    Lenieverson, as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja de Cristo, mas, se tiver pessoas como este pessoal do Comitê Organizador da JMJM, a nossa Igreja, que não é nossa mas de Cristo, será pau para toda obra. Se este pessoal do CO da JMJ foram tão incompetentes na organização do evento quanto estão sendo nos pagamentos dos fornecedores, será mais lenha na fogueira para os inimigos da Igreja, eles não vão perdoar, esperem que virá mais chumbo grosso por aí, ou o CO da JMJ se apresse para quitar estas dívidas, ou nossa Igreja será enxovalhada a todo instante. Este pessoal não perdoam que o JMJ foi um sucesso, então agora eles correm atrás de algum furo que ficou, e convenhamos, que se o que esta reportagem for verdade, isto não é nenhum furo, mas um rombo do tamanho do mundo, então o pessoal do CO da JUM tome vergonhe na cara, e em primeiro lugar, venha a público esclarecer isto tudo, porque não queremos, nós católicos, que somos a Igreja, ser enxovalhados pelos nossos inimigos graças a incompetência deste pessoal todo.

  5. Thai Nascimento

    Participei da Jornada Mundial da Juventude como peregrina e posso confirmar tudo isso que você escreveu. Eu e meu grupo também fomos parados muitas vezes por pessoas não católicas que nos felicitavam pelo evento. Me lembro do padeiro que nos disse uma vez que estávamos “alegrando o Rio de Janeiro”. Espero que não somente a nossa alegria e o nosso respeito mútuo contagiem essas pessoas que nos viram “de fora”, mas que também a nossa fé chegue até eles e os atraia.

  6. Leniéverson Azeredo

    Sidnei, sua reflexão sobre o assunto está, de certa forma errada, mas vou te ajudar a pensar: Supondo que esse fato seja verdade, ou seja, um suposto calote, porque o cara, dono da empresa só usou a Record para falar, se nenhuma outra emissora de TV ou meio de comunicação, veiculou o assunto? Hein? Nos dias seguintes, a emissora do Edir Macedo, não veiculou mais o assunto. Seria um silêncio estratégico? Para uma emissora que exibiu o chute de um “Bispo” a imagem de Nossa Senhora, em 1995, pode se esperar tudo e todas as baixarias possíveis. Não é? E mais: No Brasil, há um falso conceito de que a relação entre católicos e protestantes tem um “P” de pacífico. Mentira. Lembra dos nossos embates com o Alvaro, Sídnei? E ele negando as evidências fortes? Pois é. O fato que é, que nunca chegamos ao nível da Irlanda. Lá o “Bicho Pega” há muitas dezenas de décadas e, ao que me parece, não há indicativo de que se resolva.A Musica do U2, Sunday, Bloody Sunday (Domingo, Sangrento Domingo) retrata muito bem a total ausência de paz, dos dois lados. Isso não é de Deus, com certeza. As situações descritas pelo Jorge e alguns comentaristas de quem houve acolhimento de alguns protestantes, se explica , pois, há muitos “Graças a Deus” tem a mente aberta, não dá muita bola para o discurso odioso emitido nos cultos, escolas bíblicas dominicais, sites e revistas ‘gospels” , marchas para Jesus e outros eventos ‘evangélicos’.

    Saudações e paz e bem, Sídnei.

  7. Sidnei

    Lenierveson, houve a reportagem e o pessoal do COL da JMJ não deram uma resposta qualquer, isto é que me irrita na Igreja, ela é atacada por todos os lados, mas não se defende, e se a denuncia contra o COL da JMJ foi uma mentira o pessoal do COL simplesmente se calou, quando deveriam ter vindo a público e esclarecer os fatos, agora, quem cala consente, aí ou a reportagem tem algum fundo de verdade, que é claro, que os asseclas do Edir Macedo não iriam deixar passar em branco, ou diante da mentira o pessoal do COL estão sendo muito covardes, espero que haja reação bem rápida, porque logo logo haverá esta notícia na TV através do jornal da Record ou no domingo espetacular, porque os filhos das trevas não dormem em serviço, enquanto os filhos a luz são eternos dorminhocos.

  8. Sidnei

    Não é que os filhos das trevas foram mais rápidos que os filhos da luz, novamente:

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/08/1323906-empresa-acusa-jornada-da-juventude-de-dar-calote.shtml

    https://www.youtube.com/watch?v=X1rWPClE-Gs

    http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/jmj-a-peregrinacao-agora-e-para-receber-da-igreja

    Como já escrevi aqui, este pessoal não perdoa pelo JMJ ter sido um grande sucesso, mas que vão arrumar mil e uma picuinhas para o desabonar, isto vão.

  9. Sidnei

    E espero que depois de todas as dividas quitadas, o COL do JMJ venha a público exigir que estes mesmo meios de comunicação que trouxeram estas denuncias a tona, que também noticiem a quitação total da dívida que o COL da JMJ tinha com estes fornecedores. É esperar para ver.

  10. Leniéverson Azeredo

    Caro Sidnei, pelos seus comentários, você me parece ter a mente de quem incrimina. Veja, não estou dizendo que a reportagem não existiu, ela existe, mas o problema é que há uma diferença entre acusar alguém e suspeitar que houve algo. Quem tem de decidir isso, não sou eu , você e a imprensa, mas sim, a justiça daqui da terra. Antes de tecer qualquer juízo de valor, vamos deixar o pessoal estabelecer uma estratégia de defesa e, nos somarmos a Igreja, orando e torcendo para que tudo se resolva. Acredito que nós faremos melhor assim.

    Pax et bonum!

  11. Sideni.

    Lenieverson, se você viu a reportagem, verás que a própria Arquidiocese do Rio de Janeiro, admitiu que houve problemas no pagamentos dos fornecedores, então, a reportagem tem fundo de verdade, então não estou nem um pouco incriminador nesta história toda, agora, se houve tal problema, porque este pessoal que estão acusando a organização do JMJ não procuraram outra emissora que não fosse a Record, como você mesmo indagou?, porque justamente estas notícias foram parar em três grandes meios de comunicação altamente anti-clericais (TV Record, Folha de São Paulo e Revista Veja da Editora Abril). Quem perceber a reportagem da TV Record bem no inicio há uma caminhão baú o qual estão sendo retirados cadeiras que seriam de uma empresa que alugam estas cadeiras. Pois bem, neste caminhão há uma frase descrita: “Deus é fiel”, esta frase vem da igreja universal, posso estar muito enganado, mas será que o proprietário deste estabelecimento não faz parte da universal?, e mais, durante a entrevista a repórter disse que tinha uma lista de fornecedores que foram dadas por pessoas do próprio COL da JMJ que estavam inconformadas com a atitude do COL e da Arquidiocese com relação ao suposto calote aos fornecedores, isto me cheira a sabotagem, posso estar muito enganado, profundamente enganado, mas durante o evento houve uma série de problemas (metrô, distribuição de kit) e outros mais, relatados aqui pelo Jorge, mas será que só eu cheiro algo de tramoia no ar?, para mim tanto dentro do COL como fora, houveram pessoas que tentaram de todos os modos a sabotar este evento, isto ninguém me tira da cabeça, e agora, depois de passado o evento, ainda trazem a tona notícias como estas, me desculpem, em repetir isto novamente, posso estar muito enganado, mas como o Rio de Janeiro é um dos maiores estados protestantes do país, e nem todos são como aquela simpática senhora que ofereceu sua própria casa para os peregrinos hospedarem durante o evento, mesmo ela sendo evangélica, mas muitos outros evangélicos quiseram ver afunda o evento.