Também o Papa Francisco celebra versus Deum

closeAtenção, este artigo foi publicado 3 anos 8 meses 5 dias atrás.

Já faz quase uma semana, mas eu não queria deixar de registrar que o Papa Francisco, na Festa do Batismo do Senhor, celebrou versus Deum na Capela Sistina. A foto abaixo é do pe. Z:

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A notícia me deixou sobremaneira feliz por dois motivos.

O primeiro é que, ao contrário do que aconteceu no túmulo de João Paulo II, aqui não há mais desculpas de ordem pragmática. “No túmulo de João Paulo II não dava pra colocar uma mesa”, disseram alguns à época; pois bem, ainda que isso seja verdade, na Sistina dava e o Papa dessa vez não a colocou. Celebrou, assim, versus Deum podendo ter escolhido celebrar versus populum. Celebrou porque quis.

O segundo é porque foi precisamente na Capela Sistina que o Papa Francisco resolveu colocar uma mesa na sua primeira Missa celebrada como Romano Pontífice. Lembro-me de que registrei dolorosamente o fato aqui no Deus lo Vult! e, agora, é como se uma espinha se nos tivesse sido arrancada da garganta, como se os fios houvessem percorrido o caminho inverso para desatar o nó: na Sistina um dia o Papa deu as costas ao Altar, na Sistina hoje o mesmo Papa celebra tendo diante de si o Juízo Final.

É óbvio que isso não significa o menor desmerecimento, por parte do Sumo Pontífice, da Missa celebrada de frente para o povo, e é igualmente óbvio que o Papa Francisco não vai adotar agora o ad orientem como posição oficial das celebrações pontifícias. O ponto não é esse. O que este gesto do Papa mostra é que não existe da parte dele a menor hostilidade para com o versus Deum. Não há nenhum preconceito ideológico – tão comum nos nossos dias! – com o padre celebrar “de costas para o povo” e, embora o Vigário de Cristo possa pessoalmente preferir celebrar na posição que se popularizou nas últimas décadas, entende que outros elementos litúrgicos extraordinários têm lugar na catolicidade da Igreja.

O Papa tanto entende que é legítimo celebrar ad orientem que ele próprio celebrou dessa maneira, para o mundo inteiro ver! Calem-se portanto os “liturgistas” modernos com suas teorias estapafúrdias, dêem lugar os ideólogos da moda ao exemplo que se nos chega do próprio Vigário de Cristo. Também o Papa Francisco celebra versus Deum. Aprendamos com o seu exemplo, respeitemos o que ele demonstra respeitar.

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3 thoughts on “Também o Papa Francisco celebra versus Deum

  1. Bruno

    Também tenho observado uma ligeira “melhora” nos paramentos e vestes litúrgicas utilizadas. Não chega perto dos já saudosos tempos de Bento XVI, mas é uma alegria observar esta evolução. Será que não teria um dedo do Monsenhor Guido Marini nisso?

    No mais, rezo a Deus para que o papa fique mais comedido nas palavras e pare de municiar seus inimigos com declarações controversas. Na minha opinião, o papa deveria evitar ao máximo declarações de improviso.

  2. Lucas

    Acho que a igreja romana muda e sempre mudará,quando sente necessidades.Lembro da minha infância,quando na minha cidade a igreja episcopal anglicana,estava sempre repleta de católicos romanos,que iam em busca da liturgia em vernáculo e versus populum.Para naõ perder fiéis,admite a rcc,(pentecostalismo,de origem protestante),estimula a leitura individual da bíblia,(algo novo)…isso é uma questão de sabedoria e sobrevivência.

  3. Frazão

    Caro Lucas.
    Sem querer ofender a tal ou qual seguimento religioso, lembro que, aqui, você está apresentando um exemplo típico de uma religião proselitista, onde prevalece o princípio econômico da sobrevivência, em que a cadeia econômica (religião hierarquizada) se curva perante as exigências do mercado consumidor (fiéis); isto é, se tal mudança no procedimento religioso (produto) não está agradando aos fiéis (consumidores), recuemos…
    Será que essa freada na mudança não está ligada a pressões da cúpula vaticana junto ao papa, para que ele não mude muito o procedimento papal (forma do produto), atendendo a uma boa faixa de fiéis (consumidores), aqueles que dão mais valor à forma (aparência), do que propriamente a “pequenas” variações na essência (fórmula) do produto?
    Será que não é assim que as religiões tradicionais estão procedendo?
    Abraços. Frazão