O Sínodo, a família e os homossexuais

closeAtenção, este artigo foi publicado 2 anos 11 meses 8 dias atrás.

A respeito do Relatio post disceptationem do Sínodo dos Bispos nesta segunda-feira divulgado – e que, desde então, vem provocando o estardalhaço da mídia católica e laica -, é preciso dizer o quanto segue:

1. Existe a respeito dos homossexuais uma norma há muito vigente na Igreja Católica, e que parece infelizmente gozar de bem pouca eficácia nos dias atuais. Ela se encontra no Catecismo da Igreja e diz que os homossexuais «[d]evem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza»; e ainda que, para com eles, «[e]vitar-se-á (…) qualquer sinal de discriminação injusta» (CCE 2358). Tudo isso tem se tornado nos últimos anos verdadeira letra morta, obscurecido por um lado pelo mais abjeto relativismo moral e, por outro, pela tendência a se enxergar, em todo homossexual, um raivoso militante do movimento LGBT.

[A bem da verdade, aliás, o problema não se restringe aos que se sentem atraídos pela prática de atos sexuais contrários à natureza: nas nossas paróquias, a imensíssima maior parte das situações de pecado encontra ou a conivência cúmplice (disfarçada sob um dar de ombros condescendente que diz que, hoje, “o mundo é assim mesmo”) ou – até em reação a esta – o enxovalhamento puro e simples. Este é um mea culpa que nós precisamos fazer. Está cada vez mais difícil ser católico: parece haver um amplo e vasto espaço para os que estão já bastante satisfeitos consigo próprios, mas pouquíssimo lugar para os que conhecem (ou ao menos entrevêem) os próprios defeitos e desejam (ou gostariam de desejar) mudar para melhor por amor a Cristo.]

2. Para não fugir muito ao tema do post (para além do qual, apenas à guisa de citação, eu poderia falar dos divorciados recasados, dos consumidores contumazes de pornografia, dos namorados que vivem juntos, dos políticos corruptos et cetera), concentremo-nos nos homossexuais. Sério, qual a chance que um homossexual dos dias de hoje tem de levar uma vida santa em decorrência do ambiente paroquial brasileiro médio? Qual o auxílio que alguém com essas tendências recebe, de ordinário, de nossas paróquias? Quantos grupos sérios para ajudar os homossexuais a viverem a castidade à qual os chama o Catecismo existem? Eu conheço o Courage, somente. Em quantas paróquias brasileiras o Courage está presente? Eu não conheço nenhuma. E importa, sim, reconhecer que há algo de muito errado com isso. A Igreja de Cristo existe para levar a salvação às almas, e não é porque meia dúzia de gatos pingados, soi-disant representantes da “categoria” dos homossexuais, militam contra a Igreja de Cristo que Ela deve erguer as Suas muralhas de modo a deixar perecer do lado de fora aquelas pessoas que, possuindo tendências homossexuais, entendem que o que está errado e precisa ser mudado encontra-se nelas próprias, e não na Doutrina Católica.

3. O famigerado Relatio do Sínodo dos Bispos possui três parágrafos (50-52) dedicados ao acolhimento de pessoas homossexuais (Welcoming homosexual persons). Quero acreditar que o que lhes inspirou foram considerações afins às que fiz nos dois pontos acima; no entanto, o resultado foi um verdadeiro desastre. Traduzo livremente:

50. Homossexuais possuem dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã; somos capazes de acolher essas pessoas, oferecendo-lhes um espaço fraterno em nossas comunidades? Frequentemente elas desejam encontrar uma Igreja que lhes ofereça um lar acolhedor. Estão nossas comunidades capazes de o oferecer, aceitando e valorizando sua orientação sexual [sic – accepting and valuing their sexual orientation], sem comprometer a Doutrina Católica a respeito da família e do matrimônio?

51. A questão da homossexualidade leva a uma séria reflexão sobre como elaborar caminhos realistas de crescimento afetivo e maturidade humana e evangélica, os quais integrem a dimensão sexual: isso surge, assim, como um importante desafio educacional. Outrossim, a Igreja sustenta que uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser consideradas em pé de igualdade com o matrimônio entre o homem e a mulher. Além disso, não é aceitável que os pastores sejam pressionados ou que organismos internacionais tornem o recebimento de ajuda financeira dependente da introdução de regulações inspiradas na ideologia de gênero.

52. Sem negar os problemas morais ínsitos às uniões homossexuais, é preciso notar que há casos nos quais o auxílio mútuo – ao ponto do sacrifício – constitui um precioso apoio na vida dos parceiros (sic). Além disso, a Igreja presta especial atenção às crianças que vivem com casais do mesmo sexo [couples of the same sex], enfatizando que os direitos e necessidades destes pequeninos devem ser sempre priorizados.

[Os pontos acima destacados foram cotejados com a versão italiana, e quase não foram encontradas diferenças significativas: o texto na língua de Dante traz “accettando e valutando il loro orientamento sessuale”, “il mutuo sostegno fino al sacrificio costituisce un appoggio prezioso per la vita dei partners” e “coppie dello stesso sesso”. Digo “quase” porque, embora eu seja amador no italiano, ao que parece o verbo valutare não tem a conotação positiva que possui o “valorizar” português, que em italiano mais bem se diria valorizzare.]

É bem evidente que o texto pode ser catolicamente compreendido, às vezes com muita tranquilidade (é óbvio que as pessoas homossexuais possuem dons e qualidades), às vezes com menos (a única ótica sob a qual se pode “valorizar” – em aceitando essa tradução – uma orientação sexual objetivamente desordenada é a mesma segundo a qual se pode dizer “positiva” a concupiscência: é um dado da individualidade humana a partir de cuja mortificação os cristãos se santificam…). No entanto, preocupa, e muito, que os riscos da instrumentalização ideológica de um tal texto não tenham sido percebidos – ou tenham sido placidamente aceitos… – pelos seus responsáveis. Era evidente para além de qualquer evidência que o resultado da divulgação deste Relatio seria uma proliferação de manchetes do tipo «Documento do Vaticano defende mudança da Igreja em relação aos gays» mundo afora.

E assim fica difícil, tanto para os católicos que desejamos ser fiéis à Doutrina da Igreja quanto também (e talvez até principalmente) para os homossexuais que se esforçam todos os dias para vencer as suas más inclinações e levar uma vida como a a qual lhe chama o Evangelho de Jesus Cristo. Ora, para quê fugir do pecado? Para, depois, os pastores capitularem diante do lobby homossexual e dizerem (ou deixarem que os órgãos de mídia digam) que, bem, na verdade não era bem pecado e, portanto, se se quiser viver de tal ou qual maneira, bem, tudo bem? Sinceramente, isso é vergonhoso. É uma ofensa aos homossexuais sérios, aos quais este blogueiro desde já pede perdão e garante as suas pobres orações.

4. Como é bem óbvio, o documento não tem o menor peso doutrinal. Na verdade, não se trata nem de um documento stricto sensu, i.e., de um texto emanado de uma autoridade católica que tenha por destinatário uma porção do [ou todo o] povo de Deus; é, como o próprio nome diz, um relatório, uma ata de reunião, uma coletânea de assuntos tratados durante as assembléias sinodais. A própria Santa Sé julgou por bem precisá-lo, depois que uma enxurrada de protestos – dentre os quais o não menos relevante é o do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé vociferando “indigno! Vergonhoso! Completamente errado!” – expôs o descontentamento generalizado. Mesmo entre os leigos, aqui e alhures, não faltou quem celebrasse o documento por um lado e, pelo outro, deplorasse-o enfaticamente. Só dois comentários.

Um, havia sinceramente alguma dúvida de que as coisas iriam se passar dessa maneira? Não era patente que, por um lado, a mídia – ávida por humilhar a Igreja – anunciaria vitoriosa uma mudança (ou sinal de mudança) na doutrina católica e, pelo outro, os católicos protestariam enfaticamente contra esta visão dos fatos? Não era óbvio que se iria instaurar esse conflito entre os católicos e os órgãos de imprensa? A troco de quê indispôr a Igreja com a opinião pública? Por qual motivo se desejou (ou se permitiu) esse deplorável espetáculo?

Dois, como muito bem disseram uns amigos, é incrível como os liberais dentro da Igreja parecem não perceber que o objetivo do mundo é coagir a Igreja à aceitação das imoralidades contemporâneas para, depois, relegarem-Na à irrelevância – como fizeram com a igreja anglicana. E é incrível também a desonestidade dos revolucionários que, no afã de fazer avançar a sua agenda impossível, pretendem que um documento “ata-de-condomínio” se sobreponha a uma miríade de outros documentos indiscutivelmente doutrinais que apontam a Doutrina da Igreja mil-vezes repetida sobre o homossexualismo…

5. Resumo da ópera. Segue o Sinodo Straordinario Sulla Famiglia, até o próximo domingo (19); e as boas conseqüências que dele poderiam advir – e as questões sérias do mundo moderno que lá poderiam ser tratadas – ficam completamente soterradas por essa estirpe de polêmica estéril e daninha, tão sobejamente anunciada e, no entanto, em relação a qual as autoridades da Igreja parecem agir com a mais angustiante leniência. É desalentador. No meio das trevas e da tempestade, contudo, no meio da fumaça de Satanás que irrita os olhos e conduz os homens a despencarem no abismo do erro e da mentira, importa aferrar-se com segurança e determinação à Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, que permanece firme e inabalável – diz o lema cartuxo – enquanto o mundo dá voltas. Não passarão as palavras d’Aquele por Quem céus e terras foram criados. Deus vê…! Do Alto há-de vir o nosso socorro. Do Céu há-de orvalhar a Justiça de Deus; e, sobre os justos, Ele há-de fazê-la chover em profusão.

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41 thoughts on “O Sínodo, a família e os homossexuais

  1. Lamartine Hollanda Junior

    Alexandre Magno: Li seu comentário. Assunto complexo, este. Mas vamos considerar o seguinte: a)É grande um grupo de CARDEAIS( portanto, católicos apostólicos romanos, bispos,maiores, destacados dentro da igreja) reunidos numa mesma sala geral e, quando dividido em grupos, em salas contíguas?Para mim, é pequeno. b)Não se trata de uma multidão qualquer.Trata-se de PASTORES, com formação filosófica e teológica, ordenados plenamente, com função magisterial, EXPERIENTES, INTELIGENTES,leitores de tratados, livros, jornais, artigos, revistas, expectadores de televisões e filmes, com ( ao menos suposta) vida sacramental.Um grupo assim( e pequeno, na minha opinião) não poderia alegar ” pressa”,” natural balbúrdia”, etc, para, SOMENTE MUDANDO O RÓTULO DE DOUTRINAL PARA PASTORAL, fazer PROPOSIÇÕES DE EXTRAORDINÁRIA REPERCUSSÃO PARA A VIDA SOCIAL NA TERRA E PARA A VIDA ETERNA, contrariando expressamente todo o ensinamento , proposição e incentivo da Igreja numa certa orientação doutrinária e piedosa HÁ DOIS MIL ANOS, e incentivando a devassidão, a irresponsabilidade, a doença mental!
    Sou especialista em psiquiatria( médico especialista em psiquiatria, de modo oficial e registrado, Perito Judicial e prof.universitário), entendo de método científico, de psicoterapia e de antropocibernética para afirmar que homossexualismo é doença mental psicogênica, adquirida e curável. E, SE fosse incurável, continuaria a implicar em pecado, obrigando aquele que quer permanecer na Igreja a TODAS as obrigações da castidade.É apenas meu limitado modo de ver, mas, para mim, é uma ingenuidade abissal e um esforço enorme de auto engano querer acreditar que, atrás destas formulações ambíguas, destes ” descuidos verbais e semânticos”, destes ” enganos” existam somente falhas humanas de pressa, redação, etc, e não, como creio e proponho, uma MÁ FÉ DEMONÍACA, SISTEMÁTICA, PROPOSITAL, IMPLACÁVEL, FRIA ,PERSISTENTE E INCANSÁVEL.

  2. Alexandre Magno

    Lamartine Hollanda Junior, na minha consideração, um grupo pequeno seria constituído por 3 ou até 5 pessoas; um grupo grande, a partir de 6 pessoas. Minha opinião diz respeito à dificuldade na comunicação entre as inteligências humanas. É só opinião que parte de uma impressão pessoal. Não tenho como argumentar por ela. Sua impressão pode estar próxima mais ou menos.

    Porém, abandono esse ponto de vista. Porque eu o tinha considerado que aquelas pessoas estavam a tentar “esculpir” doutrina. E não é o caso! Logo vimos que o documento é apenas o recolhimento de pontos de vista, uma mera ata de reunião. Assim, não vejo mais o porquê dessa discussão toda. Pois é natural que numa ata de reunião faça-se constar o irrelevante ou o que se queira propor para discussão. Os que estão presentes numa reunião [qualquer] por vezes dão um espaço mínimo a “novidades”, e passam logo a outros assuntos ou aspectos. Pode ser que acabe acontecendo isso…

  3. Luiz Alberto Mezzomo

    O perigo não está incrustado nas precisões das palavras. Mas nas circunstâncias e na cronologia em que as palavras estão sendo colocadas. Tudo começou com a estranha sentença: Quem sou eu para julgar os homossexuais…? Em si, e na exatidão da semântica, e na fé Católica o sentido foi irrepreensível. Contudo, considerando os atuais ataques que a Igreja Católica sofre em todo o mundo, por parte da imprensa e da cultura dita moderna, (e especialmente no momento em existe intensos esforços para aplicar no Brasil o casamento “gay” e ampliar o espectro do aborto) a declaração acabou sendo parte do arsenal adquirido pelos grupos anti-católicos. A resposta à questão deveria ser concisa, sim, porém mais clara e explicita quanto a posição da Igreja; não parecer, como pareceu, uma tentativa para agradar as pessoas, mas esclarecer a posição da Doutrina Católica quanto ao pecado (seria a síndrome do Costa Concórdia – sabemos no que deu, quando o capitão do Concórdia decide agradar os passageiros). O agravante é o contexto cronológico dos fatos: Qual foi o setor ideológico que mais aplaudiu a escolha do Bergoglio? Quais as ideologias (que seja, as idéias ) que os religiosos, atualmente escolhidos para os cargos mais importantes, seguem? Quais grupos religiosos e pessoas que o Bergoglio tem penalizado e criticado publicamente? Assim ao líder de qualquer instituição, especialmente uma de dois mil anos, espera-se no mínimo mais clareza nos atos e nas falas. O Sínodo e o seu rescunho, doutrinário ou não, teria obrigativamente ficar estrito nas letras da Doutrina. Seria como um legislador apresentar um projeto de lei defendo o latrocínio e explicar-se: “Mais é apenas um projeto de lei”! É bom lembrar, o que é uma tática favorita da esquerda: dois passos adiante, para recuar um. – A considerar: 1) O mal não prevalecerá contra Ela…! 2) O Papa é o Papa, e ponto final. 3) São Paulo para São Pedro: mais senso à mensagem de Cristo e Santa Catarina de Siena norteou o guia.

  4. Lucas.

    Sr. Lamartine, Santo Tomas de Aquino disse: “A mulher é um ser ocasional e incompleto,uma espécie de homem falhado”. Alguem defende isso hoje,em público? o seu conceito de homossexualidade também naõ está ultrapassado?

  5. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Na verdade, o que Sto. Tomás disse foi isso aqui:

    Mas, por comparação com a natureza universal, a fêmea não é um ser falho, pois está destinada, por intenção da natureza, à obra da geração. Ora, a intenção da natureza universal depende de Deus, universal autor da mesma. Por isso na instituição desta produziu não só o macho mas também a fêmea.
    Summa Ia, q.92, a.1., ad 1m

  6. Renato

    Marcus Moreira Lassance Pimenta
    20 outubro, 2014 às 12:31 pm

    A ROMA RUGE E A CARAVANA PASSA

    Parece-me que já vi um título semelhante na blogsfera, mas com o seu sentido interpretado as avessas…
    Neste lugar, pareceu-me, que o sr. Autor, com toda a autoridade do mundo neo-católico, dizia que a Suprema Autoridade afirmava, mais uma vez, mesmo contra toda a evidência factual, que estava Ela (a Autoridade) no controle; que estava sondando os rins e os corações; que era a autêntica detentora da Doutrina; que era a legítima dispensadora da misericórdia; que era a única disciplinadora; que não possuía críticos; que não necessitava de limites; que, em suma, não se dobrava a nada nem ninguém com esta demonstração de Potestade espiritual…
    Não adiantava as manifestações em contrário, pois a Autoridade é soberana em suas atribuições e delegações e não se poderia exigir qualquer explicação ou apelo, muito menos qualquer questionamento, pois a disciplina doutrinária era exercido com força suavemente descomunal…
    Hoje, vemos no que dá a mão suavemente disposta a exercer o Seu poder de governo: desmando!
    Numa tentativa de adequar-se as necessidades hodiernas de avidez pela Graça, cai-se na desgraça das necessidades hodiernas de adequar-se ao mundo.
    Não é o Mundo que marca o passo da Igreja, mas é a Igreja que acerta o passo do Mundo!
    A clave da misericórdia está sendo usada para encobrir uma multidão de pecados, com o agravante de falsificação desta mesma misericórdia: o verdadeiro “coração dos miseráveis” é dar-lhes a verdade e a justiça, não a cegueira moral e o esquecimento seletivo!
    Parece-me (apenas, parece-me) que o Papa Francisco não esqueceu as suas raízes latino-americanas: exacerba as suas experiências locais e as atualiza nas suas ações eclesiais.
    O que, para meu espanto e decepção, era uma “promessa”, hoje é uma realidade: vê-se que Roma ruge somente para aqueles que lhes são fiéis, e deixa a caravana modernista passar incólume, com ares de procissão solene, com o ostensório dos novos costumes, sendo icensado pelos novos sacerdotes do Mundo…

    http://fratresinunum.com/2014/10/20/onde-houver-duvida-que-eu-leve/#comments

  7. Pingback: O Sínodo e o homossexualismo: Papa Francisco e o Beato Paulo VI | Deus lo Vult!

  8. Alexandre Magno

    Renato, o link seria este. Mas o “carregamento” [dinâmico] da página não localiza corretamente o comentário, faz-se necessário novo ENTER na barra de endereços, após aquele carregamento estar completo.

  9. Pingback: Que papo é esse de Sínodo das Famílias? « O Catequista