Microcefalia e o avanço da agenda pró-aborto

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O meritíssimo sr. Juiz de Direito da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, dr. Jesseir Coelho de Alcântara, apareceu recentemente na nossa imprensa defendendo o aborto das crianças portadoras de microcefalia. «Se houver pedido por alguma gestante nesse caso de gravidez com microcefalia e zika, com comprovação médica de que esse bebê não vai nascer com vida, aí sim a gente autoriza o aborto», disse o Magistrado à BBC Brasil.

A bravata deve, sim, preocupar. Embora pessoas com esta síndrome possam levar uma vida perfeitamente normal — inclusive a ponto de dizerem achar «errado propor aborto para casos de microcefalia» –, isto só acontece se lhes é permitido, em primeiríssimo lugar, nascerem. Antes do nascimento, quando o feto não passa de uma imagem em um aparelho ultrassom, é sempre possível dizer qualquer coisa. Já cansamos de ver isso acontecer.

Marcela de Jesus, diagnosticada anencéfala, viveu um ano e oito meses. Vitória de Cristo, diagnosticada anencéfala, viveu mais de dois anos e meio. Jaxon Buell nasceu em 2014 e continua vivo. E a anencefalia é uma má-formação mais grave do que a microcefalia! Se mesmo bebês anencéfalos, a despeito dos diagnósticos que recebam no útero de suas mães, teimam em viver quando não são assassinados, o que se dirá dos portadores de microcefalia — que, destes, temos fartos exemplos até à idade adulta?

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Não existe «comprovação médica de que esse bebê não vai nascer com vida», esta quimera que o Dr. Jesseir evoca para anestesiar a consciência dos seus interlocutores. Não existe e nem nunca vai existir, porque este tipo de previsão (e não “comprovação”) é por sua própria natureza muito frágil. Diante de um aborto espontâneo, analisar o embrião com microcefalia severa e aventar a hipótese (verossímil, conceda-se) de que esta síndrome causou aquela morte, tal é possível ex post facto. Dizer, no entanto, que uma gravidez microcefálica em curso vai comprovadamente terminar em aborto, tal não é ciência e nem medicina. É na melhor das hipóteses exercício leviano de futurologia — e, na pior, pura e simples vontade de exterminar o deficiente. Não se pretende apressar o que há-de acontecer inevitavelmente, e sim poupar-se de uma experiência que se imagina desagradável. Acontece que, neste caso, esta experiência consiste em um ser humano inocente.

Veja-se como é esta e não outra a justificativa do aborto! Na sua fundamentação da ADPF 54, esta excrescência jurídica, o Ministro-Relator não é tão exigente quanto o Dr. Jesseir de Alcântara. Marco Aurélio, em seu voto, chega mesmo a dizer que o aborto deveria ser uma opção à mãe ainda que se reconhecesse o direito à vida do feto. Está lá, à página 69 do Acórdão:

No caso, ainda que se conceba o direito à vida do feto anencéfalo – o que, na minha óptica, é inadmissível, consoante enfatizado –, tal direito cederia, em juízo de ponderação, em prol dos direitos à dignidade da pessoa humana, à liberdade no campo sexual, à autonomia, à privacidade, à integridade física, psicológica e moral e à saúde, previstos, respectivamente, nos artigos 1º, inciso III, 5º, cabeça e incisos II, III e X, e 6º, cabeça, da Carta da República.

Ou seja: para o nosso Judiciário, a inviabilidade da vida extra-uterina é somente uma desculpa para tranquilizar a consciência da opinião pública, que insiste em ser visceralmente contrária ao aborto. Esta inviabilidade não é necessária de verdade: os juízes prescindem dela, aceitando em seu lugar meras impressões diagnósticas de que «esse bebê não vai nascer com vida» — e os mais ousados têm até a pachorra de dizer, em voto, que a liberdade sexual da mãe prepondera sobre a vida do feto. Antes, como agora, o objetivo não é conciliar direitos conflituosos em um caso limítrofe: o objetivo, agora como então, é fazer avançar a agenda pró-aborto. Que outro motivo explicaria o surgimento desta discussão de agora, quando são tão gritantes as diferenças entre o anencéfalo típico e o típico portador de microcefalia?

Para se defender desta tragédia é preciso ter a coragem de anunciar a sanidade em um mundo que parece sufocado pelo mal; mas é preciso também expôr ao descrédito estes maus profissionais que põem seus saberes a serviço da eugenia. Por exemplo, uma associação de portadores de microcefalia que receberam «comprovação médica» de que não nasceriam com vida seria excelente para destruir a credibilidade desta espécie de atestado médico, e bem que poderia tornar os profissionais de saúde menos propensos a arriscar sua reputação nesta espécie de vaticínio macabro. E o Juiz de Direito da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, que não tem a coragem do Marco Aurélio, já disse que só “autoriza” o aborto com a dita «comprovação». Sem ela, ao menos as crianças goianienses estarão a salvo da sanha homicida do Dr. Jesseir.

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6 thoughts on “Microcefalia e o avanço da agenda pró-aborto

  1. Vinicius

    Chega a ser cansativo argumentar contra estes militantes pró-aborto. Eles vêm sempre com os mesmos argumentos toscos, inverídicos e indignos. Querem empurrar goela abaixo ideais desumanos de desvalorização da vida. E, infelizmente, boa parte da sociedade já se sente satisfeita em engoli-los.

  2. Isac

    SERIA UMA BOA OPORTUNIDADE, QUEM SABE DESSA VEZ… Os socialistas, de todas as cores e matizes, são naturalmente abortistas, e tudo indicaria que o Zika vírus está sendo utilizado pelo governo em conluio com as Fundações internacionais que, à realidade, simples pretexto para implantar a agenda abortista no país e disseminar a contracepção, quer incentivando as mulheres a abortarem, quer as desestimulando a se engravidar.
    Para tal, além de promoverem um desincentivo a nível mundial de despopulação, dispõem de excelentes laboratorios de engenharia social, sutilmente chantageando a sociedade em conluio com a midia para aceitar passivamente o aborto, “apenas” nesses casos específicos!
    No entanto, a estrategia a longo prazo com eventual concessão, é a de ir preparando as mentes para à frente reconhecê-lo como direito, como exigem os grupos feminazistas, como tentam impor os conspiradores grupos abortistas aliados às Fundações internacionais. Nesse pareo, atuam diversos grupos afins, como a Fundação Rockefeller, a Fundação Ford, a Fundação MacArthur e outras associadas ao esquema.
    Como é golpista a mafia do aborto!

  3. Félix

    “Interessante” a Marcela de Jesus ser diagnosticada por diversos especialistas dentro do útero da mãe e também durante a vida toda dela com anencefalia para somente DEPOIS de longos 2 anos aparecerem iluminados dizendo que ela não possuía anencefalia e sim “algo próximo de anencefalia”.

    Mas mesmo assim, o que foi dito pelos iluminados progressistas é totalmente irrelevante na discussão da legalização, já que não é possível determinar o “grau da anencefalia” com certeza dentro do tempo certo.

    Abortistas são extremamente canalhas, desonestos e mentirosos.

  4. Cleverson

    Enquanto os modernos e pós-modernos existirem sobre a terra, esse tipo de pesadelo não vai acabar. Os mesmos já deram evidências mais que suficientes que não vão se retirar por bem, precisamos nos unir e dar um jeito de removê-los à força e destruir o mundo por eles criado.

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  6. Wilson Rmiro

    O Governo brasileiro parece que tudo fará para colocar o aborto em nossa leis, nem que para isto tenha que prejudicar toda uma geração de brasileirinhos.

    Médicos argentinos associam microcefalia a larvicida utilizado na água
    Pesquisadores acreditam que má-formação pode ter relação com o Pyriproxyfen, pesticida indicado pelo Ministério da Saúde no combate ao Aedes aegypti em reservatórios de água potável

    Os médicos também questionam o fato de as outras epidemias de zika, como a da Polinésia Francesa, não terem sido associadas a problemas congênitos em recém-nascidos — “apesar de infectar 75% da população nesses países”. Outro elemento reforça ainda as suspeitas de que há algo além do zika vírus nos casos de má-formação: a Colômbia, o segundo país com maior número de infectados, contabilizou mais de 3 mil grávidas infectadas, mas não há registros de microcefalia vinculada ao zika.

    Conforme a publicação, as má-formações detectadas em bebês de grávidas que vivem em áreas onde passou a ser utilizado o Pyriproxyfen na água potável “não são uma coincidência”. A crítica vai além: “o Ministério da Saúde coloca a culpa diretamente sobre o vírus zika, ignora sua responsabilidade e descarta a hipótese de danos químicos cumulativos no sistema endócrino e imunológico causados à população afetada”, posicionam-se os pesquisadores no documento.