A recuada do anúncio do mal

closeAtenção, este artigo foi publicado 2 meses 11 dias atrás.

É sintomático que o bispo de Caicó tenha publicado uma “nota de esclarecimento” para dizer que foi mal compreendido nas suas alegações (francamente escandalosas) a respeito do homossexualismo. Ora, o que está na nota não é, absolutamente, o que se divulgou na mídia e provocou escândalo. Na festa de encerramento de Santana Dom Antônio teve o desplante de chamar o homossexualismo de “dom de Deus” (!). Na nota da Diocese Sua Excelência simplesmente afirma que quer «salvar vidas» e «superar os preconceitos que matam».

É bastante evidente que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Todo mundo sabe que os homossexuais são chamados à castidade (Catecismo, 2359) como os irascíveis são chamados ao autodomínio e, os glutões, ao controle do apetite. Se Dom Antônio tivesse simplesmente afirmado isso tal não provocaria, é evidente, celeuma alguma. O que provocou a (justa) ira dos católicos foi Sua Excelência ter chamado uma desordem objetiva de “dom de Deus”.

Ora, uma desordem não é nunca um dom. Uma disfunção da libido não é um “dom”, assim como não é um dom um câncer ou uma inclinação particularmente intensa para, digamos, a preguiça. Como Dom Antônio afirmou — com aliás muita propriedade — na sua nota de esclarecimento, o que realmente importa é a forma como se vive, dadas as condições que se possui. Uma pessoa pode perfeitamente possuir «tendências homossexuais profundamente radicadas» e ser muito santa, bastando para isso que ela lute — com coragem e determinação! — contra essas más tendências. Da mesma forma uma pessoa pode ter uma inclinação muito forte para a mentira e, ainda assim, santificar-se intensamente, bastando para isso lutar a cada dia por não mentir.

O que não tem sentido é dizer que o homossexualismo é um dom, como se o pecado — i.e., a prática de relações sexuais contra a natureza — tivesse alguma coisa de virtuoso que não fosse precisamente a luta para o evitar. O pecado é sempre uma escolha e é sempre uma coisa horrível, que ofende a Deus e que conduz as almas à perdição. Nenhuma pastoral verdadeira pode perder isso de vista, porque o objetivo de toda pastoral é levar as almas à salvação e sem uma vida moral reta é impossível se salvar. O aspecto “pastoral” do Catolicismo diz respeito simplesmente ao modo de transmitir aquilo que deve ser transmitido: não é, de maneira alguma!, algo de paralelo e nem muito menos de contrário ao seu aspecto doutrinário.

Toda Doutrina existe para ser transmitida a homens concretos — e por isso precisa da pastoral; e toda pastoral existe para que se transmita a Doutrina. Não existe oposição entre uma coisa e outra. Uma doutrina que não pudesse ser transmitida não seria verdadeiramente Doutrina Cristã; do mesmo modo, uma pastoral que não transmitisse a Doutrina Sagrada seria antes atitude de lobos que de pastores legítimos.

Mas a nota da Diocese de Caicó é sintomática justamente porque não entra no mérito daquilo que provocou o escândalo: não diz nada sobre o homossexualismo ser dom de Deus, silencia completamente a respeito da conotação positiva (laudatória até!) que o bispo emprestou à triste condição dos que vivem na prática dos mais nefandos pecados contra a natureza. É como se Dom Antônio não quisesse se desdizer mas, ao mesmo tempo, não pudesse continuar sustentando o horror que proferiu naquele domingo: é como se a indignação dos fiéis católicos tivesse feito o sucessor dos Apóstolos se envergonhar — se não o suficiente para uma retratação, ao menos o bastante para que sentisse a necessidade de tergiversar e mudar de assunto.

A nota não retifica a afirmação espúria e ímpia; mas tampouco a repete, tampouco a corrobora. Se o bispo não teve a humildade de se retratar, também não teve a pachorra de insistir no erro — o que não deixa de ser algo de positivo. Sim, o ideal seria, sem dúvidas, que os pastores tivessem a coragem de anunciar com clareza e destemor a Sã Doutrina da Salvação. Mas que eles sejam forçados e constrangidos a recuar na apologia do mal é já uma preciosa vitória nesses tempos sombrios em que vivemos.

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7 thoughts on “A recuada do anúncio do mal

  1. Ygor

    “Mas que eles sejam forçados a recuar na apologia do mal é já uma preciosa vitória nesses tempos sombrios em que vivemos.”

    De fato!

    Mas estamos abaixo do mínimo por esses tempos sombrios ….

  2. Francisco Maciel

    Não se retratou. Deveria se penitenciar publicamente.
    Jogou a culpa nos ouvintes. Nós é que não sabemos ler e escutar. É da escola de Bergoglio.

  3. JB

    É forçoso admitir que a igreja tresanda a lavanda. Recentemente, um de meus sobrinhos que era coroinha interessou-se em ser padre. Bastou uma única visita ao seminário local para desistir. O odor de lavanda era insuportável.

  4. Halley

    É preciso ser claro e objetivo no ensinamento, dom é uma virtude, homossexualismo é um vício é exatamente o contrário.

  5. Geraldo

    CONFIRAM PARA VER OS DISPARATES MAIS ABSURDOS PROFERIDOS PELO CARISMÁTICO – SINAL DE ALERTA – DO PE REGINALDO MANZOTTI!
    Segundo ele, o espiritismo praticado pelo espírita e satanista Chico Xavier é um “dom”!…
    https://www.youtube.com/results?search_query=padre+reginaldo+manzotti+fala+sobre+edir+macedo+e+chico+xavier
    O “Dom do Homossexualismo” é dispensável, mas se inerente a uma pessoa, seria uma cruz oferecida que ela carregaria vida afora e a levaria até ao fim, podendo, se comportar castamente, poderá se salvar e ser até um santo, como qualquer um – dependerá de seu comportamento em vida de forma casta, pois o pecado que mais gente leva ao inferno é o pecado da carne!

  6. Marcio Monteiro

    Oremos e muito! por estes sacerdotes (bispos, padres, etc.). A igreja, em quase todo mundo, não está mais cercada de lobos vestidos de cordeiros. Ela já está cheia, em seu interior, de cordeiros que se comportam como lobos vorazes…

  7. Wilson ramiro

    Geraldo, o padre Manzotti foi católico em tudo o que disse, Chico era bonzinho mas enganado por pensar ser médium. Perfeito.