Lutero e o orgulho de se salvar sozinho

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Aproveitando o ensejo dos quinhentos anos da Reforma Protestante, penso que é oportuno voltar os olhos para Martinho Lutero. Debruçando-nos sobre os escritos do velho heresiarca, penso que é possível a nós, católicos, aumentarmos a nossa Fé — ainda que por contraposição.

Por exemplo, eu muitas vezes me pego a explicar, em aulas de catequese, que aprouve a Deus tornar-nos colaboradores d’Ele na ordem da Redenção. Isso se aplica em primeiríssimo lugar à nossa própria salvação (aqui, a frase de Santo Agostinho, tão antiga mas nunca gasta: “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”); aplica-se, também, à Mediação Universal da Virgem Santíssima (e, aqui, o título d’Ela, justíssimo, de “Medianeira de todas as graças”), mas se aplica também a muitas outras coisas comuns e ordinárias. A intercessão mútua é o dia-a-dia dos cristãos. Somos todos, em alguma medida, co-responsáveis pela sorte eterna uns dos outros.

Deus tem duas obras: a Criação e a Redenção. Ora, Ele não determinou que a transmissão da vida natural se desse mediante o concurso do homem e da mulher, através da relação sexual? Sem dúvidas a alma é criada diretamente por Deus, mas o corpo é transmitido dos pais. Não é o homem corpo e alma? Sem corpo, pois, não há homem. A conclusão aqui é assombrosa, mas inelutável: sem o concurso humano cessa a obra criadora de Deus.

E assim como a transmissão da vida natural — a continuação da obra criadora de Deus — não se dá sem a colaboração humana, assim também, mutatis mutandis, a continuação da obra salvífica de Deus — a redenção das almas, a comunicação da vida sobrenatural — não ocorre sozinha, exigindo também ela a cooperação voluntária dos filhos de Deus. A conclusão aqui é ainda mais assombrosa, mas não é menos certa: sem que os homens cooperem, portanto, mesmo o Sacrifício da Cruz queda estéril.

(Veja-se, é possível admitir que, no reino das meras possibilidades metafísicas, as coisas até poderiam ser de outra maneira. No entanto, não cabe a nós discutir com o Altíssimo sobre a melhor maneira de estabelecer a ordem do Universo: sim, as coisas poderiam ser de outro modo, mas o fato é que elas são assim, e a nós não compete senão reconhecê-lo, a fim de agimos conforme o que as coisas são e não o que poderiam ser.)

É este o fundamento da intercessão dos santos, é isto que justifica o múnus santificador da Igreja encarnada, é à luz dessa verdade que fazem sentido as palavras de Nossa Senhora em Fátima: “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e reze por elas”. Sim, Deus poderia fazer sozinho todas as coisas; não o quis, no entanto, preferindo em tudo depender da liberdade de suas criaturas.

Ocorre que Lutero não entende nada disso. Para Ele Deus faz tudo sozinho e o homem está sozinho diante de Deus, nem existe cooperação do homem com a graça divina e nem existem intermediários na relação do homem com Deus. O heresiarca simplesmente não compreende que Deus possa querer redimir os homens à força das boas obras de outros homens. Veja-se, para o ilustrar, esta reveladora passagem das 95 teses:

82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?

Ora, a resposta a isso é bastante óbvia. Deus não esvazia o Purgatório sozinho pela exata mesma razão que Ele não salva sozinho as almas: porque Ele quer que os homens cooperem com a salvação uns dos outros. O dinheiro, em si, não tem nenhuma relevância nesta questão, o que está em jogo é a boa obra alheia. Esta pode ser uma obra indulgenciada (como, no caso do séc. XVI, era o auxílio material para a construção da Basílica de São Pedro) como pode ser qualquer outra coisa, uma oração ardente, uma tribulação suportada com paciência, um copo de água dado a um pobre, um ponto de costura dado na roupa: se por amor de Deus, se ordenada, é meritória e tem valor salvífico para nós e para o nosso próximo.

Veja-se, o problema de Lutero não é com o dinheiro. É com a “intromissão” de um terceiro na relação entre a alma e Deus. Não é que o monge atormentado achasse que o dinheiro era uma coisa suja ou que havia muita corrupção no clero da sua época, o que Lutero não aceitava era que alguém pudesse ser salvo graças a uma boa ação de uma outra pessoa. O que Lutero achava era que as pessoas deviam se salvar sozinhas. Um dos «erros de Martinho Lutero» condenados na Exsurge Domine é o seguinte:

As almas libertas do purgatório pelos sufrágios dos vivos são menos felizes do que se elas prestassem satisfação por elas mesm[as].

Não era, portanto, pelo dinheiro. Era pela noção de “boa obra”, cujo valor sobrenatural Lutero não admitia. Era por conta dos «sufrágios dos vivos» que, na concepção tortuosa de Martinho Lutero, apequenavam os mortos que os recebiam. Era, em suma, por conta do extremo individualismo do monge alemão, incapaz de aceitar que somente as mãos estendidas de outros homens (todos pecadores) poderiam resgatá-lo da danação eterna. Alegando ter acesso direto a Deus, o que Lutero desprezava era o auxílio dos seus irmãos; sob a rejeição da intercessão dos santos estava o orgulho de pretender se salvar sozinho.

Extremada loucura. É exatamente assim que acontece com todos nós: somos levados ao Céu graças somente ao trabalho incessante de uma miríade de pessoas desconhecidas, cujas orações e sacrifícios, cujas boas obras, cujos méritos aproveitam a nós e se não fosse por eles nós sem dúvidas pereceríamos miseravelmente. Esta é a realidade que Cristo nos revelou e Lutero não quis aceitar. Esta é a Fé Cristã, à qual o pai do Protestantismo tão desgraçadamente deu as costas — arrastando séculos afora uma multidão de almas à perdição atrás de si.

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46 thoughts on “Lutero e o orgulho de se salvar sozinho

  1. JB

    Caro Márcio e demais colegas:

    O artigo abaixo, de 2009, é de autoria de um professor de sociologia de Stanford. Nada sei sobre ele, mas Stanford é considerada uma das melhores universidades do mundo.

    O artigo tem 22 páginas em inglês, escritas em espaçamento duplo e com várias figuras. A leitura é bastante fácil e rápida.

    https://web.stanford.edu/~cy10/public/Religion_and_Economic%20Growth_Western_Europe.pdf

    O autor compilou estimativas do PIB e da população de diversos países europeus nos últimos 500 anos e classificou os países entre “católicos” e “protestantes”.

    De acordo com o autor, em 1500 e 1600, o PIB per capita dos “católicos” era **maior** que o dos “protestantes”. Em 1700, contudo, os países protestantes já haviam ultrapassado os católicos. A diferença entre PIB per capita de católicos e protestantes aumentou progressivamente até meados do século XIX, permanecendo relativamente estável até os anos 1960. Entre 1960 e 2000, os “católicos” apresentaram crescimento médio superior ao dos “protestantes” sendo a diferença no PIB per capita entre uns e outros de apenas 6%, a favor dos protestantes, atualmente.

    O autor discute ainda as diversas explicações para esse fenômeno, sociológicas (o protestantismo favorece o capitalismo), migratórias (a Contra-Reforma católica afugentou as melhores mentes que migraram para o Reino Unido e Holanda), políticas (católicos tendem a ter governos centralizadores que sufocam a iniciativa privada), educacional (protestantes investem mais em escolas/universidades que católicos), etc.

    Para quem se interessa pelo tema, é ótima leitura.

  2. Sidnei

    JB, de todos os seus comentários o que eu posso resumir em uma frase eu diria; ” tudo que você falou foi como um balde d água fria”.

    Pelo que me lembro você é católico, mas com relação ao assunto: protestantes progressistas x católicos atrasados, protestantes inteligentes x católicos ignorantes, parece que você puxou tudo para o lado protestante, dando a entender, que de fato tudo que se fala a favor dos protestantes como aqueles que trouxeram o progresso, o avenço nas ciências e na economia é verdade, enquanto que o catolicismo de fato só foi um fator de atraso e ignorância para todo mundo.

    Você concorda com isto tudo, pois em seus comentários parece transparecer isto.

    Para mim, se a Áustria católica esteve atrasada na época da guerra com a Prússia, nos dias de hoje, parece que aquele atraso que ela experimento no fim dos seus dias como império austro-húngaro, ficou para trás, o que importa são os dias atuais, mesmo com todo o secularismo nos dias de hoje, a Áustria sempre foi consideram um país de maioria católica, e se o protestantes adoram jogar na nossa cara, que países protestantes são os únicos mais desenvolvidos frente aos países católicos, embora eles omitem descaradamente a grande influencia secular nestes países, no qual a religião quase perdeu totalmente a sua influência na sociedade, nós católicos também temos o direito de apontar certos países católicos, que também deram certos economicamente.

    Mas em todos seus comentários, o que eu percebi foi que você parece aprovar que de fato os protestantes estão certos, que o protestantismo foi a principal causa o desenvolvimento destes países, e quando se apontam os países católicos que deram certo, você diz que não foi devido ao catolicismo, mas por outros fatores, jogando um balde de água fria em todo mundo, principalmente nos católicos que não concordam com este discurso de protestante, rico, avançado e inteligente x católico, pobre, atrasado e ignorante.

    Por fim termino dizendo, que estou muito decepcionado com você JB, que parecia defender a Igreja Católica tantas vezes, mas agora, parece que deu o braço a torcer para os protestantes, como concordando com todas as alegações deles.

    O Jorge bem que um dia poderia nos presentear com algum post sobre este assunto, para ver qual a posição dele diante disto tudo, fica a dica.

  3. Marcio Monteiro

    Caro Sr. JB:
    Na minha última resposta ao senhor, neste nosso agradável e interessante colóquio (pelo menos para mim), bastou que eu o contestasse firmemente, mas educadamente, alguns de seus argumentos (veja bem, eu disse alguns, pois até concordo com outros, como já deixei claro anteriormente, a não ser, me parece, para o senhor…), para que o início dessa sua última exposição fosse de uma foma pouco amistosa: Pelo tom da sua mensagem, está claro que sua paciência (e seus argumentos) acabaram. É pena. Mas vamos lá.
    Nitidamente, é o senhor que dá a impressão de estar perdendo a paciência (aliás, não sei porquê…), pois o seu tom irônico e com um certo menosprezo, estão a indicar que se o senhor não está começando a perder a sua paciência, está, pelo visto, incomodado com o debate. É pena. Mas vamos lá…
    Eu não defendi em nenhum momento uma relação negativa entre protestantismo e desenvolvimento econômico. Apenas eu sustento que existe um exagero, temperado com meias-verdades, para explicar o desenvolvimento econômico nos países protestantes face aos países católicos na Europa. Por isso, eu dei aquele exemplo provocativo das duas nações protestantes bálticas, nada desenvolvidas em relação a outras protestantes e católicas. (leia lá o estudo que você mesmo está sugerindo, bastante razoável por sinal, do professor do departamento de sociologia de Stanford. Aliás, aproveitando a oportunidade, gostaria de lhe sugerir 2 livros muito bons que também abordam um pouco este assunto, principalmente o segundo título: “The Church Confronts Modernity: Catholic Intellectuals and the Progressive Era” e “The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy, ambos de autoria de Thomas Woods ).
    Quanto a menção da França, é bom não esquecer que o fato de intelectuais e alguns membros e donos do poder não serem católicos, ou relativistas, não invalida em nada o que disse anteriormente. Historicamente, o laicismo francês já era de fato um fenômeno do século XVIII, como você bem lembrou. Entretanto, meu caro, eu falava da nação como um todo e de seu povo. A mentalidade laica, principalmente depois da Revolução Francesa, fez seus estragos é verdade, mas a grande maioria do povo (e até alguns intelectuais e ricos comerciantes, por incrível que pareça…) ainda era católica neste período, apesar de tudo. Sim, o pensamento católico permeava todo espírito francês (não mais como antes, admito, mas ainda sim, era forte).
    Não nos esqueçamos que neste século XIX que você já rotulava como sendo um século em que a França já estava “dominada” pelo secularismo, ela nos deu (para dar apenas um exemplo…) o grande São João Maria Vianney!
    Portanto meu caro Sr. JB, não “force a barra”. No século XIX a França era ainda bem católica, embora por este tempo, como disse (e nisso, mais uma vez, concordo com você), o secularismo e o relativismo já começassem a fazer estragos naquele país (e eu já havia escrito isto – por favor, volte lá e comprove!). É por isso que eu afirmei anteriormente, e isto é um dado histórico, que o secularismo e o relativismo passaram a avançar na França, infelizmente de forma inexorável, depois da 2ª guerra mundial, afinal, o trabalho de sabotage já havia começado há pouco mais de 100 anos antes, e acabou dando nisso que a França, outrora dileta filha da Igreja, é infelizmente nos dias de hoje…
    Para você ter uma ideia do que isso significa, em pesquisa religiosa recente na França (de 2012), 51% da população se disseram católicos, 31% agnósticos ou ateus, 4% muçulmanos, 3% protestantes e 1% judeus. Francamente caro JB, paro os dias atuais acho o número de católicos ainda bem elevado na França (com certeza, hoje já deve ter caído…), mas acredito que o percentual de muçulmanos já deva estar “nesta altura do campeonato”, em torno de 9% da população, pelo menos…
    Com relação a Áustria…bem, eu não sei se você já visitou a Áustria e não gostou da comida (difícil não gostar, pelo menos daqueles doces incríveis de Viena…), ou teve algum vizinho austríaco carrancudo…(por favor não estou sendo irônico, apenas um pouco de bom humor de vez em quando não faz mal a ninguém…), mas francamente, não sei qual o seu problema com a Áustria. Vejamos:
    Contestei sua colocação da Áustria ser um império decadente, pelo fato de que este império decadente só foi realmente dissolvido depois da grande derrota na 1ª guerra mundial, mesmo com todos os problemas que já afligia este império anteriormente, e que o senhor abordou.
    Entretanto, o ponto principal aqui é outro: porquê será que, a despeito de ter sido um “império decadente”, a católica Áustria sempre foi um país rico e progressista? (lembra de alguns dados que mencionei anteriormente da Áustria?).
    A verdade é que a rica Áustria, terra de Freud, Mieses, Mozart e outros nomes brilhantes das ciências, artes, economia e cultura, sempre teve a força e a determinação de seu povo para se reerguer e ir em frente. E católica, Sr. JB! Sem jamais, como o senhor disse de maneira absurda, pondo sua identidade nacional católica de lado, em favor de um pseudo pan-germanismo, que de resto falso, insuflado particularmente na época da 2ª guerra mundial por políticos austríacos entreguistas. Jamais Sr JB!!
    Agora, francamente Sr. JB, ainda querendo justificar isso, o senhor vem nos dizer sobre a concordata do governo austríaco com a santa sé (que depois foi restabelecida), e o que ainda é mais grave, o senhor ter escrito esta inominável ofensa histórica ao povo daquele país: “Não por acaso, os austríacos receberam o anschluss com risos e festas”.
    Sr. JB, ironias à parte, o senhor ia pelo menos num debate razoável, mas Isto somente demonstra o seu quase total desconhecimento da história! E a resistência dos austríacos? E a sabotagem que veio de dentro da própria Áustria, através de políticos corruptos e claramente alinhados com os nazistas (não fosse o próprio Hitler austríaco), que facilitou enormemente este lamentável processo de anexação do país pela Alemanha? Políticos do “calibre” de um Seyss-Inquart e Kurt Schuschnigg… Ora, se é verdade que a maioria do povo recebeu os alemães “de braços abertos” (uma página cinzenta na história do país), justamente por causa deste trabalho de retaguarda que foi feito bem antes para solapar e doutrinar o povo austríaco, temos que ter respeito por aqueles que minoritariamente resistiram ao avanço alemão e lutaram até o fim, inclusive muitos fugiram para a Inglaterra e lutaram contra Hitler ao lado dos aliados (alguns eram pilotos de caça da RAF). Infelizmente, por serem minoritários foram esquecidos pelo senhor e pela história!

  4. JB

    Caro Sidnei:

    A prosperidade material não faz parte das promessas de Nosso Senhor. Uma sociedade cristã não será necessariamente uma sociedade afluente. Lembremo-nos quem é príncipe deste mundo.

    Mas, por favor, releia uma de minhas mensagens anteriores. Julgo que minha posição ficou clara.

    http://www.deuslovult.org/2017/11/06/lutero-e-o-orgulho-de-salvar-se-sozinho/comment-page-1/#comment-52591

    Novamente, eu não considero que a prosperidade material protestante seja algo positivo. Como já disse acima, creio que essa é uma das provas da mudaneidade dessa religião.

  5. JB

    Caro Márcio:

    “Eu não defendi em nenhum momento uma relação negativa entre protestantismo e desenvolvimento econômico.”

    Bem, se você não defende uma relação negativa entre protestantismo e desenvolvimento econômico, suponho que, tal como eu, defenda uma relação positiva entre entre essas duas variáveis que era precisamente o que eu queria demonstrar.

    Essa relação positiva entre protestantismo e desenvolvimento econômico será mais forte ou mais fraca, mais significativa ou menos significativa, conforme as situações. Mas ela existe. Ou não?

    “Apenas eu sustento que existe um exagero, temperado com meias-verdades, para explicar o desenvolvimento econômico nos países protestantes face aos países católicos na Europa.”

    Não, meu caro, o que você disse, com polidez característica, foi: “Pelo amor de DEUS!!! Vamos parar com este conversa fiada de desenvolvimento dos países protestantes!”

    “No século XIX a França era ainda bem católica”

    Com certeza, que a maioria dos franceses, dos austríacos etc. ainda é católica. Mas há uma enorme diferença entre dizer que “o país X é católico” e dizer “a maioria da população do país X é católica”. É possível que 100 % das pessoas do país X sejam católicas mas X não seja um país católico.

    A “França de Napoleão” ou a “França de Napoleão III” não eram católicas por mais que a maioria da população continuasse a ir à Missa. Não é tanto a religião das pessoas mas sim o caráter do Estado e das leis. Seja lá como for, não deverá ser difícil ver que a industrialização da França (e da maioria dos países) coincide precisamente com sua secularização.

  6. JB

    “E a resistência dos austríacos?”

    “Infelizmente, por serem minoritários foram esquecidos pelo senhor e pela história!”

    Precisamente…

  7. JB

    “A verdade é que a rica Áustria, terra de Freud, Mieses, Mozart e outros nomes brilhantes das ciências, artes, economia e cultura, sempre teve a força e a determinação de seu povo para se reerguer e ir em frente. E católica, Sr. JB!”

    Freud e Mises citados, sob luz favorável, num debate sobre a catolicidade da Áustria…

  8. Sidnei

    “Caro Sidnei:

    A prosperidade material não faz parte das promessas de Nosso Senhor. Uma sociedade cristã não será necessariamente uma sociedade afluente. Lembremo-nos quem é príncipe deste mundo.

    Mas, por favor, releia uma de minhas mensagens anteriores. Julgo que minha posição ficou clara.

    http://www.deuslovult.org/2017/11/06/lutero-e-o-orgulho-de-salvar-se-sozinho/comment-page-1/#comment-52591

    Novamente, eu não considero que a prosperidade material protestante seja algo positivo. Como já disse acima, creio que essa é uma das provas da mudaneidade dessa religião.”

    Só que em todos os seus comentários parecem que você puxa todo o lado positivo, quanto aos avanços da economia, ciências e o progresso para o lado protestantes, e para o lado católico, parece confirmar aquilo que os protestantes tanto dizem negativamente de nós e positivamente deles. Você pode utilizar de argumentos que quiser, mas que tudo que você colocou até agora, é inegável que você puxa toda a sardinha para o lado protestante, por isto eu te pergunto: você ainda é católico?.

    Eu sei que a prosperidade material não faz parte das promessa de Nosso Senhor, mas não dá para engolir o tempo inteiro os protestantes nos taxando de: pobres, analfabeto, ignorantes e atrasados e eles sendo os: ricos, letrados, inteligentes e avançados. Como já coloquei aqui, eles citam um monte de países ricos protestantes, e quanto chega nossa vez de citarmos alguns países católicos igualmente ricos, vem você e joga um balde de água fria dizendo que estes países são ricos sim, mas graças ao secularismo e não ao catolicismo, um protestante que lê isto vai aos céus pois vai ver que até um católico se reconhece que é um: pobre, analfabeto, ignorante e atrasado, e aí nós católicos perdemos toda a moral, pois simplesmente, alguém que se diz católico, dando razão aos protestantes, demonstra que os protestantes tem razão e nós católicos de fatos somos todos um bando de ignorantes.

    É lamentável sua postura JB, você resume tudo em secularismo, como você respondeu ao Marcio:

    “A “França de Napoleão” ou a “França de Napoleão III” não eram católicas por mais que a maioria da população continuasse a ir à Missa. Não é tanto a religião das pessoas mas sim o caráter do Estado e das leis. ”

    Veja que quando surgem debates de pobres católicos x ricos protestantes, os protestantes não estão nem aí se um país como a Suécia é secularista ou não, se o caráter e as seis da Suécia ainda são cristãs ou não, para eles a Suécia é um exemplo bem sucedido de um país protestante que deu certo, e ponto final, eles não querem saber se o Estado da Suécia ainda é cristão ou não, o que eles gostam de jogar na nossa cara, é que a Suécia, tem um maioria protestante não importando se esta maioria é praticante ou não, e que eles tiveram grande influência no passado do protestantismo, o que levou a Suécia ao sucesso que é hoje, e agora, nós católicos quando queremos apontar um país que também seguiu a mesma linha da Suécia e que é de maioria católica, vem o senhor que é católico e diz: “Pera lá, pode ser que estes países que deram certo são de maioria católica, mas eles deram certo não por serem católicos, mas por serem secularistas, então os protestantes tem razão, eles é que são os bons e nós umas boas porcarias”, foi isto que entendi até agora nas entre linhas de seus comentários, portanto, minha decepção com o senhor ainda continua, não esperava isto do senhor. Sua colocação que estes países mesmo sendo católicos sofreu grande influencia do secularismo isto é fato, mas não se pode negar que mesmo assim estes países foram de maioria católica, e a influência católica também, de alguma forma, influenciou de modo positivo o desenvolvimento destes países, a não ser que o senhor considere que a Igreja Católica não influenciou nada e só foi um peso morto sobre a terra atrasando a vida de todo mundo, tal como pensam os protestante, aí é para acabar de vez.

  9. JB

    Caro Sidnei:

    Eu não disse que os católicos são mais atrasados ou ignorantes ou analfabetos que os protestantes. Essa seria uma outra discussão. Tentei deixar claro que por “rico” refiro-me apenas à riqueza material. Se ampliarmos o conceito de riqueza para outros aspectos da vida humana, não tenho dúvidas que os católicos são muito superiores.

    Evidentemente, numa discussão um argumento não pode ser tomado isoladamente. Meus argumentos têm que ser considerados como respostas aos do Márcio.

    O que tenho afirmado sim é que o protestantismo, que é meio caminho para o secularismo/ateísmo, leva a uma maior prosperidade material, que é precisamente o pagamento que o príncipe deste mundo dá a seus seguidores. Se você não conseguiu perceber isso, por favor, releia atentamente minhas mensagens desde o início.

    Você e o Márcio Medeiros, ainda que bem intencionados, entraram no jogo protestante e querem defender o catolicismo segundo regras que eles, os protestantes, inventaram. Acho que vocês terão mais sucesso se recusarem o jogo deles. Vocês dois aceitaram a premissa protestante do sucesso.

    Você não vê que achar que o sucesso, particularmente o financeiro, é sinal da Graça é uma ideia tipicamente protestante? É você, Sidnei, que já está formando sua mente conforme a teologia protestante e quer ver no sucesso mundano uma prova da eleição.

    O Márcio até chegou ao ponto de considerar Freud e Mises “brilhantes” e você ficou chateado comigo por eu dizer que a “França de Napoleão” não era católica. E não era mesmo! Você e o Márcio devem ser os únicos católicos do mundo que orgulham-se de Napoleão e de Freud(!!!!).

  10. Sidnei

    “Você e o Márcio devem ser os únicos católicos do mundo que orgulham-se de Napoleão e de Freud(!!!!).”

    Não JB eu não tenho orgulho nenhum sobre isto, eu tenho orgulho sim, daquele povo, mesmo com o secularismo todo, eles continuaram na fé católica, embora nos dias de hoje só sobrou u pequeno resto.

    E sim, não estou levando toda a discussão no plano econômico e material, mas também intelectual, pois você também só bateu na tecla materialista, secularista, mas esqueceu de mencionar sobre o progresso e a ciência que os protestantes também tanto gostam de jogar na nossa cara, que nestes quesitos, os países protestantes foram os mais prósperos aos passo que os católico, só atrasou a ciência e o saber. Só falta você concordar com isto também.

  11. JB

    >pois você também só bateu na tecla materialista,

    Sim. É o único ponto em que os protestantes levam “vantagem” sobre nós. Se me perdoar o maniqueísmo, eu diria que eles são filhos da matéria e nós somos filhos da Luz.

    Minha opinião sobre os povos do norte da Europa nunca foi lisonjeira e só piora a cada dia. Nos planos moral, intelectual e cultural, o que eles ainda têm de bom é nítida herança católica. Como disse em minha primeira mensagem, só loucos preferem a Escandinávia aos países do PIGS.

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