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	<title>Deus lo Vult!</title>
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	<description>Dignare me laudare Te, Virgo Sacrata - da mihi virtutem contra hostes tuos!</description>
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		<title>&#8220;Hierarquia dentro do Matrimônio&#8221; &#8211; prof. Carlos Ramalhete</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 15:24:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[carlos ramalhete]]></category>
		<category><![CDATA[hierarquia]]></category>
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		<description><![CDATA[[Em complemento ao post anterior do Deus lo Vult!, permito-me reproduzir na íntegra um email enviado pelo Carlos Ramalhete à lista Tradição Católica no início do mês passado. Achei que ele já estava disponível em algum lugar da net e ia somente linká-lo ao final do post passado; procurando, no entanto, não o encontrei. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">[<em>Em complemento <a href="http://www.deuslovult.org/2010/09/01/chefe-de-familia-rainha-do-lar/">ao post anterior do Deus lo Vult!</a>, permito-me reproduzir na íntegra um email enviado pelo Carlos Ramalhete à lista Tradição Católica no início do mês passado. Achei que ele já estava disponível em algum lugar da net e ia somente linká-lo ao final do post passado; procurando, no entanto, não o encontrei. O texto é bem longo, mas é precioso. Recomendo enfaticamente a sua leitura atenciosa.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fiz questão de mantê-lo tal e qual foi enviado, com os exemplos pessoais que foram lá citados, por considerá-los muito úteis e extremamente didáticos. Apenas fiz ligeiras correções tipográficas.<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Fonte</strong>: <a href="http://groups.yahoo.com/group/tradicao-catolica/message/54001">Tradição Católica e Contra-Revolução</a>.</em>]</p>
<p style="text-align: justify;">Pax Christi!</p>
<p style="text-align: justify;">&gt;Não concebo, e outros comigo como já falarei, que no matrimónio um<br />
&gt;seja superior e outro inferior, como ocorre numa hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Creio que esteja havendo um grave engano sobre o que signifique hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto não é incomum, devido à perversão do termo pela modernidade, e que é provavelmente o que faz com que ele seja evitado, a não ser em algumas raras ocasiões em que há alguma analogia com as hierarquias modernas (por exemplo, ao tratar de hierarquia eclesiática, caso em que a confusão leva a coisas como a tentativa americana de responsabilizar o Papa por crimes cometidos por um padre, como se o padre fosse um subordinado hierárquico ***no sentido moderno*** do Papa).</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos então ver algumas das diferenças:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6306"></span></p>
<p style="text-align: justify;">1 &#8211; Na compreensão clássica de hierarquia, &#8220;superior&#8221; e &#8220;inferior&#8221; não são categorias ontológicas (ou seja, &#8220;ele é meu superior&#8221; não significa em absoluto que ele seja melhor do que eu);</p>
<p style="text-align: justify;">2 &#8211; Na compreensão clássica de hierarquia, não há autonomia decisória do superior (ou seja, ele não tem o direito de inventar nada. Ele não pode chegar e dizer &#8220;doravante tudo será assim ou assado&#8221;, exigindo obediência incondicional);</p>
<p style="text-align: justify;">3 &#8211; Na compreensão clássica de hierarquia, não há autonomia individual a ser afirmada ou negada (ou seja, não se trata nem de impedir o outro de ser de uma maneira, como o sargento treinador impede os soldados, nem de poder ou não poder tomar decisões, como é a diferença entre um subordinado e um superior numa hierarquia moderna). Isto ocorre pq a noção de indivíduo que é empregada na categorização hierárquica moderna não condiz com a noção de indivíduo que é operante na hierarquia clássica.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos, então, por partes. A hierarquia clássica é entendida como um modo de pertença perfeita a uma ordem que começa e termina em Deus. A autoridade do superior (e estou usando este termo no sentido clássico; até eu chegar na definição de &#8220;superior&#8221;, peço que leiam como se fosse uma palavra doida qualquer, sem sentido: &#8220;a autoridade do peteléquio&#8221;, sei lá) começa e termina num enquadramento nesta ordem maior. Não se trata de uma autoridade autônoma ou delegada no sentido moderno (como a autoridade do capitão é delegada da do major, coronel, general, presidente, povo). Há, assim, ao mesmo tempo, uma liberdade enorme e uma restrição igualmente enorme em relação à noção moderna de hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto na noção moderna o superior tem uma &#8220;listinha&#8221; de ordens que pode dar (por exemplo, o capitão não pode mandar os soldados atirarem no próprio pé deles), na hierarquia clássica não há limites deste tipo (&#8220;listinha&#8221;) nas ordens que o superior (o &#8220;peteléquio&#8221;, se quiserem) pode dar. Só para ficar no meio militar, onde isso é mais claro e preciso, é pensar em Aníbal atravessando os Alpes com elefantes. Por outro lado, na hierarquia clássica há uma necessidade absoluta e premente de que tudo se encaixe na ordem maior, na &#8220;ratio divina&#8221; de que nos falava São Tomás, ordem maior esta que engloba basicamente tudo o que ordena o universo, da lei da gravitação universal à lei natural, passando pela proibição de roubar e pela adequação de enfeites brilhantes à natureza feminina (ou seja, proibir as mulheres de usar jóias foge à &#8220;ratio divina&#8221;), até cada pequeno ato de cada pessoa (por exemplo, o movimento dos meus dedos que me faz digitar &#8220;ratio&#8221; e não &#8220;artio&#8221;). ***É esta a razão de ser da hierarquia***.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste modo, a alternativa é entre hierarquia e caos, pecado, desordem (são sinônimos). Hierarquia é ordenação, mas não ordenação arbitrária como na noção moderna. Há nela autoridade, mas não uma autoridade de arbítrio pessoal como na noção moderna. A hierarquia é o &#8220;encaixe&#8221; em toda a ordem do universo, e existe em toda parte e em todo lugar. Não há nem poderia haver nada sem hierarquia; nem mesmo o Inferno é desprovido de hierarquia, porque a hierarquia, no sentido clássico, é sinônimo da ordem que, em seu mínimo, é necessária à subsistência (é a hierarquia das ligações atômicas que faz com que o ar não se torne subitamente venenoso) e, em sua perfeição (ou seja, quando a hierarquia passa plenamente de potência a ato) é sinônimo de santidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, na hierarquia clássica, a posição do superior é ao mesmo tempo uma posição de serviço, mas não de serviço ao homem (como o capitão serve ao major) ou a uma idéia (como o presidente serve ao povo). O serviço é a uma ordem muitíssimo maior que aquela minúscula instância da Criação, dentro da qual compete ao superior encaixar aquilo que é de sua responsabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A idéia moderna, modernésima, irracional e herética, de uma igualdade completa é em seu âmago a negação da ordem. É, em sua essência, o brado satânico de &#8220;non serviam!&#8221;, &#8220;não servirei!&#8221;. Note que quem disse isso não foi a mosca do cocô do cavalo do bandido, mas o maior de todos os anjos. Não servir implica não só &#8211; dentro da noção clássica de hierarquia &#8211; em negar-se a receber ordens, mas também em negar-se a dá-las. Trata-se de uma negação ***da ordem***, da adequação do fim último ao princípio primeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Como já escrevi alhures, ao escolhermos como arrumar os livros na estante ou as roupas no gaveteiro, estamos fazendo uma distinção hierárquica. Esta distinção, contudo, só é verdadeiramente hierárquica quando ela é conforme à &#8220;ratio divina&#8221;. Se um louco entrasse na minha biblioteca, com seus cento e muitos metros de estante, e arrumasse os livros por ordem de tamanho ou pela ordem alfabética da terceira palavra da quinta página, ele estaria criando uma falsa hierarquia (e estaria pedindo uma bela surra, que eu lhe aplicaria de muito bom grado!). Não importa se a arrumação por ordem de tamanho (que seria perfeitamente adequada se fosse um só metro de estante, aliás, ao invés de cento e muitos) está impecavelmente bem feita: ela não está conforme à &#8220;ratio divina&#8221;, por ordenar pelo acidente mais irrelevante e não pela essência.  Não há arbitrariedade compatível com uma hierarquia perfeita; aquela só pode existir dentro de uma suposta igualdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí poderia vir alguém, com a cabeça inflada de idéias modernas, dizendo que a hierarquia é feia, chata, boba e má (ou, nas palavras do poeta, que &#8220;o mal é bom e o bem cruel&#8221;), porque impede um pleno desabrochar de cada um ao querer inseri-lo numa ordem que lhe seria externa. Ao que respondo que não, esta ordem não lhe é externa. É a mesma ordem que faz com que respire, coma e digira, ande, pense ou aja que lhe dá o lugar em que ele pode desabrochar plenamente. A igualdade completa entre pessoas é como a arrumação dos livros por ordem de tamanho: é tomar o irrelevante como ordenador do relevante. Só é relevante a igualdade entre as pessoas quando é necessário distingui-las de quem não é igual a elas. Assim, é relevante esta igualdade (que existe e é igualdade na dignidade humana) quando se quer tratar macacos como gente, quando se quer matar bebês dizendo que eles são &#8220;tecido indesejado&#8221;, ou quando se afirma que a mulher é equiparada a um animal. Ou seja: é relevante que a mulher é igualmente dotada de dignidade humana (e é nisso que ela é igual ao homem), é igualmente capaz de razão (e é nisso que ela é igual ao homem), é igualmente chamada à santidade (e é nisso que ela é igual ao homem) quando se afirma que ele é digno, racional e chamado à santidade, ***e se nega que ela o seja***.</p>
<p style="text-align: justify;">Deste modo, é perfeitamente irrelevante esta igualdade, que é verdadeira, quando se trata da ordenação hierárquica de seres humanos dentro de um contexto não apenas natural, mas elevado à ordem sobrenatural pela instituição do Sacramento do Matrimônio. Se já havia uma necessidade de hierarquia (no sentido clássico: adequação à &#8220;ratio divina&#8221;) no matrimônio natural, mais ainda a há no Matrimônio cristão.</p>
<p style="text-align: justify;">Como já lembrei, o matrimônio é o múnus da mãe (matri munus). A mãe, graças ao bom senhor Deus, difere do pai. E é pela diferença, não pela irrelevante igualdade, que se pode fazer a hierarquia. De que adianta reconhecer que todos os livros da estante são livros para que sejam ordenados?! A igualdade é irrelevante justamente por não ser possível a ninguém negá-la. Só cabe afirmá-la quando ela for negada ou não existir (&#8220;isto não é um livro, é uma caixa em forma de livro&#8221;). Ora, ela existe, e é pressuposto que sejam dois seres humanos que se casam, não um homem e uma cabra.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, para a reta compreensão desta hierarquia, é necessário que se percebam ***as diferenças***, e que a ordenação (muitíssimo mais complexa e multi-nivelada que uma ordenação de livros numa estante) seja feita em função delas.</p>
<p style="text-align: justify;">Se tomarmos características femininas e masculinas, fica mais fácil entender qual é esta hierarquia e como ela opera dentro do matrimônio. Façamo-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem é naturalmente voltado para fora. Como já escrevi, só um homem teria a idéia de jerico (pela qual agradecemos e sem a qual não estaríamos aqui no Novo Mundo) de, ao ver um tronco atingido por um raio e tornado oco, empurrá-lo para a água, entrar dentro e ir ver o que há do outro lado da grande água. Este foco no exterior faz com que o homem tenda a ser mais indiscriminadamente agressivo, atacando mais do que defendendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já a mulher, ela é naturalmente voltada para dentro, para o círculo de pessoas e coisas que ela tem como suas; aquilo, em suma, que ela ama. É ela quem chora ao ver que o homem, irredutível, enfiou-se na casca de tronco e se meteu água adentro. Enquanto o homem quer subir ao último galho da árvore, a mulher quer que o filho não se machuque, e não gosta de vê-lo subindo na árvore. Este foco no interior faz com que a mulher tenda a ser muito mais discriminada e impedosa em sua agressão, voltada para a defesa e não para o ataque. Uma mulher faz prodígios para defender um filho, ou mesmo o homem que ela ama.</p>
<p style="text-align: justify;">Só para eu não deixar de mostrar o marido babão que eu sou, conto um prodígio da minha esposa. Morávamos em uma casa abaixo do nível da rua, com mais andares para baixo. A Carla estava cuidando de um canteiro no nível da rua, e eu estava na garagem (um andar alto abaixo, cerca de cinco metros), consertando a moto. Minha filhinha, então naquela fase em que os bebês engatinham para a frente e dão ré para descer degraus, sem que eu visse (eu estava a uns 4m dela) resolveu descer de ré pela lateral de uma escada que levava ao andar inferior. Coisa de três metros de altura, de onde cairia em degraus de cimento nu e áspero. A Carla a viu &#8220;mirando&#8221; o fraldão, e simplesmente pulou de onde estava (5m de altura!!), percorreu em dois passos a distância que ainda a separava da pequena, e a pescou. Se eu tentasse fazer isso, quebraria as duas pernas com certeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, isto é magnífico. Magnífico e, se desordenado, perigosíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">É este foco para o interior que faz com que a mulher consiga, ao contrário do homem, manter perfeitamente a ordem na casa. E é este mesmo foco que faz com que a mulher tenha uma dificuldade muito maior que a do homem em perdoar qualqer atentado àqueles que ama.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem, deixado sozinho, vai dirigir seu foco para o exterior. Um solteirão com a casa impecavelmente arrumada vai beber vitamina direto do copo do liquidificador, por exemplo. Já a mulher, deixada sozinha, vai dirigir seu foco para o interior, defendendo-o de tudo o que é exterior. Ai de quem ferir um filho seu! Ela nunca o perdoará.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que o homem é, como já escrevi, o &#8220;ministro das relações exteriores&#8221;. Ele é mais naturalmente capaz de ir lá fora, retirar agressivamente do mundo o sustento da casa, e, lá chegando, relaxar. Já a mulher é, como também escrevi, o &#8220;primeiro ministro&#8221;. Ela é mais naturalmente capaz de proteger e manter uma ordem perfeitamente adequada à &#8220;ratio divina&#8221;, sem atalhos ou deslizes masculinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto faz do homem o &#8220;cabeça do casal&#8221;, no sentido que é ele quem fala com o mundo, é ele quem ouve o mundo, é ele quem faz caretas e morde quando é preciso. Se a questão é o lugar da família no mundo, é dele a primazia. Vale perceber, inclusive, como os constantes conflitos entre noras e sogras decorrem, justamente, da atitude agressiva contra o exterior que ambas têm, com cada uma considerando a outra como externa ao seu círculo e afetando negativamente alguém que elas amam.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, o foco do homem no exterior faz com que ele não seja capaz de manter e construir um lar. Ele consegue até fazer um alojamento e mantê-lo, mas não um lar. Por isto, a primazia nos assuntos domésticos é e tem que ser da mulher; é ela o &#8220;coração&#8221; que bate e mantém a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu mesmo, por exemplo, passei a tarde quase toda fora fazendo o que chamei de &#8220;gincana da patroa&#8221;, comprando coisas que ela afirma serem indispensáveis para a manutenção da casa (um sistema para puxar água para molhar plantas, basicamente; trocentas pecinhas, a comprar em várias lojas diferentes). A minha participação no processo decisório destas coisas é perfeitamente secundária, apesar de ser o meu dever arranjar o dinheiro para comprá-las e a força para instalá-las (no caso, temos um caseiro que pode fazê-lo&#8230; mas quem tem que pagar o caseiro sou eu; estou terceirizando).</p>
<p style="text-align: justify;">A hierarquia doméstica, assim, tem mão dupla. O homem é sim o superior da mulher no sentido de que é dele a responsabilidade de ordenação daquele núcleo familiar à instância de ordem imediatamente superior, que é a sociedade (a rua, a cidade, o país). Isso é inegável, e seria perigosíssimo se fosse de outra maneira.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto não significa em absoluto nem que ele seja melhor do que a mulher (seria uma piada afirmar uma besteira dessas), nem que ele possa agir de forma arbitrária, nem que ele possa mandar nela como se ela fosse um cachorro (ou ele um sargento e ela um soldado), nem que ela não possa sair de casa, trabalhar, etc. Significa, sim, que é dele que se pode esperar, e é dele que se deve cobrar, que sejam feitas as relações primordiais do núcleo familiar com a sociedade como um todo: sustento, defesa, representação, etc. Ele não é alguém que decide e a família baixa a orelha, mas sim o seu representante, o encarregado, o que age não em função de si, mas da família. O fato de o homem ser o superior faz com que ele seja quem menos tem voz, na prática. Exatamente por ele ser o superior, por ser dele o múnus do pai (patri munus), é ele quem tem que &#8211; por exemplo &#8211; abdicar de seus desejos (por exemplo, de consumo, de viagem, de formação&#8230;) em prol da família. O sacrifício só pode ser exigido como dever de estado do homem, não da mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas dentro de casa, dentro do núcleo familiar, dentro do lar, é da mulher a primazia. É ela, não ele, quem tem como dever decidir e fazer a perfeita ordenação da família à &#8220;ratio divina&#8221;. A manutenção desta ordem intrafamiliar é o múnus da mãe, o &#8220;matri munus&#8221;. E isso inclui, como lembrei várias vezes, não só uma arrumação de móveis num apartamento (apesar de que ela tem, sim, a autoridade para decidir sobre isso).</p>
<p style="text-align: justify;">Como já escrevi, um dos horrores advindos da modernidade é justamente esta transformação do lar em uma caixinha fechada (apartamento, casa com quintal&#8230;), deixando de ser o lar, por definição, uma unidade de produção ***econômica***. A família clássica vivia não em uma caixinha da qual o homem se desloca para ganhar seu pão em outro lugar, mas em uma propriedade rural produtiva, ***gerida economicamente pela mulher*** (a &#8220;mulher virtuosa&#8221; dos Provérbios, por exemplo), da qual o homem é o representante junto à sociedade exterior (o Conselho dos Anciões dos Provérbios, no qual o marido da mulher virtuosa é bem recebido).</p>
<p style="text-align: justify;">O modelo burguês, moderno, de pessoas vivendo em caixinhas e o homem tendo que sair do lar para ganhar o pão, é a raiz da escravização da mulher que tanto marcou (e marca ainda) a sociedade. De produtora rural, a mulher passou a tomadora de conta de caixinha. De alguém que vivia, trabalhava e produzia, a mulher passou a espanar móveis e fazer crochê. Ora, isso é absurdo! Uma mulher é muito mais do que isso!</p>
<p style="text-align: justify;">Conheci uma senhora que conseguiu, em ambiente urbano, recriar o modelo clássico: ela era a proprietária de um posto de gasolina. Conheço outra, tabeliã, com o cartório no andar de baixo da casa, que fez o mesmo. São mulheres fortes, admiráveis, com muitos filhos e uma vida longa e feliz, que conseguiram o que é o mais correto: fazer com que o seu trabalho fosse um trabalho em prol ***do lar***, ocorrendo nele. &#8220;Vestiram a camisa&#8221; não de uma firma &#8220;lá fora&#8221; (o que causaria um conflito enorme entre dois círculos a defender, a firma e o lar), mas do lar como unidade econômica produtiva: lar-com-posto, lar-com-cartório. E poderia ser lar-com-consultório, lar-com-escritório, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca, em nenhum momento, elas deixaram de lado a verdadeira hierarquia.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter ajudado.</p>
<p style="text-align: justify;">[]s,</p>
<p style="text-align: justify;">seu irmão em Cristo,</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Chefe da Família. Rainha do Lar.</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 15:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética & Moral]]></category>
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		<description><![CDATA[Estão muito produtivas as discussões sobre o papel da mulher no Matrimônio católico, que foram motivadas por um meu comentário a um ponto do discurso do presidente Lula aqui em Recife. O assunto &#8211; a lista Tradição Católica que o diga&#8230; &#8211; tem uma impressionante capacidade de acirrar ânimos e melindrar susceptibilidades. Sobre ele, vale [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Estão muito produtivas <a href="http://www.deuslovult.org/2010/08/28/eu-masoquista/#comments">as discussões sobre o papel da mulher no Matrimônio católico</a>, que foram motivadas por um meu comentário a um ponto do discurso do presidente Lula aqui em Recife. O assunto &#8211; <a href="http://groups.yahoo.com/group/tradicao-catolica/">a lista Tradição Católica que o diga&#8230;</a> &#8211; tem uma impressionante capacidade de acirrar ânimos e melindrar susceptibilidades. Sobre ele, vale tecer alguns comentários.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentro do Matrimônio, a cada um dos cônjuges competem papéis distintos e complementares. Quer agrade, quer desagrade. Isto não é uma convenção social e nem uma construção histórica; isto está inscrito na própria natureza do consórcio matrimonial, da forma como foi querido e instituído por Deus. Portanto, esposo e esposa não são peças idênticas de uma máquina, perfeitamente intercambiáveis entre si sem nenhum prejuízo da harmonia do todo. Ele é esposo, ela é esposa. Ele é pai, ela é mãe. Ele é chefe da família, ela é rainha do lar.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto, no entanto, não pode ser entendido com a estreiteza intelectual das feministas. É óbvio que a mulher não está &#8220;proibida&#8221; de sair de casa, desde que isso não a faça descuidar do seu papel insubstituível de manter a ordem e a harmonia no lar da família. E é óbvio que a vocação a (vá lá, usemos corajosamente a palavra que tem uma carga tão pejorativa nos dias de hoje, explicando-a melhor adiante) dona de casa &#8211; vocação de toda mulher casada, diga-se de passagem &#8211; não tem nada de degradante, de simplória ou de digna de compaixão. Ao contrário: tem muito é de santidade e de heroísmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me lancem pedras, ainda. Ser dona de casa não tem nada a ver com ser inculta, ou com precisar passar a vida entre o fogão e o tanque de roupas, ou com tantas outras imagens ainda mais ofensivas que encontramos algures, mas que eu não vou reproduzir aqui. Uma mulher casada pode optar por ser médica ou executiva, por ser jornalista ou advogada, por ser professora ou pesquisadora. O que ela não pode é optar por ser dona de casa &#8211; i.e., por ser a responsável pela ordem doméstica -, porque isso não é opção, é precisamente o papel que lhe compete dentro do Matrimônio, e do qual ela não pode abdicar.</p>
<p style="text-align: justify;">Vê-se muito extremismo sobre este assunto. Por exemplo, há quem ache um absurdo que a menina seja educada para os serviços domésticos porque precisa trabalhar para não ser &#8220;vagabunda&#8221;, e há quem diga que mulher não pode estudar porque tem é a obrigação de cuidar da casa. E vê-se muita da estreiteza intelectual sobre a qual falei acima. Sim, a menina precisa ser educada para ser dona de casa, e a mulher casada precisa sê-lo de fato. Sim, a menina (e a moça, e a mulher, solteira ou casada) pode(m) estudar, e a moça e a mulher (a casada inclusive) podem trabalhar. Quem vê contradição entre as duas coisas é porque não encarou ainda a realidade sem as lentes ideológicas infelizmente tão comuns nos dias de hoje.</p>
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		<title>Nota Pastoral de orientação em relação às eleições de 2010 &#8211; Dom Antonio Keller</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 21:08:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Documenta]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
		<category><![CDATA[defesa da vida]]></category>
		<category><![CDATA[dom antonio rossi keller]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2010]]></category>
		<category><![CDATA[eutanásia]]></category>
		<category><![CDATA[frederico westphalen]]></category>
		<category><![CDATA[voto]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Diocese de Frederico Westphalen Frederico Westphalen, 28 de agosto de 2010. Irmãos e irmãs, diocesanos de Frederico Westphalen e homens e mulheres de boa vontade. Esta Nota Pastoral tem a finalidade de oferecer reflexão e orientação, face às eleições que se aproximam, para os católicos diocesanos de Frederico Westphalen e para todos aqueles que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><strong>Fonte</strong>: <a href="http://www.diocesefw.com.br/site/vernoticia.php?cod_not=963">Diocese de Frederico Westphalen</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: left;"><strong>Frederico Westphalen, 28 de agosto de 2010.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Irmãos e irmãs, diocesanos de Frederico Westphalen e homens e mulheres de boa vontade.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta Nota Pastoral tem a finalidade de oferecer reflexão e orientação,  face às eleições que se aproximam, para os católicos diocesanos de  Frederico Westphalen e para todos aqueles que procuram, com boa vontade,  nortear sua existência pelo respeito aos valores fundamentais da  existência humana.</p>
<p style="text-align: justify;">O período que antecede as eleições é de suma importância, no sentido de  que deve servir-nos para a reflexão e a escolha consciente daqueles  candidatos e candidatas nos quais depositaremos nossa confiança através  do voto. O voto não é algo que se decide no último momento,  apressadamente, a partir do último “santinho” recebido. Voto é escolha  refletida e decidida, após pesarem-se prós e contras. Mais do que nunca,  diante da pluralidade de possibilidades, votar exige responsabilidade e  coerência também em relação à fé professada. Longe do católico e da  pessoa de boa vontade separar sua crença e seus valores de seu voto. Há,  no voto, a exigência profunda da coerência.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, a mesma coerência e responsabilidade são também  exigências para aqueles que se candidatam a cargos públicos. As  possibilidades são múltiplas. A pluralidade, louvável. Alguns candidatos  se apresentam com clareza, defendendo princípios que não se identificam  com aqueles que cremos e defendemos, como cristãos. Ao menos são  verdadeiros. Ninguém, que professe a fé católica, ou defenda os valores  da vida será enganado por eles&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o grande problema, bastante presente nesta situação pré-eleitoral, é  o da duplicidade, da incoerência daqueles candidatos, que por um lado,  fazem questão de se mostrarem “religiosos”, sensíveis à fé, mas que na  prática ou estão inscritos em partidos que defendem valores  anti-cristãos, ou apresentam um ideário programático político pessoal  que contêm indicações absolutamente incoerentes com a fé que declaram  professar ou respeitar. Dentro deste quadro, chegamos ao ponto de sermos  obrigados a ouvir, de determinados candidatos e candidatas, certas  declarações, por exemplo, em relação ao aborto, afirmando que  “pessoalmente sou contra, mas quando no governo, garantirei o direito de  quem quiser abortar, já que o aborto não é uma questão que envolva a  fé, mas sim, a saúde pública”.</p>
<p style="text-align: justify;">Como Bispo Diocesano, venho, por meio desta Nota Pastoral, estribado na  autoridade apostólica de pastor que deve cuidar do rebanho que lhe foi  confiado, preocupado com a situação de confusão derivada da linguagem  dúbia e da postura incoerente, oferecer uma orientação clara e segura a  meus diocesanos e a todos os que crêem e defendem o valor da vida, desde  a sua concepção até a sua morte natural.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> 1. </strong>Todo cidadão é chamado a votar com consciência. Nós cidadãos  católicos somos chamados a votar com consciência cristã. Seria uma  contradição acreditar e defender os valores da vida, da família, da  moral e da ética, e votar naqueles candidatos e candidatas que propugnam  pessoalmente, ou estão inscritos em partidos que propugnam os valores  contrários. Ou seja, é preciso votar de forma coerente, em candidatos e  em partidos que defendam os valores que nós cristãos acreditamos e  defendemos, para que estes mesmos candidatos e partidos nos representem,  nas instâncias do Executivo e do Legislativo, favorecendo medidas e  leis que valorizem a cultura da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. </strong>Assim, neste período pré-eleitoral, é obrigação de todo católico,  bem como daqueles que tem boa vontade e abertura para a cultura da vida,  informar-se, em relação aos diversos candidatos e candidatas, se em  suas propostas estão contemplados os valores éticos, nomeadamente, a  defesa da inviolabilidade da vida humana (especialmente no que diz  respeito á questão do aborto, da eutanásia, etc.), bem como a defesa do  casamento e da família (como estas realidades são entendidas pela moral  cristã) e a defesa privilegiada dos mais desprotegidos da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Estes são alguns critérios, a meu ver, os mais fundamentais, que devem  ser levados em consideração na hora de votar: como católicos temos o  dever de votar naqueles que, posteriormente, como nossos representantes,  na sua atuação política não irão contradizer os valores daqueles que os  elegeram.</p>
<p style="text-align: justify;">Peço que o Espírito Santo de Deus ilumine as mentes de todos os  diocesanos de Frederico Westphalen e as de todas as pessoas de boa  vontade, para que nestas eleições, todos possam exercer a cidadania com  consciência e responsabilidade.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;">+ Antonio Carlos Rossi Keller<br />
Bispo Diocesano de Frederico Westphalen (RS)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Eu, masoquista</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 18:36:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu &#8220;fui ao comício&#8221;, ontem, no Marco Zero, onde o presidente Lula estava com sra. Dilma Rousseff e mais uma cambada de &#8220;companheiros&#8221;. Estava em dúvidas sobre se era moralmente aceitável &#8220;sentar-me à roda dos escarnecedores&#8221;; disse a mim mesmo que a minha ida seria por questões jornalísticas, e me tranqüilizei. Depois, fiquei pensando se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu &#8220;fui ao comício&#8221;, ontem, no Marco Zero, onde o presidente Lula estava com sra. Dilma Rousseff e mais uma cambada de &#8220;companheiros&#8221;. Estava em dúvidas sobre se era moralmente aceitável &#8220;sentar-me à roda dos escarnecedores&#8221;; disse a mim mesmo que a minha ida seria por questões jornalísticas, e me tranqüilizei. Depois, fiquei pensando se o lugar não era perigosamente propício a ser alvo de uma chuva de fogo e enxofre, enviada pela Justa Ira Divina por tanto tempo já contida; mas pedi à Virgem Santíssima que sustentasse, ainda mais um pouco, o braço do Seu Divino Filho, e me tranqüilizei. Pensei, por fim, se a minha ida não iria aumentar a repercussão do evento, &#8220;engrossando&#8221; o número de participantes do comício que iria ser noticiado no dia seguinte; mas pensei que, afinal, a praça é pública &#8211; a praça é do povo &#8211; e eu poderia, perfeitamente, ao invés de &#8220;ir ao comício&#8221;, ir ao Recife Antigo tomar cerveja. Tecnicamente, seria o presidente quem estaria discursando junto ao meu barzinho. Encontrei, assim, a causa com duplo efeito que eu precisava para dirimir de vez os meus escrúpulos, e me tranqüilizei. Camisa preta &#8211; luto -, pus-me a caminho.</p>
<p style="text-align: justify;">Cheguei perto das dez horas da noite. Algumas pessoas estavam já voltando, mas o senhor presidente ainda estava falando e, considerando o tempo que ele falou depois disso, acho que cheguei bem no início do seu discurso. <a href="http://jc.uol.com.br/canal/eleicoes-2010/noticia/2010/08/27/eleitores-vao-ao-marco-zero-para-se-despedir-de-lula-234249.php">A praça do Marco Zero parecia estar lotada</a>, mas era pura armação: fizeram um &#8220;labirinto&#8221; com aquelas grades móveis por toda a praça, exigindo que as pessoas dessem voltas e mais voltas para chegar ao centro e induzindo-as, assim, a ficarem no perímetro, fora das grades. Para quem via de longe, passava realmente a impressão de que o Marco Zero estava lotado. Mas eu, que nunca tive medo de multidão, fui até o centro da praça: praticamente vazia. Havia até mesmo pessoas sentadas no chão.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://jc.uol.com.br/canal/eleicoes-2010/noticia/2010/08/27/eleitores-vao-ao-marco-zero-para-se-despedir-de-lula-234249.php">O Jornal do Commercio falou em 25.000 pessoas</a>. Mas, ao menos quando eu cheguei, não tinha nada nem perto disso, pelos motivos acima explicados: a praça estava vazia, as ruas estavam transitáveis, só havia aglomeração de pessoas no perímetro da praça e, neste, não cabem 25.000 pessoas nem que elas estejam, em quatro níveis, uma em cima da outra. Mas, enfim. Engenhosa a tática petralha, é forçoso reconhecer.</p>
<p style="text-align: justify;">A sra. Rousseff não falou; ou, então, eu só cheguei depois que ela já tinha falado. Por uma longa e enfadonha hora, eu só ouvi o senhor presidente. Lula fez questão de dizer era necessário votar nos deputados &#8211; nos &#8220;companheiros&#8221;&#8230; &#8211; que apoiavam o Partidão, que era preciso eleger Humberto e Armando senadores, Eduardo governador (para que Pernambuco avançasse &#8220;30 ou 40 anos em 8&#8243;) e Dilma presidente. Foi muitas vezes interrompido por aplausos. Mas houve três situações curiosas no discurso do senhor presidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma: falando sobre Humberto Costa, que foi ministro da Saúde, disse que ele havia feito muito por Pernambuco &#8211; aplausos. Que era uma pessoa séria e honesta, blá-blá-blá &#8211; aplausos. Que, no entanto, não havia feito mais (aqui, o presidente elevou a voz; estava quase aos gritos) porque os inimigos dele o haviam traído, votando contra a CPMF e tirando da saúde não-sei-quantos-milhões que já estavam destinados para não-sei-o-quê. E não houve mais aplausos. E os sonoplastas bem que poderiam introduzir, neste momento, o clássico som de grilos cricrilando. Ao que parece, nem os próprios petralhas estão dispostos a defender a CPMF do Governo.</p>
<p style="text-align: justify;">Duas: falando sobre as mulheres. O presidente teve um surto de lucidez, e começou a falar um monte de coisas politicamente incorretas: que são as mulheres que carregam por nove meses no ventre um ser humano, que são as mulheres as responsáveis pelo lar familiar, que são as mães que ensinam os filhos a falarem, que são as mães que acordam de madrugada quando o menino está chorando, e não os pais, que são as mães que dão o peito quando o menino está com fome, e não os pais, <em>et cetera</em>. A clássica separação de papéis dentro do Matrimônio à qual a modernidade tem tanto ódio! E lá estava o Lula, em um ato falho, a defendê-la: afinal, se Deus falou um dia através da boca de uma mula, por que da boca do Lula não poderia sair alguma coisa que prestasse, alguma vez na vida? Mais uma vez, os sonoplastas teriam trabalho neste momento, porque o discurso &#8211; inflamado! &#8211; não arrancou aplausos da petralhada. E o presidente achou melhor mudar de assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Três: rasgando-se em elogios à Dilma. Disse que ela era uma mãe, e que ele gostava tanto e confiava tanto nela que poderia dizer, com toda a honestidade, que, &#8220;se não tivesse a Marisa&#8221; [aqui eu já comecei a rir, imaginando o que diabos ele iria falar], e ele &#8220;tivesse um filho [pequeno]”, entregaria o filho para a Dilma criar (!). Pasmem, isto foi dito desse jeito! Lula, em menos de um minuto, ofendeu a primeira-dama, demonstrou total descaso pelo seu hipotético filho (como assim, &#8220;dava para a Dilma criar&#8221;? Fala que casava com ela, Lula!) e agrediu mortalmente a presidenciável feminista (porque criar filho é tudo o que gente dessa laia não quer fazer)! E eu, esforçando-me para segurar as gargalhadas, afastei-me um pouco da praça. O ambiente era hostil a ponto de ser contrário à prudência debochar do senhor presidente. Mas, que deu vontade&#8230; ah, isso deu.</p>
<p style="text-align: justify;">Por volta das onze horas da noite, o presidente despediu-se, disse &#8220;muito obrigado&#8221; e os militantes &#8211; que carregavam cartazes e bandeiras &#8211; desapareceram em um piscar de olhos. Nem sequer esperaram para tentar bater fotos, ou cumprimentar algum dos candidatos, nem nada: veio-me à mente a maliciosa comparação com empregados de uma fábrica que ouvem o toque da sirene anunciando o final do expediente. Também não seria eu a esperar mais nada: voltei à minha cerveja. Agradecendo a Deus por ter sobrevivido ao comício. Brindando ao Papa. E pedindo ao Altíssimo misericórdia para o Brasil.</p>
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		<title>Apelo a todos os brasileiros</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 14:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[Publico conforme recebi por email e como se encontra no site da Diocese de Assis (SP). Todos os grifos, itálicos e sublinhados são do original. Nada surpreendentemente, este texto não se encontra no site da CNBB. Ao que parece, nenhuma comissão da Conferência fala em nome da própria Conferência, mas há algumas comissões que falam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>[<em>Publico conforme recebi por email e como se encontra no site da Diocese de Assis (SP). Todos os grifos, itálicos e sublinhados são do original.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nada surpreendentemente, este texto não se encontra no site da CNBB. Ao que parece, nenhuma comissão da Conferência fala em nome da própria Conferência, mas há algumas comissões que falam mais do que outras...</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>P.S.</strong>: O artigo encontra-se também <a href="http://www.cnbbsul1.org.br/index.php?link=news/read.php&amp;id=5742">no site da Regional Sul 1 da CNBB</a>.<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fonte: <a href="http://www.diocesedeassis.org/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=169">Diocese de Assis</a></em>]</p>
<h2 style="text-align: center;">Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras</h2>
<p style="text-align: justify;">Nós,  participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida  (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1  da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>,  em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de  Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da  ONU (nº 45)<strong> <span style="text-decoration: underline;">o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto</span></strong>,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>,  em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a  Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher  (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como <strong><span style="text-decoration: underline;">Direito Humano da Mulher</span></strong>,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>,  em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Polítíca das  Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL  1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é  proposta a <strong><span style="text-decoration: underline;">descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo</span></strong>,  pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o  criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>,  em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual  Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de  legalizar o aborto,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>, em setembro de 2007, no seu <strong><span style="text-decoration: underline;">IIIº  Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de  todos os casos no serviço público como programa de partido</span></strong>, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>,  em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e  Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando como</em></strong>, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do <strong><span style="text-decoration: underline;">Imperialismo Demográfico</span></strong> que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais,  as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e  sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de &#8220;aborto &#8211; problema de  saúde pública&#8221;, estão implantando o controle demográfico mundial como <strong><span style="text-decoration: underline;">moderna estratégia do capitalismo internacional</span></strong>,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong>, em fevereiro de 2010, o <strong><span style="text-decoration: underline;">IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3)</span></strong>,  decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual  Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a  descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às  últimas consequências esta política antinatalista de controle  populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso  do nosso País,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando que</em></strong> este mesmo Congresso aclamou a própria <strong><span style="text-decoration: underline;">ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República</span></strong>,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>considerando enfim que</em></strong>,  em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do  financiamento por parte de organizações internacionais para a  legalização e a promoção do aborto no Brasil, <strong><span style="text-decoration: underline;">o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto</span></strong> que investigaria o assunto,</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras</span></strong>,  em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a  inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa  Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas  ou religiosas, <strong><span style="text-decoration: underline;">que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto</span></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Convidamos,  outrossim, a todos para lerem o documento &#8220;Votar Bem&#8221; aprovado pela 73ª  Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida  no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi  exposto no texto &#8220;A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil&#8221; [<a href="http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf">http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf</a>],  elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e  Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da  CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline;">COMISSÃO em DEFESA da VIDA<br />
do REGIONAL SUL 1 da CNBB</span></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Inception</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 02:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!] Haviam me dito que &#8220;A Origem&#8221; (Inception, 2010) era um bom filme. Se esta opinião está equivocada, é por excesso de parcimônia nos elogios: o filme não é apenas &#8220;bom&#8221;, é uma verdadeira obra-prima. Assisti-o agora há pouco, e o recomendo enfaticamente: uma história inovadora, uma trama muito bem urdida, excelentes atuações, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ff0000;">[ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!]</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Haviam me dito que &#8220;A Origem&#8221; (<a href="http://www.imdb.com/title/tt1375666/"><em>Inception</em>, 2010</a>) era um bom filme. Se esta opinião está equivocada, é por excesso de parcimônia nos elogios: o filme não é apenas &#8220;bom&#8221;, é uma verdadeira obra-prima. Assisti-o agora há pouco, e o recomendo enfaticamente: uma história inovadora, uma trama muito bem urdida, excelentes atuações, cenas de violência dentro do limite, <strong>completamente livre de cenas de sexo</strong>. Este último ponto merece destaque, por ser raridade na Sétima Arte. <em>Inception</em> prova, definitivamente, que um filme não precisa conter cenas apelativas <a href="http://terratv.terra.com.br/videos/Noticias/Mundo/4201-313603/Di-Caprio-celebra-sucesso-de-filme-na-capa-da-RS.htm">para ser um incontestável sucesso de bilheteria</a>. Quero tecer alguns comentários sobre o filme, mas aos que pretendem ainda ir ao cinema <strong>recomendo que o assistam antes de lerem estas minhas linhas</strong>: conhecer previamente a história vai estragar bastante a sensação &#8211; deliciosa! &#8211; de descobri-la pouco a pouco na sala escura do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Ouvi dizer que o filme é &#8220;muito cabeça&#8221; e exige &#8220;muita atenção&#8221; &#8211; besteira. O filme é relativamente simples. Somente possui um bom roteiro que naturalmente não pode ser acompanhado com a mesma displicência com a qual se assiste <a href="http://www.imdb.com/title/tt1320253/"><em>The Expendables</em></a>; mas o desenrolar da trama percebe-se muito mais facilmente do que, por exemplo, em <a href="http://www.imdb.com/title/tt0209144/">&#8220;Amnésia&#8221;</a> (que, aliás, é do mesmo diretor). As cenas que só fazem sentido no final do filme ou são detalhes (que, imagino, devem fazer valer bastante a pena uma segunda ida ao cinema&#8230;) ou estão muito bem nítidas na memória, a despeito das quase duas horas e meia do filme &#8211; que, diga-se, nem se percebe passarem.</p>
<p style="text-align: justify;">A história: existem uns sujeitos que conseguem entrar nos sonhos das outras pessoas. Isso pode ser feito com dois objetivos: extrair informação, que é de longe o mais comum, ou incutir uma idéia na mente da vítima &#8211; fazer uma <em>inception</em>, uma inserção, um &#8220;implante&#8221; (que talvez fosse uma tradução melhor para o nome do filme) de um pensamento que, quando acordada, a pessoa adopte como seu e com base no qual passe a agir. Há quem diga que <em>inceptions</em> são impossíveis, mas Cobb (DiCaprio) diz que é possível e aceita fazer um serviço desses em troca de ter a sua ficha limpa com a polícia americana.</p>
<p style="text-align: justify;">O serviço para o qual Cobb é contratado não tem nada de simples: trata-se de fazer um <em>inception</em> em Robert Fischer, um jovem herdeiro de uma (praticamente) hegemônica companhia de eletricidade, para convencê-lo a dividir o império do pai e, assim, possibilitar que a empresa concorrente &#8211; que contrata Cobb &#8211; continue existindo. Esta idéia, para ser aceita, precisa naturalmente ser apresentada como uma boa idéia (&#8220;vou chutar o pau da barraca e acabar com a minha herança&#8221; não funcionaria), precisa que o alvo aceite-a como sua, própria (trata-se, assim, muito mais de insinuar alguma coisa que depois desenvolva-se naturalmente do que enxertar algo facilmente reconhecível como exógeno), e precisa ser feita no profundo do subsconsciente: para isso, Cobb e sua equipe abusam da técnica de &#8220;sonhos dentro dos sonhos&#8221;. Funciona assim: &#8220;entrar no sonho&#8221; leva até um nível do subconsciente da vítima; mas se, dentro do sonho, põe-se o sujeito para dormir e entra-se no &#8220;sonho do sonho&#8221;, atinge-se um nível de inconsciente mais profundo e, para os objetivos de Cobb, mais interessantes. O plano original é a adentrar &#8220;três níveis&#8221; no subconsciente de Fischer e, &#8220;lá embaixo&#8221;, incutir a idéia que desabroche, &#8220;lá em cima&#8221;, na decisão de se desfazer do império que o pai construiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Várias coisas encantam no filme. Primeiro, a &#8220;ambientação&#8221; é muito bem feita. Há os caras &#8211; &#8220;arquitetos&#8221; &#8211; que &#8220;desenham&#8221; o cenário do sonho onde fulano vai ser colocado. Quando o alvo é posto dentro do sonho, o seu subconsciente &#8220;povoa&#8221; o cenário criado: as pessoas que estão no sonho são projeções da sua mente, etc. Em particular, caso haja no cenário um &#8220;cofre&#8221; ou coisa parecida, a mente do sujeito, instintivamente, &#8220;joga&#8221; lá dentro aquilo que quer manter como segredo (tornando fácil a extração de informações para os invasores de sonhos &#8211; cria-se o cenário com o cofre, quando o sujeito sonha o seu subconsciente põe no cofre o segredo, e então basta arrombar o cofre e obter o segredo). Nos sonhos, o tempo passa mais devagar do que fora deles, e isso funciona recursivamente: se 1 minuto na &#8220;vida real&#8221; corresponde a 20 minutos dentro do sonho, vai corresponder a 400 minutos no &#8220;sonho dentro do sonho&#8221; &#8211; e assim por diante. No sonho, repercutem as sensações do que está acontecendo com o sujeito que dorme: se ele estiver molhado, p.ex., vai estar chovendo no sonho. A quantidade de detalhes impressiona.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o filme tem &#8220;camadas&#8221;, como se costuma dizer hoje em dia &#8211; ou, melhor dizendo, sonhos dentro de sonhos, tramas dentro de tramas. Há toda essa história dos invasores de sonhos. Dentro disso, há os interesses políticos da companhia que quer convencer o Fischer a desfazer-se do império do pai, serviço que Cobb topa. Dentro deste serviço, há a motivação de Cobb que é poder voltar para os Estados Unidos e se encontrar com os filhos. E, dentro disso, no mais profundo das tramas, há o drama interior do protagonista de se desvencilhar das lembranças de sua mulher morta e da culpa que ele sente por a ter levado a cometer suicídio.</p>
<p style="text-align: justify;">[Provavelmente vai aparecer quem diga que, ainda mais profundo do que isso, há a discussão sobre até que ponto a realidade é realmente real, mas este blá-blá-blá totalmente clichê e de valor filosófico nulo é indigno do filme. Volto a este ponto no final do texto.]</p>
<p style="text-align: justify;">Encanta também a trama. O protagonista precisa se libertar da culpa que sente com relação à morte da esposa. Quer voltar para os filhos, e encontra esta possibilidade no serviço para o qual foi contratado. Antes de convencer um jovem bem-sucedido a lançar às favas o império que o pai a duras penas construiu, o que Cobb e sua equipe terminam fazendo é <strong>reconciliar um filho com o seu pai</strong>. E o protagonista, perdido nos seus sonhos e pensamentos, recebe da jovem arquiteta a ajuda necessária para vencer o seu próprio passado e ser finalmente capaz de viver o seu futuro. Notem: todas as motivações &#8211; e as atitudes &#8211; são positivas! A única coisa mesquinha que existe no filme &#8211; o desejo de &#8220;quebrar&#8221;, desonestamente, uma empresa bem-sucedida &#8211; é também apresentada de maneira positiva (&#8220;é importante para o mundo que esta empresa não detenha o monopólio da distribuição de energia&#8221;) e &#8211; principalmente &#8211; é alcançada por um meio extremamente positivo, provocando uma reconciliação familiar. <strong>No filme, não há vilões</strong>; há os dramas pessoais de almas sofridas que, por si sós, já são responsáveis pela virtual totalidade dos males que existem no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">E, por fim, também encantam as sutilezas. A forma que Cobb usa para implantar em sua esposa a idéia de que a realidade é uma ilusão é simplesmente genial. O que Fischer encontra no cofre do pai lá no terceiro nível de sonhos &#8211; o catavento da foto de quando era criança &#8211; é emocionante. O que Cobb diz para a projeção (feita por seu subconsciente) da sua mulher, ao final do filme, é um elogio feminino para o qual eu não encontro paralelos no cinema recente: &#8220;não passas de uma sombra pálida da mulher que eu amei. És o melhor que eu consegui fazer e, no entanto, não és boa o bastante&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">As pessoas &#8211; a realidade! &#8211; ultrapassam infinitamente as imagens que temos delas, por mais honestos que sejamos, por mais que nos esforcemos! Não existe bobagem de ceticismo ou de dúvida idiota &#8211; estilo Matrix &#8211; sobre se o que julgamos ser a realidade é de fato real. No extremo oposto disso, o filme é um tremendo louvor à realidade, <strong>por dura que ela seja</strong>. É isto que o filme, ao final das contas, nos ensina. Por mais que possamos ser deuses e ter um mundo só nosso no &#8220;limbo&#8221; dos sonhos profundos, a realidade vale mais &#8211; muito mais &#8211; do que isso. É sempre necessário aceitá-la. Sempre vale a pena voltar.</p>
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		<title>Tudo é mais do mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 19:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu não sou lá o que se possa chamar de grande entusiasta da democracia &#8211; a despeito de ser forma de governo legítima, conforme ensina a Igreja Católica. Com relação à maneira específica como a &#8220;democracia&#8221; (aqui, as aspas são propositais, e servem precisamente para distinguir esta daquela legitimada pela Igreja à qual fiz referência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu não sou lá o que se possa chamar de grande entusiasta da democracia &#8211; a despeito de ser forma de governo legítima, conforme ensina a Igreja Católica. Com relação à maneira específica como a &#8220;democracia&#8221; (aqui, as aspas são propositais, e servem precisamente para distinguir esta daquela legitimada pela Igreja à qual fiz referência acima) é exercida no Brasil, deixo de ser simplesmente um &#8220;não-entusiasta&#8221; para lançar-lhe mesmo duras críticas. Julgo até ser perfeitamente legítimo, aliás, discutir se aquilo que, no Brasil, costuma chamar-se &#8220;democracia&#8221;, tem as mesmas características daquele sistema que um dia o Aquinate considerou legítimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas isso é uma outra discussão, para a qual não tenho nem fôlego e nem envergadura. Limito-me a falar sobre os fatos concretos do nosso quotidiano. Ontem, eu assisti ao debate da Canção Nova com os presidenciáveis, e tive impressões muito negativas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não com relação ao debate &#8211; ao contrário, ele foi, na média, excelente. Tirando algumas aberrações (como a &#8220;Pastoral do Menor&#8221; colocando-se contra a redução da maioridade penal), muitas perguntas importantes foram feitas exatamente da maneira como deveriam ser feitas: &#8220;o senhor, como presidente, assinaria o PLC 122/06?&#8221;, &#8220;o senhor, no seu governo, vai colocar em prática as diretrizes do PNDH-3?&#8221;, &#8220;o senhor acredita que o valor da vida humana pode ser decidido em plebiscito?&#8221;, e diversas outras. A organização do debate está sem dúvidas de parabéns. O motivo das minhas impressões negativas reside justamente no fato de que, <strong>mesmo com toda a excelência da organização do debate</strong>, os candidatos estão &#8211; todos &#8211; muito aquém do mínimo que se pode esperar para que a licitude do apoio católico por meio do voto, a qualquer um deles, possa ser até mesmo levada em consideração e colocada em litígio. Do jeito que está, ninguém pode ser votado.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o aborto, o abortista Serra foi o único a dizer, claramente, que o respeito à vida humana não pode ser objeto de sufrágio popular. Curiosamente, foi ele próprio &#8211; ele, que disse não ser capaz de fazer um plebiscito para decidir sobre a legalização do aborto no Brasil &#8211; quem, quando Ministro da Saúde, autorizou &#8211; <strong>sem consultar ninguém!</strong> &#8211; a rede pública hospitalar a assassinar crianças caso elas tenham sido concebidas por meio de estupro&#8230; incoerências que, enfim, quedaram sem respostas, e fica então o eleitor católico na sincera dúvida entre o discurso do abortista quando em campanha ou os seus atos passados quando, efetivamente, teve poder para fazer alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a Lei da Mordaça Gay, tanto o Serra quanto o Plínio disseram não ter lido o projeto mas que, mesmo assim, eram-lhe, em linhas gerais, favoráveis. Sobre o PNDH-3, o Plínio teve aliás a capacidade de dizer que não via nada de errado no plano. O candidato do PSOL merece menção especial, porque ele tem feito questão de se apresentar como católico e, mesmo assim, <strong>colocar-se sistematicamente contrário a tudo aquilo do qual a Igreja é a favor, e favorável a tudo aquilo que a Igreja é contra</strong>. Chega a ser impressionante. O papel dele, como já foi notado por alguns mais astutos, é claramente o de deslocar o eixo de comparação entre os candidatos, por meio de um radicalismo tão caricato que, junto dele, a Dilma e o Serra apareçam quase que como ultramontanos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-e-os-patos-ou-petista-faz-chacota-de-catolicos/">A sra. Rousseff fez chacota dos católicos e não foi ao debate</a>. E, por algum motivo que sinceramente escapa-me à compreensão, o católico Eymael &#8211; <strong>provavelmente a única opção aceitável para os católicos no primeiro turno</strong> &#8211; não foi convidado para o debate ou, dele, não quis participar. Quando não estão presentes nem o único candidato que poderia dar respostas tranqüilizadoras às questões apresentadas, nem a candidata favorita nas pesquisas que iria se comprometer terrivelmente a cada resposta que formulasse&#8230; qual foi o saldo, afinal de contas, do debate? Parece-me que é tudo mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso reforça a minha desilusão para com a &#8220;democracia&#8221; brasileira: o voto é universal e tem o mesmo peso para todos, pouco importando a parcela de participação na sociedade que cada um tenha. Os debates, por melhores que sejam, terminam por gerar pouco ou nenhum fruto: e os resultados do pleito são, na verdade, decididos pela máquina publicitária da televisão que, na hipnotizadora propaganda eleitoral gratuita, pende obscenamente para o lado do partido que se encontra atualmente no governo. Resta esperar alguma coisa? É possível fugir da incômoda sensação de que tudo isso não passa de um gigantesco jogo de cartas marcadas?</p>
<p style="text-align: justify;">Que Deus tenha misericórdia de nós, e salve o Brasil! Porque é óbvio que as eleições de outubro próximo não serão capazes de &#8220;salvar&#8221; absolutamente nada.</p>
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		<title>CNBB apóia plebiscito ao qual os bispos dizem não!</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 20:59:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia 18 de junho p.p., sexta-feira, ao invés de incentivar os fiéis a fazerem penitência em memória da Paixão do Senhor, o site da CNBB publicava uma matéria comunistóide em favor do plebiscito pelo limite de terras. &#8220;Pastorais Sociais e Organismos da CNBB confirmam apoio ao plebiscito pelo limite de propriedade da terra e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No dia 18 de junho p.p., sexta-feira, ao invés de incentivar os fiéis a fazerem penitência em memória da Paixão do Senhor, o site da CNBB publicava uma matéria comunistóide em favor do plebiscito pelo limite de terras. <a href="http://www.cnbb.org.br/site/comissoes-episcopais/caridade-justica-e-paz/3869-pastorais-sociais-e-organismos-da-cnbb-confirmam-apoio-ao-plebiscito-pelo-limite-de-propriedade-da-terra-e-ao-grito-dos-excluidos">&#8220;Pastorais Sociais e Organismos da CNBB confirmam apoio ao plebiscito pelo limite de propriedade da terra e ao Grito dos Excluídos&#8221;</a> &#8211; era o longo título do artigo que, <a href="http://www.deuslovult.org/2010/07/22/cnbb-censura-artigos-de-bispos/">ao contrário de outros</a>, encontra-se até agora disponível no site da Conferência. À época, <a href="http://www.deuslovult.org/2010/07/13/cnbb-apoia-plebiscito-sobre-limite-da-propriedade-da-terra/">eu também comentei aqui sobre o escândalo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, foi publicada uma matéria no jornal &#8220;Gazeta do Povo&#8221; que revela uma outra face da moeda, meticulosamente escondida sob a maneira marxista do site da CNBB enxergar (e, pior ainda, divulgar) a realidade: <a href="http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&amp;id=1038626&amp;tit=Bispos-dizem-nao-a-plebiscito">bispos dizem &#8220;não&#8221; a plebiscito</a>. Leiam-na na íntegra. Lá, vocês verão bispos como Dom Cristiano Krapf, Dom Aloísio Opperman e Dom Murilo Krieger <strong>dizendo claramente que são contrários a este plebiscito!</strong> Como isso é possível? Na verdade, o que acontece é que, aparentemente, <strong>a CNBB apóia o mesmo plebiscito ao qual os bispos teimam em dizer não</strong>! De onde vem tão curioso caso clínico de esquizofrenia?</p>
<p style="text-align: justify;">Queira o leitor bondosamente voltar ao longo e enfadonho título da notícia do site da CNBB, <em>linkada</em> no início do post. <strong>Quem é que apóia, afinal de contas, este malfadado plebiscito</strong>? A matéria não diz &#8220;os bispos apoiam&#8221;, e nem &#8220;a CNBB apóia&#8221;, nem nada do tipo. Com uma malícia ofídica, o que a matéria diz é que as <strong>&#8220;Pastorais Sociais&#8221;</strong> e uns anônimos <strong>&#8220;Organismos da CNBB&#8221;</strong> apoiam tal plebiscito. Não diz nem que &#8220;a CNBB&#8221; o apóia, nem que &#8220;os bispos&#8221; o apóiam, <strong>porque seria mentira</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendam bem! <strong>A CNBB não apóia este plebiscito</strong>. Este suposto apoio, dito assim claramente, não está em lugar nenhum (embora também <strong>não esteja desmentido&#8230;</strong> voltamos a este ponto já já). <strong>Os bispos em seu conjunto também não apoiam este plebiscito, e fizeram questão de o dizer pública e claramente</strong>, como mostra a matéria do &#8220;Gazeta do Povo&#8221; que eu trouxe acima. Até mesmo Dom Demétrio, que particularmente é favorável à consulta popular, confessa que, na última Assembléia Geral ocorrida em Brasília, embora tenha havido discussões sobre o assunto, &#8220;em nenhum momento houve decisão, nem sobre o limite da terra, nem sobre o que fazer com a propriedade excedente&#8221;. <strong>São palavras de um prelado favorável ao plebiscito</strong>!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nem a CNBB apóia oficialmente o plebiscito, nem os bispos como um todo o apoiam</strong>. Mas, então, como explicar que o apoio &#8220;oficioso&#8221; a esta consulta popular &#8211; em assunto sobre o qual a Assembléia Geral da Conferência não chegou a nenhuma decisão, convém lembrar &#8211; esteja tão disseminado? <strong>Por que a CNBB não o desmente</strong>?</p>
<p style="text-align: justify;">Volto ao início do post: o malicioso artigo sobre o apoio das &#8220;Pastorais&#8221; e dos anônimos &#8220;Organismos&#8221; da CNBB ao plebiscito &#8211; que claramente confunde os leitores &#8211; encontra-se até agora no site da CNBB. No entanto, no final do mês passado, o artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini contrário à sra. Dilma Rousseff foi rapidamente retirado do site porque&#8230; <strong>era a posição particular de um bispo, e não representava a posição da Conferência</strong>! É incrível a desonestidade desta gente, mas é isso mesmo: há algumas posições particulares, de alguns prelados, que podem e devem ser veiculadas no site oficial da CNBB, e há algumas outras posições particulares de outros prelados que não podem estar no site de nenhuma maneira e, caso apareçam por lá, devem ser retiradas o quanto antes. E este site duas-caras é &#8211; vergonha! &#8211; o site oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">E agora, como é que fica? <strong>O apoio ao plebiscito é posição oficial da CNBB, ou é posição particular de alguns bispos</strong>? Se for posição oficial da Conferência, então nós temos pelo menos quatro bispos mentindo publicamente. Se não for posição oficial da Conferência (e sim opinião pessoal de algum bispo), <strong>por qual motivo esta posição pessoal merece destaque no site da CNBB, enquanto que a de Dom Luiz Gonzaga foi rapidamente censurada?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não deixem de fazer a pergunta inconveniente à assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil</strong>: <a href="mailto:imprensa@cnbb.org.br">imprensa@cnbb.org.br</a>. Aproveitem e perguntem também (como citou o Marcio Antonio Campos no quadro da matéria do &#8220;Gazeta do Povo&#8221; &#8211; leiam lá) por qual esotérico motivo é permitido mencionar expressamente o nome dos candidatos em alguns tipos de artigos (como na malfadada Análise de Conjuntura sobre a qual <a href="http://www.deuslovult.org/2010/02/26/a-analise-de-conjuntura-da-cnbb/">eu já comentei aqui</a> e desde fevereiro <a href="http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/doc_view/354-analise-de-conjuntura-fevereiro-de-2010">está no site da CNBB</a>) e não em outros (como no artigo de Dom Luiz Gonzaga que foi censurado). Estou curiosíssimo para saber qual vai ser a resposta.</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 514px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;"><a href="mailto:imprensa@cnbb.org.br">imprensa@cnbb.org.br</a></div>
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		<title>CNBB desmente: Católicos não têm liberdade para &#8220;votar em qualquer candidato&#8221; coisa nenhuma</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 20:17:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[[Publico na íntegra. Parece que, com a CNBB, a coisa ainda funciona - graças a Deus - na base da pressão. A notícia saiu na última sexta-feira e, já hoje, veio a resposta. Uma certa senhora - que se diz católica e, apesar dos meus reiterados protestos, insiste em me enviar por email todo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">[<em>Publico na íntegra. Parece que, com a CNBB, a coisa ainda funciona - graças a Deus - na base da pressão. A notícia <a href="http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=35&amp;id=334627">saiu na última sexta-feira</a> e, já hoje, veio a resposta.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma certa senhora - que se diz católica e, apesar dos meus reiterados protestos, insiste em me enviar por email todo o lixo com o qual costuma tornar a internet um lugar mais desagradável de se freqüentar - enviou-me um email correlato, que tinha por título "parabéns à CNBB" e no qual estava escrito (com a caixa-alta do original), da lavra da referida senhora: "A CNBB AO ABRIR AS PORTAS A TODOS OS CANDIDATOS, MOSTROU QUE NÓS CATÓLICOS, TEMOS LIBERDADE PARA VOTAR EM QUALQUER CANDIDATO. FOI UM TAPA DE PELICA NO TAL BISPO DE GUARULHOS, QUE PREGA O ÓDIO E A INTOLERANCIA". Pois é, parece que, agora, o tapa na cara dos "católicos" abortistas foi não de pelica, mas com a mão cheia mesmo...</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Fonte: <a href="http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/4470-comunicado-da-assessoria-de-imprensa">CNBB</a></em>]</p>
<p style="text-align: justify;">Prezado Senhor Diretor de Redação,</p>
<p style="text-align: justify;">Foi  com desagradável surpresa que vi estampada minha fotografia no topo da  página A7 da Edição de hoje, sexta-feira, 20 de agosto, com a nota de  que eu teria admitido que os católicos votem em candidatos que são  favoráveis ao aborto.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de expressar, mais uma vez, a  posição inegociável da CNBB, que é a mesma do Magistério da Igreja  Católica, de defesa intransigente da dignidade da vida humana, desde a  sua concepção até a morte natural. O aborto é um crime que clama aos  céus, um crime de lesa humanidade. Isso, evidentemente, não significa  que o peso da culpa deva recair sobre a gestante. Também ela é, na  maioria das vezes, uma grande vítima dessa violência, e precisa de  acompanhamento médico, psicológico e espiritual. Aliás, esses cuidados deveriam vir antes de uma decisão tão dramática.</p>
<p style="text-align: justify;">Os  católicos jamais poderão concordar com quaisquer programas de governo,  acordos internacionais, leis ou decisões judiciais que venham a  sacrificar a vida de um inocente, ainda que em nome de um suposto estado  de direito. Aqui, vale plenamente o direito à objeção de consciência e,  até, se for o caso, de desobediência civil.</p>
<p style="text-align: justify;">O contexto que deu  origem à manchete em questão é uma reflexão que eu fazia em torno da  diferença entre eleições majoritárias e proporcionais. No caso da  eleição de vereadores e deputados  (eleições proporcionais), o eleitor  tem uma gama muito ampla para escolher. São centenas de candidatos, e  seria impensável votar em alguém que defenda a matança de inocentes,  ainda mais com dinheiro público. No caso de eleições majoritárias  (prefeitos, senadores, governadores, presidente), a escolha recai sobre  alguns poucos candidatos. Às vezes, sobretudo quando há segundo turno, a  escolha se dá entre apenas dois candidatos. O que fazer se os dois são  favoráveis ao aborto? Uma solução é anular o próprio voto. Quais as  conseqüências disso? O voto nulo não beneficiaria justamente aquele que  não se quer eleger? É uma escolha grave, que precisa ser bem estudada, e  decidida com base numa visão mais ampla do programa proposto pelo  candidato ou por seu Partido, considerando que a vida humana não se  resume a seu estágio embrionário. Na luta em defesa da vida, o problema  nunca é pontual. As agressões chegam de vários setores do executivo, do  legislativo, do judiciário e, até, de acordos internacionais. E chegam  em vários níveis: fome, violência, drogas, miséria&#8230; São as limitações  da democracia representativa. Meu candidato sempre me representa?  Definitivamente, não! Às vezes, o candidato é bom, mas seu Partido tem  um programa que limita sua ação. Por isso, o exercício da cidadania não  pode se restringir ao momento do voto. É preciso acompanhar, passo a  passo, os candidatos que forem eleitos. A iniciativa da Ficha Limpa  mostrou claramente que, mesmo num Congresso com tantas vozes contrárias,  a força da união do povo muda o rumo das votações.</p>
<p style="text-align: justify;">Que o Senhor  da Vida inspire nossos eleitores, para que, da decisão das urnas nas  próximas eleições, nasçam governos dignos do cargo que deverão assumir. E  que o cerne de toda política pública seja a pessoa humana, sagrada,  intocável, desde o momento em que passa a existir, no ventre de sua  própria mãe.</p>
<div style="text-align: center;">Dom Dimas Lara Barbosa<br />
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro<br />
Secretário Geral da CNBB</div>
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		<title>&#8220;Ensina-nos a rezar&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 00:22:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Ferraz</dc:creator>
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		<category><![CDATA[parque da jaqueira]]></category>
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		<description><![CDATA[Os meninos do ECyD evangelizaram com o seu testemunho e dedicação a Cristo, em uma manhã de domingo. Muitas pessoas pediram para que ensinassemos a rezar o terço, e os pequenos explicaram muito bem. Ainda existe muito a ser feito, mas Cristo é a nossa força! Foi em maio. O vídeo saiu esta semana. O [...]]]></description>
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<div style="text-align: justify;">Os meninos do ECyD evangelizaram com o  seu testemunho e dedicação a Cristo, em uma manhã de domingo. Muitas  pessoas pediram para que ensinassemos a rezar o terço, e os pequenos  explicaram muito bem. Ainda existe muito a ser feito, mas Cristo é a  nossa força!</div>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Foi em maio. O vídeo <a href="http://ecydrecife.blogspot.com/2010/08/distribuicao-dos-tercos.html">saiu esta semana</a>. O bonito trabalho dos pequenos é extremamente louvável &#8211; de uma tremenda necessidade para os dias de hoje. Vejam:</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/rR1KhSx4z5o&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xd0d0d0&amp;hl=pt_BR&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/rR1KhSx4z5o&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xd0d0d0&amp;hl=pt_BR&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">A proposta é extremamente simples: reservar um domingo para distribuir terços no parque da Jaqueira, entre as pessoas que lá estavam. Não custa quase nada. E os frutos são valiosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ensinar as pessoas a rezarem o terço! Estamos falando de pessoas adultas. Às vezes eu fico pensando como é possível que ninguém nunca tenha se preocupado em ensinar os católicos a desfiarem um terço em honra à Virgem Santíssima. No entanto, mais do que reclamar, importa <strong>fazer</strong> &#8211; e, nisso, os meninos do ECyD estão de parabéns.</p>
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