[OFF] Eu, com câncer (XI): A nova fase da vida

Volto a escrever depois de um bocado de tempo, tendo-me ocupado com uma miríade de outras coisas. O paulatino voltar ao ritmo do trabalho, as atividades acadêmicas de um primeiro período universitário após alguns anos longe da Graduação, as sessões de Quimioterapia que ainda fiz, os cinqüenta dias de Páscoa. Foram muitas coisas, nem todas as quais eu tive a oportunidade de registrar aqui ou alhures. Mas penso que já posso voltar. Do final de abril para cá (quando escrevi pela última vez) passaram-se outras duas sessões de quimioterapia. No início do meu…

Read more

[OFF] Eu, com câncer (IX): as últimas boas notícias

Tive na última quinta-feira uma agradável visita à minha pneumologista. Fazia quase um mês que eu não batia nenhum raio-x do pulmão e, portanto, que eu não acompanhava clinicamente a evolução do meu querido derrame pleural. Já estava em tempo de fazer um check-up. É incrível a capacidade humana de adaptação: a gente se acostuma. Tenho um cateter subcutâneo no tórax, do lado direito, que me impede, por exemplo, de deitar de bruços. Desde há muito apenas durmo de papo para cima ou no máximo de lado, e sinceramente não…

Read more

[OFF] Eu, com câncer (V): contratempos e imprevistos

Faz mais de uma semana que não escrevo nada. Há uma razão: faz mais de uma semana que estou internado no hospital, contra todos os prognósticos que eu tinha para esses dias. Dante já dissera com muita propriedade «ché saetta previsa vien più lenta» (Paradiso XVII) e, em contrapartida, as flechadas que nos chegam de supetão, pelas costas, são as piores. Mas a vida é feita de batalhas e lutar significa sobreviver às saraivadas que nos chegam de todos os lados, é claro. Se fosse de outra maneira, não poderíamos…

Read more

[OFF] Eu, com câncer (IV): os baixos e altos de uma semana enfermiça

Passei uma semana inteira sumido. Fui forçado. Domingo último, 19 de janeiro, escrevia aqui que iniciaria a segunda quimio no dia seguinte; na segunda-feira saí de casa pela manhã, e somente ontem (sábado) à noite consegui pôr de novo os pés no lar que parece ser tão mais doce quanto mais tempo passamos afastados dele. Os culpados foram os meus pulmões, que por alguma estranha razão não pareciam estar muito dispostos a me ajudar na minha nobre peleja contra a insidiosa enfermidade linfoproliferativa que ora me acomete. Haviam enchido de…

Read more