A mídia x os brasileiros: a reação dos internautas

Aconteceu ontem: o jornal “O Globo” havia publicado em seu site, logo na página principal e com destaque, esta notícia. É sobre a mais nova palhaçada do excelentíssimo sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro (o mesmo que perguntou recentemente quem é que nunca teve uma namoradinha que precisou abortar): policiais militares gays participarem fardados da próxima Parada Gay carioca.

É claro que a idéia estúpida desagradou os policiais militares. Com muita propriedade eles questionaram: “acho estranho o governador liberar o carro, gastando gasolina do estado, para eles [os policiais homossexuais] participarem de algo de caráter particular. Além disso, se você usar a viatura para ir a um evento, deixará desguarnecidas áreas que precisam de segurança – diz Cordeiro, levantando ainda outro problema. – Se o policial for fardado, isso significa que irá armado. Quem usa fuzil, por exemplo, vai deixar na viatura ou levar para a passeata?”. Muito bem colocado. Mas o Sérgio Cabral é brasileiro e não desiste nunca. O show tinha que continuar.

Chegamos, enfim, à notícia à qual fiz referência na primeira frase deste post. Sob a palavra “polêmica”, a manchete diz: Parada Gay: Cabral nega mal-estar com comandante da PM, e Paes diz que participação de militares é ‘opinião do governador’. Como eu falei, estava logo na entrada do portal com destaque e rapidamente passou para os links mais modestos das notícias relacionadas – até desaparecer completamente da página principal.

Naturalmente, não dá para provar com certeza; mas eu acho – e não somente eu – que o motivo desta súbita perda de atenção d’O Globo na polêmica foi por conta dos comentários que estavam sendo feitos. Tratam-se de cidadãos brasileiros normais que se manifestaram descontentes com o espaço (absurdamente desproporcional) que a agenda gay está ocupando no governo e nos meios de comunicação. Ou seja: a manifestação dos leitores do jornal foi contra os interesses d’O Globo e, por isso, eles habilmente retiraram a matéria do centro das atenções.

O povo brasileiro não é partidário do espancamento de homossexuais, não acredita que eles devam receber pena de morte por seu comportamento imoral, acha natural que o patrimônio em comum construído possa pertencer àqueles que trabalharam para o construir e, contanto que se mantenham padrões mínimos de moralidade pública, está pouco interessado no que a dupla faz ou deixa de fazer na cama. No entanto, o povo brasileiro – o bom povo brasileiro – não aceita a imposição da cultura gay. Isto ficou claro nos comentários feitos à reportagem acima mencionada. Ontem à tarde (logo depois de “desaparecer” da página principal do site), havia pouco mais de 100 comentários em menos de quatro horas. Hoje, há 179. À guisa de exemplo, trago algumas manifestações dos leitores, das mais antigas às mais recentes:

TamoAi
18/05/2011 – 13h 52m

Esse re..tar..da..do do Cabral gosta de aparecer. Nao faz nada que presta.

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QueissoZe18
18/05/2011 – 13h 55m

A demagogia de Cabral é ilimitada. è tão tosco e mal preparado que até sugere ato inconstitucional. Não tem cabimento pedir pra policial levar a viatura – que é do estado e deveria servir ao povo, gay ou não – pra sair do armário. O que o sujeito faz na cama não é da conta do governador, é da intimidade de cada um , logo, de aspecto privado.

O gov devia conclamar o prefeito do RJ a sair do armário.

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JERICÓ
18/05/2011 – 13h 59m

Que desculpem os simpatizantes. Nunca vi uma família realizar um festa tipo debutante para o anúncio com gritos de satisfação da descoberta do homossexualismo de seus filhos ou filhas. Algo está errado com alguns simpatizantes que nunca festejam ou festejaram seus filhos homossexuais. A queda do império romano se deu em parte, justamente em função de sua promiscuidade inclusive com a participação de alguns imperadores. Parabéns coronel pela decisão técnica, legal e não política tomada.

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Luiz Henrique Gineste Barroso
18/05/2011 – 14h 03m

COM O MEU ,ALIAS NOSSO DINHEIRO.QUEIMANDO GASOLINA E HORAS DE SERVIÇOS.GOVERNADOR PENSE ANTES DE FALAR TANTA BOBAGEM.AS URNAS VÃO FALAR NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES.

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Jair José de Almeida
18/05/2011 – 14h 10m

O tal do Jean Willes que venceu o BBB escreveu um livro, trabalhou na tev globo com ana maria braga, e na radio globo caiu no esquecimento, mas derrepente de candidata a deputado fica de suplente consegue uma vaga e agora se notabiliza por fazer campanha a favor do mundo gay. Será que nesse país não tem coisa mais importante pra se discutir? sou contar a homofobia mas também sou contara viada.gem, ô atraso

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Rodrigo Herrera
18/05/2011 – 14h 19m

Cada um na sua. Mas esta exaltação da opção sexual é patética. Todo mundo tem direito a fazer o que quiser se for entre adultos, agora parece que querer tornar o homosexualismo em obrigatório. Não tenho nada contra gays, mas tenho contra políticos que usam esta bandeira para bancarem moderninhos e os que defendem para bancarem os que defendem a família. Que coisa sem graça.

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Aluizio jorge
18/05/2011 – 14h 41m

Quanta palhaçada.

Que saco esta de parada gay, falta do que fazer dos politicos para aparecer na midia.

Enquanto o roubo o assistencialismo e a falta de educação escolar correm soltos neguinho da atenção a parada gay.

Cada povo tem o governo que merece

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Celso Machado
18/05/2011 – 15h 46m

Sergio cabral deveria ser governador do circo, com todo o respeito aos queridos palhaços…
Trabalhar que é bom. Saúde, um lixo. Educação nota zero. Segurança, só para ingles ver…
Agora essa questão de homofobia tratada de forma ridícula e criando preconceito. homo ou hetero, tanto faz cada um sabe da sua vida. O problema que no Brasil tudo acaba em palhaçada.

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Atlan
18/05/2011 – 16h 21m

Não sou homofóbico. Sou uma pessoa tolerante e que respeita a liberdade dos outros. Entretanto, a presença massiva da questão gay nos jornais, na internet e na tv é desproporcional. O assunto é tratado como se fosse a questão principal nas nossas vidas. Não é. Eu não conheço nenhum gay assumido. Em resumo, não é um assunto que me interesse. Entretanto, sou bombardeado com o assunto o tempo todo. Está passando do limite de forma que eu, que sou tolerante, estou incomodado.

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Carlos Erich Kramer
18/05/2011 – 17h 39m

Senhor Domingos de Santana Junior, os senhores JÁ tem direitos plenos, já têm mais que isso, já têm até financiamento estatal. Nenhum outro membro da PM ou dos Bombeiros tem direito a ir para o carnaval usando uniforme, seja heterossexual ou não. Por que teriam os gays direito de participar de passeatas usando o uniforme? Esse é o problema: vocês querem direitos especiais, querem privilégios, querem empurrar o gayzismo goela abaixo da população.

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Francisco Oliveira de Medeiros
18/05/2011 – 19h 32m

O Governador Sergio Cabral quer é mesmo avacalhar com a instituição policia militar, porque se ele não tem pelo menos uma pequena noção do estatudo dos policiais de seu estado, avalia outras coisas enerente ao estado como ele conhece.

E há muitos outros exemplos que poderiam ser citados. Todos eles a reafirmar, de modo insofismável, esta verdade que os meios de comunicação esforçam-se por esconder: os brasileiros não engoliram e nem vão engolir esta história de que o homossexualismo seja uma coisa natural, virtuosa até, que possa ser publicamente ostentada e estimulada e da qual se deva até mesmo ter orgulho.

Já antevejo o resultado de manifestações assim: o Governo vai usá-las como prova de que a população ainda é terrivelmente homofóbica, para então redobrar os esforços na implantação da Ideologia Gay. Porque o que está em curso não é um movimento legítimo de reivindicações dos direitos legítimos: o que está em curso é um processo de engenharia social no qual se deseja moldar a maioria de uma população em conformidade com os “valores” de uma minoria. Até quando os brasileiros vão engolir isto calados? Que cada um tenha em conta que eles começam roubando uma flor. Aqueles que precisam urgentemente sair do anonimato para manifestarem as suas opiniões são os cidadãos brasileiros descontentes com a campanha pró-homossexualismo que está em curso no Brasil. Antes que seja tarde demais.

Parada Gay: Cabral nega mal-estar com comandante da PM, e Paes diz que participação de militares é ‘opinião do governador’

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/05/18/parada-gay-cabral-nega-mal-estar-com-comandante-da-pm-paes-diz-que-participacao-de-militares-opiniao-do-governador-924488681.asp#ixzz1MnCdcmDp
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Verba volant, scripta manent

O título deste post é um antigo provérbio latino. Significa “as palavras voam, [mas] os escritos permanecem”. O reverendíssimo padre Alex Cordeiro, que publicara na semana passada um artigo em seu blog no qual atacava violenta e injustamente o padre Paulo Ricardo, resolveu “dar sumiço” no seu post após eu ter respondido aqui aos seus impropérios. Mesmo dizendo expressamente que não retira o que disse (como pode ser visto no tweet acima), quis apagar os registros do que dissera contra um seu irmão no sacerdócio. Quis eliminar os escritos (que permanecem), para deixar as palavras voarem e se perderem – após terem provocado todo o mal-estar que provocaram. O padre falou, falou, falou… e agora parece não querer escutar.

E isto não é justo. O estrago feito pelo péssimo artigo do pe. Alex foi público, e não pode simplesmente ser “apagado”, assim, como se nunca houvesse acontecido. As pessoas precisam assumir a responsabilidade por aquilo que dizem e fazem. Outrossim, se o sacerdote mantém tudo o que disse, não existe razão para esconder o artigo que deu origem à polêmica.

Mas, na internet, verba non volant. O cache do Google ainda mantém a página que foi tirada do ar. E, mesmo após a sua remoção, foi possível recuperar o artigo do pe. Alex que respondi anteriormente. Se a palavra proferida não tem volta, como diz o adágio, muito menos o tem o post publicado. Abaixo, segue um printscreen do artigo da forma como ele estava ainda hoje pela manhã, antes do sacerdote resolver fazê-lo desaparecer. O registro é necessário por questões de justiça e transparência. Segue, na íntegra:

Para terminar, a pequena galeria abaixo é um ligeiro apanhado do Twitter do padre (agora protegido), ao longo do dia de hoje, em sucessivas crises de caridade, de bom trato e de diálogo fraterno com as pessoas que cometeram o único crime de discordar das suas palavras agressivas contra um zeloso sacerdote católico – palavras nas quais ele, felizmente, não conseguiu dar o sumiço que desejara.

“Ratos”, “fariseus”, “doentes” e “raça de víboras” são alguns dos caridosos epítetos que o pe. Alex Cordeiro reserva para aqueles que ousam contrariá-lo e oferecer a resposta devida ao seu artigo mesquinho que tanta confusão e perplexidade provocou entre os fiéis católicos nos últimos dias. Não é uma atitude cristã atacar violenta e publicamente um sacerdote católico e, depois, não aceitar críticas. Não é uma atitude cristã despejar tantos xingamentos contra aqueles que discordam de suas atitudes e que jamais fizeram manifestações públicas que justificassem esta reação histérica. Não é uma atitude cristã jogar coisas na internet e, depois, procurar escondê-las, fazendo-se de vítima e buscando deixar o dito pelo não dito. Após tudo isso, que cada um possa julgar por si próprio se o lobo é mesmo o pe. Paulo Ricardo ou se, ao contrário, o lobo não está disfarçado de Cordeiro.

Aviso

Pequenos problemas técnicos com acesso à internet. Atualizando as coisas esporadicamente – os comentários, ao menos, estão sendo lidos liberados a uma taxa razoável. Espera-se que daqui para amanhã as coisas estejam já resolvidas.

É Quaresma! Aliás, hoje é a primeira sexta-feira deste tempo santo. Arrependamo-nos das nossas faltas e façamos penitência pelos nossos crimes. Que o bem que fizermos e o mal que suportarmos nos aproveite para remissão dos pecados, aumento da Graça e penhor da vida eterna.

Regras para o engajamento dos católicos na internet

[Leiam a íntegra em inglês aqui.]

  1. Lembre-se sempre da superioridade do mundo real sobre o mundo virtual.
  2. Sua salvação é mais importante do que o seu envolvimento na internet.
  3. Nunca diga na internet algo que você não diria pessoalmente.
  4. Não escreva nada com raiva.
  5. Não crie estereótipos das pessoas.
  6. Reserve pelo menos um dia da semana para ficar fora da internet.
  7. Presuma sempre as boas intenções dos outros.
  8. Lembre-se de quem é o verdadeiro Inimigo.
  9. Lembre-se de que Deus resiste ao soberbo.
  10. Não freqüente apenas sites católicos.

Notícias do fim do mundo

Eis o século XXI:

1. Espanha concede pensão vitalícia a uma criança, por nascimento “indevido” (!). O garoto, que nasceu com síndrome de Down, “teria sido abortado se os pais tivessem conhecido a sua deficiência a tempo de interromper legalmente a respectiva gravidez”.

2. Casal deixa internautas decidirem (!) se mulher deve abortar. “Alisha e Pete, também de 30 anos, lançaram a pesquisa em um site porque dizem não se sentir seguros se devem ou não ser pais”.

Eu, sinceramente, nem sei o que comentar. Quando a vida humana é banalizada a este ponto – e tudo isso feito às claras, publicado em jornais como se estivéssemos falando das coisas mais naturais do mundo -, o futuro que nos espera é sombrio. Alguém comentou que o primeiro casal deveria perder a guarda da criança. Digo que o mesmo vale para o segundo. Que espécie de cidadãos estas “famílias” podem legar ao mundo?

Às vezes, eu penso se Sodoma não foi destruída por muito menos. E, contemplando desolado as abominações das quais o nosso mundo é capaz, penso em que castigo terrível não nos aguarda. Deus tenha misericórdia de nós. Que a Virgem Santíssima possa sustentar a Sua ira.

A voz dos blogueiros católicos

A Sandra fez a gentileza de nos brindar com esta tradução de um interessante artigo do The Washington Post. Trata-se de uma matéria que foi veiculada na mídia secular, e não na religiosa; por isso mesmo tem alguns problemas, mas também algumas coisas muito interessantes.

Pareceu-me um pouco injusto o tom de todo o artigo, ao afirmar que os blogueiros estariam dizendo que “a  igreja não é suficientemente católica”. O problema não é este; na verdade, são – nas palavras dos próprios católicos citados na matéria – “as pessoas que são católicas e que não vivem a fé”. Ora, destes males o Brasil, infelizmente, não está pior servido do que os Estados Unidos da América.

Concordo muito facilmente com a necessidade de se manter a “caridade cristã online”. Analisando apenas a realidade tupiniquim, sou forçado a conceder: muitas vezes a caridade é negligenciada. Ao mesmo tempo, contudo, tendo a ser condescendente com os que assim procedem: eles estão denunciando lobos em pele de cordeiro que, mais que a caridade, falsificam a própria Fé. Em situações assim, é difícil manter a compostura. E, ainda: tomar o partido daqueles que traem a Fé por conta da falta de caridade dos que os denunciam é hipocrisia. A Fé precisa ser guardada. E, sem Fé, é impossível falar em Caridade. Não estou justificando os erros dos que se excedem; no entanto, isto não exime os que não guardam a Fé de suas faltas. Um erro na forma nem sempre significa um erro de conteúdo.

Mas o que é realmente interessante na matéria do The Washington Post é ver que este assunto está ultrapassando as fronteiras da Igreja e atingindo a mídia secular. Ou seja: os blogueiros católicos conseguiram realmente fazer barulho. A matéria dá um poderoso testemunho da importância da internet no início deste Terceiro Milênio. Esta nova Ágora, à parte tantos males que causou à sociedade moderna, pode apresentar isto em seu favor quando for julgada pelo Juiz da História: deu voz aos que não desistiram de anunciar a Fé. Permitiu que a Doce Mensagem do Evangelho chegasse a muitos, a despeito das traições de outros tantos. Ouso dizer: formou católicos.

Forjou almas católicas inflamadas de um santo zelo pelas coisas sagradas, mais preocupadas com a glória de Deus do que com qualquer outra coisa. Almas que descobriram a vitalidade eterna da Mensagem Cristã, tão antiga e tão nova, que possui já séculos e, no entanto, é ainda – e sempre! – atual. Almas que encontraram a Cristo.

De novo: não nego que haja problemas, nem tampouco que estes não devam ser corrigidos. Mas, ao lado destes, há muitos bons frutos. Parabéns aos que se esforçam por colocar os novos meios de comunicação social a serviço de Cristo e da Igreja! Que a Virgem Santíssima, Sedes Sapientiae, os proteja sempre. E aos pés d’Ela coloco – mais uma vez – o Deus lo Vult!, suplicando-Lhe misericórdia por minhas muitas faltas e pedindo-Lhe a imerecida honra de dar a minha contribuição, por ínfima que seja, para a exaltação da Santa Madre Igreja.

Avante, novos cruzados! Coragem, que ainda há muito por ser feito. Façamos bom uso do nosso tempo. Empreguemos bem os nossos talentos. Saibamos usar as ferramentas que o Altíssimo põe ao nosso alcance. Sempre com os olhos fitos n’Ele. Sempre ad majorem Dei Gloriam.

Podcast V – Apostolado: como fazer?

Trago a quinta edição do Podcast do Deus lo Vult!, falando desta vez ainda sobre apostolados – mas com dicas concretas sobre as diferentes maneiras de se agir na família, na escola, na internet, na paróquia, etc.

Não se trata de nenhum compêndio doutrinário, mas simplesmente das minhas experiências particulares no assunto, baseando-me nas coisas que eu já fiz e deixei de fazer, e nas que eu observei outras pessoas fazerem. Tratem-nas desta maneira, sem lhes dar um peso maior do que elas de fato possuem. Naturalmente, aceito partilhas, enriquecimentos e contestações.

Sobre Santo Tomás de Aquino (e a sua história citada no programa), recomendo a biografia do santo escrita por Chesterton, que foi onde colhi o episódio pela primeira vez.

[podcast]https://www.deuslovult.org//wp-content/uploads/podcast/podcast-005-dicas-de-apostolado.mp3[/podcast]

Clique aqui para baixar.

Internet: pátio dos gentios, ágora moderna

Na mídia secular: por Deus, tenham um blog!, diz Papa aos padres.

No site do Vaticano, na mensagem para o 44º dia mundial das comunicações sociais:

Contudo, a divulgação dos «multimédia» e o diversificado «espectro de funções» da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas «vozes» que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».

[…]

Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?

[…]

Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na «ágora» moderna criada pelos meios actuais de comunicação.

Duas expressões interessantíssimas, uma das quais eu inclusive vi um amigo usar recentemente: “pátio dos gentios” e “ágora moderna”. Que a Virgem Santíssima abençoe os apostolados virtuais. Que a internet possa dar bons frutos. Que, em todo lugar, Deus seja glorificado.

A imprensa e a internet

Há um “ditado” em informática que diz o seguinte: para fazer uma besteira (o termo não é bem esse, mas preciso torná-lo adequado ao blog), é suficiente uma pessoa. Agora, para fazer uma grande besteira, é preciso uma pessoa e um computador.

A brincadeira me veio à mente quando eu pensava na Reforma Protestante e nos desastrosos efeitos que ela provocou na Europa do século XVI. Eu pensava no papel determinante que a invenção da imprensa desempenhou na propagação das heresias de Martinho Lutero e, por conseguinte, nas proporções que teve a Reforma. E disse para mim mesmo, parafraseando o ditado acima: para se fazer um herege, basta um monge bêbado sem vocação. Para lançar a Alemanha inteira na heresia, no entanto, só com um monge bêbado sem vocação e uma máquina tipográfica.

Não que a invenção da imprensa tenha sido uma coisa ruim. Facilitou o acesso a inestimáveis tesouros culturais antigos, propiciou o aumento da produção intelectual, popularizou escritos aos quais, de outra maneira, dificilmente as pessoas teriam acesso. No entanto, isso não é “um bem em si mesmo”. Depende do que foi feito com os tesouros antigos, do tipo de produção intelectual que foi feita, de qual literatura foi popularizada.

No caso da imprensa (cujo primeiro trabalho foi, ironicamente, a Bíblia de Gutemberg), ela foi terrivelmente usada por Martinho Lutero para espalhar os seus escritos e, assim, angariar adeptos para as suas heresias. Posso cometer alguma injustiça por ignorância histórica, mas tenho a impressão de que, olhando para trás, a partir da Reforma Protestante, os maus frutos da invenção da imprensa são mais visíveis do que os seus bons frutos.

A internet hoje provoca uma revolução análoga àquela que a imprensa provocou outrora. E é possível fazer também paráfrases do ditado ao qual eu me referia no início do post. Uma das que vejo mais claramente é no que se refere à castidade. Para levar material pornográfico para um jovem, um canalha é suficiente; para massificar a pornografia entre a juventude, é preciso um canalha e a internet.

Precisamos dar um melhor uso à internet do que este. E é com muita alegria que eu vejo o potencial positivo que a internet tem, nos sites de defesa da Fé Católica, nas listas de discussão por email, na possibilidade de contato entre pessoas que, de outra maneira, provavelmente jamais se conheceriam. É importante trabalhar e explorar essa potencialidade da rede mundial de computadores. Para, quem sabe, fazermos uma paráfrase enfim positiva do ditado da informática: uma que revele a importância da internet na manutenção e na promoção da Fé Católica durante a terrível crise do final do segundo milênio.