O poder da Igreja não residiu nunca na fama – pe. Antoine Coelho, LC

Sim, como podemos ainda atrever-nos a falar de vitória de Cristo? Como atrever-se ainda a falar de Cristo diante de altifalantes contrários tão poderosos? Na verdade, basta abrir a Bíblia para encontrar a resposta. Na Bíblia repete-se quase incansavelmente uma mensagem. É quase uma espécie de refrão. O homem que confia nas suas forças, no poder dos seus cavalos, na valentia dos seus guerreiros, na vantagem da sua situação, acaba derrotado. O David piedoso e de coração sincero, embora seja fraco e sem experiência, termina derrotando o Golias bem treinado mas presunçoso. A “fraqueza de Deus” é mais forte que a força dos poderosos e é precisamente através da fraqueza que se expande a invencível graça de Deus. Quem se crê forte já não pode ser um veículo eficaz da salvação.

Em realidade, a nossa força não pode ser outra que a aparente fraqueza do amor. É precisamente essa força, ou se quisermos, essa falsa fraqueza, que Cristo pede a Pedro no Evangelho deste domingo. Não lhe pergunta se é sábio, se será um grande planeador, um homem hábil ou eficaz, um líder capaz…Somente lhe pergunta se o ama realmente. O poder da Igreja não residiu nunca na sua fama. Os cristãos foram muitas vezes considerados canibais e assassinos no tempo dos romanos. Tampouco na sua capacidade de resposta. Somos atacados através da manipulação da informação, mas não podemos usar este tipo de armas. É toda uma gama ampla e rica de armas astuciosas, que não poderemos nunca utilizar, pois queremos permanecer fiéis ao amor. Mas aí está: o nosso poder é precisamente e somente o amor, ou seja, o Espírito Santo.

“Pedro, amas o Senhor?” É essa a pergunta decisiva acerca de um Papa. “Bento XVI, amas Cristo?” Sabemos que sim pelo martírio que está a sofrer com paz e com fé. Ainda hoje assisti à catequese que sempre dá às quartas feiras. Parece que nada lhe tinha sucedido nas semanas anteriores. Mas sim, muitas coisas sucederam que paradoxalmente tornam o seu ministério mais fecundo.

E mais que nunca também a nossa palavra pode ser fecunda. Quando tudo parecia ter-se tornado mais difícil em Jerusalém, os apóstolos e fiéis elevaram essa oração ao Senhor: “…verdadeiramente nesta cidade aliaram-se Herodes e Pilatos com as noções e os povos de Israel contra o teu servo Jesus, que ungiste para realizar o que, com o teu poder e sabedoria, havias pré-determinado que sucedesse. E agora, Senhor, tem em conta as suas ameaças e concede aos teus servos que possam pregar a tua Palavra com toda a valentia”. Acabada sua oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos, e todos ficaram cheios do Espírito Santo e pregavam a Palavra de Deus com valentia.

Padre Antoine Coelho, LC
Homilia do III Domingo da Páscoa

Sobre Catolicismo e Protestantismo – pe. Leonel Franca

Que o Salvador tivesse conferido ao Colégio apostólico a mesma plenitude de poderes que a Pedro, já o sabíamos; não é novidade descoberta pelo Sr. ERNESTO que à p. 27 da IRC [N.E.: “Igreja, Reforma e Civilização”, livro anterior do jesuíta] poderia ler como “não há nenhuma incompatibilidade entre estas duas verdades. Um soberano diz a um general: “General, confio-te todo o meu exército. Tens plenos poderes para dirigir energicamente a campanha e levar a pátria à vitória. Tudo o que fizeres para defender a nação desde já o sanciono como se por mim fôra feito”. Dias depois fala o mesmo soberano ao estado-maior no meio do qual se acha o generalíssimo escolhido: “Confio-vos o meu exército. Tendes plenos poderes para dirigir energicamente a campanha, etc.” Que hermeneuta sofista haverá aí que pretenda inferir das últimas palavras do soberano que já não há generalíssimo no exército e que a plenitude do comando foi estendida a cada um dos oficiais presentes? Quem poderá sustentar sensatamente haver incompatibilidade entre os poderes do Estado-Maior e a chefia de um só? Ninguém. Ambas as expressões são, não só conciliáveis, mas apresentam juridicamente tôda a exatidão desejável. Diz-se em rigor de direito que um corpo moral possui todos os poderes de que se acha investido o seu chefe. Por que esquecer esta regra de senso comum quando se trata de interpretar o Evangelho para fantasiar contradições que não existem”, etc., etc. Como se vê, Sr. ERNESTO, a sua objeçãozinha já havia sido considerada e resolvida. Por que repeti-la teimosamente como se nada se houvera dito? É isto discussão sincera? desejo real de conhecer a verdade ou obstinação de preconceitos irredutíveis?

Não, tratemos a palavra de Deus com mais submissão e reverência. Em S. MATEUS, c. 16, diz Cristo só a Pedro: “tudo o que ligares na terra será ligado no céu…” Logo, Pedro só tem a plenitude dos poderes na Igreja de Deus. Em S. MATEUS, c. 18, diz Cristo aos seus apóstolos com Pedro: “tudo o que ligar[d]es na terra será ligado nos céus…” Logo, no Colégio apostólico com Pedro, reside também a plenitude dos poderes eclesiásticos. Eis o Evangelho. E o catolicismo ensina que no Papa só, sucessor de S. Pedro, reside a plenitude dos poderes, e que no corpo episcopal em união com o Papa – sucessão do Colégio apostólico com Pedro – se acha igualmente a mesma plenitude de jurisdição [N.E.: registro que isto foi escrito mais de dez anos antes da Lumen Gentium…]. Eis a Igreja Católica. Entre a palavra de Cristo e a constituição de sua Igreja fiel, a equação é perfeita. Que fizeram os protestantes das duas grandes palavras do Senhor? Atiraram uma contra a outra e destruíram ambas. No protestantismo não há nem uma pessoa nem um corpo moral com plenitude de poderes delegada por Cristo para ligar e desligar. Evidentemente, não nos achamos em face da Igreja fundada pelo Salvador.

[Pe. Leonel Franca, “Catolicismo e Protestantismo”, p. 31. 43-45. Ed. Agir, Rio de Janeiro, 1952]

Buona Pasqua, Dolce Cristo in Terra!

Buona Pasqua, Padre Santo! Buona Pasqua, Dolce Cristo in terra! La Chiesa è con te!

Meu italiano não é bom o suficiente para que eu me arrisque a uma tradução completa do aúdio. Mas o vídeo é bem bonito, de modo que vale a pena vê-lo mesmo que não se entenda perfeitamente o italiano. Saiu também na VEJA.

Repito – é bonito o vídeo! O semblante cansado do Papa, as palavras ditas pelo cardeal, o sorriso do sucessor de Pedro quando ele se levanta, ao final, para cumprimentar o purpurado. “Nesta festa solene da Páscoa, a liturgia da Igreja nos convida a uma santa alegria” – começa o cardeal. E, naquela “histórica praça”, com o sol resplandecendo sobre “os nossos corações”, o cardeal Angelo Sodano chama o Papa de “sucessor de Pedro, Bispo de Roma, rocha indefectível da Santa Igreja de Cristo”, e diz que os cristãos lá estão reunidos para cantarem com ele “o aleluia da Fé e da Esperança cristãs”. Agradece pela “fortaleza de ânimo” e pela “coragem apostólica” com as quais o Papa anuncia o Evangelho de Cristo. Cita o Vaticano II – a Gaudium et Spes – e diz que toda a Igreja, por meio dele, deseja dizer-lhe “boa páscoa, amado Santo Padre. Boa Páscoa! A Igreja está com o senhor”.

“Com o senhor estamos os cardeais, seus colaborares na Cúria Romana. Com o senhor estão os irmãos bispos espalhados pelo mundo, que guiam as 3.000 circunscrições eclesiásticas do planeta. Estão particularmente com o senhor nestes dias os 400.000 sacerdotes que servem generosamente o povo de Deus, nas paróquias, nos oratórios, nas escolas, nas hospedarias, nas Forças Armadas e em numerosos outros ambientes, como os curas nas missões nas partes mais remotas do mundo. Padre Santo, está com o senhor o povo de Deus, que não se deixa impressionar com o burburinho [?] do momento”.

“No mundo haveis de ter tribulações” – lembra o Cardeal das palavras de Nosso Senhor – “mas, coragem! Eu venci o mundo!”; lembrança extremamente apropriada para o momento que hoje atravessa a Igreja. Bonito o gesto do cardeal Sodano. Faço minhas as suas palavras. Gostaria de também manifestar, publicamente, a minha completa adesão ao Vigário de Cristo.

“Santo Padre! (…) Nesta solenidade pascal, nós rezaremos pelo senhor, para que o Senhor, bom Pastor, continue a sustentá-lo na sua missão, a serviço da Igreja e do próprio mundo. Feliz Páscoa, Santo Padre! Feliz Páscoa, Doce Cristo na Terra! A Igreja está contigo!” Assim termina o purpurado. E nós, rezemos pelo Papa. Para que o Senhor o possa guardar e fortalecer, e lhe dar felicidade na terra, e não o entregar nas mãos de seus inimigos. Feliz Páscoa, Doce Cristo na terra!

A carta de um soldado

Fonte: 30 Giorni

Publicamos um trecho da carta de um soldado piemontês que fazia parte da guarda de Pio VII no exílio em Savona. A carta, conservada no Arquivo Episcopal de Alba, foi publicada nas Atas do Congresso Histórico Internacional (Cesena-Veneza, 15-19 de setembro de 2000).

“Savona, 12 de janeiro de 1810
[…] Eu, que era inimigo dos padres, preciso confessar a verdade, pois sou obrigado. […] Pelo tempo que o Papa esteve preso neste palácio episcopal, e vigiado não apenas por nós, mas também dentro de casa, posso lhes dizer que esse santo homem é um modelo de humanidade e moderação, e de todas as virtudes sociais, que apaixona a todos, que abranda os espíritos mais fortes e torna amigos até mesmo os mais obstinados inimigos. O Papa está quase sempre em oração, muitas vezes prostrado com o rosto por terra, e ocupa o tempo que aqui passa escrevendo ou concedendo audiências na antecâmara lotada, e dando sua bênção ao imenso povo que vem de todas as partes, da França, da Suíça e do Piemonte, de Savóia e do Genovesado. Como não havia mais quartos para dormir nesta cidade, montaram barracas na praça do episcopado, onde ficam noite e dia, a despeito dos rigores da estação, para poder vê-lo e receber sua bênção. É realmente enternecedor ouvir os gritos de um povo imenso de todos os sexos e idades, e até dos protestantes, que, ajoelhados no chão, gritam: ‘Santo Padre, abençoe nossas almas, nossos filhos; sabemos que o senhor é perseguido injustamente, mas nosso Senhor Jesus Cristo também foi perseguido injustamente; ele o salvará e serão confundidos os nossos inimigos’. […]”.

A Gaystapo e a visita do Papa ao Reino Unido

Papa é contra o plano autoritário do Estado Inglês. O post do Ecclesia Una faz referência a uma notícia que saiu em G1, cujo título era “Papa critica projeto de lei britânico contra a discriminação de homossexuais”. A notícia original é da BBC, mas saiu também na Folha e no Estadão. Repercussão ubíqua.

O que o Papa realmente disse está na mensagem aos bispos da Inglaterra e País de Gales em visita ad limina. Não há menção direta à lei que está em votação no parlamento inglês, embora o assunto seja sem dúvidas esse.  A Canção Nova traduziu o texto. O Fratres in Unum também comentou.

Sobre isso, gostaria de reproduzir parte do texto do Ecclesia Una:

Há alguns dias notícia foi publicada na Internet falando dos projetos que andam tentando legalizar na Inglaterra de se ensinar obrigatoriamente educação homossexual. A medida é, sem sombra de dúvida, intolerante. Veja: não estamos falando aqui duma tentativa sadia de pedir respeito aos homossexuais. Estamos falando de uma medida autoritária que visa impor aos alunos de todas as escolas – inclusive as religiosas, conforme atesta esta outra notícia – valores homossexuais. Não é mais um combate à homofobia, é uma tentativa clara e objetiva de se ensinar o homossexualismo em nossas escolas, como se fosse perfeitamente natural e aceitável! Em suma, o combate aqui não é ao preconceito, como expôs o G1, mas à heteronormatividade, ou seja, à idéia de que as relações sexuais moralmente corretas são as que são praticadas entre homem e mulher.

Não se trata de nenhuma novidade. A posição da Igreja é clara e conhecida de todos. O Papa não fez nada além de repetir o ensinamento moral católico que sempre foi ensinado. Não existia, aliás, outra posição que ele pudesse ter tomado. Às vésperas da visita do Santo Padre ao Reino Unido, qual a razão de mobilizar a opinião pública contra o Vigário de Cristo?

É somente provocação? É para indispôr os ingleses contra o Papa e provocar constrangimentos na visita de setembro próximo? Já existe, a propósito, um abaixo-assinado contra ela na internet. E já há ameaças:

Nesta semana, esse grupo [NSS, Sociedade Secular Nacional] lançará uma coalizão denominada “Protesto contra o papa”, integrada por grupos de homossexuais, vítimas da pedofilia de padres, organizações de planejamento familiar e grupos pró-aborto, que pretendem realizar manifestações durante a visita do pontífice.

Esta é a fantástica coerência dos que defendem a “igualdade”. Não aceitam a menor crítica às suas reivindicações anti-naturais, mas não pensam duas vezes antes de organizar protestos contra o líder mundial do catolicismo que lhes vai visitar o país.

Notas Ligeiras

Só indicando e/ou comentando em linhas ligeiras:

Is There Really an Influenza Epidemic? Em português [adaptado pelo Julio Severo], Há realmente uma epidemia de gripe? Parece que as dúvidas sobre se o surto de gripe suína é uma farsa alcançou proporções globais. Eu mantenho os meus comentários, só enfatizando: se o vírus não é tão letal quanto parece, graças a Deus, e voltemos à normalidade. A começar pelas missas no México, que não sei se já foram liberadas.

– O Gustavo fez um apanhado mais geral sobre a 47ª Assembléia Geral da CNBB, abordando também – além do homossexualismo – as questões sobre famílias em segunda união e celibato. Diz ele: É missão da Igreja, porém, apontar o erro, com caridade, mas com verdade. “A verdade dói”. Paciência. Se Cristo quisesse se furtar à dor, não teria morrido da forma que morreu. Muito bem dito! Subscrevo.

Campanha de outdoor homenageia mãe lésbica em Pernambuco, diz o Jamildo. “Tenho duas mães e muito amor por elas” – ridículo, oportunismo barato, propaganda imoral que deveria ser proibida. O vício não merece “homenagem”, e sim censura. Tenha Deus misericórdia das nossas crianças, expostas desde a mais tenra idade a esta depravação institucionalizada, ao vício transvestido de virtude.

– Não tenho tempo de traduzir esta pesquisa feita nos Estados Unidos, mas ela é bem interessante. Mostra que o apoio ao aborto vem decaindo na sociedade americana de agosto para cá. Mesmo assim, o presidente mais abortista da história dos EUA foi eleito; incompreensível. Tomara que, quando os americanos acordarem, não seja já tarde demais.

– Na Espanha há uma ampla rejeição à proposta de reprovar o Papa por causa de suas palavras na África; Deo Gratias! Queira Deus que, ao contrário do parlamento belga, os espanhóis não cedam ao politicamente correto. O cardeal Cañizares disse que “se trata de «uma decisão que não representa a Espanha nem a imensa maioria dos eleitores de todos os partidos, que deveriam representar verdadeiramente os cidadãos» e que «constitui uma ofensa à própria Espanha, sempre próxima do Papa e querida por ele, e entranha um grave dano às instituições»”. Para expressar também o seu repúdio a esta iniciativa descabida, clique aqui (via HazteOir).

A renúncia do Papa

Os inimigos da Igreja estão em polvorosa! Encontro na Montfort a tradução de um artigo do Golias, intitulado “O Problema Bento XVI: IMPÕE-SE SUA DEMISSÃO”. Dá verdadeiro prazer ler o que os hereges pensam do Papa. Hoje, aquela passagem do Evangelho onde Nosso Senhor diz “[s]e o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós” (Jo 15, 18) aplica-se perfeitamente ao Santo Padre: ele faz as vezes de um Evangelho vivo, que encarna na própria vida as palavras do Salvador.

“Hoje, 43% dos católicos franceses agora desejam que o soberano Pontífice se demita do cargo, entregando-se a uma vida  reclusa, para contentamento geral”, diz o artigo. Contentamento geral, ou contentamento desta minoria (43%) que deseja a “demissão” do Santo Padre? É engraçado como estas pessoas adoram arvorar-se de porta-voz do catolicismo; é como se a ausência de sentido de suas idéias precisasse ser compensada pelo barulho que é feito em sua defesa.

Há uns dias, eu vi uma entrevista do Hans Küng onde ele se queixava de que Roma quer ter sempre razão. Mas é precisamente esta a função da Igreja de Roma: ser Mãe e Mestra de todas as igrejas. É exatamente esta a função do Sucessor de Pedro: confirmar os irmãos na Fé. Queixa-se o teólogo suíço de que Roma seja o que Deus estabeleceu que Ela fosse? O Küng também é um daqueles que querem que o Papa renuncie. Vem o artigo do Golias fazer coro ao teólogo e engrossar as fileiras dos rebeldes.

E por que motivo deveria o Papa renunciar? Por nada. Simplesmente porque os hereges do Golias et caterva não aceitam o catolicismo, e atribuem a si próprios a infalibilidade que negam ao Papa. Que outra coisa explicaria a sentença peremptória de que Bento XVI comete “evidentes erros” e que “algumas de suas posições [são] verdadeiramente inaceitáveis”? Quem disse isso? Os hereges. E por que é verdade? Só porque eles dizem? Por que motivo os católicos deveriam ouvir a voz dos lobos rebeldes, ao invés de seguirem os passos do Doce Cristo na Terra?

O Papa é retratado como “que saído de um vitral de outros tempos, talvez de um museu”… e eu não deixo de me alegrar com a comparação. Um vitral de uma catedral, por exemplo – o que estes hereges têm contra vitrais… ? -, seria uma boa opção. Os vitrais das igrejas estão cheios de papas santos. Não havendo reencarnação segundo a Fé Católica, não faz sentido que Bento XVI tenha “saído” de um desses vitrais, mas guardo esperanças de que ele possa, um dia, ir até eles. Guardo esperanças de que, num futuro – queira Deus não muito distante! – Bento XVI possa ser – quem sabe? – representado nos vitrais das igrejas. Para escândalo de Küng e seus asseclas.

Termina o artigo dizendo que “não há mais retorno” – queira Deus que, dessa vez, os hereges tenham dito a verdade! Tomara que não haja mais retorno, e as reformas realizadas pelo Papa Bento XVI gloriosamente reinante possam pôr fim à crise e dispersar os inimigos da Santa Igreja. Sim, que não haja mais retorno para os hereges de todos os naipes, e que não lhes seja dado mais espaço para devastarem a Igreja e lançarem almas à perdição. Pede o Golias “uma saída de cena de Bento XVI, rápida e voluntária, sinal de humildade e de verdadeiro sentido da autoridade como serviço”, porque isso “desbloquearia a situação, permitindo que sem tardar seja aberta uma nova página da história da Igreja”. Nós, os católicos, pedimos a Deus o contrário.

Pedimos vida longa e um fecundo pontificado para o Santo Padre, o Papa Bento XVI. Pedimos que “o Senhor o guarde e fortaleça, e o faça abençoado nesta terra, e não o abandone ante a perversidade de seus inimigos”. Pedimos que Deus tenha piedade dele, e o guie conforme a Sua bondade à vida eterna, a fim de que ele possa velar pelo rebanho que lhe foi confiado e, junto dele, alcançar a salvação. E que Deus Se digne humilhar os inimigos da Santa Igreja, para a Sua maior glória e salvação das almas pelas quais morreu Nosso Senhor. Domine, Te rogamus, audi nos!

Separando a Luz das trevas

Uma boa forma de começar o dia: recebendo os emails de uma certa senhora, que se diz católica, mas que só divulga mensagens contrárias à Igreja. Desta vez, a pérola foi uma matéria publicada no El País e traduzida para o português pela UOL Notícias. E é uma boa forma de se começar o dia porque dá gosto ver os inimigos da Igreja estrebuchando, é reconfortante ver os lobos colocando as garras de fora, é motivo de júbilo ver que as coisas passam a se definir e o claro-escuro começa a dar lugar à separação entre luz e trevas.

“Decisões anacrônicas mostram incapacidade de Ratzinger em guiar o Vaticano”, é o título da reportagem. Basta o Papa ser católico para essa corja reclamar; é suficiente que Bento XVI tome atitudes que redundem no bem da Igreja, na Glória de Deus, na salvação das almas, para que – por menores que sejam elas! – os inimigos de Deus venham a público rasgar as vestes. Excelente. [E]t divisit [Deus] lucem ac tenebras (Gn 1, 4); hoje, à semelhança daquele Primeiro Dia, Bento XVI esforça-se para separar a luz das trevas, a verdade dos erros, a Fé Católica das heresias, a Igreja de Cristo das falsas religiões.

O ódio ao Santo Padre escorre pelas linhas da matéria, desde a “incapacidade de Ratzinger em guiar o Vaticano” do título até o “[p]or isso há muitos bispos em guerra” do último parágrafo. Perpassando todo o texto, a vontade de criar uma Igreja diferente d’Aquela deixada por Nosso Senhor. Para ficar num só exemplo do ridículo desta gente, segundo o jornalista Filippo di Giacomo, a crise da Igreja “reflete uma doença crônica de sete séculos: seu sistema de governo não funciona nem é colegiado”. Como a Igreja nunca foi “colegiada” no sentido que esta trupe dá ao termo, segue-se que a “doença crônica” diagnosticada não tem sete séculos, tem vinte séculos, e é congênita. Causa espanto uma tão longa sobrevida!

Enfim, não há muita coisa na matéria que mereça comentários. Mas, repito, é reconfortante e motivo de alegria ver as coisas se delinearem, e os inimigos da Igreja apresentarem-se como inimigos da Igreja que são, prescindindo da pele de cordeiro. Alegremo-nos, porque as atitudes do Papa separam a Luz das trevas!

[E]t divisit lucem ac tenebras (Gn 1, 4); antes de derem separadas a luz das trevas, foi necessário que Deus dissesse FAÇA-SE: fiat lux. Desde então, ecoando na História, este “faça-se” a vontade de Deus esteve associado a esta separação; há dois mil anos, em Nazaré (inclusive comemoramos recentemente), uma Virgem disse FIAT e separou Luz de Trevas: fiat mihi secundum verbum tuum (Lc 1, 38), et lux in tenebris lucet et tenebræ eam non comprehenderunt (Jo 1, 5). Non comprehenderunt! Esta oração do Angelus, o Papa a repete todos os dias. E gosto de imaginar que isso explica os acontecimentos recentes, explica as matérias raivosas do El País et caterva, explica a revolta dos maus católicos contra o Papa, explica tudo: quando o Doce Cristo na Terra diz fiat mihi secundum verbum tuum, e quando Deus ouve este FIAT, repete-se o Primeiro Dia e a Luz resplandece nas Trevas: e os inimigos de Deus não compreendem o Santo Padre. Rezemos pelo Papa.

Nuevo Escandalo

Esta é muito boa e eu não sei se é para rir ou pra chorar. Trata-se de uma tradução para o espanhol [que eu vou manter, por falta de tempo de traduzir para o português, e também porque dá para entender] de uma publicação francesa que pode ser encontrada aqui. Não sei a quem dar os créditos pela tradução, porque a recebi por email. Em todo caso, vale a leitura.

Tem certos momentos em que o riso é mesmo o melhor remédio. Tem certas situações às quais não se pode conceder o beneplácito da seriedade, e das quais só cabe zombar e se divertir. Este texto é uma excelente caricatura da situação que nós estamos vivendo e, como caricatura, presta-se exatamente a chamar a atenção – por meio do exagero – para algum aspecto que se deseja evidenciar. E que nós precisamos combater – nem que seja com a zombaria.

Rezemos pelo Papa, rezemos pela Igreja.

P.S.: tem uma versão no Oblatvs em português, que registra outras manifestações [provavelmente, ainda não proferidas quando esta versão em espanhol foi escrita]. Vejam lá!

NUEVO ESCANDALO DESATADO
POR DECLARACIONES DEL PAPA

A su regreso a Roma durante una hermosa tarde soleada, el Papa habría dicho a una periodista: « Hoy hace un buen día! ».

Tales palabras han levantado inmediatamente en el mundo entero una inmensa emoción y han alimentado una polémica que no cesa de aumentar.

He aquí algunas de las reacciones:

El alcalde de Burdeos: “En el mismo momento en que el Papa pronunciaba estas palabras, llovía a cántaros en Burdeos!. Esta contra-verdad, cercana al negacionismo, demuestra que el Papa vive en un estado de autismo total. Lo cual arruina aún más, por si fuera necesario, el dogma de la infalibilidad pontificia!”.

El gran Rabino de Francia: “¿Como puede alguien pretender que aún pueda hacer buen tiempo después del holocausto?”.

El Titular de la cátedra de astronomía del Colegio de Francia: “Al afirmar sin matices ni pruebas objetivas que hoy hace buen tiempo, el Papa testimonia una vez más el desprecio bien conocido de la Iglesia por la Ciencia, que combate sus dogmas desde siempre. ¿Puede existir algo más subjetivo y más relativo que ésta noción de “buen tiempo”? ¿Sobre qué experimentos indiscutibles se apoya? Los meteorólogos y los especialistas de la cuestión no han llegado a ponerse de acuerdo en el ultimo Coloquio Internacional de Caracas. Y ahora Benedicto XVI pretende zanjar la cuestión ex cátedra. ¡Qué arrogancia! ¿Acaso veremos pronto encenderse las hogueras para todos los que no admitan sin reserva éste nuevo decreto?”.

La Asociación de Victimas del Cambio climático: “¿Cómo no ver en ésta provocadora declaración un insulto hacia todas las víctimas pasadas, presentes y futuras de los caprichos del clima: inundaciones, tsunamis, sequías? Esta aceptación del “tiempo que hace” muestra claramente la complicidad de la Iglesia con los fenómenos destructores de la humanidad, lo cual no puede más que alentar a todos aquellos que contribuyen al recalentamiento del planeta, quienes podrán de ahora en adelante prevalerse del aval del Vaticano”.

El Consejo representativo de las Asociaciones Negras: “El Papa parece olvidar que cuando en Roma luce el sol, toda una parte del planeta permanece sumergida en la oscuridad. ¡He aquí un signo intolerable de su desprecio hacia la mitad negra de la humanidad!”.

La Asociación feminista Las Lobas: “¿Porqué dice el Papa que hoy está bueno (el tiempo) y no que hoy está buena (la temperatura)? Una vez más el Papa muestra su apego a los principios más retrógados y arremete contra la legitima causa de las mujeres. Da pena ver que en pleno 2009 mantenga tal posición!”

La Liga de los derechos del Hombre: “Este tipo de declaraciones sólo sirven para ofender profundamente a todas las personas que contemplan la realidad con una mirada distinta a la del Papa. En particular pensamos en las personas hospitalizadas, en los prisioneros cuyo horizonte se limita a cuatro paredes, y también en todas las víctimas de enfermedades raras los cuales no pueden percibir con sus sentidos el estado de la situación atmosférica. En tales declaraciones existe sin duda una voluntad de discriminación entre el “buen tiempo”, tal que debería ser percibido por todos, y todos aquellos que perciben las cosas de otra manera. Nuestra asociación piensa denunciar sin tardanza al Papa ante la justicia”.

En Roma algunos miembros de la Curia intentan atenuar las declaraciones del Papa, alegando su avanzada edad y también el hecho de que posiblemente sus palabras no hayan sido bien comprendidas. Pero hasta el momento presente dichas tentativas no están teniendo éxito

Moral Católica e AIDS

Respondendo a uma pergunta sobre a posição da Igreja Católica frente ao HIV/AIDS, considerada por alguns como irrealista e ineficiente, o Papa disse:

“É minha convicção acreditar que a presença mais importante no front da batalha contra o HIV/AIDS é de fato a Igreja Católica e Suas instituições. (…) O problema do HIV/AIDS não pode ser superado com meros slogans. Se a alma está deficiente [if the soul is lacking], se os africanos não se ajudam uns aos outros, o flagelo não pode ser resolvido pela distribuição de preservativos; bem pelo contrário, nós corremos o risco de agravarmos o problema. A solução só pode vir através de um duplo compromisso: em primeiro lugar, a humanização da sexualidade – em outras palavras, uma renovação espiritual e humana que traga uma nova maneira de agir para com o outro; e, em segundo lugar, uma amizade verdadeira, sobretudo para com os que sofrem, uma prontidão – mesmo que seja através de sacrifício pessoal – para sustentar [to stand by] aqueles que sofrem”.
[Vatican Information Service]

É bem sabido que a Igreja se opõe ao uso da camisinha; não – como dizem alguns expoentes da ignorância coletiva – porque “prefere que as pesssoas peguem aids do que usem camisinha”, mas exatamente ao contrário: porque Ela sabe que não se pode combater a AIDS sem que se combata primeiro a promiscuidade. Ela sabe que não existem receitas miraculosas, nem panacéias universais para que vivamos em uma Terra sem males. Ela sabe que a insistência em um erro não pode produzir senão erros ainda maiores.

A Igreja – como disse o Papa – é a presença mais importante no front do combate contra a AIDS. E eu diria ainda mais: é a Única que não atrapalha. A Única que vai ao cerne do problema. O Papa afirma claramente que a mera distribuição de preservativos pode até mesmo agravar o problema da AIDS; por tocar na ferida do ídolo moderno, é atacado com violência (tanto que até mesmo o porta-voz da Santa Sé teve que se manifestar). Ao redor do mundo, a França diz que os comentários do Papa são “uma ameaça” e o “representante no Brasil do órgão das Nações Unidas para o combate à doença (Unaids), Pedro Chequer”, chegou a chamar o discurso do Papa de “genocida”. Permanecem, contudo, no mero jogo de palavras; a posição da Igreja – contra a qual se levantam furibundos todos os Seus inimigos – dá resultados.

Por exemplo, na Uganda, a política “ABC” de combate à AIDS (primeiro, Abstinence; depois, Be faithful e só por fim Condom – a ênfase é dada na abstinência, na fidelidade, e só em último lugar na camisinha) é a única no mundo que tem trazido resultados significativos no combate à AIDS.

Por exemplo, em Washington, o embaixador da Suazilândia incentiva a abstinência na luta contra a AIDS. Olhando para as políticas eficazes da Uganda, a Suazilândia também resolveu aplicá-las e, por isso, para a AIDS, “o contágio de pessoas infectadas caiu de 42,6 por cento em 2004 para 39, 2 por cento este ano”.

Por exemplo, o Population Research Institute, da Universidade Estadual da Pensilvânia, afirmou que “a Igreja Católica desempenha um papel essencial na contenção da epidemia de AIDS na África”. Vale citar:

A Tailândia tem aproximadamente sessenta milhões de habitantes. Lá existem fortes programas divulgados para o uso de preservativos. Em agosto de 2003 existiam no país quase 900.000 pacientes registrados com AIDS e, aproximadamente, 125.000 óbitos por AIDS.

Em 1991, a Organização Mundial de Saúde previu para esse intervalo de tempo cerca de 60 a 80.000 casos registrados de AIDs.

Essa cifra se contrapõe aos filipinos católicos com setenta milhões de habitantes. Entre os filipinos quase não existe propaganda de preservativos.

Em 30 de setembro de 2003 havia naquele país exatamente 1.946 pacientes com AIDS e 260 mortes por AIDS. Essa é uma fração dos 80 a 90.000 casos, os quais a Organização de Saúde havia previsto para as Filipinas no ano 2000.

De onde se vê que a Moral Católica não é uma coisa “irreal” e “ineficiente”. Irreal é esperar que coisas boas advenham de comportamentos morais desregrados. Ineficiente é combater a AIDS incentivando a promiscuidade.  Irresponsáveis são os lunáticos irracionais que têm verdadeira fé na salvação do gênero humano pela borracha. Em defesa das vítimas da AIDS, no entanto, existe a Igreja Católica; e, independente dos ataques que Ela sofra, vai continuar a oferecer auxílio aos que sofrem. Mais uma vez, os fatos mostram que Ela está correta; e o próprio estrebuchar dos Seus inimigos revela-o de modo insofismável.