Recomendações

Dois grandes amigos meus publicaram recentemente livros pelo Clube de Autores. São pessoas que a maior parte dos meus leitores deve conhecer – o Rafael Vitola Brodbeck e o Taiguara Fernandes de Sousa, ambos do Veritatis Splendor – e que dispensam maiores apresentações. Gostaria de escrever uma resenha sobre os livros para apresentá-los, mas a escassez de tempo mo impede, infelizmente. Mas adianto a recomendação: cliquem nas capas dos livros para os adquirir.

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Fumaça e Garoa

Vai entrar em vigor depois de amanhã, sexta-feira, em São Paulo, a nova lei anti-fumo. Não é novidade e eu quase não tenho mais o que comentar sobre o assunto. A esta altura do campeonato, toda insistência parece ser redundante e improfícua: quem ainda não entendeu, não acho que vai ser agora que vai entender.

Por uma dessas ironias do destino, sexta-feira (dia 07 de agosto) vai fazer três anos que o João Pereira Coutinho escreveu que a guerra acabou. O texto é interessante: “A guerra acabou e, de certa forma, vocês, fanáticos, venceram. A luta contra o tabaco nunca foi uma luta pela saúde dos ‘passivos’ (o que seria compreensível). Foi simplesmente uma luta contra a liberdade individual em nome de uma utopia sanitária: os fanáticos não desejam apenas que o fumo não os perturbe; desejam que a mera existência de um fumante também não. É a intolerância levada ao extremo e servida numa retórica simpática e humanista. E agora com cobertura legal”. Não foi a primeira vez que o articulista lusitano escreveu sobre o tabagismo; um ano e meio antes, na mesma Folha de São Paulo, foi publicado “Lauren Bacall, por favor”.

Navegando pelas últimas notícias paulistas sobre o assunto, encontrei uma que merece um comentário: Estabelecimento escapa da lei antifumo em São Paulo. Trata-se da “tabacaria, restaurante e bar Esch Café”, que conseguiu recentemente uma liminar para “continuar recebendo charuteiros, sem precisar cessar a venda de bebidas e comidas, o que não é permitido pela legislação antitabaco”. E o governo do Estado tenta reverter a decisão, e certamente há de conseguir, porque a sanha ditatorial dessa gente não tem limites.

É isto o que está em jogo. Não sei há quanto tempo existe o Esch Café nem nunca lá estive, mas os militantes antitabagistas não querem nem saber. Simplesmente não pode existir uma tabacaria onde se sirva comida e bebida, na cabeça dessa gente. Trata-se de uma intolerância doentia e injustificável. Não tem nada a ver com proteger a saúde dos não-fumantes; afinal de contas, alguém pode me explicar o que raios um não-fumante, preocupado o suficiente com sua saúde a ponto de não desejar passar tempo algum em um ambiente onde haja cigarros, iria fazer em uma tabacaria?! No entanto, um tal antro de perdição simplesmente não pode existir. Dura lex, sed lex, mesmo que não iuxta lex. É lastimável. Com este tipo de raciocínio, não dá para saber onde vamos parar.

Leitura suplementar: O cigarro, os fumantes e os direitos de propriedade.

Os clones da Dra. Zatz

Loucuras da dra. Zatz: estamos mais próximos de produzir um clone humano? O “raciocínio” da geneticista: é mais fácil [do ponto de vista técnico] clonar um ser humano por meio das iPS do que por clonagem terapêutica. Os religiosos foram contra a clonagem terapêutica e aplaudiram as iPS. Então, os religiosos são culpados por se terem aberto as portas à clonagem humana que eles próprios condenam (!).

Resta “somente” lembrar à Mayana que “clonagem terapêutica” é já clonagem e, portanto, condenável ab initio. A petição de princípio é gritante: para a Mayana Zatz, um “clone” é somente um ser adulto. A ovelha Dolly só passou a ser um clone… quando nasceu! Se a gente pegasse um óvulo humano e inserisse nele material genético adulto, “transformando-o” num embrião – “clonagem terapêutica” -, isso não seria clonagem, na cabeça da cientista. Mas, graças a Deus, a realidade não é plasmada pelo raciocínio da Dra. Zatz.

Se a clonagem terapêutica é já clonagem, o mesmo não acontece com as células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) – e esta “sutil” distinção parece escapar completamente à Mayana Zatz. A técnica permite, sim, que as células adultas sejam reduzidas ao estado de embrião – e isto seria clonagem, moralmente inaceitável -, mas permite igualmente que elas não o sejam. Com as iPS, não é necessário (é possível, mas não necessário) produzir embriões para fins terapêuticos, ao contrário da assim chamada clonagem terapêutica. Portanto, é óbvio que não há problemas morais intrínsecos com esta técnica.

Se isso tornou mais fácil produzir clones adultos, tal temor só se justifica por causa da mesma falta de ética que nós denunciamos o tempo inteiro, e que está presente na sanha por clonagem terapêutica e por pesquisas com embriões humanos. E vem a dra. Zatz falar de ética… oras, o que ela sabe sobre o assunto? É a Igreja que é Mestra em Moral, e não a dra. Zatz. Louvável (sem dúvidas) a preocupação da geneticista, mas completamente inócua, porque se assenta sobre a areia. Há pessoas sem ética que poderiam usar iPS para clonar humanos? Há, sem dúvidas. Mas há igualmente pessoas sem ética que destroem embriões humanos em laboratório. E estas últimas não são muito melhores do que as primeiras.

Mais Medjugorje – esclarecimento

Aproveitando a intervenção do revmo. pe. Mateus Maria no post de ontem sobre o milagre do sol de Medjugorje, julgo ser uma fundamental questão de justiça deixar claro que não encontrei absolutamente nada sobre o “bailado solar” de anteontem no site oficial das aparições, que é o http://www.medjugorje.hr/.

E encontrei uma importante nota na seção de notícias em espanhol do site, que considero fundamental ser conhecida e divulgada:

DISCERNIMIENTO DE LAS NOTICIAS ACERCA DE MEDJUGORJE

A menudo sucede que los organizadores de las peregrinaciones, líderes de los Centros de Paz y de los grupos de oración plantean diversas preguntas sobre novedades espectaculares con respecto a las apariciones de la Virgen, a presuntas declaraciones de los videntes y a la posición de los franciscanos de Herzegovina.

En la imposibilidad de responder a cada uno en particular y deseando motivar a los peregrinos y amigos de Medjugorje a “discernir en el Espíritu y en la verdad”, aprovechamos la ocasión para llamar a todos a no dejarse engañar por noticias espectaculares, poco serias y mal intencionadas que se publican. Todas las informaciones importantes y necesarias vinculadas a los acontecimientos de Medjugorje pueden ser encontradas en nuestra página web: www.medjugorje.hr, que son la “voz oficial” de Medjugorje. También deseamos pedirles que las reciban en oración y con seriedad las difundan, y si lo consideran necesario, se nieguen a recibir y difundir noticias provenientes de otras fuentes.

Todos los franciscanos que actualmente viven en la parroquia de Medjugorje, cumplen su función con el mandato del obispo local Mons. Ratko Peric, y tienen mandato canónico para el cumplimiento de su servicio sacerdotal.

Curtas

Igreja católica diz que internet desumaniza. Verdadeira proeza midiática: uma generalização reducionista! Generalização, porque nem o bispo da Inglaterra sozinho é a “Igreja Católica”, nem ele está falando da internet como um todo, e sim dos “sites populares de relacionamento”, e nem tampouco está falando do mero uso dos meios de comunicação virtuais, e sim do “uso excessivo, ou quase exclusivo, de textos e emails”. Reducionista, porque obviamente a posição da Igreja referente à internet não se resume a esta [acertada] crítica do Arcebispo de Westminster.

– Será que não há conciliação possível entre a imprensa e a Igreja? Gregório XVI chamou a liberdade de imprensa de monstruosidade na Mirari Vos. Será que, enquanto a imprensa não servir à Igreja, estarão ambas fadadas a se colocarem em lados opostos do campo de batalha? Um amigo aproveitou a discussão para divulgar dois cursos do Instituto Internacional de Ciências Sociais: Informação Religiosa de Qualidade (8 e 9 de setembro) e Gestão da Comunicação na Igreja (10 e 11 de setembro). Quem for, me avise como foi.

Conselho Federal decide por censura pública a psicóloga, notícia sobre o julgamento da Dra. Rozangela Justino agora publicada no site oficial do Conselho Federal de Psicologia. Dois trechos interessantes:

  1. “Antes do julgamento, o Conselho recebeu decisão da 15ª Vara Federal sobre Mandado de Segurança Individual impetrado pela defesa da psicóloga, questionando, entre outros temas, a constitucionalidade da Resolução 001/1999, que embasa a decisão. A Juíza Federal Substituta indeferiu a liminar pleiteada, defendendo a legitimidade de o Conselho editar normativa infraconstitucional, em consonância com suas atribuições de regulação profissional”; e
  2. “Os psicólogos não podem, por regra ética, recusar atendimento a quem lhes procure em busca de ajuda. Por isso é equivocada qualquer afirmação de que os psicólogos estão proibidos de atenderem homossexuais que busquem seus serviços, incluindo a demanda de atendimentos que possam ter como objeto o desejo do cliente de mudança de orientação sexual, seja ela hetero ou homossexual. No entanto, os psicólogos não podem prometer cura, pois não podem considerar seu cliente doente, ou apresentando distúrbio ou perversão”. Que coisa, não?

– Esta eu vi no blog do Mallmal: toda a população mundial atual cabe no estado do Texas! Acreditando ser bastante óbvio para todo mundo que isso é uma comparação ilustrativa e não um projeto para se amontoar todo mundo no Texas, vou me abster de comentar as colocações do Mallmal sobre o assunto.

Milagre em Medjugorje

Eu já disse aqui que tenho sérias ressalvas quanto às supostas aparições da Virgem Santíssima em Medjugorje. O meu primeiro sentimento, portanto, quando recebi um email informando que o sol dançou em Medjugorje ontem, foi de raiva.

Está disponível na página principal do “Queridos Filhos”, site – até onde me consta – oficial em português sobre as aparições [p.s.: na verdade, o site oficial sobre Medjugorje é o http://www.medjugorje.hr/]. Uma chamada em letras garrafais: “Durante a aparição de Nossa Senhora à Mirjana o sol ‘dançou’ e ‘girou’ como em Fátima na presença de milhares e milhares de peregrinos”. Tem um vídeo do suposto milagre que eu não consigo assistir daqui do trabalho. À noite, complemento este post com mais considerações; no entanto, queria desde já tecer alguns comentários.

O milagre é descrito no site. “Durante a aparição Mirjana viu o sol atrás de Nossa Senhora. Quando ela saiu do êstase (sic) Mirjana ficou surpresa com que estava acontecendo. Os peregrinos também tinham visto um milagre. O sol se tornou um sinal miraculoso para eles. Mais e mais peregrinos olhavam para onde os primeiros estavam apontando – para o sol. Muitos viram o sol ‘dançando’ e ‘girando’ Outros viram uma cruz iluminada no sol. Muitos outros viram diferentes cores dentro ou saindo do sol. Muitos choravam outros fixavam os olhos admirados e outros se encheram de alegria. E houveram muitos qure não olharam para cima pois estavam em profunda oração durante a aparição”. Qualquer semelhança com o Milagre do Sol de Fátima não é mera coincidência: é uma sua repetição deliberada.

Todos sabem que eu acredito em milagres. Estou sinceramente disposto a mudar a minha opinião sobre Medjugorje caso o desenrolar dos fatos confirme a sobrenaturalidade dos eventos dos quais o vilarejo é palco. Tal reviravolta, no entanto, seria contrariar todos os prognósticos. A documentação sobre as supostas aparições está disponível (em inglês) em um site pró-aparições, atualizada até a notificação da Congregação para a Doutrina da Fé de 1998; não sei como andam as investigações de lá para cá. Onze anos atrás, no entanto, os bispos afirmaram publicamente que não se podia afirmar haver aparições sobrenaturais em Medjugorje.

E esta última notícia, francamente [aliás, tornada pública pouco tempo depois da redução ao estado laical do frei Tomislav Vlasic…], só me fez acreditar ainda menos nas supostas aparições de lá. Repetir o milagre talvez mais portentoso da história do Cristianismo assim, sem ter nem pra quê?! O milagre cuja data foi anunciada antecipadamente em Fátima, e que serviu de coroamento da mais importante aparição da Virgem Santíssima dos tempos atuais, repetindo-se “do nada” em Medjugorje para a Virgem Imaculada dizer coisas que, embora piedosas, poderiam perfeitamente ser ditas por qualquer um? Eis a mensagem de ontem:

Queridos filhos!

Eu estou vindo, com meu amor maternal, para apontar o caminho o qual vocês devem seguir de forma que vocês possam todos ser mais parecidos com o meu Filho, e, assim mais próximos e agradáveis a Deus. Não recusem o meu amor. Não renunciem a Salvação e a Vida Eterna por motivos de transitoriedade e frivolidade desta vida. Eu estou entre vocês para conduzi-los e, como uma mãe, para cuidar de vocês. Venham comigo.

Alguém consegue estabelecer o mais remoto paralelo entre essa mensagem e as da Virgem em Fátima? Alguém pode me explicar, então, por qual motivo o milagre que foi utilizado para dar credibilidade a uma revelação da mais alta importância seria repetido com a maior naturalidade para se dizer pela milésima vez uma coisa qualquer?

No entanto – e é essa a razão da minha raiva – a caricatura foi feita. Se o milagre não for verdadeiro, e for invenção humana, são irresponsáveis os seus propagadores. Se foi arquitetado por Satanás, dessa vez foi um golpe de mestre. Já estou até vendo: “se o milagre do sol de Medjugorje não é verdadeiro, por que motivo o de Fátima é?”. Em sendo falsa – como eu acho sinceramente que seja – a repetição de Fátima ocorrida ontem, ela só veio diminuir a credibilidade das verdadeiras aparições ocorridas em Portugal.

Se foi um milagre verdadeiro, realizado por motivos que sinceramente escapam-me à compreensão, então peço desde já que a Virgem Imaculada tenha piedade de mim, seu escravo miserável, pois tudo o que tenho pensado e dito a respeito de Medjugorje foi para tentar impedir que as glórias da Mãe de Deus fossem obscurecidas por caricaturas Suas. Não posso, no entanto, em consciência, deixar que se coloquem em pé de igualdade as aparições verdadeiras e aquelas que são – para dizer o mínimo – bem questionáveis. Que o Deus Altíssimo Se compadeça de nós e livre-nos do estado de confusão. Que se levante a Virgem para defender a Sua honra; que a Verdade resplandeça sobre todo engano; e que venha depressa o triunfo do Coração Imaculado da Mãe de Deus.

P.S.: Acabei de ver o vídeo. Na verdade, existem diversos no youtube, de 2006, 2007, de 2 meses atrás, 1 mês atrás, 1 semana atrás. O que está no site do “Queridos Filhos” não é o do milagre supostamente ocorrido ontem, e sim em 24 de junho. Parece que não tem – ainda – o de ontem. Quanto ao vídeo em si, é esquisito. Primeiro, não se deveria dizer que o sol “bailou”, e sim que – no máximo – “pulsou”. Segundo… este efeito não é precisamente o que acontece quando uma câmera digital focaliza uma fonte de luz muito forte? Dá a impressão que é a câmera que, movimentando-se, obriga o aparelho a “refocar” a fonte de luz e, então, ela se expande e se contrai. Tenho a impressão de já ter visto isso antes…

P.S.2.: Na verdade, acho que não o foco, e sim o controle automático de luminosidade. Quando a fonte de luz forte – no caso, o sol – fica centralizada, a câmera diminui a sensibilidade e escurece ao redor dela; quando ela se afasta, a sensibilidade é aumentada e, assim, expande a fonte de luz. Dá para notar que é quando o sol fica nos “cantos” que ele está “maior”. Eu consigo fazer, com a câmera do celular, a lâmpada fluorescente da minha sala “bailar” como o sol do vídeo; só que, lá, o aumento e a diminuição estão bem mais velozes.

Dominus Flevit

[Baseado na homilia ouvida na missa de hoje, 9º domingo depois de Pentecostes. Evangelho: S. Lucas 19, 41-47]

“Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada”. Estas foram as palavras – proféticas – que Nosso Senhor dirigiu a Jerusalém. Cumpriram-se à risca; a Queda de Jerusalém ocorreu no ano 70 e foi um dos mais dramáticos episódios da história antiga. Flavio Josefo narrou-a com riqueza (e crueza) de detalhes (infelizmente, só encontrei online esta edição protestante da clássica obra do famoso historiador judeu), dizendo ao final: “Assim terminou Jerusalém, no dia oito de setembro, no segundo ano do reinado de Vespasiano. […] [N]em a sua antigüidade, nem as suas riquezas, nem a fama difundida por todas as partes da terra, nem a glória que a santidade da religião lhe havia conquistado puderam impedir-lhe a ruína e a destruição”.

Nosso Senhor chorou sobre Jerusalém, porque a Cidade Santa não conheceu “o tempo em que foi visitada”. Muito mais importante que toda Jerusalém, no entanto, é uma única alma humana; será acaso exagero, então, imaginar que Nosso Senhor chora pelas almas que não O reconhecem e preferem viver como se Ele não existisse? E estas divinas lágrimas do Redentor não serão ainda mais amargas do que aquelas derramadas no Evangelho, porque o castigo das almas que rejeitam ao Senhor é tanto maior do que aquele sofrido por Jerusalém quanto as almas são mais importantes do que a Cidade Santa? Se Nosso Senhor derramou lágrimas pela queda de Jerusalém, quantas mais não terá Ele derramado pelas almas que se perdem, mais valiosas – uma única delas! – do que Jerusalém inteira?

E, contudo, estas lágrimas do Redentor do Mundo são incapazes de comover os corações dos homens! Em outra passagem dos Evangelhos, dirige-se Nosso Senhor a Cafarnaum, dizendo: “se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia” (cf. Mt 11, 23). Penso que esta passagem pode muito bem ser aplicada a nós próprios, e podemos com muita propriedade dizer: “ó, alma! Se Jerusalém tivesse recebido a graça que foi derramada sobre ti, existiria até hoje”. Se Cafarnaum foi mais ingrata do que Sodoma, nós somos muitíssimo mais ingratos do que Cafarnaum. Se foi terrível o crime de Jerusalém, nós somos muito mais criminosos do que a Cidade Santa.

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Azulejos Portugueses - Salvador

Há ainda um detalhe. Na seqüência desta passagem das lágrimas de Nosso Senhor derramadas sobre Jerusalém, o evangelista nos conta que Jesus, “[e]m seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores” (v. 45). A passagem é bem conhecida, e é sempre muito atual. Tal como o Templo da época de Jesus, a Igreja de Deus, hoje, está repleta de vendilhões; a “casa de oração” foi profanada, e fala-se muito em política e em economia, em desarmamento e em redução de maioridade penal, em ecologia e em transposição do Rio São Francisco, em inter-eclesiais e em Amazonas, em neoliberalismo e em exploração social, e muito pouco no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. É necessário ter a coragem de, à semelhança de Jesus, expulsar – com a violência necessária – estes ladrões da Igreja de Deus.

Porque Nosso Senhor chorou por Jerusalém, e não consigo deixar de imaginar que as Suas divinas lágrimas estavam ligadas à triste situação do Templo, narrada no Evangelho logo em seguida. Se a Cidade Santa não conheceu o tempo em que foi visitada, foi sem dúvidas em grande parte porque o Templo não estava bem cuidado; e se, hoje, as almas não conseguem ver que Nosso Senhor as visita, é em parte porque há vendilhões na Casa de Deus que não as deixam perceber que Cristo chama. Também por estas – e principalmente por estas – chora Nosso Senhor. Mas, mesmo após as lágrimas, ele expulsou os vendilhões do Templo. É preciso expulsá-los também hoje. Que as lágrimas do Divino Mestre possam comover o nosso coração empedernido e fazê-lo voltar-se a Deus, e que a Sua Santa Cólera possa nos inflamar o zelo pelas coisas sagradas, é o que pedimos ao Deus Altíssimo no dia de hoje. Que seja em nosso favor a Virgem Soberana.

Comunicado do Cardeal Patriarca de Lisboa

Fonte: belezaalma.blogspot.com

Comunicado do Cardeal Patriarca de Lisboa

Nos últimos dias fui surpreendido com a avalanche de notícias sobre as implicações dos cuidados de prevenção contra o vírus H1N1 (Gripe A), nas assembleias litúrgicas e nos actos de culto católico. Compreende-se que a Comissão Nacional da Pastoral da Saúde queira colaborar, dando conselhos e orientações úteis para a colaboração dos cristãos no esforço nacional de prevenção. Mas não lhe compete alterar ritos nem dar normas de alterações das regras da Liturgia. Neste contexto, como Bispo Diocesano, dou as seguintes orientações pastorais:

1. Devemos colaborar, no âmbito da nossa missão, com o esforço nacional de prevenção, sobretudo ajudando a criar uma mentalidade de cuidados específicos e de respeito pelos outros.

2. As orientações da Comissão Nacional da Pastoral da Saúde que, como foi anunciado, vão ser enviadas às Paróquias, devem ser consideradas simples sugestões e não normas decididas pela autoridade eclesiástica.

3. No momento actual do processo, considero não haver ainda necessidade de alterar regras litúrgicas e modos de celebrar. A Liturgia se for celebrada com qualidade e rigor, garante, ela própria, os cuidados necessários. É o caso, por exemplo, da saudação da paz que se for feita com a qualidade litúrgica, não constitui, normalmente, um risco acrescido.

4. Na actual disciplina litúrgica, os fiéis podem optar por receber a sagrada comunhão na mão. Mas não podem ser forçados a fazê-lo. Se houver cuidado do ministro que distribui a comunhão e de quem a recebe, mais uma vez fazendo as coisas com dignidade, a comunhão pode ser distribuída na boca sem haver contacto físico.

5. Se as condições da “pandemia” se agravarem, poderemos estudar novas atitudes concretas, na instância canónica própria a quem compete decisões dessa natureza: o Bispo Diocesano, na sua Diocese, a Conferência Episcopal Portuguesa para todo o País, sempre em diálogo com o Santo Padre e os respectivos serviços da Santa Sé.

Lisboa, 17 de Julho de 2009

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

Censura Pública

Acabei de saber o resultado do julgamento da psicóloga Rozangela Justino pelo Conselho Federal de Psicologia. A profissional é acusada de oferecer serviços para pacientes que desejem se libertar do homossexualismo. Dentre as últimas notícias disponíveis no site do CFP não existe nada sobre o assunto até o momento, mas O Globo noticiou que a psicóloga foi punida com censura pública.

Foi pouco? O Globo diz que “[a] psicóloga estava sujeita à suspensão do exercício profissional por 30 dias ou, até mesmo, à cassação do registro”. Saiu uma extensa reportagem no Diário de Pernambuco hoje sobre o tema, onde um dos denunciantes da dra. Justino dizia ter “receio de que se repita uma penalidade tão branda [a censura pública já havia sido imposta à psicóloga pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro em 2007] para uma postura gravíssima, que é fomentar, por meio de um ofício de grande importância, esse tipo de filosofia, de que a homossexualidade é uma doença”. Pois bem, os receios dele se concretizaram.

Mas não é surpresa; o próprio Portal Gay da UOL já havia dito antes que o mais provável seria mesmo a censura pública. “Antes de Rozângela, quatro processos semelhantes já chegaram às mãos dos conselheiros federais. Dois foram declarados nulos, um terminou arquivado e outro resultou em censura pública”. Se a ordem cronológica deles foi esta, é preocupante: percebe-se uma nítida gradação. Parece que não vai demorar para a Gaystapo conseguir proibir os psicólogos de tratarem os homossexuais, por mais que estes o desejem – vale lembrar que estamos falando de pacientes que procuram voluntariamente o profissional e se submetem ao tratamento por livre e espontânea vontade. No entanto, graças a Deus, ainda não foi desta vez.

P.S.: Vejam também uma reportagem mais extensa sobre o resultado do julgamento no site da Terra.

Miscelânea

Panayiotis Zavos Has Cloned Dead Humans, Implanted Other Cloned Embryos, notícia absolutamente bizarra: o sujeito está pegando DNA de gente morta e implantando em óvulos de vacas (!) “para estudar a clonagem humana”. Ver também a notícia do The Guardian. É um passo a mais nas aberrações éticas: não é suficiente clonar, não é suficiente criar híbridos, é preciso “ressuscitar os mortos”. Loucuras de um mundo sem Deus.

Brhadaranyakopanishadvivekachudamani batiza filho com mesmo nome, é outra notícia quase inacreditável. Este gosto pelo tosco, pelo feio, pelo estranho, pelo bizarro, é mais uma das loucuras a que se entregam os homens quando perdem de vista o Deus que é o Belo. Se é verdade que a beleza salvará o mundo, então ele está muito longe de ser salvo. E Satanás sabe muito bem o que faz…

Movimento lança campanha polêmica, é matéria de ontem do Diário de Pernambuco. Coisa estranha. “O nome do movimento é Javé Nossa Justiça. O emblema é um arco-íris e a polêmica em torno do que pregam seus integrantes promete ser das maiores”. Ao contrário do que pense à primeira vista, não é um movimento “religioso gay”, mas precisamente o contrário: “Tanto o aborto, quanto a homossexualidade são combatidos, na opinião do movimento, dentro da ótica dos preceitos bíblicos”. A julgar pelo que foi apresentado na matéria, no entanto, o movimento é inócuo e contra-producente. Vejam só o que o jornal veiculou como sendo posição do coordenador do movimento: “a própria Organização Mundial de Saúde reconhece o homossexualismo como uma doença, tratável”. Bom seria se assim fosse…

Bispo alerta para preconceitos da Igreja contra ciência. Notícia trazida pelo Argo, no estilo flooder dele, e devidamente classificada como lixo no post onde foi originalmente colocada. É do início do mês (02 de julho). Provavelmente trata-se da visão leiga da matéria veiculada em ZENIT no mesmo dia. Aliás, sobre a infelicíssima declaração de Dom Pagano, eu já tive oportunidade de comentar aqui, onde cheguei inclusive a dizer: “Não sei como foi que a segunda [parte da declaração de Dom Pagano] ainda não ganhou manchetes mundo afora, do tipo ‘Igreja precisa aprender com Galileo, segundo prelado vaticano’ ou qualquer outro título cretino como os que estamos acostumados a ver quando o assunto é a Igreja Católica”. Batata! Já tinha ganho e eu é que não tinha visto. O anti-clericalismo é tão previsível…

Mas é dita uma coisa boa na mesma notícia que eu não sabia e, se for verdade, Deo Gratias: “No fim de 2008, a Santa Sé anunciou que arquivaria o projeto de erguer uma estátua em homenagem ao físico nos jardins do Vaticano, proposta da Pontifícia Academia de Ciências”. Tomara.