Sábado

É sábado. Passamos já pelas lágrimas do Getsêmani e pelo sangue vertido na Cruz do Calvário. Já traímos a Nosso Senhor e já O entregamos à morte; Ele já foi crucificado e está morto, sepultado.

É sábado, e jaz na pedra fria do Sepulcro o Nosso Senhor e Salvador. O Seu Santíssimo Corpo sem vida; a Sua Alma, descida aos Infernos, já deixou esta terra. É sábado, e o mundo parece triste e vazio porque Quem esteve aqui já não mais está.

É sábado, e Deus está morto, e fomos nós que O matamos! A nossa alma encontra-se em profunda tristeza: infelizes de nós! O Sangue inocente do filho de Deus ainda suja as nossas mãos. As imagens terríveis da Crucificação ainda nos assombram, mostrando-nos o nosso pecado em toda a sua fealdade. Desta vez, nós ultrapassamos todos os limites. Desta vez, Ele não vai nos perdoar de novo.

Mas é sábado, e o Deus que Se retirou do mundo não o deixou completamente abandonado, não o entregou totalmente às garras de Satanás. Não quis o Onipotente que o mundo onde Ele nasceu e viveu tornasse a ficar desgraçado outra vez. Deixou no mundo uma Esperança, uma imagem límpida de Si, um espelho fiel da Sua Luz hoje apagada no sepulcro escuro. Deixou-nos uma Esperança!

Nós A vimos ontem, aos pés do madeiro da cruz, com o sagrado corpo de Seu Filho Morto aos braços. Nós A vimos ontem, de pé aos pés da Cruz, sofrendo em silêncio a morte de Cristo. Nós A vimos ontem e, no Seu olhar materno e doloroso, nós enxergamos o perdão.

E, se Ela nos perdoa, Ela que é a Mãe d’Aquele que matamos, então Ele também haverá de nos perdoar! E não há lugar para desesperos porque a Mãe do Filho de Deus olha para nós com compaixão e com amor. É grave – é gravíssimo! – o que Lhe fizemos, mas o amor desta Mulher supera as nossas culpas. Poderá o amor de Deus não fazer o mesmo?

Ele Se foi, mas nos deixou Alguém para que não nos desesperássemos. Para que a consideração do tamanho dos nossos pecados não nos consumisse por completo e não nos matasse. Ele nos deixou a Sua Mãe Santíssima pra que Ela nos perdoasse e, no Seu regaço materno, ousássemos pedir-Lhe perdão por O termos matado.

É sábado, matamos a Deus, mas Ele nos perdoa. E sabemos que Ele nos perdoa porque Ele nos deixou Maria Santíssima – deixou-nos Sua Mãe. Acheguemo-nos a Ela, verdadeiro Refúgio dos Pecadores. No seio d’Ela choremos por nossos crimes. Junto a Ela, esperemos o Senhor.

Sexta-Feira

A igreja vazia, os altares desnudos, a lâmpada do sacrário apagada e, este próprio, aberto e vazio. Nosso Senhor não está – é visível. Foi-nos tirado, por nossas culpas e nossas faltas. Vai ser julgado, condenado e crucificado por meus crimes.

A cerimônia da Paixão é sóbria como convém a um dia como esse. O sacerdote entra em silêncio e prostra-se no chão: singelo gesto para expressar o luto de toda a Igreja porque o Senhor está morto. E Ele está morto porque foi assassinado, e fomos nós que O assassinamos: prostrar-se com o rosto por terra é também sinal de vergonha. De angústia diante da enormidade da nossa malícia, tão grande que foi capaz de matar a Deus.

O Senhor está morto! E nós, agora, não temos mais onde ir. Porque nós estragamos até mesmo a maior das Graças que poderíamos receber dos Céus. Nós crucificamos o Filho de Deus, que viera ao mundo para nós. E, durante o tradicional canto da cerimônia de adoração da Cruz, o Altíssimo nos interpela, queixando-Se e perguntando o que foi que nos fez para que O matássemos. Perguntando o que mais poderia ter feito por nós para que O amássemos. Lançando-nos à face a nossa ingratidão: só na Cruz nós exaltamos Aquele que tanto nos exaltou. Infelizes de nós! Porque retribuímos com a máxima ingratidão a Quem tanto nos amou.

E é essa a Sexta-Feira da Paixão: a festa do amor desprezado, o clímax da nossa ingratidão. A memória do dia mais triste da história da humanidade: quando os homens mataram Deus. O Amor escarrado e humilhado, escarnecido e Crucificado, elevado no Madeiro e, ainda assim, amando…! O beijo que nós damos na cruz na celebração de hoje tem outro sentido, mas é impossível não lembrar de Judas traindo com um beijo o Filho do Homem. Também eu estou naquele beijo, também é minha aquela traição. É esta a hora das trevas e (como lembrava o sacerdote na homilia de hoje) não somos meros espectadores no drama da Sexta-Feira Santa. Somos todos protagonistas na Crucificação de Cristo. São meus pecados que Lhe rasgam a Carne, que Lhe vertem o Sangue, que O pregam na Cruz.

E, na Cruz, humilhado e obediente até a morte, Nosso Senhor entrega o espírito. E está consumado, nós O condenamos, nós O crucificamos, nós O matamos. Não há espaço para Ele em nosso mundo! E as palavras arrependidas do centurião são também nossas, porque refletem também a nossa dor e o nosso desespero quando, mãos cheias de sangue, tomamos consciência do grande crime que acabamos de cometer: Ele era verdadeiramente o Filho de Deus… e O matamos! Infelizes de nós!

Quinta-Feira

Chove. Preparamo-nos para a celebração da Ceia do Senhor, logo mais à noite. Não sei se chovia naquela Quinta-Feira de quase 2000 anos atrás; acho até que não. Mas chuva combina com Quinta-Feira Santa, com Cenáculo e Ceia, com Getsêmani e Traição.

Foi uma noite como esta, de quinta-feira e de lua cheia.. Nosso Senhor desejou ardentemente celebrar a Páscoa com os Seus discípulos. E anunciou que um entre eles O iria trair. Como é possível, Senhor, que alguém possua tanta malícia a ponto de Te entregar nas mãos dos Teus inimigos? Como é possível, Senhor, que um dos Teus amigos seja capaz de vender-Te por tão pouco…?

E é olhando pra mim que eu percebo, envergonhado, como tal é possível. Mais que possível: é real. É na minha própria carne que eu percebo este Mysterium Iniquitatis, esta vergonha enorme, esta malícia descomunal! Como Judas, eu também traio a Nosso Senhor.

Que digo…? Mais que Judas! A traição do apóstolo foi uma única vez; quanto a mim, são incontáveis as vezes que decepcionei a Cristo. O preço de Judas foi trinta moedas: quantas vezes não traí a Nosso Senhor por muito menos. Quantas vezes não O traí por puro prazer…! Infeliz de mim. O Getsêmani é aqui. Aqui, Nosso Senhor sofre, por meus pecados; aqui, eu O traio de novo e de novo.

* * *

Termina a celebração, o Sacrário está vazio, o altar está desnudo. Nosso Senhor foi-nos tirado; está preso, e é por culpa nossa. Sofre, e somos nós que O fazemos sofrer.

E impressiona e espanta o tipo de pessoas pelas quais Nosso Senhor quis sofrer e morrer. Pessoas más, mesquinhas, egoístas; pessoas covardes, amargas, rancorosas. Pecadores, como eu. Como pode um Deus sofrer e morrer por alguém como eu? Eu, que O ofendo tanto e tanto…! Eu quem, por vergonhoso que seja confessar, parece que cada Quaresma encontra igual ou pior.

É por mim que sofre o Filho de Deus nesta noite terrível. É por amor a mim – apesar dos meus muitos pecados – que Ele Se deixa prender e maltratar. É por mim que Ele sofre e morre; e eu não posso fazer nada para Lhe retribuir? E eu não posso nem mesmo parar de ofendê-Lo…?

Nosso Senhor foi-nos tirado! É por nossa culpa, por nossos pecados, por nossas faltas, por nossa malícia, por nossa maldade. Por nós Ele foi entregue. Por nós, Ele está preso. Por nós, Ele está prestes a sofrer e morrer.

Avisos

– O Deus lo Vult! está agora disponível em uma aplicação para celulares Android, graças à gentileza da Maite Tosta que me avisou ontem sobre o serviço e o plugin. É um app bem simples, resumindo-se a um leitor de feeds personalizado; mas é bem útil para acessar rápida e facilmente o conteúdo do blog, de qualquer lugar onde você esteja. Para baixá-lo e testá-lo, utilize o QR-Code da barra lateral (à direita do blog), ou clique aqui. Quaisquer problemas com ele, por favor me avisem.

– Eu deveria ter viajado ontem, mas Recife estava caótica das chuvas. Viajo hoje, Quinta-Feira Santa, para uma cidade do interior de Pernambuco, acompanhando o pessoal da Juventude Missionária. Não estou certo de como será o meu acesso à internet lá e, portanto, é possível que haja alguma descontinuidade no serviço prestado aqui. Em todo caso, retorno no Domingo de Páscoa, se o bom Deus permitir.

– Uma santa Semana Santa a todos, são os desejos sinceros do Deus lo Vult!. Que, acompanhando a Cristo nestes dias de agonia, possamos receber do Altíssimo a graça de, um dia, com Cristo também ressuscitarmos para a Glória. Feliz Páscoa!

As “armas assassinas”… será?

Folha de Pernambuco

A charge ao lado foi publicada na Folha de Pernambuco de hoje. Ilustra uma verdade bastante óbvia e, no entanto, muito obscurecida pela cortina de fumaça desarmamentista que vemos nos nossos dias: armas não matam pessoas. Pessoas matam pessoas e, quando não têm acesso a armas de fogo, fazem-no com qualquer instrumento que lhes caia à mão. Armas são objetos que não têm vontade própria. Podem ser usadas tanto para matar quanto para defender inocentes.

Não consegui encontrar no Youtube, mas me lembrei agora de um desenho (salvo engano) do Pateta que eu gostava de assistir vinte anos atrás. Mostrava “carros bêbados” andando pelas ruas, batendo nas coisas, provocando acidentes; em um certo momento, o desenho mostrava o motorista saindo do carro, e – este sim! – estava embriagado e era o responsável por todas as barbeiragens mostradas anteriormente. “Carros bêbados” eram, na verdade, carros dirigidos por pessoas bêbadas: um ensino perfeitamente correcto, em uma época na qual ainda era possível encontrar boas lições nos desenhos voltados para o público infantil.

Da mesma forma que não existem “carros bêbados”, não existem “armas assassinas”. O que existem são armas empunhadas por assassinos, e isso (infelizmente) sempre vai existir: se não forem armas de fogo serão facas, pedras ou pedaços de pau. Uma arma não faz um assassino; ao contrário, é o assassino que é capaz de transformar em uma arma qualquer coisa que esteja ao seu alcance.

Toda a cortina de fumaça levantada pela campanha do desarmamento consiste, na verdade, em uma grande falsificação da realidade. O alvo desta campanha não são simplesmente as “armas de fogo”, consideradas no geral, e sim um subconjunto bem específico e restrito dessas: são as armas registradas por cidadãos que, após criteriosa avaliação do Estado, mostraram-se física e psicologicamente aptos a possuirem-nas. Que ninguém se engane: quando se fala em “desarmamento”, não se está falando em recolher as armas dos bandidos. Está-se falando em proibir aos civis a posse de armas de fogo, mesmo que estes possuam treinamento e passem incólumes por criteriosa avaliação dos órgãos de fiscalização do Estado.

Eu entendo a preocupação de algumas pessoas: naturalmente, ninguém é imune a erros e crimes passionais são perfeitamente passíveis de serem cometidos por “homens de bem”. Mas os problemas que devem ser atacados são aqueles que existem, e não os “possíveis”. A questão relevante aqui é: existem crimes cometidos por cidadãos autorizados a possuírem armas de fogo em uma proporção que justifique socialmente a supressão do direito de possuir armas para todas as pessoas? Pelas notícias que eu tenho conhecimento, inclino-me fortemente a pensar que a resposta a esta pergunta é negativa. Nem me recordo, aliás, da última vez em que li ou ouvi dizer que alguém com posse de arma a tivesse usado para cometer um crime passional! O que existe – e, agora sim, existe muito – são crimes cometidos por armas ilegais. Estas, sem dúvidas devem ser fiscalizadas; mas isto não tem nada a ver com o desarmamento ideológico que nos querem impôr.

Sobre o mesmo assunto, vale a pena ler também o artigo do delegado Rafael Vitola Brodbeck no “Diário Popular” de Pelotas: “Não foram as armas que mataram no Realengo…” E, de fato, não foram. Como foi dito acima, armas não matam. Armas são mero instrumentos, e nunca agentes. São as pessoas que matam. O Estado faria muito mais pela segurança pública caso se preocupasse com as causas verdadeiras do problema, e não meramente com as instrumentais.

Sobre agredidos e agressores

A notícia chegou controvertida. O Globo falou em três homens, o Fratres in Unum disse que 1800 protestaram mas só dois chegaram às vias de fato, o Cardoso falou em 1000 fanáticos (!) invadindo a galeria. O fato é que, graças a Deus, alguém finalmente teve o bom senso de destruir a “obra” blasfema do sr. Andres Serrano que consistia em um crucifixo submerso em um pote de urina. Se foram dois, três ou mil, pouco importa.

E quem são os agressores aqui? São os cristãos que resolveram agir com violência após se terem esgotado todos os meios pacíficos (a maldita “obra” já vinha sendo exibida deste 1989; já existe um abaixo-assinado contra ela com mais de oitenta mil assinaturas), ou é o irresponsável que julga poder agredir desta maneira a fé de milhões de pessoas ao redor do mundo? O agressor é quem reagiu à ofensa prolongada contra a sua Fé, ou é o fulano que, do nada, arrogou-se o “direito” de ofender a Fé dos outros?

Quando um pastor queima um Alcorão nos Estados Unidos, acto contínuo dezenas de pessoas são mortas em “protestos” do outro lado do mundo. Quando um cretino expõe uma obra blasfema, são necessárias duas décadas e incontáveis protestos para que o saldo da fúria dos fanáticos fundamentalistas cristãos seja… uma obra avariada. É preciso uma total falta de senso de proporções – ou um tremendo mau-caratismo – para comparar minimamente o fanatismo islâmico com este “fundamentalismo” cristão.

Não conheço as leis francesas. Lá deve haver, no entanto, alguma espécie de legislação para proteger os símbolos nacionais, à semelhança do que acontece no Brasil. Oras, então os símbolos da França não podem ser desrespeitados, mas os símbolos da Fé Cristã o podem? Protegem-se os símbolos que identificam uma nação com alguns milhões de habitantes, mas pode-se ofender à vontade o símbolo da Fé de mais de um bilhão de pessoas? Não se podem agredir os símbolos de repúblicas humanas, mas agressões aos símbolos de Deus são permitidas à la volonté? Bem se vê que isso foge a qualquer razoabilidade!

Tem o direito de exigir civilidade quem se porta com civilidade. Contra quem só sabe agredir é até possível reagir pacificamente, mas isto não pode ser nunca um princípio a exigir-se semper et ubique – como se a culpa recaísse sobre quem reage razoavelmente a uma agressão, e não sobre o agressor. A paz não é simplesmente a ausência da violência, e sim a tranqüilidade da ordem. É um absurdo hipócrita condenar as pessoas pela violência necessária à legítima defesa.

Aviso – Missa na Forma Extraordinária em Recife

Atenção! A partir do próximo domingo (24 de abril de 2011 – Domingo de Páscoa), a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano (missa tridentina) será celebrada não mais na Paróquia da Imbiribeira, onde vinha ocorrendo até então, e sim na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, na Rua Nova, no Centro da Cidade, ao meio dia.

Exibir mapa

A mudança, entre outras coisas, objetiva facilitar o acesso dos fiéis que tinham dificuldades em se locomover até a Imbiribeira (na zona sul da cidade), disponibilizando a Santa Missa em uma área mais central; bem como utilizar-se de um “espaço litúrgico” mais adequado (uma igreja histórica, restaurada há não muito tempo) para oferecer o Santo Sacrifício da Missa na forma antiga [p.s.: para fins de curiosidade histórica, vale a leitura desta crônica da Igreja da Conceição dos Militares].

A Missa ficará ao encargo do revmo. Monsenhor Edvaldo Bezerra, já conhecido dos que assistem esta Santa Missa na Imbiribeira.

Ad multos annos!

Sua Santidade celebra hoje, 16 de abril, 84 anos de vida. Este ano, na véspera do Primeiro Domingo da Paixão.

fratresinunum.com

Que Deus lhe conceda muitos anos de vida! Que o possa conservar e vivificar, e fazê-lo feliz sobre a terra, e não o entregar nas mãos dos seus inimigos. Sim, oremus pro pontifice nostro; é o melhor presente que podemos dar-lhe neste dia de hoje, e em todos os dias.

E, nele, o Senhor revela que não abandona a Sua Igreja. Nele, nós ouvimos a voz do Pescador. Nele, e com ele, nós enxergamos a grandeza da Igreja de Cristo que, iniciada há quase dois mil anos, continua viva e vivificante até os dias de hoje. Porque os homens passam, mas Pedro permanece. Sustentando a Igreja que é, Ela própria, “coluna e sustentáculo da Verdade”.

A foto, muito simpática, encontrei no Fratres in Unum, sobre os santos votos de “vivas tanto ou mais que Pedro” que cantamos na Marcha Pontifícia. Que assim seja. Felicidades, Santo Padre!

Ad multos annos!Que Deus o possa conservar e vivificar, e torná-lo feliz sobre a terra, e não o entregar aos seus inimigos.

Dictatus Papae – Gregório VII

[Recebido por email, e cotejado com o inglês do Medieval Sourcebook.]

Teses do “Dictatus Papae” do Papa S. Gregório VII (1073-1085), Papa que quebrou arrogância do Imperador Henrique IV. Excomungado duas vezes, foi ao Papa em três dias de penitência pedir perdão.

1 – A Igreja romana foi fundada somente pelo Senhor

2 – Somente o Romano Pontífice pode ser chamado de direito, de bispo de Roma.

3 – Somente ele pode depor ou restabelecer bispos.

4 – Seu enviado precede todos os bispos no Concílio, mesmo se for de grau inferior, e pode pronunciar sentença de deposição de um bispo.

5 – O papa pode depor os ausentes.

6 – Não se deve residir na mesma casa onde moram pessoas que ele excomungou.

7 – Somente ele pode promulgar novas leis, atendendo às exigências dos tempos, formar novas comunidades religiosas, transformar um cabido de cônegos em abadia, ou vice-versa, dividir uma diocese rica ou unir dioceses pobres.

8 – Somente ele pode usar as insígnias imperiais

9 – Somente dos papas os príncipes devem beijar os pés.

10 – Somente o seu nome pode ser citado nas igrejas.

11 – Este nome é único no mundo.

12 – A ele é lícito depor o imperador.

13 – A ele é lícito, se houver necessidade, transferir um bispo de uma sé para outra.

14 – Pode enviar um clérigo de qualquer igreja, lá onde estiver.

15 – Aquele que foi ordenado por ele pode presidir sobre outra igreja, mas não deve manter uma posição subordinada; e tal não deve receber uma posição maior de nenhum bispo.

16 – Nenhum sínodo pode ser chamado geral sem o consentimento do Papa.

17 – Nenhuma norma e nenhum  livro podem ser considerados canônicos sem a aprovação dele.

18 – A decisão dele não pode ser questionada por ninguém, somente ele pode rejeitar a sentença de qualquer um.

19 – Somente ele não pode ser julgado por ninguém.

20 – Ninguém pode condenar aquele que apela para a Santa Sé.

21 – Toda causa de maior relevo de qualquer igreja, deve ser remetida à Santa Sé.

22 – A Igreja romana nunca errou, e segundo o testemunho das Escrituras nunca cairá no erro.

23 – O Pontífice romano, desde que sua eleição tenha sido realizada segundo as regras canônicas, é sem dúvida, santificado, graças aos méritos do bem-aventurado Pedro, assim testemunha S. Enódio, bispo de Pádua (†521); à sua voz se unem a muitos santos Padres, assim como se pode ver nas decretais do bem-aventurado papa Símaco (†514).

24 – Depois de sua decisão , e com sua autorização, é permitido aos súdito apresentar uma queixa.

25 – Mesmo sem recorrer a um sínodo, pode depor um bispo ou receber de novo na igreja aqueles que tenham sido excomungados.

26 – Ninguém deve ser considerado católico se não estiver de pleno acordo com a Igreja Católica.

27 – Ele pode liberar os súditos do juramento de fidelidade ao Soberano, em caso de injustiça.

Fonte: Registrum Gregorii VII,MGH, Ep.Sel. II, n. 55a
(História da Igreja, Roland Frohlich)