Inception

[ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!]

Haviam me dito que “A Origem” (Inception, 2010) era um bom filme. Se esta opinião está equivocada, é por excesso de parcimônia nos elogios: o filme não é apenas “bom”, é uma verdadeira obra-prima. Assisti-o agora há pouco, e o recomendo enfaticamente: uma história inovadora, uma trama muito bem urdida, excelentes atuações, cenas de violência dentro do limite, completamente livre de cenas de sexo. Este último ponto merece destaque, por ser raridade na Sétima Arte. Inception prova, definitivamente, que um filme não precisa conter cenas apelativas para ser um incontestável sucesso de bilheteria. Quero tecer alguns comentários sobre o filme, mas aos que pretendem ainda ir ao cinema recomendo que o assistam antes de lerem estas minhas linhas: conhecer previamente a história vai estragar bastante a sensação – deliciosa! – de descobri-la pouco a pouco na sala escura do cinema.

Ouvi dizer que o filme é “muito cabeça” e exige “muita atenção” – besteira. O filme é relativamente simples. Somente possui um bom roteiro que naturalmente não pode ser acompanhado com a mesma displicência com a qual se assiste The Expendables; mas o desenrolar da trama percebe-se muito mais facilmente do que, por exemplo, em “Amnésia” (que, aliás, é do mesmo diretor). As cenas que só fazem sentido no final do filme ou são detalhes (que, imagino, devem fazer valer bastante a pena uma segunda ida ao cinema…) ou estão muito bem nítidas na memória, a despeito das quase duas horas e meia do filme – que, diga-se, nem se percebe passarem.

A história: existem uns sujeitos que conseguem entrar nos sonhos das outras pessoas. Isso pode ser feito com dois objetivos: extrair informação, que é de longe o mais comum, ou incutir uma idéia na mente da vítima – fazer uma inception, uma inserção, um “implante” (que talvez fosse uma tradução melhor para o nome do filme) de um pensamento que, quando acordada, a pessoa adopte como seu e com base no qual passe a agir. Há quem diga que inceptions são impossíveis, mas Cobb (DiCaprio) diz que é possível e aceita fazer um serviço desses em troca de ter a sua ficha limpa com a polícia americana.

O serviço para o qual Cobb é contratado não tem nada de simples: trata-se de fazer um inception em Robert Fischer, um jovem herdeiro de uma (praticamente) hegemônica companhia de eletricidade, para convencê-lo a dividir o império do pai e, assim, possibilitar que a empresa concorrente – que contrata Cobb – continue existindo. Esta idéia, para ser aceita, precisa naturalmente ser apresentada como uma boa idéia (“vou chutar o pau da barraca e acabar com a minha herança” não funcionaria), precisa que o alvo aceite-a como sua, própria (trata-se, assim, muito mais de insinuar alguma coisa que depois desenvolva-se naturalmente do que enxertar algo facilmente reconhecível como exógeno), e precisa ser feita no profundo do subsconsciente: para isso, Cobb e sua equipe abusam da técnica de “sonhos dentro dos sonhos”. Funciona assim: “entrar no sonho” leva até um nível do subconsciente da vítima; mas se, dentro do sonho, põe-se o sujeito para dormir e entra-se no “sonho do sonho”, atinge-se um nível de inconsciente mais profundo e, para os objetivos de Cobb, mais interessantes. O plano original é a adentrar “três níveis” no subconsciente de Fischer e, “lá embaixo”, incutir a idéia que desabroche, “lá em cima”, na decisão de se desfazer do império que o pai construiu.

Várias coisas encantam no filme. Primeiro, a “ambientação” é muito bem feita. Há os caras – “arquitetos” – que “desenham” o cenário do sonho onde fulano vai ser colocado. Quando o alvo é posto dentro do sonho, o seu subconsciente “povoa” o cenário criado: as pessoas que estão no sonho são projeções da sua mente, etc. Em particular, caso haja no cenário um “cofre” ou coisa parecida, a mente do sujeito, instintivamente, “joga” lá dentro aquilo que quer manter como segredo (tornando fácil a extração de informações para os invasores de sonhos – cria-se o cenário com o cofre, quando o sujeito sonha o seu subconsciente põe no cofre o segredo, e então basta arrombar o cofre e obter o segredo). Nos sonhos, o tempo passa mais devagar do que fora deles, e isso funciona recursivamente: se 1 minuto na “vida real” corresponde a 20 minutos dentro do sonho, vai corresponder a 400 minutos no “sonho dentro do sonho” – e assim por diante. No sonho, repercutem as sensações do que está acontecendo com o sujeito que dorme: se ele estiver molhado, p.ex., vai estar chovendo no sonho. A quantidade de detalhes impressiona.

Mas o filme tem “camadas”, como se costuma dizer hoje em dia – ou, melhor dizendo, sonhos dentro de sonhos, tramas dentro de tramas. Há toda essa história dos invasores de sonhos. Dentro disso, há os interesses políticos da companhia que quer convencer o Fischer a desfazer-se do império do pai, serviço que Cobb topa. Dentro deste serviço, há a motivação de Cobb que é poder voltar para os Estados Unidos e se encontrar com os filhos. E, dentro disso, no mais profundo das tramas, há o drama interior do protagonista de se desvencilhar das lembranças de sua mulher morta e da culpa que ele sente por a ter levado a cometer suicídio.

[Provavelmente vai aparecer quem diga que, ainda mais profundo do que isso, há a discussão sobre até que ponto a realidade é realmente real, mas este blá-blá-blá totalmente clichê e de valor filosófico nulo é indigno do filme. Volto a este ponto no final do texto.]

Encanta também a trama. O protagonista precisa se libertar da culpa que sente com relação à morte da esposa. Quer voltar para os filhos, e encontra esta possibilidade no serviço para o qual foi contratado. Antes de convencer um jovem bem-sucedido a lançar às favas o império que o pai a duras penas construiu, o que Cobb e sua equipe terminam fazendo é reconciliar um filho com o seu pai. E o protagonista, perdido nos seus sonhos e pensamentos, recebe da jovem arquiteta a ajuda necessária para vencer o seu próprio passado e ser finalmente capaz de viver o seu futuro. Notem: todas as motivações – e as atitudes – são positivas! A única coisa mesquinha que existe no filme – o desejo de “quebrar”, desonestamente, uma empresa bem-sucedida – é também apresentada de maneira positiva (“é importante para o mundo que esta empresa não detenha o monopólio da distribuição de energia”) e – principalmente – é alcançada por um meio extremamente positivo, provocando uma reconciliação familiar. No filme, não há vilões; há os dramas pessoais de almas sofridas que, por si sós, já são responsáveis pela virtual totalidade dos males que existem no mundo.

E, por fim, também encantam as sutilezas. A forma que Cobb usa para implantar em sua esposa a idéia de que a realidade é uma ilusão é simplesmente genial. O que Fischer encontra no cofre do pai lá no terceiro nível de sonhos – o catavento da foto de quando era criança – é emocionante. O que Cobb diz para a projeção (feita por seu subconsciente) da sua mulher, ao final do filme, é um elogio feminino para o qual eu não encontro paralelos no cinema recente: “não passas de uma sombra pálida da mulher que eu amei. És o melhor que eu consegui fazer e, no entanto, não és boa o bastante”.

As pessoas – a realidade! – ultrapassam infinitamente as imagens que temos delas, por mais honestos que sejamos, por mais que nos esforcemos! Não existe bobagem de ceticismo ou de dúvida idiota – estilo Matrix – sobre se o que julgamos ser a realidade é de fato real. No extremo oposto disso, o filme é um tremendo louvor à realidade, por dura que ela seja. É isto que o filme, ao final das contas, nos ensina. Por mais que possamos ser deuses e ter um mundo só nosso no “limbo” dos sonhos profundos, a realidade vale mais – muito mais – do que isso. É sempre necessário aceitá-la. Sempre vale a pena voltar.

Tudo é mais do mesmo

Eu não sou lá o que se possa chamar de grande entusiasta da democracia – a despeito de ser forma de governo legítima, conforme ensina a Igreja Católica. Com relação à maneira específica como a “democracia” (aqui, as aspas são propositais, e servem precisamente para distinguir esta daquela legitimada pela Igreja à qual fiz referência acima) é exercida no Brasil, deixo de ser simplesmente um “não-entusiasta” para lançar-lhe mesmo duras críticas. Julgo até ser perfeitamente legítimo, aliás, discutir se aquilo que, no Brasil, costuma chamar-se “democracia”, tem as mesmas características daquele sistema que um dia o Aquinate considerou legítimo.

Mas isso é uma outra discussão, para a qual não tenho nem fôlego e nem envergadura. Limito-me a falar sobre os fatos concretos do nosso quotidiano. Ontem, eu assisti ao debate da Canção Nova com os presidenciáveis, e tive impressões muito negativas.

Não com relação ao debate – ao contrário, ele foi, na média, excelente. Tirando algumas aberrações (como a “Pastoral do Menor” colocando-se contra a redução da maioridade penal), muitas perguntas importantes foram feitas exatamente da maneira como deveriam ser feitas: “o senhor, como presidente, assinaria o PLC 122/06?”, “o senhor, no seu governo, vai colocar em prática as diretrizes do PNDH-3?”, “o senhor acredita que o valor da vida humana pode ser decidido em plebiscito?”, e diversas outras. A organização do debate está sem dúvidas de parabéns. O motivo das minhas impressões negativas reside justamente no fato de que, mesmo com toda a excelência da organização do debate, os candidatos estão – todos – muito aquém do mínimo que se pode esperar para que a licitude do apoio católico por meio do voto, a qualquer um deles, possa ser até mesmo levada em consideração e colocada em litígio. Do jeito que está, ninguém pode ser votado.

Sobre o aborto, o abortista Serra foi o único a dizer, claramente, que o respeito à vida humana não pode ser objeto de sufrágio popular. Curiosamente, foi ele próprio – ele, que disse não ser capaz de fazer um plebiscito para decidir sobre a legalização do aborto no Brasil – quem, quando Ministro da Saúde, autorizou – sem consultar ninguém! – a rede pública hospitalar a assassinar crianças caso elas tenham sido concebidas por meio de estupro… incoerências que, enfim, quedaram sem respostas, e fica então o eleitor católico na sincera dúvida entre o discurso do abortista quando em campanha ou os seus atos passados quando, efetivamente, teve poder para fazer alguma coisa.

Sobre a Lei da Mordaça Gay, tanto o Serra quanto o Plínio disseram não ter lido o projeto mas que, mesmo assim, eram-lhe, em linhas gerais, favoráveis. Sobre o PNDH-3, o Plínio teve aliás a capacidade de dizer que não via nada de errado no plano. O candidato do PSOL merece menção especial, porque ele tem feito questão de se apresentar como católico e, mesmo assim, colocar-se sistematicamente contrário a tudo aquilo do qual a Igreja é a favor, e favorável a tudo aquilo que a Igreja é contra. Chega a ser impressionante. O papel dele, como já foi notado por alguns mais astutos, é claramente o de deslocar o eixo de comparação entre os candidatos, por meio de um radicalismo tão caricato que, junto dele, a Dilma e o Serra apareçam quase que como ultramontanos.

A sra. Rousseff fez chacota dos católicos e não foi ao debate. E, por algum motivo que sinceramente escapa-me à compreensão, o católico Eymael – provavelmente a única opção aceitável para os católicos no primeiro turno – não foi convidado para o debate ou, dele, não quis participar. Quando não estão presentes nem o único candidato que poderia dar respostas tranqüilizadoras às questões apresentadas, nem a candidata favorita nas pesquisas que iria se comprometer terrivelmente a cada resposta que formulasse… qual foi o saldo, afinal de contas, do debate? Parece-me que é tudo mais do mesmo.

E isso reforça a minha desilusão para com a “democracia” brasileira: o voto é universal e tem o mesmo peso para todos, pouco importando a parcela de participação na sociedade que cada um tenha. Os debates, por melhores que sejam, terminam por gerar pouco ou nenhum fruto: e os resultados do pleito são, na verdade, decididos pela máquina publicitária da televisão que, na hipnotizadora propaganda eleitoral gratuita, pende obscenamente para o lado do partido que se encontra atualmente no governo. Resta esperar alguma coisa? É possível fugir da incômoda sensação de que tudo isso não passa de um gigantesco jogo de cartas marcadas?

Que Deus tenha misericórdia de nós, e salve o Brasil! Porque é óbvio que as eleições de outubro próximo não serão capazes de “salvar” absolutamente nada.

CNBB apóia plebiscito ao qual os bispos dizem não!

No dia 18 de junho p.p., sexta-feira, ao invés de incentivar os fiéis a fazerem penitência em memória da Paixão do Senhor, o site da CNBB publicava uma matéria comunistóide em favor do plebiscito pelo limite de terras. “Pastorais Sociais e Organismos da CNBB confirmam apoio ao plebiscito pelo limite de propriedade da terra e ao Grito dos Excluídos” – era o longo título do artigo que, ao contrário de outros, encontra-se até agora disponível no site da Conferência. À época, eu também comentei aqui sobre o escândalo.

Hoje, foi publicada uma matéria no jornal “Gazeta do Povo” que revela uma outra face da moeda, meticulosamente escondida sob a maneira marxista do site da CNBB enxergar (e, pior ainda, divulgar) a realidade: bispos dizem “não” a plebiscito. Leiam-na na íntegra. Lá, vocês verão bispos como Dom Cristiano Krapf, Dom Aloísio Opperman e Dom Murilo Krieger dizendo claramente que são contrários a este plebiscito! Como isso é possível? Na verdade, o que acontece é que, aparentemente, a CNBB apóia o mesmo plebiscito ao qual os bispos teimam em dizer não! De onde vem tão curioso caso clínico de esquizofrenia?

Queira o leitor bondosamente voltar ao longo e enfadonho título da notícia do site da CNBB, linkada no início do post. Quem é que apóia, afinal de contas, este malfadado plebiscito? A matéria não diz “os bispos apoiam”, e nem “a CNBB apóia”, nem nada do tipo. Com uma malícia ofídica, o que a matéria diz é que as “Pastorais Sociais” e uns anônimos “Organismos da CNBB” apoiam tal plebiscito. Não diz nem que “a CNBB” o apóia, nem que “os bispos” o apóiam, porque seria mentira.

Entendam bem! A CNBB não apóia este plebiscito. Este suposto apoio, dito assim claramente, não está em lugar nenhum (embora também não esteja desmentido… voltamos a este ponto já já). Os bispos em seu conjunto também não apoiam este plebiscito, e fizeram questão de o dizer pública e claramente, como mostra a matéria do “Gazeta do Povo” que eu trouxe acima. Até mesmo Dom Demétrio, que particularmente é favorável à consulta popular, confessa que, na última Assembléia Geral ocorrida em Brasília, embora tenha havido discussões sobre o assunto, “em nenhum momento houve decisão, nem sobre o limite da terra, nem sobre o que fazer com a propriedade excedente”. São palavras de um prelado favorável ao plebiscito!

Nem a CNBB apóia oficialmente o plebiscito, nem os bispos como um todo o apoiam. Mas, então, como explicar que o apoio “oficioso” a esta consulta popular – em assunto sobre o qual a Assembléia Geral da Conferência não chegou a nenhuma decisão, convém lembrar – esteja tão disseminado? Por que a CNBB não o desmente?

Volto ao início do post: o malicioso artigo sobre o apoio das “Pastorais” e dos anônimos “Organismos” da CNBB ao plebiscito – que claramente confunde os leitores – encontra-se até agora no site da CNBB. No entanto, no final do mês passado, o artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini contrário à sra. Dilma Rousseff foi rapidamente retirado do site porque… era a posição particular de um bispo, e não representava a posição da Conferência! É incrível a desonestidade desta gente, mas é isso mesmo: há algumas posições particulares, de alguns prelados, que podem e devem ser veiculadas no site oficial da CNBB, e há algumas outras posições particulares de outros prelados que não podem estar no site de nenhuma maneira e, caso apareçam por lá, devem ser retiradas o quanto antes. E este site duas-caras é – vergonha! – o site oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

E agora, como é que fica? O apoio ao plebiscito é posição oficial da CNBB, ou é posição particular de alguns bispos? Se for posição oficial da Conferência, então nós temos pelo menos quatro bispos mentindo publicamente. Se não for posição oficial da Conferência (e sim opinião pessoal de algum bispo), por qual motivo esta posição pessoal merece destaque no site da CNBB, enquanto que a de Dom Luiz Gonzaga foi rapidamente censurada?

Não deixem de fazer a pergunta inconveniente à assessoria de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: imprensa@cnbb.org.br. Aproveitem e perguntem também (como citou o Marcio Antonio Campos no quadro da matéria do “Gazeta do Povo” – leiam lá) por qual esotérico motivo é permitido mencionar expressamente o nome dos candidatos em alguns tipos de artigos (como na malfadada Análise de Conjuntura sobre a qual eu já comentei aqui e desde fevereiro está no site da CNBB) e não em outros (como no artigo de Dom Luiz Gonzaga que foi censurado). Estou curiosíssimo para saber qual vai ser a resposta.

CNBB desmente: Católicos não têm liberdade para “votar em qualquer candidato” coisa nenhuma

[Publico na íntegra. Parece que, com a CNBB, a coisa ainda funciona – graças a Deus – na base da pressão. A notícia saiu na última sexta-feira e, já hoje, veio a resposta.

Uma certa senhora – que se diz católica e, apesar dos meus reiterados protestos, insiste em me enviar por email todo o lixo com o qual costuma tornar a internet um lugar mais desagradável de se freqüentar – enviou-me um email correlato, que tinha por título “parabéns à CNBB” e no qual estava escrito (com a caixa-alta do original), da lavra da referida senhora: “A CNBB AO ABRIR AS PORTAS A TODOS OS CANDIDATOS, MOSTROU QUE NÓS CATÓLICOS, TEMOS LIBERDADE PARA VOTAR EM QUALQUER CANDIDATO. FOI UM TAPA DE PELICA NO TAL BISPO DE GUARULHOS, QUE PREGA O ÓDIO E A INTOLERANCIA”. Pois é, parece que, agora, o tapa na cara dos “católicos” abortistas foi não de pelica, mas com a mão cheia mesmo…

Fonte: CNBB]

Prezado Senhor Diretor de Redação,

Foi com desagradável surpresa que vi estampada minha fotografia no topo da página A7 da Edição de hoje, sexta-feira, 20 de agosto, com a nota de que eu teria admitido que os católicos votem em candidatos que são favoráveis ao aborto.

Gostaria de expressar, mais uma vez, a posição inegociável da CNBB, que é a mesma do Magistério da Igreja Católica, de defesa intransigente da dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural. O aborto é um crime que clama aos céus, um crime de lesa humanidade. Isso, evidentemente, não significa que o peso da culpa deva recair sobre a gestante. Também ela é, na maioria das vezes, uma grande vítima dessa violência, e precisa de acompanhamento médico, psicológico e espiritual. Aliás, esses cuidados deveriam vir antes de uma decisão tão dramática.

Os católicos jamais poderão concordar com quaisquer programas de governo, acordos internacionais, leis ou decisões judiciais que venham a sacrificar a vida de um inocente, ainda que em nome de um suposto estado de direito. Aqui, vale plenamente o direito à objeção de consciência e, até, se for o caso, de desobediência civil.

O contexto que deu origem à manchete em questão é uma reflexão que eu fazia em torno da diferença entre eleições majoritárias e proporcionais. No caso da eleição de vereadores e deputados  (eleições proporcionais), o eleitor tem uma gama muito ampla para escolher. São centenas de candidatos, e seria impensável votar em alguém que defenda a matança de inocentes, ainda mais com dinheiro público. No caso de eleições majoritárias (prefeitos, senadores, governadores, presidente), a escolha recai sobre alguns poucos candidatos. Às vezes, sobretudo quando há segundo turno, a escolha se dá entre apenas dois candidatos. O que fazer se os dois são favoráveis ao aborto? Uma solução é anular o próprio voto. Quais as conseqüências disso? O voto nulo não beneficiaria justamente aquele que não se quer eleger? É uma escolha grave, que precisa ser bem estudada, e decidida com base numa visão mais ampla do programa proposto pelo candidato ou por seu Partido, considerando que a vida humana não se resume a seu estágio embrionário. Na luta em defesa da vida, o problema nunca é pontual. As agressões chegam de vários setores do executivo, do legislativo, do judiciário e, até, de acordos internacionais. E chegam em vários níveis: fome, violência, drogas, miséria… São as limitações da democracia representativa. Meu candidato sempre me representa? Definitivamente, não! Às vezes, o candidato é bom, mas seu Partido tem um programa que limita sua ação. Por isso, o exercício da cidadania não pode se restringir ao momento do voto. É preciso acompanhar, passo a passo, os candidatos que forem eleitos. A iniciativa da Ficha Limpa mostrou claramente que, mesmo num Congresso com tantas vozes contrárias, a força da união do povo muda o rumo das votações.

Que o Senhor da Vida inspire nossos eleitores, para que, da decisão das urnas nas próximas eleições, nasçam governos dignos do cargo que deverão assumir. E que o cerne de toda política pública seja a pessoa humana, sagrada, intocável, desde o momento em que passa a existir, no ventre de sua própria mãe.

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

“Ensina-nos a rezar”

Os meninos do ECyD evangelizaram com o seu testemunho e dedicação a Cristo, em uma manhã de domingo. Muitas pessoas pediram para que ensinassemos a rezar o terço, e os pequenos explicaram muito bem. Ainda existe muito a ser feito, mas Cristo é a nossa força!

Foi em maio. O vídeo saiu esta semana. O bonito trabalho dos pequenos é extremamente louvável – de uma tremenda necessidade para os dias de hoje. Vejam:

A proposta é extremamente simples: reservar um domingo para distribuir terços no parque da Jaqueira, entre as pessoas que lá estavam. Não custa quase nada. E os frutos são valiosos.

Ensinar as pessoas a rezarem o terço! Estamos falando de pessoas adultas. Às vezes eu fico pensando como é possível que ninguém nunca tenha se preocupado em ensinar os católicos a desfiarem um terço em honra à Virgem Santíssima. No entanto, mais do que reclamar, importa fazer – e, nisso, os meninos do ECyD estão de parabéns.

“Cegueira Plúmbea” – Dom Aloísio Oppermann

[Reproduzindo, só para garantir. Está já há quase quinze dias no site da CNBB, por impressionante que seja. Acho que a censura CNBBêica é burra; lembram-me as histórias sobre as músicas de Chico Buarque que, para burlar a censura militar, trocava “Cale-se” por “Cálice” e ficava tudo muito bem. Para bom entendedor, meia palavra basta: afinal, todo mundo sabia que “amanhã vai ser outro dia” é uma crítica política, e não uma canção de amor. E todo mundo sabe que o artigo de Dom Oppermann é uma dura crítica política, e não um ensaio histórico.

Fonte: CNBB.]

Cegueira Plúmbea

O fascismo chauvinista alemão se estabeleceu, entrando pela porta da frente. Hitler manipulou a alma alemã, com recursos de encantamento irresistível. Seu nome estourou nas urnas. Estava tão certo da vitória que não ocultou nenhum de seus tenebrosos pensamentos. Todos conheciam suas pregações imperialistas, seu gosto pelo uso da força, sua arrogância diante dos judeus, sua presunção de superioridade da raça ariana. Um observador, colocado a certa distância, poderia prever a colisão inexorável que aconteceria entre o bem do povo alemão, e o programa foguetório do regime político, que deveria arrostar todas as conquistas civilizatórias. É a história do passarinho encantado, que fica à disposição da cobra que o engole sem escrúpulos.

Não sou daqueles que consideram a Revolução de 31 de março, como um mal absoluto. As intenções foram boas, tendo recebido o firme apoio da opinião pública. Os nobres ideais foram obumbrados, progressivamente, pelo uso abusivo do cerceamento das liberdades. Com o correr do tempo, as lideranças socialistas, em vez de se converterem, entraram na clandestinidade. Mas posteriormente retornaram, entre aplausos, e ocuparam tranquilamente quase todos os escalões da República cripto-socialista. Certíssimos do sucesso, já se tem como garantida a execução de alguns programas antiqüíssimos: a interrupção violenta da gravidez; o enfraquecimento da vida familiar, pelo apoio a outros tipos de “família”; a redução à obediência de veículos de comunicação através de prêmios e castigos; a insegurança dos direitos constitucionais;  a subserviência do poder judiciário; a impossibilidade de manifestação religiosa em  público; a descaracterização do país de qualquer sinal cristão, depois de termos passado ao povo, durante séculos,  os ensinamentos de Cristo…Será que se avizinha o tempo em que precisamos ocultar que somos católicos? A vitória desse programa “moderno” parece ser tão evidente como o pôr do sol antes da noite escura. O nosso veículo tem freio e tem direção. Enxergamos o perigo que se avizinha? “Eis agora o dia da salvação”  (2 Cor 6, 2 ). Ainda podemos evitar o grande mal.

Dom Aloísio Roque Oppermann

Dilma Rousseff e o aborto no debate da Folha/UOL

Assisti, hoje pela manhã, a um pedaço do debate online, promovido pela Folha/UOL, entre três dos presidenciáveis: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Ainda não está disponível na íntegra no site da Folha.

Não gosto deste tipo de “debate”. É óbvio que não dá para levá-lo a sério – e, ao final, acaba sendo muito mais uma exibição de argumentos ad populum e de retórica sentimental, do que um confronto verdadeiro e honesto entre idéias e propostas. É claro que, em dois minutos, ninguém consegue articular um raciocínio decente, corretamente embasado, sobre qualquer assunto minimamente sério. Não sei quem foi que disse certa vez que, em “igualdade de condições” (leia-se: com limites arbitrários igualitariamente aplicados), a mentira sempre ganha da verdade. Eu concordo totalmente. Uma pergunta mal-intencionada, que leve somente alguns poucos segundos para ser formulada, pode exigir muito esforço para ser respondida a contento. Não é enrolação. É, simplesmente, porque a verdade tem compromissos – a mentira, não, qualquer coisa que diga, de qualquer jeito, se servir aos seus propósitos, está muitíssimo “bem dita”. Dois minutos para cada uma delas simplesmente não é justo: a verdade, nestes casos, está em uma tremenda desvantagem.

Este debate, no entanto, teve uma coisa interessante: a participação dos internautas, com perguntas gravadas em vídeo. Lá para as tantas – quarto bloco, se a memória não me falha -, uma pergunta feita pela @jufragetti foi exibida. Era para a Dilma Rousseff, e sobre o aborto.

Em dois minutos, como eu disse acima, ninguém consegue articular uma resposta séria sobre absolutamente nada. Mas o tempo reduzido tem outro gravíssimo inconveniente: por dois minutos, qualquer pessoa consegue dar voltas e enrolar, para não ter que responder de modo direto a uma pergunta inconveniente. E foi exatamente o que fez a sra. Rousseff.

Começou dizendo que nenhuma mulher gosta de abortar – coisa que, embora discutível, absolutamente não vem ao caso. Não faz a menor diferença se as mulheres “gostam” de assassinar os próprios filhos ou se “não gostam”: o que interessa é saber, com clareza, se elas podem fazê-lo ou se não o podem! A pergunta, como qualquer pessoa que tenha dois neurônios é capaz de perceber, era esta e não outra.

Disse que, pessoalmente, era contrária ao aborto. De novo: não faz a menor diferença se ela, em assunto que considera “de foro íntimo”, é contrária ou é a favor: o que interessa é o que ela vai fazer enquanto presidente. Mais uma vez, isto estava mais do que evidente na pergunta que foi feita, pois o que estava sendo transmitido era um debate entre presidenciáveis, e não uma entrevista para a Tititi.

Então veio, finalmente, com a conversa mole de que o aborto é “questão de saúde pública”. Ora, como todo mundo que está acostumado com a novilíngua política sabe muito bem, isso significa que o aborto vai deixar de ser crime para passar a ser exigência de saúde. Como está no famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos do Governo. Como, aliás, é compromisso histórico do PT, e só não vê quem não quer.

A sra. Rousseff enrolou, enrolou, enrolou, mas deixou escorrer a baba peçonhenta, o veneno por debaixo do doce das palavras: a candidata petista é abortista sim. Caso não fosse, poderia ter dito – como teve chance – de dizê-lo claramente. Portanto, e mais uma vez: como os católicos não podem apoiar uma candidata abortista, não podem conceder o seu apoio, de nenhuma maneira, à sra. Dilma Rousseff (ouviu, @ver_josenildo?). A cada dia que passa, isto fica mais e mais claro. É sinceramente lamentável ver as pessoas imolarem a própria consciência no altar da partidolatria.

A porca retorna ao lamaçal

“[O Ecumenismo é], na verdade, uma traição a Jesus Cristo. Dar esperanças de que há salvação por qualquer outro caminho que não seja Jesus Cristo. Então tudo isso foi me afastando [da Igreja]. A princípio eu pensei que estes erros e outros (…) eram em razão do Concílio Vaticano II. Eu disse (…) estes papas chamados ‘conciliares’, a partir de João XXIII até Bento XVI não são papas. Eles são falsos papas. E eles é que trouxeram isso. Mas, para a minha surpresa, estudando a história da Igreja, eu descobri que esses erros que nós vivemos hoje, eles já estavam de alguma maneira desde o início do catolicismo, por volta do século IV, a partir de Constantino”.

– Diácono Francisco Almeida Araújo.

Foi “pastor” batista. Deixou a Igreja Evangélica, voltou para a Igreja Católica onde foi ordenado diácono e, hoje, arrepende-se profundamente disso. Está empenhado em divulgar publicamente a sua apostasia. Retornou ao lamaçal de onde, com a graça de Deus, saíra. É lamentável.

Escreveu uma confissão pública, no fim da vida. Gravou um testemunho em vídeo. A porca retorna ao lamaçal (cf. IIPd 2, 22) – é lamentável! É como fala a passagem dos Evangelhos:

Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha. Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa (Mt 12, 43-45).

E as “razões” dadas pelo neo-herege são totalmente desarrazoadas. Falou em “ecumenismo”, confundindo-o com a “ecumania” irenista tantas vezes condenadas pela Igreja. Não explicou os motivos que o levaram do sedevacantismo para o protestantismo; para quem assiste ao vídeo, a impressão que fica é somente a de que um abismo atrai outro abismo. Mentiu, dizendo que a infalibilidade papal era desconhecida até o século XIX. Distorceu, para variar, a Doutrina Católica referente à mediação única de Nosso Senhor e à intercessão dos santos. Defendeu a noção estúpida e anti-bíblica de que Deus não recompensa as boas obras dos cristãos, chegando inclusive ao cúmulo de afirmar o nonsense (frontalmente contrário à realidade, aliás) de que nós fazemos boas obras porque esta é a nossa natureza. É lamentável.

A Cruz de Nosso Senhor foi “suficiente”? Sem dúvidas que o foi, mas o que significa isso? Que Ela é a fonte da qual brotam todos os méritos, o instrumento da nossa redenção somente em união ao qual podemos também nós merecer sobrenaturalmente o que quer que seja? Se for isso, então em nada se distingue esta concepção da Doutrina Católica, estando o sr. Francisco a atacar espantalhos. Agora, se ele quiser dizer que ninguém precisa fazer nada e ninguém é capaz de merecer nada, bastando “sozinha” a Cruz de Cristo sem nenhuma cooperação humana, então esta doutrina é diabólica e anti-bíblica. Porque é o Apóstolo quem diz, para calar a boca do herege:

O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja (Cl 1, 24).

Repito novamente: é lamentável! Que a Virgem Santíssima, que já intercedeu uma vez pelo diácono Francisco livrando-o da boca do leão, possa socorrer-lhe novamente neste momento em que ele cospe n’Aquela que o ajudou em suas necessidades. E que cada um examine a si mesmo, sempre! Quem julga estar de pé, cuide para que não caia (cf. 1Cor 10, 12) – é o ensino escriturístico cristalino, contra a doutrina anti-bíblica da “certeza da salvação”. E do qual a cada dia encontramos mais e mais exemplos, como a própria história do diácono Francisco nos mostra.

Sobre o mesmo assunto, ler também:

Comentários em um testemunho de apostasia

Algumas considerações sobre o caso do ex-diácono Francisco Araújo

P.S.: Ao que consta, morreu reconciliado com a Igreja. Deo Gratias.

Celebração – 10 anos de Episcopado de Dom Fernando Saburido

Encaminho a notícia conforme recebi por email. Dom Fernando Saburido completa na próxima sexta-feira dez anos de episcopado e, hoje, um ano à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife. Que a Virgem Santíssima o possa abençoar, guiar e proteger, fortalecendo-o sempre contra todos os inimigos de Cristo – de dentro e de fora – e conservando-o sempre no estreito caminho que agrada a Deus.

P.S.: Vejam o Ramalhete Espiritual pelos dez anos de Sagração Episcopal de Dom Fernando Saburido, e contribuam. Sejam generosos. Ele precisa.

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A Arquidiocese de Olinda e Recife celebra no próximo dia 20, a Missa em Ação de Graças pelos 10 anos de Episcopado de dom Fernando Saburido e o 1º ano de pastoreio na arquidiocese. A solenidade será no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, a partir das 20h.

Dom Fernando Saburido presidirá a Concelebração Eucarística, que contará com a presença e participação do clero da arquidiocese. Todos os católicos estão convidados para louvar a Deus pelo aniversário da sagração Episcopal de dom Fernando.

Local: Santuário do Sagrado Coração de Jesus
Rua Dom Bosco, 551, Boa Vista, Recife/PE
Horário: 20h

Impressões no EJF

Impressiona-me, sinceramente, a vitalidade do Regnum Christi e dos Legionários de Cristo. A despeito dos escândalos com o padre fundador que recentemente vieram à tona, no Encontro de Juventude e Família deste ano tenho [re]encontrado muitas pessoas que dão sinceros exemplos de amor a Cristo e à Igreja.

E, digam o que disserem, esta vitalidade é própria do Cristianismo. Quando é perseguido, é que ele cresce; nas tribulações, glorifica a Deus. No meio das adversidades, não esmorece: prodigioso fenômeno que, aqui, é tão fácil de constatar! Não se trata de defender o pe. Maciel que, aqui, trago somente à guisa de exemplo. A imagem da Legião foi grandemente prejudicada pelos fatos recentes que vieram a público – isto é um fato. Alguns abandonaram o Movimento – é outro fato. Mas que outros tantos – muitos! – permaneceram fiéis e, ainda, outros vieram engrossar as fileiras do Regnum Christi mesmo após os escândalos, isto também é fato. E não pode ser ignorado.

Falava aqui no Deus lo Vult! há pouco tempo sobre o sândalo ferido pelo golpe de Deus, a perfumar o mundo de uma maneira agradável ao Onipotente. Nos sofrimentos, glorificar a Deus; esta é uma realidade que não tem nada de trivial, nada de fácil, nada de prazeroso. Muito pelo contrário. Espera-se (e, em certo sentido, até se exige) que as pessoas agradeçam a Deus quando todas as coisas correm bem. Mas, quando alguém dedica a sua vida ao serviço do Altíssimo e, mesmo assim, tudo desmorona… perseverar é heroísmo. Manter-se fiel é santidade.

De novo: o Movimento está aqui como exemplo, e a atitude destas pessoas – muitas das quais conheço há anos – prescinde completamente de considerações sobre os erros do padre Maciel. O fato inconteste é que há muitos inocentes (não somente no Regnum Christi, mas sem dúvidas também aqui), que sofrem sem culpa: e ver precisamente estes se manterem firmes é contemplar uma característica genuinamente cristã; é testemunhar a ação da graça de Deus. Porque não é em homens nem em instituições humanas que estas pessoas – estas, as que permaneceram – pōem a sua confiança. Sem dúvidas não. E ver com clareza para além das aparências – e até mesmo contrariamente às aparências – não é uma atitude de imaturos, ou de bobos úteis enganados, ou de irresponsáveis que ignoram as coisas de Deus; muito pelo contrário. É atitude de quem tem Fé, e de quem entendeu o que significam aquelas palavras de Nosso Senhor: “se alguém quiser vir após Mim, renuncie a Si mesmo, tome a Sua cruz a cada dia e siga-Me”.

Que Deus abençoe o Movimento Regnum Christi, e os Legionários de Cristo. Que a Virgem Santíssima interceda por todos estes, a fim de que o Altíssimo saiba transformar o mal em abundância de bem. Para a Sua maior glória.