O assassinato em Jaboatão dos Guararapes e as autoridades eclesiásticas

Esta bomba explodiu enquanto eu estava viajando. Soube do fato, porque fui informado por telefone; não tenho tempo para fazer considerações mais aprofundadas agora porque, senão, perco a visita às igrejas que estava planejando. Por enquanto, só dois documentos e um comentário.

Os documentos: a entrevista publicada no Diário de Pernambuco, da qual destaco:

Se a menina corre risco de vida, o aborto poderia ser uma opção?

Essa decisão é médica, muito mais do que eclesial.

Mas teria apoio do senhor ou o senhor condenaria essa decisão?

Depende do parecer médico, da situação. Não pode radicalizar também as coisas. Às vezes você faz um ato para defender a vida de uma pessoa, então tem sentido.

Então se a criança grávida corre risco de morrer, o aborto deve ser uma opção a ser pensada para preservar a vida da criança?

Depende dos fundamentos. Se houver um consenso médico, de que o caso é comprovadamente necessário, então claro que aí tem que se pensar. Mas em casos onde é possível levar a gestação adiante, se deve preservar as duas vidas.

O outro documento é uma carta, presumivelmente pública (já que está circulando por emails desde o início da semana), que o coordenador-executivo do Comitê Pernambucano da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto enviou a Sua Excelência. Transcrevo-a na íntegra, abaixo. E, para nossa maior vergonha, o Iraponan nem católico é…

O comentário: um amigo de Recife comentou em outro post que “o que Dom Fernando falou foi bem diferente do que foi publicado (e replicado) nos jornais/sites”. Segundo ele, “[p]arecem estar fazendo com ele o mesmo que fizeram com seu antecessor, editar e distorcer suas palavras para transmitir o que o jornalista/jornal quer, muitas vezes contrário ao que o entrevistado disse”. Ainda não vi os vídeos, mas a hipótese é verossímil e, portanto, é necessário conceder o beneplácito da dúvida. Escrevam a Sua Excelência, sim (dfsaburido@uol.com.br), mas façam-no com caridade. Por doloroso que seja, não se esqueçam de que estão falando com um Sucessor dos Apóstolos.

Peço orações por Olinda e Recife. Estamos precisando.

A carta de Iraponan Arruda segue abaixo.

* * *

Carta Informal

Att. Dom Fernando Saburido

Querido Irmão em Cristo Jesus, Dom Fernando, hoje escrevo com tristeza para falar do caso da criança de 10 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou , na cidade de Jaboatão-PE, e nos posicionarmos enquanto Comitê pernambucano da Cidadania Pela Vida – Brasil sem aborto.

Lamentamos que fato desta natureza venha tomando corpo em nosso Estado, sem que se tome providências no sentido da prevenção. Quando o caso aparece só se enxerga um caminho: Assassinar a criança em gestação dentro da outra criança. Mas parece que seja este o único caminho, Dom Fernando Saburido? Nosso código autoriza o assassinato no caso do estupro, mas é certo a Igreja concordar com a legislação assassina? Não seria o ABORTO um ato de TORTURA e ASSASSINATO, e o nosso código penal afrontador dos princípios da moral CRISTÃ?

Meu caro sacerdote, se o real representante de Jesus se colocar contra os princípios apregoados por Ele, para onde irá tal igreja? Um reino que briga entre si não sobreviverá, disse Jesus. Como defender os princípios da vida se nossos líderes silenciam.

Sem a sua ajuda, meu nobre representante da Santa Igreja, o movimento contra a legalização do aborto em nosso Estado e no Brasil perde o equilíbrio. Grupos como Sim à Vida, da Pastoral Familiar, Associação Jamais Abortar, Grupo Celebre a Vida, Pastoral da Criança, CIRCAPE, AME-EPE, Javé são algumas das mais de 30 instituições formadoras do Comitê Pernambucano da Cidadania Pela Vida – Brasil sem Aborto. Todos nós contamos com a postura Cristã, dos nossos representantes e líderes da Igreja.

Não quero aqui ser inoportuno nem indelicado ao comentar a opinião do nobre irmão a cerca do caso acima citado, mas deixo a mensagem bíblica falar em nome dos cristãos de Pernambuco:

O que diz a Sagrada escritura a cerca do ABORTO:

–  Jeremias 1:5 “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da mãe te santifiquei; às nações te dei por profeta.”

– O mandamento de Deus proíbe tirar a vida em Êxodo 20:13 “Não matarás.”

– Jó 31.15 diz: “Aquele que me formou no ventre materno, não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?”

– Em Jó 10.8,11 lemos: “As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram… De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste”.

– O Salmo 78.5-6 revela o cuidado de Deus com os “filhos que ainda hão de nascer”.

– O Salmo 139.13-16 afirma: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste… Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe”.

Lucas 1 (39 à 44):

E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá,
E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.
E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.
E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?
Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.

CONCLUSÃO:

Todos esses textos bíblicos acima Dom Saburido, e muitos outros, indicam que Deus não faz distinção entre vida em potencial e vida real, ou em delinear estágios do ser – ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre materno em qualquer que seja o estágio e um recém-nascido ou uma criança. As Escrituras pressupõem reiteradamente a continuidade de uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Aliás, não há qualquer palavra especial utilizada exclusivamente para descrever o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido, no tocante a ser e com referência ao seu valor pessoal.

Esses textos bíblicos Dom Fernando revelam os pronomes pessoais que são utilizados para descrever o relacionamento entre Deus e os que estão no ventre materno, claro que tudo isso o Senhor já sabe.

Esses versículos e outros (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15, 16; Isaías 49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se encontram no ventre materno como pessoas. “Não há nada nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, Dom Fernando, que uma criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa humana, a partir do momento da concepção”

À luz do acima exposto, precisamos concluir com muito zelo e carinho meu caro Pastor Católico, que esses textos das Escrituras demonstram a vida humana pertencendo a Deus, e não a nós, e que, por isso, proíbem o aborto. A Bíblia ensina que, em última análise, as pessoas pertencem a Deus porque todos os homens foram criados por Ele. Desta forma, não cabe a um representante cristão dar suas opiniões pessoais quando o assunto é de ordem divina, entende?

Que Deus, meu Irmão Fernando, em sua Santa Misericórdia, continue encontrando espaço no teu coração para fazer brotar, cada dia, a sabedoria, a paz, o amor e fraternidade real.

Paz e Vida!!!!

Iraponan Chaves de Arruda Coordenador Executivo
Comitê Pernambucano da Cidadania Pela Vida- Brasil Sem Aborto

“Na luta em defesa da vida, só temo o silêncio dos bons”

Divagando em Ouro Preto

Estou de viagem. Cheguei à tarde em Ouro Preto – os emails estão acumulados, mas o mundo não vai acabar por causa disso. Tem muita coisa a ser comentada – peço a paciência dos meus leitores. Se o bom Deus permitir, haverá tempo. Por enquanto, estava perambulando pela bela antiga capital mineira.

Ladeiras e ruas de paralelepípedos; somente amanhã vou poder ver as igrejas e os museus famosos, porque hoje, segunda-feira, estavam fechados. Mas andei um pouco por aí, de bobeira, sem pressa; acostumando-me com a cidade. Aliás, preciso com uma certa urgência providenciar uma câmera fotográfica para as minhas andanças, porque dá vontade de mostrar as coisas que vi, para as quais as palavras são sempre limitadas.

Já hoje encontrei uma pequena preciosidade: o Museu do Oratório, próximo à Praça Tiradentes. Uma coisa simples, um objetivo bem específico: não é “arte sacra”, nem “materiais litúrgicos”, nem “devoção popular”, nem nada disso: oratórios. Dos mais simples, levados pelo povo em viagens ou pendurados aos pescoços dos esmoleres, até os grandes e bem trabalhados que serviam para uso comunitário nas fazendas. Em quase todas as peças, um mesmo comentário: o valor dos oratórios não estava tanto no invólucro, e sim no “santo de devoção” que ele guardava. Muitos eram até mesmo rústicos por fora, mas o interior esculpido, pintado e bem decorado revelava a importância dada às imagens guardadas.

Havia diversos. Oratórios de escravos, de religiosos, de viajantes; oratórios para serem pendurados ao pescoço como colares, ou pequenos para serem guardados nos bolsos. De madeira, de metal, envoltos em cúpulas de vidro. Santo Antônio, Santo Expedito, São Sebastião, Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado, Sant’Anna, a Virgem Santíssima. Por fora, eram muito diferentes – por dentro, sempre as imagens dos santos.

E que excelente catequese: o exterior só tem importância na medida em que serve para guardar o interior. Se o invólucro deve ser ornado – e, sempre que possível, ele deve -, é em honra do santo de devoção que ele armazena. A religiosidade se aprende no dia-a-dia, na família, nas fazendas, nas ruas (aliás, um pequeno e antigo livro de “orações para cristãos” trazia uma curiosa prece pedindo “ouro para guardar, prata para gastar e cobre para dar aos pobres”). A devoção está entrelaçada em todos os aspectos da vida: encontra-se um viajante com o seu oratório no lombo do burro, dá-se esmola a um pobre com um oratório no pescoço, a novena em família é rezada diante do grande oratório da sala, e as orações da noite são feitas diante do oratório particular que fica no quarto de dormir.

Saio do museu e ando um pouco pelas ruas antigas. Em um certo momento, o relevo acidentado da cidade transforma uma rua em uma pequena ponte de pedra, embaixo da qual corre um filete de água. No meio da ponte, um banco de pedra incrustado na murada, encimado por uma grande cruz. Sento sob esta gritante afronta à laicidade do Estado e ponho-me a cismar em outras eras, com uma nostalgia de tempos em que não vivi, e sinto uma tristeza pelos tempos que vivemos e – mais ainda – pelos que virão. A cruz no meio da rua permanece como um testemunho do tempo em que o povo carregava oratórios; e temo que a geração dos nossos dias não deixe como legado ao futuro senão estradas de asfalto e bolas de golfe perdidas.

Provas da existência de Deus – prof. Orlando Fedeli

Com todas as desavenças que eu tenho para com a Associação Cultural Montfort, é uma questão de honestidade reconhecer a inacreditável capacidade didática do professor Orlando Fedeli. Não comungo – quem me lê sabe disso – da maior parte das posições da Montfort referentes à crise atual que atravessa a Igreja de Cristo; em consciência, não posso deixar de dar combate àquilo que considero deletério para a Igreja de Nosso Senhor e pernicioso para as almas católicas. No entanto, também em consciência, não posso deixar de reconhecer o valor do material produzido pelo professor Orlando em outros assuntos.

A série de vídeos a seguir, que falam sobre a existência de Deus, é um exemplo das coisas indubitavelmente boas legadas pela Montfort. O primeiro, segue abaixo:

E, quem tiver interesse em assistir aos demais, segue abaixo a lista que recebi por email. Que a Virgem Santíssima olhe para o bem realizado pelo professor Fedeli, e possa interceder para que a Associação Cultural Montfort não encaminhe as almas para longe da Barca de Pedro, fora da qual só existe confusão.

* * *

Vídeo 1 de 9

INTRODUÇÃO

http://www.youtube.com/watch?v=N-WzHIEDC68

Vídeo 2 de 9

INTRODUÇÃO (continuação)

http://www.youtube.com/watch?v=-hgPO4BW-S0

Vídeo 3 de 9

PRIMEIRA PROVA – PROVA DO MOVIMENTO

http://www.youtube.com/watch?v=VKdkfMunW38

Vídeo 4 de 9

PRIMEIRA PROVA – PROVA DO MOVIMENTO (continuação)

http://www.youtube.com/watch?v=-6cIT-RsXcA

Vídeo 5 de 9

PRIMEIRA PROVA – PROVA DO MOVIMENTO (término –> 7:00 min)

SEGUNDA PROVA – PROVA DA CAUSALIDADE (início –> 7:01 min)

http://www.youtube.com/watch?v=1PuzqHgMpYY

Vídeo 6 de 9

SEGUNDA PROVA – PROVA DA CAUSALIDADE (continuação) (término –> 1:10 min)

TERCEIRA PROVA – PROVA DA CONTINGÊNCIA (início –> 1:11 min; término –> 6:23min)

QUARTA PROVA – PROVA DOS GRAUS DE PERFEIÇÃO DOS ENTES (início –> 6:24 min)

http://www.youtube.com/watch?v=h9HosG7Ie9Y

Vídeo 7 de 9

QUARTA PROVA – PROVA DOS GRAUS DE PERFEIÇÃO DOS ENTES (continuação)

http://www.youtube.com/watch?v=XYsvGHSVrNs

Vídeo 8 de 9

QUARTA PROVA – PROVA DOS GRAUS DE PERFEIÇÃO DOS ENTES (término –> 7:42 min)

QUINTA PROVA – PROVA DA FINALIDADE (início –> 7:43 min)

http://www.youtube.com/watch?v=nXsPomgy9IU

Vídeo 9 de 9

QUINTA PROVA – PROVA DA FINALIDADE (continuação e término)

http://www.youtube.com/watch?v=85jkhReRI0s

“É arriscado escrever sobre estas coisas. Não estão na moda”

Excelente o texto do português José Manuel Fernandes, publicado no “Público” de 02 de abril de 2010. Recebi por email, e o encontrei reproduzido na íntegra no Spe Deus. Leiam lá. Só destaco:

Agora, na carta que escreveu aos cristãos irlandeses, [o Papa] não só não se limitou a pedir perdão, como definiu claramente o comportamento dos abusadores como “um crime” e não apenas como “um pecado”, ao contrário do que alguns têm escrito por Portugal. Ao aceitar a resignação do máximo responsável pela Igreja da Irlanda também deu outro importante sinal: a dureza com que o antigo responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé passou a tratar os abusadores tem agora correspondência na dureza com que o Papa trata a hierarquia que não soube tratar do problema e pôr cobro aos crimes.

[…]

Por isso eu, que nem sou crente, fui informar-me sobre os casos e sobre a doutrina e escrevi este texto que, nos dias inflamados que correm, se arrisca a atrair muita pedrada. Ela que venha.

P.S.: o texto do António Marujo ao qual se refere o José Manuel Fernandes é este: A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos.

Outro assassinato em curso

Atenção! Acabo de ouvir, no telejornal local (NE-TV), que uma menina de dez anos de Jaboatão dos Guararapes (região metropolitana de Recife), violentada pelo padrasto e grávida de quatro mesesserá submetida a um aborto. O conselheiro tutelar apareceu na reportagem, com a cara mais limpa do mundo, para dizer que este aborto era “legal” e que “com certeza” a menina seria submetida a ele.

Eu havia lido a reportagem do Jornal do Commercio aqui, ontem. Impossível não fazer um paralelo com o caso da menina de Alagoinha, que faz pouco mais de um ano. Esta, tem um ano a mais de idade e um filho a menos no ventre: mas passou pelo mesmo drama e lhe está sendo imposta a mesma “solução” estúpida que adotaram ano passado: vão matar o seu filho. “Legalmente”.

Quatro meses! Ele já tem unhas e o seu coração  “bombeia cerca de 24 litros de sangue por dia”. Mais um mês e meio e ele já teria chances sobreviver a um parto prematuro, às 22 semanas, como existem exemplos. Por que os assassinos têm pressa? Ano passado, alegaram que a mãe corria risco de vida (o que era mentira, uma vez que risco imediato de vida ela nunca correu); e qual a alegação agora? Simplesmente a vitrola arranhada “é legal, é legal”?

Primeiro, não é legal. Não existe aborto legal no Brasil. Segundo, ainda que fosse legal… por qual motivo ele seria a melhor opção? Aliás, por que o aborto é sempre a primeira “solução” aventada, sempre às pressas, sempre com apelos emocionais, sempre às escondidas?

Mãe e filha não querem levar adiante a gravidez. “Vamos dar todo assistência à família para que elas decidam o que fazer. Como a menina foi vítima de violência, a legislação permite que seja realizado um aborto legal”, explicou o conselheiro tutelar.
Jornal do Commercio online, hoje (09/04/2010) pela manhã

Será que “mãe e filha” serão informadas das funestas conseqüências do aborto, dos riscos e traumas envolvidos? Ou serão “empurradas” para a solução “mais fácil”, para júbilo dos abortistas e vergonha desta Terra de Santa Cruz?

Passou-se um ano. Os gêmeos da menina de Alagoinha foram assassinados. E o que mudou? Enquanto a mídia anti-clerical esbraveja  “denúncias” de pedofilia no clero, a reportagem supracitada comenta, bem en passant, que, “[s]egundo dados, de 2008, da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente, pais, padrastos, tios e avôs estão entre os abusadores mais freqüentes. Esse grupo de parentes foi o responsável por 98% dos casos anotados naquele ano pela GPCA”. E o que é feito para reverter este quadro? Aparentemente, os defensores das crianças e os que sentem compaixão para com as tragédias infantis ficam já muito felizes e satisfeitos caso os filhos das menores violentadas possam ser assassinados em paz. Triste. Que a Virgem Santíssima interceda por Jaboatão dos Guararapes.

Ainda em defesa de Bento XVI

1. A exploração de escândalos, por Dom Cristiano Krapf. “Muitos falam da importância de construir a unidade dos cristãos.  (…) Para cuidar da unidade das igrejas, precisamos cuidar primeiro da unidade na Igreja. Tal unidade não se faz sem o Papa, muito menos contra o sucessor de Pedro que foi chamado pelo Senhor para ser o eixo de unidade.  Como é que uma igreja desunida vai cuidar da unidade das igrejas? Não é possível construir a unidade da Igreja em torno das teorias de teólogos como Küng e Boff e de exegetas que esvaziam o valor histórico dos evangelhos”.

2. A paixão do Papa Bento. Seis acusações, uma questão – por Sandro Magister. “As seis linhas de acusação contra Bento XVI só levantam uma questão. Por que este Papa está sob constante ataque, de fora da Igreja, mas também de dentro, apesar de sua inocência óbvia com respeito às acusações? O início da resposta é que ele está sistematicamente sob ataque justamente pelo que ele faz, pelo que ele diz, e pelo que ele é”.

Sobre espiritismo e catolicismo

Quero prestar a minha homenagem ao centenário do nascimento de Chico Xavier, transcrevendo algumas páginas de uma obra fundamental sobre o assunto: “Espiritismo – orientação para os católicos”, do frei Boaventura Kloppenburg. O texto é grande (quem tiver interesse, clique em “Leia o resto deste artigo”, abaixo, para lê-lo na íntegra), mas é muito rico de conteúdo.

Gostaria de transcrever, antes de tudo, algumas linhas que o bom franciscano coloca no prefácio da supracitada obra:

Não sou novato em matéria de espiritismo. Na década de 50 publiquei sobre a matéria livros, cadernos, folhetos e artigos sem conta. Era antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), quando defendíamos nossa fé cristã e nossa Santa Igreja contra os ataques de seus adversários. E entre eles estava evidentemente o espiritismo. Era a apologética. Meus escritos, então, estavam sem dúvida marcados pelo ânimo de defesa da fé, para a orientação dos católicos. De um dos meus folhetos (“Por que o católico não pode ser espírita”) chegamos atirar, em sucessivas edições de cem ou duzentos mil exemplares, mais de um milhão de cópias.

Veio então o Concílio com seu apelo ecumênico para o diálogo e a união. Dizia-se que o Vaticano II acabara de vez com a apologética. Em conseqüência e obediente, afastei-me da liça. Meus livros sobre a matéria não foram mais publicados. Os espíritas respiraram então à vontade. Mas, de fato, depois não houve nem diálogo nem muito menos união.

É por este motivo que julgo importante rasgar o véu do silêncio pernicioso, e do tácito pacto de “não-agressão” que, em última instância, é hipócrita. O espiritismo é uma falsa doutrina. Espiritismo e Catolicismo são mutuamente excludentes. Ninguém pode ser, ao mesmo tempo, católico e espírita.

Quem quiser adquirir o livro na íntegra, pode comprá-lo no Submarino clicando aqui.

E, sobre o mesmo assunto, vale a pena ler também

1. ‘Chico Xavier exalava amor’, diz padre de Uberaba.

P.S.: (04-jun-2010): Resposta do padre de Uberaba à falsa matéria de G1.

2. As fraudes de Chico Xavier.

* * *

4. ANÁLISE PSICOLÓGICA DE UMA MENSAGEM PSICOGRAFADA

Figuremos um fenômeno autêntico de psicografia, sem fraude nem simulação. Façamos mesmo a melhor suposição, do ponto de vista espírita: um médium, residente no Rio, sente repentinamente impulso estranho e involuntário na mão, pega de um lápis, coloca a mão e o lápis sobre uma folha de papel, a mão escreve nervosamente, sem que o médium tenha a menor idéia (é “médium mecânico”, segundo a terminologia de Kardec), e eis que aparece a seguinte mensagem: “Papai está doente. Alice”. – Mas o pai do médium mora em São Paulo e o médium ainda ontem recebera uma carta de casa informando que lá todos vão bem. “Alice” seria o nome do espírito “guia”. Imediatamente nosso médium pede uma ligação telefônica para São Paulo e de lá vem a informação clara e inegável: “Papai está doente”.

Eis o fenômeno. Kardec e seus seguidores o terão certamente como um bom e raro fenômeno espírita. Digo “raro” porque a grande maioria das mensagens psicografadas não traz nenhuma surpresa na mensagem; e também porque, segundo Kardec, os médiuns mecânicos são raros.

Tentemos agora uma serena análise psicológica deste fenômeno, de acordo com os conhecimentos de hoje. O fenômeno, como se vê, não é simples, mas complexo. Analisando-o e decompondo-o em suas partes constitutivas, teremos quatro elementos:

1. O movimento impulsivo e involuntário da mão do médium com o lápis;
2. a escrita inconsciente, mas inteligente, produzindo uma mensagem;
3. a mensagem surpreendente, com um conteúdo que o médium não podia conhecer;
4. o nome estranho que assina o recado.

Ora, não é difícil demonstrar, à luz dos atuais conhecimentos, que cada Um destes quatro elementos constitutivos está perfeitamente dentro do âmbito das potências e faculdades naturais da alma humana, sem precisar, para sua realização, do concurso de espíritos ou almas desencarnadas. Logo, também o seu conjunto, ou a conjunção dos quatro elementos num só fenômeno complexo, é natural ou, como diriam os espíritas, é “anímico” (segundo a terminologia não muito feliz de Aksakof e Bozzano). Para fazer esta demonstração basta recordar resumidamente o seguinte:

Continuar lendo Sobre espiritismo e catolicismo

Lamentáveis Equívocos – Côn. Vidigal

[Recebi por email do prof. Felipe Aquino e, como não encontrei disponível na internet, julguei por bem reproduzir aqui. É muito bom que a Igreja, no Brasil, esteja – enfim! – encontrando defensores. Que a Virgem Aparecida cuide da Terra de Santa Cruz.

Sobre o mesmo assunto, ler também:

1. Clima artificial de pânico moral

2. Imprensa x Igreja

3. Quando se confunde a árvore com a floresta… (não católico)]

LAMENTÁVEIS EQUÍVOCOS

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Quem nestes dias, com senso crítico, percorre a imprensa nacional e internacional fica estarrecido com os equívocos que são disseminados no que tange ao tsunami que, dizem, vem arrasando (sic) a Igreja Católica. De um lado, o desconhecimento das mais elementares normas da Lógica, ciência tão glorificada pelo inigualável filósofo grego Aristóteles que já ensinava que a conclusão não pode ir além das premissas.

De fato, frases de efeito são projetadas como esta: “A Igreja na Irlanda está desmoralizada”. Ainda que se dissesse que o Clero católico da Irlanda está comprometido haveria um erro, pois o certo seria dizer que uma parte do clero da Irlanda está maculada diante dos casos de pedofilia divulgados por Seca e Meca. De duas uma, ou seja, ou se ignoram as regras do bom raciocínio ou a intenção é mesmo satânica de denegrir uma Instituição que pelos séculos afora tem ostentado um número luminoso de sacerdotes e leigos impolutos que fazem a glória do gênero humano, epígonos de Cristo: luz para o mundo e sal para a terra..

Padres “construtores da justiça, da solidariedade e da paz, merecedores de credibilidade”, como bem se expressou D. Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte. Outra imprecisão é querer ligar a questão da pedofilia com o celibato, dado que, neste caso, se vende gato por lebre. É desconhecer o sentido mesmo das palavras e afirmar que entre todos os que se casam não há casos de pederastia e outros desvios sexuais. O problema do celibato é de foro interno da Igreja que nunca deixou de exigir que seus Seminários preparem do melhor modo possível os candidatos ao sacerdócio, excluído de plano qualquer seminarista que não ostente virtudes compatíveis ao ministério que aspira.

O sacerdote deve estar inteiramente dedicado à seara do Senhor e se torna o pai de uma família muito mais numerosa que são os fiéis a ele confiados. O número de pessoas casadas que, infelizmente, se divorciam e não cumprem com as promessas matrimoniais mostra às claras que a questão do celibato é sempre muito mal posta na mídia em geral. Anormalidades éticas sempre as haverá devido a inclinação do ser humano para o mal, fruto do pecado original, mas o que se esquece é que o equilíbrio moral, a santidade de vida, o ideal de  uma vida impoluta é uma realidade na maioria absoluta dos cristãos, mas os atos fulgurantes dos virtuosos nem sempre são objeto de reportagens, pois os sensacionalistas  estão a serviço dos escândalos.

Errar é humano, perseverar no erro é que se torna diabólico. Cumpre se lembrem as palavras de São Paulo a Timóteo: “Sabemos que a lei é boa, contanto que se faça dela uso legítimo e se tenha em conta que a lei não foi feita para o justo, mas para os transgressores e os rebeldes, para os ímpios e os pecadores, para os irreligiosos e os profanadores, para os que ultrajam pai e mãe, os homicidas, os impudicos, os infames, os traficantes de homens, os mentirosos, os perjuros e tudo o que se opõe à são doutrina e ao Evangelho glorioso de Deus bendito, que me foi confiado” (1 Tm 1, 8-11). Aqueles mesmos que, deturpando a Inquisição, chamam a Igreja de intransigente, desejariam que ela tomasse medidas radicais em qualquer caso de algum erro de algum eclesiástico.

Muitos olvidam que os dados austeros da estatística comprovam que 98% dos elementos do Clero cumprem fielmente os seus deveres numa operosidade admirável para o bem das almas e o progresso social. São sustentados pelas preces dos fiéis e por movimentos que trabalham pela santificação dos sacerdotes como, por exemplo, o Instituto Mater Christi que tem núcleos espalhados por inúmeras Paróquias regidas por párocos dedicados, edificadores de uma sociedade humana e justa. Mais do que nunca ressoam as palavras de Cristo o qual prometeu que jamais as portas do inferno prevalecerão contra sua Igreja (Mt 16,18)

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Buona Pasqua, Dolce Cristo in Terra!

Buona Pasqua, Padre Santo! Buona Pasqua, Dolce Cristo in terra! La Chiesa è con te!

Meu italiano não é bom o suficiente para que eu me arrisque a uma tradução completa do aúdio. Mas o vídeo é bem bonito, de modo que vale a pena vê-lo mesmo que não se entenda perfeitamente o italiano. Saiu também na VEJA.

Repito – é bonito o vídeo! O semblante cansado do Papa, as palavras ditas pelo cardeal, o sorriso do sucessor de Pedro quando ele se levanta, ao final, para cumprimentar o purpurado. “Nesta festa solene da Páscoa, a liturgia da Igreja nos convida a uma santa alegria” – começa o cardeal. E, naquela “histórica praça”, com o sol resplandecendo sobre “os nossos corações”, o cardeal Angelo Sodano chama o Papa de “sucessor de Pedro, Bispo de Roma, rocha indefectível da Santa Igreja de Cristo”, e diz que os cristãos lá estão reunidos para cantarem com ele “o aleluia da Fé e da Esperança cristãs”. Agradece pela “fortaleza de ânimo” e pela “coragem apostólica” com as quais o Papa anuncia o Evangelho de Cristo. Cita o Vaticano II – a Gaudium et Spes – e diz que toda a Igreja, por meio dele, deseja dizer-lhe “boa páscoa, amado Santo Padre. Boa Páscoa! A Igreja está com o senhor”.

“Com o senhor estamos os cardeais, seus colaborares na Cúria Romana. Com o senhor estão os irmãos bispos espalhados pelo mundo, que guiam as 3.000 circunscrições eclesiásticas do planeta. Estão particularmente com o senhor nestes dias os 400.000 sacerdotes que servem generosamente o povo de Deus, nas paróquias, nos oratórios, nas escolas, nas hospedarias, nas Forças Armadas e em numerosos outros ambientes, como os curas nas missões nas partes mais remotas do mundo. Padre Santo, está com o senhor o povo de Deus, que não se deixa impressionar com o burburinho [?] do momento”.

“No mundo haveis de ter tribulações” – lembra o Cardeal das palavras de Nosso Senhor – “mas, coragem! Eu venci o mundo!”; lembrança extremamente apropriada para o momento que hoje atravessa a Igreja. Bonito o gesto do cardeal Sodano. Faço minhas as suas palavras. Gostaria de também manifestar, publicamente, a minha completa adesão ao Vigário de Cristo.

“Santo Padre! (…) Nesta solenidade pascal, nós rezaremos pelo senhor, para que o Senhor, bom Pastor, continue a sustentá-lo na sua missão, a serviço da Igreja e do próprio mundo. Feliz Páscoa, Santo Padre! Feliz Páscoa, Doce Cristo na Terra! A Igreja está contigo!” Assim termina o purpurado. E nós, rezemos pelo Papa. Para que o Senhor o possa guardar e fortalecer, e lhe dar felicidade na terra, e não o entregar nas mãos de seus inimigos. Feliz Páscoa, Doce Cristo na terra!

Robinho – o intolerante?

A polêmica da vez no Twitter é sobre o Robinho. Ao que parece, o jogador recusou-se a participar de uma visita a um lar espírita para crianças deficientes, porque ele é protestante e “falaram que lá dentro [no “Lar Espírita”] estaria havendo um ritual religioso (espírita)”.

Eu sou católico e não tenho nenhum interesse em defender a religião do atacante do Santos. Mas tenho muito interesse em defender o direito de ir e vir dos cidadãos brasileiros, e tenho interesse em defender a liberdade religiosa – dentro de seus limites – do jogador de futebol protestante.

Instaurou-se uma verdadeira cortina de fumaça na internet. Robinho foi pintado como “intolerante”, como se a sua religião o proibisse de “alegrar crianças espíritas”, e o episódio foi pintado como sendo uma afronta “ao ser humano independente de religião”, et cetera, et cetera.

Comecemos com aquilo com o qual eu concordo. Concordo, sem dificuldades, que a repercussão do episódio foi lamentável – mas o problema, a meu ver, não foi a “intolerância religiosa” do jogador, mas sim – ao contrário – a sua excessiva tolerância. O problema de Robinho não está no fato dele ter sido “intolerante” e não ter querido descer do ônibus do Santos quando este chegou ao lar espírita, mas ao contrário: o problema foi que ele não foi intolerante quando deveria ter sido, e não teve peito de dizer, desde o começo, que não iria fazer esta visita.

Ninguém está obrigado a freqüentar centros espíritas, nem igrejas evangélicas, nem terreiros de macumba nem absolutamente nada. Ao saber que o elenco do Santos iria a um orfanato espírita, o jogador do Santos deveria ter tido a coragem de dizer que não iria. Até onde me conste, ele não era obrigado a acompanhar o resto dos jogadores nesta visita.

[O fato muda se – como a notícia deixa a possibilidade de entender – os jogadores haviam se programado somente para entrar no lar espírita, dizer “oi”, entregar brinquedos (ou o que seja) e sair; e, no entanto, quando lá chegaram, perceberam que estava havendo alguma espécie de culto espírita no ambiente, e por causa disso não quiseram entrar. Neste caso, a culpa do constrangimento é muito mais dos responsáveis pelo lar espírita do que dos jogadores protestantes do Santos.]

O que aconteceu, no entanto, foi que todos os paladinos internéticos da tolerância moderna armaram-se de mil pedras contra o jogador santista, como se ele fosse obrigado a entrar no lar espírita ainda que contra a sua consciência religiosa, ou como se não fazê-lo fosse uma espécie de intolerável preconceito e discriminação. Ora bolas, deixem o pobre do jogador do Santos em paz. Ele tem todo o direito de não querer, por motivos religiosos, tomar parte em um culto espírita. Ainda que não estivesse acontecendo um “culto espírita” no lugar, ele tem todo o direito de não querer associar a sua imagem a uma instituição espírita. Qual o problema com isso?

Por acaso os neo-paladinos da tolerância humanitária estariam obrigados a assistir a uma Vigília Pascal ao fim da qual fossem homenageadas crianças carentes? Ou, caso se negassem a encenar a Paixão de Cristo para alegrar crianças cristãs doentes, seriam uns cretinos sem sentimentos para com as pobres crianças que nada têm a ver com a (falta de) Fé deles? Se os “tolerantes” não pensariam duas vezes antes de afirmar o próprio direito de não tomarem parte em cerimônias nas quais não acreditam ou de não se fazerem presentes em lugares onde se professa uma crença da qual não comungam, qual o motivo do linchamento moral público do jogador do Santos? Hipocrisia, somente?

Repito: concedo, com muita facilidade, que houve em todo o episódio um grande constrangimento que poderia ter sido evitado. Mas o problema não está na “intolerância” nem no “preconceito” de Robinho. O problema não foi ele ter se negado a participar da “festa” no lar espírita, mas [no máximo] a maneira como isso foi feito – e a conseqüente repercussão negativa que isso teve. Critique-se, vá lá, o “jogo de cintura” do jogador ou a sua [falta de] habilidade política, mas não se critique a sua religião. Afinal, ainda não existe no país, nesta matéria, obrigação de agir contrariamente à própria consciência.