Os novos bárbaros e os crucifixos

Não sei por qual motivo os símbolos religiosos nas repartições públicas voltaram à pauta do dia. A recente sanha “isenta” e “tolerante” do Sakamoto exige que eles sejam lançados às fogueiras, denunciando um atraso de 120 anos e aludindo ao dogma da irreligião moderna para reivindicar o exílio imediato dos crucifixos dos prédios públicos.

Eu não sei se o pior é o non sequitur argumentativo (como bem apontou um amigo, algo que pertence às raízes históricas de um povo e não fere a dignidade humana deve, sim, ser preservado) ou a hipocrisia de fazer exatamente aquilo que critica (afinal, o que é a retirada de crucifixos senão exatamente «[a]s decisões de Estado serem tomadas por meia dúzia de iluminados»?!). Em todo caso, o artigo todo é pura fanfarronice vazia, que não traz um único dado novo ao debate: limita-se a i) pontificar os próprios dogmas; ii) insinuar que manter um crucifixo em um tribunal é a mesma coisa que escravizar um negro; iii) tomar partido justamente pelas paredes atéias vazias que meia dúzia de gatos-pingados pretensamente iluminados querem impôr à população brasileira majoritariamente católica; e iv) pretender ensinar o Padre-Nosso ao vigário (ou, no caso, exegese bíblica à Igreja Católica). E mais nada.

Eu creio já ter dito algures: no dia em que os ateus conseguirem construir alguma civilização que preste, eles que ostentem por lá as suas paredes vazias, suas estradas de concreto e suas bolas de golfe perdidas. Esta civilização aqui, contudo, foi construída pela Igreja Católica. Este país aqui é a Terra de Santa Cruz. Este mundo no qual vivemos é o que é graças ao Cristianismo; ou, nas iluminadas palavras recentes do Santo Padre, este mundo nasce «do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, a razão filosófica dos Gregos e o pensamento jurídico de Roma». É simplesmente inaceitável entregar o mundo aos bárbaros da nova religião sem Deus; Dawkins et caterva que infartem, mas isto não tem o menor cabimento.

Aliás, é uma histeria anacrônica: os intolerantes já perderam. Em março deste ano, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos já emitiu um parecer favorável à exibição de crucifixos nas escolas italianas (ver também a intervenção favorável de um judeu numa audiência sobre o assunto). E ele fez isso porque a decisão anterior foi recebida assim: simplemente multiplicaram-se os crucifixos por todas as cidades italianas! Os únicos que se incomodam com os crucifixos nos prédios públicos são os prosélitos do ateísmo. Ora, quais são as decisões unilaterais tomadas por meia dúzia de iluminados aqui? São as que mantêm as cruzes nos lugares que lhes pertencem por direito, ou são as dos bárbaros que as querem mandar arrancar?

Com a queda do Império Romano e as posteriores invasões bárbaras, a Europa foi lançada nas trevas. E, então, a Igreja Católica conseguiu preservar a ordem e construir, dos escombros de Roma, a civilização ocidental. Novos bárbaros (de cujas idéias o Sakamoto et caterva são os arautos) se lançam novamente – em hordas avassaladoras – sobre o mundo e o querem destruir; os bárbaros modernos vestem-se e discursam bem, têm o apoio dos meios de comunicação em massa e pretensamente falam em nome da civilização e do progresso.

Na verdade, os bárbaros modernos são muito piores do que os primeiros, e nos fazem lembrar aquela passagem bíblica sobre o demônio que, uma vez expulso, volta com sete outros demônios ainda piores para devastar a casa de onde saiu (cf. Mt 12, 43ss). A batalha é, portanto, difícil; mas a vitória pertence ao Senhor dos Exércitos, e a civilização e o bom senso vencerão uma vez mais a barbárie e a intolerância. Temos certeza de que as portas do Inferno não prevalecerão. A Igreja vencerá – mais uma vez. Porque os cartuxos estão certos, e stat crux, não importa o quanto volvitur orbis.

O mundo hoje chora o fruto de uma gravidez indesejada – Steve Jobs, R.I.P.

Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção.
(Steve Jobs aos formandos de Stanford)

Faleceu ontem. No entanto, poderia ter morrido 57 anos atrás, assassinado no ventre da sua mãe que não o queria. Poderia não ter sequer nascido. E então como seria o mundo agora…?

Será que Steve Jobs nasceria no “mundo dos sonhos” dos abortistas modernos? No mundo onde as mulheres têm o “direito” de “interromper” uma gravidez indesejada? Será que, neste mundo, os “direitos sexuais e reprodutivos” delas não privariam o mundo da inteligência do fundador da Apple? Aliás, quantos “Steves” o mundo já não perdeu por conta do egoísmo assassino de algumas mães? Se os “direitos” hoje reivindicados como “humanos” estivessem em vigor em 1955, é possível que Steve Jobs não viesse ao mundo.

Hoje o mundo chora a morte daquele que nasceu de uma gravidez indesejada. Quantas lágrimas seriam derramadas se ele tivesse sido abortado? Aliás, quantos choram os que são assassinados diariamente, às escondidas, sem que ninguém saiba ou se importe? Como seria o mundo de hoje, em um Universo Paralelo onde o aborto era legal na década de 1950?

Todos deveriam poder deixar saudades. Todos deveriam ter o direito de tentar fazer do mundo um lugar melhor. Todos deveriam ter a chance de fazer os outros chorarem. Todos têm direito a luto – e não podem ser descartados como lixo hospitalar, sem que façam nada, sem que ninguém os conheça. Hoje o mundo está mais triste porque houve um gênio que partiu. Mas este gênio um dia foi uma criança indesejada que poderia não ter nascido. Que, segundo a lógica de alguns, poderia ser “interrompido”.

Não ao aborto. Quando menos, porque nunca se sabe de quem se estará privando o mundo.

Steve Jobs, R. I. P.

Igreja Católica e Wikipedia: call for collaborators

Quer fazer alguma coisa simples e relevante? Colabore com o Projeto Catolicismo da Wikipedia. Trata-se de «um grupo dedicado a melhorar a cobertura da Wikipedia lusófona de tópicos relacionados com a Igreja Católica».

Isto é importante. A Wikipedia já foi (e, em certos aspectos, ainda é) muito ruim; mas é impossível negar a abrangência e a relevância que a famosa enciclopédia colaborativa possui na internet. E, se a ferramenta já está aí, é perfeitamente razoável trabalhar para que ela seja tão precisa quanto possível. Isto é sem dúvidas melhor do que dar livre trânsito à desinformação, sem fazer nada.

Ao contrário de antes, hoje a Wikipedia lusófona (aparentemente) já conta com um grupo sério de administradores. Não é mais a “terra de ninguém” que era no começo. É, portanto, possível ajudar.

Proposta concreta do dia: aqui. Trata-se da tradução deste artigo da Wikipedia em inglês. Ei-lo, em português, aqui: muita coisa já está feita. Ainda precisa, no entanto, de mais tradução e de revisão, de discussão e de mais informação. Aos que puderem dispôr de um pouco do seu tempo, não deixem de dar uma olhada (por rápida que seja). Sugestões são bem-vindas – pode ser aqui. A Nova Evangelização agradece.

A bênção que serve como confissão

Recebi o relato a seguir pela internet. Contou-mo uma pessoa idônea, que tinha um vôo para pegar num destes aeroportos do nosso Brasil. E mais importante que o relato – que, ainda se não fosse vero, seria benissimo trovato – é o que ele ilustra. Após a história, alguns rápidos comentários.

* * *

A fiel católica está no aeroporto um pouco apreensiva. Está prestes a pegar um vôo. Não conseguira se confessar antes da viagem, pois somente na véspera fora avisada de que precisaria viajar; temia que algum acidente aéreo a fizesse morrer sem confissão.

Angustiada, pára a fim de tomar um café. Neste instante, sentam-se três homens na mesa ao lado. Um deles é um bispo, outro um padre; o terceiro ela não consegue identificar. A senhorita dá graças a Deus; crê que a Virgem Maria lhe enviou um sacerdote a fim de que ela pudesse receber o Sacramento da Penitência e viajar tranqüilamente.

Espera que os homens se acomodem. Logo após, aproxima-se e os cumprimenta, expondo a sua situação:

– Sabe, eu estou viajando agora a trabalho e, por conta de alguns afazeres, pelo fato da viagem ter sido de última hora, não consegui me confessar. Gostaria de saber se um dos senhores pode me dar a absolvição.

O bispo olha para ela com estranheza e lhe pergunta, perplexo:

– Você quer uma confissão AQUI?!

Um pouco desconfortável, a senhorita diz que sim:

– Se for possível. Eu estou preocupada, e preciso de uma absolvição.

O bispo declina. Diz que não é possível fazer uma confissão ali no meio do aeroporto. A católica fica sem reação.

Neste momento o outro sacerdote se adianta. Dá uma piscadela para o bispo (como quem diz “deixa isso comigo”) e diz para a fiel:

– Eu te dou uma bênção que serve como confissão.

A senhorita quedou boquiaberta. No momento, não conseguiu fazer nada. Agradeceu – “muito obrigada, padre! Agradeço a intenção. Sua bênção!” – e se retirou. Ao dar as costas, começou a chorar. De tristeza. De vergonha. De preocupação, ao pensar nos fiéis que podem morrer e perder as suas almas sem que consigam se reconciliar com Deus.

Ainda pensou que o padre talvez quisera – com a melhor das boas intenções – dar-lhe uma bênção para a acalmar… no entanto, isto não justificava negar um sacramento. Isto não justificava “mentir por uma boa causa”. Seguiu em direção ao portão de embarque.

Pegou o vôo e, após uma viagem desconfortável, graças a Deus chegou ao seu destino.

* * *

Sério, o que é isso? Sacerdotes negando sacramentos? Mentindo e tentando passar “gato por lebre” a um fiel, propondo-lhe uma bênção quando ele lhe pede uma absolvição sacramental? Quase me lembro daquela passagem do Evangelho onde Nosso Senhor pergunta que pai daria uma pedra ao filho que lhe pede um pão. Desgraçadamente, parece que este pai existe – e é sacerdote do Todo-Poderoso…

Suponhamos que a católica em questão fosse um pouco mais ignorante. Suponhamos que ela aceitasse a tal “bênção” no lugar da Absolvição Sacramental. Em que situação lastimável ela não estaria, com pecados mortais não confessados e sem saber que os precisaria confessar?

Suponhamos mais! Suponhamos que o avião caísse – e que estivessem, no mesmo vôo, a católica, o padre e o bispo. Talvez Nosso Senhor tivesse misericórdia daquela que buscou confessar-se antes de morrer. Com que rigor, no entanto, o Justo Juiz não trataria os ministros Seus que se negaram a absolver os pecados de uma pecadora penitente que viera até eles?

Para quê, afinal de contas, algumas pessoas se fazem sacerdotes? Para quê se fazem ministros do Altíssimo, dispensadores das graças de Deus… se se recusam a administrar os sacramentos?  Sério, o que se passa pela cabeça dessas pessoas? Acaso não entendem que não existe lugar certo para que as almas precisem se reconciliar com Deus? Acaso não têm consciência de que eles, como médicos de almas, são infinitamente mais importantes do que os médicos dos corpos?

Que Deus tenha misericórdia de nós! E nos conceda santos sacerdotes. Porque às vezes nos deparamos com cada coisa que nem acreditamos. Nas quais até mesmo gostaríamos de não acreditar. Não deveria haver ministros assim na Igreja de Deus…! Mysterium Iniquitatis. Senhor, salvai-nos. Sem Vós, perecemos.

“Nós somos a Igreja: sejamo-lo!” – Bento XVI

Às vezes digo: São Paulo escreveu [que] “a Fé vem do ouvir” – não do ler. Tem também necessidade do ler mas vem da escuta, quer dizer, da palavra vivente, das palavras que os outros me dirigem e posso ouvir: das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra atual que Ela me dirige mediante os sacerdotes, os bispos, os irmãos e as irmãs. Faz parte da Fé o “tu” do próximo e faz parte da Fé o “nós”.

Precisamente, exercitarmo-nos neste suportarmo-nos uns aos outros é algo muito importante; aprender a acolher ao outro como outro em sua diferença, e aprender que ele me deve suportar em minha diferença, para convertermo-nos em um “nós”. A fim de que um dia na paróquia possamos formar uma comunidade, chamar as pessoas a entrarem na comunidade da Palavra e estarmos juntos caminhando em direção ao Deus vivente. Faz parte disso o “nós” muito concreto, como é o seminário, como será a paróquia, mas é também preciso olhar sempre para além do “nós” concreto e limitado até o grande “nós” da Igreja de todo o lugar e de todo o tempo, para não fazermos de nós o critério absoluto.

Quando dizemos “nós somos [a] Igreja”, sim, é verdade: somos nós, e não nenhuma outra pessoa. Mas este “nós” é mais amplo do que o grupo que o está dizendo. O “nós” é a comunidade inteira dos fiéis, de hoje e de todos os lugares e de todos os tempos. E eu digo sempre: na comunidade dos fiéis, sim, ali existe (por assim dizer) o juízo da maioria de fato, mas não pode haver jamais uma maioria contra os Apóstolos e contra os Santos: isto seria uma falsa maioria. Nós somos a Igreja: sejamo-lo! Sejamo-lo precisamente em abrirmo-nos, em irmos para além de nós mesmos e em sê-lo juntamente com os outros.

[…]

Nosso mundo atual é um mundo racionalista e condicionado pelo cientificismo, embora muito freqüentemente se trate de um cientificismo apenas aparente. Mas o espírito do cientificismo, do compreender, do explicar, do poder saber, do repúdio a tudo o que não é racional, é dominante no nosso tempo. Nisto também há algo grande, ainda que com freqüência se esconda detrás de muita presunção e insensatez. A fé não é um mundo paralelo do sentimento, ao qual nos permitimos aderir; na verdade, a Fé é o que abraça o todo, o que lhe dá sentido, interpreta-o e lhe dá também as diretrizes éticas interiores, a fim de que seja compreendido e vivido com vistas a Deus e a partir de Deus. Por isso é importante estar informados, comprender, ter a mente aberta, aprender. Naturalmente, dentro de vinte anos estarão em moda correntes filosóficas totalmente distintas das de hoje: quando penso no que entre nós era a maior moda filosófica e a mais moderna e, hoje, vejo como tudo já está esquecido… Não obstante,  não é inútil aprender estas coisas, porque nelas também há elementos duradouros. E sobretudo com isto nós aprendemos a julgar, a seguir mentalmente um pensamento – e a fazê-lo de modo crítico – e aprendemos a fazer com que, no pensar, a luz de Deus nos ilumine e não se apague.

Bento XVI,
Encontro com os seminaristas
na Capilla San Carlos Borromeo del Seminario de Friburgo

O triste fim do progressismo

Espetacular esta matéria que apresenta um relatório de um grupo anglicano conservador sobre as paróquias da Igreja Episcopal nos Estados Unidos (aqui em português, no Acarajé Conservador). De acordo com a manchete, uma em cada três paróquias episcopalianas desaparecerá dentro de cinco anos. O motivo? Simplesmente porque elas são doutrinariamente liberais.

«Os episcopalianos aprovaram tudo o que os “progressistas” exigiam e mais. Mas isso não atraiu fiéis. No século XVI, o anglicanismo aceitou o clero casado. Em 1930, aceitaram a anticoncepção. Em 1976, os episcopalianos aprovaram o clero feminino. Em 1989, ordenou-se a primeira bispa episcopaliana. Em 1994, proibiu toda terapia para deixar a homossexualidade. Em 2000, aceitou-se o sexo fora do matrimônio. Em 2003 ordenaram como bispo a Gene Robinson, um senhor divorciado, com dois filhos, que vivia «maritalmente» com outro homem (este ano 2011 deixou o cargo). Em 2006 o episcopalianismo admitia o matrimônio homossexual. Em 2010 presumia ordenar em Los Anjos uma bispa lésbica. Em 1 de janeiro de 2011 um bispo episcopaliano casava com pompa midiático a duas sacerdotisas lésbicas episcopalianas, uma delas a famosa militante pro-aborto, Katherine Ragsdale».

Isto não é novidade. O então cardeal Ratzinger já dizia (tenho quase certeza de que é n’O Sal da Terra, mas pode ser também no “A Fé em Crise?”) em resposta àqueles que vaticinavam o fim da Igreja caso Ela não Se abrisse ao mundo moderno: os protestantes já aceitaram tudo e, mesmo assim, continuam perdendo fiéis. É claro que o mundo moderno não pode ser conselheiro em questões espirituais, e é bastante evidente que os “sábios” deste século sem Fé não podem pretender dizer à Igreja de Cristo como Ela deve Se portar para manter o rebanho que Deus Lhe confiou. Na verdade, os que pedem que a Igreja Católica “adapte-Se” aos tempos modernos são exatamente os que querem que Ela desapareça. Como já aconteceu [e está acontecendo] com os protestantes.

As pessoas têm sede de Verdade, de Bondade, de Beleza – de Deus. As pessoas não desejam algo que já encontrem no mundo: no dia em que os católicos entenderem isso, então a Igreja passará a florescer de modo abundante. Houve tempos em que a mensagem do Evangelho podia contar com “concorrentes”, do paganismo pré-cristão ao catarismo medieval, etc. É impressionante que, hoje, alguns ainda se envergonhem de anunciar “de cima dos telhados” a Doutrina de Cristo – hoje, quando as pessoas são empurradas do ateísmo irracional e estéril para um progressismo relativista e, em última instância, também ateu! É um verdadeiro mysterium iniquitatis que muitos ainda hoje queiram fazer concessões ao mundo, quando já estão historicamente demonstrados os fins trágicos aos quais levam os (impossíveis) conluios do Evangelho com o mundo moderno.

A Igreja Católica cresce por atração – por aquela sobrenatural atração que Cristo dependurado no Madeiro da Cruz exerce sobre as almas honestas. Não há “concessão” que precise ser feita aqui. Não existe “especialista” sem Fé que possa ensinar à Igreja como pregar o Evangelho. Não há verdadeiro bem no mundo que se oponha ao que ensina a Esposa de Cristo.

Recife diz sim à vida!

A despeito da lacônica nota publicada no Diário de Pernambuco, hoje pela manhã Recife – uma vez mais – disse sim à vida. Foi a quinta edição da marcha arquidiocesena na Av. Boa Viagem. Onde, mais uma vez, tive a graça de estar presente.

O percurso – de um pouco antes do Castelinho até um pouco depois do Primeiro Jardim – é de aproximadamente 2km. Às nove da manhã, saíamos atrás do primeiro dos trios elétricos. No total, eram cinco. Músicas religiosas enchiam a orla; a avenida, estava tomada de paróquias e de movimentos, que atenderam ao chamado da Arquidiocese para clamar contra o aborto e em defesa da vida humana desde a concepção até a morte natural.

Lá pela metade do percurso, o secretário do sr. Arcebispo sobe em um dos trios. “Já somos mais de cem mil pessoas”, ele diz. A avenida aplaude. Entre músicas e orações, caminhávamos sob o sol quente. As camisas e as faixas identificavam a nossa luta – diziam o quê reivindicávamos. Jovens e velhos, pais e crianças, todos doávamos a nossa manhã de domingo para, com a nossa presença, defender os direitos daqueles que não podem se defender sozinhos. Dos mais indefesos entre os mais indefesos.

Éramos muitos – na verdade, somos muitos. E movimentos assim são importantes porque colocam as coisas em sua verdadeira perspectiva – e mostram ao mundo que, a despeito de serem os inimigos do gênero humano que possuem vez e voz, há uma multidão que ainda não enlouqueceu e ainda possui verdadeiros valores morais. Há pessoas que não aceitam a cantilena imoral dos meios de comunicação oficiais. E estas estão cada vez mais dispostas (graças a Deus!) a se fazerem ouvir.

Eis as fotos:

P.S.: A Folha de Pernambuco noticiou “mais de 50.000 pessoas”. E publicou uma bonita foto de primeira capa.

Dez dicas para jogar terra nas viagens do Papa

[Eu vou reproduzir na íntegra esta tradução do Oblatvs (aqui em espanhol, aqui no original italiano) – os colchetes são da lavra do reverendíssimo sacerdote – porque ela é genial. Lembra bastante esta outra piada daqui; é frustrante ver como o tempo passa, o tempo voa, mas o modus operandi da mídia anti-clerical continua o mesmo…]

OS PRINCÍPIOS EDITORIAIS SEGUIDOS POR TANTOS JORNALISTAS

1) Prepare escrupulosa e antecipadamente cada visita ou viagem apostólica de Bento XVI:

a) crie uma bela polêmica sobre os custos da viagem;

b) selecione acuradamente as possíveis temáticas (padres pedófilos, declínio de fiéis, desobediência dos bispos [exceto no Brasil, onde isto não existe!]; eventuais contrastes com Protestantes, Judeus e Muçulmanos);

c) faça de forma que a viagem seja precedida de uma crescente escalada de polêmicas. Eventualmente e no último minuto, finja estar chocado com o comportamento da mídia [se você quiser parecer “independente” e imparcial];

d) apresente a viagem como “a mais difícil do Pontificado”;

e) dê a máxima ressonância às manifestações de protesto que estão sendo organizadas. Inflacione as cifras que os organizadores lhe fornecem e insinue que os manifestantes serão mais numerosos que os fiéis;

f) avise aos seus leitores que as Missas e as Vigílias presididas pelo Papa Bento ficarão certamente desertas;

g) evidencie o fato de que o Papa Bento não conhece a realidade dos vários países que visita porque vive fechado no Vaticano (acariciando gatinhos, escrevendo livros e tocando piano);

h) entreviste sempre Hans Küng [no Brasil serve o genérico, Leonardo Boff], uma verdadeira garantia;

i) pergunte sempre ao Padre Lombardi se, durante a viagem, o Papa encontrará vítimas de padres pedófilos;

j) no dia do embarque do Papa, escreva um artigo absolutamente negativo sobre a viagem em que fique claro que ninguém está esperando o Papa e que ele será acolhido com a frieza do gelo siberiano;

k) se por acaso o Papa visita a Alemanha, não se esqueça de citar a famosa frase “Nemo propheta in patria”.

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Deus – uma hipótese desnecessária? – John C. Lennox

Deus – Uma Hipótese Desnecessária?

A ciência tem alcançado êxito impressionante na investigação do Universo físico e na elucidação de como ele funciona. A pesquisa científica também levou à erradicação de muitas doenças horríveis e nos deu esperanças de eliminar muitas outras. E a investigação científica alcançou outro efeito numa direção completamente diferente: ela serviu para libertar muita gente de medos supersticiosos. Por exemplo, ninguém precisa mais pensar que um eclipse da Lua é causado por algum demônio assustador, que necessita ser apaziguado. Por tudo isso e por inúmeras outras coisas devemos ser muito gratos.

Porém, em algumas áreas, o próprio sucesso da ciência tem também conduzido à ideia de que, por conseguirmos entender os mecanismos do Universo sem apelar para Deus, podemos concluir com segurança que nunca houve nenhum Deus que projetou e criou este Universo. Todavia, esse raciocínio segue uma falácia lógica comum, que podemos ilustrar como segue.

Tomemos um carro motorizado Ford. É concebível que alguém de uma parte remota do mundo que o visse pela primeira vez e nada soubesse sobre a engenharia moderna pudesse imaginar que existe um deus (o sr. Ford) dentro da máquina, fazendo-a funcionar. Essa pessoa também poderia imaginar que quando o motor funcionava suavemente o sr. Ford gostava dela, e quando ele se recusava a funcionar era porque o sr. Ford não gostava dela. É óbvio que, se em seguida a pessoa passasse a estudar engenharia e desmontasse o motor, ela descobriria que não existe nenhum sr. Ford dentro dele. Tampouco se exigiria muita inteligência da parte dela para ver que não é necessário introduzir o sr. Ford na explicação de funcionamento do motor. Sua compreensão dos princípios impessoais da combustão interna seria mais que suficiente para explicar como o motor funciona. Até aqui, tudo bem. Mas se a pessoa então decidisse que seu entendimento dos princípios do funcionamento do motor tornavam impossível sua crença na existência de um sr. Ford, que foi quem de fato projetou a máquina, isso seria evidentemente falso – na terminologia filosófica ela estaria cometendo um erro de categoria. Se nunca houvesse existido um sr. Ford para projetar os mecanismos, nenhum mecanismo existiria para que a pessoa entendesse.

John C. Lennox,
Por que a ciência não consegue enterrar Deus?
in Folha de São Paulo