“Reparai na vossa dignidade, sacerdotes!”

Esta eu li no Evangelho Quotidiano de hoje. É da carta de São Francisco de Assis a toda a Ordem. Trago somente os trechos que mais me comoveram:

Reparai na vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos porque Ele é santo (1P 1, 16) […] Grande miséria e miserável fraqueza se, tendo-O assim presente nas mãos, vos entreteis com qualquer outra coisa!

Que todo o homem tema, que o mundo inteiro trema, que o céu exulte quando Cristo, o Filho de Deus vivo, Se encontra sobre o altar, entre as mãos do sacerdote. Que grandeza admirável, que bondade extraordinária! Que humildade sublime! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, humilha-Se pela nossa salvação, a ponto de Se ocultar numa pequena hóstia de pão.

Reparai na vossa dignidade, sacerdotes! Quem o diz é São Francisco, o poverello de Assis. Que diferença entre o verdadeiro santo e o “hippie medieval” que muitas vezes nos apresentam! Lembrei-me agora de Genésio Boff que, recentemente, declarou-se “católico apostólico franciscano”. Que diferença gritante entre o santo de Assis e o herege da Teologia da Libertação! Inspira-te o franciscanismo, Genésio? Olha, então, para o que diz São Francisco, e repara na tua dignidade sacerdotal!

Como não seria diferente o mundo de hoje, se os sacerdotes do Deus Altíssimo seguissem o sábio conselho franciscano e reparassem na própria dignidade. “Que todo o homem tema” quando Cristo é elevado na Santa Missa. “Que o mundo inteiro trema” neste momento terrível. E que o Altíssimo, elevado na Cruz do Calvário – e elevado pelo sacerdote no sacrifício quotidiano da Missa – tenha piedade de nós todos. E nos conceda piedosos sacerdotes, que tenham consciência da própria dignidade, e que se esforcem para ser santos como o Pai dos Céus é santo.

Podcast V – Apostolado: como fazer?

Trago a quinta edição do Podcast do Deus lo Vult!, falando desta vez ainda sobre apostolados – mas com dicas concretas sobre as diferentes maneiras de se agir na família, na escola, na internet, na paróquia, etc.

Não se trata de nenhum compêndio doutrinário, mas simplesmente das minhas experiências particulares no assunto, baseando-me nas coisas que eu já fiz e deixei de fazer, e nas que eu observei outras pessoas fazerem. Tratem-nas desta maneira, sem lhes dar um peso maior do que elas de fato possuem. Naturalmente, aceito partilhas, enriquecimentos e contestações.

Sobre Santo Tomás de Aquino (e a sua história citada no programa), recomendo a biografia do santo escrita por Chesterton, que foi onde colhi o episódio pela primeira vez.

[podcast]https://www.deuslovult.org//wp-content/uploads/podcast/podcast-005-dicas-de-apostolado.mp3[/podcast]

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Vandalismo na Cidade Eterna

Escada Santa de Roma amanhece com pichações contra o papa. Na verdade, a julgar pelas fotos, não foi propriamente “a Escada Santa”, e sim a igreja na qual ela está abrigada. Em italiano, a agência ANSA.it traz mais informações (e mais fotos). Pego-me a pensar no que significa este ato de vandalismo.

Foto: ANSI.it

A Escada Santa é a escada do pretório de Pilatos, onde Nosso Senhor foi apresentado à multidão ensandecida – Ecce Homo! – e onde ela exigiu a Sua crucificação. Qual é o mal que este objeto histórico pode representar, a ponto de ser objeto de atos de agressão e de vandalismo, escapa-me à compreensão. A única explicação minimamente plausível que encontro, é que o ódio é dirigido não à escada em si, não ao que ela representa, e sim Àquela – a Igreja – que a venera e a tem guardado e preservado ao longo dos últimos séculos.

É contra a Igreja que se dirige a sanha vândala dos arautos da tolerância! Seria um curioso caso clínico de esquizofrenia ou distúrbio de personalidade múltipla, se não fosse um preocupante sintoma das contradições do nosso tempo. Por um lado, clama-se “tolerância, tolerância” o tempo inteiro. Por outro lado, tolera-se (e, em algumas casos, até aceita-se) o comportamento agressivo e discriminatório, caso o alvo da agressão e da discriminação seja a Igreja Católica. “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço” – parece ser o que clama o mundo moderno. Este parece ser o que reivindica para si o monopólio da perseguição, da agressão gratuita, da discriminação – e isto, de tal maneira que, se forem outros a realizarem tais atos (ou, pior ainda, qualquer coisa que seja interpretada como se tais atos fossem, ainda que não o sejam de verdade), são bárbaros e fanáticos; mas se forem os modernos e tolerantes que o façam, então são pessoas de bem exercendo a sua liberdade de expressão, ou protestando civilizadamente contra o que quer que seja, ou no pleno e lícito gozo do direito à expressão artística, ou o que seja. Aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei. Este é o mundo no qual vivemos. Domine, miserere nobis.

As desorientações pastorais e doutrinárias da CNBB

Mostraram-me que a CNBB havia divulgado orientações sobre as eleições. Para ser mais preciso, “[u]ma nota intitulada “Votar Bem” com dez orientações sobre a participação dos fiéis nas próximas eleições foi divulgada nesta quinta-feira, 1, pelos 50 bispos do Regional Sul 1 da CNBB (estado de São Paulo), que participaram da 73ª Assembleia dos Bispos do Regional”.

Fui ver a nota. Nada surpreendentemente, ela apresenta em sua virtual totalidade um tom esquerdizante e naturalista, apenas com alguns surtos (mínimos) de catolicidade – mas mesmo assim tíbios o bastante para serem, na melhor das hipóteses, inócuos. São, na verdade, desorientações. Mais confundem do que ajudam.

O exemplo mais claro disso que estou falando pode ser visto da seguinte maneira: é óbvio que a Igreja não tem (e nem pode ter) candidato político. Mas a Igreja pode e dever dizer quem NÃO é um candidato aceitável. Ora, nas citadas orientações, qual a única ocasião em que é dada uma orientação negativa? É justamente quando, no ponto 6, diz-se que “[c]andidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber nosso apoio nas eleições”.

Ou seja, segundo a Regional Sul 1 da CNBB, a única coisa que é inaceitável na política brasileira a ponto de merecer uma “desrecomendação” pública e expressa é… a má gestão dos recursos públicos! E o aborto? Quem apóia aborto pode receber o apoio dos católicos nas eleições? Na nota, isso não está dito com a ênfase necessária. Orienta-se apenas que se “veja” (sim, o verbo é esse mesmo!) “se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a segurança pública, a superação da violência, a justiça no campo, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até à morte natural”. Só no final de uma longa e enfadonha lista é feita menção ao aborto, e mesmo assim sem nem mesmo usar a palavra exata.

E o Gayzismo? Pode-se dar o voto a gayzistas? De novo, a nota não diz quase nada. Fala-se, muito genericamente, no “respeito à família”. “Ajude a promover, com seu voto, a proteção da família contra todas as ameaças à sua missão e identidade natural”. De novo, como na questão do aborto, não há a recomendação negativa que existe para a “má gestão dos recursos públicos”. Parece que, para a CNBB, a primeira e mais importante coisa que deve ser olhada é se o candidato possui “ficha limpa”. O resto, é plena discordância legítima. Votar em quem tem “histórico de (…) má gestão dos recursos públicos” é o único crime que não pode ser cometido, o único pecado cívico contra o Espírito Santo que não tem perdão. O resto, é coisa de pouca monta, é diversidade legítima. “Veja” se seu candidato é abortista, “ajude” a defender a família…

Sugiro que se catolicize este lixo naturalista emanado pela Conferência. Sim, católicos, votem apenas em quem possui a ficha limpa!

Seu candidato já foi terrorista? Ficha suja! Não vote nele! O seu candidato já desviou recursos públicos para a promoção da imoralidade na Parada da Vergonha Gay? Ficha suja! Má gestão dos recursos públicos! Não vote nele. O seu candidato já batalhou pela liberação do aborto no Brasil? Ficha suja! Não vote nele. Já autorizou o uso de dinheiro público para o assassinato de crianças inocentes? Ficha suja! Má gestão dos recursos públicos! Não vote nele!

Só assim os católicos poderão exercer de maneira consciente a sua cidadania. Senhores bispos, custa falar as coisas da maneira que o povo entenda?

* * *

Como se não bastasse a desorientação pastoral que consta na tal nota, a primeira frase que se lê nela é uma grosseira heresia. Em negrito e itálico, é dito que “o poder político emana do povo”, em frontal contradição à carta de São Paulo aos Romanos, onde o Apóstolo diz que “não há autoridade que não venha de Deus” (Rm 13, 1).

Esta tese liberal e revolucionária de que o poder emana do povo já foi expressamente condenada pela Igreja. Por exemplo, pelo Papa Leão XIII, na Encíclia Libertas (o texto é longo, mas vale a pena ser lido porque é profético):

17. E, com efeito, o que são os partidários do Naturalismo e do Racionalismo em filosofia, os fautores do Liberalismo o são na ordem moral e civil, pois que introduzem nos costumes e na prática da vida os princípios postos pelos partidários do Naturalismo. — Ora, o princípio de todo o racionalismo é a supremacia da razão humana, que, recusando a obediência devida à razão divina e eterna e pretendendo não depender senão de si mesma, se arvora em princípio supremo, fonte e juiz da verdade. Tal é a pretensão dos sectários do Liberalismo, de que Nós falamos: não há, na vida prática, nenhum poder divino ao qual se tenha de obedecer, mas cada um é para si sua própria lei. Daí procede essa moral que se chama independente, e que, sob a aparência da liberdade, afastando a vontade da observância dos preceitos divinos, conduz o homem a uma licença ilimitada.

É o que, finalmente, resulta disto, principalmente nas sociedades humanas, é fácil de ver; porque uma vez fixada essa convicção no espírito de que ninguém tem autoridade sobre o homem, a conseqüência é que a causa eficiente da comunidade civil e da sociedade deve ser procurada, não num princípio exterior ou superior ao homem, mas na livre vontade de cada um, e que o poder público dimana da multidão como sendo a sua primeira fonte; além disso, tal como a razão individual é para o indivíduo a única lei que regula a vida particular, a razão coletiva deve sê-lo para a coletividade na ordem dos negócios públicos; daí o poder pertence ao número, e as maiorias criam o direito e o dever.

Leão XIII, Libertas Praestantissimum, grifos meus

O que eu grifei, e que o Papa condena, é exatamente o que, com quase as mesmas palavras, a CNBB afirma hoje! Se fossem católicos ignorantes, poder-se-lhes-ia desculpar; mas os pastores da Igreja iniciando um documento com uma erro doutrinário crasso já condenado pelo Magistério há muito tempo, é demais. Exsurge, Domine! Quare obdormis?

Laranja madura na beira da estrada…

“Quais as cores da bandeira holandesa?” – perguntava eu antes do jogo começar. “Vermelho, azul e branco” – alguém me dizia. “E por que, então, o laranja?!” – perguntei, triunfante.

Nem misturando as cores dava o laranja! Mas alguém sabia a resposta. “Pelo mesmo motivo que a Itália, tendo a bandeira vermelha, branco e verde, é Azzurra” – disseram-me. E a resposta: “porque a cor da coroa holandesa era laranja, como a cor da coroa italiana era azul” [p.s.: ver a família de Orange, como bem lembrou aqui o João de Barros].

De todos os países que já tiveram algum dia uma monarquia, parece ser o Brasil o que menos se importa com as suas raízes históricas [p.s.: apesar de que – como lembrou o Glauco – o Brasil mantém o losango amarelo sobre o verde da Bandeira Imperial]. A Holanda mantém o laranja real. E os hereges protestantes (hoje quiçá o país onde o ateísmo lançou mais fortes raízes na Europa) eliminaram o maior país católico do mundo. Tristeza.

Fosse aqui, nos Guararapes, os hereges teriam sido mais uma vez expulsos, ad majorem Dei Gloriam. Mas o Brasil esqueceu-se de sua história, desgraçadamente. E não honrou a memória dos seus antepassados que deram o próprio sangue para que os holandeses voltassem para casa. Hoje, é a seleção brasileira que volta para casa. Sem ter chegado nem às Quatro maiores do mundo.

Brasil 1 x 2 Holanda. Não, não digo “valeu Brasil”, porque não seria sincero. Não valeu, Brasil. Lamentavelmente, não valeu.

Como (não) cantaria o sambista brasileiro: “laranja madura… na beira da estrada… não tá bichada, Zé, mas tem marimbondo no pé!” E os marimbondos – ou melhor, um só, que tem por nome Sneijder – acabaram com a festa brasileira. É triste. Mas é a vida.

Mas a vida continua. Avante! E, se o mundo não acabar antes, que venha 2014!

URGENTE! Manifestação à Embaixada da Espanha

[Dada a urgência do tema, divulgo – e peço ampla divulgação – conforme recebi por email e está disponível no Brasil Sem Aborto – inclusive com o texto original em espanhol que não tenho tempo de traduzir, mas imagino ser bastante compreensível. Importa que nos manifestemos contra a barbárie institucionalizada e que pretende obter legalidade. Assassinar crianças inocentes é errado, independente dos abusos cometidos por aqueles que detêm a autoridade humana sem atentar para o fato de que o Altíssimo há de lhes cobrar um dia pelo uso que dela fizeram.]

A criança não nascida está em grande risco na Espanha. Apesar das expressivas manifestações populares, que chegaram a levar milhões de pessoas às ruas de Madri , foi aprovada uma lei do aborto praticamente “a pedido”, incluída a autorização a que meninas de 16 anos abortem sem o conhecimento dos pais. Também se obriga as escolas de Medicina a que ensinem a se fazer o aborto, o que já levou diversas Universidades a se posicionarem, indicando que não cumprirão essa exigência.

Diante disso, os movimentos pró-vida espanhóis entraram com um recurso de inconstitucionalidade que deve ser julgado em 3 dias, antes da entrada em vigor da lei, marcada para a próxima semana. E estão pedindo apoio internacional. Diversos países marcaram vigílias.

A nossa opção está sendo a de fazermos uma manifestação virtual. Vamos todos escrever à Embaixada da Espanha, e espalhar pelas redes o nosso protesto, pedindo o respeito ao nascituro na Espanha.

E-mail: emb.brasilia@maec.es

Telefone e endereço podem ser vistos em http://www.maec.es/subwebs/Embajadas/Brasilia/es/home/Paginas/espaol_homebrasilia.aspx

Abaixo, em espanhol, a mensagem que está sendo divulgada pelo HazteOir:

Hoy el Tribunal Constitucional ha admitido a trámite los recursos de inconstitucionalidad presentados contra la Ley Aído. Congreso, Senado y Gobierno tienen un plazo de tres días para alegar a la petición de suspensión de la entrada en vigor de nueva Ley del Aborto planteada por el PP en su recurso de inconstitucionalidad contra esta norma.

¿Vas a permanecer sentado?

Ahora tienes tu oportunidad de hacerle ver al Tribunal Constitucional tu postura frente a esta terrible Ley. Parar esta masacre depende de tí.

El próximo fin de semana tienes una nueva cita con la causa del derecho a vivir en Extranjero. Se trata de una una Velada-concentración para pedir la suspensión cautelar de la entrada en vigor de la nueva ley del aborto.

Los datos de la/s convocatoria/s en Extranjero son los siguientes:

http://www.hazteoir.org/eventosprov/Extranjero

Como sabes, el próximo lunes 5 de julio es la funesta fecha en que está previsto que empiece a practicarse el aborto en España de forma indiscriminada, incluso por niñas de 16 años que no necesitarán el permiso de sus padres:

Más de 200.000 niños serán exterminados al año en nuestro país con la aplicación de la nueva ley.

550 niños al día, salvajemente eliminados.

22 niños cada hora.

Un niño cada tres minutos cuyo cerebro será aplastado con unas pinzas o sus pulmones serán ahogados con un suero a base de sal.
Serán abortados porque sí. Porque eran niños, en vez de niñas, o viceversa. Porque tenían un cromosoma de más o una dolencia cardiaca imprevista, o porque su nacimiento “no le viene bien” a alguien.

Los restos de esta generación de seres humanos serán arrojados a los contenedores de basura como vulgares deshechos clínicos. No tendrán un nombre, ni una sepultura.

No podrán crecer, soñar, amar, innovar, escribir obras maestras, tirar del carro en los momentos difíciles y disfrutar de los momentos de prosperidad.

Una sociedad que se aniquila a sí misma de esta forma merece un grito de protesta y una alternativa cívica clara y perseverante.
En tu manos están las vidas de miles de seres humanos.

Más de un millón de niños han sido exterminados por el aborto en España durante los últimos veinticinco años. Nadie, ningún gobernante, nos devolverá esta generación perdida. Nadie reparará el daño moral, incluso económico, causado por el exterminio violento y cruel de un millón de seres humanos.

Veinticinco años bastan, ¿no te parece?

Ven este este fin de semana a concentrarte para defender la vida de los que van a nacer y el derecho a ser madre.

Consulta la información sobre las convocatorias en Extranjero en este enlace:

http://www.hazteoir.org/eventosprov/Extranjero

Para seguir siendo humanos, hoy más que nunca, mójate con la causa de la Vida.

Maior estátua das Américas: Santa Rita de Cássia

Foto: Portal Uai

Que coisa fantástica! Cidade do RN inaugura estátua maior que o Cristo Redentor (Portal Uai). A cidade, que eu não conhecia, é Santa Cruz e fica a pouco mais de 100 km de Natal.

A imagem é de Santa Rita de Cássia, tem 56 metros de altura e uma cruz de dez metros na mão direita. É maior do que o Cristo Redentor e de que a Estátua da Liberdade. Fora anunciada há mais dois anos (G1), mas só agora no final de junho foi inaugurada. Santa Rita de Cássia, das causas impossíveis.

Segundo G1, a licitação foi promovida “pela prefeitura de Santa Cruz” e a obra teria originalmente “um investimento de mais de R$ 4 milhões”. Segundo o Portal Uai, foi “[c]om recursos do governo do estado e do Ministério do Turismo [que] a santa saiu do papel. Custou R$ 3.774.063,76”. E a obra passou ainda nove meses embargada, com o Ministério Público Estadual questionando “a relevância do projeto para o município”. No entanto, foi recentemente inaugurada. A ênfase é necessária: Santa Rita de Cássia, das causas impossíveis.

A Arquidiocese de Natal publicou uma nota no seu site. “O decreto de criação do Santuário de Santa Rita de Cássia foi assinado em 11 de outubro de 2009, por Dom Matias Patrício de Macêdo, no encerramento da visita pastoral à Paróquia de Santa Cruz”.

E Santa Rita de Cássia dá mostras do porquê de ser conhecida como a santa das causas impossíveis. Uma estátua maior do que a estátua da liberdade, em pleno interior do Nordeste, construída – ao arrepio do “Estado Laico” e para horror dos laicínicos de plantão – com recursos vindos do estado do Rio Grande do Norte e do Ministério do Turismo, a despeito dos protestos e da pressão realizada pelo Ministério Público Estadual! Ad majorem Dei Gloriam. O povo católico fica feliz, e o Deus Altíssimo é glorificado – publicamente – nos Seus santos.

Stultorum infinitus est numerus

Engraçados dois comentários que foram feitos aqui recentemente.

O primeiro, no “sobre mim” do blog, disse que “[q]ue Jesus nunca existiu já está mais que provado, e faz muito tempo”. O segundo, no post sobre a Lady Gaga, afirmou que (a confusão é no original) “analisando coerentemente, coisa que este site não exerce, GAGA e a IGREJA CATÒLICA usufruem das mesmas técnicas descritas por mim anteriormente para arrendarem mais fans, fiéis (…) com o único e terrível propósito econômico”.

Às vezes eu fico pensando de onde é que essa gente surge, o que é que têm na cabeça… Quando eu leio coisas assim, lembro-me daquele texto (de Nelson Rodrigues, se a memória não me trai), segundo o qual os idiotas que sempre ficaram calados hoje em dia se acham no direito de falar – e esse é um dos grandes problemas dos tempos modernos.

Em pleno século XXI o sujeito abrir a boca para dizer que Jesus “nunca existiu” e que isso já está “provado”, é de uma idiotice descomunal. E olhe que ele fala com a empáfia de quem está proclamando uma obviedade. Do mesmo modo, o outro sujeito colocar lado-a-lado a Lady Gaga e a Igreja Católica, dizendo que ambas procuram “mais fiéis” e têm por único “propósito [o] econômico”… tal afirmação absurda e disparatada, em outros tempos, seria facilmente recebida como a idiotice que é. No entanto, hoje os idiotas falam, e falam, e têm público que lhes dê crédito pelas bobagens que afirmam sem enrubescer! De onde veio tanta decadência? Como é possível que as pessoas maltratem tanto as palavras e o discurso, e tenham quem lhes apóie nesta degradante empreitada?

Não sei quem é que dizia que a inteligência é limitada, mas a idiotice não. A cada dia, multiplicam-se os exemplos que corroboram a tese. Mas as Escrituras já diziam que o número dos tolos é infinito: stultorum infinitus est numerus (Liber Ecclesiastes 1,15). O mundo de hoje dá eloqüente testemunho em favor das Sagradas Escrituras! Haveria mais crentes, caso esta prova da inspiração divina da Bíblia não fosse, aquela própria (i.e. o número infinito de idiotas), obstáculo à Fé…

Os “católicos tradicionais” e a Linz tupiniquim

Pediram-me para que eu comentasse sobre um artigo do Fratres in Unum, que leva por título “Linz é aqui!” e que mostra umas fotos de uma tal “missa-discoteca” ocorrida no Rio de Janeiro. E o referido pedido ainda foi feito de maneira provocativa, acusando-me de ser um “neo-conservad[o]r que gosta de criticar os católicos tradicionais”.

Em primeiro lugar, eu não “gosto” de criticar ninguém, nem muito menos os auto-intitulados “católicos tradicionais”. Gostaria muitíssimo, pelo contrário, de não precisar criticar ninguém (muito menos irmãos na Fé), porque os combates contra os meus pecados e meus defeitos, em busca do meu próprio aperfeiçoamento espiritual, já seriam batalha grandiosa o suficiente para toda uma vida cristã, por mais anos de vida que a Divina Providência me concedesse. Se por vezes preciso lançar críticas, é porque julgo em consciência que as mesmas são necessárias para fazer oposição aos erros que grassam na Igreja e no mundo, ao joio que conspurca o trigal do Senhor.

Em segundo lugar, não aceito o rótulo de “católicos tradicionais” em oposição a “neo-conservadores” ou ao que seja. Católico tradicional é por definição todo católico, é aquele que guarda a Tradição da Igreja. “Neo-conservador” não existe, é um rótulo sem sentido criado por alguns católicos para estigmatizar quem não cerra fileiras com eles e sua revolta descabida.

Em terceiro lugar, eu não critico – permitindo-me usar neste texto, para fins didáticos, dos rótulos com os quais não obstante, pelo acima exposto, eu não concordo – “os católicos tradicionais”. O que critico são alguns comportamentos deletérios que às vezes são encontrados em alguns católicos, como o de se julgarem os últimos baluartes do catolicismo contra a própria Igreja Católica, o resto de Israel que permanece de pé após a queda da Babilônia que eles identificam com a Sé de Roma. Ou seja, eu só os critico precisamente naquilo em que eles se afastam da Tradição que todo católico deve guardar. Fundar um “Magistério Paralelo” não é da Tradição, impugnar por conta própria um Concílio Ecumênico (contra as expressas e reiteradas declarações de sucessivos Papas) não é da Tradição, recusar-se à communicatio in sacris com a Igreja não é da Tradição, a livre-interpretação de textos do Magistério da Igreja (contra o sentido dado pela Santa Sé e também contra a lógica católica mais elementar) não é da Tradição, a militância pública e irreverente contra a Igreja não é da Tradição. É isto que eu critico, e não simpliciter “os católicos tradicionais”.

Em quarto lugar, a despeito de eu precisar, por vezes, fazer tais críticas, louvo e me uno aos “católicos tradicionais” naquilo que eles indiscutivelmente fazem de bom: na promoção do zelo litúrgico, na apologética contra não-católicos, no combate contra o laicismo militante, na defesa da moral cristã contra o relativismo dos dias de hoje, et cetera, et cetera. A lista é tão grande que nem vou me dar ao trabalho de citá-la inteira.

Por fim, após o longo e enfadonho – porém necessário – preâmbulo, vamos ao Rio de Janeiro e ao “Banquete do Cordeiro”. Não faço idéia de que evento seja esse e nem está claro, a partir das fotos do site, o quê aconteceu exatamente – se os fogos são durante a missa, se a pregação é uma homilia, se a dança é uma procissão de ofertório, em que momento(s) Dom Orani esteve presente, etc. Mesmo assim, as fotos que estão lá no site são escandalosas, na mais caridosa possível das hipóteses pela possibilidade de induzir os fiéis a julgarem que uma missa-discoteca foi celebrada sob o olhar complacente do Arcebispo do Rio de Janeiro.

A Santa Missa – não custa repetir – é o Sacrifício do Calvário tornado presente de forma incruenta sobre os nossos altares e, portanto, qualquer coisa que coopere para obscurecer esta verdade de Fé deve ser corajosa e enfaticamente rechaçada. Imagino que seja extremamente óbvio para qualquer pessoa que uma discoteca, fogos, jogos de luzes, danças e coisas do tipo não têm, absolutamente, nada a ver com uma cerimônia sacrifical na qual a morte do Filho de Deus em remissão dos nossos pecados se faz presente.

Isto, somado aos repetidos esforços por parte da Santa Sé para resgatar o decoro nas celebrações litúrgicas e condenar todo tipo de invencionice descabida, faz com que as fotos disponibilizadas na internet do tal “Banquete do Cordeiro” provoquem extrema perplexidade nos católicos que mantém um mínimo de senso de sagrado. Trata-se de um grave abuso completamente injustificado.

Contra semelhante profanação, vale a pena protestar – de maneira educada, naturalmente – junto à Arquidiocese do Rio de Janeiro, pedindo um esclarecimento para (ao menos) minimizar o escândalo e o mal-estar provocados pela divulgação pública das referidas imagens. E também aqui, para escrever à Regional Leste 1 da CNBB. E também aqui (email de Dom Orani) e aqui (da Cúria Arquidiocesana do Rio de Janeiro). Não suportamos mais tamanha falta de cuidado e de respeito com as coisas sagradas.

“O sacerdote, com quatro palavras, faz mais todos os dias, que se criara mil mundos” – pe. António Vieira

O perdoar pecados consiste formalmente em Deus ceder do jus e direito que sua justiça tem para os castigar, que é acto superior da sua misericórdia, parcendo maxime, et miserando: e como neste acto vence a misericórdia divina a justiça divina, também Deus se vence a si mesmo, que é «a maior vitória, a maior façanha do seu poder»: Omnipotentiam tuam maxime manifestas. Porém a do Filho de Deus em se consagrar ainda é maior, porque mais é poder-se fazer a si mesmo, que poder-se vencer; e isto é o que pode, e o que fez o Filho de Deus, sumo e eterno sacerdote, quando se consagrou no sacramento, porque realmente se tornou a fazer e reproduzir a si mesmo. Mas não parou aqui sua omnipotência e liberalidade, senão que este mesmo poder de o reproduzirem e fazerem a ele, comunicou aos sacerdotes, quando lhes disse: Hoc facite in meam commemorationem: «Isto mesmo que eu fiz, fazei vós». Expressamente S. Germano, venerado e alegado neste mesmo ponto pelos Padres gregos: Ipse dixit: hoc est corpus meum, hic est sanguis meus; ipse et apostolis jussit, et per illos universæ ecclesiæ hoc facere: hoc enim (ait) facite in meam commemorationem. Non sane id facere jussisset, nisi vim, hoc est, potestatem inducturus fuisset, ut id facere liceret. Ó poder quase incompreensível, e que só se pode admirar com o nome de estupendíssimo! Nos seis dias da criação, criou Deus com seis palavras todo este Mundo, e o sacerdote com quatro palavras faz mais todos os dias, que se criara mil mundos.

Declaremos bem este poder mal entendido, para que todos o entendam e pasmem. O lume da Igreja, St. Agostinho, exclama assim: O veneranda sacerdotum dignitas! in quorum manibus Dei Filius velut in utero virginis incarnatur!: «Ó dignidade veneranda dos sacerdotes, em cujas mãos o Filho de Deus, como no ventre sacratíssimo da Virgem Maria, torna outra vez a encarnar!» Em que consistiu a encarnação do Verbo Eterno? Consistiu na produção do corpo e alma de Cristo e na produção da união hipostática, com que a sagrada humanidade se uniu à subsistência do Verbo. E tudo isto faz o sacerdote com as palavras da consagração, produzindo outra vez, ou reproduzindo todo o mesmo Cristo. Na mesma conformidade falam S. João Crisóstomo, S. Gregório Papa, S. Pedro Damião, e o antiqüíssimo Teodoro Ancirano, famoso no Concílio Efesino. Mas porque cuidam alguns que semelhantes questões são mais debatidas e examinadas pelos teólogos modernos, quero também alegar as palavras de dois bem conhecidos na nossa idade. O P. Teófilo Rainaudo, tão perseguidor de opiniões, ou devoções pouco Sólidas, como se vê nos seus eruditíssimos livros contra Anomala pietatis, diz o que se segue: Sacerdos Christum sub accidentibus ponit, esse sacramentale illi conferendo per veram Christi productionem substantialem. E mais a baixo: Christus non producitur absque unione ad verbum, quia non est purus homo, sed suppositum ejus est Persona Filii: itaque in sacrificio Deus in manibus sacerdotum incarnatur. E noutro lugar: Quim etiam sacerdotis potestas extenditur ad efficiendam unionem hypostaticam, et transubstantionem panis, et vini. Não romanceio as palavras, porque são expressamente tudo o que tenho dito. E o P. Eusébio Neriemberg, varão de tanto espírito, erudição e letras, cujos livros todos trazem nas mãos, fazendo a mesma comparação, que eu já toquei, entre a criação do Mundo e consagração do corpo de Cristo, discorre e infere desta maneira: Mundum, et ea quæ in mundo sunt, produxit potentia Patris: sacerdotis vero potentia producit Filium Dei in sacramentum, et sacrificium, quo admirabilior potestas est sacerdotis transubstantiatione Filium Dei, quam creatione res perituras Dei Patris producentis. Quer dizer: «A potência do Eterno Padre produziu o Mundo, e  tudo o que há no mundo; a potência do sacerdote produz o Filho de Deus em sacramento e sacrifício; donde se segue que o poder do sacerdote, na transubstanciação do Filho de Deus, é muito mais admirável que a potência do Eterno Padre na criação de todas as cousas do Mundo, que hão-de acabar com ele.»

Padre Antonio Vieira,
Sermão de São Pedro