A Lei Natural e a Ignorância

Eu sempre achei muito complicado falar em “Ignorância Invencível” em se tratando da Lei Natural. Os exemplos são os mais variados possíveis: os sacrifícios humanos dos astecas, os homossexuais, os ateus e, agora os suicidas: descobri hoje que a Leila Lopes se matou para ir para junto de Deus.

Por um lado, é fato incontestável que o suicídio é pecado mortal. Por outro lado, é também incontestável que, para que haja pecado mortal, é necessário, além da matéria grave, pleno conhecimento e deliberado consentimento. Estes dois últimos aspectos são subjetivos; mas será que a subjetividade é absoluta? O fiel da balança fica sendo, então, em última instância, a (má) consciência do indivíduo?

Santo Tomás de Aquino ensina que a Lei Natural só é conhecida de todos os homens no tocante aos seus primeiros princípios universais (Summa I-IIae, q. 94, a. 4). Ensina também que as paixões podem obscurecer a razão (id. ibid, q. 77, a. 2), e que as paixões antecedentes ao pecado o atenuam (id. ibid, q. 77, a. 6). No entanto, o mesmo Santo Tomás diz (id. ibid., q. 77, a 8) que, quando o ato pecaminoso ou o consentimento deliberado é executado de maneira passional, isso não ocorre repentinamente, de modo que a razão deliberante pode fazer frente e, se não o faz, é pecado mortal…

Reconheço que é complicado, e reconheço que, às vezes, sentimo-nos tentados a escusar. Seja o ateu que teve uma péssima formação filosófica e religiosa, seja o homossexual que, desde a mais tenra infância, foi exposto à depravação até o seu senso moral ser destruído, seja um asteca que levava a sua religião tão a sério a ponto de oferecer, ao que ele julgava ser Deus, o que há de mais excelente na Criação: um outro ser humano. Ao mesmo tempo, no entanto… é possível postular este subjetivismo radical da culpa?

Eu não consigo mensurar a culpabilidade de alguns atos. Acho, porém, que não vale a pena fazê-lo: o que realmente interessa, na minha opinião, é estabelecer as matérias pecaminosas e combatê-las nos casos concretos, independente da culpabilidade dos pecadores. Afinal, sem sombra de dúvidas é possível que, quando houver matéria grave, haja também pecado mortal. E o risco de não dar a devida importância a uma alma que – pelo menos – possivelmente caminha a passos largos para o Inferno é grande demais para ser corrido em tranqüilidade de consciência.

A luz que refulge nas trevas

E a Luz refulgiu nas trevas. A luz da estrela, claro, que guiou os Reis Magos através da escura noite de inverno até o lugar onde Se encontrava o Recém-Nascido, e fez com que eles encontrassem o Deus Menino nos braços de Sua Mãe. Mas também – e mais importante – a Luz da Graça, derramada sobre a humanidade pecadora.

Dois mil anos passados. A Luz ainda brilha. E grande parte do mundo ainda está em Trevas, e – como daquela vez primeira – continua sem compreender a Luz que vem. Afinal, como compreender um Deus feito homem, um Infinito fazendo-Se limitado, um Eterno adentrando no Tempo? O Menino nos braços de Sua Mãe Santíssima é incompreensível para o mundo. Deus fazer-Se homem? E nascer de uma Mulher?

Os pastores ouviram do anjo o anúncio da Boa Nova. Os reis magos viram a Estrela no Céu e puseram-se a caminho do Salvador que havia nascido. Porque Ele nasceu pobre, mas nasceu para todos. Herodes não O encontrou porque era mau, e não porque era rico; os sábios do Oriente também eram ricos. Ofereceram ouro ao Menino, que era Rei, embora recém-nascido. E Sua Mãe Santíssima era Rainha. O Seu trono na terra era uma manjedoura, mas Ele estava também em Seu Trono no alto dos Céus. Em Belém, n’Aquele dia feliz, aquela manjedoura transformou-se no trono do Rei dos Céus e da Terra. E os reis magos puderam prostrar-se diante do Criador de tudo o que existe.

Portentoso mistério de Luz e de Graça! E tão incompreendido, até os dias de hoje. No burburinho do mundo de hoje, as pessoas não ouvem mais os anjos cantando gloria in excelsis Deo: é preciso o silêncio dos campos para escutar este cântico angelical. Encantadas com mil e uma futilidades passageiras, as pessoas não percebem a Estrela que cruza os céus indicando o nascimento do Messias: é preciso perscrutar o Céu com atenção para encontrá-la. Herodes não viu a Estrela nem ouviu os anjos cantando. Estava muito ocupado enquanto Deus descia à terra.

E perdeu o grande espetáculo do nascimento do Salvador, de uma Virgem dando à luz o Sol da Justiça em uma noite fria, do Senhor de todas as coisas guiando a história a partir do Seu trono em uma manjedoura, em Belém. Não compreendeu a Luz refulgindo nas Trevas, porque era Trevas e gostava das Trevas, porque a luz era odiosa aos seus olhos enfermos, e ele não queria ser curado. Quando o Altíssimo fez-Se homem para curar as nossas feridas, nós não quisemos ser curados.

E este é talvez o maior mistério do Natal: Deus vem salvar os homens e os homens não querem ser salvos. As estalagens de Belém não quiseram hospedar a Rainha, Herodes procurou matar o menino, a noite mais importante da história da humanidade passou despercebida por quase todos. Em breve, no Calvário, a história vai se repetir, e os homens vão preferir Barrabás a Nosso Senhor. Agora, no entanto, o Menino passa frio, e já começa a sofrer por nós, e nós sequer o percebemos.

Eu quero ser curado das minhas feridas, e isso eu não posso sem o Deus Menino. Não quero ser contado entre as Trevas que não compreenderam o refulgir da Luz que veio ao mundo para a salvação do mundo. Quero que o nascimento do Salvador seja motivo de grande alegria também para mim; quero ouvir o cântico jubiloso dos anjos e, seguindo a Estrela, quero prostrar-me diante do Deus que descansa nos braços de Sua Mãe Santíssima.

Porque é do ventre desta Mulher que o mundo recebe o Salvador do mundo, e é nos braços d’Ela que repousa o nosso Deus e nossa Salvação. Eu te saúdo, ó Virgem, cheia de graça, e te agradeço por seres o que és: a Virgem Fiel, a Escrava do Senhor, a Mãe de Deus. Não existe Natal sem o Menino Jesus, e não existe Menino Jesus sem a Sua Mãe Santíssima. Que Ela possa interceder por nós e, à semelhança d’Aquela noite feliz, possa fazer mais uma vez a Luz refulgir nas trevas, e possa trazer-nos de novo o Deus Menino.

Feliz Natal!

Foto: http://www.amigosdopresepio.org/napolitano.htm
Foto: http://www.amigosdopresepio.org/napolitano.htm

“Se, estando o sol no céu, não o suportamos durante o verão, que aconteceria se ele descesse à terra? (…) Se, estando outrora lá em cima, o Sol abrasava, o que não será agora que desceu e se colocou numa manjedoura, e passa frio… e, quanto mais frio passa, mais eu me aqueço; e quanto mais incômodos sofre, mais eu descanso; e quanto mais Te vejo padecer por mim, Senhor, mais acredito que me amas!…

Comecemos uma vida nova, porque o Menino a começa. (…) Serei o vosso companheiro, Senhor. Quero ir convosco, pois ides para resolver os meus problemas. Dou-Vos graças por terdes nascido. Dou-Vos graças por terdes preferido uma manjedoura”.

São João de Ávila, “O Mistério do Natal”, pp. 47-48
Ed. Quadrante, 2ª Edição
São Paulo, 1998

Um santo Natal para todos os que enriquecem este espaço com a sua presença, extensivo a todos os familiares e amigos, são os meus votos mais sinceros.

Gloria in Excelsis Deo!

Christus natus est!

A temperança e a situação de pecado

Durante o almoço natalino em família, após estarmos satisfeitos, sentamo-nos para descansar. Alguém ligou a televisão. Estava passando uma cena de uma novela da Globo – “Alma Gêmea”. Não sei o nome dos atores ou dos personagens, nem o contexto. Mas a cena era a seguinte:

Um casal recém-casado discutia. O marido dizia à mulher que ela o tinha enganado e que, por isso, ela não esperasse dele um bom marido. Lançando ao rosto da esposa as mentiras que ela havia contado para que conseguisse se casar com ele, o esposo dizia que não iria nem mesmo tocá-la, jamais, e se retirou para um quarto à parte, deixando-a sozinha.

A mulher não se conforma. Diz para si mesma que é linda, e que vai conseguir ter para si o homem amado. Sobe ao quarto do esposo, deixa cair o vestido, e pergunta ao marido se ele não é homem. Um instante terrível de hesitação. E então o marido, diante do corpo nu dela, afirma que é homem, sim, e que tem vontade de lançá-la à cama, mas que consegue se controlar. Passa por ela, impassível, entrega-lhe o vestido, diz para que se vista, e que saia.

Meu lado Poliana rejubila-se. Em uma novela da Globo, a força de vontade vence a tentação carnal. A temperança vence a luxúria. Um “não” resoluto e irrevogável vence o pecado. É possível resistir, é possível ter princípios mais nobres do que os impulsos sexuais: há uma alternativa ao comportamento meramente instintivo. Há humanidade.

Mas meu lado “não-Poliana” não fica satisfeito. Lembro-me de uma coisa que já li em algum lugar, sobre os cátaros: lembro-me que os líderes da seita, por serem “superiores”, vangloriavam-se de serem capazes de resistir às tentações e, para prová-lo, dormiam com belas moças sem as tocarem. O resultado era que outros cátaros, tentando imitar os seus líderes, faziam a mesma experiência e cediam à tentação durante a noite. Não eram “superiores” e o descobriam da pior maneira possível.

A castidade é virtude que se guarda protegendo-a, e não a pondo à prova. As situações de pecado, como sempre ensinou a Igreja, são para serem evitadas, e não enfrentadas. É admirável, sem dúvidas, o heroísmo dos que conseguem se manter impassíveis diante de uma tentação avassaladora. Mas este heroísmo é uma exceção, e não a regra. Que ninguém o pretenda possuir! Para que não aconteça de só descobrir que não consegue após não conseguir…

A Vigília dos Pastores – Nelson Rodrigues

Escrevo à noite. Vem na aragem noturna um cheiro de estrelas. E, súbito, eu descubro que estou fazendo a vigília dos pastores. Aí está o grande mistério. A vida do homem é essa vigília e nós somos eternamente os pastores. Não importa que o mundo esteja adormecido. O sonho faz quarto ao sono. E esse diáfano velório é toda a nossa vida. O homem vive e sobrevive porque espera o Messias. Neste momento, por toda a parte, onde quer que exista uma noite, lá estarão os pastores – na vigília docemente infinita. Uma noite, Ele virá. Com suas sandálias de silêncio entrará no quarto da nossa agonia. Entenderá nossa última lágrima de vida.

Nelson Rodrigues, em crônica natalina publicada n’O Globo da qual só encontrei, infelizmente, este pequeno excerto

Relíquias de Dom Bosco no Nordeste

Só divulgando: a urna que contém uma relíquia de Dom Bosco está no Brasil e estará em Recife no início do próximo ano. Há um site próprio sobre a relíquia descrevendo o seu itinerário; ela “fica no país até o dia 28 de fevereiro, quando segue para Caracas, capital da Venezuela”.

Conforme email que recebi, a programação preliminar para o itinerário das relíquias no nordeste segue abaixo:

JANEIRO de 2010

21, qui
05:00-xx:xx    Acolhida, em Salvador (BA)

22, sex
09:00-15:00    Aracaju (SE)
17:00-06:00    Penedo (SE)

23, sab
08:00-16:00    Maceió (AL)
18:00-04:00    Matriz de Camaragibe (AL)

24, dom
07:30-13:00    Lajedo-Imaculada (PE)
16:00-08:00    Jaboatão-cidade (PE)

25, seg
09:00-15:00    Jaboatão-Colônia (PE)
17:00-07:00    Abreu e Lima-Caetés (PE)

26, ter
08:00-13:00    Recife-Várzea (PE)
15:00-06:00    Carpina    (PE)

27, qua
08:00-14:00    Recife-Sagrado Coração (PE)
15:00-06:00    Recife-Bongi (PE)

28, qui
08:00-13:00    Gravatá (PE)
17:00-06:00    João Pessoa (PB)

29, sex
09:00-14:00    Natal-São José (RN)
15:00-05:00    Natal-Gramoré (RN)

30, sab
10:00-06:00    Areia Branca (RN)

31, dom
07:00-12:00    Mossoró (RN)
17:00-04:00    Cajazeiras (PB)

FEVEREIRO de 2010

01, seg
07:00-13:00    Juazeiro do Norte-Horto (CE)
14:00-05:00    Juazeiro-Santuário (CE)

02, ter
11:00-06:00    Petrolina (PE)

03, qua
06:00-18:00    Traslado – pernoite em Aracati (CE)

04, qui
06:00-13:00    Aracati (CE)
16:00-05:00    Baturité (CE)

05, sex
09:00-06:00    Fortaleza-Dom Lustosa (CE)

06, sab
07:00-10:00    Fortaleza-Catedral (CE)
11:00-xx:xx    Fortaleza-Piedade (CE)

07, dom
10:00-12:00    Despedida (Fortaleza-Piedade)
Traslado para Belém, via aérea

A propósito, a agência de informações salesiana diz que há um decreto concedendo uma indulgência plenária durante a peregrinação da Urna. Não o encontrei no site do Vaticano; alguém o tem?

Mais en passant: o ateu, o Natal, o aquecimento, a consciência

Ateu invade igreja e ofende cristãos. “A Justiça da Espanha condenou nesta sexta-feira um ateu a um ano e dez meses de cadeia por interromper um batizado no momento da oração do Credo. […] O Tribunal descarta a possibilidade de que o réu sofresse problemas mentais e a sentença não admite apelações”.

– Via Wagner Moura: o carteiro da judeia. Exemplar imaginário de um jornal da época do nascimento de Nosso Senhor. Os depoimentos do lado inferior esquerdo da página são impagáveis: o cético, o modernista, o cientificista.

– Reinaldo Azevedo sobre o aquecimento global. “Atenção! Londres não via nevasca igual desde 1895  — é, a maior em modestos 114 anos. A Costa Leste dos EUA está sob metros de neve. Os serviços entraram em colapso. Washington não teve a maior nevasca dos último 100, 200 ou 300 anos, não. Assistiu à MAIOR DE SUA HISTÓRIA. Obama teve de apressar a sua volta de Copenhague, onde foi debater o aquecimento global, por causa do excesso de… frio! Na Europa, o  clima já matou 50 pessoas em três dias; nos EUA, 8”.

– Não gosto do Olavo falando sobre moralidade e consciência; cheira-me relativista. Também não gosto muito das idéias malucas dele, totalmente contrárias à subsidiariedade mais básica, segundo as quais devemos deixar de lado os problemas pontuais para nos concentrarmos nos ataques ao conjunto. Mas ele está certo quando diz que a destruição do senso moral por meio do bombardeamento de contradições é deliberada. “Escândalos de adultério espoucam a toda hora na mesma mídia que advoga o abortismo, o sexo livre e o gayzismo. A contradição é tão óbvia e constante que nenhum aglomerado de curiosas coincidências poderia jamais explicá-la. Ela é uma opção política, a demolição planejada do discernimento moral”.

Curtas, no Brasil e no mundo

– Nos Estados Unidos, tentam “descristianizar” o Natal. O Wagner Moura comenta, baseado no boletim emitido pela Catholic League. Acho que já comentei aqui como era o Natal Nazista, quando tentaram a exata mesma coisa. Os ateus modernos e os nazistas da Segunda Guerra escolheram até o mesmo Solstício de inverno para colocar no lugar da natividade de Nosso Senhor. Será mera coincidência?

– Na Espanha, foi aprovada a pior lei possível do aborto. A Universidade de Navarra já está em desobediência civil, por ter dito claramente que não iria ensinar procedimentos abortivos em seus cursos de saúde. Há, na internet, uma carta enviada ao Rei da Espanha pedindo para que ele não sancione esta lei – assinem. Não sei quais os efeitos políticos práticos disso, mas importa ao menos fazer saber que somos contra este novo holocausto. Que São Tiago interceda pela sua Espanha.

– Na Itália, enfim, uma boa notícia: a lei do Tribunal Europeu de Direitos Humanos sobre os crucifixos não será reconhecida. O Tribunal Constitucional decidiu que os crucifixos não serão retirados dos prédios públicos. “En su sentenza número 311, el Tribunal Constitucional italiano dispuso que cuando las resoluciones del Tribunal Europeo de Derechos Humanos entran en conflicto con las disposiciones de la Constitución italiana, dichas resoluciones ‘son ilegítimas'”. Cristo venceu. Deo Gratias.

– No Brasil, o desgoverno petista dá mais desgosto: Governo defende liberar aborto. O 3º Programa Nacional de Direitos Humanos pede claramente que seja modificado o Código Penal para garantir a “descriminalização do aborto”. Como se não fosse o bastante, haverá também uma proposta para o “reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo”. O Brasil caminha cada vez mais para o fundo do poço. Que a Virgem Aparecida Se compadeça de nós.

O convento e o altar

Fundação Sarney aluga convento para festa sexy. A notícia é menos chocante do que parece à primeira vista, porque o convento em questão já não funciona como convento há anos; em 1990, ele foi doado pelo então governador do Maranhão à Fundação Sarney. É um prédio histórico no centro histórico de São Luís.

Sarney disse que não sabia nada sobre a festa. Li num comentário do Estadão que era, na verdade, uma festa à fantasia. O mais triste, no entanto, é a dessacralização, o que quer que tenha acontecido no Convento das Mercês.

Aliás, ela começou bem antes. O convento é de 1654. Não sei quando foi que ele fechou as portas; mas um convento vazio é um prédio triste. Mutatis mutandis, aqui em Recife temos muitas igrejas antigas com altares laterais belíssimos que não são mais utilizados: um altar sobre o qual não é oferecido o Santo Sacrifício da Missa é uma coisa muito triste.

Porque trata-se de algo que perdeu a sua finalidade. Se o sal perde o sabor, para mais nada serve senão para ser lançado fora. Se o convento perde as vocações, só serve para prédio histórico estéril (ou, pior ainda, para festas mundanas). Se o altar perde a Santa Missa, só serve para apoiar vasos de flores ou castiçais.

A perda de vocações é algo sintomático e preocupante. Não se dá de repente – como também não é do dia para a noite que o prédio se transforma, de convento, em salão de festas. O sal perde o sabor aos poucos… e, se não percebemos a tempo, o futuro é a festa realizada no prédio histórico.

Tarde demais…? Com o quê será restituído o sabor ao sal? Um sacerdote meu amigo disse-me outra vez que o seu sonho era “ressuscitar altares”, celebrando a Santa Missa nos altares das igrejas onde ela não é celebrada há muitos anos. É um belo sonho. Desejo-lhe muitas ressurreições. Porque, se aos homens é impossível reverter a crise que atravessa a Igreja, a Deus não é impossível. A Deus, nada é impossível.

Por meio da Santa Missa, nada é impossível. O convento e o altar têm muito em comum, ordenados que são ambos a Deus. Ressuscitar os altares é ressuscitar os conventos. Pedir ao Senhor da messe que mande operários é já antecipar os campos repletos de trabalhadores. Deus é fiel. A despeito de nossas infidelidades.

Rezemos ao Altíssimo. Peçamos vocações. Ofereçamos as nossas vidas em desagravo pelas dessacralizações, pelas festas nos antigos celeiros de almas consagradas, pelas flores murchas esquecidas nos altares onde Cristo era imolado. Ele é fiel. E não Se esquecerá do Seu povo. O sal há de recuperar o sabor. O convento e o altar voltarão a servir a Deus. Para a Sua maior glória.