Dies Irae

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 9 meses 22 dias atrás.

Hoje é dia de finados; rezemos pelas almas dos fiéis defuntos que padecem no Purgatório. A fim de que Deus Se compadeça delas e as conduza o quanto antes à Visão Beatífica pela qual anseiam.

Em português, há uma versão do Dies Irae na wikipedia. É uma seqüência belíssima, que bem vale ser meditada.

Et anime omnium fidelium defunctorum per misericordiam dei in pace requiescant. Amen.

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0 thoughts on “Dies Irae

  1. Antonio

    Caro Jorge,

    Essa foi uma das liturgias mais atacadas pela experimentação/fabricação litúrgica de Bugnini. Para tornar essa Missa mais condizente com o espírito do tempo e do mundo, a cor litúrgica passou a ser preferencialmente violeta, em lugar do preto quase milenar, que deveria estar aparentando pesado ou sério demais para o homem de hoje. O órgão — como também outros instrumentos! — tornou-se permitido ordinariamente, e não somente em casos de absoluta necessidade, para provavelmente tornar a Missa menos pesante aos ouvidos do homem moderno. A seqüência “Dies irae”, que professa uma combinação equilibradamente católica de justiça com misericórdia divinas, pareceu incompatível com o espírito “deus-é-amor” distorcido que precedeu imediatamente, moveu e principalmente sucedeu o Vaticano II. Um texto que é apreciado até por muitos hereges e ateus, como símbolo da grandeza da arte literária medieval, foi extirpado da liturgia de Fiéis Defuntos e deixado — vejam só! — como opcional na Liturgia das Horas, bem escondidinho. Uma bem tradicional inflexão no Agnus Dei (“dona eis réquiem”, no lugar de “miserére nobis”; e “dona eis réquiem sempitérnam”, no lugar de “dona nobis pacem”) foi ignorada, tornando a Missa Pro Defuncti reformada um pouco mais para os vivos do que para os mortos. Até mesmo a antífona do Intróito “Requiem”, que deu nome a essa Missa por quase 7 séculos, foi alterada (tanto o texto quanto o canto gregoriano) e colocada ao lado de uma série de alternativas, além de terem encharcado o Gradual com quase 3 dezenas de alternativas para o restante dessa Missa. E tudo acima é só para citar algumas modificações/inovações. Ninguém mais, hoje, portanto, em sede do Novus Ordo Missae, reza/canta a mesma Missa de Defuntos, mesmo que siga a risca o Missal — o que, por si, já tem sido raríssimo. Pode-se ver nesse exemplo cabal que o invencionismo modernista que perdurou e sucedeu a reforma de Bugnini não é mera extrapolação de padres moderninhos e criativos. Advém também do próprio material que, já viciado por uma sanha inovadora sem precedentes na história litúrgica da Igreja, incita outras criatividades de segunda, terceira, quarta e enésina ordens.

    Ano passado, tive a enorme graça de dar assistência ao canto dessa Missa, no rito gregoriano. Como se não bastasse esse ofício muito além do que mereço, foi-me uma experiência musical sem precedentes em toda minha vida.

    Cantaríamos nesse ano novamente a Missa (transferida para hoje, dia 3, no calendário litúrgico tradicional, em razão do choque com a prevalêncaia da liturgia dominical) não fosse a proibição oficiosa por parte do ordinário local de qualquer celebração de Missas Gregorianas públicas (como também qualquer outro sacramento) na forma extraordinária além da única Missa dominical na “paróquia-gueto” (desculpe o termo, mas é o que melhor descreve a situação local atual) que ele designou. A arquidiocese tem 2,5 milhões de habitantes, com uma única Missa pública tradicional por semana, não faltando interesse (frustrado) de fiéis aqui e acolá. Graças a Deus ainda temos essa Missa; não sei até quando Ele permitirá. Deus conceda forças e coragem a Bento XVI para enfrentar a matilha modernista e expedir de vez o tão anunciado e esperado documento interpretativo do Summorum Pontificum, que poderá diminuir as resistências de certos bispos à lícita e legítima aplicação do motu proprio.

    Desculpe-me pela dura argumentação e o tom de desabafo.

    Agora, mais na intenção que motivou a mensagem do blog, compartilho com vc e com todos o seguinte link para duas celebrações dessa Missa na forma extraordinária, a serem transmitidas ao vivo no decorrer do dia dessa segunda-feira:

    http://www.newliturgicalmovement.org/2008/11/solemn-requiem-usus-antiquior-on-ewtn.html

    Abraços, em Jesus e Maria,

    Antonio

  2. André Víctor

    Caríssimo Antônio,

    Muito bem colocadas suas palavras.

    Tenho um sonho e um ideal de lutar pela Sagrada Tradição da Santa Igreja de Cristo, em especial na Sagrada Liturgia.

    Compartilho todas as suas palavras. É inegável a diferença ESSENCIAL em que a Santa Missa de Sempre ou Gregoriana, deixa transparece o verdadeiro sentido do Sagrado, comparando-a a que os Padres ‘Moderninhos’ estão por aí Celebrando, até mesmo em desobediência a forma ordinária da Santa Missa.

    E juntamente com você, coloco minhas expectativas em nosso amado Papa Bento XVI, que em muitas ocasiões, já manifestou sua grande paixão pela Sagrada Liturgia.

    Continuemos, rezando e esperando.

    Até mais ‘ver’.

  3. sandra nunes

    No Mosteiro de São Bento, onde o Papa se hospedou, tem as missas Gregorianos. São maravilhosas.

    É o momento em que a Paz está, verdadeiramente, dentro de mim

    Mas eu sou suspeita, porque eu adoro a Santa Missa. Qualquer forma que seja realizada.

    Ano passado, na Sé a missa do dia 20 de novembro, foi toda em ritmo ( tambores) e vestimenta afro.

    Tinham padres e freiras africanos que cantavam louvores no dialeto deles.

    Todos os negros estavam, com roupas típicas das várias etnias africanas, onde a Igreja está presente. Foi emocionante.

    E o Espírito Santo, sempre esta presente.

    Que benção.

  4. Jorge Ferraz

    Caríssimos,

    Pretendo escrever qualquer dia desses algo contendo as minhas impressões sobre a Reforma Litúrgica. Adianto que, para mim, ela possui “três graus”: a Sacrossantum Concilium, o Novus Ordo Missae e a aplicação concreta nas nossas paróquias. Não dá para tratar tudo como se fosse uma coisa só.

    A utilização de “tambores” e de “vestimentas afro” no Santo Sacrifício da Missa é um tremendo abuso completamente injustificável. Este abuso “encaixa-se” no terceiro grau acima citado e, immo, é causa de inumeráveis males para a Igreja.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  5. Demerval Jr.

    Jorge,

    Aos três graus acima citados, acrescente outro, e escreva-nos, sobre a receptividade e reação do Povo a essas “novidades”. Parece-me que há cada vez mais um desejo e uma salutar busca de conscientização (e você é uma prova viva disso, louvado seja Deus!) sobre o sentido e o efeito da Liturgia como forma de aproximação sensível do Sagrado e sua efetiva transcendência, coisas estas que a atual forma de celebrar não mais nos oferece – ao menos em sua plenitude…

  6. Antonio

    Com relação ao link que publiquei, para aqueles que, como eu, perderam a exibição ao vivo, haverá uma reprise hoje às 21 horas (horário de Brasília), segundo o que consta na programação do link:

    http://www.ewtn.com/tv/NAAdv1108.asp

    Para sintonizar a TV (EWTN TV – English US):

    http://origin.ewtn.com/audiovideo/index.asp

    E para baixar o belo livreto litúrgico que a ETWN preparou:

    http://www.ewtn.com/liturgy/traditional/11-3-08Mass.pdf

    Para aqueles que preferirem, subi para um site de hospedagem o próprio bilíngüe latim/português em PDF, que usamos na paróquia fazendo par com o livreto do ordinário:

    http://www.sendspace.com/file/wly7dl

    Saudações,

    Antonio

  7. Antonio

    Sandra,

    Quanto me traz esperança em saber que lhe apraz os sentidos a Missa de S. Pio V do mosteiro beneditino. Vá lá sempre, e se não mudou o horário, a forma extraordinária da Missa, ou seja, a Missa Gregoriana, é celebrada às 18 horas dos domingos. Procure se inteirar a respeito do porque aquele rito tem e teve aquela forma e aquele conteúdo por tantos e tantos séculos, e incorporando ao longo desse tempo adequações e aprofundamentos lenta e suavemente. Não se deixe limitar apenas pela beleza que inunda os sentidos — o que já é uma enorme graça, senão também pela doutrina e sacrifício que são menos imperfeitamente renovados em sede daquele rito.

    Quanto à comparação com Missas afro e outras espécies de libertinagens litúrgicas extremadas, embora possa também lhe tocar os sentidos, lembre-se de que geralmente o erro não clama por exclusividade, mas apenas um espaço ao lado da Verdade. O ardil do demônio é grande o suficiente para saber que ninguém tomaria um copo de veneno puro numa taça assim rotulada. Seu cheiro, identificação e/ou gosto iriam provavelmente denunciar mais facilmente à vítima e/ou às pessoas que lhe cercam o mal que causaria (ou que já causou). Ao contrário, põe-se uma dose pequena e mortal junto a um líquido bem gostoso, apresentável e/ou viciante. É assim que muitas heresias e maus costumes se espalham. E se espalham de formas diferentes precisamente para pescar as pessoas em seus gostos diversos e tendências. Também com veículo, autoridade (falível) e/ou palavras que lhe dêem aparência ortodoxa, ficando somente nessa mesma e rasa aparência a semelhança com a Fé católica.

    A Fé católica é uma só; e analogamente a Igreja deve guardar uma unidade de culto. A título da tal inculturação, nunca deveriam ter sido toleradas mudanças de forma que induzissem, permitem ou mesmo carregassem, já em si, inflexões de fundo doutrinário.

    Saudações,

    Antonio

  8. Antonio

    Caro Jorge,

    Essas missas luba, afro e congêneres não surgiram com o Vaticano II. As diretrizes permissivistas (ingênuas? leia o “Reno se lança no Tibre”) da constituição litúrgica desse concílio e, mais ainda, o próprio espírito experimentalista praticado durante e depois do último concílio, e que em grande parte foi aprovado/cristalizado na letra da reforma litúrgica, “somente” deram muito mais força a esse movimento herético e demoníaco de sincretismo litúrgico e ritualístico. Ratzinger reconheceu em sua auto-biografia que o produto artificial, brusco e intelectualizado da reforma litúrgica de alguns poucos eruditos permitiu depois que outros viessem pensar (e praticar!) que a liturgia pode ser também produto de qualquer outra pessoa, incluindo eles. Imagine, então, aqueles que mesmo antes dessa permissão e mau exemplo, já se sentiam donos de seus ritos e Missas?

    Vc não precisa atacar esse alvo fácil (dos ritos sincréticos) para dizer que nem o concílio nem a reforma litúrgica prescreveram isso. Claro que esses mais graves não foram abertamente prescritos. Alguns dos erros pastorais mais grosseiros da reforma litúrgica foram precisamente suas omissões (a título de uma simplificação pouco prudente, pois muitas verdade de fé são melhor guardadas justamente na redundância e repetição da doutrina e da liturgia que as reforçam) e permissões, e não, por assim dizer, uma prescrição positiva do que se deveria fazer. Cabe lembrar que justamente aquelas poucas prescrições positivas e ortodoxas que a constituição hora ou outra reafirmou são as mais ignoradas. Não é a toa. Quando se legitima, ou mesmo se tolera, o erro e a indisciplina de outrora em direção ao mesmo patamar da Verdade e da correção, a história mostra que muitas vezes é só uma questão de tempo para que os praticantes dos primeiros pleiteem exclusividade e, de fato, coibam o certo que um dia foi assim entendido e praticado. Espero que tenha conseguido me fazer entender.

    Cordialmente,

    Antonio

  9. sandra nunes

    Antonio.
    Como você acha que a Missa é rezada na África?

    Eu acredito, que seja no idioma local e as pessoas vão com as vestes que usam no dia a dia (não sei o nome daquela roupa).

    Tem uma Missa numa Paróquia aqui que é toda cantada em ritmo sertanejo .

    Tem sanfona, viola e os chapelões pendurados nos “peões”

    Por que para você Padres e Freiras africanos, que vieram para o Brasil na comemoração do “dia da consciência negra”
    não podem cantar no idioma deles?

    A Missa foi idêntica, só que as músicas eram em ritmo africano.

    Ressalto, que a Missa foi celebrada pelo Cardeal Arcebispo de São Paulo

    Na Paróquia São Jose da Vila Zelina, tem missa em Lituano, tem outra que tem em Russo, outra italiano, na Liberdade tem em Japonês e assim vai de acordo com o colônia de imigrante de cada bairro.

  10. Antonio

    Ainda, a respeito da mutilação do rito de exéquias, transcrevo um excerto de um artigo do pe. Jesus Maria Mestre Roc, FSSPX em que comenta a obra-confissão de Bugnini em apologia à sua reforma litúrgica:

    http://www.permanencia.org.br/revista/atualidades/JesusMariaMestre.pdf (páginas 31 e 32)

    “…
    1. Reforma do ritual das exéquias:
    A reforma deste rito far-nos-á compreender bem a aplicação da nova teologia do “Mistério Pascal” à liturgia. Basta ler o que escreve Bugnini:

    “O ponto de partida foi o nº 81 da Constituição Litúrgica: “O rito das exéquias deve expressar mais claramente o sentido pascal da morte cristã…”

    “Comprovou-se que o Ordo exequiarum contribuiria para aumentar a compreensão do significado pascal da morte cristã”.

    “A Introdução [do rito] destaca o caráter da liturgia do funeral: CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO EM SEUS FIÉIS. Este foi uma das principais preocupações da revisão levada a cabo… eliminando aqueles [elementos] que refletem certa espiritualidade negativa de sabor medieval. Por isto foram suprimidos textos tão familiares, e inclusive amados, como o Libera me Domine, o Dies irae e outras orações que insistiam demasiadamente no juízo, no temor e na desesperação, substituindo-os por outros que indicam a esperança cristã e expressam mais eficazmente a fé na ressurreição.

    Estas mudanças expressam um vínculo mais estreito e orgânico das exéquias com a celebração eucarística no novo rito, a recuperação do canto do Aleluia, a substituição da cor negra por outra… e a indicação de COLOCAR JUNTO AO FÉRETRO O CÍRIO PASCAL”.

    “O resultado é um rico repertório que… permite fazer, com ocasião da morte, UMA VERDADEIRA CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO, cheia de esperança, atenta à dor dos vivos e solícita para uma catequese eficaz”.

    Neste rito se pretendeu insistir mais na celebração feita pela assembléia que no sufrágio pela alma do defunto, ao ponto que se prevê um rito nunca visto, o de:

    “exéquias de crianças, ainda que das falecidas sem batismo e que, no entanto, seus pais gostariam de ter batizado…”.

    Se o desejo de batizar uma criança é causa suficiente para reunir a assembléia em uma “celebração” emotiva, é porque modificou-se totalmente o significado das exéquias, a qual foi instituída pela tradição para pedir pelo sufrágio das almas que possam estar expiando suas faltas no Purgatório.

    Agora bem, uma alma não batizada não pode estar nele… Para Bugnini não importa; já nos disse: “A atenção se centraliza na assembléia reunida…”.

    Agora se substitui o responsório por uma despedida do defunto:

    “[A despedida do defunto] substitui a antiga “absolvição”. Não é um rito de purificação, mas uma verdadeira “valedictio”… Trata-se de um elemento ritual que tem suas origens no paganismo, porém, com raízes
    profundamente humanas…”.

    Chega a introduzir elementos de origem pagã para substituir os ritos veneráveis da Igreja, a fim de pôr em prática suas teorias heterodoxas!

  11. Roberto Elias Costa

    A Missa de S. Pio V, a Missa de sempre, Missa Tridentina, é a Missa verdadeira da Igreja. Rezada em latim. Era necessário que a liturgia para um Deus morto que ressuscita, fôsse rezada numa língua morta. Daí se percebe a sabedoria da Igreja, em eleger para a liturgia um idioma que não muda, ao contrário das línguas vivas. E língua universal, entendida por todos os fiéis. É liturgia universal, sempre a mesma, em todos os lugares. A mesma Missa, católica (=universal), para todos. Um católico que fôsse à Missa na Zâmbia ou no Chipre assistiria a mesma Missa rezada em Roma ou Paris. Mas isso foi antes do Concílio Vaticano II. Uma anedota irônica dizia que, antes do Concílio, na Missa só mudava o pão e o vinho; agora, depois do Concílio, tudo muda, menos o pão e o vinho…

  12. Jorge Ferraz

    Roberto,

    Muitas de suas expressões são inadequadas.

    Se a Missa de S. Pio V “é a Missa verdadeira”, quer dizer o quê, que a missa celebrada pelo Papa hoje é falsa? E a anedota, quer dizer o quê, que a missa celebrada pelo Papa hoje é inválida?

    Tais posições são insustentáveis por quem quer se pretender fiel à Barca de Pedro no meio da tempestade.

    En passant, dizer que “[u]m católico que fôsse à Missa na Zâmbia ou no Chipre assistiria a mesma Missa rezada em Roma ou Paris” é verdade, mas o senhor esqueceu de dizer que, se ele fosse um pouco mais “para lá” – mesmo antes do Vaticano II – e assistisse missa na Grécia ou na Rússia, na Arábia ou no Egito, ia assistir a um rito diferente e, no entanto, plenamente católico.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  13. Magdalia

    Não creio que o Elias tenha dito que a missa bugniniana seja inválida. O que ele disse é que a missa católica, missa de São Pio V, é a missa verdadeira. Como saberá, caro Jorge, uma coisa pode ser llegal sem ser legítima e, por conseguinte, pode também ser celebrada validamente sem ser a legítima, a autêntica, a verdadeira, missa católica.

    Foi nesse sentido, creio, que o Elias se terá manifestado.

    Aproveito a ocasião para lhe dar os parabéns pelo blog. Não concordo com grande parte do que aqui é dito mas noto que o Jorge, ao contrário de muitos que adoptam o seu mesmo estilo e posições, tem recta intenção e age de boa fé.

    Mater Ter admirabilis, ora pro nobis.

  14. Jorge Ferraz

    Magdalia,

    Como saberá, caro Jorge, uma coisa pode ser llegal sem ser legítima e, por conseguinte, pode também ser celebrada validamente sem ser a legítima, a autêntica, a verdadeira, missa católica.

    Ham? Esta frase está muito confusa.

    Defina, por favor, legalidade e legitimidade, mostrando porque à “missa de S. Pio V” (e somente a ela) pode ser aplicada a qualidade de “legítima”.

    Aproveito a ocasião para lhe dar os parabéns pelo blog. Não concordo com grande parte do que aqui é dito mas noto que o Jorge, ao contrário de muitos que adoptam o seu mesmo estilo e posições, tem recta intenção e age de boa fé.

    Obrigado.

    Só acrescentaria que, dentre todas as pessoas que eu conheço que compartilham comigo as mesmas posições e adotam um estilo semelhante, nenhuma delas tem intenções sórdidas ou age de má fé.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  15. Roberto Elias Costa

    A Missa de sempre é aquela legítima e verdadeira, bi-milenar, instituída por Nosso Senhor, rezada desde o início do Cristianismo, codificada por S. Pio V e definida no Concílio de Trento. Sua teologia é a doutrina católica, revelada por Deus e ensinada pelos primeiros Padres da Igreja, por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Ela é o perfeito, inequívoco sacrifício propiciatório, a repetição incruenta do Calvário. Seus frutos são magníficos e resplandecem na História. Já a “missa nova” foi montada por Bugnini e outros, inclusive pastores protestantes e tem raízes no protestantismo. Dom Marcel Lefebvre, com precisão a acoimava de “a missa de Lutero”. Sua teologia não é a doutrina católica, mas o modernismo. Não destaca o caráter sacrificial, mas o de mera refeição. Não enfatiza o suficiente a Divindade de Cristo, nem a Presença Real. Seus erros e equívocos são numerosos (vide “62 razões para não assistir a missa nova”, dos Padres de Campos). A lista de seus péssimos frutos é longa, destacando-se a imensa crise moral pós-Vaticano II, a deserção do clero, a falta de vocações, a confusão dos fiéis, as profanações, a descristianização do mundo….. Se alguns, apesar de considerarem-se católicos, entendem insustentáveis e inadequados tais fatos, é de se perguntar, se, sem o saber, já não são de fato modernistas, estando fora da Barca de Pedro, e inadvertidamente embarcados na canoa furada da “igreja conciliar”.

  16. Roberto Elias Costa

    A diversidade de ritos da Igreja não significa que nela existam missas essencialmente diferentes. Ao contrário, as missas dos demais ritos católicos, como o melquita, ambrosiano, ucraniano de São João Crisóstomo, etc., não são essencialmente diversas da Missa Tridentina. Na verdade, todas essas missas exprimem a mesma teologia, a teologia católica. Já a missa nova exprime teologia estranha, modernista, que se opõe ao catolicismo, e, portanto, é incompatível com a Missa de S. Pio V. e os demais ritos católicos.

  17. Nádia Duarte

    Paz e bem!
    Caro irmão, gostei muito do seu blog, é autêntico como a Igreja é, gostei da sua ponderação ao falar da RCC, e tal comportamento me deixou muito feliz, o fato de saber que ainda existe católicos autênticos, mas que olham as coisas com olhar subjetivo e até mesmo espiritual alegram o meu coração. Que Deus te abençoe, e dê ao seu coração cada dia mais misericórdia e firme em ti a eficácia da palavra e a defesa da fé e da doutrina sob o teto da Igreja do Deus Vivo!!!

  18. Jorge Ferraz

    Roberto,

    A Teologia da Missa é a mesmíssima desde Nosso Senhor, quer no Rito Romano codificado no Concílio de Trento, quer no Novus Ordo Missae promulgado por Paulo VI; é exatamente aquela que você apresentou. Os diversos ritos são expressões desta doutrina, necessariamente uns melhores, outros piores e nenhum perfeito, porque é impossível que os elementos sensíveis dos quais são compostos os ritos (palavras, gestos, paramentos, etc) alcancem a perfeição – esta encontra-se no invisível que está “por trás” dos elementos sensíveis, e não nestes em si.

    Dizer que o Novus Ordo tem uma teologia oposta à teologia católica é dizer que a Igreja (praticamente) inteira – o Papa incluso – está oferecendo a Nosso Senhor uma coisa diferente (e até mesmo oposta) do (ao) Sacrifício do Calvário, e que portanto as Portas do Inferno prevaleceram sobre a Igreja, o que é contrário à promessa de Nosso Senhor.

    Tal posição é obviamente insustentável. As críticas à Reforma Litúrgica (que julgo necessárias) não podem enveredar por este caminho.

    Abraços,
    Jorge

  19. Magdalia

    Caro Jorge,
    você me pergunta qual a diferença entre legal e legítimo? Foi isso mesmo ou li mal?

    Usemos um exemplo bem simples, para ver se me percebe bem. No meu país (Portugal), o aborto é legal. Infelizmente, foi aprovado por uma lei iníqua, logo imoral, como sabemos. Ora assim sendo, diga-me vc Jorge, o aborto é legítimo, ainda que seja legal?

    A promulgação do Novus Ordo Missae nem sequer seguiu os trâmites correctos da legalidade. Isso está plasmado em trabalhos bastante sérios, basta pesquisar no site permanência. Contudo, ainda que a sua promulgação fosse inteiramente conforme aos pressupostos legais, não seria legítima porque perigosa para a fé e artificialmente fabricada. Não se tratou de uma codificação, mas de uma criação, de um invento, de algo completamente novo (palavras do maçon que a criou, Bugnini).

    O mal que os conservadores, mesmo os sérios, fazem às almas…

    In Iesu et Maria.

  20. Jorge Ferraz

    Caríssima Magdalia,

    Pedi a diferença entre “legalidade” e “legitimidade”, obviamente, dentro da terminologia eclesiástica. De preferência com as referências, por favor.

    Aplicando o teu “exemplo bem simples”, substituindo “aborto” por “Missa Nova”, chegaríamos à conclusão de que a Missa Nova é intrinsecamente má, é imoral e é pecaminosa. Como a senhora pareceu dizer que ela não era inválida mais acima, suponho que seja outra coisa que a senhora esteja tentando dizer.

    Abraços,
    Jorge