O respeito devido a Deus

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 8 meses 28 dias atrás.

Um grande amigo meu, o Gustavo Souza, que já é provavelmente conhecido de alguns por ter alguns textos aqui publicados e por ter o seu blog relacionado na coluna lateral do Deus lo Vult, escreveu há algum tempo um interessante texto sobre o respeito ao ser humano, a cuja leitura eu remeto. Gostaria de seguir os passos do meu conterrâneo e tecer mais algumas considerações sobre o assunto, já que o mesmo aparenta ser bastante mal compreendido nos nossos dias. Mas começo sob uma outra perspectiva: pretendo falar primeiramente um pouco sobre o respeito a Deus.

Inicio com um parágrafo do Catecismo da Igreja Católica:

Feito membro da Igreja, o baptizado já não se pertence a si próprio mas Aquele que morreu e ressuscitou por nós. A partir daí, é chamado a submeter-se aos outros, a servi-los na comunhão da Igreja, a ser «obediente e dócil» aos chefes da Igreja e a considerá-los com respeito e afeição. Assim como o Baptismo é fonte de responsabilidade e deveres, assim também o baptizado goza de direitos no seio da Igreja: direito a receber os sacramentos, a ser alimentado com a Palavra de Deus e a ser apoiado com outras ajudas espirituais da Igreja.
[CIC 1269]

Saliento a seguinte frase: o Batismo é fonte de responsabilidade e deveres. Já manifestei aqui por diversas vezes o meu mais veemente descontentamento para com os “católicos de IBGE”, “católicos self-service”, “Católicos com Doutrina Diferente da Igreja” (CDDI’s – excelente contributo de um leitor no espaço de comments!) e outras espécies estranhas que, infelizmente, pululam como micróbios em água suja nos nossos dias. Por que essas pessoas são fontes de escândalo e provocam justa indignação naqueles que se esforçam para serem católicos fiéis? Oras, porque elas esvaziam o catolicismo daquilo que lhe é fundamental e apresentam ao mundo, com a sua vida, uma caricatura do Evangelho, uma deformação da Igreja Católica.

Para ser católico não é suficiente dizer-se católico. O Batismo não é uma mera cerimônia social. É – nos dizeres do Catecismo – fonte de responsabilidades e deveres. “Católicos” que não levam a sua vida de acordo com as exigências do seu Batismo são péssimos católicos, são traidores das promessas que fizeram um dia (ou que fizeram por eles, mas eles aceitaram livremente depois), são anti-evangelizadores na medida em que impedem a Igreja Católica de ser conhecida na plenitude de Seu esplendor de Esposa de Cristo sem ruga e sem mácula. Disse o Apóstolo que de Deus não se zomba (cf. Gl 6, 7); os católicos que não querem assumir as “responsabilidades e deveres” decorrentes do seu Batismo e se insistem em se dizer católicos mesmo assim estão faltando ao respeito devido ao Deus Todo-Poderoso.

Devemos respeito a Deus – eis uma verdade tão óbvia quanto negligenciada nos nossos dias! O “temor de Deus”, este dom do Espírito Santo tão esquecido, é o princípio da sabedoria (cf. Pr 1, 7) e é o dom “que nos faz reverenciar a Deus, e ter receio de ofender a sua Divina Majestade, e que nos afasta do mal, incitando-nos ao bem” (Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, q. 921). Enquanto estas coisas não forem devidamente relembradas, dificilmente haverá respeito a Deus.

Hoje em dia “temor” é uma palavra à qual está associada um rótulo odioso, capaz de evocar imagens obscurantistas das quais queremos nos emancipar. Ninguém quer ter medo; dizem-nos que isto é coisa de crianças, e que foi usado como instrumento de dominação pela Igreja Católica, e outras besteiras mais. Dizem-nos ainda que Deus é um amigo ao qual devemos amar e não temer; dizem até que “temor” é para ser traduzido por “ter amor”… é verdade que Deus é nosso amigo a quem devemos amar, e é sem dúvidas verdade que devemos ter amor a Deus. Mas dizer somente isso não é dizer toda a verdade, porque Deus também é a Majestade Suprema infinitamente digna de respeito e veneração. Deus é Pai, mas também é Deus; as duas coisas não são de modo algum excludentes. Precisamos respeitar a Deus (como, aliás, precisamos respeitar os nossos pais – o respeito aos pais está radicado justamente no temor de Deus, como diz o Catecismo (cf. CIC 2217)), precisamos reverenciá-Lo, precisamos ter receio de O ofender. Isso não é um medo irracional nem uma fonte de traumas e frustrações; é, ao contrário, o princípio da Sabedoria.

Respeitar a Deus é também respeitar a Igreja, respeitar os compromissos assumidos no Batismo; respeitar a Deus é esforçar-se para ser, tanto quanto possível, um católico bom e fiel. E, aqui, nós chegamos no respeito ao próximo, que pode ser visto como um caso particular do respeito devido a Deus. A caridade – que nos manda amar ao próximo como a nós mesmos – leva-nos naturalmente a respeitar ao próximo, por amor a Deus (claro, dentro dos limites do que é verdadeiramente respeito, que o Gustavo sinalizou muito bem no texto acima linkado). É por isso que todos os problemas do mundo se resolvem com a Doutrina Católica, e é por isso que são descabidas as críticas daqueles que julgam ser “farisaísmo” (ou coisa parecida) a importância dada àquilo que a Igreja ensina. O conhecimento e a prática do Evangelho de Jesus Cristo são o único caminho seguro para a verdadeira paz nesta terra, são a única resposta às inquietudes dos seres humanos, são a única força capaz de transformar o mundo.

Spiritus sancti timoris,
miserere nobis!

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0 thoughts on “O respeito devido a Deus

  1. André Víctor

    Caríssimo Jorge!!

    “… todos os problemas do mundo se resolvem com a Doutrina Católica,…”

    Excelente!!! Não sei como transcrever o som de aplausos para o texto, mas se o soubesse, pode ter certeza de que ocuparia um bom espaço neste meu comentário.

    Que bom seria que todos pudessem se esvaziar dos orgulhos e humildemente, com o coração livre e desimpedido pudessem refletir a fundo esta afirmação que destaco acima.

    Foi exatamente esta a ‘boa nova’ que eu me deparei e que foi, sem sombra de dúvidas, o início de minha conversão. Até então, eu buscava um sentido para a vida e o mundo, e o que eu encontrava era muito supérfluo e barato demais, para não dizer mesmo ineficaz.

    Como vejo os ditos ‘católicos’ mancharem esta Sã Doutrina da Santa Igreja Católica. Prova-se mais uma vez na história de que, somente pela Graça Divina sua Santa Igreja ainda permanece no mundo, pois pelos testemunhos de tantos que se dizem seus filhos, é que o mundo está como está.

    Complementando um pouco, se é que se pode complementar texto tão bem elucidado,… podemos sim dizer que aquele que se diz Católico (conseqüentemente um Cristão) e não o vive e não manifesta um testemunho condizente a este ‘nome’ em sua vida, de certa forma está sim ofendendo a Deus em seu segundo mandamento que é “Não tomar seu santo nome em vão”.

    Estive um pouco ausente por estes dias, e por isso não participei de nenhum comentário recentemente, mas pude por uma visão superficial que dei em alguns dos últimos comentários, perceber que nossa amada Sandra Nunes continua sim, na obscuridade de suas idéias contrárias a Sã Doutrina. E com isso, quero aproveitar aqui e dizer para ela que espero muito mesmo (ao menos eu), que ela possa refletir sobre este texto (e especificamente na afirmação acima destacada), mas com um coração desapegado a todo e qualquer sentimento de orgulho… mas ao contrário, com uma simples humildade de coração, e com isso chegar a perceber o que tantos aqui já perceberam e que agora lutam para que mais e mais pessoas possam também se comprazer com toda esta Esperança que nos impulsiona para algo mais que uma vida terrena e passageira, e sim a uma verdadeira vida e vida em abundância.

    Que Deus, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, possa nos cumular de todas as Graças necessárias para percebermos mais e mais que é Só com Jesus Cristo este mundo tem solução.

    Abraços e até mais ‘ver’.

    André Víctor

  2. luh lena

    Concordo com o André. Mas “os trabalhos do mundo” tentam cada vez mais convencer os católicos de que há o modo de se comportar no mundo e de se comportar na igreja… a Igreja a gente tem de viver na nossa vida, não dá pra separar o espírito do corpo, a fé do intelecto. Não podemos deixar que essas tentações nos comovam a ponto de modificar as nossas ações, fazendo-nos lutar até contra nós mesmos. Os apelos são grandes e algumas vezes até nós podemos nos ver fracos. Mas a fortaleza está em se reconhecer como digno de Deus e, assim, poder se reerguer, sem achar que não tem merecimento ou que não tem mais voz. A verdade, não importa por quem seja dita, defende-se por si própria e a Divina Misericórdia age no coração dos que a imploram. Assim é que alcançamos a graça e a podemos multiplicar, propagando seus efeitos. Assim é que eu quero, mesmo com os joelhos ralados, continuar caminhando.
    Grande abraço!
    PdC & AM!