Impressões sobre Brasília

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 8 meses 8 dias atrás.

– Brasília é uma cidade bonita. Pensei que iria achar a cidade mais feia; no entanto me surpreendi. É uma beleza toda particular, que não sei bem descrever e (infelizmente!) não tenho fotos para pôr aqui, já que o meu telefone descarregou e eu esqueci o carregador em Recife. C’est la viè.

– Sair de Recife para Brasília é uma coisa de outro mundo. Aqui, as pessoas saem à noite, andam a pé, vão até a praça, sobem na tocha, sentam diante dos candangos, param o carro e ligam o som… em uma palavra, aqui não existe (pelo menos não encontrei) o terror de se andar nas ruas que temos na minha terra natal. Isso faz com que sejam possíveis coisas que julguei só encontrar no primeiro mundo (p.ex., na Sacré Coeur): adoração perpétua a nível arquidiocesano. Há uma “escala” de paróquias e movimentos para que se revezem diante do Santíssimo exposto, que está assim permanentemente (manhã, tarde, noite e madrugada). Em Recife só temos adoração perpétua nas casas religiosas (como na Toca de Assis), e uma paróquia aberta vinte e quatro horas é uma idéia completamente inconcebível para um recifense (afinal de contas, de noite ninguém poderia ir até lá). Talvez seja ignorância nordestina minha, mas… isso existe em algum lugar?

– Recebi informações de que a catedral de Brasília, sim, havia sido originalmente projetada para ser um templo ecumênico, mas que depois passou a ser exclusivamente católica. Ela tem coisas interessantes, como as estátuas dos quatro evangelistas na entrada, em duas fileiras uma de frente para a outra, três de um lado (São Mateus, São Marcos e São Lucas) e um do outro lado (São João): são os sinóticos e o Quarto Evangelho. Tem uma bonita réplica da Pietà, e outra do Santo Sudário. A entrada dela é uma escada para baixo, ao invés de para cima (como em todas as igrejas que eu já vi na vida): para chegar até Deus é preciso se humilhar, e descer. A arquitetura é funcional e muitíssimo curiosa: pode-se falar em voz baixa na parede (fiz a experiência) que se escuta em alto e bom som no fim da parede, muitos metros adiante. É assombroso.

– Tem a parte negativa sobre a catedral: ela é, sim, completamente estranha à arte católica; é repleta de vitrais dos quais eu tenho ojeriza (vitrais “de nada” – que só têm riscos e cores); a construção circular faz com que não se olhe imediatamente para o altar (como acontece nas igrejas “normais”, onde a pessoa ao entrar tem a atenção automaticamente voltada para o altar e o presbitério); as paredes “lisas” com poucos quadros e pouquíssimas imagens  (não lembro se tem de santos; tem uns anjos pendurados que são bonitos, mas também são estranhos) não preenchem o espaço e não dão a “cara” de uma igreja católica ao prédio; o negócio de “descer” as escadas (de “se humilhar” para chegar até Deus) me parece afrontar as igrejas que têm escadas para cima (que são todas as outras); por trás do altar, fui informado de que o desenho é um óvulo sim, embora não lembre o motivo; não me falaram do útero, mas eu – assim que pus os olhos – disse que, se aquela “bola” era um óvulo, então aqueles “riscos azuis” embaixo dela eram certamente um útero; nos espermatozóides eu não reparei.

– O clima chega a ser quente como Recife (talvez um pouco menos), mas varia um pouco e, hoje, estava mais frio. O céu é bonito, com “as nuvens baixas” e de um bonito colorido no fim da tarde. Muita sede por causa da secura, e um pouco de cansaço por causa da altitude, mas nada de importante – deu para me adaptar bem.

– A história da cidade é interessante; o projeto (o “início” era simplesmente um sinal da cruz, o cruzamento do “eixão” com o “eixo dos monumentos”, onde hoje fica a rodoviária), a forma escolhida (forma “de avião”, com a Praça dos Três Poderes na “cabine” – são eles que dirigem a cidade), a construção (os “candangos” – que têm um monumento na praça – eram os trabalhadores que vieram de longe, muitos dos quais morreram durante a construção da cidade), a idéia das ruas (“tesouras” – retornos – para eliminar os cruzamentos e, assim, diminuir o número de semáforos), o tamanho das construções (“Por que os prédios não podem ter mais do que seis andares? Porque nenhuma pode ser mais alta do que o prédio do Senado”)… tantas coisas!

– Brasília é “a terra prometida”, já que Dom Bosco sonhou com a cidade (Entre os paralelos de 15º e 20º havia uma depressão bastante larga e comprida, partindo de um ponto onde se formava um lago. Então, repetidamente, uma voz assim falou: “…quando vierem escavar as minas ocultas, no meio destas montanhas, surgirá aqui a terra prometida, vertendo leite e mel. Será uma riqueza inconcebível…” – vide a História de Brasília) – disseram-me inclusive que já Dom Pedro II tinha planos de mudar a capital para cá, por causa do sonho do santo.

– As flores do cerrado são coisas curiosíssimas: um tipo de fruto que tem “pétalas” dentro (na verdade, são as sementes do fruto, mas elas têm realmente formato de pétalas, e vêm diversas delas em cada fruto), as quais são usadas com hastes para formar artesenalmente as flores. Comprei algumas para levar pra casa; perguntei ao vendedor: “se eu plantar, nasce em Pernambuco?”, “ah, em Pernambuco não, só nasce onde chove”… Eu mereço…

– É tarde e dormir é preciso. Boa noite.

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0 thoughts on “Impressões sobre Brasília

  1. Julie Maria

    Olá Jorge! Obrigada pela descrição da minha cidade natal… e algumas curiosidades que eu não conhecia.

    Sobre adoração perpétua, olha que coisa mais interessante: em Berkeley, na California, famosa cidade por uma das universidades mais concorridas e lugar de, como posso dizer… muita diversidade… ficando no centro dela por 10 minutos escutamos pelo menos 10 linguas diferentes que as pessoas caminhando estão falando… Lá perto, uns 15 minutos de carro tem uma capela “of Mercy” que havia 24 de adoração, mas agora às vezes não tem tantas pessoas e assim alguém de confiança que já tem a chave da capela nos dá e então podemos ir a qualquer hora da noite para rezar (geralmente tem sempre alguem), mas no meio daquela cidade… um lugar assim, de fato uma benção de Deus.
    Perto de SF existem vários lugares de adoração, bem mais do que eu vi andando pelo Brasil, mas não saberia dizer se são 24hs.

    Abraços e bom retorno!

    Ah! Faltou falar do Congresso :) Estou curiosa… especialmente sobre a palestra do Eduardo V.

    PAX e Gaudete!
    JM

  2. Danielle Aran

    Que bacana saber que você está em Brasília. É minha “terra natal” de coração. Moro fazem três anos e não quero mais sair.

    A catedral é bonita, embora precise de umas reformas. Mas é muito quente, principalmente nas missas pela manhã.
    Fui assistir a ordenação de um amigo semana passada e fazia muito calor por causa da vidraça do teto.

    Espero que você tenha a oportunidade de conhecer outros lugares como a Ermida Dom Bosco, por exemplo. ;)

  3. Vinnnie

    Estive no EJF e nem tive a oportunidade de conhecê-lo. Enfim, fica para a próxima então.

  4. Wagner Moura

    E as cigarras, Jorge? Ouviu alguma? Ave Maria… É uma orquestra super afinada, bastou fazer um calor. Gostei do seu relato, espero que tenha aproveitado.

  5. Pedro

    Alguns comentários sobre as impressões sobre Brasília =)

    – Mais sobre a Catedral: a acústica é uma porcaria. Já toquei lá e foi um sufoco. E particularmente gosto da entrada, pois chama a atenção para o ambiente iluminado do lado de dentro. Acho que os vitrais seriam mais palatáveis se fossem reformados, mesmo sendo de figuras abstratas.

    – O monumento a que você se referiu chama-se “Os Guerreiros”, não “candangos” — a referência aos candangos é popular e não do artista.

    – Lúcio Costa (quem projetou Brasília) se revira no túmulo toda vez que chamam o Plano Piloto de “avião”, hehehe. Ele sempre rejeitou essa comparação do plano da cidade com um avião; preferia de chamar de pássaro, borboleta, sinal-da-cruz.

    – O prédio mais alto de Brasília não é o do Congresso, mas o do Banco Central. O gabarito (no. de andares) dos demais prédios é limitado para conter a densidade ocupacional e evitar muitos problemas urbanos (trânsito, saneamento, poluição etc.), e não por causa do Congresso (ou do Banco Central).

    – Quem primeiro sugeriu a interiorização da capital foi José Bonifácio, antes mesmo de D. Pedro II. Inclusive o nome foi idéia dele: Brasília.

    – Quando eu era moleque, ficava até a noite brincando debaixo do bloco e às vezes andava pela quadra em meio aos pés de jamelão. Hoje já não há tanta segurança e não deixaria meu filho ficar sozinho na quadra nem durante o dia. Os tempos mudam…

    – Se você sofreu com a “secura” na época de chuva, não venha em agosto! É muito pior =)

    Abraços!

  6. Pingback: arquitetura » Blog Archive » Impressões sobre Brasília

  7. sandra nunes

    JORGE

    Fui algumas vezes a trabalho e outra a passeio em Brasília
    (tenho primos que moram lá)

    A-DO-RO Goiás e tudo que tem dentro dele
    (inclusive Brasília )

    Uma das cenas mais lindas, que tenho gravada na memória, é o por do sol, em Goiás Velha, na Serra Dourada. É Divino. Fica dourada MESMO.

    Quase fui internada, em Brasília, uma vez que fui a trabalho, no meio do ano, em razão de uma crise de renite. O clima judia.

    Mas o povo do Brasília, é tão acolhedor, que esse problema de saúde a gente supera com lencinhos umedecidos e muita água.

  8. Jorge Ferraz

    Claudio,
    A paróquia do SSmo. Sacramento não tem adoração de madrugada (salvo seja “secreta” :p); não sei de que horas o Santíssimo é exposto, mas sei que ele é recolhido às 18:00, quando tem uma missa e, após ela, a igreja é fechada (já assisti por diversas vezes à bênção do Santíssimo seguida por esta missa à qual me refiro).

    Em Brasília, a adoração é 24h mesmo (quando eu voltava para o hotel com minha amiga, às 02:00, ela me disse que, se fôssemos à igreja, ela estaria aberta e com gente se revezando na adoração – não fui porque estava muito cansado e tinha uma reunião com o pe. Javier às 08:00) – isto, em Recife, acho que só tem na casa da Toca de Assis e na da Obra de Maria.

    Julie,
    Pois é, faltou falar do congresso… faço-o já já (o tempo é curto!). Obrigado pelas informações e pelos comentários atenciosos.

    Danielle,
    Se eu me lembrasse de que tu moravas em Brasília, tinha marcado para nos vermos. É uma pena… mas vamos ter outras oportunidades. Por enquanto, encontramo-nos por aqui e – mais importante! – no Santíssimo Sacramento do Altar.

    Rodolfo,
    Tá doido! Brasília está o quê, mil metros acima do nível do mar? Recife está quatro… =P

    E foi engraçado a gente subindo por umas escadas lá (exatamente na ermida Dom Bosco, onde tem em baixo um “pier” no lago – fomos até o lago e depois voltamos para pegar o carro), e eu com a respiração um pouco ofegante… daí meu colega (que não fuma) veio comentar: “tá vendo (arff… arff) isto (arff…) é (arff…) o cigarro (arff… arff)”… hehehehe.

    Mas deu para sobreviver – acho que ainda estou em forma.

    Vinnnie,
    Pois é, uma pena não nos termos encontrado! Teremos outras oportunidades. Mas foi muito bom o encontro; valeu a pena a viagem.

    Wagner,
    Aproveitei bastante – obrigado!

    Quanto às cigarras, nem prestei atenção… acho que é porque temos muitas cigarras em Recife!

    Pedro,
    Muitíssimo obrigado por complementar as informações sobre a cidade que eu havia recebido.

    Quanto a Lúcio Costa (passei no – acho que é este o nome – “Memorial Lúcio Costa”, lá na Praça dos Três Poderes), a culpa dele se revirar no túmulo é do taxista brasiliense que nos pegou no aeroporto, pois eu comentava quando cheguei (em tom interrogativo) que Brasília tinha forma “de pássaro” e ele disse “de avião”… heheheh!

    Já quanto à segurança, rapaz… então não venha pra Recife, hehehe. Dentro das quadras eu não sei, mas fui na sexta ao “Pontão do Lago Sul” (acho que é isto o nome) e, quando fechou, fomos à Praça; não tinha nada, mas subimos na tocha, olhamos o movimento, andamos até as palmeiras, passeamos por lá. Isso às três horas da madrugada, e tinha gente andando, sentada bebendo, com o som do carro aberto, e – embora não o tenha visto – me disseram que às vezes tem até um vendedor de cachorro-quente. Achei a noite brasiliense bem movimentada.

    Abraços a todos!
    em Cristo,

    Jorge

  9. Jorge Ferraz

    Sandra,

    Disseram-nos em Brasília que era muito comum as pessoas estranharem o clima. Há gente que passa mal, tem dor de cabeça, sangra o nariz; comigo não aconteceu nada disso, só fiquei com muito mais sede do que o comum (lábios secos, embora não rachados) e um pouco cansado. Mas foi tudo resolvido tomando bastante água.

    Gostei bastante da capital do país; confesso que ela me surpreendeu muito positivamente, já que eu imaginava encontrar uma cidade horrorosa, cheia de prédios (de uma arquitetura moderna tosca) e de carros. Ao chegar, encontrei lugares bonitos, muitas árvores, lagos, noites animadas… muito bom.

    Abraços,
    Jorge

  10. Antonio

    Caro Jorge,

    Como é que vc consegue afirmar católica a catedral de Brasília depois de reconhecer algumas de suas horrendas características? Vc repassa a informação de que originalmente seu projeto teria sido um templo ecumênico, passando depois para o de uma suposta edificação católica. Mas por tudo que sei, parte do que vc pôde em pouco tempo reconhecer, o mais coerente seria mesmo tachá-la, justamente, de anti-católica. Só pelo simbolismo gravemente pagão e obsceno junto a seu altar, a catedral já seria muito própria de censura e reprovação.

    É balela para tentar salvar a arquitetura maçônica dessa edificação a história de que descer a escala para adentrar a catedral, e novamente outra para a capela do Santíssimo, teria sido com a intenção de as pessoas humilharem-se antes de adorar a Deus. Certamente há uma explicação bem mais estudada, mas resumo que nunca a Igreja nos entregou a expressão de adoração dessa maneira. Pelo contrário. Na Missa o padre levanta as espécies consagradas para sua adoração. Fora ou dentro da nave, permanece no sacrário a um nível mais elevado que todo o restante da edificação. É muita cegueira achar que um comunista dos mais representativos teria igorado toda a Tradição Católica para inovar precisamente em favor de católicos!! A catedral é iluminada na sua parte mais humana, e escura e sombria naquela outra em que se deposita Cristo sacramentado. Essa comparação muito sugere as idéias do homem-luz e do deus-morto dos comunistas.

    Além do mais, com relação a curiosidade de sua acústica, fica só na curiosidade mesmo, pois isso não lhe dá nenhuma funcionalidade adicional. Pelo contrário, lhe tira. Lá, qualquer Missa rezada ou cantada, microfonada ou não, fica à beira do ininteligível, quando não transpassa esse limite. O mundo, há muitos séculos, aprendeu a imitar sabiamente a “caixa de sapatos” típica das edificações católicas medievais, justamente porque quando se quer o melhor para sua acústica, é essa a geometria que dá, de longe, as maiores chances de sucesso (Sala São Paulo que o diga). Outro fracasso acústico de Niemeyer é o Teatro Nacional. Uma catástrofe; certamente uma das piores acústicas do mundo, como muitos músicos mundo afora já puderam-me confirmar.

    Enfim, o autor do artigo, pe. João Batista, já nos alerta que a obra “Brasília Secreta” não revela grande erudição, mas deixo o link para aqueles que pessoalmente queiram aferir até onde vão as influências esotérico-cabalistas na arquitetura cadanga:

    http://www.casadosconcursos.com.br/catalogo.asp?ID=19

    Ainda, há outro link que já nos adianta algumas palavras de JK que muito fazem sugestivo par com a idéia central do livro:

    http://www.luzdoconhecimento.com/egito_brasilia.htm

    Abraço,

    Antonio

  11. Jorge Ferraz

    Antonio,

    Disse que a catedral era “católica” no sentido de que o projeto de um templo ecumênico não logrou e, hoje em dia, a construção é um templo “católico” no sentido de que pertence exclusivamente à Igreja e é por Ela exclusivamente utilizado.

    A construção em si, obviamente, não é um exemplo de arte católica, até porque difere completamente de qualquer outra coisa que eu já tenha visto. Mas isso não significa que ela seja “anti-católica”, pois o mundo não é maniqueu. Só a conheci agora, mas acredito que o projeto original era muito pior (p.ex., num templo ecumênico, acho razoável supôr que não houvesse a réplica da pietà que hoje lá se encontra) e, se formos ser rigorosos, seria preciso fazer um trabalho de “catolicização” nela.

    P. ex., nichos na parede com imagens de santos já faria uma diferença enorme, bem como a colocação de um altar decente. Os vitrais poderiam ser tradicionais; o vitral de trás do altar (vejam aqui) é horroroso e provavelmente pagão, mas “obsceno” é um pouco demais; acusemos as coisas por causa daquilo que elas são.

    Na minha opinião, o fato do templo ecumênico ser hoje uma catedral católica é já uma vitória, porque a Igreja de Cristo é sozinha a dona do espaço, e não mais lado-a-lado com as seitas heréticas. Com isto, não estou dizendo que a arquitetura do edifício é a coisa mais linda e santa do mundo – longe de mim. Não é. Mas também, qual a sugestão? Por causa disso, o bispo de Brasília deveria mandar derrubar o prédio?

    Por exemplo, a Igreja de Santa Maria e todos os santos em Roma (o antigo Panteão) obviamente não é uma construção católica (ao contrário, era exatamente um templo pagão), com aquele formato circular e aquele buraco no teto que certamente algum significado tinha dentro do paganismo. Mas é hoje um templo católico, não porque a construção é arquitetonicamente católica, mas porque a Igreja venceu o paganismo e, no lugar onde um dia reinaram todos os deuses, hoje Cristo reina sozinho. Colocaram-se alguns altares, algumas imagens, etc, mas a estrutura original do edifício foi mantida até hoje. Não vejo, assim, por que deveria ser “intrinsecamente condenável” a catedral modernosa da capital do país.

    Abraços,
    Jorge

  12. Antonio

    Caro Jorge,

    A catedral, da forma que está, causa mais mal e confusão ao rótulo de católica do que o faria caso fosse nomeadamente ecumênica. Nesse sentido, sua pseudo-conversão é uma derrota às aparências de vitória. Saiba ainda vc que lá são, sim, realizados cultos ditos ecumênicos. E nos que não o são declaradamente, os católicos vão a catedral desavisados de suas várias novidades e impurezas simbólicas, e as aprendendo como se católicas fossem. Ao “templo da LBV”, os mais ignorantes entram sabendo, de antemão, que não vão encontrar uma Igreja católica.

    Quanto ao “anti-catolicismo” da catedral, o adjetivo não é fruto de maniqueísmo. Advém somente do reconhecimento de que há nela elementos simbólicos incompatíveis e irreconciliáveis com a fé católica. Nem mil pietàs lhe prestariam a suficiente desagravo, enquanto aquelas coisas lá estiverem.

    Já sobre o panteão romano, ele é muito mais considerado como um ícone de sua histórica conversão do que uma amostra de igreja cristã a ser copiada até nos resquícios pagãos. Outra sutil e importante diferença é que, enquanto o panteão foi construido fora da Igreja e depois convertido, a catedral foi edificada e/ou dedicada nos domínios da Igreja e para uso da Igreja. Enquanto o paganismo do Panteão é passado reconhecido e “relevado” por sua conversão, os elementos esotéricos e pagãos da catedral são realidade hoje e desde sua fundação. Não precisava ser assim, nem, vindo a ser assim, ter-lhe a hierarquia concedido o título de consagrada. Já que o fez, o pe. João Batista sugere aos candangos, talvez mais aos que têm o poder hierárquico de propor e promover tais mudanças, uma (re)novação autenticamente católica, à imitação do que fora feito com o altar da basília de S. Pedro, vítima da iconoclasia pós-conciliar.

    Portanto, se a Igreja pretende reproduzir o fenômeno do Panteão, que começasse rezando pela conversão dos frequentadores e das inúmeras edificações das seitas pagãs e protestantes que a cercam nos dias de hoje, e não construir coisas à imitação desses últimos.

    Cordialmente,

    Antonio

  13. sandra nunes

    Antonio

    Quanto absurdo! Quanta intolerância! Quanto Fanatismo!

    Você acha que a “simples” presença do Santíssimo não torna a Catedral um templo Católico?

    Eu me sinto Católica até em Missa Campal!

    Para você é o “edifício” que faz a Igreja!

    Aprenda com São Francisco de Assis!

    “Construa” sua Igreja dentro de você!

  14. Jorge Ferraz

    Antonio, caríssimo,

    Mas “promover uma renovação autenticamente católica” é exatamente o que eu estou dizendo, quando falo em trocar os vitrais e colocar altares decentes e encher as paredes de imagens de santos: trata-se em pegar a construção modernosa e “catolicizá-la”.

    A situação atual é ruim, mas não vejo como “intrinsecamente má”. Primeiro, porque acho melhor ter um templo não (completamente) católico do que não ter templo algum e, segundo, porque arte não é matemática. Até agora não vi os espermatozóides no vitral do altar e, à (estranha) escada para baixo, pode-se dar uma interpretação católica como a que me foi dada (o negócio de “se humilhar” para chegar até Deus foi-me dito em Brasília – não fui eu quem inventei). As intenções de quem fez a obra (afinal, eu também acho improvável que Niemeyer tenha “inovado em favor dos católicos”) não ficam sempre “inerentes” à obra, sendo muitas vezes possível “ressignificá-la”.

    Imagino que seria possível e altamente desejável que a catedral de Brasília – à exemplo do Panteão – se tornasse um dia o símbolo de uma conversão, desta vez não do paganismo à Cristo, mas de um irenismo sincrético à Igreja de Nosso Senhor – já que, dada a crise atual, julgo que se pode falar com razoável propriedade de que a construção da catedral de Brasília deu-se “fora” da Igreja e para outra finalidade que não A servir. Mas é claro que, para isso, é preciso muita catequese e muita oração, pela exaltação da Santa Madre Igreja e humilhação de Seus inimigos.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz