Inimigos imaginários

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O Fratres in Unum publicou os extensos comentários de Dom Fernando Rifan sobre o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX. São dezoito páginas, que falam sobre assuntos os mais diversos, desde as críticas da Fraternidade quando da criação da Administração Apostólica, passando pela excomunhão de Dom Mayer, até – mais importante – as “QUESTÕES DOGMÁTICAS E ECLESIOLÓGICAS QUE O CARDEAL RICARD DISSE QUE PRECISAM SER RESOLVIDAS PARA TERMINAR O CISMA”.

Ninguém nega a existência de questões teológicas seriíssimas a serem discutidas – e com a máxima urgência – dentro da Igreja; ninguém nega que a Fé Católica é, infelizmente, muitíssimo pouco conhecida neste mundo que tem tanta necessidade do Salvador; ninguém nega que, dolorosamente, contribuem para estas estatísticas não poucos “católicos” de péssima formação. Estou particularmente convencido, no entanto, de que todas essas coisas precisam ser resolvidas do jeito certo, sem “desperdiçar munição” com questões de somenos importância e sem inventar inimigos para engrossar as já enormes fileiras dos inimigos reais contra os quais é mister combater.

Vejo muito isso quando me deparo com alguns comentários mais exaltados de certos católicos que – não tenho dúvidas! – sofrem com a situação atual da Igreja e desejam sinceramente que Ela seja exaltada. De ontem para hoje recebi um email dizendo que Dom Rifan “debandou para o lado modernista de vez”, e pensei cá com os meus botões o que raios poderia significar isso. Talvez fosse uma referência aos comentários que o Fratres publicou… mas, de qualquer modo, incomoda-me tremendamente esta visão grosseira sobre os fatos, segundo a qual são “ilicitilizadas” quaisquer posições que destoem, um mínimo que seja, da cartilha de um certo “tradicionalismo” – as aspas são aqui colocadas pelos motivos já por mim explicados – que pretende ser ele próprio a Coluna e Sustentáculo da Verdade, prescindindo da Igreja fundada por Cristo.

Não vejo necessidade alguma de que Campos e os padres da FSSPX comecem a travar uma guerra agora. Há coisas mais importantes a serem feitas. No entanto, para que tal embate improfícuo seja evitado, é necessário que alguns católicos parem de considerar posições completamente lícitas como se fossem “traições da Fé”. Em particular, remeto à carta do então cardeal Ratzinger a Mons. Lefebvre, de 23 de dezembro de 1982, reproduzida por Dom Fernando Rifan, que pede a assinatura do bispo francês para duas proposições muito simples:

1. Eu, Marcel Lefebvre, declaro minha adesão com religiosa submissão de espírito à integridade da doutrina do Concílio Vaticano II, ou seja, doutrina « enquanto se entende a luz da santa Tradição e enquanto se refere ao perene magistério da propria Igreja (cf. Joao Paulo II, Alocução ao Sacro Colégio, 5 nov. 1979, AAS LXXI (1979/15) p. 1452). Esta religiosa submissão leva em conta a qualificação teológica de cada documento, como foi estatuída pelo próprio Concílio (Notificação dada na 123a Congr. Geral, 16 nov. 1964).

2. Eu, Marcel Lefebvre, reconheço que o Missal Romano, estabelecido pelo Sumo Pontífice Paulo VI para a Igreja universal, foi promulgado pela legítima suma autoridade da Santa Sé, a quem compete na Igreja o direito da legislação litúrgica, e por isso mesmo e em si mesmo legítimo e católico. Por isso, não neguei nem negarei que as missas fielmente celebradas segundo o novo rito sejam válidas e também de nenhum modo desejaria insinuar que elas sejam heréticas ou blasfemas nem pretendo afirmar que devam ser evitadas pelos católicos.

Sinceramente, não consigo ver como tais proposições possam ser “intrinsecamente más”, para que não pudessem de modo algum ser aceitas por católicos sob pena de constituírem uma apostasia ou uma capitulação ao modernismo (muitíssimo ao contrário, não consigo ver nenhum motivo razoável para que elas não fossem, em substância, aceitas). Eu próprio subscreveria (e subscrevo) a declaração acima; e, para que se possa trabalhar eficazmente na solução da crise da Igreja, é de fundamental importância que os católicos não considerem um “modernista” ou um “apóstata” ou um “traidor da Fé” quem fizesse semelhante declaração.

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25 thoughts on “Inimigos imaginários

  1. vianadasilva

    Caro Jorge Ferraz,

    Seu artigo é pertinente. No entanto, mais que considerar os últimos acontecimentos sob o prisma da Fraternidade, que parece querer submeter-se a Roma a qualquer custo, vale observar o porquê de Dom Fernando trazer a tona justamente agora, e com essa linguagem, cheia de ressentimentos, as questões doutrinarias que estão no cerne da resistência da Fraternidade.

    Contraditórias parecem ser as declarações de um bispo, que durante muitos anos, com seus colegas de Campos, sob a direção de Dom Castro Mayer, esteve na mesma posição da Fraternidade. Por que hoje ele cala os documentos antigos, inclusive do Bispo que o ordenou, e que morreu mantendo sua posição de critica severa ao Vaticano II e a Nova Missa?

    Penso que nem eles, os então conhecidos Padres de Campos, nem a Fraternidade e quaisquer outros movimentos, estiveram ou estão fora da Igreja, quando todos sempre lutaram para manter a Tradição e defender a Igreja contra a pior heresia de todos os tempos: O Modernismo! Estão verdadeiramente fora da Igreja os que negam as verdades fundamentais da Fé Católica.

  2. Rodrigo

    Dois pesos e duas medidas…
    Sobre Dom Rifan, é óbvio que ele não reza mais a cartilha de Dom Mayer, mas uma guerra entre FSSPX e Administração Apostólica São João Maria Vianney é tudo o que a Igreja não precisa agora, afinal, já temos a corja de lobos modernistas e progressistas (mais a imprensa, os judeus,etc) tentando solapar o Sagrado Depósito da Fé e o pontificado de S.S. Bento XVI. Rezemos pelo Santo Padre.

  3. Emanuelle Carvalho Moura

    O “Fatres in Unum” também publicou a notícia sobre a REMISSÃO DA EXCOMUNHÃO:

    <>.

    Que bonitinho. Finalmente, foi escrito corretamente: a remissão do pecado da excomunhão dos bispos sagrados ilicitamente. O perdão do pecado da excomunhão “ex nunc”.

    Dom Rifan é um bispo muito corajoso e de admirável atitude.

    Aspas sobre “tradicionalismo” estão muito bem colocadas, errado é chamar essas pessoas de rad-trad, porque quem é radicalmente a favor da tradição da Igreja Católica tem de também o ser também a favor do Concílio Vaticano II. O mais correto seria chamá-los pelo que são: pseudo-tradicionalistas ou pseudo-tradicionais.

    Obsv: aspas sobre “ex nunc” e “Fratres in Unum” estão colocadas por serem palavras estrangeiras e não no sentido delicadamente enfeitado de duvidar desse “tradicionalismo” que, de um lado nega a autoridade do Papa (sedevacantismo) e, por outro, nega a catolicidade dos Concílios Papais.

    Que Deus nos livre da maldição do pseudo-tradicionalismo!

  4. Leopoldo

    Dona Emanuelle,

    Que tolinha…

    Deus nos livre de católicos como a senhora.
    Valha-me Deus…
    Somente uma pseudo-católica carismática poderia mesmo chamar Dom Rifan de muito corajoso e de admirável atitude.

    Deus nos livre dos pseudo-católicos, carismáticos modernistas, relativistas e outros istas.

  5. Emanuelle Carvalho Moura

    Sr. Leopoldo,

    Engraçado o Sr. vir a este sítio falar isso. Pelo que entendo (salvo ledo engano), o Sr. Jorge Ferraz os chamou de “tradicionalistas”, entre aspas bem enfatizáveis e já deu a entender, por múltiplos motivos e de todas as formas que os senhores:

    1. Acham que a Sagrada Tradição parou até antes do Concílio Vaticano II tal como os protestantes pensam que após as Sagradas Escrituras, nada mais pode ser considerado como sendo parte da Sagrada Tradição;

    2. Pensam que são a própria Sagrada Tradição! E querem retomar, tal qual os protestantes, aquele “cristianismo primitivo” que os protestantes acham hoje serem portadores pois acusam a Igreja Católica de deturpadora da Palavra de Deus, apesar de, um dia, ter sido santa (sic);

    3. Insistem em qualificar de modernistas, relativistas e outros istas pessoas que desconhecem completamente. Afinal, basta não concordar com a interpretação que vocês têm, segundo o livre-arbítrio e a “inspiração” que de algum lugar recebem para tanto (como os protestantes que pensam receber a inspiração do Espírito Santo e agem, segundo essa livre interpretação, formando suas seitas pelas esquinas). Agora temos as seitas dos pseudo-tradicionais: os sedevacantistas, os que são contra o Concílio Vaticano II somente, têm alguns que são contra até o Rito Tridentino e pensam que o Rito em língua Grega é que deveria ser proferido na Igreja (rs);

    Sabe o Sr. Leopoldo que xingar alguém de modernista é extremamente forte porque estes estão sujeitos à excomunhão. Por isso repete essa asneira à torto e à direito. Mas reage de pronto quando falo do pseudo-tradicionalismo que paira na cabeça de alguns, tanto que veste a carapuça bem rapidinho e fica todo ofendido.

    Dom Rifam é um Bispo de muito valor que reconheceu seu erro e se reintegrou totalmente à Igreja de Deus, um exemplo que deve ser seguido por todos e que penso, de todo o coração, que será seguido pelos bispos que se livraram da maldição da excomunhão. Somente os “tolinhos” como o Sr, delicadamente coloca, é que continuarão obstinados nesses erros crassos.

    E, como já disse, não tenho a mínima necessidade de auto-afirmação para ficar dizendo que não sou isso, mas aquilo (etc). Pense o quiser, Sr. Leopoldo e passe muito bem. Ah, vou pedir para amigos que tenho da RCC, um grupo que, de fato, faz mais bem a Igreja que essa turminha do barulho, que reze ao estilo de “dom de línguas” pelo Sr. Leopoldo! Ele precisa. hehehehehe

  6. Emanuelle Carvalho Moura

    É bom que fique claro que esse Rodrigo sem sobrenome que sempre posta por aqui não é o Sr. Rodrigo R. Pedroso, o qual admiro e tenho muito respeito por muitos motivos.

    Parece que gosta de ser confundido não tendo coragem de colocar seu nome completo, visto a inteligência do Sr. Pedroso ser realmente descomunal e a dele (silêncio).

    O Sr. Rodrigo sem sobrenome deveria fazer um bem à humanidade: ou mudar de atitude ou mudar de nome.

  7. Rodrigo

    Meu nome completo é Rodrigo Ruiz. Algum problema? Quer meu RG também? Faça um favor, não me dirija a palavra, afinal vc me havia pedido isso anteriormente. Mas, se a carapuça de suplente da Sandra lhe serve…
    Pare de molecagens, menina, vá buscar o que fazer!
    Que tal se vc fizer um bem à humanidade também: Crescer!!!

  8. Rodrigo

    As infantilidades dessa pessoa estão passando dos limites, isso não é atitude digna de uma católica que diz não precisar auto-afirmar-se, ao contrário, cada postagem dela é uma tentativa risível de mostrar-se superior aos outros postadores que lhe desagradam por não compartilharem de suas opiniões pouco interessantes.
    É atitude de gente que ainda não amadureceu.

  9. Rodrigo R. Pedroso

    Seria muito bom que a discussão ficasse nos argumentos e não resvalasse para as pessoas. Até porque começaram a usar a Sandra Nunes como comparação, ela que foi moderada neste blog justamente por passar aos ataques pessoais. Se as pessoas não têm argumentos para se contrapor às opiniões alheias, é preferível que permaneçam em silêncio, em vez de rotulá-las de “modernista” ou outros elogios.

  10. Jorge Ferraz

    Caríssimos,

    Faço coro aos pedidos do Rodrigo Pedroso. Por caridade, parem com as agressões pessoais. É tempo dos católicos cerrarem fileiras em torno do Papa, parando de se espezinharem – aliás, foi precisamente isso que eu quis dizer com este post.

    Abraços,
    em Cristo,
    Jorge Ferraz

  11. Leopoldo

    Sr. Jorge Ferraz,

    O senhor tem toda razão. Devemos cerrar fileiras.

    Sr. Rodrigo Pedroso,

    O sr. leu mesmo o comentário da senhora Emanuelle?
    Ou ela pode fazer chacota, chamar de pseudos tradicionalistas, dizer infantilidades e tudo bem?
    Será que ela pode porque o admira?!!? Ofender o sr. Rodrigo Ruiz ela tb pode?
    Não podemos chamá-la de modernista? E porque não se é o que ela é?
    ISto posto,, (desabafei) fiquemos nos argumentos.

  12. Rodrigo Ruiz

    Peço perdão aos demais postadores e ao Jorge Ferraz se, por algum motivo, prejudiquei esta discussão tão importante. Não tenho a intenção de ofender a ninguém, não uso a internet para isso, mas sim como instrumento de informação, conhecimento e partilha.
    Tampouco estava me escondendo por detrás de um nome qualquer. Meu nome é esse mesmo, Rodrigo Ruiz (do qual muito me orgulho por ser o nome de um santo mártir espanhol, sacerdote, vítima da intolerância islâmica, cuja festa é a 13/03) e quanto à minha inteligência ser maior ou menor, isso não importa, importa que estou aqui para aprender o que não sei e partilhar o que sei. Não vim aqui para desfilar conhecimentos em busca de holofotes.
    Infelizmente, atitudes preconceituosas existem e, se existem, certamente são por falta de maior discernimento e boa vontade.
    Amigo Leopoldo, grato pela sua defesa.
    Que o Divino Espírito Santo ilumine à todos nós e fortaleça nosso amor e nosso desejo de cerrar fileiras Pro Christo et Ecclesia.
    Abraços

  13. Rodrigo Ruiz

    Hoje, assim como no passado, o Santo Padre, na pessoa de Bento XVI é alvo de uma campanha torpe levada à cabo por diversas personalidades, tanto da hierarquia e clero católicos, quanto dos não-católicos e da imprensa em geral.
    Hoje, estamos diante de uma nova Lepanto que se faz tão dramática quanto àquela ao qual acudiram as esquadras católicas, numericamente inferiores, mas que, graças ao Santo Rosário e à valentia dos cristãos, irmanados no ideal da defesa da cristandade ameaçada, triunfaram dos inimigos da Igreja.
    Hoje, o Rosário ainda é a arma potente contra as hostes inimigas de dentro e fora da Santa Igreja.

  14. Emanuelle Carvalho Moura

    Crianças,

    Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Se não aguenta o trampo, não vale chorar, viu?

  15. Rodrigo Ruiz

    Enquanto o nível deste tópico estiver assim, vou me eximir, de ora em diante, da postagem de qualquer resposta à afrontas que me forem feitas. Não preciso disso, nem o blog tampouco. Perdem todos com isso.

  16. Leopoldo

    Rodrigo Ruiz,

    Cerro fileiras com o senhor.
    Sinceramente não é possível o debate aqui.
    O blog como o senhor disse não precisa e não precisamos.

    Sr. jorge Ferraz,

    Sinceramente, quem começou a alfinetar por aqui?

    Bem meu caro, fique tranquilo, estou batendo em retirada.
    Tanto da leitura quanto de comentários. Afinal não é esse um blog para pseudos tradicionalistas, ou tradicionalistas. Já entendi.

    Em Cristo,

  17. Amin Abou Faisal

    Monsenhor Fernando Rifan & Monsenhor Licínio Rangel fizeram acordo com a Igreja numa cerimônia na Basílica Menor do Santíssimo Salvador de Campos dos Goytacazes diante de todo clero diocesano, padres ligados ao Rito Tridentino e Dom Roberto Gomes Guimarães. Ele, [Dom Fernando] está em plena comunhão com a Igreja. Entendo a indignação de alguns irmãos mais ferrenhos em relação à questão atual da Amnistração Apostólica São João Baptista Maria Vianney.

    De fato, no início Dom Fernando absteve-se de concelebrar, fato comum somente no novo rito romano. Depois, passou a utilizar vestes corais, em celebrações no novo rito, para não estar entre os concelebrantes. Mas, atualmente sabemos que Ele concelebra de fato, inclusive o liturgista por excelência da Admnistração Apostólica Padre Claudiomar concelebrou em Missa dessacralizante na Basílica nova em Aparecida. Por que dessacralizante? Por causa das modulações teatrais durante a Missa, prncipalmente no Evangelho. Isto, nos causa estranheza, não podemos negar que é relevante tal assunto. Numa outra ocasião, (antes) do término de uma Missa Tridentina em Campos, o prelado Dom Fernando Rifan, interrompeu as últimas orações e chamou a “toca de Assis” para que subissem ao altar, fez magna homenagem e só depois retornou às ÚLTIMAS orações da Missa. Liturgicamente, sabemos que isto é errado.

    Seria comum nas missas de Paulo VI onde há após à comunhão um momento propício. Talvez seja por estas coisas que alguns assustaram-se com Dom Fernando Rifan, como diz o texto “inimigos imaginários”. Perante a Igreja, Dom Fernando não pode ser considerado inimigo, porque está em comunhão plena, NÃO HÁ DÚVIDAS QUANTO A ISTO. no semináro Imaculada Conceição está muito disseminado entre os seminaristas o novo catecismo e as diretrizes do Concílio Vaticano II. Inclusive Dom Fernando até inovou, alterando um pouco Missa Tridentina, não sei se isto é correto e digno de louvor, ou abertura para algumas críticas até bastante fundadas.

    Esperamos que a Admnistração Apostólica possa ser uma guardiã da tradição litúrgica da Igreja em Campos, mas, sabemos que tudo começa por uma pequena inovação até alcançar grandes mudanças. É para pensar: É lógico para estas prelazias tradicionais em união com a Igreja manter todo o esplendor da tradição litúrgica e em contrapartida assimilar todas as idéias pós-concilares? Não seria mais coerente para estes católicos especialmente o uso do antigo código de direito canônico e o antigo Catecismo? Já que usam o antigo Missal, Breviário, calendário, martirológio, pontifical e Ritual de Paulo V DE 1614…

    De modo que, seria insanidade dizer que o novo catecismo é completamente diferente do antigo, já que ininterrupto é o ensinamento da Igreja Apostólica, mas, por outro lado, é diferente em muitas linhas em relação ao antigo que é muito mais adequado à estes grupos de católicos em comunhão plena.
    A frase de Rodrigo Ruiz é interessante, “Hoje, estamos diante de uma nova lepanto tão dramática…” Mas, acho que essas manifestações são mais poéticas do que práticas. Em que fase da Igreja os problemas não ocorreram? Em que fase de nossa vida particular, dramas, angústias não fizeram parte? Precisamos ser orantes par matermos viva a esperança de que coisas graves como teologia da libertação, pentecostalismo, dessacralização e erros litúrgicos desapareçam de nossos meios católicos. Mas, Dom Fernando mudou muito seu modo de pensar, isto é prova de que Ele realmente está em comunhão com a Igreja de modo sincero, ao menos é o que desejamos.

    Dom Antônio não é mais ícone a ser seguido pela Admnistração Apostólica, já que os pensamentos e livros editados por Dom Rifan atualmente são totalmente diferentes daqueles que Ele trazia á lume nos tempos de Dom Antônio, quando ainda era apenas o Padre Fernando. Isto também gera no coração de alguns sentimentos como estes expressos no texto supracitado. Muitos alegam que a Admnistração Apostólica vive em meio à ambiguidades, porque de um lado dizem prezar a memória de Dom Antônio, mas, seus pensamentos não ocultos, todavia patentes, são destoantes do que ensinava Monsenhor Antônio de Castro Mayer. De fato, naquela época estavam irregularmente. Dom Fernando não se encontra irregular perante a Igreja num todo. Encontra-se em plena comunhão.

    Ninguém é insubstituível. Um dia deixamos este degredo e alguém surge e toma conta do que um dia foi nosso. é o que ocorre em relação a Dom Antônio. O atual Bispo om Fernando enquanto padre Fernando pensava como Dom Mayer, agora como Bispo, diverge até dos ensinamentos de Dom Mayer.
    ——————————————–
    O que defendia Dom Mayer:

    obs: agora vou citar aqui fragmentos de um livro:

    “Dom Antônio de Castro Mayer
    1948 – 1988
    Quarenta anos de Episcopado”

    ” A todos aqueles que receberam pela imposição das mãos; a responsabilidade de guardar puro e intacto o depósito da fé e a missão de anunciar o Evangelho sem desleixo”

    Profunda crise de fé no seio da Igreja.
    – “Como vedes, amados filhos, a crise na Igreja não poderia ser mais profunda”.

    “Há pois, entre os fiéis, um movimento de ação dupla convergente para a formação de uma nova Igreja, que só pode ser uma nova falsa religião; de um lado, criam-se as incertezas sobre os mistéros revelados; de outro, estrutura-se uma vida cristã ao sabor do espírito do século”.

    Segundo Dom Antônio:

    Carcterísticas da nova Igreja pós conciliar: A RELGIÃO DO HOMEM.
    RELATIVISMO RELIGIOSO E MODERNISMO NOS TEÓLOGOS DA NOVA IGREJA.

    livro escrito pelos padres de Campos (Admnistração Apostólica em homenagem aos 40 anos de Episcopado de Dom Antônio Mayer.
    ——————————————

    Dom Antônio considerava irregulares todos aqueles que aderiam novas idéias. Inclusive Dom Antônio diagnosticou falhas no novo Código de Direito Canõnico e no novo catecismo. Dom Fernando dissemina o novo catecismo e o novo código é facilmente encontrado na sprateleiras a biblioteca do Seminário Imaculada Conceição ( Ad. Apostólica ).

    É notório que Dom Fernando realmente está no seio da Igreja, mesmo não guaradando mais os ensinamentos doutrinários de Dom Antônio. Mas, será que Dom Antõnio falhou, errou? Porque para falhar ou errar precisaria pregar uma doutrina diferente da doutrina da Igreja, e, isto, Dom Antônio não fez não. Ele defendeu tudo quanto foi ensinado pela Igreja anterioremente ao Concílio.
    Dom Antônio era desfavorável ao ecumenismo, por causa da liberdade em matéria de Religião:

    “A liberdade religiosa, pois favorece, quando não impõe o pluralismo religioso.” Padres de Campos.

    Obs: Em 1986 já havia o projeto para elaboração do novo catecismo. Em 1992 já estava pronto e editado. Em 1983, já havia sido editado o novo código de direito canônico.

    Sabemos que hoje há livre difusão de erros e heresias por clérigos que estão no seio da Igreja. Certas correntes e pentecostalismo que assolam a Igreja.

    é mister, que os verdadeiros inimigos da Igreja sejam destronados dos seus castelos de heresias. Mas, não podemos ver inimigos aonde não há.

  18. Amin Abou Faisal

    Emanuelle “ex nunc” e “fratres in unum” não devem ser considerados termos estrangeiros, termos ou frases latinas porque o latim é uma língua morta, em nenhum lugar se diz latim, senão nas Igrejas e em alguns cursos universitários. Também por isto estão entre aspas.

    —————————————

    Rodrigo, não há rixas entre a Admnistração Apostólica e a FSSPX porque unicamnte romperam laços de amizade, já que uma está em plena comunhão, a outra em comunhão, mas ainda muito conturbada e necessitando de diálogo. Principalmente pela intransigência do monge Dom Lourenço Fleichman, que sua palavra exerce grande influência sobre toda FSSPX.

    —————————————

    OBS: A FRATERNIDADE SÃO PIO X não deve ser também taxada como red-trads, porque está havendo um esforço por parte do seu clero, a comunhão é uma realidade, embora hajam pontos; é verdade que o caminho é longo. Às vezes os rad-trads ou os rad-modernistas estão presentes de maneira muito aflorada em nós mesmos do que
    nos clérigos.

  19. Amin Abou Faisal

    Dom Lefebvre não se contradiz quando afirma que a Missa de Paulo VI é válida, porque de fato, Nosso Senhor faz-se presente nos altares da mesma forma que no rito antigo. O concílio Vaticano II FOI LEGÍTIMO, ora, COMO D. LEFEBVRE NEGARIA ALGO TÃO ÓBVIO?

    MAS, Ele, assim como Dom Antônio defenderam tudo quanto aprenderam da Igreja antes do Concílio, PUSERAM EM PRÁTICA.

    Se foram intransigentes, tiveram seus motivos. Como muitos intransigentes defendem todas as manobras da RCC, por exemplo, ou da teologia da libertação.

    Quem sabe, se este processo doloroso de décadas não tivesse existido, hoje não haveria sequer interesse por resgatar o Rito tridentino…Ah, tudo tem sua razão de ser. Teria talvez caído por completo no esquecimento nosso.

    Prestemos mais atenção a este santo Padre Bento, que em pouco tempo de pontificado já resolveu graves problemas. E ele ainda fará muito pela Igreja.

  20. André Luíz Araújo de Magalhães

    Acredito eu, que, contra os (istas) de plantão a mensagem que deixarei aqui, embora de exaustiva, contudo, de necessária leitura possa ecoar nest blog como belo exemplo de humildade, sabedoria e pulcritude as palavras de um leigo (Sr. Renato Pessanha) que não deixa a verdade escapar em detrimento das considerações humanas:
    ______________________________________________
    Sr. Renato Cabral Pessanha

    9 de abril de 2007

    “Esse meu pronunciamento público tornou-se necessário porque está claro tudo que liga D. Fernando à facção modernista da Igreja, mas está completamente nebuloso o que ainda o liga à autêntica Tradição.”

    CARTA ABERTA AOS FIÉIS DA
    TRADIÇÃO CATÓLICA EM CAMPOS

    Caros irmãos e irmãs em Jesus e Maria:

    MOTIVO DESSA CARTA

    Costumo assistir à Santa Missa tradicional todos os dias, às 18 h. Faz parte de minha vida de católico praticante há mais de 35 anos. Há cerca de dois meses, estava em oração antes do início do Santo Sacrifício, quando me entregaram um exemplar da Orientação Pastoral intitulada “O magistério vivo da Igreja”. Autor: Dom Fernando Arêas Rifan. Estava num envelope, com meu nome manuscrito. Deduzi que era uma correspondência pessoal, cujo recebimento não passara em branco, já que os fiéis que ali estavam viram quando a tomei em mão. E sabiam do que se tratava, pois a outros o mesmo envelope era entregue. Como o ato foi público, pública deverá ser a resposta. E a estendo a todos, já que todos somos parte interessada no assunto, pois se trata do presente e do futuro de nosso posicionamento como católicos nessa diocese. Além do mais, só alguns tiveram endereçamento especificado pelo remetente. Por quê? Certamente porque Dom Fernando esperava, e ainda espera dessas pessoas, algum sinal de total acatamento ao conteúdo do documento.

    BUSCA LEGÍTIMA DE ESCLARECIMENTOS

    Esperará, além disso, algum comentário? Poderá um simples leigo comentar o texto de um bispo? A doutrina católica não o impede, desde que isso seja feito dentro da caridade não fingida, isto é, cristãmente sincera. E se houver alguma discordância, que seja bem embasada e enunciada com o respeito devido a um bispo. Sempre, desde a ordenação de D. Fernando, em 1974, o tratei com fidalguia: confessei-me com ele inúmeras vezes, fiz trabalhos artísticos para ele em seu Centro Catequético, fiz palestras para filhas de Maria a pedido dele, recebi-o em visita em minha casa mais de uma vez, estive presente em encontro no Dia do Professor, e participei de retiro espiritual de carnaval fechado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Saco, quando ele era seu pároco. Acho que é bom deixar claro que até janeiro de 2002 nunca tive a menor dissensão com D. Fernando. Mas quando se trata de novas posições doutrinárias, a coisa muda de figura. Não vamos jogar fora tudo que nos ensinaram, e que assimilamos voluntariamente durante décadas, não é, irmãos e irmãs da Tradição? Não é inoportuno lembrar que um bispo pode errar. Tanto isso acontece, que na própria Orientação consta o pedido de perdão feito por dom Licínio Rangel e todos os seus padres, em 2001, quando da constituição da Administração Apostólica em Campos: “ E se, por acaso, no calor da batalha em defesa da verdade católica, cometemos algum erro ou causamos algum desgosto a Vossa Santidade, embora a nossa intenção tenha sido sempre a de servir à Santa Igreja, humildemente suplicamos o seu paternal perdão” ( p. 30). Não é crível que mais de 50 anos de luta doutrinária leal, teologicamente irrefutável, bem fundamentada em documentos dogmáticos do magistério infalível tenham sido rasgados e eliminados do panorama da História em quatro linhas. Ainda mais com o testemunho incontestável de D. Mayer, que respondeu, quando indagado se tinha recebido propostas de reconciliação com Roma: “Sim, eu diria oficiosas. A elas respondo: Não posso desdizer o que declarei em Êcone. Pedir perdão seria agir contra um dever de consciência, seria condenar o que fiz pelo bem da Igreja e salvação das almas; seria abandonar a causa que assumi, ao lado de Mons. Lefebvre, a causa da Tradição católica”. (Ontem Hoje Sempre – nov. 1989). Estamos, então, diante de duas atitudes opostas. Sejam logo de início colocados esses dois trechos, claríssimos, que contrapõem D. Mayer – que jamais pediu ou pediria perdão de erros que não cometeu -, e D. Licínio – seguido por D. Fernando – que acham que estiveram no erro durante décadas. Como D. Mayer não faria isso, eu também não o farei. Creio que vocês também não, caros irmãos e irmãs da Tradição. Em matéria tão séria, concluo que D. Fernando não pode falar mais em nome de D. Mayer. Não tem procuração para agir de modo oposto a D. Mayer, e ainda citá-lo, como se fosse seu continuador. Seu procedimento contraditório o desautoriza. Sinto dizê-lo, mas se não o fizer, as paredes e bancos das nossas igrejas o proclamarão aos quatro ventos. Para quem disse que o “entendimento” com a Santa Sé não traria “nenhuma mudança quanto à Nova Missa e ao Concílio”, os atos que se seguiram negam o compromisso assumido com os fiéis. Isso foi ouvido por dezenas, que estavam na reunião feita cerca de uma semana antes da cerimônia na Basílica Menor, em janeiro de 2002. Em telefonema a D. Fernando, pouco depois, ainda indaguei: “Houve alguma barganha?”. Resposta: “Não, nenhuma”. Não é verdade que nos sentimos todos humilhados, desapontados, traídos, caros irmãos e irmãs? O que não posso agora é silenciar. O próprio remetente me impele a um pronunciamento. O silêncio, nesse caso, equivaleria a uma aquiescência irrestrita à Orientação em questão.

    PESQUISA E REFLEXÃO

    Foi por isso que me detive na sua leitura cuidadosa, sempre comparando com todos os outros trabalhos que tenho arquivados a respeito. Dentre esses, destaco as Encíclicas dos Papas Beato Pio IX, São Pio X, Pio XI e Pio XII. Também revi as Cartas Pastorais de Dom Antônio de Castro Mayer e livros de Dom Marcel Lefebvre, dois luminares na defesa da Tradição da Igreja. Aliás, foram eles os mestres de Dom Fernando, e foi Dom Mayer quem o elevou à ordem do presbiterato, ordenando-o padre. Sem a sagração de quatro bispos para a Tradição, em 1988, não teríamos a sagração de Dom Licínio Rangel em 1991, após a morte de Dom Mayer e Dom Lefebvre. Acresce a isso tudo a imensa repercussão, pela mídia internacional, de tudo o que acontece na diocese de Campos. D. Mayer ficou mundialmente conhecido por ser o único bispo que, em pleno exercício de sua função, resistiu às reformas conciliares. Foi chamado o “Atanásio brasileiro”. E com razão. Podiam atacá-lo, mas sua ciência teológica e firmeza de caráter nunca foram postas em dúvida, mesmo pelos inimigos. E os tido como amigos, continuariam a sê-lo? Tudo está encadeado, sendo os mais novos eternos devedores de tudo o que são aos mais velhos. De passagem registro que, salvo engano, D. Fernando não menciona uma só vez o nome de D. Lefebvre. É ocioso lembrar que sem Tradição não há Igreja Católica. E que deve ser íntegra. A Tradição, portanto, tem a mais longa de todas as histórias no mundo ocidental, repleta de fatos devidamente documentados, dos quais nenhum historiador sério pode abrir mão. Outros livros também consultei, e artigos de teólogos europeus renomados. Cito alguns: Padres Dominique Bourmaud, Daniel Le Roux , Pierre-Marie e obviamente D. Marcel Lefebvre, companheiro de combate de D. Mayer até o último sopro de vida.. Outra fonte importante são as revistas da União Sacerdotal São João Maria Vianney: Missa Nova: um caso de consciência, Véritas e Ontem Hoje Sempre, sobretudo a Edição Especial lançada quando da sagração de Dom Licínio Rangel, em junho de 1991. Ela traz como manchete de capa: “Eles partiram, a Tradição continua”. Também foi de grande valia a extensa e profunda justificação doutrinária “Sagração Episcopal em Campos – Operação: sobrevivência da Tradição”, publicada pela mesma União Sacerdotal em 1991.

    O PONTO NEVRÁLGICO

    A Orientação coloca a questão, delicada entre todas, do Magistério da Igreja em suas várias formas. Em outros termos, a Igreja enquanto mestra, enquanto ensina em nome de Deus. Todo católico deve acatamento externo e interno à doutrina emanada do Papa. Mas nem sempre o Vigário de Cristo empenha toda sua autoridade, de doutor universal, nem declara querer definir nenhum dogma solene “ex cathedra” para o mundo inteiro, tratando de assunto de fé e moral. Esse é o magistério extraordinário, no qual o Papa é sempre infalível. Muitos pensam, por desconhecimento, que toda palavra do Papa goza da infalibilidade. Isso não é verdade. A própria Orientação cita trecho (p.23) do Papa João Paulo II, na Carta Dominicae Cenae, de 24/2/80, em que ele assim se expressa: “Quero pedir perdão – em meu nome e no de todos vós, veneráveis e queridos irmãos no episcopado – por tudo o que, por qualquer motivo que seja e por qualquer fraqueza humana, impaciência, negligência, em virtude também da aplicação às vezes parcial, unilateral, errônea das prescrições do concílio Vaticano II, possa ter suscitado escândalo e mal-estar…”. O Papa pede perdão, em seu nome e no dos bispos, por aplicações até mesmo errôneas, do Concílio. Se não falhasse nunca, como pedir perdão? Fica claro que o Papa pode ser fraco, negligente, impaciente, e até mesmo errar, e causar escândalo. É ele que o diz. Então ele não é sempre infalível. Nesse caso, seria até um dever e um bem caridosamente adverti-lo, como um filho amoroso pode fazer com seu pai. Eu mesmo tive essa experiência com o meu, e foi o dia em que ele mais atento ficou, de cabeça baixa, silencioso e com olhos fechados. Digo-lhes que foi um fato único, ainda mais partindo do nono filho, 55 anos mais novo que ele. E sendo ele quem era, homem colérico e autoritário.

    O Papa também é infalível em seu magistério ordinário. Para tanto, é preciso que o que ele ensina seja constante e universal. Que haja uma seqüência ininterrupta de Papas, no tempo e no espaço, confirmando tal doutrina. Exemplos: a Humanae Vitae, de Paulo VI, e a Ordinatio Sacerdotalis, de João Paulo II, que proíbe a ordenação de mulheres. Nesses casos, já existe uma tradição unânime, dotada de estabilidade, que confere caráter infalível à doutrina proposta. Vale aí o conjunto de atos, e não um ato isolado solene. É patrimônio sagrado, serenamente admitido por uma série de teólogos e documentos pontifícios. Todos os fiéis são nesse caso obrigados a crer, como doutrina divinamente revelada. É palavra de Deus.

    Agora chegamos ao ponto-chave do tema: o terceiro tipo de magistério, chamado de autêntico. Esse termo técnico significa “meramente autorizado”. Está ligado à pessoa do Papa, a sua autoridade pessoal. Não se refere a sua infalibilidade. São coisas distintas. Em seus pronunciamentos privados, ou em decisões em que deixa claro não querer definir nenhum dogma de fé, o Papa goza apenas de sua autoridade limitada como doutor e bispo. Se isso é assim, e é o que defende o cardeal Siri (revista Renovatio 1968), o ensinamento tem que atender certas condições para ser tido como verdade de fé: tem que ser tradicional (citado pelo Pe. Pierre-Marie). Se romper com a Tradição,o magistério ordinário não envolve infalibilidade. Ao romper, falha. Falhando, não obriga em consciência nos pontos em que falha. Em tempos normais, o magistério autêntico exige acatamento prudente. Mas vivemos em estado de necessidade, o que gera o direito de necessidade. Ensina o documento “Operação: sobrevivência da Tradição”: “Direito de necessidade é a soma das regras jurídicas que valem em caso de ameaça contra a perpetuidade ou atividade da Igreja”. Como hoje a Fé está em perigo, pode-se invocar esse direito. Foi o que possibilitou a sagração de D. Licínio Rangel em 1991, mesmo sem mandato da Santa Sé. E isso foi feito pelos quatro bispos sagrados por D. Lefebvre e D. Mayer, na Suíça, em 1988. Sem esse recurso extraordinário, mas lícito, a Tradição não teria sobrevivido. Será que D. Lefebvre não mereceria, ao menos por isso, uma menção elogiosa?

    A AUTORIDADE DO CONCÍLIO VATICANO II

    Convocado pelo Papa João XXIII em 1962, o Concílio não quis ser dogmático, mas pastoral. Afirma o Pe. E. Doronzo O.M.I. no Observatório Romano, em set. 1972: “Entre os exemplos do magistério extraordinário não infalível há os diferentes documentos do Vaticano II(…)”. Também D. Mayer não foi condenado doutrinariamente por recusar certos ensinamentos do Concílio. Na carta de 21 de novembro de 1983 ao Papa, assinada também por D. Lefebvre, ele não hesita em qualificar o “falso direito natural do homem em matéria religiosa”, qualificando-o de “blasfêmia”. Ora, se esses dois bispos estivessem em erro, teriam sido punidos. Mas eles estavam com a Tradição, com a verdade. Por isso podemos com eles não aceitar tudo que o Concílio promulgou, que não incorreremos em erro. Se o Papa Paulo VI falou em “autodemolição” da Igreja, e na penetração nela da “fumaça de satanás”, referia-se a isso: “novidades” que perturbam e obscurecem a consciência dos fiéis (ecumenismo, diálogo inter-religioso). Isso está em ruptura com a Tradição, pois nenhum Papa antes visitou sinagoga, elogiou Lutero ou promoveu encontros de seitas e cultos dentro de qualquer basílica católica, como aconteceu em Assis em 1986. Nesses pontos os fiéis podem e devem mostrar publicamente sua discordância.

    CORRENTES EM CONFRONTO

    Longe de nós afirmar que o Concílio foi herético. Como sempre nos ensinaram nessa diocese nos últimos 40 anos, trata-se de cotejar sua doutrina com a Tradição. Isso por cautela, já que, sem qualquer dúvida, muitas questões suscitaram vivas polêmicas, os seus frutos foram amargos, e teólogos modernistas, como Rahner, tiveram nele larga influência. Uma prova das divisões entre modernistas – condenados por São Pio X e Pio XII – e tradicionalistas no concílio Vaticano II, diz respeito ao falso “direito” à liberdade religiosa. Esse tema envolve a grave questão das relações entre o Estado e a Igreja, da missão da Igreja de pregar a verdade do Evangelho, de como tolerar outros “credos” como mal menor, e como agir em países de maioria pagã ou católica. Após falar das duas correntes na sessão preparatória, que se opunham – os da Tradição liderados pelo Cardeal Ottaviani, e os liberais tendo à frente os Cardeais Bea, Alfrink e Frings, conclui o jornal SimSimNãoNão, em artigo de jul/ag 2005: “ Tudo o que foi exposto revela claramente a existência de uma fissura no seio das próprias comissões preparatórias, uma fratura que sairia definitivamente à flor da pele na “aula” conciliar. De um lado, encontramos os que só queriam reelaborar e expor fielmente a doutrina católica de sempre, e de outro, configurava-se cada vez mais a vontade de recorrer à pastoral para inserir uma modificação substancial na concepção católica das relações entre a Igreja e o Estado. A nova orientação deletéria, que desgraçadamente acabou prevalecendo, manifesta-se com clareza no esquema do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, presidido pelo Cardeal Bea”. Foi usando táticas como essa que, sem dogmatizar, os modernistas foram contaminando todos os textos conciliares. Sabiam que, se fossem explícitos, seriam excomungados. D. Mayer ensina argutamente em sua Carta já citada: “Mais sinuosa é a falácia, quando se fere a Tradição, através de elucidações dogmáticas que, sem negarem os termos tradicionais, de fato, são incompatíveis com os dados revelados (…). Há igualmente descaminhos para a heresia, nas deduções que ampliam o conteúdo das premissas (…). Mais sutis são os novos usos, especialmente em liturgia, que sub-rogam aos antigos, e que não são dotados da mesma riqueza, senão que insinuam outros conceitos religiosos” ( citado na “ Homenagem pelos 40 anos de episcopado”, p. 23 ). Não resta dúvida, portanto, de que tudo o que emanou de um Concílio tão conturbado, onde se usou de tantas manobras, precisa ser dissecado com cautela e sabedoria adequadas. O pedido de perdão de João Paulo II endossa essa tese, e nos alarma, visto que em nenhum outro Concílio da Igreja, houve necessidade do Papa ter que vir a público pedir perdão por erros conciliares. Se se seguisse a Tradição, não haveria necessidade desse verdadeiro vexame universal. Só o discurso de conclusão do Concílio, do Papa Paulo VI, é assustador: “ nós, também, mais que ninguém, nós temos o culto do homem”. Nisso, caros irmãos e irmãs, seguirei sempre, e espero que também vocês, a atitude de D. Mayer e de D. Lefebvre, que em sucessivas cartas ao Papa, em jan.1974, nov. 1974, nov. 1983, dez. 1986, ag. 1985 e jun.1988, deixaram claríssima sua oposição aos abusos de poder, heresias e erros difundidos pelo Concílio. Apenas um trecho para provar isso: “Desde há quase vinte anos que nos esforçamos com paciência e firmeza por fazer compreender às autoridades romanas essa necessidade do regresso à sã doutrina e à Tradição, para renovação da Igreja, para a salvação das almas e para a glória de Deus. Porém ficam surdos às nossas súplicas, pedem que reconheçamos toda a justeza do Concílio e das reformas que arruínam a Igreja…” . Como bons teólogos que eram, não se arriscariam a afirmar de forma tão cristalina e candente que as reformas conciliares não devem ser aceitas, e que trazem a ruína à Igreja. Termos tão pesados só se sustentam porque o Concílio não é dogmático, e sua doutrina pertence ao magistério ordinário meramente autêntico. Na mesma medida em que rompe com a Tradição, nessa mesma medida pode e deve ser recusado. Afirma D. Mayer em sua Carta Pastoral “Aggiornamento” e Tradição: “ (…) o ato do Magistério ordinário de um Papa que colida com o ensinamento caucionado pela Tradição magisterial de vários Papas e por espaço notável de tempo, não deveria ser aceito”.

    Ainda mostra um quadro mais dramático, na mesma Carta, quando declara: “Tanto mais, quanto a Exortação do Santo Padre (Paulo VI, em 1971), deixa entrever que há uma verdadeira conspiração para demolir a Igreja (… ) .Há, pois, entre os fiéis, um movimento de ação dupla convergente para a formação de uma nova Igreja, que só pode ser uma nova falsa religião…” Aí D. Mayer liga os desvios não a algo ocasional, mas a um plano orquestrado. Quem o orquestrou? Quando começou essa orquestração? Depois de tudo que foi esclarecido, não é difícil responder. O verdadeiro sentido do “aggiornamento” do Papa João XXIII, assevera D. Mayer em sua Carta Pastoral sobre o assunto, era “uma maneira de expor a doutrina católica, de sorte que possa atrair o homem moderno de espírito reto”. Sem essa retidão, que rareia na modernidade, a interpretação foi deturpada, a ponto de se perder, de modo generalizado, a noção correta. É aí que se encaixa a conspiração: não terá sido tudo proposto já se sabendo que a corrente modernista, muito forte, usaria as passagens ambíguas dos textos conciliares a seu favor? A pergunta tem toda lógica, e precisa ser posta sem medo. Ela é a conclusão das premissas colocadas por D. Mayer. Não há como fugir dela. Todo o clima cultural revolucionário dos anos 60 praticamente inviabilizou o projeto no seu melhor sentido. Diz D. Mayer: “ (…) inculca-se a tese de que a Igreja tradicional, como existira até o Vaticano II, já não está á altura dos tempos modernos. De maneira que Ela deve transformar-se totalmente” .

    PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA ETERNA

    Relembrar essas verdades me traz tristeza e alívio. O primeiro sentimento tem como razão o fato de estar sendo, contra meu feitio, obrigado a contestar um bispo formado por D. Mayer. Não estive sequer uma vez no palácio episcopal para conversar com ele. Nunca pertenci a nenhuma associação católica. Nunca me confessei com ele. Sempre o vi como uma pessoa distante de mim. Mas nunca estive distante de sua doutrina, dos sacramentos e da confissão mensal, da Missa e da recepção da Eucaristia diariamente. Sem falar na recitação do Rosário todos os dias. Como poderia agora, passados 16 anos de sua morte, esquecer de todo o bem que sua luta, única no meio ao modernismo imperante após o Concílio, me fez? Cumpro meu dever de gratidão. Também não poderia ficar quieto e dormir tranqüilo. E como não retiraria do tesouro do Batismo e da Fé católica, mais importante que a luz dos meus olhos, lições de vida que me conduzam retamente em meio á confusão espiritual reinante? E me sinto aliviado, irmãos e irmãs, por finalmente expor a vocês o que nos foi legado. Na verdade, todos que desejamos ser fiéis à Tradição, estamos angustiados com os caminhos que o grupo de padres formados por D. Mayer tem tomado desde 2002. Não vou enumerar todos os fatos lamentáveis ocorridos desde então. Apenas as concelebrações em Aparecida do Norte, na Basílica Menor de Campos, e o fato da “Renovação Carismática Católica” estar sendo dirigida por um padre ordenado por D. Mayer. Tudo isto está documentado, inclusive com fotos. Mas o ponto culminante foi a publicação da Orientação Pastoral em janeiro último. Ela não corresponde, de forma alguma, à orientação segura que D. Mayer imprimiu em todo seu episcopado, que tinha como lema “tenete traditiones”. Para que essa carta-aberta não se transforme num tratado, quero concluir com um trecho – não retirado de nenhum contexto, como não o foram todos os outros que citei antes – da carta que D. Antonio de Castro Mayer, nosso líder maior a quem tudo devemos abaixo de Deus, remeteu ao Papa Paulo VI, em janeiro de 1974 : “ Ao longo desses anos foi tomando corpo em meu espírito a convicção de que atos de Vossa Santidade não têm, com os Pontífices que o antecederam, aquela consonância que com toda a alma eu neles desejaria ver…Limito-me a submeter a Vossa Santidade três estudos: 1. Sobre a “ Octogésima Adveniens”; 2. Sobre a liberdade religiosa; 3. Sobre o Novo Ordo Missae… de modo especial suplico a Vossa Santidade queira declarar-me: a. Se encontra algum erro nas doutrinas expostas nos três estudos anexos; b. Se vê na atitude assumida nos ditos estudos face aos documentos do Supremo Magistério, algo que destoe do acatamento que a estes devo como bispo…” . Resposta: “ As cartas de 25 de janeiro p.p…. chegaram ao destino”.

    CONCLUSÃO

    Caros irmãos e irmãs em Jesus e Maria:

    Logicamente não fiz um estudo exaustivo da Orientação Pastoral. Selecionei alguns pontos em que fica patente a oposição entre ela e a orientação deixada por D. Mayer, como no trecho da carta a Paulo VI acima transcrito.D. Lefebvre tem sua memória simplesmente apagada. Diante desses fatos inegáveis, e considerando a enorme responsabilidade que cada um de nós tem diante de Deus, como luz e sal que devemos ser nesse mundo hostil à Tradição, cumpro essa difícil tarefa de contestar a posição de um bispo da Santa Igreja, com o qual privei durante tantos anos, desde o tempo em que era seminarista maior na Igreja do Terço, cheio de talento musical e dons naturais incomuns. Concluo com um luminoso texto recente da revista SimSimNãoNão: “(…) É possível que uma intervenção do Magistério entre em contradição com uma outra. A fé não se deve perturbar, porque a infalibilidade não está em jogo; mas o senso dos fiéis tem o direito de escandalizar-se, porque tais fatos revelam uma profunda desordem no exercício do Magistério. Negar a existência desses fatos em nome de uma compreensão errônea da infalibilidade da Igreja, e negá-la ‘a priori’ não está em conformidade nem com as exigências da teologia, nem com as da história, nem com as do bom senso mais elementar (…) Ora, a fé exige a submissão da inteligência diante do Magistério e a ultrapassa, não sua demissão diante das exigências de coerência intelectual que são de sua competência, na medida em que o julgamento é uma virtude da inteligência. Eis porque, quando uma contradição é evidente (…), o dever do fiel, e mais ainda do teólogo, é de se dirigir ao Magistério para pedir-lhe que o retifique ( “A Eucaristia salvação do mundo”, Ed. Du Cèdre, Paris 1981, pp. 56 sq.). É exatamente isso que quero por último lhes pedir, caros irmãos e irmãs: que se dirijam a D. Fernando, assim como me dirijo a vocês, para que reveja sua posição, recordando-lhe sua trajetória de vida. Também insistam junto àqueles padres que sabemos não estão de acordo com essa nova posição, oposta à de D. Mayer, que se manifestem. É preferível lutar com honra, a ter uma vida sacerdotal cheia de sobressaltos, sem saber até quando ficarão à frente de suas paróquias. E o que virá depois? Morrer com o remorso de não ter agido de modo corajoso na hora certa. E a hora é agora, ou melhor, pode até já ter passado o momento da graça. Peço que reproduzam e distribuam essa carta, já que farei o mesmo, sendo o primeiro a recebê-la o próprio D. Fernando Arêas Rifan, Exmo. Bispo da Administração Apostólica. Ele contará sempre com minhas parcas orações, assim como toda a Hierarquia da Igreja Católica, sobretudo o Santo Padre Bento XVI. Esse meu pronunciamento público tornou-se necessário porque está claro tudo que liga D. Fernando à facção modernista da Igreja, mas está completamente nebuloso o que ainda o liga à autêntica Tradição. E nós, simples leigos, mas parte viva do Corpo Místico de Cristo, certamente merecemos uma satisfação e uma resposta atenciosa de nossos pastores. Sobretudo como pertencentes a uma diocese conhecida no mundo inteiro, pelo seu zelo na defesa da ortodoxia na figura de seu expoente maior, e seguidor de São Pio X: Dom Antonio de Castro Mayer. É em nome de tudo que até 2002 simbolizamos que solicitamos uma resposta a nossas dúvidas, perplexidades e justos anseios de católicos. Meu abraço amigo e respeitoso a todos vocês, irmãos e irmãs da Tradição Católica de Campos. Que Jesus Ressuscitado, a Santíssima Virgem e São José nos abençoem a todos.

    Renato Cabral Pessanha

    Campos dos Goytacazes, 09 de abril de 2007

  21. André Luíz Araújo de Magalhães

    Dito por senhor Amin:

    Rodrigo, não há rixas entre a Admnistração Apostólica e a FSSPX porque unicamnte romperam laços de amizade, já que uma está em plena comunhão, a outra em comunhão, mas ainda muito conturbada e necessitando de diálogo. Principalmente pela intransigência do monge Dom Lourenço Fleichman, que sua palavra exerce grande influência sobre toda FSSPX.

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    Caro senhor, o Reverendíssimo Monge Beneditino Dom Lourenço mostra-se com santa intransigência da mesma forma como foi também intransigente o Capuchinho Frei Padre Pio de Pietrelcina quando recusou as reformas e que mandou para “o diabo” (SEGUNDO CONSTA NOS MANUSCRITOS DA VIDA DE PADRE PIO) o capítulo no mosteiro que trataria das coisas referentes à reforma do Concílio Vaticano II. Olhe que Dom Lourenço não chegou a este ponto, mas, não se calou diante da derrocada do “Barroux” nem fez barganha.

    Mostre aqui onde Dom Lourenço escreveu algo contra a doutrina Sacrossanta da Romana Igreja Católica. Caso contrário, queira retratar-se. Se ser intransigente e falar a verdade e defender a Santa Igreja da cólera do progressismo, “Deo gratias!” pela intransigência deste bondoso e pio sacerdote que é Dom Lourenço.