Milagre de Fátima – jornal “O Século” de 17 de outubro de 1917

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Já em maio de 1917 Jacinta e Lúcia haviam dito que a Senhora que tinham visto prometera um milagre para o dia 13 de outubro, ao meio-dia, como prova da sinceridade dos pequenos. Tinham recordado essa promessa várias vezes e nunca tinham alterado a sua história, nem mesmo sob a coação de maus tratos e perseguições capazes de aterrorizar umas crianças de dez, nove e sete anos. E no dia predito por elas, setenta mil pessoas afirmaram ter presenciado o sol girar e ameaçar cair. Um testemunho tão amplo veio confirmar que as crianças tinham visto efetivamente a Mãe de Deus e que fora concedido a essas almas simples da Cova da Iria aquilo que fora recusado aos fariseus de coração incrédulo e adúltero: um sinal no céu.

– Walsh, William Thomas, “Nossa Senhora de Fátima”, pág. 172. Quadrante, São Paulo, 1996.

O SÉCULO NOTICIA: MILAGRE DO SOL

[fonte: Montfort]

“O Século” noticia:
O MILAGRE DO SOL

O jornal “O Século” publica um artigo de Avelino de Almeida, onde este descreve o que presenciou na Cova da Iria no dia 13 de Outubro de 1917.

COISAS ESPANTOSAS!
COMO O SOL BAILOU AO MEIO DIA EM FÁTIMA
As aparições da Virgem – Em que consistiu o sinal do céu – Muitos milhares de pessoas afirmam ter-se produzido um milagre – A guerra e a paz
Lucia, de 10 anos; Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, que na charneca de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourem, dizem ter falado com a Virgem Maria

OUREM, 13 de Outubro
Ao saltar, após demorada viagem, pelas dezasseis horas de honrem, na estação de Chão de Maçãs, onde se apearam tambem pessoas religiosas vindas de longes terras para assistir ao “milagre”, perguntei, de chofre, a um rapazote do “char-á-bancs” da carreira se já tinha visto a Senhora. Com seu sorriso sardoico e o olhar enviezado, não hesitou em responder-me:

– Eu cá só lá vi pedras, carros, automoveis, cavalgaduras e gente!

Por um facil equivoco, o trem que nos devia conduzir, a Judah Ruah e a mim, até à vila, não apareceu e decidimo-nos a calcoffiar corajosamente cêrca de duas leguas por não haver logar para nós na diligência e estarem, desde muito, afreguezadas as carriotas que aguardavam passageiros. Pelo caminho, topámos os primeiros ranchos que seguiam em direção ao local santo, distante mais de vinte kilometros bem medidos.

Homens e mulheres vão quasi todos descalços – elas com saquiteis à cabeça, sobrepujados pelas sapatorras; eles abordoando-se a grossos vara-paus e cautelosamente munidos tambem de guarda-chuva. Dir-se-hiam, em geral, alheados do que se passa à sua volta, n”um desinteresse grande da paizagem e dos outros viandantes, como que imersos em sonho, rezando n”uma triste melopeia o terço. Uma mulher rompe com a primeira parte da ave-maria, a saudação; os companheiros, em côro, continuam com a segunda parte, a suplica. N”um passo certo e cadenciado, pisam a estrada poeirenta, entre pinhaes e olivedos, para chegarem antes que se cerre a noite ao sitio da aparição, onde, sob o relento e a luz fria das estrelas, projetam dormir, guardando os primeiros Jogares junto da azinheira bemdita – para no dia de hoje verem melhor.

À entrada da vila, mulheres do povo a quem o meio já infêtou com o virus do céticismo, comentam, em tom de troça, o caso do dia:

– Então vaes vêr ámanhã a santa?

– Eu, não. Se ela ainda cá viesse!

E riem-se com gosto, emquanto os devotos proseguem indiferentes a tudo o que não seja o objetivo da sua romagem. Em hourem só por uma amabilidade extrema se encontra aposentadoria. Durante a noite, reunem-se na praça da vila os mais variados veículos conduzindo crentes e curiosos sem que faltem velhas damas vestidas de escuro, vergadas já ao peso dos anos, mas faiscando-lhes nos olhos o lume ardente da fé que as animou ao ato corajoso de abandonar por um dia o inseparavel cantinho da sua casa. Ao romper d”alva, novos ranchos surgem intrépidos e atravessam, sem pararem um instante, o povoado, cujo silencio quebram com a harmonia dos canticos que vozes femininas, muito armadas, entoam n”um violento contraste com a rudeza dos tipos…

O sol nasce, mas o cariz do céu ameaça tormenta. As nuvens negras acastelam-se precisamente sobre as bandas de Fátima. Nada, todavia, detem os que por todos os caminhos e servindo-se de todos os meios de locomoção para lá confluem. Os automoveis luxuosos deslisam vertiginosamente, tocando as buzinas; os carros de bois arrastam-se com vagar a um lado da estrada; as galeras, as vitorias, os caleches fechados, as carroças nas quaes se improvisaram assentos vão ajoujados a mais não poderem. Quasi todos levam com os farneis, mais ou menos modestos, para as bocas cristãs a ração de folhelho para os irracionaes que o “poverelo” de Assis chamava nossos irmãos e que cumprem valorosamente a sua tarefa… Tilinta uma ou outra guiseira, vê-se uma carrocinha adornada de buxo; no emtanto, o ar festivo é discreto, as maneiras são compostas e a ordem absoluta… Burrinhos choutam à margem da estrada e os ciclistas, numerosissimos, fazem prodígios para não esbarrar de encontro aos carros.

Pelas dez horas, o ceu tolda-se totalmente e não tardou que entrasse a chover a bom chover. As cordas de agua, batidas por um vento agreste, fustigam os rostos, encharcando o macadame e repassando até os ossos os caminhantes desprovidos de chapeus e de quaesquer outros resguardos. Mas ninguem se impaciente ou desiste de proseguir e, se alguns se abrigam sob a copa das arvores, junto dos muros das quintas ou nas distanciadas casas que se debruçam ao longo do caminho, outros continuam a marcha com uma impressionante resistencia, notando-se algumas senhoras cujos vestidos colados aos corpos, por efeito do impeto e da pertinácia da chuva, lhes desenham as fórmas como se tivessem saído do banho!

O ponto da charneca de Fátima, onde se disse que a Virgem aparecera aos pastorinhos do logarejo de Aljustrel, é dominado n”uma enorme extensão pela estrada que corre para Leiria, e ao longo da qual se postaram os veículos que lá conduziram os peregrinos e os mirones. Mais de cem automoveis alguem contou e mais de cem bicicletas, e seria impossível contar os diversos carros que atravancaram a estrada, um d”eles o auto-omnibus de Torres Novas, dentro do qual se irmanavam pessoas de todas as condições sociaes.

Mas o grosso dos romeiros, milhares de creaturas que foram de muitas leguas ao redor e a que se juntaram fieis idos de varias províncias, alemtejanos e algarvios, minhotos e beirões, congregam-se em tomo da pequenina azinheira que, no dizer dos pastorinhos, a visão escolhera para seu pedestal e que podia considerar-se como que o centro de um amplo circulo em cujo rebordo outros espectadores e outros devotos se acomodam. Visto da estrada, o conjunto é simplesmente fantástico. Os prudentes camponios, abarracados sob os chapeus enormes, acompanham, muitos d”eles, o desbaste dos parcos farneis com o conduto espiritual dos hinos sacros e das dezenas do rosario.

Não ha quem tema enterrar os pés na argila empapada, para ter a dita de ver de perto a azinheira sobre a qual ergueram um tosco portico em que bamboleiam duas lanternas… Altenam-se os grupos que cantam os louvores da Virgem, e uma lebre, espavorida, que galga matagal em fóra, apenas desvia as atenções de meia duzia de zagaletes que a alcançam e prostram à cacetada…

E os pastorinhos? Lucia, de 10 anos, a vidente, e os seus pequenos companheiros, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, ainda não chegaram. A sua presença assinala-se talvez meia hora antes da indicada como sendo a da aparição. Conduzem as rapariguinhas, coroadas de capelas de flôres, ao sitio em que se levanta o portico. A chuva cae incessantemente mas ninguem desespera. Carros com retardatários chegam à estrada. Grupos de freis ajoelham na lama e a Lucia pede-lhes, ordena que fechem os chapeus. Transmite-se a ordem, que é obedecida de pronto, sem a minima relutância. Ha gente, muita gente, como que em extase; gente comovida, em cujos labios secos a prece paralisou; gente pasmada, com as mãos postas e os olhos borbulhantes; gente que parece sentir, tocar o sobrenatural…

A criança afirma que a Senhora lhe falou mais uma vez, e o céu, ainda caliginoso, começa, de subito, a clarear no alto; a chuva pára e presente-se que o sol vae inundar de luz a paizagem que a manhã invernosa tomou ainda mais triste…

A hora antiga” é a que regula para esta multidão, que calculos desapaixonados de pessoas cultas e de todo o ponto alheias ás influencias misticas computam em trinta ou quarenta mil creaturas… A manifestação miraculosa, o sinal visivel anunciado está prestes a produzir-se – asseguram muitos romeiros… E assiste-se então a um espectáculo unico e inacreditavel para quem não foi testemunha d”ele. Do cimo da estrada, onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de pessoas, a quem escasseou valor para se meter à terra barrenta, vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zenit. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possivel fitar-lhe o disco sem o minimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-hia estar-se realisando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se levanta, e aos espectadores que se encontram mais perto se ouve gritar:

– Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!

Aos olhos deslumbrados d”aquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos biblicos e que, palido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fóra de todas as leis cosmicas – o sol «bailou», segundo a tipica expressão dos camponeses.. Empoleirado no estribo do auto-omnibus de Torres Novas, um ancião cuja estatura e cuja fisionomia, ao mesmo tempo doce e energica, lembram as de Paul Déroulède, recita, voltado para o sol, em voz clamorosa, de principio a fim, o Credo. Pergunte quem é e dizem-me ser o sr. João Maria Amado de Melo Ramalho da Cunha Vasconcelos.

Vejo-o depois dirigir-se aos que o rodeiam, e que se conservaram de chapeu na cabeça, suplicando-lhes, veementemente, que se descubram em face de tão extraordinária demonstração da existência de Deus. Cenas idênticas repetem-se n”outros pontos e uma senhora clama, banhada em aflitivo pranto e quasi n”uma sufocarão:

– Que lastima! Ainda ha homens que se não descobrem deante de tão estupendo milagre!

E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho da propria Virgem, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artificio, que ele baixou quasi a ponto de queimar a terra com os seus raios… Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de côr…

São perto de quinze horas.

O ceu está varrido de nuvens e o sol segue o seu curso com o esplendor habitual que ninguem se atreve a encarar de frente. E os pastorinhos? Lucia, a que fala com a Virgem, anuncia, com ademanes teatraes, ao colo de um homem, que a transporta de grupo em grupo, que a guerra terminára e que os nossos soldados iam regressar… Semelhante nova, todavia, não aumenta o jubilo de quem a escuta. O sinal celeste foi tudo. Ha uma intensa curiosidade em vêr as duas rapariguinhas com suas grinaldas de rosas, ha quem procure oscular as mãos das «santinhas», uma das quaes, a Jacinta, está mais para desmaiar do que para danças”, mas aquilo por que todos anciavam – o sinal do ceu – bastou a satisfazel-os, a radical-os na sua fé de carvoeiro. Vendedores ambulantes oferecem os retratos das crianças em bilhetes postaes e outros bilhetes que representam um soldado do Corpo Expedicionario Portuguez “pensando no auxilio da sua protetora para salvação da Patria” e até uma imagem da Virgem como sendo a figura da visão…

Bom negocio foi esse e decerto mais centavos entraram na algibeira dos vendedores e no tronco das esmolas para os pastorinhos do que nas mãos estendidas e abertas dos leprosos e dos cegos que, acotevelando-se com os romeiros, atiravam aos ares seus gritos lancinantes…

O dispersar faz-se rapidamente, sem dificuldades, sem sombra de desordem, sem que fosse mister que o regulasse qualquer patrulha da guarda. Os peregrinos que mais depressa se retiram, correndo estrada fóra, são os que primeiro chegaram, a pé e descalços com os sapatos à cabeça ou dependurados nos varapaus. Vão, com a alma em lausperene, levar a boa nova aos logarejos que não se despovoaram de todo. E os padres? Alguns compareceram no local, sorridentes, enfileirando mais com os espectadores curiosos do que com os romeiros avidos de favores celestiaes. Talvez um ou outro não lograsse dissimular a satisfação que no semblante dos triunfadores tantas vezes se traduz…

Resta que os competentes digam de sua justiça sobre o macabro bailado do sol que hoje, em Fátima, fez explodir hossanas dos peitos dos fieis e deixou naturalmente impressionados – ao que me asseguraram sujeitos fidedignos os livres pensadores e outras pessoas sem preocupações de natureza religiosa que acorreram à já agora celebrada charneca.

Avelino de Almeida

O jornal português da época, scanneado, está disponível em três partes [clique para ampliar]:

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P.S.: Na verdade, estas fotos são propriamente da revista “Ilustração Portugueza” (No. 610, Outubro 29, 1917, 18-20), editada pelo jornal “O Século”. Agradeço ao Edson pela correção.

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29 thoughts on “Milagre de Fátima – jornal “O Século” de 17 de outubro de 1917

  1. Alien

    Jorge, sabes se existe algum milagre oficialmente reconhecido pela Igreja Católica mais atual? Um que foi fotografado em melhor qualidade e talvez até filmado?

  2. Marcelo

    Jorge,
    apresento a vc. e ao pessoal da Montfort (a fonte por vc. citada) os meus sinceros agradecimentos pelo grande presente que é a reprodução desse artigo de jornal sobre o milagre de Fátima. Peço licença para copiá-lo e enviá-lo aos amigos e parentes.
    Muito obrigado.
    Sds.,
    de Marcelo.

  3. Jorge Ferraz Post author

    Prezado Marcelo,

    De minha parte, tal artigo não só pode como deve ser com empenho divulgado, para que seja amplamente conhecido.

    Abraços,
    Jorge

  4. Argo

    Alô, Mancebos, estou de volta!!! [CENSURADO]

    [De volta e no lugar errado.

    As tuas conversas pendentes estão aqui, te esperando.

    – Jorge]

  5. carlos

    Um milagre com dia e hora marcados, presenciado por 70 mil pessoas e até registrado na imprensa anticristã da época! Só na Igreja Católica! Viva a Santa Igreja! Viva Nossa Senhora de Fátima!
    Para gáudio dos católicos e eterna confusão dos ateus, agnósticos e hereges de todos os tempos!
    Carlos.

  6. Matheus Cajaíba

    Jorge, sugiro que leia os livros e artigos do Padre Quevedo a respeito. Há relatos de muitos casos de curas miraculosas em Lourdes, belíssimos e muito bem documentados.

  7. Laerte Rodrigues

    Não nos esqueçamos que Fátima está intimamente ligada ao destino final da humanidade. Quando o Imaculado Coração de Maria triunfar será o tempo católico por excelência. Que Deus Onipotente apresse este dia bendito!!!!

  8. Ianua.Coeli

    Queria ter conseguido ler esse artigo no mes de maio, mas Penso que o maior valor é a intenção.

    Por João Medeiros Filho, padre, escritor e membro do IHGRN

    Desde a Antigüidade, ou seja, bem antes do nascimento de Jesus Cristo, o mês de maio era ligado a um personagem feminino. Seu nome deriva de uma homenagem a Maia, deusa da mitologia greco-romana. Esta, segundo os estudiosos, era a mais jovem das sete Plêiades, filhas do gigante Atlas com Afrodite. Mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses, Maia era a deusa do renascimento e, portanto, associada à primavera, que, no hemisfério norte, tem seu auge ou esplendor no mês de maio.

    Mas, antes de existir um mês chamado maio – criado por Rômulo, quando da fundação da cidade de Roma (753 A.C) – já havia uma ligação dessa época do ano com um arquétipo feminino. Vejamos: a constelação que mais se destaca nas noites de maio é justamente a de Virgem, com sua brilhante estrela Spica. Esta constelação foi assim denominada em alusão às atividades de jardinagem, tarefas de responsabilidade das mulheres. Assim, o céu, durante o mês de maio, passou a ser associado à figura feminina. Vale salientar ainda que a constelação de Virgem já foi conhecida como Anna, a deusa do céu e esposa do deus sumério Anu.

    É bom lembrar também que outrora esteve associada a Deméter, deusa romana da Agricultura e a Eva, esposa de Adão, a mãe dos viventes, segundo o relato do Livro do Gênesis.

    Com o advento do cristianismo e sua doutrina, uma nova e poderosa figura feminina ganhou força: a Virgem Santíssima. E assim, a veneração a Nossa Senhora veio preencher uma lacuna existente no catolicismo, religião esta, até então, exclusivamente patriarcal. De acordo com a tradição católica, o fato de Maria Santíssima ser filha de Ana, ou Anna – que já estava ligada à constelação de Virgem – contribuiu ainda mais para que se promovesse tal associação. Cabe ressaltar igualmente que, segundo a teologia católica, Maria é chamada de nova Eva, o que veio reforçar esta analogia.

    E como Maria Santíssima é venerada pelos católicos como a Rainha dos Céus, seu manto é representado pela cor azul do firmamento, simbolizando o céu. Nessa interpretação, Maria, Mãe de Jesus, é a Rainha dos Céus, daí Ave, Regina Coelorum (Salve, Rainha dos Céus), uma das antífonas rezadas ou cantadas, durante o ano litúrgico, como conclusão das Completas na Liturgia das Horas. Na Ladainha de Nossa Senhora (também chamada Ladainha Lauretana) há uma invocação, denominando-a Porta do Céu (Ianua Coeli).

  9. Ianua.Coeli

    Queria saber se é verdade que a homenagem a Nossa Senhora deriva de deuses pagãos como diz esse padre.

  10. Lampedusa

    Ianua,

    E esse texto quando muito diz que o mês de Maio poderia ter sido escolhido como o mês de Maria como uma espécie de cristianização de uma tradição pagã e não a própria devoção a Maria como oriundo dela.

  11. Marta Ordoñez

    O artigo de 1917, de Avelino de Almeida, é um dos mais belos textos que li. É um testemunho de que a Virgem Maria, mãe de Deus, está presente em nossas vidas e, portanto, prova que existe um Deus único. Por outro lado, a Igreja Católica deveria repensar as formas como está passando as palavras de Deus. Na minha experiência como leitora da Bíblia, os laços entre o Velho Testamento e o Novo Testamento estão claros como água cristalina. Ainda mais porque minha formação em Letras me facilita em muito os estudos teológicos.
    Por outro lado, sabemos que muitos brasileiros que não têm o costume da leitura (e deveriam ter)acabam por não compreender os diversos gêneros bíblicos.
    As missas a que tenho assistido não explicam todas as partes da Bíblia (sendo que são muitas as missas – de janeiro a dezembro), partes estas muito simples que poderiam ser perfeitamente esclarecidas pelos padres.
    Por que isso não acontece? Com todo o respeito que tenho pela minha igreja, o problema não é da Igreja Católica enquanto instituição. Tem a ver com a formação intelectual dos padres e com a disposição em ensinar a palavra aos católicos. O padre é um professor também.
    Eu diria que falta a muitos padres o entusiasmo em ensinar. Por certo, essa falta de entusiasmo tenha a ver com a qualidade de vida dos padres que precisa ser reavaliada. Felicidade a todos!

  12. Pedro M

    Marta, isso que você disse me levou a fazer 3 comentários rápidos:

    1) A organização das missas durante o ano permite que se leia todo o Evangelho (ou o NT, se não me engano) assistindo apenas às missas de domingo durante três anos, e todo o restante da Bíblia (o que é bastante coisa) indo a todas as missas feriais durante dois anos. Por mais que os protestantes “leiam a Bíblia” e façam muitos cultos, duvido muito que eles repassem a Bíblia inteira aos fiéis em três anos, 1h por dia (muitas partes dela mais de uma vez).

    2) Sabemos que nem tudo na Bíblia é de interpretação fácil. Alguns temas são impossíveis de serem exauridos em algumas missas.

    3) Sabemos, com tristeza, que o nível geral das homilias hoje é péssimo. O momento de esclarecimento e ensino, como você exaltou, torna-se qualquer coisa menos educativo. Como você sugeriu, avançaríamos muito mais no conhecimento teológico se os padres fossem melhor formados e mais esforçados. O Papa costuma mostrar suas belíssimas homilias como exemplo, e o tema foi recentemente tratado em Roma, como explica este artigo (só em inglês).

    Como católicos, já temos excelente acesso à Sagrada Escritura. Agora resta-nos “quem nos explique” (At 8,30-31).

    Paz e bem.

  13. Marta Ordoñez

    Prezado Pedro M:
    Muito obrigada pelos comentários.
    Sobre o comentário n.1 eu diria que os conteúdos passados dependem da Igreja Católica e do padre (ou dos padres) que realizam as missas. Você está tendo mais sorte!
    Aliás, na minha opinião, deveria haver um folheto explicativo (que fosse afixado em todas as igrejas católicas) das partes da bíblia que serão tratadas nas missas. Assim, o católico ficaria melhor informado.
    Outra coisa, seria mais coerente que as missas iniciassem o ano com os estudos do Velho Testamento e, depois, no segundo semestre, a explicação do Novo Testamento, uma vez que o Novo é a confirmação do Velho. Claro que os assuntos ficariam um tanto quanto enxugados, mas já seria bom. O católico que quisesse fazer suas leituras complementares individuais em casa já teria um entendimento geral.
    Sobre o comentário n.2: Acho que resolveria a vida do católico se os padres escolhessem as “histórias” mais significativas de cada parte da bíblia. Sei que o fator ‘tempo’influencia, mas um padre entusiasmado pode fazer de uma missa nota 1000.
    Sobre o comentário n.3, sem dúvida a formação dos padres é decisiva para o funcionamento da Igreja Católica como instituição. Sem isso, os católicos ficam “ao Deus dará” (com o perdão da irreverência da expressão). A forma como os ensinamentos dos padres são passados estão intimamente ligados à formação acadêmica. Conclusão: Um padre que sabe tudo da bíblia (somados aos conhecimentos científicos) e, portanto, tem a CERTEZA ABSOLUTA de que Jesus é o próprio Deus, vai aumentar a fé dos católicos. É isso que falta ser reformado na Igreja Católica.
    Queria entender por que essa crise da formação clerical está ocorrendo. Felicidades para você e um ótimo 2010!

  14. Edson Jose da Silva

    Boa tarde!

    Caro Jorge, congratulações pelo seu trabalho em seu blog. Rogo a Nossa Senhora, que te conserve para o melhor exercício de tua missão. Acredito que tu saibas, embora não deixas claro, que as imagens do jornal O Século, a mostrar a matéria em seu blog não são exatamente do jornal e sim da revista semanal Ilustração Portuguesa, editada pelo jornal O Século. Você pode acessar vários exemplares da revista pelo link: http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/search/label/1917. Tornar claro os detalhes ajuda os descrentes a enxergarem a verdade…

    Um forte abraço;

    Edson

  15. Edson Jose da Silva

    Caso tenha sido proveitosa a informação, aguardo seus comentários.

  16. Jesus Cristo Laico

    A mafiosa família Vaticano está constituída em estado independente, imperial e absolutista e usa o cristianismo, que criou e esmerilou com requintes, como filosofia (politica de estado) para agregar e submeter. Nunca uma máfia foi tão longe! Ao contrário de todas as organizações mafiosas a família Vaticano sempre cultivou o saber que usou e usa com mestria como arma poderosa para se impor. E com o seu método das confissões construiu uma abisssal base de dados obtidos a todos os níveis e vertentes das sociedades de todo o mundo.
    Uma simples pergunta – para quê intermediários para rogar e falar com os divinos?

  17. D. R.

    Jorge,

    Gostaria de saber se você sabe, ou alguém aqui, se as profecias de Fátima foram publicadas ou, pelo menos, entregues pela Irmã Lúcia à Igreja antes dos acontecimentos da II Guerra Mundial?

    Se sim, aonde posso encontrar tais informações?

    Pois, pelo que já li sobre o assunto, a Irmã Lúcia só as revelou depois que já tinha começado a II Guerra Mundial e os erros comunistas na Rússia.

    É isso que os céticos alegam, dizendo que as profecias só foram reveladas após já terem sido cumpridas (exceto, é claro, o terceiro segredo); como, por exemplo, o início da II Guerra, o nome do Papa Pio XI, o sinal luminoso nos céus da Europa, etc.

    Infelizmente, tentei procurar alguma informação que refutasse essa afirmação, mas não encontrei nada a respeito.

    Outra coisa, a aparição de Fátima e suas profecias já foram oficialmente aprovadas pela Igreja?

    Obrigado!

  18. Ilídio Barros

    D.R.

    “Outra coisa, a aparição de Fátima e suas profecias já foram oficialmente aprovadas pela Igreja?”

    13-10-1930 – Pela Carta Pastoral “A Divina Providência”, o Bispo de Leiria declara “dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria” e permite oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.

    Fonte: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1311

    Cumprimentos.

  19. Ilídio Barros

    D.R.,

    “Gostaria de
    saber se você sabe, ou alguém aqui, se as profecias de Fátima foram publicadas
    ou, pelo menos, entregues pela Irmã Lúcia à igreja antes dos acontecimentos da
    II Guerra Mundial?”

    “Na mensagem
    de Fátima existem muitas profecias e previsões, sobre o fim da guerra, sobre
    uma futura e ainda pior guerra, anunciada por uma luz estranha, sobre
    perseguições à igreja, sobre a «Rússia espalhar os seus erros pelo mundo», até
    sobre o atentado ao papa. É difícil encontrar um conjunto mais preciso,
    detalhado e certeiro de prognósticos em toda a vasta história mundial de
    profecias.

    No
    entanto, existe um facto que ensombra o valor dessas afirmações: o segredo
    pedido pela Senhora. De facto, as crianças nada disseram sobre a maior parte
    dessas profecias, até elas deixarem de ser antevisões. E aqueles a quem Lúcia
    revelou, depois da autorização sublime, esses segredos, também em geral
    decidiram guardá-los em segredo até deixarem de ser previsões.

    De facto, as duas primeiras partes do segredo da aparição de Julho, nas quais
    se incluía a maior parte das previsões, só foram completamente reveladas na
    quarta «Memória» da irmã Lúcia, escrita em 1941. Nessa altura já a guerra tinha
    começado, a Rússia afirmara-se como uma força mundial e até já viera a noite
    com a «luz estranha». E, mesmo então, a «Memória» manteve-se reservada, como
    carta particular que era, só vindo a ser publicada nos anos 70.

    Nada disto tira valor às impressionantes profecias de Fátima. Mas, apesar dos
    dados históricos indiscutíveis, continua a ser necessária a confiança na
    seriedade dos videntes, pois as comunicações públicas foram posteriores aos
    acontecimentos.” João César das Neves, O Século de Fátima.

  20. Carminda de almeida

    Concordo com o que acabei de ler,os segredos que dizem ter havido deviam ter sido desvendados na devida altura e não depois de alguns factos já terem acontecido,tais como a guerra mundial e o desmantelamento da Rússia.

  21. Pingback: "E que é que Vossemecê me quer?" | Deus lo Vult!

  22. HELIO ELOI MENDES

    SO SEI DE UMA COISA .A ESPIRITUALIDADE DE FATIMA E DIFERENTE EU SENTIR UMA ALEGRIA MUITO GRANDE ,UMA PAZ NUNCA ANTES EM MINHA VIDA..AGOSTO DE 2011