Chefe da Família. Rainha do Lar.

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 11 meses 20 dias atrás.

Estão muito produtivas as discussões sobre o papel da mulher no Matrimônio católico, que foram motivadas por um meu comentário a um ponto do discurso do presidente Lula aqui em Recife. O assunto – a lista Tradição Católica que o diga… – tem uma impressionante capacidade de acirrar ânimos e melindrar susceptibilidades. Sobre ele, vale tecer alguns comentários.

Dentro do Matrimônio, a cada um dos cônjuges competem papéis distintos e complementares. Quer agrade, quer desagrade. Isto não é uma convenção social e nem uma construção histórica; isto está inscrito na própria natureza do consórcio matrimonial, da forma como foi querido e instituído por Deus. Portanto, esposo e esposa não são peças idênticas de uma máquina, perfeitamente intercambiáveis entre si sem nenhum prejuízo da harmonia do todo. Ele é esposo, ela é esposa. Ele é pai, ela é mãe. Ele é chefe da família, ela é rainha do lar.

Isto, no entanto, não pode ser entendido com a estreiteza intelectual das feministas. É óbvio que a mulher não está “proibida” de sair de casa, desde que isso não a faça descuidar do seu papel insubstituível de manter a ordem e a harmonia no lar da família. E é óbvio que a vocação a (vá lá, usemos corajosamente a palavra que tem uma carga tão pejorativa nos dias de hoje, explicando-a melhor adiante) dona de casa – vocação de toda mulher casada, diga-se de passagem – não tem nada de degradante, de simplória ou de digna de compaixão. Ao contrário: tem muito é de santidade e de heroísmo.

Não me lancem pedras, ainda. Ser dona de casa não tem nada a ver com ser inculta, ou com precisar passar a vida entre o fogão e o tanque de roupas, ou com tantas outras imagens ainda mais ofensivas que encontramos algures, mas que eu não vou reproduzir aqui. Uma mulher casada pode optar por ser médica ou executiva, por ser jornalista ou advogada, por ser professora ou pesquisadora. O que ela não pode é optar por ser dona de casa – i.e., por ser a responsável pela ordem doméstica -, porque isso não é opção, é precisamente o papel que lhe compete dentro do Matrimônio, e do qual ela não pode abdicar.

Vê-se muito extremismo sobre este assunto. Por exemplo, há quem ache um absurdo que a menina seja educada para os serviços domésticos porque precisa trabalhar para não ser “vagabunda”, e há quem diga que mulher não pode estudar porque tem é a obrigação de cuidar da casa. E vê-se muita da estreiteza intelectual sobre a qual falei acima. Sim, a menina precisa ser educada para ser dona de casa, e a mulher casada precisa sê-lo de fato. Sim, a menina (e a moça, e a mulher, solteira ou casada) pode(m) estudar, e a moça e a mulher (a casada inclusive) podem trabalhar. Quem vê contradição entre as duas coisas é porque não encarou ainda a realidade sem as lentes ideológicas infelizmente tão comuns nos dias de hoje.

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45 thoughts on “Chefe da Família. Rainha do Lar.

  1. Alex A.B.

    Já que se reconhece que o bebê precisa de ser amamentado pelo menos por 6 meses, por que a lincença maternidade é de só 4 meses?! O que impede que a licença maternidade seja de pelo menos 6 meses para satisfazer a necessidade da criança de amamentar no peito de sua mãe e a necessidade da mãe de amamentar seu próprio filho?! Será que é por causa do lucro acima de tudo ou da ganância por dinheiro, tipo tio Scrooge, de alguns empresários ou empresárias, pela ganância por dinheiro dos banqueiros e políticos?! Será que a saúde e felicidade de uma criança e sua mãe é menos importante que o lucro de uma empresa ou país ou banco?! O desmame fora de hora de uma criança faz mal tanto a ela como a sua mãe! Mais tarde a sociedade pagará por adultos doentes.

  2. Karina

    Ih, Alex, acho que o principal motivo é o preconceito mesmo. Já falei e repito: na iniciativa privada, “mãe” é sinônimo de “falta” ao trabalho, de “pessoa que não está 100% comprometida com a causa da empresa” e coisas do tipo.

    Se eu estivesse na iniciativa privada, aaah, eu teria direito a uns 20 minutos por dia livre para meu filho.

    Teresa, obrigada pelo post.

    Sabe o que eu acho graça: mulheres que param de amamamentar (frisa-se por vontade própria) interrompem um processo de recuperação pós parto, o que pode lhes trazer complicações mais tarde. E muitos desses mesmos médicos dizem que há “abortamento seguro”… Vá entender?!?!?!

  3. Teresa

    Karina,
    vou perguntar a vc pq vc me parece bastante equilibrada. Peço desde já desculpa pela minha ignorância na matéria, que é de facto gigantesca; daí a pergunta estúpida e sem sentido para quem saiba, não para mim que n sei:
    N há a possibilidade de amamentar durante uma parte do dia e a outra parte usar mamadeiras? Ou seja, os leites n se podem misturar, há algum problema com isso ou é possível fazer-se isso?

    E se a mulher amamentasse quando está em casa e o bebé fosse alimentado por mamadeira quando a mãe trabalha?

    Pq agora como estão as coisas, passados os quatro meses, como a mulher vai amamentar durante o dia se n está com o bebé?

    Até quando dura mais ou menos o leite materno? Até quantos meses de vida do bebé?

    Abs

  4. Alex A.B.

    Karina, mas esse “preconceito” a que você se refere não é justamente um fruto dessa idolatria do dinheiro, do mercado, do trabalho com a finalidade do lucro acima de tudo!

    Se o dinheiro e o poder não fossem tão idolatrados como são, seria muito simples deixar a mãe amamentar o filho. Mas, pelo contrário, como o dinheiro e o lucro são tão idolatrados, não se pode dispensar a mãe nem “um pouquinho” do trabalho, porque não ela vai deixar de se comprometer com a causa da empresa, seja publica ou privada, que é ganhar dinheiro até, até não poder mais; é o lucro acima de tudo!

  5. João

    Caro Alex:

    Não dá para criar uma licença-maternidade de 6 meses (ou de 13 meses como na Suécia) e depois jogar isso na conta da empresa. Não é uma questão de ganância. É uma questão de viabilidade financeira. Já que o benefício é para toda a sociedade, é a sociedade toda que tem que pagar, via INSS. O resultado é impostos e mais impostos e mais impostos.

    Acho que as empresas que evitam contratar mães estão sendo bastante racionais. É realmente difícil conciliar maternidade e vida profissional. De certo modo, essas empresas estão fazendo um favor a essas mães: “fique em casa e cuide de seus filhos”. É ou não é um bom conselho?

    Como a natureza humana não muda, por maior que seja a licença-maternidade, o resultado final acaba sendo o mesmo. Quanto mais mulheres na força de trabalho de um dado país, menor o número de filhos por mulher.

  6. Karina

    Alex, é mais ou menos por aí mesmo. Triste realidade. O lucro da empresa no fim do mês vale mais que a saúde da família dos funcionários.

    Teresa, os médicos recomendam tirar o leite com a bombinha e dar na mamadeira ou copinho enquanto se está fora.

    Acontece que há alguns problemas:

    1) Eu tinha leite pra caramba. Mas o único que conseguia tirar era meu filho. A bombinha, além de não sair nada, machucava o bico do seio, o que prejudicava as mamadas “corpo a corpo”.

    2) Armazenar o leite não é coisa tão simples. Hoje, os potes que tem tampa de plástico são também de plástico, e os potes de vidro, geralmente, tem tampa de ferro. Só pode armazenar em pote de vidro com tampa de plástico. Fora que tem que ficar muito atento à conservação, pois é muito perecível.

    3) Mesmo quando se consegue a façanha de tirar na bombinha, não é muito.

    4) Claro, existem mulheres abençoadas, a pediatra contou da mãe de um paciente dela que tirava mais de 1 litro de leite por dia na bombinha, além do que o bebê mamava!!! Ela doava para o banco de leite, um gesto muito bacana que eu não consegui fazer.

    5) A introdução da mamadeira, em muitos casos, faz o bebê perder o interesse pelo peito. Esse é o pior ponto.

    6) O que muitos pediatras não orientam é que a mulher pode começar a armazenar o leite no segundo mês de vida do bebê (época que a produção está a mil), e estocar num banco de leite. Não é a mesma coisa que doação!! Mas aí tem que ver como funciona direitinho a logística do banco, pra não chegar no dia do seu bebê precisar e não ter como buscar o leite.

    De qualquer forma, o contato na hora da amamentação é indescritível e, no meu ver, insubstituível.

  7. Karina

    João, entre licença maternidade de 13 meses, e meu marido ganhar um salário digno para eu não precisar trabalhar, fico com a segunda opção. Disso não tenho dúvida.

    Daí que surge o “grande paradoxo” (bonito, né?) pós feminismo: criou-se a NECESSIDADE da mulher trabalhar, mas não foram criadas condições adequadas para isso. E nem se tem interesse nisso, pois o objetivo do movimento “libertador” da mulher era justamente reduzir a natalidade.

    E daí temos que quanto mais se apoia “direitos” anti-naturais (anti-concepção, aborto, homossexualismo, sexo livre…), mais se contribui para que o significado de formar/manter uma família vá perdendo importância para as pessoas, e maior se torna a “necessidade” da mulher se sustentar, pois não há família/esposo que o faça. E quem sai perdendo são as crianças, principalmente!!

  8. Karina

    Teresa, desculpa, uma pergunta sua me passou despercebido: quanto tempo dura a “fabricação” de leite.

    Bem, depende.

    Quanto mais o bebê mama, mais leite se produz. Esse é outro problema da bombinha, ela não surte o mesmo efeito que o bebê mamando diretamente.

    Só que já vi mulheres que, mesmo amamentando, viram a produção de leite diminuir drasticamente após o 4º ou 5º mês, a ponto de ser necessário de fato complementar a alimentação.

    Eu fiquei chocada comigo que, dois dias após voltar da licença maternidade, a escala de trabalho na minha fábrica particular de leite já havia remanejado todos os “funcionários” para o turno da noite. Durante o dia era folga coletiva Rsrsrs.

    Quando meu menino parou de mamar, também com dois dias eu já não tinha mais leite nenhum.

    Tem mulher que tem leite à beça, mas o bebê recusa… aí chega a dar febre na mãe.

    Mas, via de regra, enquanto o bebê mamar a gente vai produzindo leite ao menos suficiente para ele.

  9. Alex A.B.

    Karina, as perguntas que a Teresa lhe fez foram muito boas! E as suas respostas melhores ainda! Suas respostas são muito interessantes!
    Por que você não as coloca no blog da Teresa?! Converse com a Teresa sobre a possibilidade de você duas fazerem um post sobre esse assunto da amamentação. Vai ajudar muita gente!

  10. Teresa

    Eu faço isso, Alex. Vou copiar e colar os comentários da Karina sobre os benefícios da amamentação.

    Se repararem, tenho escrito menos esta semana – é por causa do trabalho que é às toneladas…

    Só devo voltar a escrever lá para Sábado.

    Abraço

  11. Alex A.B.

    Oi, Teresa!

    Gostei da frase “o trabalho que é às toneladas”!

    Você então tem que ter força de elefanta para carregar todas essas toneladas, não é mesmo?!

    De onde lhe vem tanta força?! :P

    Brincadeiras à parte, que bom que você gostou da idéia!

    Esse assunto interessa não apenas às mulheres, mas também pode ser útil a estudantes de medicina, enfermagem, ou, simplesmente, a quem tenha interesse independente do trabalho ou condição pessoal.

  12. Karina

    Teresa, obrigada pela consideração, mas vale lembrar que meus comentários não são “científicos”, são de vivência minha e de algumas colegas que tiveram filho na mesma época que eu. E, infelizmente, não são todas as mulheres que conseguem amamentar, e não é por falta de vontade.

    Vou deixar aqui mais um testemunho da maravilha da amamentação.

    A vizinha da babá do meu filho ADOTOU um bebezinho recém nascido.

    Incomodada com a ideia de ter que dar mamadeira e leite industrializado pro filho, ela começou a colocá-lo para “mamar” no peito. Não demorou muito tempo para que o milagre do amor tomasse a forma de leite, e ELA PÔDE AMAMENTAR de verdade seu pequenino.

    Faço questão de ressalvar, para os preconceituosos de plantão: a família é humilde, mas vejam a sabedoria e o amor dessa mãe! E tantas mães de sangue, instruídas em letras, deixam de dar esse tesouro aos filhos por puro capricho!

  13. Pingback: Filhos: o verdadeiro direito de escolher | Deus lo Vult!

  14. Alexandre Magno

    Quanto tempo demorou?
    Ela nada tomou para induzir a produção?

  15. Alexandre Magno

    Triste realidade. O lucro da empresa no fim do mês vale mais que a saúde da família dos funcionários.

    Com frequência, quando vejo empresas “preocupadas” com a saúde de seus funcionários (ainda não é das famílias deles), é apenas para reduzir custos com idenizações futuras ou lucrar com marketing, e trata-se de empresa já estabelecida, muito grande.