Carnaval III

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É claro que existem incontestáveis imoralidades no carnaval como hoje ele é celebrado. Negá-lo, é negar a os fatos tais e quais eles se apresentam – e este é um dos outros mitos do carnaval que precisa ser derrubado. Dizer simpliciter que o carnaval é uma festa neutra é falsear a realidade.

Não estou aqui simplesmente para fazer uma apologia do carnaval, é lógico. O carnaval não tem defesa. As escolas de samba do Rio de Janeiro parecem ter como conditio sine quae non a existência de mulheres (quando muito!) seminuas, e os grandes blocos de Salvador são uma festa onde a promiscuidade encontra cidadania. Não dá para defender este tipo de evento, naturalmente. Não é este o objetivo desta série de artigos.

Eu tive a sorte de nascer sob o império do frevo recife-olindense. É uma dança que não tem lá muitos chamativos sensuais: dança-se sozinho, exige uma boa técnica, as vestimentas e os passos da dança não pretendem possuir apelo sexual. Este é o carnaval que eu conheço, o carnaval da minha infância, das marchinhas antigas das quais tanto gosto! Naturalmente, não posso dizer que as ladeiras de Olinda são o último recôndito de moralidade durante os dias em que Momo impera. Mas (parece-me!) é muito mais fácil brincar carnaval de uma maneira lícita quando se escuta frevo do que quando se escuta samba ou axé.

E as pessoas que desejam simplesmente brincar o carnaval de uma maneira saudável encontram-se, durante os dias de folia, sem opções. Por um lado, existem as vergonhosas festas profanas das quais não se pode simplesmente participar (uma vez que evitar as ocasiões de pecado é um mandamento tão forte quanto o de evitar o pecado em si). Por outro lado, existe (as mais das vezes) uma completa vacuidade de opções legítimas para se divertir durante os dias de carnaval. É evidente que não me refiro aos retiros ou acampamentos: estes, existem em considerável número, mas me refiro àquelas opções que respeitam o direito do cristão de se divertir nos dias que antecedem o roxo quaresmal. São poucas estas possibilidades. Feliz de quem pode dispôr delas.

Se é importante resgatar o carnaval, é fundamental que isso seja feito por meio da substituição das festas profanas que conhecemos por outras festas, mais razoáveis, menos pecaminosas, mais adequadas aos filhos de Deus que só querem aproveitar os últimos dias antes da Quaresma. Hoje em dia, o dilema parece ser entre entregar-se à promiscuidade dos dias de Momo ou sacrificar a alegria carnavalesca. Não parece haver meio termo. E, durante estes dias de folia, é exatamente isso uma das coisas que mais faz falta.

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11 thoughts on “Carnaval III

  1. Pingback: Quem é limpo deve evitar o que ameace a sua pureza « Ecclesia Una

  2. Francisco de Castro

    Caro Jorge, antes se brincava carnaval pensando nos rigores da quaresma. Jejum e penitência. Até a Igreja mudava exteriormente, cobrindo as imagens dos santos de roxo e retirando as flores. Hoje a Quaresma é só período na litúrgico da Igreja, indiferente ao povo; para o povão, aquele que brinca carnaval, não está se despedindo de nada. Não se faz mais jejum nem na sexta-feira Santa. Eu (confesso minha culpa) em plena sexta feria santa acompanhei uma turma que foi para praça de uma praia da minha cidade ouvir paredão de só e beber vinho.(isto no tempo de afastamento da Igreja) Sexta Feira santa, em que nem a casa se barria. Em que as estações de radio só colocava musica instrumental e a paixão de Cristo. Então quaresma até para os católicos semi praticantes não é mais um período de penitência. No máximo é um tempo de recordação. De encenação da Paixão de Cristo que incentiva o turismo também em seu estado, vide Nova Jerusalém. Já por lá também!Infelizmente nem a Igreja do Brasil indica mais isto. Já se liberou o consumo de carne por aqui em Fortaleza na Sexta-feira santa também porque aumentam o preço do pescado absurdamente e o pobre se não comer um franguinho vai se contentar como ovo se quiser fazer a abstinência. Quaresma no Brasil, agora é tempo de se mobilizar para defender o social. Este ano defendem a Terra, Gaia. Como li em certo artigo não demorará muitos e estaremos uivando pra lua ou como no Avatar refazendo para grande Arvores mãe. Por isso que não se justifica mais o carnaval como direito à alegria pra um tempo de penitencia. Se faz carnaval ou melhor festa de rua até na quaresma. Alternativa mesmo para quem dançar é pular só nos encontros festivos das comunidades da RCC.

  3. Sandra

    Jorge

    O Carnaval é muito bom.
    Minha fanilia é toda foliã.
    Meus pais começaram a namorar em um baile de carnaval.
    Sempre levaram minha irmã e eu às matinês.
    Minha irmã é mais foliã que eu. Eu so aquele tipo que dança parada com os dois dedos indicadores levantados.
    Como boa paulistana nosso carnaval era de salão.
    “pulei” muitos anos no Juventus, agora sozinha não tenho mais vontade. O folião era meu marido.
    Meu filho mais velho sempre que pode vai passar o carnaval em Recife e o mais novo não liga muito.
    A promiscuidade está na pessoa, ela é promiscua em qualquer época do ano. Não é o carnaval que a torna promíscua.
    O problema do carnaval é a multidão que mostra a aglomeração de pessoas.
    Naquele mundaréu de gente, tem crianças, idosos, que estão se divertindo em “alas” separadas dos que foram pra “pegação”.
    Todos podemos nos divertir sem promiscuidade, é so querer sair pra efetivamente brincar o carnaval!
    Os blocos de rua estão voltando a São Paulo, com suas marchinhas e os naipes de metais.
    Podemos passar horas agradáveis com nossos amigos e familiares, cantando e dançando, estravasando o “stress” do dia a dia.
    Com muita paz, muita serenidade, muita alegria podemos ter um carnaval em paz e sem nenhuma promiscuidade.
    É muito bom.

  4. olegario

    Sandra, minha filha

    Esse carnaval que voce apresenta não existe!
    Isso é utopia nostálgica.
    Carnaval é de fato o que se vê por ai, nos salões, na avenida e nas ruas:
    bebedeira, prostituição, atentando contra a moral etc…
    Filha, isso que voce imagina é mais parecido com o Mágico de Oz!
    E eu sou o homem lata.
    E voce, a Dorothy

    O Mágico de Oz – Dorothy canta ‘Over the Rainbow’ – you tube.

  5. olegario

    Em tempo: E a Sra. não faz “folia” só no carnaval não…
    É foliã o ano todo por aqui tambem.
    Em Jesus e Maria
    Olegario.

  6. R. B. Canônico

    Jorge, penso que este foi o seu principal texto sobre o tema, até agora.

    Como e onde divertir-se de modo sadio?

    Eu não conheço uma festa de carnaval da qual eu possa participar sem agredir minha consciência. Não dá!

    E não vejo lá uma grande saída. Afinal, o problema são as pessoas que frequentam as festas. E cada vez mais a sociedade cria um ambiente promíscuo… inclusive, a propaganda oficial do governo…

  7. Leopoldo

    Sr. Jorge,

    Desculpe-me mas o senhor anda sentindo falta de muita coisa… Eu hein!

  8. Sandra

    olegario

    Como vc é vizinho ano que vem está convidado passar o carnaval com minha familia e amigos.

    Serão muito bem vindos você e sua familia.

    Temos um bloco que sai uma semana antes do carnaval.

  9. lucas

    Faz muito tempo que não “brinco” no carnaval. Na minha infância, carnaval era sinônimo de bisnaga d’água , confetes de papel, serpentinas,martelinho de plástico e fantasias. Me divertia muito ! Como tudo, isto não existe mais…tudo mudou.
    Difícil sustentar que o carnaval não favorece a promiscuidade. Se a pessoa já é ,no carnaval fica em maior grau. Tudo favorece: música, pouca roupa,etc…
    É como se o ladrão pudesse roubar um carro forte sem nenhum soldado.
    Não faço a mínima idéia de como poderia se resgatar o carnaval de outrora ou substituí-la por outras festas.

    abraços,
    lucas

  10. Jailson Oliveira

    Acabei de voltar do Recife Antigo. E lá, de fato, se encontra o carnaval antigo.

    No caminha da volta nos deparamos, eu e toda minha família, mulher, filhos, etc., com pelo menos 3 ou 4 blocos líricos, alguns maracatus e tribos de caboclinhos. Um carnaval a moda antiga, que só se encontra no Recife.

    Emocionante!

  11. Tamyres

    Meu amigo Jorge ainda vai ser o personagem do folião das propagandas do estado! rsrsrs

    Bem, não é querendo ser pessimista, mas esse Carnaval ideal não só está muito longe de acontecer, mas essa festa está cada vez pior.
    Se em Salvador as músicas em si são por demais erotizadas, a falta dessas músicas em Recife/Olinda não faz com que o povo se comporte melhor. Das poucas vezes que me dei uma chance de conhecer o carnaval de Recife (sejam de prévias, ou no Recife antigo) o que eu vi foi: homens e mulheres usando a rua de banheiro, pois é, mulheres também, pessoas completamente embriagadas, brigas, outros usando drogas (a primeira vez que me ofereceram drogas foi numa prévia de Carnaval), acho que a promiscuidade não precisa nem ser citada.
    No fim de semana anterior, estava eu almoçando e vendo tv, a emissora estava transmitindo ao vivo as prévias do Carnaval de Olinda, quando aparece no programa um travesti completamente nú nas ruas de Olinda…
    Eu poderia “brincar” o Carnaval de rua me comportando como cristã? Lógico! Mas eu simplesmente não sei sentir alegria quando estou rodeado desse por inúmeras pessoas se destruindo pelo pecado e ofendendo a Deus.