Um programa, um objetivo, um fim almejado

closeAtenção, este artigo foi publicado 5 anos 9 meses 17 dias atrás.

Esta foto está também no Fratres in Unum; encontrei-a aqui, onde tem algumas outras fotos do encontro de Assis (em particular esta aqui, que retrata a mesma situação e mostra o altar que está defronte ao Papa).

Trata-se do Vigário de Cristo junto com alguns líderes religiosos (não sei dizer se estavam aqui todos presentes) ao fim do encontro, na cripta de São Francisco, rezando diante do Santíssimo Sacramento.

O senhor de púrpura à esquerda da foto é o Dr. Rowan Williams, chefe da Igreja anglicana, prostrado de joelhos diante de Cristo Eucarístico. Ecumenismo de verdade é isso aí! É claro que, provavelmente, os diversos líderes religiosos aí presentes estão fazendo somente bom-mocismo diante do Rei dos Reis; mas a foto tem a força de um programa, de um objetivo a ser buscado, de um fim almejado pelo qual vale a pena trabalhar. Sim, queremos todos os homens reunidos, mas os queremos assim: reunidos aos pés de Cristo! E, como o estar sob o sol queima a pele ainda que não se atente para isso, oxalá o colocar-se diante do Sol da Justiça possa conceder algumas graças para estes homens que estão diante de Cristo e ao lado do Seu vigário – ainda que não o saibam.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

16 thoughts on “Um programa, um objetivo, um fim almejado

  1. Olegario

    Jorge,

    Não tenho a pretensão de fazer por aqui o papel de advogado do diabo, mas acrescento ao debate um pensamento meu.
    O problema do “ecumenismo” é que se os hereges prestam solenidade ( mesmo que timidamente ) ao Reis dos reis, o Papa, por retribuição, simpatia e obrigação ecumênica, tem de fazer o mesmo a eles.
    E aí é que reside o problema.
    Eles reverenciam ( nunca adoram ) o Santíssimo Sacramento.
    E o Papa, em contra partida, por ecumenismo tem de fazer o que..?
    Se eu for catequizar um umbandista e trazê-lo para missa no domingo e sendo ambos ( eu e ele ) ecumênicos, na sexta-feira eu teria de ir ao terreiro?

    Olegario.

  2. Wilson Ramiro

    … como eu já li certa vez “Meu pai fica muito maior quando está rezando de joelhos”

    Toda catequese consiste em deixar que vejam o Deus que eu tenho em mim.

  3. Jorge Ferraz Post author

    Mas Olegario, é exatamente isto! Em retribuição, o Papa… escutou os hereges e infiéis. O Papa não fez absolutamente nada equiparável (do ponto de vista das falsas religiões) à oração diante do Deus Verdadeiro. É essa a beleza da coisa :)

    Abraços,
    Jorge

  4. Alexandre Magno

    Na minha opinião, se o fiel representativo é convicto e verdadeiro para com sua religião e os crentes dela, como espera-se de um líder religioso, ele nunca deve entrar no que for próprio de outra religião. Ele não deve praticar o que quer que seja, de outra religião, que confronte com a sua [religião]. Coisas assim não são necessárias de nenhuma parte, nem da parte de um budista nem muito menos da parte do Papa, num encontro como o de Assis.

    Seria um disparate o Papa olhar de lado e dizer com gravidade: “convido vocês a se ajoelharem para o Senhor dos Senhores”. Pois é o próprio Espírito Santo que informa eficazmente aos corações a respeito disso. Ele [o Espírito] faz isso quando quer, como quer, e aonde quer.

    Para um diálogo ecumênico honesto, os católicos não devem esperar que os demais ali presentes se ajoelhem para o Senhor do Universo. Nesse sentido, não importa se Ele é o Senhor do Universo, Ele só quer a prostração do homem de coração convicto, persuadido.

    O que se espera, pelo menos, é uma atitude de respeito pela limitação do outro. De certo modo, que o líder mulçumano veja o Papa como um ser humano limitado, e não cuspa na Bíblia, e que o Papa veja o líder mulçumano como um ser humano limitado, e não cuspa no Alcorão, e que ambos vejam a si mesmos como limitados.

    Como homem que interage com outros homens, o papel do católico dialogante é buscar e compartilhar verdade, para conduzir a si mesmo e a outros para a Verdade.

    A grande vantagem da parte católica no diálogo ecumênico é que ela orienta-se por crenças de uma religião e de um sistema filosófico – diga-se de passagem – que tem como 1º mandamento comum “amar a Verdade sobre todas as coisas”. 

    Uma situação de ecumenismo sem conversão (leia-se: um encontro como esse de Assis, em que todos voltam para onde estavam, para sua religião, para suas vidas) ainda é válido. Espera-se que – pelos desígnios da Misericórdia e da Justiça – algo mude em cada alma que participa dele. É oportunidade para descobrir e partilhar verdades (pertencentes à ùnica Verdade).

    Além do mais, deixando um pouco de lado o ecumenismo propriamente dito, encontros com outros líderes são importantes mesmo em termos meramente diplomáticos. Males devem ser evitados sempre que possível! E é claro, de uma forma ordenada, inteligente. Não é tapar o sol com a peneira.

    Eu acredito muito na capacidade do Papa, e não penso que ele se preste a tapar o sol com a peneira!

  5. Rodrigo Cesar

    Quando estou perto de desanimar com o Papa ele faz uma destas….
    A cara consternada do representante do candomblé vale o dia.
    Não importa o quanto o encontro tenha sido uma má idéia, e foi, e que nada de real tenha sido construído, com um só gesto o Papa mostrou que a Igreja não deve negociar a verdade, que ela volte a ser a Mãe e a Mestra dos povos, por mais que venha a doer , e vai muito, os inimigos estão no seio da Igreja e aqueles que poderiam ajudar se perdem “barbeando pêssegos”.

  6. Alexandre Magno

    Em discurso que Bento XVI dirigiu às delegações que participaram do encontro de Assis, ele diz:

    [Este encontro é] um sinal de amizade e de fraternidade […]. Que esta amizade continue crescendo entre os seguidores das religiões do mundo

    Eu leio: “Que nossos filhos não se matem! Deus, o Bem, revela a mim e a você que isso não seria bom. Você que o bem como eu, não quer? Nessa medida somos amigos.”

    Curiosamente, o Papa fala de “amizade”, parece que sem considerar o que Santo Tomás de Aquino dizia dela, mas considerando.

    Reserva o termo “irmão” à aqueles de confissão cristã:

    Quero agradecer aos meus irmãos e irmãs cristãos […]; quero agradecer também aos representantes do povo judeu, que estão especialmente próximos de nós; e a todos vocês, distintos representantes das religiões do mundo.

    O que aproxima todos é a busca da verdade, exatamente o grande foco do católico:

    Expresso a minha gratidão também àqueles que representam as pessoas de boa vontade que não seguem nenhuma tradição religiosa, mas que estão comprometidas na busca da verdade, estão dispostas a compartilhar conosco esta peregrinação como sinal do seu desejo de trabalhar juntas e de construir um mundo melhor. [leia-se: fazer o bem]

    Conscientemente ou não, o homem só faz o bem no Bem, na Verdade, em Deus.

    Essas convicções ajudam o ecumênico a não fazer aquela exigência presunçosa e caricatural: “Em nome de Jesus, aceite Jesus agora! Já! em nome de Jesus!”

    O Papa olha para o alto e mantém o pé no chão:

    Reuniões desse tipo são necessariamente excepcionais e pouco frequentes; no entanto, são uma vívida expressão do fato de que, cada dia, no nosso mundo, pessoas de diferentes tradições religiosas vivem e trabalham juntas em harmonia. É certamente importante para a causa da paz que muitos homens e mulheres, inspirados pelas suas profundas convicções, estejam comprometidos no trabalho pelo bem da família humana.

  7. Syllabus

    2. A Fraternidade na religião. Congressos ecumênicos

    Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.

    Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.

    Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembléias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

    3. Os Católicos não podem aprová-lo

    Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que juogam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

    Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

    Mortalium animos

    Papa Pio XI

    Assis é uma calamidadde espiritual.

  8. Karina Assunção Salvagnane

    Vibrei com essa foto maravilhosa, o nosso Papa foi tão criticado por esse encontro e apenas nessa foto dá para ver o início dos frutos. Creio eu, só o início, pois muitos frutos ainda virão. Não podemos ficar também deduzindo o que não aconteceu como o papa fazer reverencia a outros deuses, sendo ele conservador (criticado por isso no início do pontificado) Vocês acham que um macumbeiro gostaria mesmo que o Vigário de Cristo entrasse no terreiro. Claro que não, se não o Papa levaria Cristo para dentro e os demônios sairiam correndo e estragaria a macumba deles. hehehehe (para descontrair)

    Abraços

  9. Alexandre, pós-evangélico, católico

    Mortalium animos, Papa Pio XI – 18:

    Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é “raiz e matriz da Igreja Católica” (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que “a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade” (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu
    magistério e regime.

    Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.

    Assis é isso, é o primeiro passo deste chamado de Pio XI: “Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica”.

  10. Antonio Carlos

    Sinceramente, ficam tentando tapar o sol com a peneira. As outras bizarrices que aconteceu nesse abominável evento também deveriam ser mostradas.

  11. Syllabus

    Alexandre pós evangélico,o senhor usou um truque da Mortalium Ânimus para justificar o encontro de Assis, mas apenas completou o que eu tinha escrito, realmente faltou esse chamado em todos os 3 encontros sacrílegos:

    “Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica”.

    Como disse Antônio Carlos: tentam tapar o sol com a peneira.

  12. Pingback: O valor das entrelinhas | Deus lo Vult!

  13. Jorge Ferraz Post author

    1- O sacrário está fechado. O Santíssimo não está exposto.

    Sim, e daí? Acaso Nosso Senhor “deixa de estar presente” quando o Sacrário está fechado? Acaso os católicos não se ajoelham diante do Sacrário fechado?

    2- O local é, na realidade, o túmulo de São Francisco

    … onde tem um sacrário. Não muda, portanto, absolutamente nada.

    – Jorge

  14. Cesar

    Só uma dúvida…Os ortodoxos não crêem em Jesus Eucarístico? Pq eles tmb não se prostram?

  15. Viviana Mason Balech

    Caro Senhores,

    Gostei da frase:
    “Toda catequese consiste em deixar que vejam o Deus que eu tenho em mim”

    Que, Jorge Ferraz escreveu muito bem. Parabéns!

    Sabemos bem quem é Pedro, e quem é o seu representante nos dias de hoje.
    Se humildemente baixarmos a nossa voz ouviremos a voz do pastor. As ovelhas reconhecem o seu pastor quando o ouvem.
    E ouviram, viu-se a paixão nacional por Francisco na JMJ, quem não reconheceu a voz do Pastor?

    Aqueles que não sabe baixar sua voz, sua “razão”. Querem ser como DEUS, querem racionalizar Deus na sua pequena razão e entendimento.
    Encontrar a Deus é simples, basta buscá-lo como as criancinhas, e a sabedoria se revela aos pequenos e conscientes de sua miserabilidade.

    Abraço