“O comportamento de alguns líderes da nossa amada Igreja” – por Lívia Melo

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 4 meses 25 dias atrás.

Em todo esse tempo de caminhada dentro da Igreja Católica, nunca antes precisei enfrentar tantos embates tão sérios quanto os de agora. Considero os de agora mais sérios porque antes as divergências com outras pessoas eram até normais, pois não eram da mesma fé que eu; mas, agora, os embates são mais desgastantes, pois são com irmãos de fé, são pessoas católicas que criticam, “alfinetam” e vêem com maus olhos as práticas pelas quais tenho simpatia. Práticas que aprendi com meu bisavô materno, com minha avó, com amigos fiéis à Igreja…

Para ilustrar bem, vou relatar o que houve no último domingo, 27 de janeiro, quando fui à missa na minha cidade natal, Campina Grande, onde vim passar as férias.

Como de costume, levei à missa meu Tratado da Verdadeira Devoção à Ssma. Virgem, o terço e minha mantilha. A missa não era tridentina, mas ainda assim usei a mantilha. Ao meu lado estava uma tia freira e a minha avó.

A celebração não era assim de uma liturgia perfeita, mas ainda assim permaneci serena, pois aprendi a suportar os abusos litúrgicos com o mesmo silêncio de Maria, ao ver Cristo ser abusado na Sua Paixão. Foquei no principal e suportei os erros.

Pois bem… eis que chega a hora da homilia. Foi quando comecei a ouvir comentários do tipo:

“Querem que às missas voltem a ser em latim, com aqueles incensos!”
“Querem que a mulher vá à missa ‘cheia de pano’!”
“Querem que os padres usem batinas, aquelas batinas pretas… essas pessoas não sabem o que é usar isso aqui no nordeste”

Na mesma hora olhei bem para o padre, e ele me olhou. Pode até ser que esses comentários não tenham sido alfinetadas; mas, com toda sinceridade, entendi como indiretas a mim, pois eu era a única que estava de véu, o que remete ao passado, às missas em latim, às comunhões na boca, etc. De qualquer modo, ainda que não tenham sido comentários direcionados a mim, os mesmos estão equivocados da mesma forma. Como pode uma assembléia ser educada desta maneira? Como pode um padre “demonizar” o rito tridentino e as práticas piedosas de tantas pessoas? É realmente muito difícil de compreender.

Minhas observações:

Com relação à crítica nº1: Qual é o problema em ter fiéis querendo que tenham missas tridentinas? Acaso ele está desconsiderando o Motu Proprio Summorum Pontificum? Desde que não se condene o rito novo como inválido, que mal faz querer uma missa bem celebrada na forma extraordinária?

Com relação à crítica nº2: “Cheia de Pano”? Existe pecado em usar um véu na missa? Por que ele não se volta contra as mulheres que vão semi-nuas às celebrações?

Com relação à crítica nº3: Queremos que os padres usem batinas, sim! Se querem andar igual a boyzinhos, por que decidiram seguir a Cristo na Ordem? Cristo nos pede tudo e não metade, portanto, um consagrado deve andar como um consagrado. E, com relação ao calor do nordeste, tinha uma freira ao meu lado, de hábito, NO NORDESTE! E eu nem vou levar em consideração o fato de que, no interior, o calor é muito mais ameno que nas capitais.

Não tive raiva deste padre, ao contrário, tive piedade, mas fico muito triste ao perceber o comportamento de alguns líderes da nossa amada Igreja. Líderes que se comportam mais como leigos ou políticos engajados em uma luta terrena.

Por fim, quero deixar claro que este depoimento não tem intenção alguma de escandalizar este padre cujo nome não foi e não será citado, tampouco a paróquia em que isso ocorreu. Também não tem a intenção de desmerecer qualquer trabalho de boa fé que o mesmo faz. É apenas um desabafo de uma senhorita que busca ser cada vez mais fiel aos olhos do Senhor e que tem encontrado obstáculos diversos dentro da igreja local, onde deveria ser o refúgio dos cristãos.

Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós!

Lívia Melo é paraibana,
Gestora Financeira e aderida ao Movimento Regnum Christi

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14 thoughts on ““O comportamento de alguns líderes da nossa amada Igreja” – por Lívia Melo

  1. Padre Francisco Ferreira

    Livia, testemunhos como o seu devem ser divulgados. Se os pastores cambaleiam na doutrina ou nos costumes, ao menos as ovelhas os sustentem e, com oracao e determinacao, perseverem no trabalho do resgate da tradicao e da dignidade da liturgia, até que eles entendam. Deus lhe pague. É esta a revolucao que precisamos. Devolver a Deus o que é de Deus.

  2. Cesar Augusto

    Eu nunca cheguei a ver críticas tão diretas nas Celebrações que participo. Apesar de amar o rito Tridentino, eu não me incomodo com o atual desde que ele seja bem celebrado, porém, sinto olhares estranhos nelas por usar algumas posturas antigas(tipo ajoelhar-se durante o Ato Penitencial, e durante a Oração Eucarística desde o Santo, até a Doxologia. Além da Bênção Final.

  3. Eduardo Oliveira

    Me solidarizo com a conterrânea Lívia! Poxa, queria mais detalhes sobre quem é o padre e esta celebração….Curioso, que o antigo bispo, refutava completamente o rito antigo. Porém um vento de mudanças está soprando na diocese…

  4. Edson

    O padre da minha paróquia manda se levantar se vir alguém de joelhos e com a boca pronta pra receber o Senhor no Santíssimo Sacramento.

  5. Flavio

    Numa missa ano passado,o padre,enaltecendo os 50 anos do CVII, disse: Antigamente a missa era em latim,as pessoas não entendiam nada,as senhoras ficam rezando o terço.E apontando para os jovens que tocavam aquelas músicas melosas,onde era para estar o belo canto gregoriano,sentenciou: Se o Papa Paulo VI não tivesse aberto as janelas para arejar a Igreja,vocês não estariam ai,não poderiam subir ao altar como sobem hoje.

    O mesmo padre que no mesmo ano no lugar de uma missa realizou um mini encontro de Assis ao lado de um protestante,espirita,muçulmano,etc…

    Fiquem com Deus.

  6. Wilson Junior

    “aprendi a suportar os abusos litúrgicos com o mesmo silêncio de Maria, ao ver Cristo ser abusado na Sua Paixão”

    Sensacional. Vou me lembrar disso quando estiver na Missa.
    Vai me ajudar, com certeza, diante dos abusos sem fim.
    Obrigado.

  7. Fábio

    Ele se sente incomodado, essa é a verdade. Tal atitude da Lívia o faz lembrar da sua responsabilidade e obediência, coisa que não quer.

  8. Tiago

    Passei por uma situação dessas neste fim de semana, um padre TL aqui da minha diocese foi palestrar num encontro no qual eu estava, ele sabe que eu e uns amigos – que também estavam no encontro – temos contato com padres e fiéis da Adm. Apostólica S. João M. Vianney, do nada ele começou a falar que na diocese do lado tinham os “padres tradicionalistas” que rezavam de costas e não deixavam as mulheres fazer nada na Missa, eu poderia achar coincidência, se não fosse a 4ª vez que ele faz isso, e nem é um padre da minha paróquia, a gente se encontra em eventos esporádicos na diocese

  9. Luiz

    Prezados senhores

    Boa noite

    1)Segundo a Igreja Católica o uso do véu é um mandamento ou santo costume?

    2)Qual a diferença entre mandamento e santo costume?

    3)Por que não se usa mais o véu na Missa?

    4)I Corintios 11 fala de hieraquia teológica logo ou o véu é mandamento ou santo costume,e sendo mandamento é um assunto de suma importância.

    Um abraço

    Luiz

  10. Adriana

    Vejam este artigo escrito por “Thomas O’Meara”, professor emérito da cátedra Warren de teologia da University of Notre Dame (não sabia da existência deste senhor antes de tal artigo).

    “http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517264-qual-e-a-mensagem-do-desfile-de-moda-barroca-na-igreja”

    Em algumas partes do texto há algo de revelante quanto ao fato de que não podemos parar no exterior, de que não podemos valorizarmos o externo em detrimento do interno, da espiritualidade.

    Mas a grande ênfase do texto, acredito, seja a tentativa de desdenhar das vestes litúrgicas, de desdenhar dos sacerdotes que valorizam o cuidado no culto à Deus, o autor chega até a dizer que os que optam pelo uso das batinas, das vestes litúrgicas é porque não possuem uma sexualidade definida, ou, ainda, é porque são homossexuais. E, ainda, diz que muitos católicos menosprezam esta riqueza da Igreja.

  11. acatequista

    Eu não uso véu na missa (ainda não me decidi sobre este assunto, estou “namorando a ideia” rs), mas me solidarizo compeltamente com a Lívia, Fiquei muito triste. Frequento a Igreja há mais de 15 anos, e nunca vi um padre, dentro ou fora da missa, recomendar a devida modéstia nos trajes, que há muito se perdeu. Mas um pra abrir a boca e alfinetar uma moça vestida devotamente… ah, isso aparece!

    Devemos mesmo rezar pelos nossos preciosos sacerdotes. Imagina quanto mal não faz uma homilia assim, pois leva os menos instruídos ao erro e ao pecado.

  12. Alexandre Magno

    Seria lícito questionar a homilia ali mesmo, em público?

    Nunca vi isso, mas quando pequeno eu já quis indagar o padre durante uma homilia, e fui imediatamente impedido e repreendido por minha mãe.

    Por que a homilia é sempre unilateral, nesse sentido?