O evento LGBT que a PUC poderia fazer

closeAtenção, este artigo foi publicado 2 meses 16 dias atrás.

Aconteceu em Londrina. Um grupo de universitários — pelo que entendi, substancialmente composto por alunos pertencentes ao DCE, mas com o apoio também de professores — havia resolvido fazer um evento LGBT dentro da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O evento estava programado para os próximos dias 12, 13 e 14 de setembro, encerrando-se em plena Festa da Exaltação da Santa Cruz. Alguma boa alma, inconformada com este escárnio, teve a feliz idéia de organizar um abaixo-assinado perguntando qual a posição da Arquidiocese sobre o assunto. O documento conta, até agora, com 12.000 assinaturas.

Deu algum resultado. A Mitra soltou uma nota adiando o evento: agora ele ocorrerá de 02 a 05 de outubro e «contará com a presença de um teólogo católico, isso para garantir o alinhamento com os princípios da Igreja e da Universidade». Não é a nota mais contundente do mundo; igualmente, e aliás talvez pelo mesmo motivo, a garantia de «alinhamento com os princípios da Igreja» não enseja lá muita confiança. Mas algum mal-estar o abaixo-assinado terminou gerando — e, nas atuais circunstâncias, isso já é muita coisa.

Mas o interessante é que haveria, sim, muito o que se discutir, dentro de uma universidade católica, sobre o homossexualismo e a cultura gay. Seria muitíssimo bom lançar as luzes do Evangelho sobre este horrendo tabu contemporâneo, que aprisiona as pessoas aos seus vícios, bestializa a sociedade e atrai a ira de Deus. Um evento verdadeiramente católico sobre o tema seria uma coisa da maior utilidade; seria, aliás, um evento épico, heróico; no mais puro rigor do termo, profético. Seria um bálsamo.

Poder-se-ia começar, antes de qualquer outra coisa, com a condenação mais veemente desta mania horrenda de reduzir as pessoas aos seus vícios, fazendo-as se identificarem com os seus pecados como se houvesse algo de substancial no homossexualismo. Porque, ao contrário do que é hoje senso comum, “O Homossexual”, do jeito que costuma ser apresentado, não existe. Ora, o pecado contra a natureza é um pecado e, como tal, é uma desordem, é uma falta. Não é uma nota constitutiva de ninguém. Ninguém pode se identificar com uma falta, com um não-ser!

Nas discussões de antanho aqui do Deus lo Vult! os defensores da cultura gay procuravam sustentar que todo mundo era homossexual em alguma medida; mas na verdade é exatamente o oposto. O homossexualismo não é um atributo, uma característica, nada disso; o máximo que ele pode vir a ser é um hábito e, assim, algo que se faz, e não uma coisa que se é. No rigor terminológico ninguém é gay a não ser por uma metonímia: quando se o diz, está-se tomando o agir pelo ser. O que significa que, no limite, ninguém é propriamente homossexual: o que existe são pessoas que praticam, com maior ou menor frequência, atos mais ou menos intensos de sexualidade desordenada. E esta compreensão faz toda a diferença.

Veja-se, para efeitos comparativos: que coisa é o adultério? É o homem casado ou a mulher casada praticarem atos sexuais com quem não é o seu cônjuge legítimo. E quem é adúltero? É quem comete adultério. Note-se que não existe uma “natureza” adúltera, não existe o adultério enquanto um atributo constitutivo da individualidade de seu ninguém. Não há um “Adúltero-em-si”, adúltero é quem pratica adultério e ponto — e, por via de conseqüência, quando a pessoa deixa de praticar o adultério ela passa a não ser mais adúltera. O adultério é uma realidade exterior. É algo que enfraquece o homem mas que é estranho a ele. É uma coisa em cujas garras ele pode estar mais ou menos enredado, mas — e perceber isso é que é importante! — você não é as garras em que está preso, por mais fundo que elas estejam cravadas na sua carne.

Com o homossexual é a exata mesma coisa. Só se diz (só tem sentido dizer) homossexual a quem pratica atos de homossexualidade. Da mesma forma que não existe (a não ser como metonímia) uma natureza adulterina da qual decorre necessariamente o adultério, tampouco existe uma “natureza gay” precedendo e produzindo os atos de homossexualidade. O homossexualismo, como todo pecado, é exterior ao homem. Ninguém é um pecado intrínseco, o mal não tem substância. Santo Agostinho disse isso dezesseis séculos atrás, e foi uma verdadeira liberdade. Mas hoje os homens deram as costas à verdade: encantaram-se com fábulas e delas ficaram cativos.

Todas essas considerações passam ao largo da barbaria de que é composta a virtual totalidade dos assim chamados “eventos LGBT”. O que se procura neles é conferir ares ontológicos ao homossexualismo, impingindo-o com tanta veemência às pobres almas marcadas por este pecado que elas terminam por se identificar com ele: e isso é terrivelmente diabólico, de uma perversidade sem tamanhos. É pegar filhos de Deus vocacionados à santidade e fazer com que eles sejam vistos por todos — inclusive e principalmente por eles próprios — como uma espécie de pecado encarnado. É horrendo! Contra uma tal blasfêmia, aí sim, seria importantíssimo que as Universidades Católicas se levantassem: para quebrar a hegemonia do mal, para libertar os homens das fábulas, para salvar as almas amadas por Cristo.

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8 thoughts on “O evento LGBT que a PUC poderia fazer

  1. Camilo

    Seu comentário parece desconsiderar um aspecto fundamental: o fato de que algumas pessoas sentem atração sexual por pessoas do seu próprio sexo e nenhuma atração por pessoas do sexo oposto.

  2. Geraldo

    O LGBTismo tem sido propositadamente instigado pelos globalistas, o quanto possível desde a mais tenra idade para facilitar a apreensão via mais eficiente lavagem cerebral, cujos objetivos primordiais são desmontarem as familias e levarem a todos para o relativismo, para facilitar á NOM a dominação dos povos descristianizados e esse processo tem funcionado!
    As novelas e BBBs da Rede Globo da Telebandidagem e emissoras com programas afins deveriam sempre serem vergastadas, mas nas paroquias e mais eventos litúrgicos, nunca ouvi isso até hoje, portanto cooperadores com o acima via omissão, nunca citando as facções promotoras, PSDB-PT etc., assim como FHC-Lula-Dilma e comparsas comunistas!
    Assim, à medida que cresce o fenômeno anormal de adesão e prática cada vez mais exaltadas dessas aberrações sodõmicas se poderia mensurar a adesão ao relativismo das ideologias!

  3. Aldo Honofre

    Procure se informar sobre o que aconteceu em Porto Alegre (uma exposição LGTB que o Santander Cultural patrocinou lá) e a reação das pessoas de bem… parabéns Porto Alegre!

  4. Benjamin bee

    Se o desejo pelo mesmo sexo fosse um hábito, um pecado, um mal; bastaria jejum, penitência e oração para afastá-lo. Palavra de Jesus.

  5. Jorge Ferraz (admin) Post author

    A AMS (atração pelo mesmo sexo) não é nem um hábito, nem um pecado, nem um mal. O que é um mal, um pecado e (pode vir a ser) um hábito é a prática de atos sexuais contrários à natureza, como expliquei longamente no post.

  6. Benjamin bee

    Você afirma que no limite ninguém é propriamente homossexual. Até entendo que pessoas podem lutar contra a própria sexualidade, mas se existe a luta é porque existe no mínimo homoafetividade que decorre também da sexualidade. Entāo enxergo que essa luta é uma negação daquilo que se é, um homossexual.

  7. Jorge Ferraz (admin) Post author

    É possível lutar contra um sem-número de más inclinações: contra a compulsão por comida, o desejo de esganar o vizinho ou de trair a mulher, por exemplo. A vida cristã é aliás feita precisamente de lutas contra as más inclinações. Nem por isso alguém que se esforça por manter a temperança à mesa está “negando o glutão que é”, ou o marido que luta para ser fiel está “rejeitando a própria essência adúltera”.