A Família e o Divórcio
Hoje eu vi uma triste notícia que me fez lembrar de um comentário feito aqui no Deus lo Vult! algumas semanas atrás. O comentário dizia, en passant, que o divórcio “[s]eria “o fim da família” e não aconteceu isso”; a notícia que eu vi hoje em G1 diz que a taxa de divórcios cresceu 200% em 23 anos.
Lembro-me de uma música antiga, que eu não sei de quem é, chamada “Utopia”. Ela canta: Há tantos filhos / que, bem mais do que um palácio, / gostariam de um abraço / e do carinho entre seus pais. / Se os pais se amassem / o divórcio não viria, / chamam isso de utopia, / eu a isso chamo paz. O Divórcio faz guerra contra a Família, é evidente; enquanto esta fala em olhar para o(s) outro(s), aquele fala em pensar em si. Enquanto esta fala em estabilidade, aquele fala em (falsa) “liberdade”. Esta fala em sacrifício; aquele, em prazer. Esta é solidária; aquele, é egoísta.
Sinceramente, não existe um único argumento em defesa do Divórcio que não seja, ao mesmo tempo, um ataque à Família. Se há “casais que não dão certo” - coisa com a qual muito facilmente nós concordamos -, reconhecer um suposto “direito” às segundas (e terceiras, e quartas…) núpcias é dizer que a parte [= cada um dos cônjuges] tem precedência sobre o todo [= a Família]. Por que “fulaninho tem direito de ser feliz” mas a Família de fulaninho não tem direito de ser preservada? Claro que há situações em que a convivência é simplesmente impossível - e a própria Igreja reconhece a licitude da chamada “separação de corpos” -, mas isso justificaria no máximo o desquite, e não o divórcio. Lembrando que são duas coisas diferentes (aliás, nem sei se existem as duas figuras na legislação brasileira atual): o primeiro autoriza a dissolução da sociedade conjugal e, o segundo, autoriza a contração de novas núpcias. Em outras palavras: pode-se imaginar uma situação na qual um casal específico simplesmente não possa viver sob o mesmo teto e, ao mesmo tempo, manter a instituição familiar inalterada, mas não se pode imaginar uma situação em que os cônjuges possam “casar de novo” e a Família saia incólume desta afirmação.
Reconhecer que uma pessoa pode “casar de novo” é evidentemente reconhecer que a Família não é uma sociedade indissolúvel, pois pode ser dissolvida. É este o ataque que a instituição familiar sofre, e é neste sentido que a introdução do divórcio na legislação brasileira “acabou” com a Família. Quem tem “duas famílias”, na verdade não tem família nenhuma, porque a família é uma comunhão total não só de bens como também de pessoas, e uma pessoa “dividida” entre “duas famílias” não está se entregando totalmente nem a uma, nem a outra. Mesmo que haja divórcio e mesmo que o marido viva monogamicamente com a sua segunda (terceira… quarta…) esposa, há os filhos; e, assim, nem os filhos do “primeiro casamento” e nem os do “segundo” (terceiro… quarto…) têm uma figura paterna inserida solidamente numa sociedade familiar verdadeira. Não têm uma família; têm simplesmente pessoas que cuidam deles, o que é algo completamente diferente.
Após décadas de divórcio, após milhares de pessoas terem as suas famílias destruídas e serem apresentadas a caricaturas de famílias como se fossem famílias verdadeiras, após, enfim, tanta distância entre a experiência quotidiana e o ideal apresentado (isso quando ele é apresentado), é por acaso de se espantar que as pessoas tenham concepções cada vez mais errôneas sobre a Família? O acúmulo de erros só pode produzir resultados catastróficos, e a corrupção das bases só pode fazer com que todo o edifício venha ao chão. A Família é a célula-mater da sociedade e, quando a Família sofre, a sociedade a acompanha. O Divórcio, por ser um ataque à Família, provocou diversos males à sociedade brasileira, que nós não somos nem mesmo capazes de avaliar em sua totalidade. É urgente diminuir a tendência apresentada pela pesquisa do IBGE que foi citada no início do post; mesmo que digam que isso é utopia, é importante dizer que nós sabemos ser isso paz.













sandra nunes says:
December 4th, 2008 at 3:46 pm
Realmente, é absolutamente utópico seu desejo.
E é do querido Pe. Zezinho ( o poetinha de Deus )
Utopia
Padre Zezinho
Composição: Pe. Zezinho
Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar
Meus pai não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar
Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava
O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então queria
Ver papai cantar pra gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente
O tempo passa
E eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Enquanto muitos não a tem
Agora falam
Do desquite, do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém
Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho de seus pais
Se os pais amassem
O divórcio na viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.
Cledson says:
December 4th, 2008 at 4:45 pm
Na lei civil brasileira existem tanto a separação judicial (chamada antigamente de desquite) quanto o divórcio (que rompe o vínculo conjugal e, portanto, permite um novo casamento).
sandra nunes says:
December 4th, 2008 at 4:59 pm
Cledson
Permita-me corrigi-lo, mas a separação judicial, não permite o casamento.
Somente se pode pedir o Divórcio após um ano de separado judicialmente, separado de fato há dois anos.
Lei nº 6.515, de 26 de dezembro de 1977
DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL
Art. 2º. A sociedade conjugal termina:
III - pela separação judicial;
IV - pelo divórcio;-
Art. 3º. A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação, fidelidade recíproca e ao regime matrimonial de bens, como se o casamento fosse dissolvido.
CAPÍTULO II
DO DIVÓRCIO
Art. 24. O divórcio põe termo ao casamento e aos efeitos civis do matrimônio religioso.
Art. 36.
b) Conversão de separação judicial em divórcio decorrido 1 ano da separação.
Art. 40. No caso de separação de fato, e desde que completados 2 (dois) anos consecutivos, poderá ser promovida ação de divórcio, na qual deverá ser comprovado decurso do tempo da separação. (Redação dada pela Lei nº 7.841, de 17.10.89).
Jorge Ferraz says:
December 4th, 2008 at 5:02 pm
Sandra,
Mas o Cledson não disse que permitia.
- Jorge
deus » Blog Archive » A Família e o Divórcio says:
December 5th, 2008 at 11:13 am
[...] Leia mais direto na fonte: januacoeli.wordpress.com [...]
Mártir da Indissolubilidade do Matrimônio « Julie Maria says:
December 7th, 2008 at 3:37 pm
[...] ridicularizado e ferido do que este? Acabamos de saber que a taxa de divórcio cresceu 200% (valiosa meditação de Jorge Ferraz sobre o tema). Precisamos pedir ao Precursor do Messias sua coragem, o seu ardor, e o amor à verdade para trazer [...]
A Família e o Divórcio « Sexualidade says:
December 7th, 2008 at 8:55 pm
[...] A Família e o Divórcio By Julie Maria Fonte: Blog Jorge Ferraz [...]
Hélio F. H. Janine says:
March 28th, 2009 at 11:46 am
A Vontade de Deus Concernente ao Novo Casamento
por
Rev. Barry Gritters
Se o divórcio é um problema devastador para a igreja de Deus, o novo casamento é tão grande como. O divorcio é um mal por causa do pecado ao qual frequentemente conduz: o novo casamento, enquanto o cônjuge original ainda vive. Como o povo de Deu s de antigamente, “ com tristeza devastadora eu choro ” , 1 por causa desta violação da lei de Deus.
Contudo, como o divórcio e o novo casamento chegaram a não serem mais considerados como males? Será que o povo de Deus estava tão enfadado com o problema, que se entregou? A igreja se rendeu às pressões para permitir o divórcio por “ toda causa ” , e o novo casamento de qualquer um que tenha “ confessado ” seu pecado?
Aqui, mais do que nunca, é importante não permitir que nossas emoções nos guiem. Há poucos que não são pessoalmente tocados por estas questões. Para os crentes que têm feridas e cicatrizes profundas por causa dos problemas de maus casamentos, oramos para que Deus possa curar, e para que Jesus Cristo seja o Grande Médico para eles.
Estude comigo o ensino da Bíblia sobre o novo casamento.
A Bíblia ensina que não pode haver nenhum novo casamento, a menos que um dos cônjuges tenha morrido. Isto significa a morte física, como qualquer pessoa que fez os votos no casamento admitiria ser o significado da frase: “ até que a morte nos separe ” .
Alguns alegam que duas passagens do Novo Testamento são fundamentos para o novo casamento após o divórcio, mesmo com o cônjuge ainda vivo. Mateus 19:9 e 1Coríntios 7:15 são interpretados como permitindo o novo casamento da “ parte inocente ” – o cônjuge fiel ou abandonado.
À parte da interpretação destes textos, considere o que tem acontecido nas igrejas que tomaram esta visão destes textos. Todos admitirão que o divórcio não é permitido somente sobre estes dois fundamentos – adultério e deserção – mas por quase toda causa. O abandono é tomado como significando quase tudo, desde crueldade mental até ser indiferente. O novo casamento é permitido não somente para a “ parte inocente ” , mas para qualquer um que se divorciou. As comportas foram abertas, permitindo que a bendita instituição do casamento fosse varrida (para não dizer nada sobre o que acontece com os filhos).
O que a Escritura diz? Em cada outra passagem da Escritura, Deus deixa claro que ele não permite o novo casamento. Marcos 10:11, 12, Lucas 16:18, Romanos 7:1-3 e 1Coríntios 7:39, todas claramente mostrando que Deus proíbe o novo casamento quando o cônjuge original da pessoa ainda está vivo. Se alguém apelar para Deuteronômio 24 como uma base para o novo casamento, ele deve primeiro ler Mateus 19 e ouvir o que Jesus disse sobre este tipo de apelo. Explicamos Deuteronômio 24 em nosso último artigo.
Mateus 19 é mais importante. À parte da dificuldade de julgar quem realmente é o “ inocente ” num divórcio, Mateus 19 não permite que a parte inocente case novamente. Quatro coisas deixam isto claro:
PRIMEIRO, devemos olhar cuidadosamente para a cláusula começando com a palavra “ não sendo ” 2 . A exceção é para a proibição de divórcio feita por Jesus, e não de novo casamento. Jesus dá uma exceção que permite o divórcio; na há uma exceção aqui que permita o novo casamento. Jesus poderia facilmente ter dito: “ Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra, não sendo por causa de prostituição… ” . Em vez disso, ele disse: “ Qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituiçã o, e casar com outra, comete adultério ” . Note cuidadosamente a localização da cláusula de “ exceção ” .
SEGUNDO, parece que Jesus se referia a uma mulher que não cometeu adultério aqui – uma parte inocente. Sobre ela Jesus diz: “ e o que casar com a repudiada também comete adultério ” . Se o homem que casou com a parte inocente comete adultério ao casar com ela, certamente ela está cometendo adultério também. Isto é claro!
TERCEIRO, embora possamos não pensar que o ensino de Jesus foi muito claro, seus discípulos sim! Parece que todo aquele que usa esta passagem para apoiar o novo casamento falha completamente em tratar com os versículos seguintes, 10-12. Nestes versículos, os discípulos de Jesus, de maneira privada e desgostosa, se queixaram do seu Mestre. Em efeito, eles disseram: “ Jesus, se o seu ensino é verdadeiro, seria melhor um homem nunca se casar! ” . Por que os discípulos fizeram tal declaração? Se o divórcio fosse tão fácil, e o novo casamento permissível com uma declaração de confissão de pecado, por que deveriam os discípulos ter dito que seria melhor nunca se casar? Não há outra explicação, exceto que eles viram a dura exigência de Jesus, humanamente impossível para alguns após se casarem.
A própria resposta de Jesus aos discípulos mostra que esta explicação das observações dos discípulos está correta. Jesus responde à preocupação dos discípulos ensinando que há três tipos de eunucos (homens ou mulheres que não são sexu almente ativos). Alguns nascem sem nenhum desejo sexual. Outros são feitos eunucos pelos homens (era comum os escravos do harém de um rei serem castrados). Outros “ castraram a si mesmos por causa do Reino dos céus. Quem pode receber isso, que o receba ” . O que Jesus está dizendo? Muito simples: alguns se refreiam de toda atividade sexual (novo casamento) por causa da obediência a Jesus Cristo. Se o novo casamento fosse permitido após o divórcio, Jesus não teria ensinado que alguns se fazem eunucos por causa do reino de Deus. Ele também reconhece a extrema dificuldade: “ Quem pode receber isso, que o receba ” . Ele é um Salvador que simpatiza com o seu povo.
QUARTO, os apóstolos de Jesus entenderam muito bem o que Jesus ensinou aqui. Paulo, o principal entre eles, tomou tempo para explicar e aplicar o ensino de Jesus sobre o novo casamento quando escreveu 1Coríntios 7. Nos versículos 10 e 11, Paulo faz uma distinção entre o que o Senhor ordena e o que ele, Paulo, ordena. A diferença não é entre o que é requerido por Deus e o que é a própria opinião de Paulo, mas entre o que o Senhor Jesus explicou em seu ministério terreno e o que Paulo adicionou ao ensino por inspiração do Espírit o. No versículo 10, Paulo refere-se a algo que o próprio Senhor ordenou. O que foi? “ Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe (divórcio) do marido; se, porém, ela vier a separar-se (divórcio), que não se case ou que se reconcilie com seu marido ” . Isto é impressionante! É poderoso também! Paulo diz que Jesus deu duas opções para a mulher que deixou seu marido: (1) Permanecer sem se casar; (2) Reconciliar-se. Seria o cume da crueldade (para não dizer da tolice ímpia) Paulo dar somente estas duas opiniões a uma mãe de vários filhos divorciada, se Jesus tivesse dado outra opção – casar de novo. Fiel ao ensino de Jesus em Mateus 19, Paulo não dá a permissão para casar novamente enquanto o cônjuge está vivo.
1Coríntios 7:15 é frequentemente usado para apoiar o novo casamento enquanto o cônjuge da pessoa ainda vive. Brevemente, a explicação continua, se um homem abandona sua esposa (ou vice-versa), a esposa não está mais “ ligada ” a ele. Então, visto que o versículo 39 mostra que “ não ligada ” significa livre para casar novamente, este cônjuge abandonado está livre para casar. Um triste aspecto desta linha de pensamento é que ele é baseado na tradução da NIV, que traduz descuidadamente duas palavras gregas diferentes com a mesma palavra inglesa. 3 O versículo 15 fala de estar em servidão (escravidão), e o versículo 39 fala de ser ligado (amarrado firmemente). O casamento liga um homem com sua esposa por toda a vida; mas um cônjuge abandonado não é um escravo (em servidão) do temor de culpa, excomunhão, etc. Deus nos chamou para a paz (Para uma explicação detalhada desta passagem, por favor, nos escreva, e alegremente lhe enviaremos uma).
Por que este ensino rígido da Escritura? Porque o casamento é uma união feita por Deus, a ser quebrada somente por ele. Nenhum contrato legal pode ser quebrado pelas partes conforme seus desejos e caprichos, mas o casamento é uma união de Deus (1Coríntios 7:39). Gênesis 2 diz: “ serão ambos uma carne ” . Nenhum homem pode fazer isso.
A questão é: “ Pode algo, senão a morte, quebrar a união? ” . A resposta de alguns é: “ Divórcio ” . Se esta é a resposta, não há nenhuma razão para a parte culpada não casar novamente. Ah, este é o caso em quase toda igreja que começou a permitir o divórcio somente para a “ parte inocente ” .
Aqueles que casam novamente, enquanto seus cônjuges originais ainda estão vivos, estão vivendo em contínuo adultério. Arrependimento por causa do pecado é deixar o novo cônjuge e permanecer sem casar, ou reconciliar com o cônjuge original (1Coríntios 7:11). Deve-se orar e buscar zelosamente a reconciliação, por causa de Deus e dos filhos.
É possível? É o caso de “ Jesus nunca permitir tamanho infortúnio ” , como tão persuasivamente argumentado? Se sim, o Cristianismo tem sido transformado numa religião muito diferente daquela ensinada por seu fundador. Jesus disse que a vida dos seus discípulos seria uma cruz – perder a vida, abrir mão dos membros da família, talvez até mesmo chamando o seu povo a odiar pai ou mãe. Jesus disse que seus seguidores devem “ calcular a despesa ” antes de segui-lo, para que não sejam zombados por não terem vontade de continuar (Lucas 14:25-33). O que Jesus diz em Mateus 10:34-39, 19:1-12, Marcos 10:28ss e Lucas 12:49-53 é uma oposição poderosa ao ensino de que Jesus não requer do seu povo coisas humanamente impossíveis.
Que o povo de Deus seja motivado por este ensino a cultivar seus casamentos, advertir seus filhos, pregar a verdade sobre o casamento, guardar zelosamente as instituições de Deus, e (especialmente!) orar por graça para andar no caminho de Deus, onde eles desfrutam da sua benção. Seja encorajado, povo de Deus, por sua Palavra para vocês em Efésios 3:20,21.
Fonte (original): Capítulo 12 do livro The Family: Foundations are Shaking, de Rev. Barry Gritters. Traduzido com permissão da PRC [http://www.prca.org/]
Traduçã o: Felipe Sabino de Araújo Neto / felipe@monergismo.com
Hélio F. H. Janine says:
March 28th, 2009 at 11:48 am
“Divórcio é SEMPRE errado!” Isto é, “Deus NUNCA aprova o divórcio.”
As seguintes Escrituras contradizem este ponto de vista:
1. Deus deu uma lei permitindo e regulando o procedimento apropriado para o divórcio (Deuteronômio 24:1-4). (“1 ¶ Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa. 2 Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem, 3 E este também a desprezar, e lhe fizer carta de repúdio, e lha der na sua mão, e a despedir da sua casa, ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, 4 Então seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a tomá-la, para que seja sua mulher, depois que foi contaminada; pois é abominação perante o SENHOR; assim não farás pecar a terra que o SENHOR teu Deus te dá por herança.” (Dt 24:1-4 ACF) )
2. Deus agradou-se de uma série de divórcios (Esdras 10:10-11). (“10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de Israel. 11 Agora, pois, fazei confissão ao SENHOR Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade; e apartai-vos dos povos das terras, e das mulheres estrangeiras.” (Ed 10:10-11 ACF) )
3. Deus, Ele mesmo, divorciou-se do seu povo no Velho Testamento (Jeremias 3:8). (“E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.” (Jr 3:8 ACF) )
4. Cristo concedeu permissão para o divórcio, se um cônjuge fosse infiel (Mateus 19:9). (“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.” (Mt 19:9 BRP) )
Nós temos que harmonizar toda a Palavra de Deus. Nós podemos achar a nossa opinião melhor expressa em um ou dois versículos [e abandonarmos todos os outros versos que não são favoráveis à nossa opinião], ao contrário, para conhecermos a opinião de Deus nós temos que considerar toda a Sua Palavra. Certamente, Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16). O que Ele quer dizer através disto? Porventura, está Ele, agora, dizendo que Ele odeia todos os divórcios, mesmo aqueles que O agradaram em Esdras? Porventura, Deus se contradiz a si mesmo? Não, Ele tem que ter expressado que Ele odeia a prática do divórcio sem uma base justa, como está, claramente, retratado pelo contexto. [O contexto de Malaquias 2 é quando um homem age traiçoeira ou violentamente contra a esposa de sua mocidade (vv. 15, 16). Deus está dizendo que Ele odeia o divórcio quando ele está no contexto deste tipo de impiedade.]
A crença que o “divórcio é sempre errado” conduz a um pantanal interpretativo que só pode ser resolvido através da tentativa de dar uma justificativa para isto, que é feita através do descarte de [várias] claras declarações de Deus.
2. “… mas ao princípio não foi assim.”
Deus criou o casamento com a intenção de que ele durasse para sempre (”… mas ao princípio [o divórcio] não foi assim”). Mas, a queda dentro do pecado [por Adão e Eva] mudou todas as coisas. Em um mundo amaldiçoado pelo pecado, Deus não espera que a humanidade pecadora viva ao nível da perfeição estabelecida para seres humanos perfeitos, dentro de um mundo que era livre da presença e do poder do pecado. Na Sua misericórdia, a Palavra de Deus claramente reconhece algumas situações onde o divórcio é apropriado.
Em Mateus 19:9, as palavras de Deus “Eu vos digo, porém, ….” afastam, completamente, para bem longe, todas as considerações do Jardim do Éden e da lei, substituindo aqueles padrões com o Seu padrão para as Suas igrejas. Por que Cristo faria isto, exceto se Ele esperasse que nós pensássemos que a frase “… mas ao princípio não foi assim.” (o v. 8) ou suas declarações a respeito da dureza dos corações, de algum modo, fossem canceladas pelo que Ele está indo dizer no versículo 9? Tenha cuidado para não usar uma passagem de modo a cancelar outra passagem sem um claro mandato da Palavra de Deus para que você faça assim. “Eu vos digo, porém, ….” é um claro mandato que cancela tudo [sobre divórcio/ recasamento] dito e escrito antes dEle [de Cristo], deixando- nos com a Sua regra pela qual nós devemos viver.
1 Corinthians 7 ensina algumas “coisas difíceis de serem entendidas.” Os versículos 10 e 11 poderiam ser lidos de modo a proibir todos os divórcios, enquanto o versículo 15 poderia ser visto como uma segunda razão aceitável para um divórcio, e os versículos 27 e 28 poderiam ser vistos como permitindo todos os recasamentos. No entanto, nós não encontramos nenhuma declaração de que 1 Corinthians 7 substitui ou cancela as definitivas declarações de Cristo nos Evangelhos. Portanto, estes versículos têm que ser entendidos como complementando e concordando com as declarações de Cristo, não sendo entendidas como negando-a ou expandindo-a.
Por favor, esteja advertido de que as falsas seitas justificam a crença delas na regeneração batismal (Atos 2:38, Marcos 16:16), ou na missa (João 6:53), ou em outras heresias, através do uso de uns poucos versículos não muito claros, para reinterpretar as claras [explicitas, diretas, incontornáveis, indiscutíveis] declarações da Palavra de Deus. Se nós cuidadosamente examinarmos “todo o conselho de Deus,” nós evitaremos este perigoso pantanal .
3. “Você pode até ter motivos para um divórcio, mas você nunca pode recasar.”
Divórcio e recasamento são realmente o mesmo assunto. Deuteronômio 24:1-4, claramente, indica que um divórcio justo deixa ambas as partes livres para recasarem. Em Mateus 19:9, o nosso Salvador disse que Ele proibia todo divórcio e recasamento, exceto no caso de fornicação. Naquela frase “qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério” Ele ajunta o divorciar com o recasar através da palavra “e.” Cristo se refere ao divórcio/recasamento como uma só situação, uma situação que é pecaminosa se não existir uma base justa para o divórcio.
O direito de recasar tem sempre sido incluído com permissão de divorciar. Mas, alguns dizem, “eles têm que pagar um preço por terem deixado o casamento deles falhar!” Nós temos que ter cuidado para não agirmos como vigilantes, exigindo uma penalidade para aqueles que têm pecado, através de pendurar esta ameaça sobre as suas cabeças, maltratá-los, ou olhá-los com desprezo. Cristo é ainda a cabeça de sua igreja e, na Sua pura justiça, Ele punirá o pecado. Cristo combinou as duas coisas [divórcio e recasamento]; separá-las é entrar num pantanal interpretativo.
4. “Os padrões do mundo têm sido abaixados porque os padrões da igreja têm sido abaixados.”
Os homens perdidos se comportam da maneira que eles fazem porque são “filhos da desobediência.” Algumas almas perdidas podem apontar o dedo acusatório para o povo de Deus em uma tentativa de desculpar-se ou de defender o próprio mau comportamento deles. No entanto, o perdido desobedecerá e se rebelará contra Deus não importa o que o povo de Deus faça. Nunca uma alma perdida, em nossa cidade de 330.000 pessoas, se dirigiu à nossa igreja para considerar a nossa posição sobre divórcio/ recasamento. A pessoa perdida preferiria muito mais não conhecer o que Deus diz, porque “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” [1Co 2:14]
A Confissão de Westminster de 1646, Matthew Henry (1662-1714), Matthew Poole (1700’s) e incontáveis outros piedosos expositores dos últimos 300 anos, todos têm entendido a frase de Cristo em Mateus 19:9 como um fundamento para um divórcio justo. Matthew Henry e Matthew Poole também criam que 1 Corinthians 7:15 concedia outra causa justa.
“Nenhum divórcio, jamais” não é a posição histórica. É impróprio alegar que a exceção dada por Cristo [em Mat 19:9 "qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação"] é “um novo ensinamento” [a acusação é que isto é recente adulteração feito pelo HOMEM à Bíblia] é responsável pela a maré de divórcios em nossos dias. Provavelmente, o surto de divórcios em nossa cultura resulta das revoluções das drogas, do sexo, e da pornografia dos anos 60 e 70.
Acautelai-vos contra o tentação de estabelecer padrões como uma reação contra o mundo. Nós temos que fundamentar a nossa posição na Palavra de Deus, não importa onde esteja a posição do mundo, para que nós não entremos em um pantanal interpretativo que consistirá em interpretarmos as Escrituras à luz do comportamento dos perdidos.
5. “Uma crença que divórcio é absolutamente errado forçará um casal a permanecer junto e resolver todos os problemas, mesmo infidelidade.”
A situação oposta é, exatamente, tão provável quanto esta. Que tal a pobre mulher cujo marido é um namorador e não quer se arrepender? Porventura, Deus exige que ela continue a suportar a dor emocional da repetida infidelidade dele, que nunca se arrepende e sempre a expõe a doenças venéreas quando ela fielmente desempenha a sua parte na relação sexual deles, aprisionada na armadilha do casamento dela por uma interpretação incorreta das Escrituras? Alguns homens ímpios podem gostar disso, mas isto cria um pantanal interpretativo que difama a Palavra e o caráter de Deus. [Hélio ainda mesmo orou pela filha de um pastor, o marido dela repetidamente a tentou matar de várias maneiras, desta última vez a espancou tanto que dilacerou seu baço e fez seu fígado também sangrar, quase que ela morreu disto, passou vários dias entre a vida e a morte, num hospital, e ele também a tentou matar afogada na banheira, e deu-lhe um tiro que passou de raspão...].
6. “Se infidelidade sexual é base para o divórcio, então um sem número de divórcios são aprovados por Deus.”
Uma vez que o comportamento normal dos seres humanos que se divorciam é encontrar outra companhia, muitos divórcios podem eventualmente ser justificados pela exceção concedida por Cristo em Mateus 19:9. Deus é justiça e misericórdia em partes iguais. É inteiramente consistente com a misericórdia de Deus que Ele concederia para a alma emocionalmente despedaçada (cujo cônjuge tem sido infiel ou tem ido embora por alguma outra razão, e então se torna infiel), a oportunidade de terminar o casamento e se casar com uma outra pessoa que exercitará amor e fidelidade.
Tenha cuidado para não ter idéias preconcebidas. Assegure-se de examinar todas as suas hipóteses e pensamentos à luz das Escrituras. Descarte qualquer idéia, não importa quão fortemente você crê nela, que não se alinhe com a Palavra de Deus. O único fundamento seguro para o nosso pensar é a Palavra de Deus. Sempre que o nosso pensamento se afasta da Sua Palavra, nós abrimos nós mesmos aos ataques de Satanás naquilo que ele nos achará incapazes de permanecer em pé, aquilo em que nós temos confiado em nossa opinião falível, ao invés de na Sua Palavra infalível.
ADULTÉRIO PERPÉTUO [adultério continuado, adultério contínuo, adultério constante, adultério incessante, ou continuado adultério, contínuo adultério, constante adultério, incessante adultério]
O ponto de vista que um casal recasado está “vivendo em [continuado] adultério” surge de uma má interpretação, uma distorção das Escrituras. O argumento nega que o divórcio pode terminar um casamento. Usualmente, este argumento erroneamente usa Romanos 7:3 ou se apóia sobre 1 Corinthians 7:39 para argumentar que somente a morte termina um casamento. Entretanto, Deuteronômio 24, claramente, indica que o divórcio termina um casamento. Em João 4, Cristo falou à mulher do poço: “Porque tiveste cinco maridos,” cuidadosamente usando o passado para indicar que aqueles prévios casamentos estavam terminados. Nem sequer uma [uma só] clara declaração das Escrituras ensina [explicitamente] que o casamento é uma conexão misticamente eterna que se estende mesmo depois de um divórcio.
Tenham cuidado para não usar tipos ou ilustrações retiradas da Bíblia a respeito do casamento, para ensinarem além do que é claramente declarado nas Escrituras. Todos os tipos se despedaçam em algum nível, mesmo os tipos de Cristo no Velho Testamento. Argumentos a partir de tipos somente são verdadeiros até o ponto em que a coisa representada está claramente declarada [em outros locais da Bíblia]. Crer que “uma vez que a salvação nunca termina, casamentos também nunca terminam,” é esticar o tipo além do claro ensino da Palavra. De modo oposto, crer que “uma vez que divórcio termina o casamento, um crente pode perder seu salvação” é igualmente tão falacioso. Usar tipos para argumentar além do que está claramente declarado [em outros locais da Bíblia] é um pantanal interpretativo similar a ler o reflexo de um livro em um espelho.
Leia Gálatas 5:19-21.
“19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, 20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.”
Considere agora o pantanal interpretativo criado pela posição não Escriturística de que divórcio não termina o casamento. A frase: “os que cometem tais coisas” significa “aqueles que praticam (ou continuam fazendo) estas coisas.” Se nós julgamos que uma pessoa recasada está cometendo adultério todas as vezes que ela se envolve no ato matrimonial com seu novo cônjuge, então estes versículos negam-lhe salvação. Ele está indo para o inferno. Que acontece se aquela alma já foi nascida de novo? Ela perde a sua salvação? Como é que uma alma pára de cometer este adultério?
Deve ele [o homem recasado] divorciar-se da segunda esposa? Isso seria adicionar ainda outro pecado na sua conta. Ademais, nunca é certo fazer o que é errado. Deve ele [o homem recasado] parar de dormir com o novo cônjuge? Fazer isso significa que ele quebra as instruções de Deus em 1 Corinthians 7:4-5, aonde nós somos ensinados não cessarmos nossas relações maritais exceto por causa de um período de jejum e oração, nos assegurando de voltarmos a nos ajuntar novamente. Será que Deus está agora ordenando-lhe pecar?
[Em Mateus 19, no exato contexto do seu ensinamento sobre divórcio e recasamento, o Senhor Jesus Cristo declarou que Deus não força homens a serem eunucos: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.” (Mt 19:12).]
Deve o adúltero perpétuo jamais se juntar a uma igreja do NT? A igreja é claramente ordenada a se separar daqueles que continuam a desafiar Deus (1Cor 5). Assim, este cristão, não importa como ele esteja arrependido, não pode ter comunhão com outros crentes.
Todas estas questões surgem quando a verdadeira natureza do casamento é mau entendida. “Adultério perpétuo” é um pantanal interpretativo que nós devemos evitar.
UMA SEGUNDA CAUSA [Justa, para o Divórcio]
Porventura, 1 Coríntios 7:15 dá um segundo julgamento para o divórcio que Cristo não mencionou? Eu não creio desta maneira pelas seguintes razões:
A declaração de Cristo em Mateus 19:9 parece específica e exaustiva. Enquanto as epístolas do NT rotineiramente expandem nosso entendimento de doutrina a partir da semente no ensino de Cristo, Ele, sobre este assunto de divórcio e recasamento, pareceu claro e definitivo. Eu quero evitar ser tanto mais restrito como mais abrangente do que a Palavra de Deus.
Se ser abandonado por um cônjuge descrente é base para o divórcio, nós encaramos a nada invejável responsabilidade de determinarmos se o cônjuge que foi embora é um redimido. A evidência pode ser procurada para mostrar definitivamente que um esposo tem sido infiel. Mas, que evidência mostrará definitivamente o estado de uma alma? Lembre que Ló é chamado “justo” no NT, mas se nós considerarmos apenas o seu comportamento que está registrado [no Velho Testamento], nós nunca teríamos certeza disto. [E embora Judas fosse não salvo, os discípulos nunca suspeitaram disso e não suspeitaram até mesmo quando Cristo o identificou na Última Ceia e Judas realmente se levantou para sair. Compare Mateus 26:21-25 e João 13:21-30.] As pessoas, mesmo as pessoas salvas, podem ceder à carne e se tornarem incrivelmente atravessadas a 90 graus em relação a Deus e aos seus companheiros crentes. No calor de um tal pecado, elas podem parecer completamente não salvas.
Nós corremos o risco de ter encorajado uma pessoa a pecar, se o cônjuge que se divorciou e abandonou o casamento na realidade era um crente nascido de novo. Em minha mente, a segunda causa se torna um nada invejável pantanal interpretativo.
O VERDADEIRO TESTE DE NOSSO CRISTIANISMO
Tem sido bem dito que um verdadeiro teste de nossa salvação é como nós respondemos àqueles que discordam de nós. Nesta ou em qualquer outra discordância, que o Espírito de Deus tanto nos controle e tanto deixe transparecer o seu amor através de nós, que “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos” Continue estudando a Sua palavra, fazendo a Sua vontade, e andando com Ele!