A Família e o Divórcio

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Hoje eu vi uma triste notícia que me fez lembrar de um comentário feito aqui no Deus lo Vult! algumas semanas atrás. O comentário dizia, en passant, que o divórcio “[s]eria “o fim da família” e não aconteceu isso”; a notícia que eu vi hoje em G1 diz que a taxa de divórcios cresceu 200% em 23 anos.

Lembro-me de uma música antiga, que eu não sei de quem é, chamada “Utopia”. Ela canta: Há tantos filhos / que, bem mais do que um palácio, / gostariam de um abraço / e do carinho entre seus pais. / Se os pais se amassem / o divórcio não viria, / chamam isso de utopia, / eu a isso chamo paz. O Divórcio faz guerra contra a Família, é evidente; enquanto esta fala em olhar para o(s) outro(s), aquele fala em pensar em si. Enquanto esta fala em estabilidade, aquele fala em (falsa) “liberdade”. Esta fala em sacrifício; aquele, em prazer. Esta é solidária; aquele, é egoísta.

Sinceramente, não existe um único argumento em defesa do Divórcio que não seja, ao mesmo tempo, um ataque à Família. Se há “casais que não dão certo” – coisa com a qual muito facilmente nós concordamos -, reconhecer um suposto “direito” às segundas (e terceiras, e quartas…) núpcias é dizer que a parte [= cada um dos cônjuges] tem precedência sobre o todo [= a Família]. Por que “fulaninho tem direito de ser feliz” mas a Família de fulaninho não tem direito de ser preservada? Claro que há situações em que a convivência é simplesmente impossível – e a própria Igreja reconhece a licitude da chamada “separação de corpos” -, mas isso justificaria no máximo o desquite, e não o divórcio. Lembrando que são duas coisas diferentes (aliás, nem sei se existem as duas figuras na legislação brasileira atual): o primeiro autoriza a dissolução da sociedade conjugal e, o segundo, autoriza a contração de novas núpcias. Em outras palavras: pode-se imaginar uma situação na qual um casal específico simplesmente não possa viver sob o mesmo teto e, ao mesmo tempo, manter a instituição familiar inalterada, mas não se pode imaginar uma situação em que os cônjuges possam “casar de novo” e a Família saia incólume desta afirmação.

Reconhecer que uma pessoa pode “casar de novo” é evidentemente reconhecer que a Família não é uma sociedade indissolúvel, pois pode ser dissolvida. É este o ataque que a instituição familiar sofre, e é neste sentido que a introdução do divórcio na legislação brasileira “acabou” com a Família. Quem tem “duas famílias”, na verdade não tem família nenhuma, porque a família é uma comunhão total não só de bens como também de pessoas, e uma pessoa “dividida” entre “duas famílias” não está se entregando totalmente nem a uma, nem a outra. Mesmo que haja divórcio e mesmo que o marido viva monogamicamente com a sua segunda (terceira… quarta…) esposa, há os filhos; e, assim, nem os filhos do “primeiro casamento” e nem os do “segundo” (terceiro… quarto…) têm uma figura paterna inserida solidamente numa sociedade familiar verdadeira. Não têm uma família; têm simplesmente pessoas que cuidam deles, o que é algo completamente diferente.

Após décadas de divórcio, após milhares de pessoas terem as suas famílias destruídas e serem apresentadas a caricaturas de famílias como se fossem famílias verdadeiras, após, enfim, tanta distância entre a experiência quotidiana e o ideal apresentado (isso quando ele é apresentado), é por acaso de se espantar que as pessoas tenham concepções cada vez mais errôneas sobre a Família? O acúmulo de erros só pode produzir resultados catastróficos, e a corrupção das bases só pode fazer com que todo o edifício venha ao chão. A Família é a célula-mater da sociedade e, quando a Família sofre, a sociedade a acompanha. O Divórcio, por ser um ataque à Família, provocou diversos males à sociedade brasileira, que nós não somos nem mesmo capazes de avaliar em sua totalidade. É urgente diminuir a tendência apresentada pela pesquisa do IBGE que foi citada no início do post; mesmo que digam que isso é utopia, é importante dizer que nós sabemos ser isso paz.

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25 comentários em “A Família e o Divórcio

  1. sandra nunes

    Realmente, é absolutamente utópico seu desejo.

    E é do querido Pe. Zezinho ( o poetinha de Deus )

    Utopia
    Padre Zezinho
    Composição: Pe. Zezinho

    Das muitas coisas
    Do meu tempo de criança
    Guardo vivo na lembrança
    O aconchego de meu lar
    No fim da tarde
    Quando tudo se aquietava
    A família se ajuntava
    Lá no alpendre a conversar

    Meus pai não tinham
    Nem escola e nem dinheiro
    Todo dia o ano inteiro
    Trabalhavam sem parar
    Faltava tudo
    Mas a gente nem ligava
    O importante não faltava
    Seu sorriso, seu olhar

    Eu tantas vezes
    Vi meu pai chegar cansado
    Mas aquilo era sagrado
    Um por um ele afagava
    E perguntava
    Quem fizera estrepolia
    E mamãe nos defendia
    E tudo aos poucos se ajeitava

    O sol se punha
    A viola alguém trazia
    Todo mundo então queria
    Ver papai cantar pra gente
    Desafinado
    Meio rouco e voz cansada
    Ele cantava mil toadas
    Seu olhar no sol poente

    O tempo passa
    E eu vejo a maravilha
    De se ter uma família
    Enquanto muitos não a tem
    Agora falam
    Do desquite, do divórcio
    O amor virou consórcio
    Compromisso de ninguém

    Há tantos filhos
    Que bem mais do que um palácio
    Gostariam de um abraço
    E do carinho de seus pais
    Se os pais amassem
    O divórcio na viria
    Chame a isso de utopia
    Eu a isso chamo paz.

  2. Cledson

    Na lei civil brasileira existem tanto a separação judicial (chamada antigamente de desquite) quanto o divórcio (que rompe o vínculo conjugal e, portanto, permite um novo casamento).

  3. sandra nunes

    Cledson

    Permita-me corrigi-lo, mas a separação judicial, não permite o casamento.
    Somente se pode pedir o Divórcio após um ano de separado judicialmente, separado de fato há dois anos.

    Lei nº 6.515, de 26 de dezembro de 1977

    DA DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE CONJUGAL

    Art. 2º. A sociedade conjugal termina:

    III – pela separação judicial;

    IV – pelo divórcio;-

    Art. 3º. A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação, fidelidade recíproca e ao regime matrimonial de bens, como se o casamento fosse dissolvido.

    CAPÍTULO II

    DO DIVÓRCIO

    Art. 24. O divórcio põe termo ao casamento e aos efeitos civis do matrimônio religioso.

    Art. 36.

    b) Conversão de separação judicial em divórcio decorrido 1 ano da separação.

    Art. 40. No caso de separação de fato, e desde que completados 2 (dois) anos consecutivos, poderá ser promovida ação de divórcio, na qual deverá ser comprovado decurso do tempo da separação. (Redação dada pela Lei nº 7.841, de 17.10.89).

  4. Jorge Ferraz

    Sandra,

    Permita-me corrigi-lo, mas a separação judicial, não permite o casamento.

    Mas o Cledson não disse que permitia.

    – Jorge

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  8. Hélio F. H. Janine

    A Vontade de Deus Concernente ao Novo Casamento
    por
    Rev. Barry Gritters
    Se o divórcio é um problema devastador para a igreja de Deus, o novo casamento é tão grande como. O divorcio é um mal por causa do pecado ao qual frequentemente conduz: o novo casamento, enquanto o cônjuge original ainda vive. Como o povo de Deu s de antigamente, “ com tristeza devastadora eu choro ” , 1 por causa desta violação da lei de Deus.
    Contudo, como o divórcio e o novo casamento chegaram a não serem mais considerados como males? Será que o povo de Deus estava tão enfadado com o problema, que se entregou? A igreja se rendeu às pressões para permitir o divórcio por “ toda causa ” , e o novo casamento de qualquer um que tenha “ confessado ” seu pecado?
    Aqui, mais do que nunca, é importante não permitir que nossas emoções nos guiem. Há poucos que não são pessoalmente tocados por estas questões. Para os crentes que têm feridas e cicatrizes profundas por causa dos problemas de maus casamentos, oramos para que Deus possa curar, e para que Jesus Cristo seja o Grande Médico para eles.
    Estude comigo o ensino da Bíblia sobre o novo casamento.
    A Bíblia ensina que não pode haver nenhum novo casamento, a menos que um dos cônjuges tenha morrido. Isto significa a morte física, como qualquer pessoa que fez os votos no casamento admitiria ser o significado da frase: “ até que a morte nos separe ” .
    Alguns alegam que duas passagens do Novo Testamento são fundamentos para o novo casamento após o divórcio, mesmo com o cônjuge ainda vivo. Mateus 19:9 e 1Coríntios 7:15 são interpretados como permitindo o novo casamento da “ parte inocente ” – o cônjuge fiel ou abandonado.
    À parte da interpretação destes textos, considere o que tem acontecido nas igrejas que tomaram esta visão destes textos. Todos admitirão que o divórcio não é permitido somente sobre estes dois fundamentos – adultério e deserção – mas por quase toda causa. O abandono é tomado como significando quase tudo, desde crueldade mental até ser indiferente. O novo casamento é permitido não somente para a “ parte inocente ” , mas para qualquer um que se divorciou. As comportas foram abertas, permitindo que a bendita instituição do casamento fosse varrida (para não dizer nada sobre o que acontece com os filhos).
    O que a Escritura diz? Em cada outra passagem da Escritura, Deus deixa claro que ele não permite o novo casamento. Marcos 10:11, 12, Lucas 16:18, Romanos 7:1-3 e 1Coríntios 7:39, todas claramente mostrando que Deus proíbe o novo casamento quando o cônjuge original da pessoa ainda está vivo. Se alguém apelar para Deuteronômio 24 como uma base para o novo casamento, ele deve primeiro ler Mateus 19 e ouvir o que Jesus disse sobre este tipo de apelo. Explicamos Deuteronômio 24 em nosso último artigo.
    Mateus 19 é mais importante. À parte da dificuldade de julgar quem realmente é o “ inocente ” num divórcio, Mateus 19 não permite que a parte inocente case novamente. Quatro coisas deixam isto claro:
    PRIMEIRO, devemos olhar cuidadosamente para a cláusula começando com a palavra “ não sendo ” 2 . A exceção é para a proibição de divórcio feita por Jesus, e não de novo casamento. Jesus dá uma exceção que permite o divórcio; na há uma exceção aqui que permita o novo casamento. Jesus poderia facilmente ter dito: “ Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra, não sendo por causa de prostituição… ” . Em vez disso, ele disse: “ Qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituiçã o, e casar com outra, comete adultério ” . Note cuidadosamente a localização da cláusula de “ exceção ” .
    SEGUNDO, parece que Jesus se referia a uma mulher que não cometeu adultério aqui – uma parte inocente. Sobre ela Jesus diz: “ e o que casar com a repudiada também comete adultério ” . Se o homem que casou com a parte inocente comete adultério ao casar com ela, certamente ela está cometendo adultério também. Isto é claro!
    TERCEIRO, embora possamos não pensar que o ensino de Jesus foi muito claro, seus discípulos sim! Parece que todo aquele que usa esta passagem para apoiar o novo casamento falha completamente em tratar com os versículos seguintes, 10-12. Nestes versículos, os discípulos de Jesus, de maneira privada e desgostosa, se queixaram do seu Mestre. Em efeito, eles disseram: “ Jesus, se o seu ensino é verdadeiro, seria melhor um homem nunca se casar! ” . Por que os discípulos fizeram tal declaração? Se o divórcio fosse tão fácil, e o novo casamento permissível com uma declaração de confissão de pecado, por que deveriam os discípulos ter dito que seria melhor nunca se casar? Não há outra explicação, exceto que eles viram a dura exigência de Jesus, humanamente impossível para alguns após se casarem.
    A própria resposta de Jesus aos discípulos mostra que esta explicação das observações dos discípulos está correta. Jesus responde à preocupação dos discípulos ensinando que há três tipos de eunucos (homens ou mulheres que não são sexu almente ativos). Alguns nascem sem nenhum desejo sexual. Outros são feitos eunucos pelos homens (era comum os escravos do harém de um rei serem castrados). Outros “ castraram a si mesmos por causa do Reino dos céus. Quem pode receber isso, que o receba ” . O que Jesus está dizendo? Muito simples: alguns se refreiam de toda atividade sexual (novo casamento) por causa da obediência a Jesus Cristo. Se o novo casamento fosse permitido após o divórcio, Jesus não teria ensinado que alguns se fazem eunucos por causa do reino de Deus. Ele também reconhece a extrema dificuldade: “ Quem pode receber isso, que o receba ” . Ele é um Salvador que simpatiza com o seu povo.
    QUARTO, os apóstolos de Jesus entenderam muito bem o que Jesus ensinou aqui. Paulo, o principal entre eles, tomou tempo para explicar e aplicar o ensino de Jesus sobre o novo casamento quando escreveu 1Coríntios 7. Nos versículos 10 e 11, Paulo faz uma distinção entre o que o Senhor ordena e o que ele, Paulo, ordena. A diferença não é entre o que é requerido por Deus e o que é a própria opinião de Paulo, mas entre o que o Senhor Jesus explicou em seu ministério terreno e o que Paulo adicionou ao ensino por inspiração do Espírit o. No versículo 10, Paulo refere-se a algo que o próprio Senhor ordenou. O que foi? “ Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe (divórcio) do marido; se, porém, ela vier a separar-se (divórcio), que não se case ou que se reconcilie com seu marido ” . Isto é impressionante! É poderoso também! Paulo diz que Jesus deu duas opções para a mulher que deixou seu marido: (1) Permanecer sem se casar; (2) Reconciliar-se. Seria o cume da crueldade (para não dizer da tolice ímpia) Paulo dar somente estas duas opiniões a uma mãe de vários filhos divorciada, se Jesus tivesse dado outra opção – casar de novo. Fiel ao ensino de Jesus em Mateus 19, Paulo não dá a permissão para casar novamente enquanto o cônjuge está vivo.
    1Coríntios 7:15 é frequentemente usado para apoiar o novo casamento enquanto o cônjuge da pessoa ainda vive. Brevemente, a explicação continua, se um homem abandona sua esposa (ou vice-versa), a esposa não está mais “ ligada ” a ele. Então, visto que o versículo 39 mostra que “ não ligada ” significa livre para casar novamente, este cônjuge abandonado está livre para casar. Um triste aspecto desta linha de pensamento é que ele é baseado na tradução da NIV, que traduz descuidadamente duas palavras gregas diferentes com a mesma palavra inglesa. 3 O versículo 15 fala de estar em servidão (escravidão), e o versículo 39 fala de ser ligado (amarrado firmemente). O casamento liga um homem com sua esposa por toda a vida; mas um cônjuge abandonado não é um escravo (em servidão) do temor de culpa, excomunhão, etc. Deus nos chamou para a paz (Para uma explicação detalhada desta passagem, por favor, nos escreva, e alegremente lhe enviaremos uma).
    Por que este ensino rígido da Escritura? Porque o casamento é uma união feita por Deus, a ser quebrada somente por ele. Nenhum contrato legal pode ser quebrado pelas partes conforme seus desejos e caprichos, mas o casamento é uma união de Deus (1Coríntios 7:39). Gênesis 2 diz: “ serão ambos uma carne ” . Nenhum homem pode fazer isso.
    A questão é: “ Pode algo, senão a morte, quebrar a união? ” . A resposta de alguns é: “ Divórcio ” . Se esta é a resposta, não há nenhuma razão para a parte culpada não casar novamente. Ah, este é o caso em quase toda igreja que começou a permitir o divórcio somente para a “ parte inocente ” .
    Aqueles que casam novamente, enquanto seus cônjuges originais ainda estão vivos, estão vivendo em contínuo adultério. Arrependimento por causa do pecado é deixar o novo cônjuge e permanecer sem casar, ou reconciliar com o cônjuge original (1Coríntios 7:11). Deve-se orar e buscar zelosamente a reconciliação, por causa de Deus e dos filhos.
    É possível? É o caso de “ Jesus nunca permitir tamanho infortúnio ” , como tão persuasivamente argumentado? Se sim, o Cristianismo tem sido transformado numa religião muito diferente daquela ensinada por seu fundador. Jesus disse que a vida dos seus discípulos seria uma cruz – perder a vida, abrir mão dos membros da família, talvez até mesmo chamando o seu povo a odiar pai ou mãe. Jesus disse que seus seguidores devem “ calcular a despesa ” antes de segui-lo, para que não sejam zombados por não terem vontade de continuar (Lucas 14:25-33). O que Jesus diz em Mateus 10:34-39, 19:1-12, Marcos 10:28ss e Lucas 12:49-53 é uma oposição poderosa ao ensino de que Jesus não requer do seu povo coisas humanamente impossíveis.
    Que o povo de Deus seja motivado por este ensino a cultivar seus casamentos, advertir seus filhos, pregar a verdade sobre o casamento, guardar zelosamente as instituições de Deus, e (especialmente!) orar por graça para andar no caminho de Deus, onde eles desfrutam da sua benção. Seja encorajado, povo de Deus, por sua Palavra para vocês em Efésios 3:20,21.
    Fonte (original): Capítulo 12 do livro The Family: Foundations are Shaking, de Rev. Barry Gritters. Traduzido com permissão da PRC [http://www.prca.org/]
    Traduçã o: Felipe Sabino de Araújo Neto / [email protected]

  9. Hélio F. H. Janine

    “Divórcio é SEMPRE errado!” Isto é, “Deus NUNCA aprova o divórcio.”

    As seguintes Escrituras contradizem este ponto de vista:

    1. Deus deu uma lei permitindo e regulando o procedimento apropriado para o divórcio (Deuteronômio 24:1-4). (“1 ¶ Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então será que, se não achar graça em seus olhos, por nela encontrar coisa indecente, far-lhe-á uma carta de repúdio, e lha dará na sua mão, e a despedirá da sua casa. 2 Se ela, pois, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem, 3 E este também a desprezar, e lhe fizer carta de repúdio, e lha der na sua mão, e a despedir da sua casa, ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, 4 Então seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a tomá-la, para que seja sua mulher, depois que foi contaminada; pois é abominação perante o SENHOR; assim não farás pecar a terra que o SENHOR teu Deus te dá por herança.” (Dt 24:1-4 ACF) )
    2. Deus agradou-se de uma série de divórcios (Esdras 10:10-11). (“10 Então se levantou Esdras, o sacerdote, e disse-lhes: Vós tendes transgredido, e casastes com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de Israel. 11 Agora, pois, fazei confissão ao SENHOR Deus de vossos pais, e fazei a sua vontade; e apartai-vos dos povos das terras, e das mulheres estrangeiras.” (Ed 10:10-11 ACF) )
    3. Deus, Ele mesmo, divorciou-se do seu povo no Velho Testamento (Jeremias 3:8). (“E vi que, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei a sua carta de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.” (Jr 3:8 ACF) )
    4. Cristo concedeu permissão para o divórcio, se um cônjuge fosse infiel (Mateus 19:9). (“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.” (Mt 19:9 BRP) )

    Nós temos que harmonizar toda a Palavra de Deus. Nós podemos achar a nossa opinião melhor expressa em um ou dois versículos [e abandonarmos todos os outros versos que não são favoráveis à nossa opinião], ao contrário, para conhecermos a opinião de Deus nós temos que considerar toda a Sua Palavra. Certamente, Deus odeia o divórcio (Malaquias 2:16). O que Ele quer dizer através disto? Porventura, está Ele, agora, dizendo que Ele odeia todos os divórcios, mesmo aqueles que O agradaram em Esdras? Porventura, Deus se contradiz a si mesmo? Não, Ele tem que ter expressado que Ele odeia a prática do divórcio sem uma base justa, como está, claramente, retratado pelo contexto. [O contexto de Malaquias 2 é quando um homem age traiçoeira ou violentamente contra a esposa de sua mocidade (vv. 15, 16). Deus está dizendo que Ele odeia o divórcio quando ele está no contexto deste tipo de impiedade.]

    A crença que o “divórcio é sempre errado” conduz a um pantanal interpretativo que só pode ser resolvido através da tentativa de dar uma justificativa para isto, que é feita através do descarte de [várias] claras declarações de Deus.

    2. “… mas ao princípio não foi assim.”

    Deus criou o casamento com a intenção de que ele durasse para sempre (“… mas ao princípio [o divórcio] não foi assim”). Mas, a queda dentro do pecado [por Adão e Eva] mudou todas as coisas. Em um mundo amaldiçoado pelo pecado, Deus não espera que a humanidade pecadora viva ao nível da perfeição estabelecida para seres humanos perfeitos, dentro de um mundo que era livre da presença e do poder do pecado. Na Sua misericórdia, a Palavra de Deus claramente reconhece algumas situações onde o divórcio é apropriado.

    Em Mateus 19:9, as palavras de Deus “Eu vos digo, porém, ….” afastam, completamente, para bem longe, todas as considerações do Jardim do Éden e da lei, substituindo aqueles padrões com o Seu padrão para as Suas igrejas. Por que Cristo faria isto, exceto se Ele esperasse que nós pensássemos que a frase “… mas ao princípio não foi assim.” (o v. 8) ou suas declarações a respeito da dureza dos corações, de algum modo, fossem canceladas pelo que Ele está indo dizer no versículo 9? Tenha cuidado para não usar uma passagem de modo a cancelar outra passagem sem um claro mandato da Palavra de Deus para que você faça assim. “Eu vos digo, porém, ….” é um claro mandato que cancela tudo [sobre divórcio/ recasamento] dito e escrito antes dEle [de Cristo], deixando- nos com a Sua regra pela qual nós devemos viver.

    1 Corinthians 7 ensina algumas “coisas difíceis de serem entendidas.” Os versículos 10 e 11 poderiam ser lidos de modo a proibir todos os divórcios, enquanto o versículo 15 poderia ser visto como uma segunda razão aceitável para um divórcio, e os versículos 27 e 28 poderiam ser vistos como permitindo todos os recasamentos. No entanto, nós não encontramos nenhuma declaração de que 1 Corinthians 7 substitui ou cancela as definitivas declarações de Cristo nos Evangelhos. Portanto, estes versículos têm que ser entendidos como complementando e concordando com as declarações de Cristo, não sendo entendidas como negando-a ou expandindo-a.

    Por favor, esteja advertido de que as falsas seitas justificam a crença delas na regeneração batismal (Atos 2:38, Marcos 16:16), ou na missa (João 6:53), ou em outras heresias, através do uso de uns poucos versículos não muito claros, para reinterpretar as claras [explicitas, diretas, incontornáveis, indiscutíveis] declarações da Palavra de Deus. Se nós cuidadosamente examinarmos “todo o conselho de Deus,” nós evitaremos este perigoso pantanal .

    3. “Você pode até ter motivos para um divórcio, mas você nunca pode recasar.”

    Divórcio e recasamento são realmente o mesmo assunto. Deuteronômio 24:1-4, claramente, indica que um divórcio justo deixa ambas as partes livres para recasarem. Em Mateus 19:9, o nosso Salvador disse que Ele proibia todo divórcio e recasamento, exceto no caso de fornicação. Naquela frase “qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério” Ele ajunta o divorciar com o recasar através da palavra “e.” Cristo se refere ao divórcio/recasamento como uma só situação, uma situação que é pecaminosa se não existir uma base justa para o divórcio.

    O direito de recasar tem sempre sido incluído com permissão de divorciar. Mas, alguns dizem, “eles têm que pagar um preço por terem deixado o casamento deles falhar!” Nós temos que ter cuidado para não agirmos como vigilantes, exigindo uma penalidade para aqueles que têm pecado, através de pendurar esta ameaça sobre as suas cabeças, maltratá-los, ou olhá-los com desprezo. Cristo é ainda a cabeça de sua igreja e, na Sua pura justiça, Ele punirá o pecado. Cristo combinou as duas coisas [divórcio e recasamento]; separá-las é entrar num pantanal interpretativo.

    4. “Os padrões do mundo têm sido abaixados porque os padrões da igreja têm sido abaixados.”

    Os homens perdidos se comportam da maneira que eles fazem porque são “filhos da desobediência.” Algumas almas perdidas podem apontar o dedo acusatório para o povo de Deus em uma tentativa de desculpar-se ou de defender o próprio mau comportamento deles. No entanto, o perdido desobedecerá e se rebelará contra Deus não importa o que o povo de Deus faça. Nunca uma alma perdida, em nossa cidade de 330.000 pessoas, se dirigiu à nossa igreja para considerar a nossa posição sobre divórcio/ recasamento. A pessoa perdida preferiria muito mais não conhecer o que Deus diz, porque “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” [1Co 2:14]

    A Confissão de Westminster de 1646, Matthew Henry (1662-1714), Matthew Poole (1700’s) e incontáveis outros piedosos expositores dos últimos 300 anos, todos têm entendido a frase de Cristo em Mateus 19:9 como um fundamento para um divórcio justo. Matthew Henry e Matthew Poole também criam que 1 Corinthians 7:15 concedia outra causa justa.

    “Nenhum divórcio, jamais” não é a posição histórica. É impróprio alegar que a exceção dada por Cristo [em Mat 19:9 "qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação"] é “um novo ensinamento” [a acusação é que isto é recente adulteração feito pelo HOMEM à Bíblia] é responsável pela a maré de divórcios em nossos dias. Provavelmente, o surto de divórcios em nossa cultura resulta das revoluções das drogas, do sexo, e da pornografia dos anos 60 e 70.

    Acautelai-vos contra o tentação de estabelecer padrões como uma reação contra o mundo. Nós temos que fundamentar a nossa posição na Palavra de Deus, não importa onde esteja a posição do mundo, para que nós não entremos em um pantanal interpretativo que consistirá em interpretarmos as Escrituras à luz do comportamento dos perdidos.

    5. “Uma crença que divórcio é absolutamente errado forçará um casal a permanecer junto e resolver todos os problemas, mesmo infidelidade.”

    A situação oposta é, exatamente, tão provável quanto esta. Que tal a pobre mulher cujo marido é um namorador e não quer se arrepender? Porventura, Deus exige que ela continue a suportar a dor emocional da repetida infidelidade dele, que nunca se arrepende e sempre a expõe a doenças venéreas quando ela fielmente desempenha a sua parte na relação sexual deles, aprisionada na armadilha do casamento dela por uma interpretação incorreta das Escrituras? Alguns homens ímpios podem gostar disso, mas isto cria um pantanal interpretativo que difama a Palavra e o caráter de Deus. [Hélio ainda mesmo orou pela filha de um pastor, o marido dela repetidamente a tentou matar de várias maneiras, desta última vez a espancou tanto que dilacerou seu baço e fez seu fígado também sangrar, quase que ela morreu disto, passou vários dias entre a vida e a morte, num hospital, e ele também a tentou matar afogada na banheira, e deu-lhe um tiro que passou de raspão...].

    6. “Se infidelidade sexual é base para o divórcio, então um sem número de divórcios são aprovados por Deus.”

    Uma vez que o comportamento normal dos seres humanos que se divorciam é encontrar outra companhia, muitos divórcios podem eventualmente ser justificados pela exceção concedida por Cristo em Mateus 19:9. Deus é justiça e misericórdia em partes iguais. É inteiramente consistente com a misericórdia de Deus que Ele concederia para a alma emocionalmente despedaçada (cujo cônjuge tem sido infiel ou tem ido embora por alguma outra razão, e então se torna infiel), a oportunidade de terminar o casamento e se casar com uma outra pessoa que exercitará amor e fidelidade.

    Tenha cuidado para não ter idéias preconcebidas. Assegure-se de examinar todas as suas hipóteses e pensamentos à luz das Escrituras. Descarte qualquer idéia, não importa quão fortemente você crê nela, que não se alinhe com a Palavra de Deus. O único fundamento seguro para o nosso pensar é a Palavra de Deus. Sempre que o nosso pensamento se afasta da Sua Palavra, nós abrimos nós mesmos aos ataques de Satanás naquilo que ele nos achará incapazes de permanecer em pé, aquilo em que nós temos confiado em nossa opinião falível, ao invés de na Sua Palavra infalível.

    ADULTÉRIO PERPÉTUO [adultério continuado, adultério contínuo, adultério constante, adultério incessante, ou continuado adultério, contínuo adultério, constante adultério, incessante adultério]

    O ponto de vista que um casal recasado está “vivendo em [continuado] adultério” surge de uma má interpretação, uma distorção das Escrituras. O argumento nega que o divórcio pode terminar um casamento. Usualmente, este argumento erroneamente usa Romanos 7:3 ou se apóia sobre 1 Corinthians 7:39 para argumentar que somente a morte termina um casamento. Entretanto, Deuteronômio 24, claramente, indica que o divórcio termina um casamento. Em João 4, Cristo falou à mulher do poço: “Porque tiveste cinco maridos,” cuidadosamente usando o passado para indicar que aqueles prévios casamentos estavam terminados. Nem sequer uma [uma só] clara declaração das Escrituras ensina [explicitamente] que o casamento é uma conexão misticamente eterna que se estende mesmo depois de um divórcio.

    Tenham cuidado para não usar tipos ou ilustrações retiradas da Bíblia a respeito do casamento, para ensinarem além do que é claramente declarado nas Escrituras. Todos os tipos se despedaçam em algum nível, mesmo os tipos de Cristo no Velho Testamento. Argumentos a partir de tipos somente são verdadeiros até o ponto em que a coisa representada está claramente declarada [em outros locais da Bíblia]. Crer que “uma vez que a salvação nunca termina, casamentos também nunca terminam,” é esticar o tipo além do claro ensino da Palavra. De modo oposto, crer que “uma vez que divórcio termina o casamento, um crente pode perder seu salvação” é igualmente tão falacioso. Usar tipos para argumentar além do que está claramente declarado [em outros locais da Bíblia] é um pantanal interpretativo similar a ler o reflexo de um livro em um espelho.

    Leia Gálatas 5:19-21.
    “19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, 20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, 21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.”

    Considere agora o pantanal interpretativo criado pela posição não Escriturística de que divórcio não termina o casamento. A frase: “os que cometem tais coisas” significa “aqueles que praticam (ou continuam fazendo) estas coisas.” Se nós julgamos que uma pessoa recasada está cometendo adultério todas as vezes que ela se envolve no ato matrimonial com seu novo cônjuge, então estes versículos negam-lhe salvação. Ele está indo para o inferno. Que acontece se aquela alma já foi nascida de novo? Ela perde a sua salvação? Como é que uma alma pára de cometer este adultério?

    Deve ele [o homem recasado] divorciar-se da segunda esposa? Isso seria adicionar ainda outro pecado na sua conta. Ademais, nunca é certo fazer o que é errado. Deve ele [o homem recasado] parar de dormir com o novo cônjuge? Fazer isso significa que ele quebra as instruções de Deus em 1 Corinthians 7:4-5, aonde nós somos ensinados não cessarmos nossas relações maritais exceto por causa de um período de jejum e oração, nos assegurando de voltarmos a nos ajuntar novamente. Será que Deus está agora ordenando-lhe pecar?

    [Em Mateus 19, no exato contexto do seu ensinamento sobre divórcio e recasamento, o Senhor Jesus Cristo declarou que Deus não força homens a serem eunucos: “Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.” (Mt 19:12).]

    Deve o adúltero perpétuo jamais se juntar a uma igreja do NT? A igreja é claramente ordenada a se separar daqueles que continuam a desafiar Deus (1Cor 5). Assim, este cristão, não importa como ele esteja arrependido, não pode ter comunhão com outros crentes.

    Todas estas questões surgem quando a verdadeira natureza do casamento é mau entendida. “Adultério perpétuo” é um pantanal interpretativo que nós devemos evitar.

    UMA SEGUNDA CAUSA [Justa, para o Divórcio]

    Porventura, 1 Coríntios 7:15 dá um segundo julgamento para o divórcio que Cristo não mencionou? Eu não creio desta maneira pelas seguintes razões:

    A declaração de Cristo em Mateus 19:9 parece específica e exaustiva. Enquanto as epístolas do NT rotineiramente expandem nosso entendimento de doutrina a partir da semente no ensino de Cristo, Ele, sobre este assunto de divórcio e recasamento, pareceu claro e definitivo. Eu quero evitar ser tanto mais restrito como mais abrangente do que a Palavra de Deus.

    Se ser abandonado por um cônjuge descrente é base para o divórcio, nós encaramos a nada invejável responsabilidade de determinarmos se o cônjuge que foi embora é um redimido. A evidência pode ser procurada para mostrar definitivamente que um esposo tem sido infiel. Mas, que evidência mostrará definitivamente o estado de uma alma? Lembre que Ló é chamado “justo” no NT, mas se nós considerarmos apenas o seu comportamento que está registrado [no Velho Testamento], nós nunca teríamos certeza disto. [E embora Judas fosse não salvo, os discípulos nunca suspeitaram disso e não suspeitaram até mesmo quando Cristo o identificou na Última Ceia e Judas realmente se levantou para sair. Compare Mateus 26:21-25 e João 13:21-30.] As pessoas, mesmo as pessoas salvas, podem ceder à carne e se tornarem incrivelmente atravessadas a 90 graus em relação a Deus e aos seus companheiros crentes. No calor de um tal pecado, elas podem parecer completamente não salvas.

    Nós corremos o risco de ter encorajado uma pessoa a pecar, se o cônjuge que se divorciou e abandonou o casamento na realidade era um crente nascido de novo. Em minha mente, a segunda causa se torna um nada invejável pantanal interpretativo.

    O VERDADEIRO TESTE DE NOSSO CRISTIANISMO

    Tem sido bem dito que um verdadeiro teste de nossa salvação é como nós respondemos àqueles que discordam de nós. Nesta ou em qualquer outra discordância, que o Espírito de Deus tanto nos controle e tanto deixe transparecer o seu amor através de nós, que “nisto todos conhecerão que sois meus discípulos” Continue estudando a Sua palavra, fazendo a Sua vontade, e andando com Ele!

  10. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    DEUS PROIBE O DIVÓRCIO

    INTRODUÇÃO

    Nos tempos atuais, são vários os assuntos polêmicos e sérios que precisam ser tratados pelos cristãos e, certamente, este é um dos mais complexos, graves e urgentes, devido não só à implicação que traz às famílias, mas, principalmente, à tristeza causada ao nosso amável e santo Deus. Há temas que são óbvios e simples de serem abordados, mas este, realmente, não é fácil. Caso contrário, os fiéis e sinceros homens de Deus, que têm se dedicado a ele, já teriam chegado a uma unanimidade. Mesmo assim, atrevo-me a adentrar neste complexo tema, pois creio que a banalização da aliança matrimonial seja a manifestação de uma grave enfermidade no meio cristão, cujos efeitos já são sentidos e, se não for tratada com a aplicação da Palavra de Deus, as conseqüências, em curto prazo, serão gravíssimas para esta e, principalmente, para as próximas gerações.
    O objetivo não é discorrer sobre o casamento, pois já é um assunto ricamente explorado e obras preciosas – verdadeiros tesouros – estão disponíveis. O meu desejo é trazer um complemento ao tema separação, divórcio e recasamento. Como trataremos da “banda podre” do casamento, portanto pesado, indigesto e difícil, precisamos ser valentes pela verdade ou então cairemos na permissividade humanista. Agradar a Deus e a vontade humana ao mesmo tempo é impossível. O mundo, o império das trevas, tem expressado abertamente, despudoradamente, a intenção maligna de Satanás sobre as famílias, por isso temos que confrontar os seus ensinos e, assim, podermos definir em qual lado vamos ficar, pois não dá para pertencer a dois reinos: Reino de Deus ou mundo; “ou se é oito ou oitenta”; “ou se é pau ou pedra”; não há meio termo e não dá para “ficar em cima do muro”. Abordaremos este tema com temor e tremor, pois estaremos lidando com a verdade santa de Deus e com o sentimento e rumo de vidas humanas.
    Muitos brasileiros cristãos sentiram um grande alívio com a Lei 6.515, chamada de “Lei do Divórcio”, que foi aprovada e entrou em vigor em 26 de dezembro de 1977. Então, milhares ou milhões de casais, que pretendiam ou já estavam juntos, mas impedidos legalmente de se casarem, por causa de casamentos anteriores não anulados, conseguiram regularizar suas situações diante da sociedade. A legalização do divórcio foi a brecha, a porta aberta, que permitiu aos casais cristãos, que não desejavam manter os seus relacionamentos, a pensarem em optar pelo divórcio. Em todos esses casos surge a questão da vontade de Deus. Será que Ele aceita a separação de pessoas casadas, o divórcio e o recasamento, como acontece na lei do nosso país?
    Estamos vivendo em tempos de revolução de idéias e costumes, de rápida e profunda decadência moral, de confusão espiritual, de acelerada apostasia; portanto, creio que devemos ser legalistas, não no sentido pejorativo da palavra, do farisaísmo, mas no de combater o bom combate, sem esmorecer, junto ao governo legal do Senhor Jesus Cristo, o Reino de Deus, e apegar-nos corajosamente à Sua Palavra. Pela seriedade, dramaticidade e urgência do assunto, cabe-nos procurar a vontade de Deus, com isenção de paixões, partidarismo, ou pontos de vista assumidos por conveniência própria ou por defesa de credos, dogmas ou doutrinas estabelecidas no passado.
    Este material não tem a pretensão de exaurir este complexo assunto. O objetivo é buscar a essência, o cerne da verdade, o princípio de Deus e trazer mais luz sobre esta questão e analisar alguns sofismas. A base de toda esta argumentação está nas palavras de Jesus, na doutrina dos apóstolos. “Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiúça a penha?” (Jr 23:29). Se você aprova isto e busca com valentia a verdade, lhe convido a caminhar comigo neste caminho difícil e apertado.
    É comum as pessoas não conferirem na Bíblia os versículos usados como referências. Por isso achei importante transcrever a maioria deles, para que tudo seja feito sob a luz da Palavra de Deus. “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17:11). Para que o leitor confira, quis deixá-los à mão, e, com isto, acabei sendo repetitivo, mas acho que vale a pena mantê-los, para que a verdade prevaleça. Empregaremos a versão bíblica “Almeida Revista e Atualizada”.

    UNIFICANDO OS CONCEITOS

    “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.” (Mt 13:14). Às vezes somos tentados a perguntar: por que não há uma instrução mais clara, direta e fácil sobre este tema na Palavra de Deus? As Escrituras Sagradas são como um quebra-cabeça, cujas peças vão se encaixando, pelo auxílio do Espírito Santo, à medida que temos sede e fome de justiça. Para alcançarmos suas riquezas temos que cavar fundo e com vontade.
    As palavras repúdio, divórcio e recasamento aparecerão dezenas de vezes neste trabalho; por isso, para facilitar o entendimento, precisamos unificar os nossos conceitos. A compreensão do significado das palavras originais, tanto em grego, quanto em hebraico, são fundamentais para o esclarecimento deste assunto. Seria uma deficiência, se não as citássemos.
    Jesus, referindo-se ao Velho Testamento e respondendo aos fariseus sobre o motivo que Moisés permitiu o repúdio e divórcio, disse:
    “Também foi dito: aquele que REPUDIAR (apoluw apoluo) sua mulher, DÊ-LHE (didwmi didomi) carta (biblion biblion) de DIVÓRCIO (apostasion apostasion)” (Mateus 5:31).

    Podemos observar que há dois verbos ou duas ações distintas nesta frase: REPUDIAR e DAR. Em primeiro lugar, alguém repudiava a sua mulher, então, após isto, este era obrigado a tomar outra atitude, que era dar a carta de divórcio. Portanto, são duas ações diferentes e seqüenciais, de modo que não podemos dizer que significam a mesma coisa. A carta de divórcio era conseqüência do repúdio. Jesus estava dizendo que no interior de um coração (“Porque do coração procedem maus desígnios…” Mt 15:19) endurecido, orgulhoso, arrogante, egoísta, avarento, surgia o sentimento de desprezo pelo cônjuge, que era exteriorizado pela atitude de repudiar ou se separar do mesmo, que trazia com isto a irrevogável carta de divórcio.
    Repudiar é uma coisa e divorciar é outra. São diferentes, pois existem pessoas repudiadas, mas não divorciadas. Como veremos mais à frente, antes da lei mosaica só existia o repúdio e não havia o divórcio. Antes da Lei, o homem repudiava quando bem entendia e por qualquer motivo. Moisés acrescentou o divórcio para limitar e disciplinar o repúdio; por isso, não podemos tratar estas duas palavras como sendo iguais, como tendo o mesmo significado. Isto tem sido motivo de muita confusão no seio da Igreja.
    Por definição temos:

    • REPUDIAR é rejeitar; desprezar; deixar de lado; arredar de si; separar; apartar; abandonar; desertar; desamparar; não querer; desfazer-se.
    Repúdio é o mesmo que “shalach” em hebraico e “apoluo” em grego.
    No Velho Testamento (hebraico): “Porque o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio (shalach)…” (Malaquias 2:16).
    No Novo Testamento (grego): “Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la (apoluo) secretamente.” (Mateus 1:19).
    “Também foi dito: Aquele que repudiar (apoluo) sua mulher, dê-lhe carta de divórcio (apostasion).” (Mateus 5:31).
    A seguir, veja o significado das palavras gregas constatadas nos versículos que se referem ao repúdio, separação e abandono do cônjuge, segundo o Léxico Grego de Strong:
     apoluw (apoluo) ….Repudiar, libertar do convívio, despedir, mandar embora, soltar, liberar
    • apo (apo) partícula primária; preposição de separação.
    • luw (luo) libertar alguém ou algo preso ou atado; soltar alguém amarrado; desatar, desfazer, dissolver algo amarrado, atado, ou compactado.
     cwrizw (chorizo) …. Dividir, separar, apartar.
    “Portanto, o que Deus ajuntou não separe (chorizo) o homem.” (Marcos 10:9)
     afihmi (aphiemi) …. Abandonar, partir, ir embora, deixar alguém.
    (1Coríntios 7:11) “(se, porém, ela vier a separar-se (chorizo), que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte (aphiemi) de sua mulher.”
    Um cônjuge fiel, amoroso e dedicado, ao ser rejeitado pela pessoa amada, passa por um dos piores sofrimentos da alma humana, sofre uma dor dilacerante, uma aflição profunda. Jesus suportou a dor física devido às chicotadas, murros, tapas, chutes, coroa de espinhos, cravos em suas mãos e pés, mas quando o Pai teve que O rejeitar, por causa dos nossos pecados que Ele tomou sobre Si, não pôde suportar o desprezo do Seu Amado e “clamou em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). O repúdio não pode ser abordado de forma leviana, pois é algo tremendamente destrutivo.
    Veremos, mais à frente, que é tratado de maneira diferente no Velho e Novo Testamento. No Velho Testamento, na Lei de Moisés, isto é, antes de Jesus, se houvesse o repúdio era obrigatória a carta de divórcio, mas no Novo Testamento, na lei de Cristo, na doutrina dos apóstolos, contexto no qual estamos inseridos (veremos isto mais tarde), precisamos analisar se ainda é assim.

     DIVÓRCIO é um instrumento legal que registra a dissolução absoluta do vínculo conjugal, ou o distrato da sociedade entre cônjuges.
    No Velho Testamento, a carta de divórcio era o documento que continha os termos desta dissolução. Buscaremos entender, na Bíblia, se é possível o divórcio, isto é, a anulação do casamento, diante de Deus e dos homens, para que haja possibilidade de ambos se casarem novamente com outras pessoas. Divórcio é um ato que envolve advogado, juiz, cartório, o qual resulta em registros e documentos oficiais. Divorciar é remover ou destruir, estabelecer ou tornar permanente a separação.
    Em hebraico a palavra divórcio é representada pelo termo twtyrk (k@riythuwth), que significa literalmente “incisão”, “corte do vínculo matrimonial”.
    Em grego é pelo termo Apostasion (apostasion) – tornar permanente, firme uma separação. Neutro de um (suposto) adjetivo de um derivado de aphistemi;
    afisthmi (aphistemi) remover, fazer retroceder, fazer afastar-se;
    • apo (apo) partícula primária; preposição de separação.
    • isthmi (histemi) causar ou fazer ficar de pé, colocar, pôr, tornar firme, fixar, estabelecer, permanecer.

     RECASAMENTO refere-se ao novo “casamento” que o divorciado contrai, estando o cônjuge anterior vivo.

    Duas palavras são sinônimas perfeitas, quando é permitido que uma seja escolhida pela outra sem alterar a significação literal da sentença. Isto é, se substituirmos uma palavra pela outra o significado da sentença permanecerá inalterado.
    Para confirmar a validade das definições anteriores, façamos uma substituição da palavra “repudiar” por “divorciar” nos versículos originais abaixo e analisemos o resultado. Se a palavra repudiar for sinônima de divorciar, o significado dos versículos permanecerá inalterado. Vejamos se isto acontece em alguns versículos chave:
    • Marcos 10:11-12 “E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”.
    • Lucas 16:18 “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”.
    • 1Coríntios 7:10-11 “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher”.
    Resultado após a substituição:
    • Marcos 10:11-12 “E ele lhes disse: Quem divorciar de sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela divorciar de seu marido e casar com outro, comete adultério”.
    • Lucas 16:18 “Quem divorciar de sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher divorciada pelo marido também comete adultério”.
    • 1Coríntios 7:10-11 “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se divorcie do marido (se, porém, ela vier a divorciar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se divorcie de sua mulher”.
    Baseados nestes versículos alterados – no resultado após a substituição – podemos observar que os mesmos ficaram confusos, atrapalhados, sem sentido ou incoerentes. Aliás, em algumas versões (trataremos disto mais à frente) estes versículos estão escritos desta forma, imagino ser um descuido dos tradutores e revisores. “Quem divorciar de sua mulher e casar com outra comete adultério” e “(se, porém, ela vier a divorciar-se, que não se case)”, retirados dos versículos alterados, são frases contraditórias. Se o divórcio dissolve de forma absoluta o vínculo conjugal, isto é, acaba com o casamento, tornando, tanto o homem, quanto a mulher, livres a um novo matrimônio, então uma pessoa divorciada não poderia estar cometendo o adultério ao se casar novamente e nem estaria impedida a isto. Se anula o casamento, voltam a ficar solteiras ou livres. Com isto, podemos afirmar que repudiar é diferente de divorciar, pois os versículos ficaram ilógicos, sem harmonia, contraditórios ao substituirmos uma palavra pela outra. Os autores, inspirados pelo Espírito Santo, não escreveriam algo assim. Portanto, não podemos considerar as palavras “repudiar” e “divorciar” como sinônimas.

    Concluindo, se considerarmos a palavra grega “apoluo” como divorciar, os textos ficariam incoerentes ou contraditórios. Portanto, repudiar (apoluo) é uma coisa e divorciar (apostasion) é outra. “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Não podemos juntar o que tem que ficar separado e nem separar o que tem que ficar junto. Cada coisa no seu porta-coisa”. Na sociedade brasileira atual, no conceito do mundo, a separação ou repúdio pode ocorrer com ou sem divórcio e o recasamento é legal. Como estamos escrevendo para cristãos, fica agora uma pergunta: Sendo a Palavra de Deus a nossa regra de fé e prática, o que ela diz sobre estes assuntos?

    DIGNO DE HONRA SEJA O MATRIMÔNIO

    “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hebreus 13:4).
    Deus, na eternidade passada, planejou a criação do homem para formar uma grande família de muitos filhos semelhantes a Ele, na qual se expressaria todo seu amor, glória, poder e majestade. Uma família para amá-Lo e ser amada por Ele. Uma família santa na qual pudesse expressar todo seu amor. Com este objetivo Deus dá origem a criação de todas as coisas (Gênesis 1:27-28; Romanos 8:28-29). Após todo o processo de criação do universo, concluída a infra-estrutura para a manutenção da vida, como a luz, minerais, água, vegetais, animais, etc., criou o homem e a mulher, instituindo o casamento com a sublime missão de alcançar este objetivo. Ele nunca desistiu do Seu propósito, apesar do pecado ter inutilizado (Romanos 3:12) o ser humano.
    Segundo o dicionário “Michaelis”, instituir é criar, estabelecer, fundar (instituir uma empresa). Podemos ver, também, que instituição significa: ato ou efeito de instituir; coisa instituída ou estabelecida.
    “Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mateus 19:4-6.
    Através deste texto podemos fazer algumas considerações sobre o casamento:
    • Nasceu no coração do Criador e foi instituído por Ele. É um ato tão sublime que em Malaquias 2:14 diz que “o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade,…”
    • “os fez homem e mulher“ mostra que só pode ocorrer entre homem e mulher. É um relacionamento heterossexual.
    • É necessário deixar pai e mãe. Deixar no sentido de iniciar uma nova família com uma autoridade própria. Os pais continuarão sendo honrados e amados, mas não terão autoridade de comando sobre a nova família. Este “deixar”, também pode ser relacionado à dependência emocional, financeira e aspecto geográfico.
    • Pacto mútuo: unir-se um ao outro traz a idéia de juntar-se, ligar-se. Deixar pai e mãe e unir-se um ao outro, deixa uma idéia de pacto mútuo.
    • Votos públicos: a Bíblia relata que as famílias combinavam o casamento e o mesmo era um ato público; tudo com muita festa. Em João 2:1 relata o primeiro milagre de Jesus ocorrido em uma festa de casamento em Caná da Galiléia, onde se encontravam muitos convidados.
    • Tornando-se os dois uma só carne se refere à relação sexual, união de corpos. O texto de 1Coríntios 6:16 pode comprovar isto: “Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.” A relação sexual sela, dá o remate, conclui, completa, confirma, torna válido o casamento.
    • “o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Nenhum poder humano tem autoridade para dissolver o casamento. Nem o marido, nem a esposa, nem um juiz, nem uma autoridade eclesiástica ou qualquer outra tem esta prerrogativa.
    Portanto, casamento é uma instituição que nasceu no coração de Deus e foi ordenado por Ele, pelo qual um homem e uma mulher se unem, por vontade própria, numa comunhão social e legal com o propósito de estabelecerem uma família (Gênesis 1:27-28; 2:18-24). Não se trata de uma opção e sim uma obrigação para o casal que quer se unir.
    Como vimos, para considerarmos um homem e uma mulher como casados, é necessário a consumação de um conjunto de fatores: pacto mútuo, votos públicos e a união física através do ato sexual.
    Pode ser que um homem e uma mulher se uniram pelo sexo (1Coríntios 6:16 “Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.”) mas não houve a aliança diante de Deus e dos homens, portanto, não estão casados, estão em pecado. A união sexual por si só não sela um casamento.
    Um homem e uma mulher podem fazer, por conta própria, um pacto mútuo e irem morar juntos, se amigarem, mas não houve a aliança diante de Deus e dos homens, portanto, não estão casados e estão em pecado.
    Um homem e uma mulher podem fazer um pacto mútuo e votos públicos, mas se não houver a união física, através do ato sexual, o casamento não foi consumado, portanto, não estão casados plenamente, não se tornaram uma só carne.
    Um homem e uma mulher podem fazer os votos públicos e consumar a união física, mas se não houve o pacto mútuo, isto é, não aconteceu de forma livre, não houve o consentimento de uma das partes (Gn 24:5), o casamento não foi consumado, portanto, não estão casados plenamente.
    Não havendo um dos fatores, não houve a consumação do casamento. Vários motivos podem levar a isto, mas acontecendo e sendo impossível o seu reparo, não há impedimentos bíblicos para a anulação dos atos anteriores.
    A Bíblia não mostra a existência de certidão de casamento como mostra o documento carta de divórcio. Os índios fazem o pacto mútuo, votos públicos e consumam o casamento com o ato sexual, tudo sem documentação, e nem por isso deixam de estar casados. Suas autoridades civis são os caciques e pagés. Deus exige respeito às autoridades civis.
    Se houve o pacto mútuo e os votos públicos perante a autoridade civil, com as solenidades e exigências prescritas pela lei local, mas é impossível a união física através do ato sexual, os registros podem ser anulados pelas leis do país, pois na verdade, diante de Deus não aconteceu o casamento. Havendo a anulação dos registros legais de casamento que não se consumou, ambos estão livres a se submeterem a esta cerimônia novamente com outras pessoas.
    Havendo o conjunto de fatores há a consumação e agora se torna necessário confirmarmos se é ou não indissolúvel. Embora citemos estes fatores, não podemos limitá-lo a um conceito inferior em que o mesmo seja somente uma cerimônia pública realizada na “Igreja”, uma exigência legal do país e do meio social, um contrato entre duas partes e a uma instituição. O casamento aos olhos de Deus deve incluir tudo isto, porém vai além: o casamento é uma ALIANÇA. Malaquias 2:14 diz que “o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade,…”
    O casamento não é um contrato, pois este se baseia no desempenho dos contratantes e pode ser dissolvido caso uma das partes não cumpra suas obrigações. A aliança é um conceito diferente, desconhecido muitas vezes na nossa cultura ocidental. Significa pacto, acordo. Mas se diferencia do contrato pelo fato de ser baseado na honra dos estipulantes. Não se baseia no desempenho e nem pode ser revogado.
    Entenderemos melhor a Bíblia se tivermos uma compreensão sólida a respeito do significado de uma aliança. Este é um conceito com o qual o povo de Deus estava familiarizado, bem como todos os povos orientais. Desse modo, o termo aliança já era bem conhecido dos povos antigos. Quebrar uma aliança era um pensamento inaceitável na cultura oriental, pois as conseqüências da quebra eram terríveis. Além disso, depunha contra o caráter e moral de quem quebrasse a aliança – o que era socialmente inaceitável. Li que, até o presente, em certas culturas africanas e orientais, a quebra de aliança é vista como algo tão sórdido que a própria família persegue o quebrantador de aliança para matá-lo. A Bíblia fala de aliança entre nações (Js 9:15); entre indivíduos (Gn 26:28; 31:53; 1 Rs 11:4) e entre Deus e o homem (Hb 8:6-13; 9:15).
    Aliança é o termo bíblico que descreve a relação homem e Deus no processo de salvação e alcance de Seu supremo propósito. É o acordo que Deus, por causa do seu amor, fez com o seu povo e Ele próprio é a testemunha. Quando Deus faz uma aliança com o homem, o Soberano se limita a Si mesmo, ficando preso, isto é, comprometido aos termos do pacto. Por causa do problema da pequena fé do homem, Deus se sujeita a alianças para aumentar-lhe a fé, dando-lhe garantias. A aliança suplementa o que é insuficiente só com a promessa. Quando alguém entra numa aliança, assume um inescapável compromisso. E essa aliança é um vínculo inquebrável com Deus. Deus não quebra aliança e não nos permite quebrá-la também.
    Deus mesmo nos avisa na sua Palavra sobre a seriedade das alianças. Deus avisa que destruirá alguns homens que quebraram a aliança feita com Ele: “Entregarei os homens que traspassaram o meu pacto, e não cumpriram as palavras do pacto que fizeram diante de mim com o bezerro que dividiram em duas partes, passando pelo meio das duas porções” (Jeremias 34:18). Era comum fazer uma aliança passando pelo meio das metades de um animal morto. Deus está avisando que partirá ao meio os que quebrarem uma aliança.
    Em Josué 9:3-27 conta a história da aliança que Josué fez com os gibeonitas, os quais usando de muita mentira e malícia enganaram-no de uma forma tão convincente que ele, precipitadamente, nem pediu conselho ao Senhor: “Então, os israelitas tomaram da provisão e não pediram conselho ao SENHOR. Josué concedeu-lhes paz e fez com eles a aliança de lhes conservar a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento.” (vs 14 e 15). Aproximadamente, 400 anos depois “Houve, em dias de Davi, uma fome de três anos consecutivos. Davi consultou ao SENHOR, e o SENHOR lhe disse: Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque ele matou os gibeonitas.” (2Samuel 21:1). Através deste acontecimento, podemos ver o caráter de Deus, pois os homens se esqueceram da aliança, mas Ele não, mesmo tendo passado tantos anos e sendo uma aliança feita sem pedir o Seu conselho. É interessante esta situação, pois se tratava de uma aliança que Deus expressamente disse ao povo de Israel para evitar. Uma vez, porém, que a aliança foi realizada, Israel estava obrigado a honrá-la. Isto traz um paralelo importante ao assunto do casamento. Os homens se esquecem da aliança firmada com o casamento, mas Deus não e nem poderia esquecer. A Bíblia declara que o casamento é uma relação de aliança.
    O casamento pode ter sido realizado sem o conselho de Deus, mas Ele foi testemunha e não se esquece da aliança. O casamento, portanto, é nada menos que uma aliança realizada e testemunhada por Deus e tem os mesmos compromissos e objetivos. Malaquias 2:14 se refere ao casamento como uma aliança “E perguntais: Por que? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança” e é por isto que Ele odeia o repúdio que, no Velho Testamento, trazia junto o divórcio. Deus odeia o repúdio porque seu nome é Reconciliação (2Coríntios 5:18-21). Sendo o casamento uma aliança, não podemos tratá-lo à nossa maneira. Aqui está o grande erro dos cristãos atuais, perderam o conceito de ALIANÇA do casamento.
    Maior que a aliança de um homem e uma mulher, é a figura que o casamento representa. “E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gênesis 2:23). A mulher foi tirada do homem e quando se une ao marido através do casamento, retorna a ele, formando ambos uma unidade perfeita, “Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne;….”(Efésios 5:28-29). O casamento é uma figura da unidade, da união perfeita de Cristo e a Igreja (Efésios 5:22-33). O homem figura Cristo e a mulher a Igreja. Sendo assim, qual a figura que representaria o repúdio e o divórcio? Se a mulher repudia o marido, figura a Igreja abandonando a Cristo. Se o marido repudia a mulher, figura Cristo abandonando a Igreja. Se considerarmos como divórcio fica pior ainda, pois seria Cristo rompendo a aliança, desfazendo a unidade perfeita com a Igreja e vice-versa. Seguindo este raciocínio, qual seria a figura do recasamento de divorciados? Boa coisa não seria!
    Outro aspecto do casamento a ser considerado é que o mesmo é uma união no âmbito do corpo, alma e espírito e sem esta unidade, sustentada pelo amor compromissado e abnegado, dificilmente haverá estabilidade.
     A união de corpos é o ato sexual, que é digno de honra, santo e importante para a estabilidade e proteção do casal. Para isto, o apóstolo Paulo trouxe um alerta em 1Coríntios 7:5 “Não vos priveis um ao outro…para que Satanás não vos tente…”
     A união de almas é na esfera do intelecto, vontade, sentimentos, emoções. Não havendo, grande é a probabilidade de existir conflitos e choques de opinião.
     A união de espíritos coloca os cônjuges em jugo igual. Se um é discípulo de Cristo e o outro não, sobrevirão sobre o casal lutas, aborrecimentos, tristezas, frustrações, angústias, desprezo, cobranças, solidão, problemas na educação dos filhos, etc.

    Ao referirmos ao casamento, logo nos vem à mente aquela linda cerimônia cheia de sonhos, alegria, declarações de amor e fidelidade, os pais, as autoridades, muitas testemunhas e festas, às vezes com o gasto de verdadeiras fortunas. Ficamos a pensar, como pode o convívio transformar toda aquela festa, cheia de compromissos, a uma deterioração tal, que a faz desembocar em separação e divórcio, esquecendo assim da aliança feita diante de Deus e de todas aquelas pessoas, trazendo com isso, sofrimento, mágoa, solidão, rejeição, perda de auto-estima, culpa, críticas, acusações, um profundo senso de ter falhado e seqüelas nos filhos por toda a vida. E o coração do Senhor, como fica nesta situação? Sob o ponto de vista de Deus, como são considerados a separação, divórcio e recasamento? Estes temas foram registrados pelo Espírito Santo na Bíblia através da doutrina dos apóstolos e cabe a nós abrirmos o coração para a verdade e buscá-la com valentia.

    A DOUTRINA DOS APÓSTOLOS

    Os cristãos primitivos viviam como o escrito em Atos 2:42 “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.
    1Timóteo 6:3-5 “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro”.
    Efésios 2:20 “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;”
    Lucas 4:43 “Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado”.
    Portanto, a nossa doutrina é a dos apóstolos, as “sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo”, o “Evangelho do Reino de Deus” e logo a seguir veremos o que eles deixaram escrito. Analisando os versículos do Novo Testamento, que tratam sobre separação, divórcio e recasamento, podemos observar que Deus apresenta um princípio para a questão. Este princípio é composto de ordem (regime ordinário) e exceção (regime excetivo). Alguns acham que a exceção é para o divórcio, mas continuemos e vejamos se isto é verdade.
    No Novo Testamento esta ordem está contida nos textos de Marcos 10:2-12; Lucas 16:18; Romanos 7:2-3; 1Coríntios 7:10-16 e 39, citando a palavra “exceção” ou “exceto” ou “não sendo por causa de…” em Mateus 5:31-32 e 19:3-12. Para que este complexo tema seja esclarecido temos que considerar, ao mesmo tempo, todos estes textos, pois um completa o outro. Temos que concatenar todas as idéias contidas neles. Um texto isolado pode gerar sofismas e é o que temos visto.
    Em João, este tema só é referido no caso da mulher samaritana, capítulo 4:16-18. Jesus ao sair da Judéia em direção a Galiléia parou para descansar junto a um poço na cidade de Sicar, província de Samaria. O judeu Jesus, demonstrando seu amor, não perdeu a oportunidade de pregar o evangelho do Reino de Deus a uma mulher samaritana (inimiga dos judeus), que estava sozinha – uma forma incomum àquela época, talvez ela fosse uma rejeitada pela sociedade – tirando água do poço. Jesus, depois de várias tentativas de lhe mostrar, que Ele era o Messias, o Profeta citado por Moisés, precisou utilizar de um recurso, semelhante ao empregado na ressurreição de Lázaro: “Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.” (Jo 11:41-42). Devido ela não estar entendendo que lhe estava sendo oferecida a vida eterna, Jesus mesmo sabendo que o homem, com o qual coabitava, não era seu marido, e com o mesmo objetivo perante a multidão presente na ressurreição de Lázaro disse “Vai, chama teu marido e vem cá”. Aquela mulher diante do olhar de fogo de Jesus (Ap 1:14) abriu logo o seu coração: “Não tenho marido”. Replicou-lhe Jesus: “Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” Isto abriu os olhos daquela mulher que disse: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.” Naquela época o casamento estava banalizado e o divórcio e recasamento eram comuns e descontrolados; portanto, aquela mulher era viúva ou divorciada de cinco “maridos”, mas aquele homem, com o qual estava, não era seu esposo, mas seu amante. Com esta afirmativa de estar com um sexto homem de forma irregular, Jesus lhe mostrou a situação de pecado e, nos versos 25 e 26, Se apresentou como o Messias, o Cristo, que estava prometido que viria e quando viesse anunciaria a verdade sobre todas as coisas, inclusive sobre o casamento, repúdio, divórcio, recasamento, etc. Depois disto, aquela mulher anunciou o ocorrido para a população daquela cidade e Jesus permaneceu ali durante dois dias, onde pregou e muitos creram nEle. Certamente, aquela mulher foi impactada e regularizou sua situação, conforme o Evangelho do Reino de Deus, pregado por Jesus. Ele nunca se omitiria ou a instruiria a permanecer em pecado.
    Em 1Timóteo 3:1-13 e Tito 1:5-7, Paulo fala sobre o padrão de excelência aos homens e mulheres de Deus em relação ao casamento, vida familiar e outros itens.
    O apóstolo Paulo tinha Lucas e Marcos como seus cooperadores (Filemon 1:24) e juntos fizeram a obra do Senhor. Poderemos observar logo a seguir, que os três tinham a mesma revelação referente ao tema casamento, separação, divórcio, recasamento e não apontaram para nenhuma exceção, como fez Mateus. Será que eles se contradisseram?

    DESCOBRINDO O PRINCÍPIO

    Deus é um ser que Se conduz por princípios e não nos deixou desorientados num mar de incertezas e livres para fazer o que achamos que está certo ou errado. Um princípio é um fundamento, a base, a idéia central que orienta a formulação de outras idéias. Para descobrirmos o Seu princípio, passemos, agora, a uma análise de cada texto citado pelos apóstolos de Jesus, procurando, em primeiro lugar, descobrir a ordem e, por último, tratarmos do que foi apontado como exceção, como no Evangelho de Mateus.
    Portanto, para o nosso assunto temos: Princípio = Ordem + Exceção.
    A. Em Lucas o assunto somente é tratado no capítulo 16:18, apresentando apenas a ordem e não indicando nenhuma exceção: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”.
    Lucas, que fez uma “acurada investigação de tudo desde a origem” (Lc 1:3), diz que pode até acontecer a separação, mas há adultério no recasamento, tanto para o homem quanto para a mulher. A palavra usada por Lucas foi “repudiar” e não “divorciar”.
    B. O apóstolo Paulo em Romanos 7:2-3 só apresenta a ordem e não se refere a qualquer exceção que permita o recasamento: “Ora, a mulher casada está ligada (dew deo) pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias”.
    Apesar de Paulo estar tratando de outro tema, fazendo uma analogia do casamento com a relação entre a Lei de Moisés e a graça, entre o regime do antigo pacto da letra e a Nova Aliança, não deixou de trazer, através destes versículos, um ensino sobre o casamento aos cristãos de Roma.
    A palavra grega “dew deo” tem o significado de atar um laço, prender, colocar sob obrigações da lei, dever, etc. Estar atado a alguém, uma esposa, um esposo com uma conotação legal. Paulo não está se referindo à Lei de Moisés e sim à lei conjugal estabelecida lá no princípio, no Éden, citado por Jesus em Mateus 19:8. Creio que, neste texto, não há dificuldades para concluir que Paulo está afirmando que há adultério no recasamento. Não há liberdade para casar-se novamente estando o cônjuge vivo, pois só a morte encerra uma aliança matrimonial. Paulo se baseou na vida e na morte, quando se referiu à duração de um casamento e não citou o divórcio. Este fundamental versículo, bem como 1Coríntios 7:39, tem sido desprezado e ignorado nos estudos sobre este tema, principalmente pela corrente favorável ao divórcio.
    C. O capítulo 7 da primeira carta aos Coríntios foi uma série de respostas a perguntas daquela Igreja: ”Quanto ao que me escrevestes…” (verso 1). Paulo, apóstolo aos gentios, enfrentou uma problemática diferente do próprio Senhor Jesus (Apóstolo aos judeus). Paulo teve que lidar com algumas perguntas que Jesus não havia tratado. Mas, quando a questão levantada já tinha sido tratada por Cristo, Paulo referia-se às palavras dEle. Em 1Coríntios 7:39, Paulo apresenta a ordem e não registra nenhuma exceção:
    “A mulher está ligada (deo) enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre (eleutheros) para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.”
    A palavra grega “eleuyerov eleutheros”, conforme Strong, tem o significado de:
    1) nascido livre (num sentido civil, alguém que não é escravo ou de alguém que deixa de ser escravo, liberto, alforriado)
    2) livre, isento, liberto, desimpedido, não atado por uma obrigação
    3) num sentido ético: livre do jugo da lei mosaica.
    O versículo 39 (assunto já tratado por Jesus – Mc 10:12; Lc 16:18) é semelhante a Romanos 7:2. Observe que nos dois versículos Paulo empregou a mesma palavra grega “deo”, que tem uma conotação legal; está associada à lei conjugal. No primeiro casamento, a mulher saiu do governo dos pais e passou para o do marido. Ao morrer o marido, esta mulher se tornou livre para casar com quem quisesse, com quem escolhesse, pois não estava mais debaixo do governo dos pais; era dona de sua própria vontade, mas, obviamente, submissa ao Senhor. A causa da liberdade (“eleutheros” – com conotação legal) foi a morte do marido, não foi devido a um repúdio ou divórcio. Sabemos que livre é livre, mas para o crente esta liberdade não é absoluta, pois temos um Senhor, uma Autoridade Máxima a quem estamos submissos. Nem mesmo após a morte do marido ela é totalmente livre, pois o “mas somente no Senhor“ indica que há o jugo de Cristo. Assim sendo, não casaria com quem o Senhor não aprovasse como pessoas casadas, repudiadas, divorciadas, ímpias, etc. Penso que a impossibilidade de recasamento, estando o cônjuge vivo, está muito clara no versículo 39, pois afirma que a liberação, a liberdade só é concedida após a morte do cônjuge.
    D. Conforme 1Coríntios 1:2, Paulo estava escrevendo para os santos ou crentes em Corinto, quando no capítulo 7:10-11 cita um princípio absoluto estabelecido por Deus, já tratado por Jesus. Referindo-se aos casais crentes, ele apresenta a ordem e não trata de exceção que possa liberar o recasamento:
    “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe (chorizo) do marido (se, porém, ela vier a separar-se (chorizo), que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte (aphiemi) de sua mulher”.
    O Senhor não está dizendo que é um simples desejo e sim uma ORDEM aos crentes: “não se separem, não se apartem, não se dividam”. No entanto, o trecho a partir de “se, porém, ela vier a separar-se (chorizo)” indica a possibilidade de uma separação, mas de forma temporária, pois fala para o marido não ir embora (aphiemi), para que o casal seja trabalhado até que o problema seja resolvido e assim possam voltar ao convívio. Se houver a separação temporária, o texto “que não se case ou que se reconcilie” mostra a impossibilidade de recasamento, estando o cônjuge vivo e que o Senhor deseja sempre a reconciliação. A palavra usada por Paulo foi “separar”, “apartar” e não “divorciar”.
    E. Em Marcos o assunto somente é tratado no capítulo 10:2-12, apresentando a ordem e não indicando nenhuma exceção: “E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”.
    Marcos utiliza as mesmas palavras de Lucas, portanto, a dedução é a mesma: pode até acontecer a separação, mas há adultério no recasamento. Ele, ao escrever as palavras de Jesus “quem repudiar”, está indicando que há possibilidade de separação e que a causa é a dureza de coração, mas é taxativamente contra quando se refere ao recasamento, pois estaria cometendo adultério. Isto pode ser verificado no verso 12 (último grifo), tanto para o homem quanto para a mulher. Segundo Marcos, quer seja o homem ou a mulher que tome a iniciativa, no momento que se une a outro (a), adultera. Se quem casa com a/o repudiada/o “adultera”, é porque o primeiro casamento ainda existe aos olhos de Deus. Semelhantemente, a palavra usada por Marcos foi “repudiar” e não “divorciar”.

    Faremos uma pausa para alguns esclarecimentos, pois este texto tem sido base de sofismas extremamente perigosos e danosos.
    A Lei de Moisés ainda estava em vigor quando os fariseus se dirigiram a Jesus, em tom confrontativo, com aquela pergunta “É lícito ao marido repudiar sua mulher?”. Jesus respondeu àqueles que viviam na Lei: “Que vos ordenou Moisés?” Então estes retrucaram conforme a Lei: “Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar.” A partir deste ponto da conversa, no verso 5, com o “Mas Jesus lhes disse:”, o Senhor passou a estabelecer para a humanidade mais um princípio do Seu reinado. Jesus, que nasceu e viveu na Lei de Moisés (Gl 4:4), foi o protagonista de uma transição, pois a cumpria e, ao mesmo tempo, através do “Eu, porém, vos digo…”, “novo mandamento vos dou…”, “Eu, contudo, vos afirmo…”, “por isso, vos digo…”, “em verdade vos digo…”, “em verdade vos afirmo…”, “em verdade, em verdade vos digo…” estabelecia os princípios do Seu reinado, o Evangelho do Reino de Deus, a lei do amor, aliás, muito diferente da Lei de Moisés. Como discípulos de Jesus, precisamos considerar o que está escrito após o “Mas Jesus lhes disse:”.
    Alguns exegetas, baseados neste texto, alegam que Jesus invocou a Lei ao responder aos fariseus “Que vos ordenou Moisés” e, com isto, implicitamente estava mantendo a lei do divórcio de Deuteronômio 24:1-4. Alegam que Jesus ensinou que o pecado de adultério era para aqueles que, após repudiarem o cônjuge, contraíram novo matrimônio sem passar pelo divórcio. Portanto, para eles, não é permitido casar no estado de repudiado e sim de divorciado.
    Normalmente, estes exegetas defendem a graça plena, mas para o divórcio, estranhamente, advogam a manutenção da Lei de Moisés. Este pensamento banaliza a aliança do casamento e temos visto a conseqüência disto nas igrejas cristãs.
    Alegam, também, que Jesus não proibiu o divórcio (apostasion), pois só citou o repúdio (apoluo). Para estes, a omissão de Jesus foi Sua aprovação à continuidade da lei do divórcio. Mas, para nosso espanto, não consideram o restante deste mesmo texto, do verso 5 ao 9, onde Jesus completa seu ensino dizendo: “Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” e muito menos Romanos 7:2-3; 1Coríntios 7:10-11 e 39 que afirmam que só a morte encerra uma aliança matrimonial. É um imperativo para a revelação da verdade, considerar todos os textos referentes a este assunto. Qualquer doutrina bíblica tem que estar fundamentada em todos os textos conhecidos ou no mínimo três versículos, não deixando de envolver o contexto em que eles são citados. Portanto, Jesus disse que o que Deus ajuntou não é para o homem separar, repudiar e muito menos divorciar, pois deseja que se perdoem e vivam em paz. No princípio, no Éden, no padrão original de Deus, não havia o divórcio, pois este foi adicionado, temporariamente (trataremos disto mais tarde – Gálatas 3:19), na Lei de Moisés. Precisamos terminantemente nos definir: Lei de Moisés ou graça?
    F. Em 1Coríntios 7:12-16, Paulo usando o termo “AOS MAIS” apresenta um casal (casados, pois foram usadas as palavras “marido” e “esposa”) que vivia em jugo igual, ambos incrédulos, antes da conversão. Após o arrependimento de somente um dos cônjuges a situação passou para jugo desigual, portanto, um era crente e outro incrédulo. Jesus não tratou deste tipo de vínculo matrimonial, durante seu ministério terreno, pois falou aos judeus. Porém, através do Espírito Santo, dá instruções a Paulo, sobre como tratar com esta questão: “Aos mais digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em morar com ele, não a abandone (aphiemi); e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe (aphiemi) o marido. Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. Mas, se o descrente quiser apartar-se (chorizo), que se aparte (chorizo); em tais casos, não fica sujeito à servidão (douloo) nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz. Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?“
    Apartar não é divorciar. Não podemos confundir estas duas palavras. Apartar significa afastar, separar, abandonar, deixar o convívio. Divorciar é a dissolução absoluta do vínculo conjugal ou anulação legal do casamento. Paulo está apresentado o caso de separação, apartação e não de divórcio. As palavras utilizadas foram “não a abandone” e “não deixe”. No caso de casamento misto, diz que o crente nunca pode tomar a iniciativa de abandonar o incrédulo, deixar de morar ou de viver com ele, pois sendo um discípulo, está incluído na ordem registrada em 1Coríntios 7:10-11 “Ora, aos casados, ORDENO, não eu, mas o Senhor…”. Em outras palavras, faça todos os sacrifícios necessários para manter seu casamento. O crente, mesmo em um casamento misto, não deixa de fazer parte desta ORDEM, pois estava entre os destinatários desta carta. Creio que, toda a Igreja em Corinto leu ou ouviu a leitura da mesma e, com isso, este crente participou e tomou para si o seu conteúdo. Quanto ao incrédulo, não podemos tomar nenhuma atitude, pois é um morto em seus delitos e pecados (Efésios 2:1), rebelde, independente, louco, insubmisso e ingovernável. Fica a esperança da reconciliação através da oração e amor.

    SERVIDÃO

    Ainda dentro do texto de 1Coríntios 7, nos versos 12 a 16 constam as palavras “não fica sujeito à servidão”, que têm sido usadas como argumento para o recasamento após a separação. Muitos alegam que isto quer dizer que o crente apartado, desertado, não está mais casado e livre para contrair novo matrimônio. No entanto, existem problemas insuperáveis com esta visão.
    Precisamos ficar atentos, pois a palavra “servidão” do verso 15 não pode anular Romanos 7:2-3 (item B), 1Coríntios 7:39 (item C) e, também, o que Deus colocou, de forma taxativa e absoluta, nos versos 10 e 11, “Ora, aos casados, ORDENO, não eu, mas o Senhor,…” (reveja o item D). Caso contrário, seria uma contradição de Paulo dentro do mesmo texto e com apenas três versos (12, 13 e 14) separando as duas afirmações. Mesmo que analisemos o texto desprezando a sua inspiração pelo Espírito Santo, ainda assim será óbvio a qualquer pessoa que faz uso da razão, que Paulo era sábio demais para escrever uma coisa, e logo após, deliberadamente contradizer-se.
    Casamento é uma aliança (em momento algum podemos perder isto de vista), um pacto mútuo testemunhado por Deus, os pais, autoridades e convidados, e que, segundo Rm 7:2-3 e 1Co 7:39, só termina com a morte de um dos cônjuges. A consumação desta aliança faz nascer ou traz como conseqüência, um conjunto de direitos e deveres recíprocos, que se projetam no tempo. Portanto, o casamento é uma coisa e as conseqüências são outra coisa. Um é o gerador e o outro a coisa gerada. O conjunto de direitos e deveres recíprocos não é o casamento,mas está contido nele; faz parte dele. Os direitos constituem a parte boa do casamento e as obrigações a parte pesada, mas que se torna leve e suave pelo amor. Posso abrir mão de direitos, mas não tenho a liberdade de, por conta própria, me desvencilhar das obrigações conjugais.

    James Strong, em seu Léxico Grego, apresenta a palavra “SERVIDÃO” como a grega “doulow douloo”:
    • Fazer um escravo de, reduzir à escravidão.
    • Metáfora. Entregar-me totalmente às necessidades e ao serviço de alguém, tornar-me um servo para ele.
    A palavra “doulow douloo” vem do grego “doulov doulos” que é traduzida como “escravo”, “servo”. No Novo Testamento, é comumente usada para se referir ao relacionamento de um homem com Cristo. Paulo, com toda liberdade e alegria, se declarou um servo (doulos) de Cristo (Rm 1:1) e isto se estende a nós (Cl 4:12; 2Tm 2:24), trazendo aqui uma conotação positiva para este relacionamento. Por outro lado, podemos ser escravos do pecado (2Pe 2:19), com uma conotação negativa e destruidora. O pecado sempre transforma algo positivo em negativo.
    Segundo o dicionário Houaiss, escravo é alguém que, privado da liberdade, está submetido à vontade absoluta de um senhor, a quem pertence como propriedade. Se trouxermos esta definição para dentro do casamento, verificaremos que ela não se aplica plenamente, pois a submissão não é absoluta, incondicional. O marido pode desejar uma coisa indevida, contra a vontade de Deus, e a mulher, sabiamente, não deve atendê-lo e vice-versa. No relacionamento escravagista, de dono e propriedade, isto não aconteceria com um escravo, que era obrigado a obedecer incondicionalmente ao seu dono, sob o risco de ser preso, açoitado, torturado ou morto.
    A palavra “doulos” ou “douloo”, como uma escravidão de conotação negativa, não é usada, dentro do padrão de Deus, para o relacionamento entre marido e mulher. Em 1Pedro 3:7 a idéia desta definição negativa de escravo não é transmitida nem para o marido e nem para a esposa: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações”. “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,…” (Efésios 5:25). Também, em 1Pedro 3:1 “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas (hupotasso) a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,…” A palavra grega “hupotasso” significa uma atitude voluntária de ceder, cooperar, assumir responsabilidade e levar uma carga, sendo que, neste versículo, está transmitindo uma idéia positiva e amorosa nesta submissão; não é uma atitude negativa de escravidão. Não vemos escravidão nestes textos, e sim ternas obrigações (deveres) conjugais. Por isso, precisamos entender muito bem a aplicação da palavra “servidão” (douloo) de 1 Coríntios 7:15.
    Paulo empregou a mesma palavra grega “dew deo”, quando se referiu ao aspecto legal (lei conjugal) de ser ligado a um cônjuge em Rm 7:2 (“Ora, a mulher casada está ligada (dew deo) pela lei ao marido,…”); 1Co 7:27 (“Estás casado (dew deo)? Não procures separar-te…”) e 1Co 7:39 (“A mulher está ligada (dew deo) enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”). Mas, podemos observar que Paulo não usou “(dew deo)”, quando se referiu à esposa abandonada em 1Co 7:15, pois escolheu uma palavra diferente (doulow – douloo). Conforme Strong, a palavra “não” empregada neste texto foi a grega “ou – ou”. Se os valores que a palavra “servidão” representa fossem os mesmos que os da palavra “casamento”, esperaríamos que ele tivesse escrito “ou dew – ou deo”, mas ele escreveu “ou doulow – ou douloo”. Portanto, não se referiu ao aspecto legal do matrimônio e sim, às obrigações conjugais inerentes.

    Casamento tem como objetivo de, entre outras coisas, trazer felicidade, companheirismo e equilíbrio emocional, desta maneira não pode ser considerado, negativamente, como escravidão. Quando alguém se casa, perde a liberdade de se interessar por outra pessoa do sexo oposto, de fazer o que lhe dá na cabeça ou de levar uma vida independente, mas isto não significa escravidão e sim, compromisso ou responsabilidade. Esta perda de liberdade pode ser experimentada com o nascimento dos filhos, onde o casal abre mão de muitas e muitas coisas, por causa da responsabilidade com eles, mas isto não significa escravidão, pois desta forma os filhos não seriam bênçãos e sim um estorvo. Deus colocou laços ao redor do casamento não para fazer dele uma escravidão, mas um lugar de segurança, dedicação e amor recíproco. Paulo usou a palavra servidão para as obrigações conjugais em 1Co 7:15, porque, naquele caso, estavam debaixo do jugo do pecado. É ele que leva os frutos de uma abençoada aliança matrimonial a serem experimentados como escravidão.

    Em todo este capítulo 7, Paulo está demonstrando que existe algo, que é mais significativo que o próprio casamento – o nosso compromisso supremo com Deus. Sabemos que não somos responsáveis pela eternidade do cônjuge, que não teremos que prestar contas a Deus se ele rejeitar a Cristo até a morte, que ele é responsável por suas escolhas, mas, apesar disto, o verso 16 expressa uma preocupação, uma obrigação que o cônjuge discípulo tem em testemunhar ao incrédulo ou se reconciliar para obter a salvação do mesmo, isto é, a manifestação do nosso compromisso supremo com Deus. Quando a fé cristã entra em um lar descrente, se transforma em uma fonte de novas bênçãos e, conforme 1Pedro 3:1, esta influência é o alvo principal do crente em um casamento que se tornou em jugo desigual. As palavras “não a abandone”, “não deixe o marido”, “o incrédulo é santificado no convívio” cuja santificação se estende até aos filhos, mostram que, em um casamento que se tornou misto, o cônjuge crente é um instrumento de Deus para a conversão do incrédulo e bênção na família (At 16:31). O cônjuge incrédulo recebe influência direta do Espírito Santo e os filhos são levados a fazerem parte da comunidade cristã, com isto, são trazidos para mais perto de Deus por viverem com um discípulo de Cristo. É como em Israel, onde todos gozavam de certas bênçãos de Deus, apesar de muitos não O amarem (1Co 10.1-5). Portanto, esta fiel e perseverante busca, negando-se a si mesmo a fim de abençoar e ganhar o incrédulo, não seria uma obrigação conjugal amorosa e positiva? Não há pecado envolvido nesta motivação, pelo contrário.
    Casamento e servidão não são sinônimos. Em última análise, é o pecado dentro do casamento ou pressões malignas externas que levam uma terna obrigação conjugal a se transformar em servidão.

    O apóstolo Paulo estava na cidade de Éfeso, grande centro comercial e capital da província romana da Ásia, quando escreveu esta carta aos Coríntios, no ano 55 d.C. Havia um clima tenebroso naquela região do Império Romano, o que Paulo, no verso 26, chamou de uma “angustiosa situação presente”. Na cidade de Pérgamo foi instituído o culto ao Imperador, que acabou assumindo uma importância enorme, a ponto de se tornar o meio de se avaliar a fidelidade de um cidadão romano ao império. Na cidade de Esmirna, se adorava a deusa Roma, símbolo da unidade imperial. Na cidade de Éfeso, nos inícios do reinado do imperador Augusto, foi construído um altar dedicado a este soberano no recinto do “Artemision” ou templo de Diana, onde os ourives de prata da cidade desenvolveram um negócio lucrativo vendendo imagens desta falsa deusa e, posteriormente, causaram um grande alvoroço quando sentiram que teriam prejuízos com a pregação de Paulo contra esta adoração. Os habitantes da Ásia Menor se dedicavam a este culto, pois se sentiam altamente beneficiados pelos governantes de Roma, que haviam acabado com as guerras civis na região, assegurando à população prosperidade em geral. O Cristianismo se disseminou nesse ambiente de idolatria e interesses de caráter político-econômico e era uma ameaça a tudo isto. Ao assumirem esta nova fé, os cristãos recusavam-se a cultuar a deusa Roma e não aceitavam a divinização dos imperadores. Com isto, manifestava-se, cada vez mais, a oposição entre a fé cristã e a mentalidade pagã. O momento era difícil, de grande preocupação e a perseguição era uma questão de tempo. O louco e sanguinário imperador Nero havia assumido o poder e a iminência da perseguição foi revelada pela expressão “o tempo se abrevia” de 1Co 7:29, que significa literalmente: “a crise está para começar”. Já prevendo tempos difíceis, Paulo achava que era melhor que os crentes permanecessem como estavam (vs 26) e não deviam se apegar a qualquer aparência deste mundo (vs 31). Esta pressão maligna externa transformou as ternas obrigações conjugais em servidão. Em uma situação de paz e tranqüilidade talvez não se compreendesse bem esta servidão, mas em meio a adversidades ela se torna patente.
    Em meio a tantas ameaças, podemos observar que os versos 32 a 34 de 1Coríntios 7 completam e revelam o pensamento de Paulo, quando se refere à servidão: “O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido”. Por este texto, podemos observar, tanto a servidão ao Senhor, quanto ao cônjuge.
    Podemos concluir que, mesmo havendo ameaças de perseguição e morte, o casado tem a necessidade de agradar o cônjuge em todos os sentidos, tornando assim as obrigações conjugais uma servidão positiva e voluntária que, em havendo amor, torna-se prazerosa. As obrigações conjugais, isto é, as preocupações com a provisão material, o cuidado, a proteção física, emocional e espiritual, o atendimento à necessidade sexual, etc., não seriam uma servidão positiva, para agradar ao cônjuge? Esta situação mostra que a servidão não foi motivada por pecado dentro do casamento, e sim por circunstâncias externas.

    Qualquer separação é proveniente do pecado. É ele que cria situações que desembocam em separação. Deus não está nisto. Em Malaquias 2:16 está escrito que Ele odeia isto. Para um cônjuge desertado, que é o caso de 1 Coríntios 7:15, as obrigações conjugais se transformaram em servidão negativa, devido ao pecado. Como, pelo casamento, o marido e a mulher se tornaram uma só carne, quando um abandona o outro, algo é deixado de lado nesta atitude, que é a sujeição à servidão ou obrigações conjugais negativas. Como inferimos, Paulo não deu a um cônjuge desertado a mesma liberdade para casar-se novamente como deu ao cônjuge cujo parceiro morreu (1Co 7:39). Embora as leis do nosso país imponham exigências, acredito que não estar sujeito à servidão seja ficar livre de todas as obrigações conjugais, mas não significa uma liberdade absoluta. Mesmo não esteja se referindo ao casamento, o texto de 1Coríntios 7:22 “Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo”, revela que podemos ser livres e escravos ao mesmo tempo. Podemos estar livres da servidão do cônjuge e escravos da Lei de Cristo. O cônjuge foi embora, mas o compromisso com Cristo não acabou.

    Aliança não é o anel, o círculo sem começo ou fim, que representa a eternidade. Aliança é o pacto moral que o anel representa. Não se pode esquecer a ALIANÇA que foi testemunhada por Deus. O casamento é um vínculo inquebrável, pois Deus não quebra aliança e não nos permite quebrá-la também. Dizer que “não fica sujeito à servidão” é a anulação da aliança matrimonial não condiz com a verdade. Já foi estabelecido pelo contexto de Romanos 7:2-3 e de 1Coríntios 7:39, que uma pessoa está comprometida em matrimônio, a menos que o cônjuge esteja morto. Não é morto no “coração”, como alguns pretendem e, sim, real e fisicamente morto. Casar novamente com o outro cônjuge ainda vivo não é legítimo, é adultério.
    Concluindo, Paulo não estava tratando de divórcio em 1Coríntios 7. Por isso, este “não fica sujeito à servidão” não pode ser usado como argumento para o recasamento após a separação. Normalmente, esta idéia é defendida por aqueles que consideram o casamento como um “contrato” e não um pacto ou aliança. Um contrato por ser anulado, mas uma aliança não. Esta é uma idéia humanista, contrária à Palavra de Deus.

    PEQUENO EXERCÍCIO MENTAL

    Para ajudar na compreensão da ordem, façamos um pequeno exercício mental com os dois únicos textos que mencionam exceções:
    • Mt 5:32 “Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas (porneia), a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério (moicheia)”.
    • Mt 19:9 “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas (porneia), e casar com outra comete adultério (moicheia) e o que casar com a repudiada comete adultério (moicheia)”.
    Se retirarmos os trechos entre vírgulas e grifados, que fazem menção de exceções, o resultado é o seguinte:
     Mt 5:32 (Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher,…, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério).
     Mt 19:9 (Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher,…, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério).
    Todo este exercício mental é para mostrar que a ordem está presente nestes dois versículos e que o escrito de Mateus fica semelhante ao de Marcos, Lucas e Paulo. Com a retirada dos trechos mencionados, eles ficam muito claros, indicando a possibilidade de separação e destacando o adultério no recasamento.
    Às vezes, ficamos concentrados ou distraídos com a parte que menciona exceções e, com isto, não observamos uma importante advertência que há em Mateus 5:32. Para facilitar, leia este versículo no resultado do nosso exercício e veja que o mesmo revela a seriedade de uma separação e a responsabilidade de quem toma esta iniciativa, pois, quem faz isto, está expondo o cônjuge ao risco de tornar-se adúltero. Jesus, quando cita a exposição ao adultério, está mostrando este perigo e que não é fácil ser eunuco por causa do reino de Deus. Quem provoca uma separação, também, torna-se culpado se o cônjuge repudiado cair no pecado de adultério. Mateus 18:6 mostra que é pecado fazer com que outro tropece. Se isto acontecer, ambos serão culpados. Podemos concluir que a sugestão de exceção tem que ser bem compreendida, pois aqui está uma grande fonte de sofismas.
    Imaginemos (o grifo é para alertar que é somente uma imaginação) que o Evangelho de Mateus não existisse na Bíblia e a ordem ficaria muito clara, pois não haveria nenhuma indicação de exceção. Os assuntos separação e recasamento foram mais abrangentes no evangelho de Mateus porque foi escrito para os jude

  11. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    PEQUENO EXERCÍCIO MENTAL

    Para ajudar na compreensão da ordem, façamos um pequeno exercício mental com os dois únicos textos que mencionam exceções:
    • Mt 5:32 “Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas (porneia), a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério (moicheia)”.
    • Mt 19:9 “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas (porneia), e casar com outra comete adultério (moicheia) e o que casar com a repudiada comete adultério (moicheia)”.
    Se retirarmos os trechos entre vírgulas e grifados, que fazem menção de exceções, o resultado é o seguinte:
     Mt 5:32 (Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher,…, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério).
     Mt 19:9 (Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher,…, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério).
    Todo este exercício mental é para mostrar que a ordem está presente nestes dois versículos e que o escrito de Mateus fica semelhante ao de Marcos, Lucas e Paulo. Com a retirada dos trechos mencionados, eles ficam muito claros, indicando a possibilidade de separação e destacando o adultério no recasamento.
    Às vezes, ficamos concentrados ou distraídos com a parte que menciona exceções e, com isto, não observamos uma importante advertência que há em Mateus 5:32. Para facilitar, leia este versículo no resultado do nosso exercício e veja que o mesmo revela a seriedade de uma separação e a responsabilidade de quem toma esta iniciativa, pois, quem faz isto, está expondo o cônjuge ao risco de tornar-se adúltero. Jesus, quando cita a exposição ao adultério, está mostrando este perigo e que não é fácil ser eunuco por causa do reino de Deus. Quem provoca uma separação, também, torna-se culpado se o cônjuge repudiado cair no pecado de adultério. Mateus 18:6 mostra que é pecado fazer com que outro tropece. Se isto acontecer, ambos serão culpados. Podemos concluir que a sugestão de exceção tem que ser bem compreendida, pois aqui está uma grande fonte de sofismas.
    Imaginemos (o grifo é para alertar que é somente uma imaginação) que o Evangelho de Mateus não existisse na Bíblia e a ordem ficaria muito clara, pois não haveria nenhuma indicação de exceção. Os assuntos separação e recasamento foram mais abrangentes no evangelho de Mateus porque foi escrito para os judeus, que eram mais instruídos a respeito da Lei de Moisés e fizeram alguns questionamentos. Como os demais evangelhos foram escritos aos gentios (não judeus) não foi necessário se estender muito no assunto, mas isto não levou os seus autores a serem omissos em alguma coisa.

    ENTENDENDO PORNEIA E MOICHEIA

    É fundamental ao esclarecimento deste assunto e para anulação de sofismas, principalmente em relação ao novo matrimônio de repudiados, que conheçamos o significado das duas palavras gregas “porneia” e “moicheia”. A tradução das palavras de Jesus “exceto em caso de porneia” tem sido causa de muita confusão, com aplicações duvidosas. Algumas versões bíblicas nos deixam perplexos, mas outras, embora traduzam de forma correta, etimologicamente falando, utilizam palavras que podem induzir ao erro as pessoas simples, com pouco domínio da Língua Portuguesa e aos distraídos.

    A palavra grega “porneia” é equivalente à hebraica “zanah” e podem ser encontradas nos seguintes versículos: Gn 38:24; Nm 14:33; 2Rs 9:22; Is 57:8-9; Jr 2:20; Jr 3:2,9; Jr 13:27; Ez 16:15, 22, 25, 33, 34, 36, 41; Ez 23:7, 8, 11, 14, 17, 18, 19, 27, 29, 35; Ez 43:7,9; Os 1:2; Os 2:2, 4; Os 4:11, 12; Os 5:4; Mq 1:7; Na 3:4; Mt 5:32; Mt 15:19; Mt 19:9; Mc 7:21; Jo 8:41; At 15:20, 29; At 21:25; Rm 1:29; 1Co 5:1; 1Co 6:13,18; 1Co 7:2; 2Co 12:21; Gl 5:19; Ef 5:3; Cl 3: 5; 1Ts 4:3; Jd 1:7 (ekporneuo); Ap 2:21; Ap 9:21; Ap 14:8; Ap 17:2,4; Ap 18:3; Ap 19:2. Se analisarmos o significado de porneia nestes versículos, podemos observar um sentido amplo no conjunto, isto é, todas as relações sexuais ilícitas estão citadas neles.

    James Strong, em seu Léxico Grego, apresenta “porneia – porneia” com o seguinte significado:
    1) relação sexual ilícita
    a) adultério, fornicação, homossexualidade, prostituição, com animais, etc.
    b) relação sexual com parentes próximos.
    c) relação sexual com um homem ou mulher divorciada; Mc 10.11,12.
    2) metáfora: adoração de ídolos (da impureza que se origina na idolatria, na qual se incorria ao comer sacrifícios oferecidos aos ídolos).
    Pela definição de Strong vemos que porneia abrange todos os tipos de relações sexuais ilícitas, portanto não é correto restringi-la a apenas um significado isolado.

    Se analisarmos algumas versões bíblicas notaremos que “porneia” foi traduzida com palavras que, se não forem bem compreendidas, podem induzir ao erro e dentre elas podemos citar: fornicação, adultério e prostituição.
    • FORNICAÇÃO:
    Esta palavra tem gerado divergências, pois alguns a entendem com um sentido amplo e outros a restringem somente às relações sexuais de solteiros. Para chegarmos a uma conclusão, utilizaremos informações de duas fontes importantes:
    1. ENCICLOPÉDIAS E DICIONÁRIOS DA LÍNGUA PORTUGUESA:
     Houaiss: ato de fornicar; prática sexual, coito, especialmente com prostitutas, ato sexual que não é entre cônjuges; o pecado da luxúria. Etimologia: lat. fornicatìo,ónis ação de abobadar, construir em arco.
     Yahoo! Answers: A palavra “Fornicar” significa ter sexo fora do matrimônio e vem do latim “fornice” que significa curva inferior de um arco; ir debaixo das abóbadas das pontes e ruelas onde se podia encontrar os serviços das prostitutas romanas.
     Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Origem: Fornicar vem de fornicis, ou fornix = abóbada, ou arco. Fornice era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas exibiam a si mesmas. As meretrizes ficavam por lá porque além de ligar o lugar ao sexo, a mulher romana sempre devia obediência a um homem (podiam também ser escravas), a não ser que não tivesse nem pai, nem marido, nem filho(s) do sexo masculino. As mulheres deveriam ficar sempre dentro dos limites da casa/prédio de seu dono ou protetor – por isso, não podiam passar do arco (fornice).
    O verbo: Fornicar tornou-se sinônimo de coito (relação sexual) no século 3º D.C.. Designa a prática de relações sexuais fora do casamento ou entre pessoas que não são casadas, independente da sua orientação sexual. Por outro lado, o ato de um estuprador é fornicação, mas não constitui a vítima como fornicadora.
    • Aurélio: praticar o coito.
     Michaelis: fornicar(baixo-lat fornicare) Ter relações sexuais ilícitas: Fornicar com prostitutas.
     Lello Universal (Portugal): Ter coito com; importunar; apoquentar; cometer pecado da fornicação. Na linguagem dogmática: pecado da carne, isto é, relações carnais entre pessoas que não são casadas e que não estão ligadas por voto algum.
    Como vimos, os dicionários não se restringiram somente a uma coisa e apontaram em várias direções, pois uma relação sexual fora do casamento pode ser entendida como sendo pessoas solteiras ou casadas adulterando. Além disso, podem-se observar vários tipos de relação sexuais ilegais, como homossexualismo e prostituição. Portanto, pelos dicionários e enciclopédias, fornicação tem um sentido amplo.

    2. O QUE DIZEM OS TRADUTORES E REVISORES BÍBLICOS:
    Usaremos versões bíblicas que empregaram a palavra fornicação na tradução da palavra grega “porneia”. Como exemplo, podemos citar a versão da Soc. Bíblica Trinitariana (2007) e a Bíblia de Jerusalém. Aproveitando o conhecimento dos tradutores e revisores da Trinitariana, vejamos o que podemos concluir.
    Nos versículos abaixo, podemos identificar vários tipos de relações sexuais ilícitas.
    • “Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possue a mulher de seu pai.” (1Coríntios 5:1). O assunto aqui é o incesto. Portanto, cometer incesto é fornicação.
    • “Mas, por causa da fornicação, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido.” (1Coríntios 7:2). Fornicação aponta para a relação sexual de solteiros. Portanto, a relação pré-marital é fornicação.
    • “Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.” (Judas 1:7). O termo sodomita vem de Sodoma (Gênesis 19), cujo pecado principal foi o homossexualismo. Portanto, entregar-se ao homossexualismo é fornicação.
    • “Levanta os teus olhos aos altos, e vê: onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas para eles, como o árabe no deserto; assim poluíste a terra com as tuas fornicações e com a tua malícia.” (Jr 3:2).
    “Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua fornicação, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.” (Apocalipse 19:2).
    Estes versículos tratam da prostituição. Portanto, a prática da prostituição é fornicação.
    • “Mas algumas poucas coisas tenho contra ti que deixas Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que forniquem e comam dos sacrifícios da idolatria. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua fornicação; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.” (Apocalipse 2:20-22). Estes versículos tratam do adultério. Portanto, o adultério também é fornicação.
    • “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;” (1Tessalonicences 4:3).
    “Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo.” (1Coríntios 6:18). Creio que todas as relações sexuais ilícitas se encaixam nestes dois versículos, pois são pecados contra o próprio corpo.
    Se considerarmos a palavra “fornicação” apenas como “relações sexuais de solteiros”, ficam sem sentido os textos de Atos 15:20 e Atos15:28-29 “Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá.” Será que o Espírito Santo, no concílio de Jerusalém, só se referiu à relação sexual de solteiros e liberou as outras ilícitas? Será que não proibiu o adultério, prostituição, homossexualismo, incesto e bestialidade? É óbvio que incluiu todas.
    Como vimos, nesta versão bíblica, os tradutores e revisores consideraram todas as relações sexuais ilícitas ao traduzirem “porneia” como fornicação.

    Portanto, baseados nos dicionários e enciclopédias; nos tradutores e revisores bíblicos, podemos concluir que fornicação, relações sexuais ilícitas, infidelidade conjugal, imoralidade sexual são a mesma coisa, pois todas têm um sentido amplo. A relação sexual de solteiros é fornicação, mas o incesto, a bestialidade, o adultério, o homossexualismo e a prostituição também são. Restringir fornicação somente à relação sexual de solteiros parece não ser uma opção correta. Os que defendem esta restrição, afirmam que o motivo para o divórcio dito por Moisés em Dt 24:1 (“coisa indecente”) é o mesmo que Jesus se referiu na exceção ao repúdio. No decorrer deste estudo trataremos desta questão.

    • ADULTÉRIO:
    A palavra adultério, conforme Strong, deriva do Grego “moicea– moicheia“ e significa: relação sexual que um homem casado tem com uma mulher que não é sua esposa ou vice-versa (Jr 23.10; Jo 8.3). A idolatria era chamada, figuradamente, de adultério (Jr 3.8; Ez 23.37).
    Israel era a única esposa de Deus (Jr 3:14 “diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo…” ) e quando caía na idolatria, isto era considerado como adultério. Tanto no Velho, quanto no Novo Testamento, a idolatria é mostrada como o envolvimento com demônios: “Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios.” (1Co 10:19-22). Veja, também, Dt 32:16-17 e Sl 106:36-37. Quando Israel, a esposa única, deixava a santidade, a exclusividade e se relacionava com os demônios, através dos ídolos, o Senhor considerava isto como adultério.
    Como podemos observar, porneia é diferente de moicheia e não são sinônimas. Embora qualquer relação sexual ilícita cometida por um casado seja uma violência contra a unidade do casamento – da união de uma só carne entre marido e mulher – acredito que a intenção de alguns tradutores em colocar a palavra “porneia” como “adultério” tenha sido para expressar esta quebra da fidelidade conjugal, mas não podemos concordar plenamente com esta atitude. Para preservar a verdade, a exceção tem que abranger todas as relações sexuais ilícitas, embora pareça uma liberalização à separação. Em Mateus 5:32 e 19:9, a palavra usada para expressar a exceção foi “porneia”, não foi “moicheia”. Adultério não é uma palavra de sentido amplo. Se nos limitarmos somente à palavra “adultério”, os outros casos ilícitos não fariam parte da exceção. Isto tem provocado muita confusão entre os cristãos, pois uns ao lerem o versículo desta forma, entendem como englobando todas as relações sexuais ilícitas, mas outros não, se limitam ao relacionamento extraconjugal com uma mulher que não é a esposa ou vice-versa. É ficar exposto ao erro se considerarmos “porneia” somente como adultério.

    • PROSTITUIÇÃO:
    É definida como:
    1) Modo habitual de vida da mulher ou homem que se entrega à prática, retribuída, do trato sexual; comércio sexual do corpo (Os 1:2; Gl 5:19). Exprime a idéia de prostituto, prostituta, meretriz, “garota de programa”, “garoto de programa”. A prostituição cultual era praticada na adoração aos deuses da fertilidade, v. ASTAROTE e BAAL. Pensava-se que relações sexuais com prostitutas ou prostitutos fariam com que as terras produzissem boas colheitas e os animais tivessem muitas crias (Dt 23:17-18; 2Rs 23:7).
    2) Figuradamente, infidelidade a Deus (Jr 3:6-13; Ez 16:1-41).
    Existem palavras portuguesas que têm um sentido amplo como: infidelidade, imoralidade, indecência, impudicícia, impureza, etc. O adultério, a relação sexual de solteiros, a prostituição, o homossexualismo, a bestialidade, o incesto não deixam de ser uma infidelidade, uma imoralidade, uma indecência, uma impudicícia ou uma impureza. Acredito que a intenção de alguns tradutores em colocar a palavra “porneia” como “prostituição” tenha sido para expressar a infidelidade, conforme foi empregado em Jeremias 3:6-13 e Ezequiel 16:1-41. Já vimos que o relacionamento de Israel com os ídolos era considerado adultério. Porém, se este relacionamento adúltero fosse em troca de favores, em busca de ganho ou vantagens, se vendendo aos demônios, o Senhor o considerava, também, como prostituição. Mas, prostituição não é uma palavra de sentido amplo. Se nos limitarmos somente à palavra “prostituição”, os outros casos ilícitos não fariam parte da exceção. Também, não podemos concordar com esta atitude, pois induz ao erro. Portanto, limitar “porneia” é um equívoco.
    Particularmente, prefiro a tradução como “relações sexuais ilícitas”, pois desta forma, sempre pensaremos em mais de um tipo de pecado de ordem sexual e isto torna mais fácil a compreensão e não induz ao erro. No decorrer deste estudo entenderemos o motivo que levou Jesus a utilizar uma palavra de sentido ampla na cláusula excetiva. Antes de continuarmos, precisamos tratar de uma questão vital, as versões bíblicas.

    VERSÕES BÍBLICAS

    Muita polêmica tem surgido devido às diversas versões. Normalmente, quando lemos a Bíblia, nos desarmamos, baixamos a guarda, não ficamos em atitude de defesa; ao contrário, abrimos o coração e confiamos plenamente no que estamos lendo. Mas precisamos ficar atentos, pois nem sempre é assim. A adoção de uma versão bíblica confiável é fundamental para a nossa segurança espiritual e uma fé saudável.
    Nos textos abaixo, sublinharemos as palavras-chave, colocaremos em negrito as que julgamos erradas ou perigosas, em letras MAIÚSCULAS as diversas traduções de “porneia” e entre (parênteses) a palavra original grega. Observe que, nas versões bíblicas, as palavras gregas “porneia”, “moicheia” e “apoluo” foram traduzidas de formas diferentes e que deram sentidos conflitantes aos versículos que as contêm.
    Relembrando as palavras-chave gregas e seus significados: Apoluo (repudiar); chorizo (separar, apartar, dividir); aphiemi (ir embora, deixar, abandonar; partir); apostasion (divórcio); porneia (sentido amplo. Todas as relações sexuais ilícitas); moicheia (específica para adultério).
    Existem centenas de versões bíblicas, na nossa (Brasil: 26 evangélicas e 6 católicas) e em outras línguas, e dentre as mais conhecidas em português, para o nosso assunto (atenção ao grifo), podemos intitulá-las como:

    CONFIÁVEIS

    Incluo nesta categoria todas as versões que foram traduzidas utilizando palavras ou termos de sentido amplo para “porneia” (relações sexuais ilícitas, fornicação, infidelidade conjugal, imoralidade sexual) e os significados que relembramos anteriormente para as outras palavras gregas. Como exemplo, podemos citar:
     ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA
    • Marcos 10:11-12 “E ele lhes disse: Quem repudiar (apoluo) sua mulher e casar com outra comete adultério (moicheia) contra aquela. E, se ela repudiar (apoluo) seu marido e casar com outro, comete adultério (moicheia)”.
    • Lucas 16:18 “Quem repudiar (apoluo) sua mulher e casar com outra comete adultério (moicheia); e aquele que casa com a mulher repudiada (apoluo) pelo marido também comete adultério (moicheia)”.
    • Mateus 5:31-32 “Também foi dito: Aquele que repudiar (apoluo) sua mulher, dê-lhe carta de divórcio (apostasion). Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar (apoluo) sua mulher, exceto em caso de RELAÇÕES SEXUAIS ILÍCITAS (porneia), a expõe a tornar-se adúltera (moichao); e aquele que casar com a repudiada (apoluo) comete adultério (moicheia)”.
    • Mateus 19:9 “Eu, porém, vos digo: quem repudiar (apoluo) sua mulher, não sendo por causa de RELAÇÕES SEXUAIS ILÍCITAS (porneia), e casar com outra comete adultério (moicheia) e o que casar com a repudiada (apoluo) comete adultério (moicheia)”
    • 1Coríntios 7:10-11 “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe (chorizo) do marido (se, porém, ela vier a separar-se (chorizo), que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte (aphiemi) de sua mulher”.

    QUESTIONÁVEIS

    Incluo nesta categoria qualquer versão que utiliza o recurso de limitar “porneia” a um significado isolado. Como exemplo, temos:
     ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA (edições 1969 e 1995).
    Questionável porque na tradução foi utilizado o termo “carta de desquite” empregado antes da lei do divórcio no Brasil. Mas isto não é tão grave assim, podemos entender e relevar. O perigo está em restringir a palavra grega “porneia” ao pecado da prostituição ou de adultério, já comentado anteriormente. A restrição que é questionável.
    • Marcos 10:11-12 “E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera.”
    • Lucas 16:18 “Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”
    • Mateus 5:31-32 “Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de PROSTITUIÇÃO (porneia), faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.“
    • Mateus 19:9 “Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de PROSTITUIÇÃO (porneia), e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.“
    • 1Coríntios 7:10-11 “Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.

    PERIGOSAS

    Embora considere estas versões como perigosas, reconheço o grande e nobre esforço de todas as pessoas envolvidas nesta dificílima tarefa de trazer-nos textos bíblicos em uma forma de linguagem mais acessível. Se para o entendimento de apenas meia dúzia de palavras, empreendi um esforço enorme, com muita pesquisa e o auxílio de teólogos, podemos imaginar o extraordinário trabalho para traduzir toda a Bíblia. A linguagem contemporânea é de grande valia e, às vezes, recorro a elas, quando tenho dificuldades em compreender certos textos complexos. Todo o meu respeito aos tradutores e revisores, mas, para este assunto (por favor, considere o que foi grifado), acredito que foram infelizes.
     NOVA VERSÃO INTERNACIONAL
    Observe que as palavras originais gregas entre parênteses “apoluo” (Mc 10: 11-12; Lc 16:18; Mt 5:31-32; Mt19:9) e “aphiemi” (1Co 7:11) foram traduzidas indevidamente como “divorciar”, o que distorceu o sentido dos textos.
    Observe a incoerência em Marcos 10:11-12, pois está dizendo que aquele que se divorciar e casar com outro estará adulterando. Como já foi explicado anteriormente, se o divórcio anula o casamento legalmente e torna uma pessoa livre a um novo matrimônio, o divorciado não poderia estar cometendo o adultério ao se casar novamente.
    • Marcos 10:11-12 “Ele respondeu: Todo aquele que se divorciar (apoluo) de sua esposa e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério (moicheia) contra ela. E se ela se divorciar (apoluo) de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério (moicheia)”.
    • Lucas 16:18 “Quem se divorciar (apoluo) de sua esposa e se casar com outra mulher estará cometendo adultério (moicheia), e o homem que se casar com uma mulher divorciada (apoluo) do seu marido estará cometendo adultério (moicheia)”.
    • 1Coríntios 7:10-11 “Aos casados dou este mandamento, não eu, mas o senhor: que a esposa não se separe (chorizo) do seu marido. Mas, se o fizer, que permaneça sem se casar ou, então, reconcilie-se com o seu marido. E o marido não se divorcie (aphiemi) da sua esposa”.
    • Mateus 5:31-32 “Foi dito: “Aquele que se divorciar (apoluo) de sua esposa deverá dar-lhe certidão de divórcio (apostasion). Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar (apoluo) de sua esposa, exceto por IMORALIDADE SEXUAL (porneia), faz que ela se torne adúltera (moichao), e quem se casar com uma mulher divorciada (apoluo) estará cometendo adultério (moicheia).”
    • Mateus 19:9 “Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar (apoluo) de sua esposa, exceto por IMORALIDADE SEXUAL (porneia), e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério (moicheia).”
    O mesmo problema ocorre nas outras versões a seguir.

     NOVO TESTAMENTO VIVO
    • Marcos 10:11-12 “Ele disse-lhes: “Quando um homem se divorcia (apoluo) da sua esposa para casar-se com outra, comete adultério (moicheia) contra ela. E se a esposa se divorciar (apoluo) do seu marido e se casar, ela também comete adultério (moicheia)”.
    • Lucas 16:18 “Portanto, quem se divorciar (apoluo) de sua esposa e se casar com outra, pratica adultério (moicheia); e quem se casar com a mulher divorciada (apoluo), também pratica adultério (moicheia)”.
    • 1Coríntios 7:10-11 “Agora, para aqueles que são casados eu tenho uma ordem, não uma sugestão apenas. E não é uma ordem minha, pois isto é o que o próprio Senhor disse: a esposa não deve abandonar (chorizo) o marido. Entretanto, se ela está separada dele, que permaneça só, ou então volte para ele novamente. E o marido não deve divorciar-se (aphiemi) da esposa.”
    • Mateus 5:31-32 “A Lei de Moisés diz: “Se alguém quiser desfazer-se (apoluo) de sua esposa, pode divorciar-se dela apenas mandando-a embora e entregando-lhe um documento escrito (apostasion)”. Porém Eu digo, que se um homem se divorciar (apoluo) de sua esposa, se não for por causa de INFIDELIDADE (porneia), faz com que ela, casando-se de novo, cometa adultério (moicheia). E aquele que se casar com ela, comete adultério (moicheia).”
    • Mateus 19:9 “E Eu lhes digo isto: Todo aquele que se divorciar (apoluo) de sua esposa, a não ser por causa de INFIDELIDADE (porneia), e casar-se com outra, comete adultério (moicheia).”

     NOVA TRADUÇÃO NA LINGUAGEM DE HOJE
    Podemos notar que nesta versão, as palavras gregas “porneia” e “moicheia” em Mateus 5:31-32, embora diferentes, foram traduzidas como tendo o significado de adultério. As palavras “apoluo” e “aphiemi” que têm o significado de repudiar, deixar, abandonar, foram traduzidas como divorciar.
    • Marcos 10:11-12 “E Jesus respondeu: – O homem que mandar a sua esposa embora (apoluo) e casar com outra mulher estará cometendo adultério (moicheia) contra a sua esposa. E, se a mulher mandar o seu marido embora (apoluo) e casar com outro homem, ela também estará cometendo adultério (moicheia).”
    • Lucas 16:18 “Se um homem se divorciar (apoluo) e casar com outra mulher, comete adultério (moicheia). E quem casar com a mulher divorciada (apoluo) também comete adultério (moicheia).”
    • 1Coríntios 7:10-11 “Para os que já estão casados tenho um mandamento, que não é meu, mas do Senhor: que a mulher não se separe (chorizo) do seu marido. Porém, se ela se separar (chorizo), que não case de novo ou então que faça as pazes com o marido. E que o homem não se divorcie (aphiemi) da sua esposa”.
    • Mateus 5:31-32 “Foi dito também: “Quem mandar a sua esposa embora (apoluo) deverá dar a ela um documento de divórcio (apostasion)”. Mas eu lhes digo: todo homem que mandar a sua esposa embora (apoluo), a não ser em caso de ADULTÉRIO (porneia), será culpado de fazer com que ela se torne adúltera (moichao), se ela casar de novo. E o homem que casar com ela também cometerá adultério (moicheia).“
    • Mateus 19:9 “Portanto, eu afirmo a vocês o seguinte: o homem que mandar a sua esposa embora (apoluo), a não ser em caso de ADULTÉRIO (porneia), se tornará adúltero (moicheia) se casar com outra mulher.“
    MISERICÓRDIA! Só pela compaixão de Deus é que chegaremos a uma conclusão! Cada versão usa palavras diferentes que dão sentidos conflitantes. Isto é fonte de divergências entre os fiéis, honrados e sinceros homens de Deus. Como alcançar a unanimidade utilizando estas versões?

    A Igreja Católica Romana e na época da Reforma Protestante, e ainda hoje, atribuía poderes exclusivos ao papa, ou de seus legados, para anular matrimônio e só considerava como divinamente aceito, o realizado naquela instituição religiosa, isto é, o casamento sacramental. Aqueles realizados fora desta instituição são considerados apenas como um vínculo natural. Para o matrimônio considerado não sacramental ela se considera autorizada a dissolvê-lo em vista da fé ou de uma vivência matrimonial sacramental (privilégio paulino e privilégio petrino).
    No esforço de voltar à posição bíblica, os reformadores criaram a visão protestante, que predomina ainda hoje, de que, casar-se de novo, após o divórcio, é permitido pela Bíblia em alguns casos. Martinho Lutero era a favor do divórcio, como último recurso, nos casos de infidelidade irreversível, impotência, recusa em se manter relações sexuais e deserção. Filipe Melanchton, teólogo e colega de Lutero, aceitava apenas a infidelidade e a deserção. João Calvino admitia o divórcio por infidelidade, deserção e por diferenças religiosas irreconciliáveis, sendo que, por sua influência, a cidade suíça de Genebra promulgou leis que permitiam o divórcio por essas razões. Ulrich Zwinglio (reformador de Zurique – Suíça) e Martin Bucer (reformador de Estrasburgo – França) admitiam, além das mesmas causas, o abandono do casamento (mesmo que o cônjuge não abandonasse o lar), perigo de vida e insanidade, sendo que, em Estrasburgo, o consentimento mútuo era aceito (abandono do casamento por ambos). Como vemos, estes reformadores confundiram “repudiar” (apoluo) com “divorciar” (apostasion). Podemos observar que não havia unanimidade entre eles, pois cada um defendia seus próprios conceitos. Em síntese, mantiveram as mesmas posições do catolicismo romano, só que abolindo a exclusividade papal para dissolver um matrimônio.
    Um fato importante ocorrido no século XVII parece que ajudou a propagar este erro. Em 1604 o Rei James I da Inglaterra autorizou o início de uma nova tradução da Bíblia em Inglês. A Bíblia Rei James, mais conhecida como Bíblia KJV (King James Version), teve a primeira publicação em 1611 e veio com este erro de tradução da palavra “apoluo” como “divórcio”. Os tradutores escreveram “divorciada” em lugar de “repudiada” em Mateus 5:32 ”But I say unto you, That whosoever shall put away his wife, saving for the cause of fornication, causeth her to commit adultery: and whosoever shall marry her that is divorced committeth adultery.“
    Tanto “put away”, quanto “divorced” foram traduções da palavra grega apoluo (repudiar), mas a segunda é uma forma incorreta. Esta versão causou um profundo impacto não apenas nas traduções bíblicas inglesas posteriores, mas na literatura como um todo. Ela se tornou uma referência e esta influência atingiu até os tradutores e revisores modernos, inclusive nos léxicos gregos, que deixaram propagar este problema. Como o Brasil foi evangelizado, direta ou indiretamente, pelos europeus e americanos, temos por tradição a ter em mente “divórcio” quando lemos “repúdio”.

  12. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    No esforço de voltar à posição bíblica, os reformadores criaram a visão protestante, que predomina ainda hoje, de que, casar-se de novo, após o divórcio, é permitido pela Bíblia em alguns casos. Martinho Lutero era a favor do divórcio, como último recurso, nos casos de infidelidade irreversível, impotência, recusa em se manter relações sexuais e deserção. Filipe Melanchton, teólogo e colega de Lutero, aceitava apenas a infidelidade e a deserção. João Calvino admitia o divórcio por infidelidade, deserção e por diferenças religiosas irreconciliáveis, sendo que, por sua influência, a cidade suíça de Genebra promulgou leis que permitiam o divórcio por essas razões. Ulrich Zwinglio (reformador de Zurique – Suíça) e Martin Bucer (reformador de Estrasburgo – França) admitiam, além das mesmas causas, o abandono do casamento (mesmo que o cônjuge não abandonasse o lar), perigo de vida e insanidade, sendo que, em Estrasburgo, o consentimento mútuo era aceito (abandono do casamento por ambos). Como vemos, estes reformadores confundiram “repudiar” (apoluo) com “divorciar” (apostasion). Podemos observar que não havia unanimidade entre eles, pois cada um defendia seus próprios conceitos. Em síntese, mantiveram as mesmas posições do catolicismo romano, só que abolindo a exclusividade papal para dissolver um matrimônio.
    Um fato importante ocorrido no século XVII parece que ajudou a propagar este erro. Em 1604 o Rei James I da Inglaterra autorizou o início de uma nova tradução da Bíblia em Inglês. A Bíblia Rei James, mais conhecida como Bíblia KJV (King James Version), teve a primeira publicação em 1611 e veio com este erro de tradução da palavra “apoluo” como “divórcio”. Os tradutores escreveram “divorciada” em lugar de “repudiada” em Mateus 5:32 ”But I say unto you, That whosoever shall put away his wife, saving for the cause of fornication, causeth her to commit adultery: and whosoever shall marry her that is divorced committeth adultery.“
    Tanto “put away”, quanto “divorced” foram traduções da palavra grega apoluo (repudiar), mas a segunda é uma forma incorreta. Esta versão causou um profundo impacto não apenas nas traduções bíblicas inglesas posteriores, mas na literatura como um todo. Ela se tornou uma referência e esta influência atingiu até os tradutores e revisores modernos, inclusive nos léxicos gregos, que deixaram propagar este problema. Como o Brasil foi evangelizado, direta ou indiretamente, pelos europeus e americanos, temos por tradição a ter em mente “divórcio” quando lemos “repúdio”.

    ENTENDENDO A EXCEÇÃO

    Para termos a dimensão da gravidade dos pecados de natureza sexual, torna-se necessário verificarmos a reação de Deus a eles, apresentadas na Bíblia, tanto no Velho, quanto no Novo Testamento. Não estamos mais debaixo da Lei de Moisés, no entanto ela mostra a moral, o caráter de Deus e sua repulsa a estes pecados. A seguir, alguns versículos sobre o assunto e a conseqüência ou tratamento dado a ele:

    1- NO NOVO TESTAMENTO:
     Romanos 1:26-27 “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.”
    Neste trecho o apóstolo Paulo cita o lesbianismo (homossexualismo feminino) e pederastia (homossexualismo masculino).
    • 1Coríntios 7:2 “mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.”
    O relacionamento sexual de solteiros é considerado como pecado de impureza, imoralidade, lascívia.
    • 1Coríntios 6:9-10 “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.”
     1Coríntios 6:18 “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.”
     2Coríntios 12:21 “Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram.”
     1Coríntios 6:15-16 “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz? Absolutamente, não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.”
     Gálatas 5:19 “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.”
     1Timóteo 1:8-10 “…não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina,”
     Hebreus 13:4 “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”.

    2 – SEPARADAMENTE, POR ASSUNTO, NO VELHO TESTAMENTO:
     BESTIALIDADE:
    Em Êxodo 22:19 “Quem tiver coito com animal será morto”.
    Levítico 18:23 “Nem te deitarás com animal, para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão”.
    Levítico 20:15-16 “Se também um homem se ajuntar com um animal, será morto; e matarás o animal. Se uma mulher se achegar a algum animal e se ajuntar com ele, matarás tanto a mulher como o animal; o seu sangue cairá sobre eles”.
    Deuteronômio 27:21 “Maldito aquele que se ajuntar com animal”.
     INCESTO:
    Abaixo, casos com os seguintes parentes próximos: Madrasta, nora, uma mulher e a sogra, filha de seu pai ou filha de sua mãe, tios, cunhada, sogra.
    Levítico 20:11-21 “O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles. Se um homem se deitar com a nora, ambos serão mortos; fizeram confusão; o seu sangue cairá sobre eles. Se um homem tomar uma mulher e sua mãe, maldade é; a ele e a elas queimarão, para que não haja maldade no meio vós. Se um homem tomar a sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe, e vir a nudez dela, e ela vir a dele, torpeza é; portanto, serão eliminados na presença dos filhos do seu povo; descobriu a nudez de sua irmã; levará sobre si a sua iniqüidade. Também a nudez da irmã de tua mãe ou da irmã de teu pai não descobrirás; porquanto descobriu a nudez da sua parenta, sobre si levarão a sua iniqüidade. Também se um homem se deitar com a sua tia, descobriu a nudez de seu tio; seu pecado sobre si levarão; morrerão sem filhos. Se um homem tomar a mulher de seu irmão, imundícia é; descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos”.
    Deuteronômio 27:20-23 “Maldito aquele que se deitar com a madrasta, porquanto profanaria o leito de seu pai. E todo o povo dirá: Amém! Maldito aquele que se deitar com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe. E todo o povo dirá: Amém! maldito aquele que se deitar com sua sogra. E todo o povo dirá: Amém!”.
     HOMOSSEXUALISMO OU SODOMIA:
    Levítico 20:13 “Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles”.
    Levítico 18:22 “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação”.
     PROSTITUIÇÃO:
    Levítico 19:29 “Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua, nem se encha de maldade.”
    Deuteronômio 23:18 “Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do SENHOR, teu Deus, por qualquer voto; porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao SENHOR, teu Deus”.
     ESTUPRO:
    Coito sem consentimento e efetuado com emprego de força, constrangimento, intimidação ou decepção quanto à natureza do ato; violação. O estupro não é um tipo de relação sexual, mas uma forma violenta da mesma. Antes de verificarmos os versos sobre este assunto é importante entendermos o que significa “moça desposada”.
    O processo de casamento, segundo a tradição judaica, constava de várias etapas (Gênesis 24). Este iniciava com o pai tomando a iniciativa de arranjar uma noiva para o filho. Isto poderia ser delegado a um representante e o casamento só era feito sob o consentimento da moça (Gn 24:5). Esta primeira etapa chamava-se shidduch.
    Concluído o shidduch passava-se para o ketubah (“escrito”, ou “recibo”), que era o acordo pré-nupcial ou contrato do casamento. Este documento hebraico explicitava as obrigações do marido para com a mulher durante o casamento, as condições de herança após sua morte, e as obrigações em matéria de apoio aos filhos do casamento; enquanto que a noiva estipulava o seu dote.
    Após o ketubah, este comprometimento tinha que se consumar publicamente. Isto ocorria em duas etapas distintas: kiddushin (parecido com o noivado ocidental) e, após um ano, o nisuin (conclusão do casamento).
    Iniciava-se a cerimônia pública do kiddushin, com o casal aparecendo sob a huppah ou chuppah (pálio nupcial – toldo portátil, sustentada por varas, que simbolizava a futura casa -), onde os comprometidos expressavam suas intenções de se tornarem esposos (noivos). Sob a huppah, era realizado o eyrusin (desposar) do casal. O entendimento judaico de eyrusin é mais forte do que nosso moderno noivado, pois já era um ato definitivo; a mulher já era legalmente considerada como esposa (Dt 20:7; Dt 22:23; Joel 1:8). A partir daí, o casal precisaria de um divórcio a fim de anular este contrato e só era disponível ao esposo. Enquanto eyrusin significa “desposar”, a palavra kiddushin significa “santificação” ou “separado à parte”, refletindo a santidade do casamento. Após esta cerimônia, o casal não estava liberado para as relações sexuais e deveria viver em lugares separados. Num período de um ano, até ocorrer o nisuin, a noiva e o noivo tinham suas responsabilidades. O noivo tinha como alvo a preparação do novo lugar de moradia para sua noiva e para os futuros filhos. Enquanto o noivo preparava a casa, a noiva teria como alvo sua preparação pessoal, enquanto o dia do casamento (nisuin) se aproximava. Um vestuário lindo de casamento devia ser preparado como um símbolo de uma alegre ocasião por vir. Para ambos, este ano de preparação deveria ser de introspecção e contemplação pessoal para esta tão santa aliança – a do casamento.
    “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada, com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mateus 1:18). José e Maria já tinham passado pelo kiddushin, onde o eyrusin (desposar) aconteceu, e estavam aguardando a cerimônia do nisuin.
    Após a preparação dos noivos, no longo ano após o kiddushin, havia um passo culminante no processo da cerimônia do casamento judaico, conhecido como nisuin. Este termo é baseado no verbo hebreu “nasa”, que literalmente significa “carregar” ou “elevar”. No fim do período após o eyrusin, a noiva ficava na expectativa do noivo vir carregá-la para sua nova casa. Era o tempo de espera da chegada do noivo para o início da cerimônia de conclusão do casamento. Entretanto, a hora exata da cerimônia não era certa, pois era o pai do noivo que dava a aprovação final para o nisuin começar (o Pai dará a ordem de início das Bodas do Cordeiro). A noiva e sua comitiva estariam, então, ansiosamente olhando e esperando pelo momento exato. Ao final da tarde, a comitiva da noiva deveria manter suas lâmpadas de óleo acesas aguardando o início da cerimônia (veja a parábola das dez virgens em Mateus 25). Liberado o início do nisuin, o noivo e uma comitiva iam em direção à casa da noiva. Um membro desta comitiva ia à frente e dava o sinal para a noiva, do início da cerimônia, ao gritar: “Veja, vem o noivo!”. Isto seria seguido pelo som do shofar (chifre de carneiro) e o noivo lideraria a procissão do casamento pelas ruas da vila até a casa da noiva. Os acompanhantes do noivo deveriam então pegar e carregar a noiva de volta até a casa do noivo, onde a huppah foi montada novamente. O casal iria uma vez mais, sob a huppah, confirmar os votos e promessas anteriores, finalizando o casamento. O que foi prometido na cerimônia do kiddushin agora foi consumado na cerimônia do nisuin. Após isto, o casal estava livre para consumar o casamento deles, tendo as relações sexuais e vivendo juntos como marido e mulher (Gn 24:66-67). Esta cerimônia alegre culminava em um jantar de casamento, que era mais do que simplesmente sentar e jantar com todos os convidados, pois incluía sete dias de comida, dança e celebração (Juízes 14:10-12).
    Como já entendemos as etapas de um casamento judaico, vejamos em Deuteronômio 22:23-27 o caso de estupro de moça desposada (eyrusin). Se o estupro foi na cidade, onde a mesma poderia gritar e obter socorro, ambos morreriam. Se foi no campo, onde não adiantaria gritar, só o homem seria morto. Para a solteira, veja a seguir, aplicava-se Êxodo 22:16-17 e Deuteronômio 22:28-29.
     RELAÇÃO SEXUAL DE SOLTEIROS:
    Em Deuteronômio 22:13-21 relata o caso de um homem casar com uma moça e depois das núpcias declarar que a mesma não era virgem, isto é, relacionou-se sexualmente quando solteira. Sendo mentira o homem seria multado e açoitado e continuaria com ela. Sendo verdade e ela não admitisse, a moça seria morta, por causa do pecado.
    Em Deuteronômio 22:28-29 ”Se um homem achar moça virgem, que não está desposada, e a pegar, e se deitar com ela, e forem apanhados, então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinqüenta siclos de prata; e, uma vez que a humilhou, lhe será por mulher; não poderá mandá-la embora durante a sua vida”.
    Êxodo 22:16-17 “Se alguém seduzir qualquer virgem que não estava desposada e se deitar com ela, pagará seu dote e a tomará por mulher. Se o pai dela definitivamente recusar dar-lha, pagará ele em dinheiro conforme o dote das virgens.”
    A solteira que teve relacionamento sexual era considerada desonrada e não podia casar com um sacerdote ou sumo sacerdote. Levítico 21:7 e 14, “Viúva, ou repudiada, ou desonrada, ou prostituta, estas não tomará, mas virgem do seu povo tomará por mulher.”

  13. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

     ADULTÉRIO:
    1. Com mulher casada:
    Levítico 20:10 “Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.”
    Dt 22:22 “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel”.
    2. Com mulher solteira:
    Há perguntas de difícil ou nenhuma resposta (Deuteronômio 29:29) a respeito de certas práticas ocorridas no Velho Testamento. O casamento entre irmãos (Abraão e Sara registrado em Gênesis 20:12) e parentes próximos (Naor e Milca, tio e sobrinha, conforme Gênesis 11:27-29; 22:20-23), só foi proibido na Lei de Moisés. Diferentemente do Novo Testamento e embora violassem claramente o plano original de Deus, a poligamia era relevada, dentro de certos limites. Vemos uma advertência em Deuteronômio 17:17 ”Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie”. A poligamia era uma porta aberta para conflitos domésticos (1Samuel 1:1-8) e ruína espiritual (1Reis 11:4), mas foi praticada pelos heróis da fé e este fato não foi escondido pelo Espírito Santo, o Autor da Bíblia. Veremos, mais à frente, que Jesus e os apóstolos corrigiram estas distorções. Portanto, no caso de adultério de homem casado com mulher solteira, a aplicação prática era semelhante ao já citado no item anterior “RELAÇÃO SEXUAL DE SOLTEIROS” (Êxodo 22:16-17 e Deuteronômio 22:28-29).

    Como verificamos, todos os casos de relações sexuais citados realmente são ilícitos e indecentes, o que é facilmente notado pela reação do Senhor, através da Lei de Moisés e da doutrina dos apóstolos.

    O QUE A LEI DE MOISÉS DIZ SOBRE O DIVÓRCIO

    Muitos sofismas foram e são criados a partir do uso indevido da exceção ao divórcio, citada por Moisés. Por este motivo, precisamos compreendê-la e saber se a mesma ainda tem validade para os discípulos de Cristo, que seguem a doutrina dos apóstolos, o “Evangelho do Reino de Deus”.
    No princípio, no Éden, antes da queda, Deus governava, tratando em um mesmo nível, tanto o marido, quanto a esposa. Foi só a partir do pecado que Ele estabeleceu que o marido também governasse a esposa (“o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.“ Gênesis 3:16). O status da mulher passou de ajudadora idônea, no mesmo nível, para alguém sujeito ao governo de outro semelhante. Devido à fragilidade da mulher, tanto física, quanto ao sugerido em 1Timóteo 2:14 “E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”, parece que o homem distorceu a ordem de Gênesis 3:16 e passou a tratá-la como um objeto de sua propriedade. Confundiu governar com possuir.
    Sem considerar as outras culturas e religiões, baseados apenas nos relatos bíblicos, podemos observar que a sociedade era patriarcal, onde havia a predominância absoluta do homem, do macho. A mulher era considerada propriedade do homem. Se fosse solteira, ela era propriedade do pai; se fosse casada, era propriedade do marido. O homem era considerado como o possuidor, tanto dos desejos, quanto do corpo da esposa, mas o contrário não acontecia.
    Atitudes hipócritas eram consideradas normais pela sociedade da época, pois condenava a prostituição, mas fazia vista grossa aos homens que procuravam as prostitutas. Isto acontecia porque a prostituta era considerada uma “mulher de rua”, isto é, não pertencia a nenhum homem, não era propriedade de ninguém. Mas se um homem se unisse sexualmente com uma mulher que não fosse prostituta, a reação era completamente diferente, pois com este ato estaria atentando contra a “propriedade privada” de outro homem. Não era uma violação contra a esposa ou a moça, mas contra a “propriedade” do marido ou do pai. Não era propriamente adultério contra a sua própria esposa, mas contra o próximo, o “proprietário” da outra mulher. Podemos confirmar isto, na própria lei quando diz “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”. (Ex 20:17 e Dt 5:21). A mulher era um ser que pertencia ao homem, semelhantemente a casa, o servo, a serva, o boi, o camelo, o jumento. Creio que, pelo fato de um casamento ser realizado envolvendo pagamento de dotes (Êx 22:17; Gn 34:12; 1 Rs 9:16; 1 Sm18:25), isto, implicitamente, o transformava em comércio, sendo a moça considerada como mercadoria: “Se alguém seduzir qualquer virgem que não estava desposada e se deitar com ela, pagará seu dote e a tomará por mulher.” (Êx 22:16). “Majorai de muito o dote de casamento e as dádivas, e darei o que me pedirdes; dai-me, porém, a jovem por esposa.” (Gn 34:12).
    Os homens podiam casar com várias mulheres solteiras, mas elas não podiam ter vários maridos. O direito de repudiar era concedido somente ao homem (Dt 24:1). Devido ao fato de a mulher ser considerada como um objeto do marido, ele, movido pela dureza de coração e avareza, a repudiava, deixava de lado (termo hebraico shalach), mas não abria mão de sua propriedade, não a despedia de casa. A mulher ficava sem os direitos matrimoniais e passava a ser uma escrava do homem, pois não existia divórcio antes da Lei de Moisés. Portanto, elas estavam desprotegidas e sujeitas aos caprichos dos homens, que as abandonavam por banalidades, deixando-as desamparadas, às vezes em total isolamento, expostas ao ridículo, miséria, humilhações e escravas do homem que a possuiu, comprou com o dote. Somente com a entrada em vigor da lei entregue no Monte Sinai – a “Lei de Moisés” – que Deus veio corrigir esta situação, limitando a aplicação e decretando a libertação da escravidão e proteção da mulher, através da carta de divórcio (termo hebraico k@riythuwth, que significa literalmente “incisão”, “corte do vínculo matrimonial”) e a obrigação de despedi-la de casa.
    A total valorização da mulher só aconteceu no tempo (kairós) de Deus, em Jesus, através do Evangelho do Reino. Às vezes ficamos a pensar, por que demorou tanto? É pelo mesmo motivo que o Messias também demorou tanto a vir, pois não era o tempo (kairós) de Deus, o Soberano. O Evangelho do Reino permite que a mulher repudie: “E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério” (Mc 10:11-12), e coloca o corpo do homem sob o poder dela: ”O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher. Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento,…” (1Corintios 7:3-5). “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (1Coríntios 11:11). “Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja;” (Efésios 5:28-29). “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pedro 3:7 ). Verdadeiramente, o valor da mulher só veio a ser resgatado através de Jesus. No Evangelho do Reino, o homem só pode ter uma esposa e vice-versa; são iguais perante Deus, só diferindo nas funções e cadeia de autoridade, tanto no lar, quanto na Igreja. Como seres humanos, todos são iguais. Deus não tem preferência de pessoa ou pessoas por sua classe, privilégios, qualidade, títulos ou sexo. Diante de Deus, são iguais o pai e o filho, o general e o soldado, o executivo e o operário, o pastor e a ovelha, o marido e a esposa, pois o que os diferencia é o grau de autoridade e função na sociedade. O Espírito Santo mostra esta igualdade em Tiago 5:17 “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos…”. No Evangelho do Reino, o homem e a mulher são iguais, sujeitos aos mesmos sentimentos, mas com missões diferentes.
    Deus entregou a lei a Moisés e permitiu o divórcio, mas estabeleceu limites ou condições. Antes o homem repudiava quando bem entendia, abusava e explorava a fragilidade da mulher, mas com a entrada em vigor da Lei de Moisés esta situação irregular cessou. A mulher agora estava protegida por direitos contra a escravidão e avareza do homem. Mas Deus através das punições e pena de morte, salientou, evidenciou a honradez e seriedade do casamento. O casamento para Deus não é assunto para brincadeiras e leviandades; não pode ser considerado como algo sem importância. A pena de morte, multas e açoites mostraram a gravidade da violação e banalização do casamento. O divórcio protegia a mulher indefesa, mas, também, defendia o homem honesto e fiel a Deus contra mulheres mal intencionadas e enganadoras.
    A partir da Lei de Moisés o divórcio foi implantado para somente uma situação, não era por qualquer motivo.
    Com a conclusão do casamento pela cerimônia do nisuin, um homem, na noite nupcial, após se esbanjar em seus prazeres sexuais, alegava que a moça não era virgem e a abandonava, ficando a mesma destruída, arrasada, humilhada, difamada para o resto de sua vida. O divórcio era uma alternativa para proteção da mulher que fosse injustiçada, injuriada por homens ímpios. Por isso, no Velho Testamento, por causa da dureza do coração dos homens e para proteger a mulher, foi permitido (não ordenado) o divórcio, mas apresentou uma condição ou exceção para que o mesmo fosse liberado. Moisés em Deuteronômio 24:1-4 está permitindo o divórcio no caso em que foi “achada coisa indecente nela”, conforme o texto: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo da sua casa, for e se casar com outro homem; e se este a aborrecer, e lhe lavrar termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir da sua casa ou se este último homem, que a tomou para si por mulher, vier a morrer, então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o SENHOR; assim, não farás pecar a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança”.
    Temos que reconhecer que esta exceção, este limite (“achado coisa indecente nela”), milhares de anos após ser deixada aos crentes do Velho Testamento, é um pouco obscura, não muito clara, pouco inteligível, enigmática para nós e para aqueles do tempo de Jesus. Creio que para eles, naquela época, no tempo de Moisés, em sua própria cultura, isto não foi obscuro e entenderam muito bem o que Deus estava se referindo. Esta dificuldade surgiu porque o que nesse trecho se traduz por “coisa indecente” é uma palavra hebraica ( hwre ‘ervah) procedente de “arah” que aparece somente em Dt 23:14 e Dt 24:1. Com o decorrer dos anos o significado original foi se deteriorando e como não se encontrava aplicação da mesma em outro local da Bíblia, não se podia compreendê-la através de comparações. Isto gerou certa confusão para o povo de Israel.
    No Velho Testamento os casamentos eram arranjados pelos pais e, acredito que, o diálogo para o conhecimento mútuo praticamente não existia, o que poderia acarretar surpresas no casamento. Podemos deduzir que as mesmas só poderiam ser os pecados relacionados a sexo (Deuteronômio 22:13-21), caso contrário, não acredito que Deus, tendo um objetivo tão nobre para o casamento, permitisse a sua anulação por futilidades, uma atitude tão drástica por causas menores. Jesus confirmou isso ao permitir o repúdio por causa de relações sexuais ilícitas (porneia). Esta referência demonstra que o pecado de ordem sexual era o assunto que Moisés apontou.
    Como “coisa indecente nela” pode significar tantas coisas, por exclusão poderemos inferir em qual caso era permitido o divórcio no Velho Testamento.
    Baseados nos textos bíblicos, já expostos anteriormente, podemos montar o nosso raciocínio. Então vejamos:
     Adultério: Em Levítico 20:10 e Deuteronômio 22:22 dizem que ambos seriam mortos, se a mulher fosse casada. Para o homem casado adulterando com mulher solteira, conforme Êxodo 22:16-17, pagaria o dote e a tomaria por esposa e não poderia divorciar. O pai poderia recusar a entregá-la, mas aí, quem se casasse com ela, posteriormente, não poderia alegar nada ou exigir a virgindade.
     Prostituição: Para que uma mulher casada se tornasse prostituta, teria que cometer o adultério e assim seria morta. Sendo uma prostituta solteira, o homem ao se casar com ela não poderia alegar nada ou exigir a virgindade.
     Homossexualismo, bestialidade: Em Levítico 20:13,15,16 a condenação era a morte.
     Incesto: Pena de morte ou impossibilidade de casamento (Levítico 20:11-21), portanto, não haveria carta de divórcio.
     Estupro de moça desposada (Deuteronômio 22:23-27) a condenação era a morte de ambos ou só do homem. Sendo solteira, o homem teria que se casar com a mesma e não poderia alegar nada para repudiá-la e lhe seria por mulher por toda a sua vida; portanto, não haveria carta de divórcio.

    Portanto, podemos excluir estas possibilidades, pois não sobraria ninguém para receber a carta de divórcio. Os mortos e os impedidos de se casarem ou divorciarem, não precisariam fazer uso dela.
    Vale lembrar que as condições para o divórcio e punições, foram estabelecidas por Deus. Sabemos, porém, que os homens, ignorando o estabelecido, se divorciavam por motivos não aceitos por Ele, eram polígamos e não aplicavam as punições corretamente. Em João 8:3-11 os escribas e fariseus trouxeram à presença de Jesus somente a mulher surpreendida em adultério e queriam apedrejá-la, mas não trouxeram o homem adúltero.
    Da lista de possibilidades, por exclusão, restou apenas a relação sexual de solteiros. Então, quando Moisés permitiu que o marido repudiasse a mulher, era somente no caso do mesmo descobrir que ela não era virgem e isto somente poderia acontecer na consumação do casamento. Não em tempos depois de casados, era somente no dia do casamento, nas núpcias. Não se referia às viúvas, nem repudiadas, nem aquelas que já se sabia não serem virgens, nem prostitutas ou ex-prostitutas, casos em que o homem não poderia alegar nada para exigir a virgindade. Tratava-se de uma moça que se dizia virgem para o casamento, mas, na verdade, não era; se omitiu e enganou deliberadamente o homem. Descoberto o problema, poderia ocorrer uma reação litigiosa ou não.
     Havendo litígio, conforme Deuteronômio 22:13-21, era permitido recorrer ao juízo público. Para proteger da malícia do cônjuge e da desonra pública, se os pais conseguissem provar a virgindade da filha, demonstrando assim sua inocência, o homem seria açoitado, pagaria uma multa e ela seria sua esposa para o resto da vida.
    Não havendo a prova, a mulher seria morta.
     Não havendo litígio, o marido não aceitasse a mulher como esposa e a mesma não contestasse, era exigência da lei (Deuteronômio 24:1-4) que o mesmo redigisse uma carta de divórcio, liberando-a definitivamente. Este documento era irrevogável (Dt 24:4). Somente neste caso, ambos ficavam livres para se casarem novamente com outras pessoas.
    Como os homens podiam casar com várias mulheres solteiras, a virgindade era uma exigência feita somente a elas. Jesus e os apóstolos também corrigiram esta distorção. O homem podia aceitar casar-se com uma mulher não virgem e assim não teria motivos para alegar um divórcio.
    Neste texto de Deuteronômio 24:1-4 mostra que uma mulher casou-se pela segunda vez e novamente recebeu carta de divórcio. Qual seria o motivo deste segundo divórcio? Considerando uma correta aplicação da lei, acredito que o segundo divórcio só aconteceria se ela casou-se novamente utilizando a mentira, passando-se por virgem, pois em outros casos seria morta ou impedida de se casar. Este texto diz que esta mulher não poderia ser desposada pelo primeiro marido que a despediu, não haveria a reconciliação porque ela foi “contaminada” com o segundo casamento (vs 4). Se o segundo casamento “contaminava” a mulher, não nos resta alternativa senão considerar que, aos olhos de Deus, este divórcio e novo casamento não resolviam o problema plenamente. Alguma coisa não agradava a Deus. Devido a isso, Jesus afirmou: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” (Mt 19:8).
    Esclarecida esta questão, agora surgem as seguintes perguntas: Para o discípulo de Jesus, a “Lei de Moisés” permanece em vigor? Ainda há permissão para o divórcio na questão da virgindade? A reconciliação ainda não é permitida? Para responder a estas perguntas, precisamos saber se o cristão ainda vive debaixo da Lei de Moisés e isto é imprescindível para a compreensão do nosso assunto.

  14. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    JESUS E A LEI DE MOISÉS

    Faremos um pequeno resumo do objetivo da Lei de Moisés. A nossa intenção não é estudar profundamente o Velho Testamento, mas apenas dar uma visão panorâmica e tomar uma posição com relação a ele, pois tanto os fariseus na antiguidade quanto os cristãos atuais, utilizam-no para a defesa de suas idéias com aparência de verdade – os sofismas.
    Embora pareça sem propósito esta explanação, creio que se não compreendermos o seu objetivo, poderemos incorrer no erro e transformar o nosso estudo numa miscelânea de Velho e Novo Testamento.
    Toda a história da humanidade e do povo judeu, os tipos ou figuras, as alegorias e metáforas contidas no Velho Testamento, são fundamentais para a compreensão de Jesus e Sua obra, para compreendermos o coração do Pai, para as estratégias em nossa luta contra Satanás e seus demônios e na aplicação prática em nossas vidas. Deus não mudou e continua agindo da mesma forma que no Velho Testamento.
    Deus é um Ser de princípios. Ao criar o homem, conforme Sua imagem e semelhança, implantou nele os Seus princípios, a “Lei de Deus”, conforme Romanos 2:15 “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,…”. Não estou me referindo à lei mosaica, da lei dada no monte Sinai. São os princípios da exigência de Deus para com os homens. São as condições para a comunhão entre Deus e o homem, isto é, a exigência de Deus, o que quer que o homem faça para Ele. Usando o incesto, assassinato e o roubo como exemplo, observe que, nos tempos atuais, apesar da cauterização da mente humana, eles são considerados delitos graves em qualquer cultura ou religião. Observe também que, normalmente, os adultérios e demais coisas erradas são feitas às escondidas, no escuro. Os corruptos e bandidos cometem seus crimes às escondidas e quando flagrados, a maioria esconde o rosto, mostrando com isso que os homens, mesmo os ateus, ainda têm alguns vestígios da “norma da lei gravada no seu coração” e não são inocentes. Com a “Lei de Deus” gravada no coração dos homens e com a multiplicação, seria formada a grande família semelhante a Ele.
    Mas Satanás, odiando tudo e sendo contrário ao projeto de Deus, com o objetivo invejoso de ser adorado e estabelecer o seu próprio reino, o mundo, o império das trevas, aproveitou Adão e Eva (a matriz da raça humana, da qual seriam tiradas as cópias, isto é, os filhos) e levou-os a pecar, destruindo a imagem e semelhança de Deus, subjugando-os ao pecado, tirando-lhes a procuração de plenos poderes que Ele havia lhes dado, com a qual reinariam sobre a Terra. Então Deus, lá no Éden, declarou que da mulher nasceria o descendente (Jesus), que esmagaria a cabeça da serpente e recuperaria a procuração de plenos poderes, destruiria as obras do diabo e estabeleceria o Reino de Deus sobre a Terra. Gênesis 3:15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gálatas 4:4 “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”
    Com o pecado na raça humana, além da morte física e espiritual, entraram também as desavenças, ciúmes, ódios, adultérios, assassinatos, problemas de família, etc. Embora saibamos que o governo do marido sobre a esposa seja conseqüência do pecado da mulher (“o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.” Gn 3:16), o relacionamento feliz do casal começou a ser destruído quando ela, independentemente do marido, sem consultá-lo, aceitou pegar a fruta proibida e o homem ao responder a Deus, acusou-a e rejeitou-a, ao jogar-lhe a culpa dizendo “a mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi”. Já com o pecado implantado, no mínimo, sentimentos de decepção, ira e tristeza devem ter surgido no coração do apaixonado Adão; ressentimento e rejeição no de Eva. Vemos assim como a fonte dos desejos de abandono e separação, sutilmente surgiram nos casais humanos. Logo a seguir, já vemos Lameque, descendente de Caim, iniciando a poligamia (Gn 4:19), contrariamente ao que Deus havia acabado de determinar em Gênesis 2:24: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Deixar pai e mãe e unir-se a uma mulher são ordens aos solteiros e não para casados. Tornar-se uma só carne é coisa para dois e não mais que isso. Fica claro que o ideal que Deus coloca é a monogamia. Quando disse “a sua mulher” foi no singular, “os dois” só pode dizer respeito a um homem e uma mulher. Ele disse “dois”, não três, quatro, etc. A deterioração do casamento e o desprezo pela mulher já estavam implantados na humanidade.
    Seguindo o curso da história, vemos o homem, embora com a Lei de Deus (Rm 2:15) gravada em seu coração, se afastar progressivamente dela e cauterizar a sua mente, de tal forma, que levou o próprio Deus a declarar: “se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração” (Gn 6:6). Vemos o sentimento de Deus por causa do pecado, a destruição da humanidade e o recomeço de tudo a partir de Noé e sua família. Apesar de tudo isto, logo o pecado continuou. Deus permitiu que a história tomasse seu curso natural.
    Mais tarde, tendo em vista a declaração feita a Adão e Eva, de que da mulher nasceria Aquele que esmagaria a cabeça da serpente, Deus escolheu Abraão e lhe fez uma promessa incondicional, de que o Messias, Jesus Cristo, seria seu descendente e que abençoaria todas as nações (Gn 18:18, Gl 3:16-19). Promessa é algo dado a alguém gratuitamente. Embora ele ainda não a tenha, ele definitivamente a terá mais tarde. Mas 430 anos após a promessa, Deus deu a “Lei de Moisés” ao homem para que os pecados dos homens se tornassem transgressões (Romanos 4:15: “mas onde não há lei, também não há transgressão”). Hoje em dia, se não houvesse a lei dizendo que é proibido dirigir em uma velocidade maior que 110 km/h em uma rodovia, não se cometeria uma infração ao ser flagrado a 120 ou 200km/h. Os homens, a partir daquele momento (a queda) narrado em Gênesis 3, em que Adão e Eva caíram em tentação, sempre foram pecadores e estavam condenados pelo pecado, mas não enxergavam isto. Achavam que tudo era normal e que estavam certos. Deus sempre soube da condição do homem, mas o homem não conhece sua condição. Deus sabe que ele não é bom, mas ele acha que é. A lei permite que o homem veja aquilo que Deus já viu. Uma vez que o pecado foi manifestado diante de Deus, ele também precisa ser sentido na consciência do homem. Mas infelizmente o homem não percebe o pecado e por isso havia a necessidade da entrada da lei. Os homens com os corações endurecidos e obscurecidos pelo pecado precisam de ordens e limites.
    A Lei é o conjunto de regras, rituais, cerimônias e estatutos morais que regiam o relacionamento do povo com Deus e entre eles. O princípio da lei é que corações endurecidos e obscurecidos pelo pecado requerem ordens e limites claramente estabelecidos. Deus precisava revelar sua natureza e o padrão de sua santidade através de leis e mandamentos para que o homem pudesse ver a extensão da sua queda e a impossibilidade de restaurar a si mesmo e que necessitavam da vinda do Messias. Romanos 3:20: “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Romanos 5:20 “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa”. A Lei não anulou a “promessa” feita a Abraão: “E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar (anular), de forma que venha a desfazer a promessa” (Gl 3:17). Sem considerarmos a onisciência de Deus, a lei foi acrescentada posteriormente; foi adicionada, ela foi introduzida para satisfazer a certas necessidades urgentes. Era uma necessidade temporária, conforme Gálatas 3:19: “Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.” A lei não estava no pensamento original de Deus; a graça estava, conforme 2Timóteo 1:9-10: “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho”. Ela foi usada para conduzir os homens até a vinda de Jesus: “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio” (Gálatas 3:24-25). Aio era um escravo ou pessoa de confiança que cuidava de um menino grego ou romano, educando-o ou disciplinando-o até que ele fosse maior de idade. A Lei de Moisés foi o servo da promessa a Abraão. Com a vinda, a obediência absoluta ao Pai, o sacrifício e a ressurreição de Jesus Cristo – o “descendente” citado em Gálatas 3:19 –, uma parte da promessa a Abraão foi cumprida e a Lei de Moisés não mais era necessária, pois já atingiu o seu propósito de aio.
    Jesus, conforme Efésios 2:15, “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças,…” A Lei não era mais necessária, mas ficou um problema: como ficar livre dela? Lucas 16:16-17: “A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele. E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei.” Mateus 5:17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.” Este texto está dizendo que após João a Lei não é mais anunciada e ao mesmo tempo diz que ela não acabou, não foi revogada. Como entender isto?
    No texto de Romanos 7:1-14, o apóstolo Paulo, usando uma alegoria com o casamento, diz que a lei tem domínio sobre todo o tempo de vida do ser humano (Rm 7:1), é estatuto perpétuo. Após isso, diz que a mulher casada está sujeita ao marido pela lei, enquanto ele viver; mas se o marido morrer está livre da lei conjugal (Rm 7:2). Paulo está dizendo que temos um “marido” chamado Lei. Ele é exigente (“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” Tg 2:10), não perdoa o menor erro de nossa parte e não nos dá o menor auxílio para que tenhamos condições de cumprir suas exigências e além disto nunca morre, pois é “santa, justa e boa” (Rm 7:12). Separar deste marido (da Lei) não podemos, a menos que ele morra, mas ele não morre. Como nos livrar deste marido, a Lei? Só pela morte, não do marido, mas da mulher, que somos nós (o ser humano) na alegoria. Daí Paulo dizer: ”Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus” (Rm 7:4). Uma lâmpada apagada só vai acender quando a conectarmos na rede de energia elétrica, passando assim a receber, por transferência, pelos cabos condutores, os benefícios da poderosa e grandiosa usina geradora de eletricidade. Efésios 2:1 “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,” em outras palavras, nós antes mortos e apagados para Deus, ao crermos e sermos batizados, somos unidos, conectados a Cristo, mergulhados nEle e, consequentemente, há uma transferência pelo Espírito Santo, onde recebemos Sua morte, ressurreição, exaltação, além do perdão dos pecados, purificação, salvação e introdução no corpo de Cristo, que é a Igreja. Se estivermos em Cristo, já morremos com Ele na cruz, morremos para a Lei e, também, ressuscitamos juntamente com Ele para nos tornarmos Sua noiva.
    “Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Romanos 7:6). Agora estamos libertos da Lei de Moisés. Isto não quer dizer que estamos sem Lei, pois “… não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo…” (1Coríntios 9:21), a lei do Noivo, a lei do amor, na Nova Aliança. Não vivemos mais debaixo da Lei de Moisés e sim na lei de Cristo.

    A LEI DE CRISTO

    A Bíblia diz que Deus é amor (1Jo 4:8,16). Ela não diz que Deus possui amor, pois afirma que Ele é amor. Ser é diferente de possuir. Ser algo revela a natureza daquele que é. O amor expressa a natureza, a essência de Deus. Quando falamos no amor de Deus, estamos nos referindo à Sua natureza. Quando vemos uma pessoa que amamos sofrendo, na pobreza e passando por situações difíceis, nos sentimos tristes e sofremos juntamente com ela. Agindo assim estamos tendo misericórdia dela, mas isto pode ser inútil se for no sentido de termos somente compaixão pela sua situação difícil. Quando o amor que temos se efetiva no resgate da mesma para uma nova situação de vitória, podemos chamar isto de graça. Portanto, graça é o amor fluindo, de forma direta, para realizar algo em benefício de alguém em situação de miséria. Sem o amor de Deus como fonte não haveria o fluir da salvação e sem misericórdia não haveria possibilidade dela se efetivar. O amor e a misericórdia são bons, mas a graça traz benefícios diretos, por isso é muito mais preciosa. Graça é o amor de Deus vindo para cumprir algo para o pecador caído, perdido e que perece.
    Em Gênesis 2:16-17, “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”, podemos ver que, desde o princípio, Deus estabeleceu leis para proteger, orientar, limitar e por à prova o amor do homem a Ele. Mas, aqui, não estamos nos referindo a isso, pois quando dizemos “lei” estamos nos referindo à Lei de Moisés, aquela entregue no Monte Sinai.
    Como formas de nos aproximarmos de Deus, a Lei de Moisés e graça são de naturezas totalmente opostas e inconciliáveis. Não poderia haver maior contradição. “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.” (Gálatas 5:4). Mas o próprio autor de Gálatas disse em 1Coríntios 9:21 “… não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo…” A Lei de Moisés mostrava as exigências para sermos aceitos por Deus, mas, melhor que isto, a graça revela que já fomos aceitos por Ele, porém não estamos livres para vivermos conforme achamos que é certo ou errado, pois existem princípios para obedecermos. O apóstolo Paulo não estava se referindo à questão da salvação e sim, aos princípios, fundamentos e chaves gerais da Palavra de Deus. Não podemos cometer o erro de, ao rejeitarmos o jugo dos mandamentos, jogarmos fora também os fundamentos e princípios da Palavra escrita. A premissa da Nova Aliança é que corações quebrantados, renovados, agradecidos e cheios do Espírito Santo irão muito além do “mínimo necessário” estabelecido na lei e, por amor, se comportarão e servirão a Deus. “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:20 ).
    Quando lemos o Evangelho de Mateus, encontramos várias vezes a declaração “disseram aos antigos…”, “ouviste o que foi dito aos antigos…”, “ouviste o que foi dito…”, e junto a ela, uma citação da Lei de Moisés. Era uma forma de dizer que os ensinos que, até então, as pessoas recebiam dos pais, mestres e sacerdotes eram baseados na Lei de Moisés. Mas Jesus, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores, passou a falar com toda autoridade “EU, PORÉM, VOS DIGO…”, “novo mandamento vos dou…”, “Eu, contudo, vos afirmo…”, “por isso, vos digo…”, “em verdade vos digo…”, “em verdade vos afirmo…”, “em verdade, em verdade vos digo…”, indicando uma mudança, uma correção. Se fizermos uma comparação com a Lei de Moisés, veremos que é uma nova forma de expressar a vontade de Deus, sendo muito mais radical. É uma forma perfeita, pois atingiu os motivos e intentos do coração pecaminoso e não dá brechas para a permissividade. Diferentemente da Lei de Moisés, mostra o caminho a ser seguido, com o auxílio do Espírito Santo. Este “Eu, porém, vos digo…” indica que Aquele que criou o universo e os homens, o Autor da Lei, a Lei e Juiz na mesma pessoa, o Rei dos reis, estava ali estabelecendo a base do Seu governo, o Reino de Deus, em confrontação à independência dos homens. Leia em sua Bíblia, principalmente, os capítulo 5, 6 e 7 de Mateus e veja as profundas mudanças que Jesus estabeleceu.
    • Mt 5:21-22 “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.”
    • Mt 5:27-28 “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”
    • Mt 5:38-41 “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.”
    • Mt 5:43-44 “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;…”

    Jesus veio trazer a palavra definitiva de Deus, anulando todas as desculpas e sofismas para justificarem a separação, divórcio, recasamento e poligamia, por causa da dureza dos corações, que os religiosos, inclusive os próprios discípulos, conheciam e defendiam.
    O único modelo que temos a seguir é Jesus Cristo, o Filho de Deus, a graça e a verdade vieram por meio dEle. Quando citamos a poligamia, nos vêm à mente os patriarcas do Velho Testamento. Podemos imitá-los em tantas coisas preciosas de suas vidas, mas é certo que não devemos imitá-los em tudo. Dentre vários casos, citamos Abraão do qual podemos imitar sua fé e sua obediência a Deus, mas para livrar-se da morte, entregou sua mulher a um rei perverso (Gn 12:15-20). Davi cometeu uma barbaridade com Urias e Bate-Seba (2Sm 11). Uma verdade a respeito de todos os homens do passado é esta “Não há justo, nem um sequer” (Romanos 3.10). Mas Cristo veio e com Ele a verdade se tornou conhecida de todos nós. “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo, a ele ouvi.” Mt 17:5.
    Portanto, para o nosso assunto, os cristãos não podem se valer ou alegar ensinos ou casos vindos do Velho Testamento, a não ser os que o próprio Jesus manteve. Não quero dizer com isto, que a Lei, os Profetas e Salmos não sejam importantes, pois conforme 2Timóteo 3:16-17 “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Sem o Velho Testamento seria difícil compreender o Novo e vice-versa. Como disse Agostinho, “O Novo está contido no Velho; O Velho é explicado pelo Novo.”
    Conforme Efésios 2:15, Jesus “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças…”, mas manteve toda a lei moral nos dois mandamentos contidos em Mateus 22:36-40 “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” O fim da Lei é Cristo e estamos no “Eu, porém, vos digo….” da Nova Aliança (Hebreus 8:7-13) que foi selada com o sangue de Jesus, por isso, não podemos usar o Velho Testamento para alegação de poligamia e divórcio (não importa o motivo), caso contrário, para sermos coerentes, teríamos também que aplicar as punições previstas na Lei de Moisés, inclusive os açoites, multas e pena de morte. Gálatas 2:21 “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão”. Gálatas 5:4 “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes”.
    Observe a seqüência das palavras de Jesus ao dizer: “Disseram aos antigos,…” e cita a velha lei, “Eu, porém, vos digo:” citando em seguida a nova lei, a “Lei de Cristo”.
    Compare com Mateus 5:31-32: “Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.” No “Eu, porém, vos digo:“, Jesus só se referiu ao repúdio e não citou o divórcio.
    Deus deseja que haja o perdão, que é uma das bases dos ensinos de Jesus. Antes de escrever sobre o repúdio em Mateus 19, Ele escreveu sobre o perdão no capítulo 18. Para Deus, o perdão precede a separação. O desejo do Senhor é que haja o arrependimento, restauração, amor e, para isso, nos foi dada a provisão poderosa, que é o Espírito Santo habitando em nós e nos capacitando a amar e sermos longânimos. Jesus resgata o valor da mulher, do casamento, da família e estabelece o perdão como o meio pelo qual é possível superar toda a dureza da lei. Portanto, nenhum cristão pode usar a Lei de Moisés como argumento para o divórcio. Os cristãos primitivos viviam como o citado em Atos 2:42 “ E perseveravam na doutrina dos apóstolos….”, na “Lei de Cristo”, no “Evangelho do Reino de Deus”.

  15. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    DIVÓRCIO? NUNCA MAIS!

    No Velho Testamento, o repúdio tinha uma amplitude maior que no Novo, pois a aplicação envolvia coisas diferentes. O repúdio (shalac) estava obrigatoriamente associado ao divórcio (k@riythuwth), (“aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio”).
    Atualmente, a lei de Moisés tem sido invocada pela maioria dos cristãos para justificar o divórcio. Estes rejeitam a guarda do sábado, restrições sobre alimentos, circuncisão, punições, pena de morte, os rituais, sacrifícios, etc., mas estranhamente não se desvinculam da Lei de Moisés, quando o assunto é o divórcio. No princípio, no Éden, no padrão original de Deus, não havia o divórcio, pois este surgiu na Lei de Moisés. Precisamos nos definir: Lei de Moisés ou graça?
    No Novo Testamento, no qual vivemos, os textos citados anteriormente no tópico “Descobrindo o Princípio”, são os únicos que contemplam o assunto do repúdio e após a análise dos mesmos, como fizemos, podemos afirmar que Jesus ABOLIU o divórcio (apostasion), no sentido de dissolução absoluta e legal do vínculo conjugal, ou o distrato legal da sociedade entre cônjuges. A separação ou repúdio (apoluo – libertar do convívio) pode até ocorrer, mas não está atrelada ao divórcio, como no Velho Testamento. Não há orientação e nem aprovação para o divórcio em nenhum lugar do Novo Testamento.
    A palavra “divórcio” aparece somente três vezes no Novo Testamento, sendo a primeira com Jesus se referindo à Lei de Moisés em Mateus 5:31 (“Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.”); a segunda no questionamento dos fariseus em Mateus 19:7(“Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?”) e a terceira em Marcos 10:4(“Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar”). Todas as citações ao divórcio estão no passado, (“Também foi dito…” ou “Moisés permitiu…”) se referindo ao Velho Testamento, e logo após vemos Jesus colocando Seu ensino (“EU, PORÉM, VOS DIGO…”), o Evangelho do Reino de Deus, afirmando a indissolubilidade do casamento. Jesus rejeitou o uso de Dt 24:1 dos fariseus e apresentou o padrão de casamento para seus discípulos na intenção original de Deus, na criação. A carta de divórcio surgiu na Lei de Moisés, mas na lei de Cristo o mesmo não foi incluído, pois Jesus veio restaurar o que foi estabelecido no Éden.
    Após Jesus dizer “Eu, porém, vos digo…”, nunca aparece a palavra divórcio; não há orientação para esta atitude. Portanto, nestes textos, o casamento não foi desfeito e não há liberação para um novo.
    Para qualquer separação, não importando o motivo, prevalece o princípio absoluto do Senhor: “que fique sem casar ou que se reconcilie” (1Coríntios 7:11). Portanto, usar o divórcio no Cristianismo é uma aberração, um absurdo. Outro casamento só é possível para viúvos. Se o separado, utilizando as leis locais, se divorciou e se “casou” novamente, isto se constitui um recasamento, trazendo como conseqüência o adultério.
    O profeta Malaquias expressou um gemido de Deus, uma expressão do Seu sentimento de indignação, quando implorou ao povo de Deus que parassem com o repúdio dizendo “Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio”. Ao lermos Malaquias 2:14 “E perguntais: Por que? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança” podemos observar que Deus está odiando a destruição do casamento, da aliança testemunhada por Ele. O repúdio é a exteriorização de um coração endurecido. O divórcio é conseqüência do repúdio. Se Deus odeia o repúdio, conseqüentemente odeia o divórcio.
    O discípulo de Jesus pode até ser obrigado a se separar e divorciar, devido às leis do país, às decisões judiciais e intransigência do cônjuge, mas em seu coração sempre continuará e se considerará casado e eunuco. O que vai sustentar esta posição não é o fato de ser homem ou mulher, causador ou vítima e sim, se é um verdadeiro discípulo de Jesus ou não. O amor a Deus exige renúncia e sacrifício da razão e vontade própria.

    EUNUCOS

    “Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita” Mateus 19:11-12.
    Este é um ponto fundamental neste tema e não considero digno de crédito um trabalho sobre repúdio, divórcio e recasamento que não aborde a questão do fazer-se eunuco por causa do reino dos céus.
    Pode ser que as circunstâncias tornem impossível a reconciliação. Mesmo havendo arrependimento, às vezes o cônjuge endurece o coração ou, até mesmo, já se complicou profundamente “casando-se novamente”, desapareceu, tem vida promíscua, etc. O Senhor coloca a única alternativa para esta situação: que não se case novamente e assuma uma postura ou atitude de ser eunuco no coração, por causa do reino de Deus e o que passar disto é adultério, pecado.
    Eunuco era um homem castrado, não tinha relações sexuais, que servia de guarda das mulheres do seu dono (Ester 2:3). Havia três tipos de eunucos e quando Jesus disse para se fazer eunuco, “por causa do reino dos céus”, obviamente se referia a uma voluntária atitude de coração. São os cristãos solteiros (homens e mulheres) que se preservam para o dia do casamento; os viúvos e viúvas; os casados que não podem ter relação sexual por causa de doenças, viagens, acidentes, etc., e, também, todos os separados e divorciados que não conseguem a reconciliação. Por temor ao Senhor, permanecem firmes e se guardam no propósito santo de obedecê-Lo e honrá-Lo. Os casados que cogitam em separação precisam considerar seriamente esta questão.
    Normalmente, este assunto não é mencionado pelos conselheiros matrimoniais ou nos trabalhos sobre separação e divórcio, principalmente por aqueles que aprovam o recasamento; se omitem quanto a esta questão citada por Jesus. Porém, a verdade exige a abordagem do “se fazer eunuco, por causa do reino dos céus”. “Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado”, mas os discípulos de Jesus já têm em si o Espírito Santo, que dá esta aptidão, portanto, “quem é apto para o admitir admita”.
    Jesus e os apóstolos nunca aprovaram o recasamento de repudiados, este assunto foi citado por Moisés, mas não existe no Novo Testamento. Esta questão do se fazer eunuco é um forte argumento contra o recasamento de repudiados. Jesus, em Mt 19:9, falou sobre repúdio e os discípulos tiveram uma reação inesperada àquela colocação. Se o que Jesus estava dizendo àqueles homens era sobre uma permissão ao divórcio, que torna as pessoas liberadas a um novo matrimônio, para que então Ele citou, logo a seguir, nos versos 10 e 11, o se tornar eunuco (não ter relações sexuais) por causa do reino dos céus? Na quase totalidade dos casos, aquele que exige o divórcio tem a intenção de se casar novamente. Portanto, divorciar e se fazer eunuco são duas ações que não combinam. Divorciado e livre a um novo matrimônio versus eunuco e impedido de relacionar-se sexualmente, são conflitantes, antagônicos. Se houvesse aprovação para o divórcio e recasamento, Mateus 19:11-12 seria um texto inócuo no Evangelho do Reino. Jesus não falaria coisas sem valor!

    A REAÇÃO DOS DISCÍPULOS DE JESUS

    É importantíssimo o entendimento da reação dos discípulos, quando perceberam a mudança instituída por Jesus. Os dois textos abaixo, se referem ao questionamento que eles fizeram a Jesus:
    • Mateus 19:9-12 “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar”. Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita.”
    • Marcos 10:10-12 “Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”.
    Podemos perceber em Mateus 19:10, que os discípulos se surpreenderam com o que Jesus disse. Esta reação pode nos ajudar a compreender a exceção. Qual seria o conhecimento que os discípulos tinham sobre o assunto até aquele momento, até o confronto com Jesus?
    Naquele tempo, os rabinos divergiam quanto ao assunto relativo à mulher e ao divórcio. Passados milhares de anos após a entrega da Lei por Moisés, a discussão nunca terminava. Pareciam conosco, com os cristãos atuais que ainda estão discutindo forma de batismo, ceia, contemporaneidade dos dons espirituais, arrebatamento, milênio, forma de governo, atuação das mulheres na Igreja, repúdio, divórcio, recasamento, etc. Como se diz por aí: “são todos farinha do mesmo saco”.
    Os seguidores do rabino Hillel (Gamaliel de Atos 5:34 era neto de Hillel), mais liberais, acreditavam que o homem podia repudiar a sua mulher por qualquer motivo. Já os seguidores do rabino Shammai só aceitavam o repúdio se houvesse adultério. Em ambos os casos, havia uma interpretação tendenciosa contra a mulher e a favor do homem e frouxa em relação à aplicação das punições, já citadas anteriormente. Na mente dos discípulos o divórcio e recasamento eram sempre uma possibilidade. Semelhantemente aos fariseus, só não sabiam se podia ser por adultério ou por qualquer motivo. Os discípulos não ficariam chocados se Jesus tivesse dito que o divórcio seria aceitável no caso de adultério ou por qualquer motivo, pois Ele estaria concordando com um dos dois partidos e estaria resolvida a questão. Jesus estaria concordando com o que os discípulos conheciam até aquele momento, com o que consideravam aceitável, normal. A palavra de Jesus provocou um forte impacto porque era mais restrita, mais radical, mais severa, do que os ensinos que os dois rabinos estavam defendendo. Jesus negou essas alternativas e eles ficaram surpresos com este elevado padrão para o casamento.
    Em Marcos 10:11-12, quando Jesus disse “Quem repudiar (1) sua mulher e casar com outra comete adultério (2) contra aquela (3). E, se ela repudiar (4) seu marido e casar com outro, comete adultério”, os discípulos logo perceberam quatro mudanças radicais:
    1. “repudiar”: Quando Jesus só se referiu ao repúdio sem citar o divórcio, estava dizendo que aquela pretensão não era mais possível.
    2. “e casar com outra comete adultério”: Casar novamente com cônjuge vivo é adultério.
    3. “contra aquela”: Agora o adultério não era contra a propriedade de um homem, mas “contra” a própria esposa.
    4. “se ela repudiar”: a mulher agora também podia repudiar e foi elevada ao mesmo patamar masculino.
    Isso era chocante para a época. A reação dos discípulos e a resposta de Jesus evidenciam que eles entenderam muito bem que não havia mais a possibilidade de divórcio e novo matrimônio. Para extravasarem suas insatisfações, eles fizeram uma pirraça: “Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar”. Talvez quisessem dizer: “Jesus está sendo muito radical ao fazer esta exigência absurda!” Jesus, porém, não se abalou e afirmou que este ensinamento não é para todos, mas somente para aqueles a quem Deus o tem dado. Mas havia algo mais restrito ainda, que provocou esta reação.

    JESUS E O PERDÃO

    No Velho Testamento, o divórcio foi permitido porque os homens eram “duros de coração” e incapazes de perdoar. O machismo e o egoísmo não lhes permitiam ficar com uma mulher que tivesse caído em pecado.
    Jesus ao ensinar sobre a oração disse: “… e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;” (Mateus 6:12) e logo após explica o significado desta expressão com os versos 14 e 15 “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas”. Veja outras passagens:
     Mateus 18:21-22 “Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”
     Marcos 11:25 “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas”.
     Lucas 6:37 “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados;”
     Lucas 17:3-4 “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.”
    Assim Jesus definiu a condição e a maneira que o homem receberia o perdão de Deus. Se houver o espírito de falta de perdão entre os filhos de Deus, tudo o que foi aprendido, toda a fé e poder, todas as obras, tudo estará esvaziado, sem sentido e sem valor, pois a aprovação e o perdão de Deus têm uma condição: perdoar. Pedir perdão é mais fácil que perdoar. Quem bate pode até se esquecer do ocorrido, mas quem apanha não esquece. Não é fácil perdoar, e quanto maior a intimidade que temos com aquele que peca contra nós, mais difícil é perdoá-lo. Exigimos muito mais daquele que desfruta nossa intimidade. Como os discípulos já tinham aprendido sobre o perdão, entenderam que qualquer que fosse a situação da mulher teriam que perdoá-la e uma vez perdoada não poderiam alegar motivos para tomarem a iniciativa de se separarem dela e, muito menos, se casarem com outra; por isso reagiram desta forma. Havendo qualquer outra reação, estariam expondo a dureza de seus corações, o que é inaceitável a um discípulo de Cristo. Com o novo padrão estabelecido pela “Lei de Cristo”, o perdão irrestrito, não poderia haver repúdio por causa de adultério, falta de virgindade ou qualquer motivo. O perdão é superior ao repúdio. A reconciliação, através do perdão, sempre será a maneira de Deus tratar com o pecado. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5:8). “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;” (Rm 5:10). “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1João 4:19). Se já estamos reconciliados, isto aconteceu porque Deus nos amou primeiro, tomando a iniciativa e procurando a reconciliação conosco, sendo nós ainda pecadores e seus inimigos. Esta tem que ser a atitude de um discípulo de Cristo.
    Em 1Coríntios 6:11, quando se refere aos impuros, adúlteros, efeminados (homossexuais passivos, enrustidos), sodomitas (homossexuais ativos), etc., o Senhor diz “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”, mostrando assim, que na igreja em Corinto havia pessoas que já estiveram naquela situação e que Deus perdoou aqueles que se arrependeram e que, agora, não exige mais a pena de morte e outras punições do Velho Testamento. Elas conheceram a largura, altura, comprimento e profundidade do amor de Cristo (Efésios 3:18-19).
    No caso de adultério, Jesus também perdoou a mulher surpreendida, conforme o texto de João 8:3-11. Portanto, Deus perdoa aos que se arrependem e requer de nós a mesma atitude. Se o perdão é sem limites, por parte dos discípulos de Jesus, então a que estaria se referindo o texto “exceto nos casos de relações sexuais ilícitas”?

    DEFININDO A EXCEÇÃO

    Amados, alguns afirmam que não há exceção e outros sustentam o contrário. Quem somos nós para contradizermos a Palavra de Deus? Por nós mesmos, pelos méritos e capacidade, nada somos, sabemos e possuímos. Se somos, sabemos e temos algo, é pela graça de Cristo. Por isso, não nos foi facultado proibir ou liberar algo que vá contra a Palavra de Deus. Seja feita a Sua vontade assim na terra como no céu.
    Já vimos que porneia se refere a toda relação sexual ilícita. A própria definição já diz que é ilícita, não é lícito, contrário às leis de Deus e à moral, ilegal, proibido, vedado. Sendo ilícita, não é correta, não é aprovada. Se estiver ocorrendo, deve ser deixada, tem que haver repúdio ao pecado. Não há alternativa, é preciso acabar com a relação sexual ilícita e não com o casamento.
    Nos casos abaixo, as relações não são de esposa com esposo e pela Bíblia não há aprovação por Deus para eles, portanto, não podem continuar. Tem que eliminar o pecado e separar os envolvidos se houver incesto, prostituição, relação sexual de solteiros, adultério.
    A sodomia ou homossexualismo onde um dos parceiros se passa por mulher ou homem, também é pecado. Atualmente, este tipo de relacionamento está ficando comum e alguns grupos cristãos, por causa da permissividade humanista, aceitam e fazem o “casamento” de dupla homossexual. Isto é abominação e tem que haver separação dos envolvidos.
    A bestialidade, que é a relação com animais onde um dos parceiros se passa por mulher ou homem, também é ilícita e tem que haver separação dos envolvidos. Só é lícito o relacionamento sexual no casamento. Portanto, quem repudiar sua falsa “mulher” ou falso “homem” por causa de relações sexuais ilícitas, onde não há casamento aprovado por Deus, está certo, correto. Parabéns, é isto mesmo que tem que ser feito. Porém, quando ocorre o pecado de relação sexual ilícita com os casados conforme os padrões de Deus, o que temos que considerar?
    Creio que, para eliminarmos qualquer dúvida e entendermos plenamente o porquê de Mateus ao não excluir esta parte da frase dita por Jesus e que os outros apóstolos não incluíram, teremos que fazer uma dissecação da mesma e estudá-la parte a parte.

    Textos base e suas subdivisões:
    • Mateus 5:32 “(1) Eu, porém, vos digo: (2) qualquer que repudiar sua mulher, (3 )exceto em caso de relações sexuais ilícitas, (4a) a expõe a tornar-se adúltera; e (5 )aquele que casar com a repudiada comete adultério”.
    • Mateus 19:9 “(1) Eu, porém, vos digo: (2) quem repudiar sua mulher, (3) não sendo por causa de relações sexuais ilícitas), (4b) e casar com outra comete adultério e (5) o que casar com a repudiada comete adultério”
    Podemos observar que os dois versículos são equivalentes.
    Entendendo as partes:
    1. EU, PORÉM, VOS DIGO: (Mt 5:32 e 19:9)
    JESUS, O SENHOR DOS SENHORES, O REI DOS REIS, A AUTORIDADE MÁXIMA, O KYRIOS, estava estabelecendo os princípios do Seu reinado, o Reino de Deus, o Reino dos Céus.
    2. QUEM (QUALQUER QUE) REPUDIAR SUA MULHER, (Mt 5:32 e 19:9)
    Jesus NÃO disse “quem se divorciar de sua mulher”, pois o que está escrito é “quem repudiar sua mulher”. Embora o texto tenha citado um homem repudiando a mulher, o contrário também é possível, conforme Marcos 10:12 (”E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”). O que Jesus tinha em mente não era só o homem separando da mulher, mas, também, a mulher separando do homem.
    3. NÃO SENDO POR CAUSA (EXCETO EM CASO) DE RELAÇÕES SEXUAIS ILÍCITAS
    Não estamos falando de divórcio que anula o casamento e sim, de separação ou repúdio. Esta parte está intimamente ligada à anterior, isto é, consiste de uma extensão do “quem repudiar sua mulher”. A subparte “não sendo por causa” significa dizer que há uma permissão, uma aprovação, uma autorização, devido a uma causa. E qual seria a causa? Obviamente, havendo as relações sexuais ilícitas. Jesus não está se referindo a um problema sentimental, a uma incompatibilidade de gênios, e sim, a um problema moral. Está se referindo a um relacionamento sexual imoral com alguém que é mulher ou homem ou, ilicitamente, se passa como sendo um deles. O casamento é que transforma uma mulher (fêmea) em esposa e o homem (macho) em esposo. Se o relacionamento sexual for com a esposa ou esposo, é lícito e santo. É ilícito, imoral, quando a mulher não é a esposa e o homem não é o esposo, frutos do casamento.
    Quando um dos cônjuges de um casamento legal e aprovado por Deus comete um ou mais dos pecados acima, a solução seria o abandono do pecado e o perdão para o arrependido, pois Deus perdoa aos que se arrependem e requer de nós a mesma atitude. O perdão é sem limites por parte dos discípulos de Jesus. Mas o arrependimento do pecador nem sempre ocorre e não podemos ignorar os sentimentos humanos a respeito de uma traição, desde que não sejam em forma pecaminosa. “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,” (Ef 4:26). A ira e indignação contra uma injustiça é normal e natural, mas não podem se transformar em pecado, em ódio. Os fortes sentimentos, por causa da perfídia, são compreensíveis, mas não plenamente válidos e se assim o fossem, os crimes passionais, vinganças e amarguras teriam que ser aceitos. As Escrituras Sagradas colocam os sentimentos e o ponto de vista de Deus e é neles que temos que nos basear: “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.” (Lucas17:3-4). Este arrependimento significa que houve uma mudança, indica que deixou o pecado. O arrependido produz frutos dignos de arrependimento (Atos 19:18 “Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras.”). Aqueles que continuam traindo estão mostrando que não se arrependeram. É necessário o arrependimento para que haja o perdão, pois este não pode ser dado de forma irresponsável. Para que Deus nos perdoasse de forma responsável, segundo Sua justiça, teve que pagar o preço exigido por Ele mesmo, sofrer o prejuízo da nossa dívida morrendo na cruz e entregando o Seu sangue. Se alguém perdoa uma dívida em dinheiro, automaticamente está sofrendo o prejuízo do valor desta quantia. Se alguém perdoa um cônjuge que traiu e se arrependeu, está sofrendo, em si mesmo, o dano causado pelo pecador. Isto é graça, foi o que Jesus fez por nós. Mas se o cônjuge infiel e imoral persistir no pecado de forma irreversível, não havendo arrependimento (“Estou arrependido”) e acordo em viver uma vida decente, de honra e fidelidade, pode-se entender esta atitude, por parte do mesmo, como abandono e rejeição do casamento.
    A traição conjugal é uma ação destruidora; uma insanidade; um câncer matrimonial. É uma violência contra a pureza e santidade da aliança do casamento, que foi testemunhada por Deus. A perfídia indica uma total falta de caráter e de princípios éticos. É uma ferida profunda na alma e emocionalmente a dor é única e inconfundível. Difícil definir se a dor da perfídia é pior do que a dor da perda de um ente querido ou mesmo da solidão, o fato é que se trata de um sentimento que mistura diversas sensações de desconforto como a tristeza, a mágoa, o sentimento de ser descartável e, além do abalo da auto-estima. Não existe nada mais triste do que ser traído, e nem mais sórdido do que trair. Deus conhece muito bem este sentimento, a história está repleta de casos de traição, sendo Jesus um exemplo vivo do que é ser traído. Judas Iscariotes personificou tal ato.
    É óbvio e inegável que Jesus deixou uma abertura para a separação, mas a limitou às relações sexuais ilícitas. Em Mateus 19:8 está escrito que “… Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio…”. Esta palavra “entretanto” expõe o coração de Deus, revela uma resistência a qualquer iniciativa de separação, pois quer sempre o perdão e a reconciliação.
    Embora não seja a melhor alternativa, a separação é uma permissão graciosa, um bálsamo para a parte inocente. A infidelidade conjugal, em qualquer forma ilícita, violenta de tal maneira a união de uma só carne entre marido e mulher, que Deus, em sua sabedoria e misericórdia, concede um alívio para a vítima inocente com a cláusula excetiva. Devido a esta violência moral e por compaixão, Jesus permitiu a separação, mas não a anulação do casamento. O separado não se transformou para a condição de solteiro para que haja novo matrimônio. Deus, que foi testemunha, não esqueceu a aliança.
    Agora podemos entender porque Jesus usou uma palavra de sentido amplo (porneia), pois fez uma mudança radical. Na Lei de Moisés havia repúdio e divórcio para a questão da virgindade. Para as demais relações sexuais ilícitas havia, conforme o caso, a pena de morte, impedimento de casamento ou obrigação de permanecerem casados até a o fim da vida. A pena de morte e o impedimento de casamento refletiam a gravidade destes pecados; a carta de divórcio e a obrigação de permanecerem casados até ao fim da vida expressavam a proteção de Deus contra a injustiça e desonra no casamento. Jesus mudou isto, mas manteve a seriedade e o alto conceito do casamento. Ele aboliu a pena de morte e o divórcio, mas sustentou a gravidade destes pecados ao manter o repúdio, estendendo-o a todos os casos de relações sexuais ilícitas e incluindo a mulher neste direito. As relações sexuais ilícitas foram reprovadas no Velho e continuam sendo abomináveis no Novo Testamento. Por isso é incorreto limitar “porneia” a somente um dos casos, pois assim os demais seriam lícitos.
    4. a) A EXPÕE A TORNAR-SE ADÚLTERA; (Mateus 5:32)
    A separação expõe o cônjuge ao adultério, pois assumir uma postura ou atitude de ser eunuco no coração, por causa do Reino de Deus, não é fácil e requer fé, temor, sacrifício e obediência. O próprio Jesus advertiu “Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado” (Mateus 19:11).
    b) E CASAR COM OUTRA COMETE ADULTÉRIO (Mateus 19:9)
    Como não estamos falando de divórcio que anula o casamento e sim, de separação ou repúdio, o(a) casado(a) que separou, não importa o motivo, e casou com outra(o), comete adultério. Não é a separação que causa o adultério, mas sim a união com outra pessoa, após a separação, pois a mesma não ficou solteira e nem livre para se casar.
    Nem todos nasceram de novo e vêem o Reino de Deus (João 3:3). O que temos observado é a pessoa separada resistir por certo tempo, uns mais, outros menos, mas a solidão, desejos sexuais, os incentivos de amigos “bem intencionados” ou as ofertas permissivas dos religiosos humanistas, geram uma situação tão angustiosa que a levam a criar ou adotar, por conveniência, um dos sofismas e logo se “casa” novamente, cometendo o adultério. Um alerta aos “bem intencionados” e aos religiosos humanistas: fazer com que outro tropece e se perca é pecado (Mateus 18:6) e não ficará impune.
    5. E O QUE (AQUELE QUE) CASAR COM A REPUDIADA COMETE ADULTÉRIO.
    O assunto aqui é o repúdio e não o divórcio. “O QUE CASAR” está se referindo a alguém, não importando o seu estado civil, isto é, se é casado, solteiro ou viúvo. Jesus está dizendo que se alguém se casar com uma pessoa que já se casou e está separada, repudiada, comete adultério, porque o casamento da mesma ainda não terminou. Jesus aboliu o divórcio, a anulação do casamento.

    Observem que João, Paulo, Lucas e Marcos, que ministraram em diversas igrejas constituídas em cidades pagãs, não lhes mencionaram as palavras divórcio e exceção. Se houvesse motivos liberados por Jesus para o divórcio e recasamento, poderíamos considerá-los como omissos, inconseqüentes, descomprometidos com a verdade, etc., ao omitirem coisas que seriam tão importantes. Da mesma forma, pelo fato de somente Mateus ter citado o termo exceção e pelo mesmo ter escrito basicamente aos judeus, alguns questionamentos poderiam ser feitos: Por que somente os judeus teriam esta prerrogativa e os gentios não? Será que Deus fez acepção de pessoas, ao conceder um direito aos judeus e omitindo-o aos gentios? É obvio que não. Os apóstolos não foram omissos e nem houve acepção de pessoas, o que vem reforçar a inexistência do divórcio, de que os cristãos atuais se valem para o recasamento.
    Segundo o contexto de Mateus 19:3-12, os fariseus ao perguntarem “É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?”, estavam montando uma armadilha para forçar Jesus a tomar partido por um dos rabinos e, com isso, continuarem com suas práticas erradas. A resposta de Jesus foi uma reafirmação da estabilidade do casamento, isto é, a sua indissolubilidade. Ele não tomou partido nem de Hillel (repudiar e divorciar por qualquer motivo) e nem de Shammai (só por adultério), pois não incluiu o divórcio no Evangelho do Reino. Estas citações de Jesus dão ênfase ao fato de que o recasamento depois da separação constitui um adultério. Jesus está dizendo com isso, que casamento é coisa séria e não se pode fazer uma aliança desta magnitude de forma irresponsável, só pela paixão, sem conhecer muito bem o futuro cônjuge.

  16. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    RECONCILIAÇÃO

    É possível reconciliar com o “ex-cônjuge”, mesmo estando separado, divorciado ou recasado? Talvez esta dúvida tenha surgido por causa da permissão do divórcio na Lei de Moisés e do impedimento da mulher, que recebeu a carta de divórcio e se casou com outro homem, em ser desposada pelo primeiro marido que a despediu, conforme Deuteronômio 24:4 “então, seu primeiro marido, que a despediu, não poderá tornar a desposá-la para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois é abominação perante o SENHOR; assim, não farás pecar a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança”. Este texto mostra a irrevogabilidade da carta de divórcio do Velho Testamento.
    Acredito que já foi esclarecido que não estamos mais vivendo sob a Lei de Moisés e sim na Lei de Cristo. Na Lei de Cristo não existe o divórcio e sendo assim, o cônjuge vivo nunca pode ser chamado de “ex”, pois nunca deixou de ser o legítimo. Na lei dos homens estão divorciados, mas para Deus continuam casados.
    O Evangelho é vida e restauração; anuncia o perdão e a reconciliação; paz com Deus e com os homens (1Coríntios 7:10-11). Deus quer, através de Cristo, restaurar as famílias e esta é a nossa missão, esforço e mensagem. “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10). O diabo é o adversário e seu objetivo é destruir as obras de Deus, mas Jesus veio para destruir as suas obras. “Deus faz que o solitário more em família…” (Salmos 68:6) e “Não é bom que o homem esteja só;…” (Gênesis 2:18). Deus quer unir as pessoas em família e o adversário quer fazê-las solitárias. A separação é contra o propósito eterno de Deus, por isso o diabo trabalha com objetivo de destruir as famílias. Um dos temas centrais das Escrituras é a reconciliação de Deus com os homens. Em 2Coríntios 5:18-20 “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” mostra que no coração do Pai predomina o perdão e a reconciliação e a nossa missão é esta, por isso nos deu o “ministério da reconciliação” e nos confiou a “palavra da reconciliação”.
    Em 1Coríntios 7:10-11 “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido)…” o Senhor está reafirmando que a reconciliação é a alternativa correta para os separados. Se forem casados e estão separados, Deus quer a reconciliação. Se “casaram novamente”, precisam abandonar o falso cônjuge, o adultério, e reconciliarem com o legítimo ou então ficarem como eunucos.

    CASOS PRÁTICOS: SEPARAÇÃO EXPLÍCITA E IMPLÍCITA

    Pode ser do crente a iniciativa de repudiar, após todo o esforço de reverter a situação, quando o cônjuge comete, obstinadamente, promiscuidade sexual fora do casamento. Mas, se a iniciativa for do cônjuge incrédulo, podemos verificar que a separação pode ocorrer em duas situações práticas.
    Na primeira, ocorre de uma forma clara e explícita. O cônjuge incrédulo (morto em seus delitos e pecados, rebelde, independente, louco, insubmisso e ingovernável), deliberadamente, com ou sem motivos, podendo ser até devido à conversão do outro, resolve ir embora, dividir-se, apartar-se, afastar-se, separar-se, deixando a casa e o convívio. Como segurar uma pessoa assim? Amarrá-lo dentro de casa? Trancá-lo numa jaula? Não adianta, pois seu coração já repudiou o cônjuge e está longe. Paulo deixa claro que “se” o incrédulo se apartar, o cônjuge crente deve apartar-se, pois Deus vos tem chamado à paz.
    Verificamos isto através do texto de 1Coríntios 7:15-16, que pode ser dividido em três partes: “Mas, se o descrente quiser apartar-se (chorizo), que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão (douloo) nem o irmão, nem a irmã (1); Deus vos tem chamado à paz (2). Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?” (3).
    Podemos observar, pela divisão, que uma parte completa a outra; estão tratando do mesmo assunto. Este texto nos sugere uma cena onde está havendo um conflito matrimonial. Na parte (1), o incrédulo está querendo desertar, ir embora, e o cônjuge fiel, amoroso, compromissado com a aliança matrimonial, as obrigações conjugais, a família e a salvação dele (3), está tentando de todas as formas segurá-lo e o mesmo reage de forma negativa, levando a conflitos na alma do crente e dentro do lar. Pela revelação da Palavra que ele possui, sabe que, se o incrédulo deixar este convívio de santidade, estará perdendo, talvez, sua única oportunidade e dificilmente escapará do fogo do inferno, além de acarretar problemas com os filhos. Sentimentos de impotência, desespero e culpa invadem o coração do crente, gerando uma situação negativa de servidão a este desejo, a esta luta, a esta obrigação conjugal, a este compromisso supremo com Deus. Uma servidão amorosa e positiva se tornou negativa, conflituosa. Tudo isto provoca a perda da paz (2). A orientação de Paulo a esta situação foi “Deus vos tem chamado à paz” ou pare com esta luta, com esta guerra, pois mesmo que o incrédulo continue em casa, não há certeza que ele será salvo (3). Deixe-o ir embora e continue firme no seu propósito supremo de servir a Deus! Por causa do pecado, o casamento abençoado e feliz se tornou em escravidão.
    Esta palavra “servidão” está dizendo que, nesta experiência e não no casamento em si, maior é o sofrimento de viver com o incrédulo, do que sofrer seu abandono. Portanto, se o incrédulo insiste em afastar-se, separar-se, apartar-se (chorizo), então o cônjuge crente não está obrigado a viver em conflito perpétuo com ele, mas é livre e inocente para deixá-lo partir. O crente não deve se sentir culpado, envergonhado ou ansioso. Nestas circunstâncias, deve aceitar e submeter-se à providência divina. Acima de tudo, o crente tem paz com Deus através da justiça de Jesus Cristo (Rm 5:1), e o fruto do Espírito é a paz (Gl 5:22). Deus chama à paz os cônjuges cristãos que estão rejeitados, porque em Jesus Cristo – o Noivo Fiel – são amados e supridas todas as suas necessidades. Ele está sempre conosco e jamais nos desamparará.

    Na segunda, acontece de uma forma implícita, subentendida, cabendo interpretação. A separação não é apenas física. Há muitos casais que vivem juntos, debaixo do mesmo teto, mas são comuns os espancamentos, desrespeito, comumente seguidos de promiscuidade sexual fora do casamento, que, às vezes, trazem doenças incuráveis; cônjuges viciados e descontrolados emocionalmente que cometem abusos físicos e morais, normalmente contra a mulher, e muitas delas são estupradas, sendo verdadeiros objetos sexuais e “sacos de pancadas”. Um cônjuge violento leva a vítima até a denúncia em órgãos policiais, devido ao risco de vida, cansaço e sofrimento. Tudo isto conduz o casamento a uma situação angustiosa e a muito conflito, fazendo com que uma servidão voluntária e feliz, se torne em um verdadeiro inferno. “Deus vos tem chamado à paz” (1Co 7:15).
    Esta convivência pode ser tão sofrida, perigosa e inviável que não deixa outra saída que não seja a separação. No entanto, essa separação nunca deve ser provocada ou causada pelo cônjuge crente. O crente não pode ser pedra de tropeço. Este, sob o amparo da Igreja, deve, por todos os meios, com longanimidade, tentar corrigir a situação, perdoar e dar novas oportunidades. “Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe” (Lucas 17:3-4). Mas, em uma situação irreversível, esgotadas todas as possibilidades de convívio, apagados todos os vestígios da servidão conjugal (embora seja difícil chegar a esta conclusão; isto requer oração, aconselhamento e acompanhamento), não havendo arrependimento (significa que há reincidências) e o incrédulo não aceite viver uma vida decente, de honra e fidelidade, pode-se entender esta atitude, por parte do mesmo, como abandono implícito do casamento. O incrédulo, através de suas atitudes, demonstra que, em seu coração, já repudiou o seu cônjuge e está em outro modo de vida. No coração já foi embora, mas permanece em casa de forma insensível, sem reciprocidade, egoisticamente, sem cumprir suas obrigações conjugais, só para aproveitar os benefícios da servidão do cônjuge fiel. Assim sendo, o incrédulo provocou, buscou, isto é, tornou-se o responsável pela separação.
    No caso de abandono explícito e implícito, o crente está isento das suas obrigações conjugais, isto é, da servidão e não do casamento. Estará separado, mas não solteiro e nem livre para se casar novamente, pois o cônjuge continua vivo. Mas isso não quer dizer que se está impondo de forma definitiva um voto de castidade e solidão, nem tão pouco o impedimento do perdão, pois o Senhor coloca uma abertura de reconciliação. Para qualquer separação, não importando o motivo, prevalece o princípio absoluto do Senhor: “que fique sem casar ou que se reconcilie”. A direção dada por Deus é buscar e aceitar a reconciliação ou ficar como eunuco.

    PRINCÍPIO PARA SEPARAÇÃO, DIVÓRCIO E RECASAMENTO

    Deus se baseia e se conduz por princípios santos e soberanos. Um princípio é um fundamento, a base, a idéia central que orienta a formulação de outras idéias. Portanto, após detalharmos a ORDEM E A EXCEÇÃO, segundo a doutrina dos apóstolos, finalmente, podemos escrever O PRINCÍPIO para a separação, divórcio e recasamento:
    Para o discípulo de Jesus há possibilidade de separação, se a iniciativa for do cônjuge ímpio ou no caso de relações sexuais ilícitas, mas o divórcio não é aceito. Havendo separação e estando vivo o cônjuge, não haverá novo matrimônio, pois será adultério, tanto para o homem quanto para a mulher. Em qualquer situação, Deus deseja a reconciliação.

    Embora a Escritura Sagrada tenha sido dada a toda a humanidade, a sua aplicação prática demanda fé e obediência. Este padrão de Deus para o casamento foi aplicado também em incrédulos, pois não é um padrão pós-conversão, mas desde a criação. Mas a aplicação de seus princípios aos incrédulos seria impraticável, mas aos discípulos de Jesus ela torna-se imperativa. Ser homem ou mulher, jovem ou velho, não são condições imprescindíveis para a efetivação plena deste princípio, pois isto só é possível a um verdadeiro discípulo de Cristo.
    Ao demonstrar este princípio, surge em minha mente uma preocupação. Da mesma forma que a submissão ao marido, a vara aplicada na disciplina dos filhos, a obediência aos pais e autoridades, a virgindade para o moço e para a moça e tantas outras coisas mais, se tornaram ultrapassadas e ridículas para a sociedade humanista, e ao Cristianismo sem Cristo, o princípio acima pode, também, soar desta forma. Parece ridículo aos tempos atuais. Para os cristãos atuais, isto não parece ser moderno. Parece ser coisa ultrapassada, antiga, desprezível. Hebreus 13:8 “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”. Ele quando diz “Eu, porém, vos digo…”, está afirmando a Sua autoridade e governo. Cabe a nós, portanto, a submissão absoluta a Ele.
    Sustentar a indissolubilidade do casamento e a posição de se tornar eunuco por causa do reino de Deus parece insuportável e inaceitável. É muito mais fácil negociar sobre estes princípios, torcê-los para amoldá-los a uma forma mais agradável e popular, só que isto torna o Cristianismo em uma ideologia humana e não uma revelação divina. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;” (Cl 2:8-9).

    CRISTO REINSTITUIU O CASAMENTO

    Cristo quando responde aos fariseus dizendo que “no princípio não era assim”, por esta palavra, mentalmente voltou através da história, ultrapassando o período da lei em Moisés e chegou até o tempo do Jardim do Éden, onde o propósito original de Deus foi implantado.
    O propósito eterno de Deus sempre foi o de criar uma grande família de filhos semelhantes a Jesus, o Filho de Deus. Para isso, criou o homem à sua imagem e semelhança e instituiu o casamento com o objetivo de trazer felicidade (Gênesis 2:24), companheirismo, equilíbrio emocional, santa descendência (Malaquias 2:15) ao homem e à mulher e fazer a multiplicação da espécie para formar a grande família. Tudo isto foi realizado antes da queda do homem, a qual trouxe a alienação de Deus. As conseqüências do pecado estão inevitavelmente ligadas ao surgimento das desavenças entre os homens e entre o casal trouxe o repúdio, que é um sintoma de grave problema espiritual.
    Os crentes do Velho Testamento tinham o exemplo de Deus para seguir, pois Ele usou o seu relacionamento com Israel como um modelo do casamento. Israel era sua única esposa e Ele se deu a si mesmo como um marido exemplar. O tema casamento estava totalmente desvirtuado do propósito original, por isso Jesus teve que colocar um fim naquela confusão e o reinstituiu, ao trazê-lo novamente ao que Deus havia planejado. Jesus apagou todas as desculpas para o divórcio e poligamia. Ele insistiu que o plano indissolúvel e original do nosso Pai para o casamento, conforme estabelecido no Éden tinha total precedência sobre todas e quaisquer tolerâncias da lei que os fariseus alegavam e questionavam.
    O Espírito de Cristo anulou toda pretensão de poligamia ao revelar que outro casamento com o cônjuge vivo é adultério. Certamente, os apóstolos tiveram que enfrentar esta situação. Qualquer pretensão foi descartada com o “deixar o homem pai e mãe”, pois casamento é coisa para solteiros e desimpedidos e não para casados. Os textos a seguir (não deixe de conferir em sua Bíblia) mostram sempre uma só esposa e um só esposo, isto é, a monogamia: Mt 5:32; Mt 18:25; Mt 19:3-10,29; Mc 10:2,6-12; Mc 12:19; Lc 2:5; Lc 14:26; Lc 16:18; Lc17:32; Lc 18:29; At 5:1,7; At 18:2; At 21:5; Rm 7:2-3; 1Co 7:2-4, 1Co 7:10-16, 1Co7:33,34,39; 1Co 11:3; 2Co 11:2; Ef 5:23-25,28,31,33; Cl 3:18-19; 1Pe 3:7; Ap 21:9.
    Portanto, poligamia (homens com várias esposas) e poliandria (mulheres com vários esposos) são pecados. Cada uma dessas relações constitui adultério. Destaco, em especial, os textos abaixo, que reforçam esta posição, colocando como padrão de Deus, o ser esposo de uma só mulher e mostram a repreensibilidade da condição de múltiplos matrimônios, sendo que o recasado não deixa de estar nesta condição.
    Alguém irrepreensível significa que não pode ser repreendido, pois é correto, perfeito, imaculado. Irrepreensível não é aquele que não erra, mas aquele que reconhece e abandona o erro, nega a si mesmo, se humilha diante de Deus e dos homens. Portanto, se um homem é polígamo e uma mulher poliandra, são repreensíveis. Assim sendo, a Palavra de Deus aponta o erro às pessoas que estão nesta situação:
    1Timóteo 3:2 “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;”
    1Timóteo 3:12 “O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.”
    Tito 1:5-7 “… constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus,…”
    A palavra “seja” está no imperativo e aponta para exigências a um pretendente ao episcopado ou a uma autoridade eclesiástica já constituída. Indica que não é algo ainda a ser alcançado e que não pode ser perdida. O pretendente já tem que possuir estas qualidades. Muitas igrejas estão pagando um preço muito alto por desprezarem estas exigências na ordenação de novos presbíteros e diáconos. Mas é um erro pensar que estas exigências são apenas para os líderes. Pedro quando disse “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo…” e “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real.” (1 Pedro 2:5,9), está afirmando que todos, líderes ou não, são sacerdotes santos, separados, exclusivos, pertencem somente a Deus. Portanto, este padrão de conduta, estas qualificações, deve ser alcançado por todos os crentes. Os presbíteros e diáconos são aqueles crentes maduros, provados, separados por Deus e que já possuem estas qualificações, não estão em pecado e não têm estes defeitos de caráter e conduta. O pecado é condenável em qualquer pessoa; por isso, os textos acima estão colocando um padrão de excelência; é o que já se espera de um servo de Deus, aquilo que todos devem alcançar.
    A poligamia fazia parte da cultura da época, por isso seria “tapar o sol com a peneira” dizermos que não havia polígamos se reunindo com os crentes. A graça de Deus se estende a todos; Jesus morreu por todos os pecadores, inclusive os polígamos. A questão é se eles estavam aprendendo que tudo aquilo era normal e que podiam continuar naquela situação. Devido Paulo ter colocado esta exigência de “esposo de uma só mulher” ou “marido de uma só mulher”, alguns insinuam que na igreja primitiva havia polígamos ou recasados (divorciados que contraíram novo matrimônio) em perfeita comunhão com os demais irmãos. Se analisarmos estes versículos isoladamente, estas insinuações podem parecer verdadeiras, mas, baseados no que Paulo escreveu em suas epístolas, constatamos que não condizem com o que ele pregou em Romanos 7:2-3; 1Coríntios 7:10-11 e 39. Sabemos que a poligamia e o recasamento constituem relações adúlteras, por isso faremos alguns questionamentos que nos ajudarão a clarear a verdade:
    • Estaria Paulo tolerando estas pessoas adúlteras como membros em perfeita comunhão com o Corpo de Cristo, a ponto de haver necessidade de impedi-los a se tornarem líderes, através destas exigências?
    • Para serem líderes não serviam, no entanto podiam ser apenas membros da Igreja, continuando no adultério?
    • Estaria Paulo dizendo que somente os presbíteros e diáconos não podiam ser esposos de mais de uma mulher, mas os outros crentes tinham esta permissão? Sendo assim, por que estes teriam estas prerrogativas e a autoridade não? Por que esta diferença se Paulo admoestou a todos a serem seus imitadores? “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores.” (1Co 4:16); ”Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” (1 Co 11:1). Paulo, sendo uma autoridade, obviamente se enquadrava nas exigências. Ele se colocou como um modelo em que todos deveriam se amoldar e isto inclui os presbíteros, diáconos e os demais discípulos. Isto significa que havia uma só direção, um só padrão de conduta para todos.
    Imaginemos o dia a dia ou mesmo uma reunião da igreja primitiva com os homens chegando com suas várias mulheres e Paulo calado, aprovando tudo, achando normal. Certamente, isto não aconteceu. Pelo Novo Testamento não temos base para sustentar uma coisa destas e o ensino de Paulo contra a impureza entre os crentes, relatado em 1Coríntios 5:11-13, atesta sua posição exigente contra as relações sexuais ilícitas: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro (pornos), ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor.”
    Embora não seja um relato bíblico, reproduzo o comentário de 1Timóteo 3:2-5 da “Bíblia de Estudo Vida” que pode nos auxiliar na compreensão destas exigências: “Paulo provavelmente não pretendia que a lista fosse exaustiva, mas queria assegurar que os líderes das igrejas fossem realmente capazes de liderar. Também queria mostrar à sociedade em geral que a igreja era uma instituição respeitável. Ele menciona qualidades que os gregos admiravam e usavam em suas listas de qualificações para cargos de liderança.” A poligamia era proibida na Grécia antiga, sendo considerada bárbara. Para nós os ocidentais, talvez esta seja uma questão já resolvida e muito clara, mas para os cristãos na África, Ásia e Oriente Médio a situação não é a mesma, por isso precisamos ter convicção sobre este assunto.
    Portanto, somente no tempo de Cristo é que o assunto casamento foi finalmente esclarecido. Foi Jesus quem aboliu o divórcio e múltiplos matrimônios e reinstituiu o casamento recompondo-o dentro de suas perspectivas iniciais. Desde o começo, era a intenção plena de Deus que os casais permanecessem juntos até a morte. O plano de Deus é o casamento ser indissolúvel.
    O fim da lei é Cristo e estamos na Nova Aliança; por isso, não podemos usar o Velho Testamento para alegação de poligamia e divórcio, por qualquer que seja o motivo, caso contrário, por coerência, teríamos que cumprir toda a Lei de Moisés, inclusive as punições.
    Jesus deu habilidade e condições, através do Espírito Santo, a todos os crentes da Nova Aliança para que fizessem de seus casamentos um sucesso. Se houver no casal o fruto do Espírito, conforme Gálatas 5:22 “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”, nunca haverá separação. O próprio Deus na Nova Aliança (Hebreus 8:7-13), habitando no coração do homem, lhe dá capacidade para ter um casamento estável e uma família feliz.
    Na reinstituição do casamento, Jesus estabeleceu várias mudanças entre as quais destacamos:
    • Aboliu a pena de morte, açoites e multas para o caso de relações sexuais ilícitas;
    • Instituiu o perdão irrestrito entre marido e mulher;
    • Restabeleceu a indissolubilidade do casamento até a morte de um dos cônjuges;
    • Aboliu o divórcio;
    • Aboliu a poligamia;
    • Manteve o repúdio, no caso de relações sexuais ilícitas ou por iniciativa do cônjuge incrédulo;
    • Aboliu a exclusividade masculina ao direito de repudiar, estendo-o à mulher.
    • Estabeleceu a igualdade de direitos entre o marido e a esposa;
    • Diferenciou o grau de autoridade e funções do marido e da esposa, dentro do lar;
    • Aboliu o recasamento de repudiados, considerando-o como adultério;
    • Permitiu a reconciliação;
    • Criou as opções ao separado de permanecer como eunuco ou perdoar e reconciliar.

  17. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    UM POUCO SOBRE A INFLUÊNCIA DO HUMANISMO NO CRISTIANISMO

    O apóstolo Paulo nos adverte com muita clareza: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” (Colossenses 2:8-9). Este é um alerta quanto ao perigo de sermos enrolados ou presos na rede das filosofias, religiões e tradições que destacam a sabedoria e importância do homem à parte de Deus e de sua Palavra. Infelizmente, o Cristianismo se descuidou e foi invadido por sofismas e a grande fonte disto foi o desvio do tema central da Bíblia, substituindo o REINO DE DEUS pelo HUMANISMO.
    O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, coroa da criação, foi feito para refletir a glória do Criador. Para Ele a humanidade é valiosíssima e nos Salmos 49:7-9 mostrou muito bem o seu valor: “ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate (Pois a redenção da alma deles é caríssima…”. O preço de toda a humanidade correspondia ao seu resgate, o qual ninguém podia pagar. Então Deus, por amor e para satisfazer Sua justiça, teve que pagar a Si mesmo o valor exigido, o qual foi revelado em Jo 3:16 “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (Jo 3:16). Só a vida e o sangue de Jesus (Hb 9:22) cobriu este valor. Foi caríssimo! Custou a vida do Justo! “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Co 6:20). Deus ama a humanidade, mas “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.” (Ec 7:29).
    O Todo Poderoso criou o universo e tudo que neles há, porém, o ser humano, desconsiderando isto, se julga independente, sábio, astuto e poderoso, mas diante da grandiosidade, da infinidade de Deus, não passa de um verme mortal, insignificante, “são por ele reputados em nada” (Daniel 5:35). Ele tem se considerado superior ao próprio Criador. O apóstolo Paulo revela qual é a posição do homem em relação a Deus quando diz em Romanos 9:20 “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” Oriunda da independência e arrogância humana, a filosofia humanista com todas as suas derivações colocou os interesses do homem como o centro de todas as motivações e uma grande parte dos cristãos tem trilhado este caminho.
    A tendência da humanidade entregue a si mesma, por causa de sua natureza decaída, é se afastar do seu Criador e criar subterfúgios para agradar a si mesmo; por isso, em princípio, o mundo sempre foi humanista. O princípio humanista foi o que Satanás ofereceu a Adão e Eva, que levou o homem a acreditar que pode ser igual a Deus (Gn 3:5). Ela coloca o homem e sua felicidade como o centro de todas as coisas, isto é, a auto-realização do homem, sua auto-satisfação e seu prazer são o supremo bem da vida.
    Para termos uma idéia para onde estamos caminhando e compreendermos este procedimento dos cristãos, creio ser necessário, mesmo em uma forma simplista, entendermos as causas do declínio do poder da igreja exposta no Novo Testamento, para a decadência da Era Medieval, que foi o impulso para o surgimento e sucesso do Humanismo como movimento organizado na Europa.
    Ao lermos sobre as condições da igreja na época da Reforma Protestante, ficamos abismados e somos levados a nos perguntar: Como é que os cristãos ficaram tão cegos para com a verdade? Como eles podiam acreditar que aquilo que viviam era o verdadeiro Cristianismo? Como chegaram até aquele ponto? Como num ciclo repetitivo, de ascensão e queda, parece que estamos vivenciando o mesmo problema hoje, mas com o agravante da rapidez da disseminação, através da tecnologia de comunicação, dos sofismas e heresias, que é motivo de preocupações.
    Estudando a história da Igreja, observamos que as mudanças não aconteceram de uma só vez. Da morte dos apóstolos até a época da Reforma as mudanças aconteceram de forma lenta, sutil e gradativa. Paulatinamente, preceito sobre preceito, que Deus já tinha dito pela boca dos seus santos profetas desde a antigüidade, foram sendo perdidos. Creio que o principal motivo desta queda foi o sincretismo religioso, a combinação dos princípios cristãos com os pagãos. Sincretismo é a intenção de combinar, fundir ou conciliar duas espécies de fé diferentes e estranhas, e fazê-las uma só. A história de Israel está cheia de sincretismo religioso e revela que Deus não suporta isto (Sofonias 1:4-6). Daquela igreja onde inicialmente havia uma dedicação total ao Senhor e uma comunhão profunda dos santos, com um estilo de vida completamente diferente do mundo, por isso perseguida, vimos uma transformação, tornando-se bem ao gosto popular. De uma vida de total separação das coisas do mundo para a aceitação de impurezas, valores e rituais estranhos à Palavra de Deus. Isto se evidenciou nos tempos do imperador Constantino. Este fez paz com a Igreja, instituiu o Cristianismo como religião oficial do Império Romano, porém, se intrometeu nela. Daí em diante, foi um crescente de decadência espiritual e moral, com a difusão do sincretismo religioso.
    A expressão mais clara da filosofia humanista provavelmente ocorreu na Grécia e em Roma. O pensamento greco-romano era baseado principalmente na razão e na própria habilidade do homem para controlar seu destino e sua sorte. No século XIII, nos fins da Idade Média e começo da Idade Moderna, devido ao descrédito do Cristianismo da época, que prendia, torturava e matava pessoas que lhe opunha, o pensamento humanista greco-romano ressurgiu fortemente através do movimento denominado “Renascimento”. Este propunha a ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado, considerado agora como fonte de inspiração e modelo de civilização. Como uma doença oportunista, que infecta quando a resistência de um indivíduo se encontra diminuída, este movimento logo influenciou o falido Cristianismo da época, fazendo com que as Escrituras e a Lei de Deus fossem postas de lado. Vemos então o agravamento da situação devido a igreja estar sendo gerenciada por mercenários que não se importavam pelo rebanho, mas apenas pela sua posição política e financeira. Temos, então, uma igreja escrava das tradições dos homens. Ela que começou sendo perseguida pelo mundo, tornou-se perseguidora dos pagãos e as Cruzadas e Inquisição encheram as páginas da sua história com horrores inacreditáveis. A intimidade com Deus foi perdida, surgindo então a necessidade de se produzir liturgias e formas de oração, pois na falta de comunhão precisaram de receitas para repetir, pois não sabiam nem orar. A falta de intimidade com Deus levou os cristãos a confiarem em homens, inclusive naqueles que já haviam morrido, cultuando-os, invocando-os, pedindo-lhes favores em suas rezas, contrariamente a Dt 18:10-12. Os edifícios da igreja se tornaram maiores e mais decorados, espirais decorativas, adotadas dos templos pagãos dedicados ao Sol, tornaram-se ornamentação característica. Os serviços religiosos se tornaram solenes, pomposos e impressionantes. Os cultos eram voltados para agradar aos homens e não a Deus. O homem era o centro do Cristianismo.
    As autoridades eclesiásticas, intitulando-se os representantes exclusivos de Deus sobre a Terra, através do medo e terror, usavam desses supostos poderes para ameaçar, perseguir e matar, mantendo assim as pessoas debaixo de seu jugo opressor. A instituição chamada “Igreja” proibiu a leitura da Bíblia e monopolizou o saber. O povo era mantido em profunda ignorância do ponto de vista espiritual, científico e cultural, sendo assim facilmente dominado pelo medo. O que era para trazer libertação do medo da morte e reconciliação com Deus, veio trazer a escravidão à humanidade. Qualquer manifestação científica que viesse de encontro ao conhecimento do clero era tachada de heresia com ameaça de morte.
    “Do ponto de vista econômico e social, a igreja era dona de mais de um terço de todos os bens naturais na Europa e cobrava um tributo anual obrigatório de cada pessoa, quer fosse de posição ou não, obtendo, desta forma, enorme soma de dinheiro de todos os países. A igreja era um super estado que tinha em seu poder, tanto os grandes como os insignificantes governantes da Europa.”
    O clima propício para questionamentos, mudanças e revoltas estava montado. O teocentrismo bíblico, o Reino de Deus, foi maculado pelas obras malignas de seus representantes. Deus, como Senhor e centro de todas as coisas, foi substituído pela instituição “Igreja” com seu poder secular, hierarquia, rituais e dogmas. Deixou Deus e migrou para a instituição humana como centro. Os princípios de Deus foram esquecidos ou deturpados e a igreja se tornou humanista, como norma de conduta ou opinião predominante.
    É óbvio que isto não podia continuar. Nas situações extremas de corrupção, Deus sempre atua de forma radical, como nos tempos da torre de Babel, Noé, Sodoma e Gomorra, nos tempos de Moisés no antigo Egito, na depravação do povo de Israel e na época de Jesus. Mesmo no meio da corrupção, Deus é fiel e nunca deixa a luz da Sua verdade se apagar completamente. Em todas as gerações tem havido um remanescente fiel de crentes que não tinham medo de pedir uma visitação de Deus. Inicialmente, num grande avivamento, homens, como Martinho Lutero e outros, foram levantados por Deus para o início do resgate dos Seus princípios.
    Devido aos desvios e descrédito do Cristianismo, e ao Renascimento, surgiu no mundo, praticamente junto com a Reforma Protestante, um organizado movimento filosófico de valorização das habilidades e natureza humana denominado de “Humanismo”. Este como sistema filosófico organizado é relativamente novo, mas seus fundamentos são antigos e podem ser encontrados nas idéias de filósofos gregos clássicos, bem como no Confucionismo chinês.
    No final do século XV, a Europa passava por grandes mudanças provocadas por invenções como a bússola, pela expansão marítima que incrementou a indústria naval e o desenvolvimento do comércio. Deu-se o crescimento urbano, especialmente das cidades portuárias, o florescimento de pequenas indústrias e profundas mudanças econômicas. Todas essas alterações foram agilizadas com o surgimento do movimento humanista, composto de estudiosos da cultura clássica antiga. Esses estudiosos divulgaram, de forma mais sistemática, os novos conceitos, além de identificarem e valorizarem direitos dos cidadãos. Acabaram por estabelecer o princípio do Humanismo, “situando o homem como senhor de seu próprio destino e elegeram-no como a razão de todo conhecimento, estabelecendo, para ele, um papel de destaque no processo universal e histórico.” Estas posições filosóficas buscavam as soluções de problemas humanos exclusivamente em seres humanos sem o envolvimento com o lado espiritual.
    O homem passou a ser considerado um deus e podemos notar isto nos dizeres de Shakespeare, onde exterioriza todo o pensamento humanista em que o homem é a própria razão de ser do universo. Nas palavras do príncipe dinamarquês Hamlet: “Que obra-prima é o homem! Como é nobre em sua razão! Que capacidade infinita, como é preciso e bem feito em forma e movimento! Um anjo na ação! Um deus no entendimento, paradigma dos animais, maravilha do mundo”.
    Em contraposição a isto, as Escrituras dizem: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!“ (Romanos 11:33-36).
    Contrariamente ao que Paulo disse, a filosofia humanista insinua que do homem, e por meio do homem, e para o homem são todas as coisas e ao homem toda a glória. O homem como o centro, excluindo a necessidade de Deus, é o pilar central do Humanismo. O homem percebe-se capaz, importante e agente. Acreditando-se capaz de conduzir sua própria vida, independentemente de Deus, afasta-se do teocentrismo, assumindo, lentamente, um comportamento baseado no antropocentrismo. Isto implica profundas transformações culturais. De uma postura religiosa e mística, o homem passa gradativamente a uma posição racionalista. Através do contexto histórico, podemos perceber que o homem da época rompe com a visão teocêntrica do mundo determinada pela igreja e vai à busca de si mesmo, de novas descobertas e novos valores.
    O interesse humanista pelas obras da antiguidade acabou influenciando positivamente ao levar vários intelectuais ao estudo da Bíblia nas línguas originais. O holandês humanista Erasmo de Roterdã publicou uma edição crítica do Novo Testamento grego com uma tradução latina, talvez a obra mais importante publicada no século XVI, que serviu de base para as traduções de alemão Lutero, do inglês Tyndale e do francês Lefèvre e muito influenciou os reformadores protestantes. Esse retorno às Escrituras muito contribuiu para a Reforma do Século XVI. Porém, a Reforma Protestante deu um duro golpe no movimento filosófico humanista, ao tirar a pretensa centralidade do homem e encaminhá-la a Deus.
    A história dos reformadores protestantes nos deixa admirados, agradecidos e ao mesmo tempo estarrecidos. Todo aquele movimento de volta às verdades das Escrituras Sagradas, que combateu os abusos e dogmas anti-bíblicos do catolicismo romano, iniciado com muita coragem e pureza de intenções, com o passar do tempo, se descambou. Os reformadores protestantes famosos (Lutero, Zwinglio, Calvino, Knox) nos deixaram um legado precioso, que consiste na restauração de vários princípios divinos como a autoridade das Escrituras Sagradas, justificação pela fé, ceia, sacerdócio de todos os crentes, etc. Foram usados por Deus para a libertação de várias heresias e ainda hoje desfrutamos dos benefícios deste movimento. Em sua maioria, foram homens sérios e que amaram profundamente a Deus e à Igreja. Assim como nós, foram limitados e carentes de revelação em muitas áreas no Reino de Deus. Essa debilidade pode ser exemplificada com Martinho Lutero, que não considerava a epístola de Tiago, porque seu conteúdo sobre as obras não coincidia com sua pregação, e rejeitava o livro de Apocalipse. Cremos que lhes faltou uma revelação maior, pois a restauração estava só começando. Porém, ao se imiscuírem com o Estado, criaram uma igreja submissa aos interesses dos governantes e, com isso, cometeram atrocidades inacreditáveis. Mudaram de uma situação do Estado submisso à Igreja para uma Igreja submissa ao Estado. Perseguições, torturas, execuções e guerras terríveis, às vezes associados aos seus adversários católicos romanos, foram apoiados e praticados por estes reformadores. Não entenderam que Jesus não incluiu o uso da espada em sua Igreja, conforme João 18:11 – “Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha”. De um movimento restaurador para a prática de coisas que combateram. Quanta diferença do amoroso Jesus Cristo que conhecemos. Semelhantemente a Salomão (1 Reis 11:4-6) e Gideão (Jz 8:27), começaram bem e terminaram fazendo o mau. Apesar de Gideão não terminar bem, Israel foi libertado. Apesar dos reformadores, alguns dos princípios divinos foram restaurados. Glorificamos a Deus, que nunca deixa a luz da Sua verdade se apagar e sempre levantou servos fiéis para a continuação da restauração, manutenção e propagação de Suas verdades.
    Se a luz se intensifica, as trevas se dissipam, mas se a luz se desvanece, as trevas avançam. Toda vez que a Igreja falhou, o Humanismo cresceu. Novamente, o clima propício para questionamentos, mudanças e revoltas estava montado e logo o Humanismo contra-atacou, quando surgiu na segunda metade do século XVIII (o chamado “século das luzes”) o “Iluminismo”, um pensamento herdeiro da tradição do Renascimento e do Humanismo por defender a valorização do homem e da razão. O nome se explica porque os filósofos da época acreditavam estar iluminando as mentes das pessoas. Os iluministas acreditavam que a razão seria a explicação para todas as coisas no universo, e se contrapunham radicalmente à fé. Assim, podemos ver que o Iluminismo caracterizou-se por uma fé cega no homem e em suas capacidades. Deus foi visto como um ser impessoal, o qual depois de ter criado o universo o abandonou à própria sorte e que era um Deus do natural, por não encontrarem nada de sobrenatural nele.
    O Iluminismo era, em vários aspectos, uma revolta contra o poder da religião institucionalizada e contra a religião em geral. Isto foi claramente demonstrado na Revolução Francesa, originada desta filosofia.
    Com a quebra do monopólio do saber e o rompimento da profunda ignorância do ponto de vista científico e cultural, são inegáveis os benefícios que o Iluminismo trouxe à humanidade.
    Do ponto de vista espiritual, não tardou que o Iluminismo humanista provocasse impacto. Na Alemanha ele se introduziu justamente nas igrejas que haviam surgido da própria Reforma, nascendo o que se chama de Liberalismo ou Modernismo Protestante. A Alta Crítica alemã e tudo quanto surgiu, é simplesmente a entrada do pensamento humanista na igreja protestante depois da Reforma, exatamente como aconteceu na época de Constantino, quando se introduziu na corrente da igreja primitiva.
    Este impacto deu-se especialmente na área de estudos bíblicos e da interpretação das Escrituras. Estudiosos da Bíblia, influenciados pelo pensamento racionalista do Iluminismo, adotaram diversas posturas em sua interpretação, tentando anulá-la. Em primeiro lugar, houve uma rejeição do sobrenatural e da revelação divina. Rejeitaram a idéia de que Deus se revela ou intervém na história e nos acontecimentos humanos. Em segundo lugar, afirmaram que a leitura da Bíblia deveria ser controlada pela razão, o principal critério a ser empregado pela medida suprema da verdade dos humanistas. O termo empregado por eles foi o “estudo científico” ou “estudo crítico” da Bíblia.
    Para estes humanistas a verdade é empírica e pragmática. Quer dizer, somente aquilo que pode ser medido e experimentado pode ser considerado verdade. Isto elimina todo o lugar para a fé. Para o cristão a verdade sempre foi absoluta, pois foi revelada por um Deus absoluto. Consequentemente a moralidade e a ética são absolutas. Mas, agora, o humanista negou-lhe este caráter, considerando-a, portanto, como de importância ou valor relativo. Para o humanista religioso, nesta visão, os valores da Palavra de Deus são relativos, até mesmo ultrapassados. O certo é o que eu penso que é certo, ou, o que o grupo a que pertenço entende como certo. Neste conceito “o certo” é definido pelo que eu sinto. Se eu me sinto bem então o que faço é certo. O humanista religioso pode aceitar a verdade do Cristianismo em parte e do Budismo, Espiritismo, Hinduísmo ou outra religião qualquer, ao mesmo tempo. Não há contradições para ele, porque qualquer coisa que funcione pode ser verdade, pois não há nenhuma verdade em um senso final e absoluto.
    Devido à relativização da verdade, começa o movimento ecumênico, já que agora se percebeu que o Cristianismo é uma religião igual às outras. Ser cristão não é mais visto como aquele que crê e se submete ao governo de Jesus Cristo, ser discípulo, negar a si mesmo e tomar a cruz, mas em viver uma vida moralmente correta e fazer obras sociais, que é, em princípio, o tema de todas as outras religiões.
    Com a incredulidade em relação à Bíblia, a missão da Igreja deixou de ser o cumprimento da “Grande Comissão” (Mt 28:18-20), estender o Reino de Deus a todos os povos pregando o Evangelho (Mt 24:14) e passou a ser somente obra social. A história tem mostrado que esta incredulidade conduz a Igreja a uma condição insensível de indiferença, a qual produz uma perda do interesse pela verdade.
    Não demorou muito para que as igrejas européias atingidas por esta forma de “Cristianismo” sem Cristo começassem a se esvaziar. Tudo isto trouxe impacto nos seminários e faculdades de teologia, que gradualmente acabou prevalecendo e sufocando a fé. Hoje, este humanismo “teológico” está mais difundido na Europa e nos Estados Unidos. Os pastores que ali estudam, inclusive os brasileiros, voltam com graus de mestre ou doutores, tornam-se professores ou diretores de seminários, onde transmitem estes conceitos aos alunos, futuros pastores, que passam estas idéias para suas comunidades.
    É triste ver a situação espiritual da Europa, pois este foi o continente mais cristianizado durante séculos a fio, até bem pouco tempo. Para o europeu, o Cristianismo é coisa ultrapassada. Ser cristão para maior parte dos europeus significa ignorância, retornar à Idade Média e dizer não à visão científica do mundo e às realidades de hoje. Semelhantemente ao que aconteceu com a Ásia Menor e Síria, que eram áreas intensamente cristianizadas, hoje já se considera que a Europa está em uma era pós-Cristianismo e continua num processo contínuo de descristianização. Como não existe nem nunca vai existir vácuo espiritual, apesar de o cientificismo ser uma espécie de “religião”, a Europa está em processo de islamização.
    Alguns acham que os muçulmanos dominarão aquele continente em 30 anos, porque a taxa de natalidade destes imigrantes é muito maior que a dos nativos. A cultura européia será suplantada pela muçulmana. A sharia, a lei muçulmana, já tem validade legal na Inglaterra, enquanto os cristãos passam a sofrer contínuas e progressivas restrições.
    A Europa assemelha-se a Israel e Judá antes do cativeiro. Ela precisa ouvir isto: “atentai bem, e vede se jamais sucedeu coisa semelhante. Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não eram deuses? Todavia, o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o SENHOR. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.“ (Jeremias 2:10-13). Precisamos dar glórias a Deus, pois a América Latina, África e Ásia estão sendo impactadas com o Evangelho de Cristo e a Europa não foi esquecida, pois a chama de Deus não foi apagada e muitos missionários estão se dedicando a ela.
    Embora este humanismo “teológico” não seja a linha predominante no Brasil, já podemos sentir sua presença com o alargamento da porta e do caminho para o crescimento e sucesso a qualquer custo – o pragmatismo. A atração de pessoas e satisfação de suas necessidades temporais é que comandam as programações das igrejas. O que move o pragmático é o enchimento dos templos e aumento do número de membros de sua instituição religiosa, pois a vida destas pessoas não passa de um detalhe de menor importância. A promoção pessoal e o reconhecimento público é o que importa ao pragmático. Proselitismo ao invés de vida santificada.
    Com a entrada do pensamento humanista na Igreja, o que se ouve é que “você merece ser feliz e Deus existe em função disto. Deus está comprometido com o homem e sua felicidade terrena. Basta pô-lo à prova. Venha a Ele e terá prosperidade, sucesso nos empreendimentos, o melhor carro, a melhor casa, a saúde perfeita, etc.” Esta é a premissa básica do Humanismo: o homem e sua felicidade. Falar sobre pecado? Nem pensar! Isto pode assustar e desanimar as pessoas! Corrigir aqueles que abandonaram seus cônjuges e vivem em adultério com outra pessoa é pura crueldade. Deus nunca daria uma ordem para atrapalhar a felicidade delas. É colocar uma carga de culpa no povo, destruindo sua auto-estima! Esta mensagem atraente do Humanismo-Religioso, sem o “a si mesmo se negue e tome a sua cruz”, tem enchido as igrejas, as quais chamam isto de avivamento. Este não é o evangelho que encontramos na Bíblia. O verdadeiro coloca o homem no seu devido lugar e entroniza e centraliza Jesus Cristo no indivíduo e na Igreja. Esta filosofia que defende a auto-realização humana dentro da estrutura dos princípios cristãos tem permitido a entrada na Igreja, de forma sorrateira, de sofismas muito populares, que tentam justificar, dentre eles, o divórcio e recasamento.
    Tenho observado que a quase totalidade dos estudos sobre o nosso tema, inicia bem e caminha de forma correta até certo ponto. Há um esforço para conduzirem as explanações e argumentações com base na Palavra de Deus, mas quando atingem uma situação onde se exige renúncia, o negar a si mesmo, o perder a vida, o tomar a cruz, ser radical como Jesus, então o rumo é mudado. Daí em diante, a razão e o sentimentalismo humano assumem o controle e tudo termina em ruína, perpetuando os velhos sofismas. Começam com o Reino de Deus e terminam no Humanismo-Religioso.
    Quanto ao tema do nosso estudo, a igreja precisa se definir e, aproveitando e adaptando o dito por Josué (Js 24:15), fica a seguinte pergunta: “Mas, se vocês não querem ser servos do SENHOR, decidam hoje a que lado vão servir: o REINO DE DEUS ou o HUMANISMO?”.
    Não há outra possibilidade. É um imperativo para a revelação da verdade, conduzir todas as argumentações e conclusões subordinadas ao Reino de Deus.

  18. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    ALGUNS SOFISMAS

    “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas” (2Timóteo 4.1-4). “É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça” (2 Tessalonicenses 2.11-12).
    Podemos definir sofisma como: argumento que parece ser correto, mas que, na verdade, é enganoso e leva ao erro. Argumento ou raciocínio falso, com alguma aparência de verdade. Dolo, engano, logro. “Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada” (Jó13:4).
    A Palavra de Deus é a única arma capaz de anulá-los: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,…” (2Coríntios 10:4-5).
    Amado irmão em Cristo, este assunto não é fácil. Quando utilizo a palavra sofisma, não há pretensão de agredir ou insultar, pois o objetivo é sempre buscar a verdade.
    Milhões de cristãos sinceros estão aprisionados a sofismas já enraizados em suas comunidades e sustentados ferozmente por suas instituições religiosas. São prisioneiros do medo de mudanças e da humilhação de reconhecer o próprio erro, do orgulho, das conseqüências da volta à verdade, tais como, a perda de membros em sua instituição e consequentemente a diminuição do poder político e renda. Não querem aborrecer a si mesmos, parentes, pessoas amigas ou poderosas que estão nesta situação. Como disse Roberto Carlos Fernandes: “Muitos líderes religiosos vão ter que se justificar aos que seguiram seus conselhos quando esses descobrirem que foram “enganados”. Muitos serão responsabilizados pelos lares desfeitos, famílias destruídas quando aconselharam separações, divórcios e adultérios em nome do humanismo, do “amor sentimental” e da “misericórdia leviana”. Quiseram ser mais generosos do que Deus e menos radicais que Jesus”.
    A fonte de sofismas parece que nunca se esgota. A lista é interminável, pois qualquer motivo é motivo para quem quer ter motivo. A filosofia humanista sempre cria justificativas pela razão, para agradar o homem, aos sentimentos humanos, sem considerar o que Deus já estabeleceu.
    O que temos visto e ouvido é que quem já tomou a decisão no coração de se separar, divorciar e recasar, sempre vai a busca de “mestres segundo os seus próprios desejos” (2Timóteo 4:3), aqueles que vão falar o que se quer ouvir, pelo “grande desejo de ouvir coisas agradáveis”, os falsos profetas com suas “profetadas”.
    Como a lista é interminável, a seguir, faremos a análise de alguns sofismas mais comuns, enquadrando-os no “princípio para a separação, divórcio e recasamento”.

    NÃO O (A) AMO MAIS!

    É muito comum ouvirmos a justificativa que “não o (a) amo mais!” ou “o amor acabou!” para explicar a separação e com isto, o divórcio e o recasamento, os quais foram abolidos no Cristianismo. Qual seria o motivo para uma atitude tão drástica? Será que foi o amor ou a paixão que acabou? Será que o relacionamento conjugal foi firmado em sentimentos equivocados?
    Para afirmarmos que “o amor acabou”, temos que entender as várias facetas desta palavra. A Língua Grega tem palavras específicas para as diferentes idéias que a Língua Portuguesa exprime e limita como “amor”:
     EROS é o sentimento baseado em atração sexual.
     STORGÉ significa afeição, especialmente com a família e entre seus membros.
     PHILOS é fraternidade, amor recíproco, amor de amigos.
     ÁGAPE é doar a vida sem exigir nada em troca. É o amor de Deus, que jamais acaba, é a essência dos relacionamentos eternos. É uma escolha deliberada. São os comportamentos e escolhas e não um sentimento isolado. Significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao próximo vem sempre antes do próprio interesse.

    A paixão é um fortíssimo sentimento carnal, por ou contra alguém, coisas ou idéias. A paixão pode ser por um time de futebol, um local, um partido político, uma religião, uma filosofia, uma profissão, um bem, por algo proibido como alguém casado, do mesmo sexo, etc. Mas aqui vamos nos referir à paixão por alguém do sexo oposto. Em certo momento da vida, uma pessoa se identifica e se interessa de uma maneira especial por alguém do sexo oposto, dentre milhares de outras, e algo explosivo acontece e abala toda a sua estrutura emocional e racional. Acredito que quase todos os adultos já passaram por isso, uns com mais, outros com menos intensidade; uns de forma sadia e outros de forma doentia. É aquele sentimento que surge, inexplicavelmente, tornando as pessoas obcecadas, quase cegas, surdas, sem inteligência e, às vezes, inconseqüentes. Se o sentimento for de apreciação por alguém, acompanhado do desejo de lhe fazer o bem, ele é positivo. Mas se foi inconseqüente, egoísta e doentio, certamente muito dano provocou neste período. “Esta pessoa vai ser minha, doa a quem doer, custe o que custar e dane-se todo mundo!”, é o que move a paixão desenfreada e doentia. Veja a história de Tamar e Amnom em 2 Samuel 13. Quanto abuso e desonra; mães e pais solteiros; Deus, pais e igreja envergonhados; sofrimentos e loucura, desconfianças, ciúmes, iras, amarguras, vinganças, mortes, etc. Quantos casamentos são realizados com base neste sentimento passageiro e enganoso? A paixão pode terminar em aversão “Depois, Amnom sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela que o amor que ele lhe votara. Disse-lhe Amnom: Levanta-te, vai-te embora.” 2 Sm 13:15.
    O amor não é paixão, é mais que um sentimento. “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.” – 1 João 4:8. Não existe nenhuma referência na Bíblia dizendo que Deus é paixão.
    O amor eros, storgé e philos são recebidos no nascimento natural e todas as pessoas normais os têm, mas o amor ágape, o amor divino, somente é recebido com o nascimento espiritual no Reino de Deus (João 3:3).
    Amar é doar-se, servir, tomar atitudes e comportamentos de negar-se a si mesmo para completar e atender ao próximo, ao cônjuge e filhos no casamento. “O amor (ágape) é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Coríntios 13:4-7). Observe que o amor “ágape” neste texto é composto de vários comportamentos, atitudes e não uma forma isolada de sentimento. A maioria das pessoas vê o amor como um sentimento, algo do coração. A descrição bíblica expressa, com muita intensidade neste texto, um movimento, uma atitude, uma postura – quase nada de sentimento. Este é o tipo de amor que Deus estabelece para a manutenção e aperfeiçoamento do relacionamento conjugal.
    Devido a problemas diversos no casamento como conflitos de relacionamentos, doenças, idade, crise financeira, etc., o amor “eros”, “storgé” e ”philos” podem se dissipar. Havendo o amor ágape nunca haverá separação, pois o “eros” não acaba e sim, se aperfeiçoa, a não ser por causa de doenças e/ou idade avançada; o “storgé” e o “philos” se intensificam. Por problemas de dureza do coração e o aumentar da iniqüidade, o amor “ágape” entre os homens tende a desaparecer. As brigas, ciúmes, maus tratos, desprezo, egoísmo, etc., levam ao sofrimento, decepções e amarguras, fazendo com que o amor se esfrie ao ponto de extingui-lo. Se o amor esfriou, foi porque aumentou a iniqüidade, conforme Mt 24:12: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos”.
    O amor é o elemento que nutre a união, mas o casamento não é estabelecido por ele. Os sentimentos não são os pilares de sustentação do casamento, pelo contrário, é o casamento que mantém vivo todo e qualquer sentimento entre os cônjuges. A aliança é feita com promessas, isto é, os votos, o compromisso, o pacto mútuo com o cônjuge, diante da sociedade e Deus. A aliança é que estabelece o casamento e o mantém até que a morte do cônjuge ocorra. O fim do amor pode levar até a separação, mas não é o fim do casamento diante de Deus. Os votos feitos um ao outro podem ser esquecidos, mas Deus, quem o realizou e testemunhou, nunca se esquece da aliança firmada. O vínculo conjugal aos olhos de Deus não é desfeito, por nenhum motivo, exceto pela morte de uma das partes. Portanto, outra união feita enquanto vive o cônjuge é tido como adultério, mesmo dentro da “legalidade” humana do segundo matrimônio.
    O desejo do Senhor é que haja o arrependimento, restauração, amor e, para isso, nos foi dada a provisão poderosa, que é a companhia do Espírito Santo habitando em nós e nos capacitando a amar e sermos longânimes (Hebreus 8:10-12; Gálatas 6:22-23).
    Este argumento humanista de que o casamento é estabelecido pelo amor, é o mesmo que tem levado os ímpios, inclusive líderes religiosos cristãos, a efetuarem o “casamento” de dupla homossexual, ignorando a Palavra de Deus que diz em Romanos 1:26-28,32 “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,… Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem”. Estas referências “se inflamaram mutuamente em sua sensualidade” e a “disposição mental reprovável” têm sido explicadas como amor, pela hipocrisia dos ímpios e dos religiosos humanistas. Se este comportamento é condenado, isto não é o amor de Deus, o ágape que vem dEle e sim, paixão demoníaca.
    Se fosse correto este conceito de que acabando o amor acaba o casamento, o contrário também teria que ser aceito, isto é, iniciando o amor inicia-se o casamento. Assim, quando iniciar o amor entre solteiros o casamento estaria feito e não precisaria de se firmar aliança ou pacto diante de Deus e da sociedade. “Amigado com fé, casado é” não é o que dizem? Esta é a idéia que o sistema de Satanás, o mundo, o império das trevas, tem ensinado através da mídia e, infelizmente, os cristãos adotaram-na. Obviamente isto é um absurdo.
    Devido ao pecado, Deus precisou criar lei ordenando amar a Ele e ao próximo: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:37-39). O cônjuge é o seu próximo e Deus mandou amá-lo.
    “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;” (Mateus 5:44).
    “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,…” (Ef 5:25 ). Morrer pela esposa é amor.
    “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa,…” (1Pedro 3:1 ). Submissão ao esposo é amor..
    “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações.” (1Pedro 3:7).
    Como o discípulo de Cristo pode tomar a iniciativa de se separar de alguém que Deus ordenou amá-lo? Há um gravíssimo problema espiritual nesta atitude e Deus chama ao arrependimento.

  19. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    CASAMENTOS NÃO REALIZADOS NA IGREJA

    O casamento civil e os realizados em outras religiões são válidos para Deus? Tem-se colocado que os casamentos realizados fora da igreja cristã seriam de validade apenas para a sociedade humana e não para Deus, pois não são segundo a vontade dEle e, com isso, estariam liberados ao novo matrimônio, sem cometerem o pecado de adultério. Tal colocação estaria acobertada pela verdade? Sendo assim, os ateus e os não cristãos, casados conforme as leis do país, tribo ou coisa semelhante, estariam em uma situação de mancebia ou concubinato. Será que nossos antepassados, pais, parentes, amigos e o restante da população mundial de não cristãos, não foram ou não estão casados por Deus? Estavam ou estão amasiados? Somente os cristãos estariam plenamente casados diante de Deus?
    “Então, lhes acrescentou Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento” (Lucas 20:34); este verso está expondo o reconhecimento, por Jesus, do casamento dos “filhos deste mundo”.
    Herodes foi advertido por João Batista por estar cometendo um ato ilícito para Deus, isto é, um ímpio unido de forma ilegal com uma ímpia já casada. Vejamos como João Batista aplicou essa verdade: “Porque Herodes, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe, porquanto Herodes se casara com ela, mandara prender a João e atá-lo no cárcere. Pois João lhe dizia: Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão.” (Marcos 6:14-29). João Batista alertou de forma implacável que, além do incesto, Herodias já era casada e continuava sendo mulher de seu irmão. Ele cobrou o respeito ao casamento anterior, do ímpio Filipe com a ímpia Herodias. Embora Herodes tenha se “casado” com ela, João Batista não disse “não te é lícito possuir a ex-mulher de teu irmão”. Com isto, estava implicitamente dizendo que aquele casamento anterior era válido para Deus e que este recasamento não era lícito, era pecado; sendo que, por causa disto, acabou sendo morto decapitado. Hoje em dia, muitos cristãos valentes pela verdade têm perdido empregos, cargos, amizades, sendo desprezados por agirem como João Batista.
    Sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que a mesma não foi escrita só para os cristãos e sim para toda a humanidade. Podemos afirmar que é para toda a humanidade porque o julgamento final será baseado nas Escrituras Sagradas (“Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia.” João 12:48) e, por causa disto, nos esforçamos em pregar o evangelho aos perdidos, que conhecem ou não a Bíblia, pois o desconhecimento não os torna inocentes. Se fossem inocentes, estaríamos fazendo uma maldade anunciando-lhes o Evangelho e Jesus não teria vindo para resolver o problema do pecado e sim complicar a vida dos pecadores. Se isto fosse verdade, bastaria eliminar qualquer contato dos ímpios com o Evangelho, deixando-os como estão e os mesmos já estariam salvos. Bastaria eliminar a Bíblia e todo tipo de evangelismo e as novas gerações seriam salvas automaticamente. Obviamente, isto é um absurdo.
    Como as Escrituras Sagradas têm efeito sobre toda a humanidade, quando Paulo diz que as autoridades são instituídas e consideradas ministros de Deus, está claro que tanto as cristãs ou não, são consideradas por Ele, veja Romanos 13:1-4: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem”. Jesus ao responder ao perverso Pilatos “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada;…” (João 19:10), estava reconhecendo e declarando que a autoridade dele veio de Deus.
    Como uma autoridade é um ministro de Deus, obviamente, só tem permissão para fazer o que Ele aprova. Ao efetuar um casamento, a autoridade está realizando o que Deus permitiu e ao anular através do divórcio, está ultrapassando os limites dados por Ele. Quando Jesus disse “o que Deus ajuntou não o separe o homem”, implica em que a união é de Deus e a separação não pertence ao homem. Qualquer homem! Inclusive os próprios cônjuges! Eis aqui uma nítida proibição contra o divórcio. Nem os próprios cônjuges podem separar o que Deus ajuntou. Portanto, não importa se as leis do país ou de qualquer sociedade contemplam o divórcio com novo matrimônio, o cristão tem sempre que obedecer a vontade de Deus e não a do homem, como disse Pedro ao sumo sacerdote em Atos 5:29 “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. Alguns cristãos utilizam o divórcio pelo fato da lei de sua nação aprová-lo. Acreditam que a igreja também deve se submeter às leis nacionais para estar submissa às autoridades. Isto não é verdade, esta submissão não pode ser de forma incondicional.
    As leis do Reino de Deus precedem e estão acima das leis dos homens. Por isso, no casamento de pessoas cristãs ou não, quando o juiz de paz, cacique ou qualquer pessoa que tenha autoridade para fazê-lo, sendo o mesmo ateu ou mesmo não saiba como Deus o considera, ao declarar os nubentes como casados em nome da lei, está sendo um ministro dEle naquele momento. Este ato está sendo aprovado e apoiado pela Divindade e, a partir daí, mesmo os incrédulos estarão sujeitos às leis de Deus a respeito do matrimônio. Se houve um pacto mútuo, votos públicos e a união física através do ato sexual, o casamento foi consumado. O Senhor instituiu as autoridades e, logicamente, as considera respeitáveis.
    O casamento civil, legitimamente contraído, estabelece entre os cônjuges o vínculo natural do casamento, que é considerado por Deus como legal e indissolúvel. Não podemos confundir casamento legal, que depende das leis, escritas ou não, da sociedade em que vivem, com o casamento religioso cristão, onde os crentes vão consagrar e pedir as bênçãos de Deus para o mesmo. Pode-se não consagrar e nem pedir as bênçãos de Deus, mas isto não significa que não houve casamento diante dEle. Semelhantemente, Josué fez uma aliança de paz com os gibeonitas sem pedir a aprovação de Deus (Josué 9:3-27), mas, mesmo assim, passados centenas de anos, Ele cobrou o seu cumprimento, pois foi testemunha do pacto (2Samuel 21:1). O cristão deve consagrar e pedir as bênçãos de Deus através do casamento religioso, mas nunca poderá omitir o civil, pois precisa respeitar as leis criadas pelas autoridades locais.
    “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:13-17). O Senhor ordena a submissão às autoridades civis, quando as mesmas não ultrapassam seus limites.
    O casamento é uma instituição divina, algo que Deus sonhou, preparou e introduziu no ser humano como uma necessidade natural, inerente à raça. Assim como as estações do ano, “… porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” (Mt 5:45), o casamento é uma bênção de Deus, extensiva a todos os seres humanos, independente se são cristãos ou não. O casamento não requer, do homem e da mulher, fé em Cristo, pois a única exigência é não serem casados; estarem desimpedidos. O judeu, muçulmano, espírita, testemunha de Jeová, hindu, ateu, etc., não crêem em Cristo. Alguns sabem que Ele existe, mas não O aceitam como o Filho Unigênito do Pai, como Deus. Não crêem que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1:14) e que “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2:9). Não chegaram à mesma conclusão que Tomé, quando Jesus apareceu aos discípulos, “Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20:28). Isto é, não crêem “como diz a Escritura” (Jo 7:38). Porém, isto não quer dizer que só exista casamento verdadeiro para os que crêem em Cristo. A aliança matrimonial é testemunhada pelo Deus, que criou o céu e a Terra, mas se o casal consagra-a a outros deuses, isto é, aos demônios, trata-se de outra questão e sofrerão as conseqüências.
    Mas agora vamos tratar do verdadeiro cristão, de um discípulo de Cristo. Se existe o casamento religioso é porque todo aquele que está sujeito à vontade de Deus precisa receber dEle a bênção especial sobre o casamento. Muito antes de ser um dever, uma satisfação à sociedade, é um atestado de amor e de obediência a Deus. Não se admite que um discípulo de Cristo, que faz parte do Corpo, omita um culto de celebração e consagração, no qual a bênção do Pai Celestial é invocada sobre a vida dos cônjuges. Por isso é extremamente necessário que a bênção do Senhor repouse sobre aqueles que se casam. “A bênção tanto de Deus como dos pais faz uma grande diferença na vida dos cônjuges, pois as bênçãos do Senhor enriquecem e não acrescentam dores. O casamento religioso tem que ser algo muito mais espiritual do que algo propriamente formal ou por obrigação. A bênção acontece para fazer a diferença”, afirma o amado pastor Márcio Valadão.

    CASAMENTOS REALIZADOS NA FEITIÇARIA E IDOLATRIA

    Quando a questão da validade ou não de um casamento é levantada, normalmente, aparece a seguinte pergunta: Um casamento realizado por feiticeiros ou idólatras é considerado aprovado por Deus?
    É com redobrado temor e tremor que discorro acerca deste tema. Lendo o Novo Testamento nunca vemos orientações à igreja para considerar nulo, desprezar e refazer um casamento anterior à conversão. Pelo contrário, revela que o casamento é uma instituição de Deus, ligando casais humanos, a despeito de sua fé ou falta de fé.
    Corinto foi uma cidade da Grécia, cheia de pecado e corrupção. “Coríntio” era sinônimo de “imoral”, “depravado”. Em Corinto havia um templo dedicado ao culto de Afrodite, deusa do amor. Nesse templo havia mil prostitutas cultuais, que atraíam adoradores de todo o mundo antigo. O Senhor usou o apóstolo Paulo para estabelecer a igreja naquela localidade.
    Em 1Coríntios 7:14 “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”. Santificado aqui não significa salvo. A principal preocupação dos crentes coríntios era se os filhos nascidos desta união eram legítimos. Este é um verso de uma carta escrita aos santos daquela cidade, que cita a esposa crente e o marido incrédulo e vice-versa. Se eram esposa e marido, deduz-se que já estavam casados, quando houve a conversão de apenas um deles. Assim sendo, este casamento foi realizado antes da conversão, na feitiçaria e idolatria de Corinto. Afirmo que foi realizado antes da conversão, pois na igreja primitiva não era realizado casamento misto, crente com incrédulo. Paulo afirmou isto, categoricamente, em 2Coríntios 6:14-15 “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” e em 1Coríntios 7:39 “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”. O Senhor, usando Paulo, ao ordenar ao crente que não se apartasse do incrédulo e que os filhos decorrentes desta união eram santos, estava declarando aquele casamento, realizado na feitiçaria e idolatria de Corinto, como aceito e com total aprovação. Em momento algum o Senhor disse que aquele casamento era nulo ou rejeitado. Não importa a religião, se o casamento foi realizado nas leis locais, ele é aceito por Deus. Se tais casamentos não fossem reconhecidos por Deus, então os seus filhos seriam ilegítimos. Paulo disse que tais casamentos eram genuínos, e os filhos deles decorrentes não eram impuros, mas santos.
    Como já nos referimos anteriormente, João Batista cobrou de Herodes o respeito ao casamento anterior, do ímpio Filipe com a ímpia Herodias. Com isto, João Batista estava implicitamente dizendo que aquele casamento, realizado na idolatria e feitiçaria do Império Romano, era válido para Deus.
    Não podemos dar crédito e aceitar como verdadeira a alegação de que o crente vindo de um casamento na feitiçaria e idolatria está solteiro, sendo, portanto, livre para se casar novamente ou mesmo continuar em um matrimônio cujo cônjuge anterior esteja vivo.
    Alguns grupos cristãos, embora rejeitem este casamento, implicitamente o aceitam, pois em rituais de “quebra de maldições” conduzem pessoas a declararem que renunciam ao casamento anterior, realizado na idolatria e feitiçaria. Renunciar é desistir da posse ou exercício de um direito. Se orientam a renunciar, é porque, implicitamente, o consideram válido, reconhecem sua existência. Estes líderes levam-nas a acreditarem que esta declaração anula o casamento anterior, tornando-as solteiras e livres para se casarem novamente. De onde tiraram esta conclusão? Pode-se levar a boca ao pó, numa cerimônia de “renúncia ao casamento”, mas se o cônjuge estiver vivo isto não terá nenhum valor. A Palavra de Deus é soberana, está acima de qualquer declaração humana e não pode ser quebrada, nem mesmo por cristãos bem intencionados. O Espírito Santo nunca negará a lei conjugal, que Ele mesmo estabeleceu. Este pensamento e ritual precisam ser questionados à luz da Palavra de Deus.
    O casamento, a aliança, é digno de honra e abençoado por Deus, mesmo aos incrédulos. O pecado, a independência de Deus, é que torna uma bênção divina em sofrimento e tormenta. Não foi o casamento, abençoado em princípio, e sim o pecado, entremeado no relacionamento, que o infernizou.

    E NOS CASOS DOS NOVOS CONVERTIDOS?

    Normalmente, as seguintes questões têm sido levantadas em relação ao novo convertido, que, na quase totalidade, chega cheio de complicações e em situações embaraçosas:
    • Aquele que se divorciou antes da conversão pode casar novamente?
    • Novo convertido que se casou mais de uma vez estaria em adultério contínuo?

    Esta questão é difícil porque é natural que uma pessoa separada ou divorciada deseje a companhia de alguém. Normalmente são pessoas sozinhas, feridas, arrebentadas e sem chance de voltarem à primeira aliança. Ficar sozinho para alguém que já passou pela experiência de um casamento não é fácil e como está vindo de um fracasso matrimonial, é natural que deseje tentar um novo relacionamento. É natural, mas válido?
    Não podemos banalizar o pecado. Há pouco tempo, ouvi a seguinte afirmação de um líder cristão respondendo a uma pessoa nova convertida e amasiada com um homem que se recusava a casar: “Quando Deus lhe chamou e você se converteu, Ele já sabia de sua situação. Portanto, se Deus já sabia, você pode continuar assim, pois é de responsabilidade dEle a sua aceitação no céu. Permaneça como foi chamada.” O profeta João Batista não responderia desta forma, conforme Marcos 6:18. Afirmação como esta, provoca muita confusão e para respondê-la, sugiro que leia em sua Bíblia o texto de Efésios 4:17 até 5:13, sobre a necessidade de abandonar pecados. Os apóstolos jamais falariam para uma pessoa permanecer no pecado, pois estariam sendo contra a tudo que ensinaram. “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos;” (Efésios 5:3); “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pedro 1:16).
    Para chegarmos a uma conclusão, precisamos analisar se uma pessoa recasada antes da conversão está em pecado de adultério ou não. Temos que nos basear na Palavra de Deus, pois a humanidade sem Cristo acha que tudo é normal e cada um vive segundo seu próprio conceito, isto é, naquilo que acha estar certo. Mas nós não podemos ser assim, pois a Palavra de Deus é soberana.
    Recapitulemos alguns pontos chave:
    • Deus está governando, reinando sobre tudo e sobre todos. É o Soberano Universal.
    • A Bíblia é a Palavra de Deus e a mesma não foi escrita só para os cristãos e sim para toda a humanidade, por isso precisamos pregar o Evangelho do Reino de Deus a ela;
    • O casamento de ímpios é válido para Deus, mesmo o de ateus;
    • Casar novamente só é possível após a morte do cônjuge;
    • Como não existe mais o divórcio, se acontecer, não tem valor algum e o casamento original continua valendo.
    Pelo que já vimos até aqui, creio não haver dúvidas que o ímpio recasado está em pecado. Será que a conversão anula tudo isto? Alguns exegetas acham que sim e, normalmente, para montarem seus raciocínios se baseiam nos seguintes textos:
    • Romanos 3:23-26 “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”.
    • 2Coríntios 5:17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.
    • Hebreus 8:12 “Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei”.
    • Atos 17:30 “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;”
    O Senhor, nestes textos, diz que, agora, com o arrependimento e o batismo, na Nova Aliança, não considera o que aconteceu de PECADO no passado, tudo foi perdoado, foi deixado impune e que tudo se fez novo a partir daí. O preço do perdão responsável já foi pago por Jesus. O passado pecaminoso foi apagado, lançado no mar do esquecimento (“Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” – Miquéias 7:19) e nova vida começou, controlada pelo Espírito Santo. Isto é graça, a grande obra de Deus realizada gratuitamente em Seu amor incondicional e ilimitado em favor do homem caído, perdido, desamparado, indigno, pecador e que perece.
    Pois então, o novo convertido precisa se alegrar, pois recebeu o maior presente de sua vida que é a graça de Deus. Não poderia haver dom maior. O amoroso Deus, em sua misericórdia, agiu poderosamente em seu favor para dar-lhe o melhor, a vida eterna e a vitória sobre a sua natureza carnal decaída, sobre o diabo e os apelos do mundo, que jaz no maligno.
    “A lei diz: Comporta-te para poder ser aceito. A graça diz: És aceito; agora, pois, comporta-te. Debaixo da lei, a fórmula é: Se fizeres o bem, te abençoarei. Debaixo da graça é: Tenho te abençoado; agora faça o bem.” (12). Isto nos diz que graça não é libertinagem. Jesus continua o mesmo e conforme Jo 1:29 é aquele que tira o pecado do mundo, portanto ainda é radical contra o pecado. Precisamos responder as seguintes perguntas: Jesus veio tirar o pecado do mundo ou varrê-lo para debaixo do tapete? Graça é para livrar do pecado ou para fazer vista grossa a ele? O que Jesus faria nesta situação? Graça não é um ilimitado direito de ser perdoado, pois isto seria a banalização do pecado. A graça só pode ser experimentada se tivermos a consciência do pecado, se houver arrependimento. “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a Lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?” (Hb 10:26-29).
    O teólogo e mártir luterano alemão Dietrich Bonhoeffer falava em uma “graça barata”, de um aceitar Jesus superficialmente, egoisticamente, descomprometidamente, somente para garantir um passaporte para o céu. Este tipo de graça tem levado o povo a achar que não faz mal pecar. A doutrina de “só crê“ levou a Europa a uma decadência inegável na moralidade e tem sido perpetuada pelo humanismo religioso.
    Quando Deus instituiu o matrimônio, o fez como indissolúvel, conforme as palavras de Jesus em Mt 19:4-6; Rm 7:2-3; 1Co 7:10-11 e 39. Sendo assim, o novo crente divorciado e “recasado” só não estaria pecando se a conversão tivesse o poder de anular o casamento anterior, como anulou os pecados passados. Se o casamento anterior, isto é, o legítimo, não é levado em conta, devido à conversão, permitindo que o novo convertido continue recasado ou mesmo venha contrair novo matrimônio sem estar cometendo o pecado de adultério, para sermos coerentes precisamos estender este efeito aos outros pecados também. Se a conversão imuniza o novo crente contra o adultério, então o ladrão, o mentiroso, o homicida, o idólatra, o feiticeiro, o estelionatário, o homossexual, a prostituta, etc., poderão continuar com suas práticas pecaminosas, pois ficaram vacinados contra estes pecados.
    Desculpe-me pela ironia diante de algo tão sério, mas continuando com este raciocínio, se o primeiro casamento não é levado em conta por causa da conversão, para ser justo e coerente este efeito teria que ser estendido a qualquer novo convertido, então todos estariam solteiros. Assim, a bagunça estará instaurada, pois muitos novos convertidos desejarão trocar de cônjuge. Muitos reivindicarão o seu direito adquirido, talvez há muitos anos atrás, quando se converteram. Os que se casaram, quando ainda eram ímpios, terão que refazer a cerimônia de casamento, pois a anterior não pode ser considerada, foi anulada pela conversão. Logicamente, este raciocínio é um absurdo. “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 6:1-2).
    Casamento é uma ALIANÇA testemunhada por Deus e NÃO é PECADO para que seja incluído nas coisas que Ele não levou em conta, não se lembra mais, lançadas nas profundezas do mar ou coisas antigas que já passaram. O casamento é puro e honrado para Deus, conforme Hb 13:4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio…”. Eu nunca li, nas Escrituras, alguma coisa que apoiasse tal anulação de matrimônio pela conversão.
    A Igreja deve, contudo, adotar um comportamento inclusivo, e não exclusivo, pois é melhor tê-los por perto em vez de espantá-los por causa do seu pecado. A Igreja sempre estará lá ministrando contra a separação, divórcio, recasamento e adultério, mas também sempre acolherá o pecador necessitado.

    O RECASAMENTO SERIA UM ADULTÉRIO CONTÍNUO?

    Alguns escritores alegam que o “comete adultério” do texto de Mateus 19:9 “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério”, não está no tempo contínuo no Grego e exprime apenas um ponto no tempo. Por isso, alegam que o casamento de divorciado, estando vivo o cônjuge anterior, não é um adultério contínuo, não podendo com isso, exigir que um “recasado”, crente ou não, interrompa seu atual casamento. Este argumento não traz sustentação a uma afirmação tão séria. Isto deixa no ar um cheiro de sofisma, uma inversão perigosa da verdade. Vimos que o princípio para a separação, divórcio e recasamento, está solidamente fundamentado em várias passagens bíblicas e não pode ser destruído por algo tão vago como um tempo de verbo no Grego. Se passarmos a utilizar este argumento, poderemos estendê-lo a outros casos, tornando a vida cristã perigosa e inconseqüente. O “comete adultério” está associado à palavra “casar”, no texto citado. Para que a palavra “casar” exprima apenas um ponto no tempo, ela teria que se referir apenas à cerimônia de casamento, o ato da aliança, a assinatura do documento ou o primeiro ato sexual ou, então, a um instante durante a vida de casados. Seria adultério somente numa ínfima fração de segundo. Dizer que o pecado está na cerimônia de um casamento indevido ou no seu primeiro ato sexual e não na sua continuidade, no envolvimento ininterrupto, comparativamente seria afirmar que em um ato como o vício, o pecado estaria no início do mesmo, no primeiro contato com a droga e não no uso continuado da mesma. O pecado estaria no fumar o primeiro cigarro de tabaco, maconha, na primeira cheirada ou seringa de cocaína ou no primeiro copo de bebida, mas nos outros milhares não haveria problema, seria algo inocente, santo. O vício, assim como o casamento indevido, implica em continuidade e, se não for deixado, como eliminar o pecado?
    Veja também o que está escrito no site http://www.baptistlink.com:
    “E ele lhes disse: Todo aquele que repudiar a sua mulher e se casa com outra, adultera contra ela. E, se uma mulher repudiar o marido dela, e se casa com outro, ela comete adultério.” Marcos 10:11-12. “Note que o verbo “casa” está no aoristo. Ocorre uma ação no tempo (casa) que provoca, ou causa outra ação “comete adultério”, que está no presente do indicativo. Uma ação no tempo (casamento com outra pessoa) provoca uma situação contínua no presente (comete adultério). Enquanto essa união permanecer, a condição de adultério permanece. No Grego, o presente do indicativo significa uma ação continuada ou o estado de uma ação incompleta (Greek New Testament, William Davis, p. 25). O presente do indicativo, portanto, é uma ação ocorrendo no presente, podendo ser tanto contínua (por exemplo: “eu estou estudando”) ou indefinida (“eu estudo”).“

    Outros dizem que a Bíblia nunca usa a expressão “viver em adultério”; usa sim “cometer adultério” e que, por causa disto, “mesmo tendo começo adúltero, uma segunda união também tem existência e é reconhecida por Deus”. Pelo menos, estão reconhecendo que há adultério nesta prática. Já é um grande progresso. Após tudo que já vimos, acredito não existir dúvidas que adultério é pecado e que um casamento só termina com a morte de um dos cônjuges, portanto, esta afirmação não é verdadeira.
    Um namoro, noivado ou casamento são estados que têm início e fim. Quando um homem e uma mulher se comprometem em namoro, enquanto não houver um rompimento ou noivado, estão no estado de “namorados”. O mesmo raciocínio se aplica ao noivado; estão no estado de “noivos”, enquanto não houver um rompimento ou casamento. Quando se casam, passam para o estado de “casados”, que só encerra com a morte de um dos cônjuges. Este estado indica uma situação, uma continuidade. Se o começo foi adúltero, os envolvidos entraram em um estado de adultério, pois quem mantém um casamento indevido está cometendo pecado e vivendo em pecado. Portanto, para este caso, ”viver em adultério”, “cometer adultério”, “viver em pecado” e “cometer pecado” são a mesma coisa.
    Reconhecer que “mesmo tendo começo adúltero, uma segunda união também tem existência e é reconhecida por Deus” é um profundo engano. Jesus disse: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mateus 5:28). Se somente o olhar para uma pessoa com intenções impuras já é adultério, muito mais grave é permanecer em uma situação que se reconhece adúltera. É se portar como o avestruz, que ao enfiar a cabeça no buraco, mas deixando o seu enorme corpo exposto, acha que não está sendo visto pelo predador. Se há adultério no começo, é óbvio que há na sua continuidade. A continuidade de algo ilícito não elimina o pecado. A mentira é pecado e sustentá-la não anula o erro e nem a condenação do Senhor. Quando uma mentira é sustentada obstinadamente, com o passar do tempo esta se transforma em “verdade” na mente do mentiroso.
    O Senhor tem sido longânimo e inclusivo conosco, apesar das nossas falhas, mas não há na Bíblia nenhuma liberação para se continuar em pecado, “pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”. O sofisma edifica uma fortaleza com muralhas tão altas, que envolvem, sufocam e impedem que a luz de Deus chegue a nós, tornando-se difícil de serem destruídas e cegam as pessoas. Temos que observar o que está evidente: é um adultério contínuo.

  20. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    SE MOISÉS LIBEROU, EU TAMBÉM ESTOU LIBERADO!

    Os fariseus expuseram todo engano e malícia que estavam em seus corações quando perguntaram a Jesus: “Porque mandou então Moisés, dar carta de divórcio e repudiar?”, e isto se repete nos dias atuais. Eles queriam encurralar Jesus para terem uma desculpa, uma saída para justificarem suas ações sem peso de consciência, entretanto, Jesus foi irredutível e não fez nenhuma concessão.
    Jesus, para agradá-los ou mesmo encurralado, poderia ter respondido: “Se Moisés permitiu, eu não posso fazer nada, vocês ganharam e me deixaram sem saída, portanto estão liberados ao divórcio”. Mas não foi essa a resposta de Jesus. “Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.” Com estas palavras, Jesus desarmou a armadilha contra Ele e anulou toda a tentativa de engano e não liberou ninguém ao divórcio e recasamento.
    “Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela.” (Romanos 10:5). “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2:10). Se alguém deseja viver pela Lei de Moisés, então que seja de uma forma plena, observando todos os seus preceitos e não se esquecendo dos sacrifícios, punições e maldições, circuncisão, restrições sobre alimentos, etc. Não poderão ser omitidos os açoites, multas e pena de morte para o adultério, homossexualismo, bestialidade, incesto, estupro, filhos desobedientes (Dt 21:18-21), trabalhar no sábado (Êxodo 31:14-15), etc. Aquele que usa esta argumentação precisa fazer a sua escolha: Lei de Moisés ou graça? Gálatas 5:4: “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes”.

    EXCEÇÃO PARA A PARTE INOCENTE

    A quase totalidade dos grupos cristãos tem sustentado que existe uma exceção para o divórcio e essa é para a parte inocente. Parte inocente é aquele cônjuge que nada fez, seu parceiro foi quem errou. Segundo eles, nesse caso, o inocente pode se divorciar e casar de novo. Tentam justificar o novo casamento da “parte inocente”, argumentando que isto é “como se a parte ofensiva estivesse morta”.
    Esta idéia está baseada na doutrina de Martinho Lutero, onde afirma que há “dois reinos”, o espiritual e o político (secular), sendo que Deus governa tanto um quanto o outro. O primeiro é dirigido pela Igreja, e o segundo pela autoridade política. O primeiro é governado sem uso da espada (“Mas Jesus disse a Pedro: Mete a espada na bainha” Jo 18:11), já no segundo é legítimo o uso da espada (“visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.” Rm 13:4). O regimento do Evangelho cria cristãos, enquanto que o da lei, por meio da autoridade civil, coíbe o mal e mantém a paz. Esta doutrina exerceu forte influência na interpretação de vários reformadores protestantes com relação ao recasamento.
    A Igreja (reino espiritual) ao considerar que a Lei de Moisés aplicava a pena de morte àqueles que cometessem relações sexuais ilícitas, esperava que as autoridades seculares (reino político) assim o fizessem utilizando a espada, pois a Igreja do Novo Testamento não podia fazê-la. Assim sendo, um casado que assim pecasse seria morto, tornando o cônjuge inocente viúvo e apto ao novo matrimônio. Como a autoridade secular não punha em prática esta exigência da Lei de Moisés, os reformadores consideraram o ofensor como “morto aos olhos de Deus”. Parece que não fizeram uma apropriada distinção entre a Lei de Moisés e a Lei de Cristo. Exigiam o cumprimento da Lei de Moisés que teve um fim em Cristo (Rm 10:4). O Jesus da Bíblia é perdoador e fez assim com a mulher apanhada em adultério (Jo 8:3-8) e também conosco que O traímos com o nosso pecado.
    Como já vimos em “DESCOBRINDO O PRINCÍPIO – itens A e D”, Lucas e Paulo respondem a esta questão: “e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.” (Lucas 16:18). É óbvio que existe a exceção para um crente inocente com cônjuge incorrigível, mas isto se refere à separação e não ao divórcio, o qual foi abolido no Cristianismo. Abolido o divórcio, não existe novo matrimônio para a parte inocente. Só a morte física desfaz o matrimônio. Não há fundamento bíblico para a alegação de que o adúltero está “morto aos olhos de Deus”. Portanto, casar novamente com o outro cônjuge ainda vivo não é legítimo, é adultério.
    Baseados no princípio apresentado neste trabalho: “Para o discípulo de Jesus há possibilidade de separação, se a iniciativa for do cônjuge ímpio ou no caso de relações sexuais ilícitas, mas o divórcio não é aceito. Havendo separação e estando vivo o cônjuge, não haverá recasamento, pois será adultério, tanto para o homem quanto para a mulher. Em qualquer situação, Deus deseja a reconciliação”, podemos afirmar com segurança que, se a parte inocente, que foi repudiada, vier a se casar, estará cometendo adultério.

    NÃO DEU CERTO PORQUE NÃO FOI APROVADO POR DEUS!

    Alguns afirmam que se um casamento não deu certo, terminou em separação ou divórcio, era porque não tinha sido realizado ou aprovado por Deus, “não foi feito no céu”, portanto, nunca existiu e pode-se casar novamente. Em Mateus 19:3-9, os fariseus ao receberem a afirmação de Jesus (“o que Deus ajuntou não o separe o homem“), compreenderam muito bem que o casamento é realizado por Deus, tanto que não retrucaram; se calaram. Eles poderiam ter questionado da mesma maneira que é feito hoje, com a mesma forma utilizada por muitos: “e se não foi Deus que de fato realizou a união? Se o casamento deu certo é de Deus, se deu errado, não foi dEle!” Qualquer motivo é motivo para quem quer ter motivo. Desculpas e mais desculpas para quem tem intenções malignas no coração. A hipocrisia e dureza de coração têm levado pessoas a dizerem que podem se separar e casarem novamente porque na “Igreja” onde se casaram não há limitações, dizendo com isto que foi a instituição religiosa, a denominação, que realizou o casamento e não Deus. Após lermos as explanações anteriores e a aplicação do princípio para a separação, divórcio e recasamento; creio não haver dúvidas que esta afirmação é absurda, tendenciosa e inteiramente sem fundamentos bíblicos.
    Se alguém com cônjuge vivo se “casou” novamente, realmente este não foi aprovado por Deus, “não foi feito no céu”. Se um solteiro ou viúvo se “casou” com alguém que tem cônjuge vivo, este “casamento” deve ser desconsiderado. Terminado este relacionamento adúltero, o solteiro ou viúvo está apto a casar-se com alguém verdadeiramente livre.

    A ANGUSTIOSA SITUAÇÃO PRESENTE

    Lendo alguns trabalhos, descobri que algumas pessoas têm argumentado que 1Coríntios 7:25-28 lida com pessoas divorciadas, porque no verso 27 Paulo pergunta: “Estás livre de mulher?”. Alguns argumentam que ele quis dizer “Estás divorciado?”. Portanto o que ele estaria dizendo no verso 28 é que não é pecado quando pessoas divorciadas casam-se novamente. No entanto, existem problemas insuperáveis com esta interpretação.
    Como já dissemos anteriormente, neste capítulo 7 Paulo estava tratando do assunto do serviço, do compromisso supremo, da consagração ao Senhor (vs 35). No verso 26, Paulo revela que os crentes de Corinto estavam debaixo de uma “angustiosa situação presente”. Para Paulo isso tinha a ver com perseguição física (vs 28) e com a agressão de viver onde os valores do mundo são contrários aos valores do Reino de Deus (vs 31). O momento era difícil, de grande preocupação e a perseguição estava a ponto de acontecer. O ódio aos cristãos era evidente e não demorou muito para se manifestar. Ele chegou ao extremo, quando, mais tarde, em julho de 64 D.C., o louco e sanguinário imperador Nero atribuiu aos cristãos o incêndio de Roma e os acusou de “inimigos do gênero humano”. Iniciou, então, uma violenta perseguição, fazendo com que as prisões ficassem abarrotadas de cristãos, os quais foram trucidados, degolados, crucificados, enterrados ou queimados vivos.
    Subdividindo o texto base de 1Coríntios 7:25-28 temos:
    “Com respeito às virgens, não tenho mandamento do Senhor; porém dou minha opinião, como tendo recebido do Senhor a misericórdia de ser fiel (1). Considero, por causa da angustiosa situação presente, ser bom para o homem permanecer assim como está (2). Estás casado (dew deo)? Não procures separar-te (luw luo) (3). Estás livre (lusiv lusis) de (apo apo) mulher? Não procures casamento (4). Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca. Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu quisera poupar-vos” (5).
    Analisando as partes:
    (1) Indica que Paulo está começando uma nova seção e tratando de outra questão. Ele já lidou com o problema das pessoas desertadas nos versos 10-16. Agora ele toma uma nova questão, sobre aqueles que ainda não são casados, e ele sinaliza isso ao dizer “Com respeito às virgens”. Portanto, é muito improvável que as pessoas referidas nos versos 27 e 28 sejam as divorciadas.
    (2) Ele estava dizendo que aquela situação angustiosa exigia habilidade e prudência nas decisões.
    (3) No dizer de Paulo, esta prudência pode ser resumida da seguinte maneira: “os casados devem permanecer casados” (unidos); não deviam deixar o convívio, nem para servir ao Senhor. “Não procures separar-te“ é uma negativa, não é um incentivo a qualquer pretensão de separação, pois em 1Coríntios 7:12,13 está escrito que “não a abandone”, “não deixe o marido”, revelando que o Senhor nunca ordenaria isto aos casados, pelo contrário, no verso 10 Ele disse “aos casados, ORDENO, … que a mulher não se separe… que o marido não se aparte de sua mulher”. O Senhor odeia o repúdio (Ml 2:16) e nunca instruiria isto. Os casados estavam sendo alertados para que aproveitassem o tempo que lhes restavam e ficassem juntos, unidos, se amassem, se protegessem e servissem um ao outro e ao Senhor com intensidade.
    (4) “Estás livre de mulher? Não procures casamento”. A palavra “livre” indica não estar ligado a uma mulher. Segundo Romanos 7:2 e 1Coríntios 7:39, Paulo estabeleceu que a morte é único elemento que torna alguém legalmente livre do laço de um casamento, portanto, um repudiado ou desertado ainda está preso a ele. Assim sendo, este “livre de mulher” só pode estar se referindo aos viúvos ou solteiros. Em outras palavras: “Estás viúvo ou solteiro? Por prudência, não procures casamento, estejam livres de preocupações desnecessárias, por causa dos tempos difíceis em que vivemos”.

    Com relação aos itens (3) e (4), precisamos salientar que é necessário levar em consideração o significado da palavra “casado (dew deo)” neste texto. O noivado, naquela época, tinha uma conotação legal de casamento, muito diferente do sentido ocidental, que conhecemos. No grego, a palavra para esposa é simplesmente “mulher” e pode referir-se tanto à noiva de um homem quanto à sua esposa. O contexto parece indicar uma referência à noiva virgem de um homem, não à sua esposa. Assim, “Estás casado” e “Estás livre de mulher?” podem estar se referindo a uma pessoa que é noiva ou a que consumou o matrimônio.
    É importante considerar que o verbo usado por Paulo para “Estás livre (lusiv lusis derivada de luw luo) de (apo apo)” (apoluo) não é uma palavra usada para divórcio (Apostasion apostasion).

    (5) “Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca”. Não era pecado casar, mas era imprudência casar sem medir as lutas e as dificuldades que sobreviriam naquela situação. Os solteiros deviam ter plena consciência de suas decisões. Estes argumentos de Paulo evidenciam sua preocupação com a compostura, a honradez e a dignidade do cristão. Não estaria pecando se fosse viúvo(a) ou solteiro(a). Quanto, porém, aos que se casassem, nesta situação angustiosa, passariam por sofrimentos, o que não aconteceria se continuassem livres dos compromissos matrimoniais. Paulo queria poupá-los da dor e outras agruras.
    Portanto, não há nenhuma liberação ao divórcio e recasamento nestes versículos. Se estas palavras de Paulo em 1Coríntios 7:26-28 estivessem liberando o divórcio ou o casamento do repudiado, seria uma contradição grosseira com o que disse em Rm 7:2-3; 1Co 7:10-11 e 39. “Mas, se te casares, com isto não pecas” contradiz violentamente o “será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem”.
    O verso 36 certamente está descrevendo a mesma situação vista nos versos 27 e 28, mas claramente refere-se a um casal que ainda não é casado. “Entretanto, se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem”. Isto é o mesmo do verso 28, em que Paulo diz “Mas, se te casares, com isto não pecas”.
    Concluímos que, 1Coríntios 7.25-28 não dá o direito das pessoas repudiadas ou divorciadas a se casarem novamente. Ensina que, aqueles que ainda não se casaram e os viúvos, devem seriamente considerar a vida de solteiro, mas que eles não pecam se casarem.

    DEUS SE DIVORCIOU DE ISRAEL POR MOTIVO DE ADULTÉRIO!

    Quando o assunto de adultério é tratado, ocasionalmente, surge a alegação que Deus se divorciou de Israel por este motivo, com isso, concluem que o divórcio e recasamento são permitidos neste caso. Para discorrer sobre esta questão, não podemos desconsiderar que, quando aconteceu este problema, os descendentes de Jacó estavam sob a Lei de Moisés, que contemplava o divórcio e que Jesus aboliu esta possibilidade aos cristãos. Para justificar este argumento, é usado o seguinte texto de Jeremias, que foi profeta em Judá:
    “Quando, por causa de tudo isto, por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio, vi que a falsa Judá, sua irmã, não temeu; mas ela mesma se foi e se deu à prostituição. Sucedeu que, pelo ruidoso da sua prostituição, poluiu ela a terra; porque adulterou, adorando pedras e árvores. Apesar de tudo isso, não voltou de todo o coração para mim a sua falsa irmã Judá, mas fingidamente, diz o SENHOR. Disse-me o SENHOR: Já a pérfida Israel se mostrou mais justa do que a falsa Judá” (Jeremias 3:8-11).
    Em Jeremias 3:14 “diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo…” e como já verificamos, a Lei de Moisés em Lv 20:10 e Dt 22:22 diz que havendo adultério com mulher casada, tanto o homem adúltero, quanto ela seriam mortos. Assim sendo, ficam as seguintes perguntas:
    • Por que Deus não aplicou a pena de morte, eliminando Israel (dez tribos) e Judá (duas tribos) da face da Terra?
    • Por que Deus diz que, por ter cometido adultério, despediu a traidora Israel e lhe deu carta de divórcio?
    Para compreendermos isto, é imprescindível que saibamos, mesmo em uma forma resumida, o que aconteceu na história das doze tribos de Jacó, após a divisão.
    Em 1Reis 11:1-13 diz que Salomão (filho de Davi) casou-se, contra a vontade de Deus, com muitas mulheres pagãs. Ao envelhecer, por causa delas, tornou-se idólatra e por isso Deus dividiu o seu reino após sua morte. Provavelmente, o cansado Salomão não suportou e cedeu às chantagens, cobranças ou insistentes ofertas das inúmeras mulheres. O casamento misto é uma oferta tentadora, mas pode levar o crente, que anda em caminho apertado (Mt 7:13-14), a ceder ao caminho espaçoso do seu cônjuge ímpio, pois andar na carne (natureza decaída – Gl 5:19) é natural e mais fácil. Este é um dos motivos de não ter havido casamento misto, crente com incrédulo (2Co 6:14-15; 1Co 7:39), na igreja primitiva. O crente que está em jugo desigual precisa orar e vigiar.
    Após a morte do rei Salomão, seu filho Roboão assumiu o seu lugar, mas houve uma revolta e Jeroboão (filho de Nebate) reivindicou o reino, havendo assim uma divisão em Israel (1 Reis 12):
    • As tribos de Judá e Benjamim e muitos de Efraim, Manassés e Simeão (2Crônicas 15:9; 34:1,3,6) ficaram com Roboão e constituíram o reino de Judá, ao sul, com sede em Jerusalém. Deus manteve este reino por amor a Davi (de quem viria Jesus) e de Jerusalém (1Reis 11:13).
    • As outras dez tribos ficaram com Jeroboão e constituíram o reino de Israel, ao norte, com sede definitiva em Samaria. Jeroboão esteve escondido no Egito, por motivos políticos, de onde importou o culto ao bezerro de ouro e também se atolou na idolatria a outros deuses.
    O texto de Jeremias 3:8-11 relata que por causa da idolatria das tribos de Israel com outros deuses e a decadência moral em que estavam, o Senhor permite que o Reino do Norte (Israel) fosse invadido. Este reino começou a ser levado para a Assíria em 734 a.C. (2Reis 15:29) e em 721a.C. completou o cativeiro (2Reis 17:6). A Assíria enviou povos de seus domínios, inclusive de Babilônia para repovoar as cidades de Samaria (2 Reis 17:24). A Assíria, além de destruir o reino do Norte, invadiu Judá em 713 a.C. (2Reis 18:14-16) e toda ela foi capturada em 701 a.C. (2 Reis 19), menos Jerusalém, sendo que, depois, foram derrotados pelo Anjo do Senhor, que feriu 185 mil assírios (2 Reis 19:35). Após isto, a Assíria foi dominada pela Babilônia.
    Passados cerca de 115 anos após o exílio do Reino do Norte, o Reino do Sul (Judá) começou a ser levado cativo por Nabucodonosor, rei da Babilônia, o que ocorreu em três etapas: 606a.C., 597a.C. e finalmente em 586a.C. foi completamente tomado (Jr 52, 2Rs 25).
    Em 536a.C., a Pérsia subjugou Babilônia e dominou o mundo até a elevação dos gregos em 330a.C. Antes disso, a Pérsia venceu a Média, formando um só domínio.
    Ao terminar os 70 anos de exílio, Ciro, o primeiro governante persa, proclamou o retorno dos judeus, bem como a restauração da nação de Israel, que demorou pouco mais de 100 anos. Assim como, em Judá, houve três levas de cativos ao exílio, houve também três levas de repatriados:
    • Em 536a.C., sob Zorobabel e Jesua, deu início à reconstrução do templo (Esdras 5).
    • Em 457a.C., sob Esdras, que veio da Pérsia com a missão de embelezar o templo (Esdras 7).
    • Em 445a.C., sob Neemias, que reconstruiu os muros de Jerusalém.
    É importante salientar que, entre os repatriados, vieram muitos elementos do extinto Reino do Norte. Lembremo-nos de que parte dos exilados daquele reino foi para as cidades da Média (2Reis 17:6). Agora, a Média e a Pérsia formavam um só reino, o que tornou praticável a volta de elementos das tribos do Norte. Em 1Crônicas 9:3 diz que entre os repatriados havia filhos de Efraim e Manassés, que eram das tribos do Norte. Em Esdras 10:25 o Reino do Norte é mencionado como “Israel” e em Esdras 6:17; 8:35 e 10:5 é mencionado “todo o Israel”, querendo dizer povos dos dois reinos. Provavelmente, os exilados de Judá, quando voltaram à pátria, passaram pelo alto Eufrates (caminho habitual), onde estavam seus irmãos do Norte e conduziram os que resolveram voltar à Palestina. Ana, no Novo Testamento, era da tribo de Aser, do antigo Reino do Norte (Lucas 2:36). Nos dias de Paulo e Tiago existiam núcleos de todas as tribos (Atos 26:7 e Tiago 1:1). O Senhor Jesus fez menção das doze tribos reunidas no futuro. Portanto, a restauração da nação de Israel foi feita com pessoas do Reino do Sul e do Reino do Norte (23).

    Creio que, agora, poderemos entender o porquê da necessidade de escrever este resumo histórico em um trabalho sobre separação, divórcio e recasamento.
    Em primeiro lugar, se houve adultério, Deus não aplicou a pena de morte da Lei de Moisés, que Ele mesmo estabeleceu. As doze tribos não foram eliminadas da face da Terra e existem até hoje, embora saibamos que, do Reino do Norte, poucos retornaram do exílio.
    Em segundo lugar, a carta de divórcio era irrevogável (Dt 24:4) e não era possível a reconciliação, mas, ao contrário disto, vemos Deus restabelecendo a nação de Israel com pessoas de todas as doze tribos e a comunhão com Ele.
    Vimos anteriormente que a Lei de Moisés não anulou a “promessa” feita a Abraão. Os homens podem até esquecer, mas Deus nunca se esquece de uma promessa “…se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Timóteo 2:13). Durante todos os acontecimentos com Israel e Judá, o Senhor tinha em mente a Abraão, para quem foi feita a promessa que dele viria o Messias. Como Deus aplicaria a pena de morte ou então entregaria uma irrevogável carta de divórcio a alguém cuja palavra foi empenhada? Impossível! A Lei de Moisés era o aio para conduzir “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo…” (Gl 3:24), não era para exterminar e nem despedir definitivamente os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Desta forma, o próprio Deus estaria Se declarando duro de coração ao fazer algo que condenou nos fariseus. Então, como explicar Jeremias 3:8-11 “… por ter cometido adultério, eu despedi a pérfida Israel e lhe dei carta de divórcio…”? Por exclusão, só resta uma alternativa:
    Deus usou os termos “adultério” e “carta de divórcio” com o objetivo de mostrar Sua indignação, Sua repulsa ao que estava acontecendo e a punição que seria aplicada. Podemos comprovar isto através do que está escrito em Isaías 50:1(“Assim diz o SENHOR: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual eu a repudiei? Ou quem é o meu credor, a quem eu vos tenha vendido? Eis que por causa das vossas iniqüidades é que fostes vendidos, e por causa das vossas transgressões vossa mãe foi repudiada.”). O mesmo texto na versão “Nova Tradução na Linguagem de Hoje”: “Será que vocês acham que eu os mandei embora como um homem manda embora a sua mulher? Então onde está o documento de divórcio? Ou acham que eu os vendi como escravos a fim de pagar as minhas dívidas? Não! Vocês foram levados prisioneiros por causa dos seus pecados; eu os mandei embora por causa das suas maldades”. Então, onde está o documento de divórcio? O divórcio era irrevogável e era impossível a reconciliação, mas aqui Deus explica que NÃO houve divórcio e sim um repúdio, portanto, era possível fazer cessar a separação temporária (1Co 7:10-11) entre Ele e seu povo.
    Em Isaías 54:6-8 “Porque o SENHOR te chamou como a mulher desamparada e de espírito abatido; como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus. Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor.” A paciência de Deus não tem limites, pois Ele, realmente, é longânimo. Deus ordenou que os israelitas fossem santos e lhes deu a lei e os profetas para conduzi-los. O Senhor usou os profetas para chamá-los à santidade, mas eles persistiram em seus pecados. Se as palavras foram insuficientes, Deus precisou castigá-los, pois Ele é santo. Mesmo assim, não pôde deixar os seus nessa condição. Perdoou-lhes e os acolheu de volta com grande compaixão. Ainda faz assim a favor de qualquer pessoa que pecar.
    Com a idolatria, que é semelhante ao adultério e a prostituição, ao invés de decretar a pena de morte à sua esposa, eliminando o povo israelita da face da Terra, demonstrou, metaforicamente, Sua repulsa ao pecado através de algo radical semelhante ao repúdio – o exílio na Assíria e Babilônia. Em Isaías 54:6-8, Deus demonstra que não divorciou, mas repudiou a sua esposa por causa de adultério e depois se reconciliou com ela. Ele já estava demonstrando o que escreveria no Novo Testamento: “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas…” (Mateus 19:9). “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher”. (1Coríntios 7:10-11). Esta foi uma separação temporária, para que o cônjuge problemático (todo Israel) fosse trabalhado até que o problema fosse resolvido e assim pudesse voltar ao convívio.
    Isto pode ser comprovado, pois O vemos dizer em Jr 3:1 “Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura, aquele tornará a ela? Não se poluiria com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas, ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR”. Em Jr 3:12 vemos o Senhor dizendo “Volta, ó pérfida Israel, diz o SENHOR,…”, em Jr 3:14 “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo…”, em Jr 3:22 “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões…” e em Jr 4:1 “Se voltares, ó Israel, diz o SENHOR, volta para mim;…”. Em Jr 4:4 “Circuncidai-vos para o SENHOR, circuncidai o vosso coração, ó homens de Judá e moradores de Jerusalém”. Portanto, Deus não aplicou a pena de morte, mas a disciplinou. Com muito amor, chamou de volta a Sua esposa repudiada, exortando o povo a arrepender-se, oferecendo assim a sua clemência, o perdão das ofensas, demonstrando o seu profundo e persistente amor. Já estava revelando a obra de Jesus Cristo a nosso favor, a maravilhosa graça.
    Como vimos, Deus não se divorciou de Israel, pois se isto tivesse acontecido, as doze tribos de Jacó não teriam retornado à Palestina. Por isso, não podemos basear nesta passagem de Jeremias, usando o adultério como motivo para divórcio, pois o profeta empregou um conjunto de palavras para expressar a indignação, a justa disciplina de Deus e o perdão; o repúdio e a reconciliação (1Coríntios 7:10-11).
    Através da história do povo israelita, o Senhor dá o exemplo a todos aqueles que foram traídos pelo cônjuge.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    A Igreja Católica, Romana e a Ortodoxa, com seu exclusivismo e a doutrina do casamento sacramental, que desprezam aqueles realizados em outras religiões (Jesus não desprezou – Lucas 20:34), juntamente à visão da igreja da Reforma Protestante e de suas filhas, fizeram com que o divórcio chegasse a um nível insuportável entre os cristãos e hoje colhemos os frutos desta heresia. O divórcio e recasamento se transformaram em uma avalanche incontrolável e no intuito de amenizar e ajudar aqueles que estão nesta situação, temos visto as Escrituras Sagradas sendo torcidas e retorcidas, com muita habilidade e inteligência, a procura de brechas para justificá-los. Mas, será que estas justificativas, na verdade, não são para subornar a consciência dos cristãos em pecado?
    Seria muito mais fácil e nem causaria estresse se preferíssemos pregar a favor ou nos omitir em relação à separação, divórcio, recasamento, da forma de namoro atual, do homossexualismo, aborto e da felicidade humanista. Seria mais confortável e, certamente, muito mais gente estaria caminhando conosco. As obras da carne expressam a natureza caída da humanidade e lutar contra elas não é nada popular. O que temos visto é toda forma de impureza sexual alastrar-se livremente em nossas igrejas e a taxa de divórcio ser tão alta quanto no mundo. Embora este assunto seja pesado e indigesto, necessita ser abordado com seriedade e urgência. Não podemos proibir o que Deus liberou e nem liberar o que Ele proibiu. Temos que ser fiéis à Palavra de Deus, não importando as conseqüências, oposição e desprezo que poderão advir. Jesus foi desprezado e poucos creram em sua pregação; o açoite, prisão e morte não intimidaram os profetas e apóstolos em falar a verdade. Não dá para continuar “em cima do muro”, não adianta adotar uma posição de querer agradar a todos ou ficar neutro, ora acusando uns de serem fariseus legalistas, e ora de serem liberais libertinos, pois a verdade tem que prevalecer com valentia. Esta tentativa de ser imparcial acaba deixando todos desorientados. A vontade de Deus é o que importa. Definitivamente, precisamos tomar uma posição bíblica sobre este tema.
    O divórcio está fora de controle em nossa geração. Os casamentos já são realizados com esta possibilidade em mente e são desfeitos por banalidades. Pasmem! Um casal, nascidos e criados na igreja evangélica, cerca de um ano após o casamento, entrou em conflito porque o marido queria ir a uma reunião de oração em um horário e a esposa em outro. Por fim, se divorciaram por causa de uma reunião de oração e, certamente, vão se casar novamente como se nada tivesse acontecido.
    A intolerância e o egoísmo predominam no coração da atual geração humanista. Não há fidelidade à palavra empenhada; caiu na vala comum e se transformou em algo banal e corriqueiro. Não existe compromisso e esta não é uma palavra muito popular nos dias de hoje, pois vivemos na sociedade do descartável. Se não quer mais os velhos, pratica a eutanásia ou abandona em asilos; se não quer o neném, aborta, mata, joga na rua, na lagoa ou lixeira; divorcia, se cansou e não quer mais o cônjuge.
    O humanismo, dentre outras coisas, banalizou o casamento de tal forma, que levou à afirmação muito popular, inclusive de líderes cristãos, de que “amigado com fé, casado é”, mas a Palavra de Deus mostra com muita clareza que, sem estar casado, pecado é.
    Neste mundo globalizado, o Cristianismo está e será colocado à prova em vários temas como a liberação do casamento de homossexuais, aborto, consumo de drogas, eutanásia, união sem casamento, etc. Muitos sucumbiram e estes pecados não mais escandalizam, ficaram normais, já vemos a licenciosidade instaurada em muitos grupos cristãos. Se os governantes aprovarem o aborto ou o casamento de homossexuais, a igreja vai alterar as suas doutrinas? A igreja vai se amoldar ao sistema mundano? A Palavra de Deus responde: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2). “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;” (1Pedro 1:14).
    Se o valor do casamento fosse de domínio geral na Igreja, o estudo sobre separação, divórcio e recasamento não seria tão importante, como tem sido nos tempos atuais. O “ficar” e o “namorinho” imoral, que não têm objetivo de casamento, sem comprometimento pautado por princípios de santidade e pureza, de acordo com a Palavra de Deus, já estão ficando normais. O início de um relacionamento que dá origem à família tem sido imoral. A separação é natural, o divórcio já não escandaliza e o recasamento é anunciado e oficializado com festas e “abençoado” despudoradamente pelas autoridades eclesiásticas. Infelizmente, o que temos visto é a celebração da iniqüidade no Cristianismo. Nestes tempos de apostasia, líderes cristãos, agindo conforme o mesmo padrão do império das trevas, descartam o cônjuge da mocidade, se divorciam e “casam” novamente, sem nenhum constrangimento, com ovelhas mais jovens ou interessantes. Outros caem um adultério, se divorciam, se “casam” novamente e permanecem na liderança como se nada tivesse acontecido. “O aspecto do seu rosto testifica contra eles; e, como Sodoma, publicam o seu pecado e não o encobrem. Ai da sua alma! Porque fazem mal a si mesmos.” ( Is 3:9).
    Como estamos vendo, precisamos, urgentemente, voltar às verdades e ao padrão estabelecido pelo Senhor para sua Noiva, a fim de vê-la “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5:27), pronta para receber o Noivo. Fica reforçada a afirmação de urgência deste ensino devido à chegada de novas ovelhas, das crianças, nas quais estão desabrochando o interesse pelo sexo oposto e casamento, também, pelo fato de haver muitos adultos, que não têm revelação sobre o assunto. Vemos que isto quase não é abordado em público, a não ser em reuniões específicas de casais, por isso, situações embaraçosas poderão surgir, permitindo o pecado por falta de conhecimento. Cristãos amasiados ou em adultério há muito tempo, alegam que nada sabiam a respeito. Onde está o ensino sobre o pecado e o Reino de Deus?
    Um líder cristão ao realizar o casamento promove o pacto de fidelidade “até que a morte os separe” e o Senhor nos adverte: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mateus 5:37 ). Imaginemos que, com o passar do tempo, um dos cônjuges volte a ele ou a outro, para fazer este mesmo pacto com outra pessoa, estando o primeiro pactuante ainda vivo. Sejamos honestos, isto não é um erro? Não seria uma promoção da mentira? Não estaríamos trocando o “até que a morte os separe” de Romanos 7:2-3 pelo “até que o divórcio os separe?” Não é uma hipocrisia? Penso ser necessário reconsiderarmos nossas posições. Muitos líderes, ao realizarem um casamento, já não estão levando os nubentes a fazerem este pacto. Por que estão omitindo isto?
    Portanto, torna-se cada vez mais urgente que retornemos às verdades e ao padrão de Deus. Isso exigirá de nós coragem e perseverança para resistirmos à tentação de conduzir a igreja segundo nossos próprios conceitos ou cedermos aos apelos feitos pela maioria para que abaixemos o padrão estabelecido por Deus (Rm 12:1-2; Ef 4:1). O diabo, às vezes, engana-nos fazendo-nos adotar uma mentalidade de grupo que justifica certos pecados porque a maioria das pessoas os considera comportamento normal. Entretanto, devemos sentir medo quando estamos seguindo a maioria. O Cristianismo, pela sua própria natureza, é uma religião de contracultura. Seguir a Cristo é como nadar contra a correnteza, remar contra a maré (João 17:14-19; Romanos 12:1-2). Precisamos nos perguntar se não estamos alargando a porta e o caminho, com o objetivo de aliviar e não confrontar o erro. Caímos na tentação de sermos menos radicais que o Espírito Santo e, talvez, com o medo de esvaziar o número de membros e perder status, renda e poder político ou medo de reconhecer o próprio erro e de suas conseqüências, tornamo-nos complacentes com o pecado. Sabemos que isto dificilmente nos levará a um avivamento. A porta e o caminho sempre serão estreitos e apertados. Nós não temos autorização e nem poder para alargá-los. O caminho de Deus é difícil, mas conduz para a vida eterna. Deve-se, ao estudar a Palavra de Deus, estar disposto a aceitar o que ela diz, independentemente de quaisquer circunstâncias pessoais ou possíveis conseqüências.
    Deixo uma pergunta aos líderes cristãos, que fazem recasamento de divorciados ou estão nesta situação: Verdadeiramente, há paz em seu coração quando toma esta atitude ou está vivendo nesta situação? O Espírito Santo não lhe traz à consciência uma sensação de erro, de algo anormal, de pecado? Medite nisto e responda sinceramente a Deus.

    ATITUDES RADICAIS

    Realmente, isto é muito difícil para qualquer pessoa diretamente envolvida no problema, mas o Senhor requer de nós atitudes radicais para segui-lo.
    Ao jovem rico, exigiu-lhe que vendesse tudo e desse aos pobres: ”Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (Mt 19:21). Para sentir o radicalismo desta exigência, ponha-se no lugar daquele jovem.
    Perder a vida é radical: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mt 16:25).
    Cortar, arrancar e jogar fora também é radical: “Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.” (Mt 18:8-9).
    Ser eunuco por causa do reino dos céus é radical: “Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus.” (Mt 19:12).
    Jesus foi radical contra o pecado em Jo 2:15 “tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas” .
    Jesus foi mais radical que Moisés, quando disse: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5:28).
    Paulo em 1Co 5:5 foi radical ao orientar os líderes a entregarem a Satanás um de seus membros.
    Pedro foi radical em Atos 5:1-11, quando Ananias e Safira morreram por mentirem ao Espírito Santo.
    Em João 6, Jesus foi radical com as multidões que O seguiam por interesse material (vs 6) e com os discípulos no verso 67: “Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?”, quando os questionou se ainda queriam segui-Lo.
    Temos que ser radicais na rejeição ao pecado e na submissão a Deus, pois a decisão mais radical da história foi tomada por Ele, quando entregou seu Filho à morte, para satisfazer Sua justiça, oferecendo um perdão responsável que teve um alto preço, custo de sangue (Hebreus 9:22), e assim nos resgatar da perdição eterna.
    Deus ordena ao homem e a mulher que se amem, perdoem e vivam em paz. A família é inviolável e sagrada. Deus disse em sua Palavra que odeia a separação e a infidelidade, Ele dá uma ordem para manterem a aliança e os votos feitos perante Ele, a sociedade e o cônjuge.

  21. JOSIEL TEIXEIRA LIMA

    ABANDONAR PECADOS

    Após a conversão, o novo crente continua com problemas em várias áreas de sua vida e que devem ser tratados. Os pecados devem ser abandonados e vencidos, pois o perdão de Deus é sempre condicional, demandando fé, arrependimento e abandono. Não importa qual pecado, ele deve ser abandonado imediatamente, conforme Tito 2:11-14 “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.
    “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.” (Provérbios 28:13).
    “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.” (1João 3:9).
    “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Romanos 6:1-2).
    Como já concluímos, o recasado está em pecado de adultério contínuo, que deve ser abandonado imediatamente. Os adúlteros não herdarão o reino de Deus (1Coríntios 6:9-10) “Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, … herdarão o reino de Deus”.
    Precisamos ser firmes e corajosos na obediência a Deus, pois situações ou afirmações que apelam à alma são colocadas de forma tão enganosa e perigosa, que precisam ser confrontadas com a verdade:
    • “Estão juntos há tanto tempo, vivem em harmonia e amor, por isso, na prática, já são casados! Juntado com fé, casado é!”
    • “Exigir que um recém-convertido, que já passou por duas ou mais uniões, volte ao primeiro cônjuge é tristemente antibíblico – só faz desgraça.”
    • “Mas, o irmão era casado, tinha filhos, separou-se e “casou novamente”, agora sua nova família está toda estruturada, já tem filhos com essa outra mulher, será mesmo que terão de se separar? Será que Deus quer destruir essa família? Deus é tão cruel assim? Não terão eles o direito de serem felizes?”
    • “Você vai esperar por seu esposo até quando? Você tem o direito de ser feliz, com um homem que lhe ame!”
    • “Estou me divorciando por ter sido traído. Será que Deus deseja que eu viva sozinho por um erro que não cometi?”
    • “Esta pessoa é a paixão da minha vida. Se a encontrei, é porque Deus, visando a minha felicidade, deseja que me divorcie e viva com ela!”
    • “Então a pessoa estará condenada para sempre a viver um relacionamento conjugal infeliz? Eu acho que ela deve ter outra chance!”
    • “Por causa de um erro no passado, eu agora não tenho o direito de ser feliz?”
    • “São homossexuais, mas se amam, têm o direito de serem felizes e de se casarem!”
    • Etc., etc., etc.
    Estes questionamentos e afirmações são terríveis e podem nos levar à ruína, à desgraça de viver em pecado, se não estivermos arraigados na Palavra de Deus. Precisamos ser firmes e corajosos na obediência a Deus, pois situações que apelam à alma são colocadas de forma tão enganosa e perigosa, que precisam ser confrontadas com a verdade.
    Se o relacionamento em um recasamento é pacífico e está indo bem, então o sentimentalismo humano, o coração enganoso (Jr 17:9), leva a achar que está correto e passa a fazer aquelas indagações: “Será mesmo que terão de se separar? Será que Deus quer destruir essa família? Não terão eles o direito de serem felizes?” Mas se o mesmo for conflituoso, este mesmo coração enganoso, muda de opinião imediatamente e passa a defender a separação, fazendo mil e uma justificativas. Não é isso que acontece? Não é o que vemos e ouvimos? Portanto, se basearmos no sentimentalismo humano, certamente, “seremos agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina”. A decisão final tem que vir da Palavra de Deus.
    Observe como Satanás investe contra o casamento verdadeiro, como surgem problemas com o cônjuge legítimo, mas com a(o) amante ou em outro “casamento” parece que o maligno dá uma trégua aparente, cozinha em banho-maria, pois esta situação está do jeito que ele gosta, levando ao engano e destruição eterna. Ele é sujo e vem somente para roubar, matar e destruir (Jo 10:10), lutando contra o propósito de Deus.
    Estejamos com os corações abertos e cheios de coragem para assumirmos posições bíblicas, mesmo que sejam duríssimas, angustiosas e provoquem muito choro; como o citado em Esdras 10:1-44. Uniram-se, indevidamente, com mulheres as quais Deus havia proibido. A seguir, reproduzo um comentário que consta na “Bíblia de Estudo Vida”: “Os relacionamentos mencionados por Secanias não eram casamentos verdadeiros, nem as mulheres eram vítimas inocentes daqueles transgressores. A palavra traduzida por “casando” em Esdras 10:2 não é a palavra que normalmente se usava em referência ao casamento, mas significava “dando um lar a”. Alguns acham que “mulheres estrangeiras” significa prostitutas. Mesmo o casamento legítimo com cananeus era ilegal segundo a lei mosaica, especialmente por causa do perigo das concessões religiosas. Claramente, os judeus em questão não levaram a sério as leis de Deus, e as mulheres estavam dispostas a aceitar uma posição frágil e ilegal no lar desses homens. Cortar o relacionamento significava acabar com algo que estava errado desde o começo. Mandar essas mulheres e seus filhos embora parece drástico, porém o próprio povo escolheu essa solução como a melhor opção disponível para eles (Esdras 10:1-14). Estavam decididos a se separar do seu pecado. Esdras apoiou seus planos. O autor do livro de Esdras não diz o que aconteceu às mulheres e às crianças. Fica claro, porém, que cada caso foi cuidadosamente analisado.”
    Nosso Deus é santo e o pecado pesa no Seu coração (Gênesis 6:6), por isso não podemos fazer concessões, por mais apelativas que sejam as argumentações. Se tivermos o mínimo temor a Deus, abriremos mão de tudo o que Lhe ofende. Às vezes parece ser impossível, humanamente falando, mas para Deus tudo é possível e, certamente, trará uma solução a cada caso.
    O discípulo de Jesus, solteiro ou viúvo, que está amasiado, deve se casar ou abandonar a relação ilícita. Segundo a lei de Cristo, a doutrina dos apóstolos, o casado com cônjuge ímpio não deve se separar e o separado procure a reconciliação com o cônjuge verdadeiro. O recasado está em adultério e precisa se decidir. Cada “casamento” ou relacionamento indevido é um nó difícil e doloroso para desatar, pois podemos estar a lidar com pessoas feridas e se houver filhos a situação torna-se mais dramática. Pela “lei da vida”, somos sempre responsáveis pelos nossos atos, quer sejam bons ou maus. Deve-se assumir a tutela e o cuidado da educação e sustento dos filhos, ainda que sejam ilegítimos (Gálatas 6:7-10) “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna.”

    A QUEM AMAMOS MAIS?

    Devemos nos perguntar se amamos a Deus e ao seu propósito. Queremos, de fato, fazer o que Ele quer ou o que nós pensamos e desejamos? Buscamos a satisfação de nossos interesses e instintos ou uma vida de santidade e compromisso com Ele e com o seu propósito?
    O Senhor Jesus expressou de forma muito clara, sobre a opção que temos diante do seu chamado e do nível de amor que Ele requer e não nos deixou escolha: “Se alguém vem a mim e não aborrece (aborrece; isto é, ama menos) a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26-27).
    “Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.” (Hebreus 11:35-38).
    A história da igreja relata-nos que homens e mulheres fiéis foram torturados e perderam a vida de forma horrível por causa da fidelidade e do amor a Cristo. A dor e a morte não foram maiores do que o amor e a submissão a Cristo. Esse é o preço de ser discípulo de Cristo, que poucos têm tido coragem de pagar. “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele”. (1João 2:4-5).
    Precisamos crer e confiar no amor do nosso Deus, pois Ele conhece na prática todos os dramas e sentimentos humanos, “antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:7-8). Ele sentiu em Sua própria carne, em Jesus, o que é ser desprezado, injustiçado, ignorado, humilhado, abandonado, traído, espancado e violentado na alma. “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.” (Is 53:3).
    Confie nas Suas soluções, pois não são apenas teorias, mas muito práticas, pois Ele passou por tudo isto e quer o melhor para nós. Ele nos ama profundamente, não quer que nenhum se perca e, certamente, dará resposta a quem Lhe busca.
    Se pensamentos de separação, não importando o motivo, passam em sua mente, ore e rejeite, pois não vêm de Deus. Se você estiver “namorando” ou noivando com ou sendo divorciado, ou em outro “matrimônio” com o primeiro cônjuge ainda vivo, agora, resta apenas uma pergunta: A quem você ama mais, o Senhor ou o (a) companheiro (a)? Que a graça de Deus lhe sustente e conduza, para que possa tomar a sua decisão e atitude.
    Este problema é tão antigo como a própria humanidade, por isso este estudo e exortações são importantíssimos. Talvez não devesse ser tão essencial, vital, como se tornou atualmente, pois estes pecados tinham que ser óbvios aos crentes, como é o assassinato, roubo, feitiçaria, etc. Como disse o cristão Roberto Fernandes: “Deveríamos estar aprendendo mais sobre o casamento, amor e fidelidade dos compromissos entre o homem e a mulher, como manter a família unida e feliz, os filhos em sujeição e obediência aos pais, as esposas amadas e bem protegidas, os homens sábios, firmes e amáveis.” Enfim, a família como um projeto de Deus.

    “Tornei-me, porventura, vosso inimigo, por vos dizer a verdade?” Gálatas 4:16.

    REFERÊNCIAS

    Neste trabalho, idéias de vários autores, tanto em livros quanto em artigos na Web foram utilizadas e alguns trechos transcritos, dentre eles relacionamos alguns abaixo. Peço desculpas a estes autores, pois, com o decorrer do tempo, já não consigo identificar quais são estes textos e nem suas fontes.

    1. “BOL – A Bíblia Online” – Sociedade Bíblica do Brasil.
    2. “Bíblia de Estudo Vida” – Editora Vida.
    3. “Divórcio e Novo Matrimônio” – Roberto Carlos Fernandes – Web (1).
    4. “No Princípio Não Era Assim” – Igreja em Manhuaçu – MG – Web (1).
    5. “A Celebração da Iniquidade na Igreja” – Asaph Borba – Web (1).
    6. “Casamento, Separação e Divórcio” – Sérgio Franco – Web (1).
    7. “Considerações Sobre o Divórcio” – Jamê Nobre – Web (1).
    8. “O Divórcio, a Lei e Jesus” – Walter L. Callison – Web (1).
    9. “Deserção” – Rev. Angus Stewart – Web (1).
    10. “A Quem Enviarei?” – Cristian Romo – Web (1).
    11. “O Casamento Judaico” – Barney Kasdan – Web (1).
    12. “Lei e Graça Contrastadas” – Moacir R. Oliveira – Web(1).
    13. “A Fé dos Humanistas” – Francis Schaeffer – Web (1).
    14. “O Deus da Aliança Odeia o Divórcio” – Gildásio Reis – Web (1).
    15. “Divórcio e Novo Casamento: Uma Declaração” – John Piper – Web (1).
    16. “O Impacto do Racionalismo na Igreja Cristã” – Augustus Lopes – Web (1).
    17. “Os Anabatistas – Nem Católicos Nem Protestantes” – William R. McGrath – Web (1).
    18. “Do Humanismo Ridículo: A Crítica da Prefectibilidade Humana em Pascal e Lutero” – Luiz Felipe Pondé – PUC-SP – Web (1).
    19. “Verdades Atuais” – K. R. Iverson c/ Bill Scheidler – Comunidade Cristã de Curitiba.
    20. “A Superior Aliança” – Watchman Nee – Editora Vida.
    21. “Não Ameis o Mundo” – Watchman Nee – CLC – Editora.
    22. “Os Perigos da Paixão” – Jonas Neves de Souza – Igreja Batista da Lagoinha.
    23. “A Bíblia Através dos Séculos” – Antônio Gilberto – Edições CPAD.
    24. “Josué e a Vida Depois da Vírgula” – Délcio Meireles – Edições Parousia.
    25. “Divórcio à Luz da Bíblia” – Robert J. Plekker – Edições Vida Nova.
    26. “Divórcio e Recasamento” – Shawn Abigail – Editora Restauração.

    (1). World Wide Web – “Web” ou “WWW” – (“rede de alcance mundial”) é um sistema de documentos em hipermídia que são interligados e executados na internet.

    Envie seu comentário para: [email protected]
    Juiz de Fora – MG
    Janeiro / 2010

  22. Jorge Ferraz

    Senhor Josiel,

    Gostaria de pedir a gentileza de não colar textos deste tamanho. Isso dificulta a leitura. Da próxima vez, ponha somente a referência (o link) para o artigo original, citando alguns trechos que julgar mais importantes.

    Obrigado,
    Jorge

  23. Alexandre Magno

    O texto copiado pelo Josiel está em um .doc disponibilizado pelo site igrejaemjuizdefora.com.br. O documento “Jesus Aboliu o Divórcio – Separação, Divórcio, Recasamento e o Reino de Deus” tem 54 páginas, data de abril de 2010, é autorado por Gleuso A. Heringer – [email protected], e consiste de um estudo bíblico. Eu não o li.

  24. Gleuso A. Heringer

    Prezados Senhores.

    O Alexandre Magno está correto. Se o texto colocado pelo Jesiel está provocando algum desconforto ou constrangimento, peço que fiquem à vontade para retirá-lo.
    Um forte abraço.
    Gleuso Heringer
    1 Coríntios 14:33 “…porque Deus não é de confusão, e sim de paz.”

  25. Gleuso A. Heringer

    Prezados, favor trocar a figura por uma outra que contenha um sorriso. Não foi minha intensão assustá-los, rsrsrsrs!
    No amor de Cristo.
    Gleuso Heringer

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