A criação da vida artificial

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Não tenho muito tempo agora, mas é só para comentar en passant um assunto ao qual eu provavelmente terei que voltar depois: Vida sintética criada pela 1a vez. Pelo que entendi, um cientista projetou um genoma em computador, sintetizou, colocou em uma “carcaça” de bactéria (i.e., retirou o DNA “original” dela) e o bicho “funcionou” – a bactéria começou a se comportar de acordo com o DNA novo.

Bom, antes de mais nada, remeto ao lúcido texto da Lenise Garcia sobre o assunto, publicado na Gazeta do Povo. “Venter está ‘brincando de Deus’? Nem tanto. Afinal, o homem gera novas espécies de plantas e vegetais há muito tempo, fazendo cruzamentos”. As exaltações são até justificáveis, uma vez que o avanço científico é sem dúvidas notável; mas não há motivos para se colocar os carros na frente dos bois, ou – pior ainda – enxergar nos experimentos de Venter coisas que não estão lá.

Quais as grandes novidades do resultado? Ao que me conste, já se sabia o que era um genoma. Já se tinha noção de como ele funcionava. Já se sabia que o DNA, grosso modo, é um polímero bem grande, e já se sabia que polímeros podem ser sintetizados. A novidade, portanto, ao que parece, é que isso pela primeira vez foi feito.

Não acompanhei a pesquisa e não sei exatamente quais eram as dúvidas que os cientistas tinham, nem quais as linhas de pesquisa que se abrem agora, as próximas barreiras a serem ultrapassadas, os objetivos visados, ou nada disso. Quais as implicações teológicas desta descoberta, é o assunto que nos toca mais proximamente. Sobre estas, volto a escrever em breve.

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5 thoughts on “A criação da vida artificial

  1. João de Barros

    Caro Jorge:

    Alguns reparos.

    Isso está longe de ser criação de vida sintética.

    O que houve de sintético aí foi o DNA da bactéria, que era uma cópia do DNA verdadeiro da mesma bactéria. O que você chamou de “carcaça” era na verdade o corpo de uma bactéria viva que teve seu DNA verdadeiro subtituído por um DNA igual, mas sintético.

    A Dra. Lenise Garcia erra ao afirmar que os seres humanos criaram várias espécies de plantas e animais ao longo dos séculos.

    Por enquanto, não existe uma única espécie de planta ou animal criada pelo homem. O que nós temos são raças melhoradas de espécies que já existiam antes. Algumas dessas espécies, como o milho, tornaram-se extintas na natureza e somente ainda existem graças ao homem. Mas, evidentemente, não foi o homem quem criou o milho.

  2. João de Barros

    Quando se faz um cruzamento de duas espécies, não se gera uma nova espécie.

    Mulas, por exemplo, não são uma nova espécie de animal. São animais híbridos (jumento x égua) incapazes de se reproduzir naturalmente por serem estéreis.

    A maioria dos animais e plantad domesticados nem sequer são híbridos. Cães e porcos, por exemplo, são apenas raças domesticadas de lobos e javalis, com os quais podem cruzar-se e gerar descendentes férteis.

  3. João de Barros

    É a velha piada dos calouros de veterinária:

    “Qual o nome científico da mula?”

    A mula não tem nome científico pois não pertence a espécie nenhuma. É exatamente essa a definição de um híbrido. Como sói acontecer aos híbridos, mulas, embora sejam animais utilíssimos, são incapazes de reproduzirem-se. Logo, jamais gerarão uma espécie própria distinta de cavalos e jumentos.

    É como a Teologia da Libertação: Um híbrido artificial de marxismo com catolicismo felizmente incapaz de reproduzir-se naturalmente. Os machos são burros e as fêmeas são mulas.