The Social Network (2010)

closeAtenção, este artigo foi publicado 6 anos 8 meses 8 dias atrás.

[ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS!]

Assisti The Social Network na quarta-feira passada. Gostei bastante do filme. Ontem, conversando com um amigo que encontrei casualmente no aniversário de um amigo em comum, descobri duas coisas interessantes: primeiro, que este meu amigo criara um blog; e, segundo, que ele escrevera precisamente sobre este filme, do qual também havia gostado bastante. Também eu quero tecer algumas rápidas linhas sobre a película, não exaustivas. Desnecessário dizer que recomendo o filme.

O protagonista, Mark Zuckerberg, é um personagem interessantíssimo. Consegue provocar, nos que assistem ao filme, sentimentos tanto de ódio quanto de compaixão. Um gênio, sem dúvidas – mas um gênio extremamente boçal. A maneira como ele trata as pessoas que lhe são próximas chega a irritar os que assistem ao filme – “meu Deus, como ele pode ser tão crápula?”; mas, ao mesmo tempo e paradoxalmente, a maneira como ele despreza o dinheiro e o poder em benefício das pessoas que ama provoca admiração – “como ele pode ser tão desapegado?”.

Quando li a sinopse do filme, havia entendido que o garoto construíra o Facebook após levar um fora de sua então namorada. Acontece que não é exatamente assim; do início do filme, depreende-se que Mark detém completa e exclusivamente a culpa pelo fim do seu relacionamento. Trata a sua namorada com um ar superior que não se usa nem com o pior inimigo. Frases como “tu irás, comigo, conhecer pessoas que de outra maneira jamais irias conhecer” e “não, fica aqui comigo, tu não precisas estudar, porque estás na Universidade X” (não me recordo o nome dela agora, mas é clara a conotação, no filme, de que se trata de uma universidade de nível inferior) irritam profundamente – e com total razão – a garota. Ela termina com ele, ele a xinga no blog, e tudo parece estar muito certo.

Mas não está porque, a partir daí, a vida de Mark é uma ascenção meteórica, enquanto a menina continua como uma personagem apagada e secundária em toda a trama. No entanto, ela volta e sempre aparece, em diversas passagens do jovem multimilionário que não está disposto, de nenhuma maneira, a desistir dela. Chega a ser cômico! Ele tenta desculpar-se com ela e, dela, só recebe desprezo. Mesmo assim, ele pergunta em um certo momento a Sean Parker (criador do Napster, que o está ajudando com o Facebook) se ele ainda pensa na garota cujo fora o fez criar o Napster (a história de ambos é parecida). Sean nem lembra mais da garota, mas Mark não a esquece. Não importa quanto dinheiro, poder e fama ele obtenha: ele simplesmente não a esquece! É uma interessantíssima maneira de se mostrar o quanto as pessoas valem mais – infinitamente mais – do que dinheiro e poder. A ponto de até um perfeito cretino como Mark Zuckerberg percebê-lo! A mensagem é tanto mais forte quanto maior é o contraste entre a personalidade do criador do Facebook e a sua insistência em fazer as pazes com a antiga namorada.

Tanto que a cena final chega a ser apoteótica: em uma sala vazia, após as diversas audiências judiciais envolvendo os autores de duas ações milionárias contra o Facebook, Mark fica sozinho e liga o computador. Abre o seu Facebook. Procura por Erica Albright (a ex-namorada). Vacila um pouco, mas clica afinal em “add as friend” no seu perfil. Olha para a tela. Aperta F5 (para atualizar, e ver se ela já aceitou o convite). Olha para a tela. Atualiza-a. Olha de novo. Atualiza novamente. E assim, repetidas vezes, termina o filme.

O criador do Facebook, o mais jovem bilionário do mundo, mendigando a atenção da ex-namorada na rede virtual por ele próprio criada! Após perder alguns milhões de dólares nas duas ações movidas contra ele, isto simplesmente não ocupa a sua atenção. Não o preocupa. A única coisa que o incomoda é que ele não conseguiu fazer as pazes com Erica Albright. Ele conseguiu tudo, menos isso, e é exatamente isso que o preocupa e incomoda, é o que torna a sua vida incompleta, é o que ele deseja a todo custo conseguir ainda. O filme não chega a dizer isso, mas eu fiquei imaginando se, caso lhe fosse dado escolher entre o dinheiro e a garota, Mark Zuckerberg não escolheria a garota.

Independente disso, o fato é que – claramente – o dinheiro e o poder exercem menos fascínio sobre o criador do Facebook do que a possibilidade de fazer as pazes com a antiga namorada. Ele até admite perder algum dinheiro, mas a possibilidade de não reatar os laços com Erica Albright é o que, sem dúvidas, o aterroriza verdadeiramente, é o que lhe tira o sentido da vida. Porque ela se apresenta, afinal de contas, como “algo” – melhor dizendo, como alguém – sobre a qual todo o seu dinheiro e poder não têm nenhuma influência. A antiga namorada vale mais do que ser dono do Facebook? O filme mostra que certas coisas não têm preço. E que até mesmo quem está cheio de orgulho, de poder, de fama e de dinheiro é capaz de o perceber e de se incomodar com isso.

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18 thoughts on “The Social Network (2010)

  1. Alex

    Pela sinopse apresenta pelo Jorge, esse filme deve ser muito bom mesmo!

    Quero assistir a esse filme!

    Infelizmente aqui em minha cidade, no interior de Minas Gerais, ele deve chegar só o ano que vem; talvez na melhor das hipóteses, em fevereiro.

  2. Alex

    Infelizmente uma vida cultura maior está restrita às grandes cidades!

    E, pior, como diz o Olavo de Carvalho, no Brasil nem existe mais cultura superior!!!…

    Digo isso chorando, não como quem possui tal cultura, mas como quem não a tem e não pode tê-la…, pelo menos por enquanto.

  3. Alex

    Eu também gostaria de assistir aquele “As Crônicas de Nármia”. Parece ser muito bom. Até a Rainha da Inglaterra foi assisti-lo! :P

  4. Alex

    Sobre o último filme de Harry Potter, dizem que a atriz Emma Wattson (muito bonita, por sinal) foi beijada nesse filme.

    Foi selinho ou foi um beijo mais caliente?! rsrs

  5. Alex

    Sobre a Erica Albright, eu acho que ela deveria perdoar o Mark Zukerberger. Não porque ele tenha dinheiro ou poder, mas porque é um mandamento de Cristo que perdoemos a todos, inclusive os nossos inimigos.

  6. Francisco de Castro

    Se a atriz foi a que fa o papel da namorada do Potter o beijo foi muito contido nada dos exagerados beijos das novelas. foi um selinho demorado… mas bem suave se dá pra entender.

  7. Alex

    Eu não assisti ao último filme do Harry Poter, mas, pelas notícias, a atriz que protagonizou um bejo foi a Emma Watson sim.

    Veja esta notícia:

    Emma Watson e Rupert Grint
    De acordo com o Access Hollywood, numa entrevista à BBC, Emma Watson, a Hermione de Harry Potter, declarou que beijar Rupert Grint, o Ron Weasley, foi uma das cenas mais desconfortáveis que ela já protagonizou em toda sua carreira.

    “Nós fizemos a cena do beijo há duas semanas e foi a coisa mais horrível que eu já tive que fazer” disse a atriz, que fez a cena para o filme Harry Potter e as Relíquias da Morte, que já está sendo filmado.

    “Devem existir milhões de garotas por aí que provavelmente dariam seu braço esquerdo para beijar o Rupert, mas pra mim é como se fosse incesto. É a única forma que consigo descrever.” continuou. “Mantive meus olhos fechados e tentei não pensar no fato de que era ele alí!” disse rindo.

    Emma ainda declarou que foram necessários seis takes para sair a cena definitiva, pois eles riam muito enquanto gravavam.

    Harry Potter e o Enígma do Príncipe, filme que antecede o Relíquias da Morte, estreia no próximo dia 15 de julho.

    http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/famosos/2009/07/06/210538-emma-watson-diz-que-beijo-em-rupert-grint-foi-horrivel

  8. Alex

    E por falar em beijo e romance, vejam esta outra notícia sobre a Emma Watson:

    Jornal flagra beijo de Emma Watson no set de ‘Harry Potter’
    Atriz protagoniza cena real de romance com Jay Barrymore
    Do EGO, em São Paulo

    Além das de aventuras dos amigos bruxos, o set de filmagem do próximo filme da série ‘Harry Potter’ teve ainda cenas reais de romance, conforme noticiou o site do jornal ‘Daily Mail’. A atriz Emma Watson, 19 anos, que interpreta Hermione na trama, foi clicada aos beijos com o namorado, Jay Barrymore, 27.

    http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1092864-9798,00-JORNAL+FLAGRA+BEIJO+DE+EMMA+WATSON+NO+SET+DE+HARRY+POTTER.html

  9. Alex

    Lúcio, eu não tenho culpa da Emma Watson ser bonita! rsrsr :)

    Abraços, Alex.

  10. Alex

    Estava vendo o trailer de “Thor”. Parece ser um bom filme!

    Veja primeiro no MSN o primeiro trailer legendado de “Thor”. A superprodução é baseada nos quadrinhos do personagem da Marvel. O poderoso, mas arrogante guerreiro Thor (Chris Hemsworth) é banido do mundo de Asgard, enviado para viver entre os terráquios. Logo ele se torna um defensor dos humanos. Com Natalie Portaman, Kat Dennings, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgärd, Idris Elba, Clark Gregg e René Russo, Estréia nos cinemas em abril de 2011.

    http://video.br.msn.com/watch/video/exclusivo-thor-legendado/66dvo2g7

  11. Alex

    Oi, Magna!

    Salve Maria!

    Obrigado pela dica sobre os quadrinhos!

    Quanto a minha idade, vamos dizer que eu sou um “tio jovem” rsrs. Talvez o fato de eu ter me ligado por muito tempo a um estilo de vida monástico, mesmo estando fora de um mosteiro, tenha feito eu chegar um pouco atrasado a “flor da idade”. Mas isso não me impede de levar as coisas a sério e com maturidade…

    Um abraço fraterno, Alex.

    P.S.: Você tem perfil no facebook?! Eu estou lá, se quiser pode me adcionar aos seus amigos.

  12. Lampedusa

    Jorge, “Rede Social” ontem. Fiquei com uma impressão bem diferente da sua (que me pareceu muito Pollyana). Ocorreu-me que a obsessão de Marck por Erica deve-se muito mais por ela ter sido o seu único obstáculo não vencido ou seu único desafio perdido do que propriamente por amor…

    Além disso, é triste a superficialidade em que vive essa geração high-tech. É de dar dó…