Cristeros e Nazistas

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 8 meses 11 dias atrás.

O filme “Cristiada” – que conta a história da Guerra Cristera mexicana – foi o filme mais assistido nos cinemas do México quando foi lançado, em abril deste ano. Não foi lançado ainda no Brasil e, até onde me conste, não há previsão; por conta disso, caíram recentemente na internet alguns links para o download do filme completo. Muitas pessoas aqui no Brasil já o assistiram, o que provocou uma nova onda de interesse pela película; esperamos que ela possa chegar em breve aos nossos cinemas.

Em meio a esta onda de entusiasmo com os mártires mexicanos, recebi hoje via Facebook o vídeo abaixo, uma homenaje a los Cristeros. Trata-se de uma versão em espanhol da nossa “Queremos Deus”; a versão mexicana é belíssima e chama-se “Tu Reinarás”.

Para a minha surpresa, no entanto, ao tentar acessá-lo diretamente, recebi uma mensagem do YoutTube avisando que «[o] conteúdo a seguir foi identificado pela comunidade do YouTube como sendo potencialmente ofensivo ou inapropriado». Não sei qual critério é utilizado pelo gigante de vídeos para fazer este tipo de classificação, mas suspeito que este vídeo em específico tenha recebido esta advertência porque, lá pelos 2m10, aparece o nome de Léon Degrelle, seguido de algumas fotos do alemão belga.

Aqui, é preciso deixar claro:

– que a Cristiada não tem relação com a Segunda Guerra Mundial ou com o Nazismo;
– que o movimento Rexista fundado por Degrelle não tem a ver com a Cristiada e, ainda, que ao contrário do que se diz no vídeo não consta que o nome do movimento tenha nascido dos gritos de ¡viva Cristo Rey! dos católicos mexicanos;
– que, embora tenha posteriormente se aliado ao discurso de Hitler, o movimento Rexista produziu também valorosos membros da resistência à Alemanha Nazista;
– que a única colaboração de Degrelle com a Guerra Cristera foi como correspondente de um jornal mexicano à época do conflito;
– que Degrelle só muito tardiamente se juntou à SS [p.s.: sendo antes disso católico valoroso e admirado, é justo mencionar], já na década de 1940 (a Guerra Cristera terminou em 1929); e por fim
que não se entende o porquê de Degrelle ter sido colocado (e ainda fazendo uma extemporânea saudação nazista, aos 2m36) num vídeo sobre a Cristiada, em todo o resto belíssimo.

Rejeitamos, portanto, e com veemência, o injusto rótulo odioso que pode advir desta associação descabida entre os católicos que morreram no México e os alemães que serviram na Schutzstaffel. Aos mártires mexicanos as nossas homenagens, sim. Que, de junto a Deus, eles intercedam por nós. Que os que aqui ficamos não deixemos morrer a memória da sua luta e do seu sangue derramado. Mas que isso se faça com bom senso e com justiça, em respeito à memória dos que aqui lutaram e morreram por Cristo e pela Igreja.

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3 thoughts on “Cristeros e Nazistas

  1. Lucio

    Normalmente, o “conteúdo potencialmente inapropriado” se refere ou à sexo ou à violência. Ele não é impossibilitado de ser assistido, apenas que ele tem uma “faixa etária” por assim dizer. Neste caso, penso, ele talvez foi “marcado” pelas fotos dos mortos e dos mártires.
    Outra coisa a se notar: a imagem da cruz destruindo o símbolo da fé judaica no comecinho, e depois essa ligação com o alemão. Escolhas infelizes e incorretas do autor do vídeo, em minha opinião, que é muito bonito e inspirador fora essas partes.

  2. Lavras Resiste

    Degrelle era belga, e não alemão. Ele foi um grande entusiasta e apoiador dos Cristeros. De coragem e bravura excepcionais, foi o estrangeiro mais condecorado pelo III Reich. Católico e monárquico, foi uma pena que tenha aderido ao nazi-fascismo. Talvez não tivesse – ou julgasse não ter – outra opção para impedir o avanço do comunismo.

  3. Jorge Ferraz

    Escapou-me, de fato, obrigado pela correção.

    Quanto aos motivos subjetivos que levaram cada qual a seguir o caminho que efetivamente seguiram, a gente deixa sob a responsabilidade do Deus Altíssimo julgar. Mas obrigado também por se lembrar de falar coisas boas em favor de Léon Degrelle quando eu, irritado com a referência, apenas me limitei a separar o movimento católico mexicano do nazi-fascista europeu. Se é pra respeitar a memória dos mortos, a gente tem que fazer isso para os dois lados.