Nossa Senhora de Guadalupe: diálogos com San Juan Diego

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No dia de Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira das Américas, publico um trecho da narrativa das aparições da Mãe de Deus ao índio Juan Diego em 1531, há quase quinhentos anos. A passagem consta no livro de Edésia Aducci, “Maria e Seus títulos gloriosos”, e eu a cito apud “PCO – Plinio Corrêa de Oliveira”.

* * *

Na primeira aparição, Nossa Senhora, falando no idioma mexicano, dirige-se a Juan Diego: “Meu filho, a quem amo ternamente, como a um filho pequenino e delicado, aonde vais?” Resposta dele: “Vou, nobre Senhora minha, à cidade, ao bairro de Tlaltelolco, ouvir a santa missa que nos celebra o ministro de Deus e súdito seu”.

Ela: “Fica sabendo, filho muito querido, que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, e é meu desejo que me erijam um templo neste lugar, de onde, como Mãe piedosa tua e de teus semelhantes, mostrarei minha clemência amorosa e a compaixão que tenho dos naturais e daqueles que me amam e procuram; ouvirei seus rogos e súplicas, para dar-lhes consolo e alívio; e, para que se realize a minha vontade, hás de ir à cidade do México, dirigindo-te ao palácio do bispo que ali reside, ao qual dirás que eu te envio e que é vontade minha que me edifique um templo neste lugar; referirás quanto viste e ouviste; eu te agradecerei o que por mim fizeres a este respeito, te darei prestígio e te exaltarei”.

Resposta dele: “Já vou, nobilíssima Senhora minha, executar as tuas ordens, como humilde servo teu”.

Segunda aparição: Juan Diego volta do palácio do bispo, no mesmo dia, à tarde. A Santíssima Virgem o esperava. “Minha muito querida Rainha e altíssima Senhora, fiz o que me mandaste, e, ainda que não pudesse entrar a falar com o senhor bispo senão depois de muito tempo, comuniquei-lhe a tua mensagem, conforme me ordenaste; ouviu-me afavelmente e com atenção; mas, pelo seu modo e pelas perguntas que me fez, entendi que não me havia dado crédito; portanto, te peço que encarregues disso uma pessoa (…) digna de respeito, e em quem se possa acreditar, porque bem sabes, minha Senhora, (…) que não é para mim este negócio a que me envias; perdoa, minha Rainha, o meu atrevimento, se me afastei do respeito devido à tua grandeza; que eu não tenha merecido tua indignação, nem te haja desagradado minha resposta”.

A Santíssima Virgem insiste com Juan Diego. Este volta ao bispo e o prelado exige um sinal da aparição. Volta o índio e Nossa Senhora manda que volte no dia seguinte, ao mesmo local, que Ela satisfaria o desejo do bispo; mas Juan Diego, precisando chamar o sacerdote para seu tio, que adoecera gravemente, e desvia-se do caminho combinado, certo que a Santíssima Virgem não o veria. Mas eis que Nossa Senhora aparece-lhe noutro local. “Aonde vais, meu filho, e por que tomaste este caminho?” Juan Diego: “Minha muito amada Senhora, Deus te guarde! Como amanheceste? Estás com saúde?… Não te agastes com o que te vou dizer: está enfermo um servo teu, meu tio, e eu vou depressa à igreja de Tlaltelolco, para trazer um sacerdote para confessá-lo e ungi-lo, e, depois de feita esta diligência, voltarei a este lugar, para obedecer à tua ordem. Perdoa-me, peço-te Senhora minha, e tem um pouco de paciência, que amanhã voltarei sem falta”.

Resposta dela: “Ouve, meu filho, o que eu vou dizer-te: não te aflija coisa alguma, nem temas enfermidade nem outro acidente penoso. Não estou aqui eu, que sou tua Mãe? Não estás debaixo de minha proteção e amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás em meu regaço e não andas por minha conta? Tens necessidade de outra coisa?… Não tenhas cuidado algum com a doença de teu tio, que não morrerá dessa vez, e tem certeza de que já está curado”.

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One thought on “Nossa Senhora de Guadalupe: diálogos com San Juan Diego

  1. D R

    Realmente, tenho que concordar com o Pe. Quevedo quando diz que milagres autênticos (comprovados pela Ciência) só ocorrem na Igreja Católica e em nenhuma outra religião do mundo (incluindo as demais denominações cristãs); e que a Imagem de Guadalupe é um dos maiores milagres da Igreja. Confesso que tentei pesquisar, na medida do possível, sobre milagres permanentes de outras religiões e, até hoje, não consegui refutar a afirmação do padre.

    Gostaria de citar um emocionante trecho da história da Imagem de Guadalupe; pois, mostra um dos tristes motivos de tantos sacrifícios humanos e o porque que aquela imagem mudou tanto a história daqueles povos evitando um grande derramamento de sangue.

    VEJAM QUE HISTÓRIA INTERESSANTE:

    ” …

    O Povo Asteca. Quando no dia 8 de novembro de 1519 Hernán Cortés chegou ao México com um reduzido grupo de soldados espanhóis, as populações locais já existiam há quarenta mil anos na América Latina. Existiam, produzindo altas culturas com saberes sofisticados. Quase meio século depois, o historiador Bernal Diaz Del Castillo ainda se lembrava da admiração dos espanhóis quando avistaram pela primeira vez a grande cidade de Tenochtitlán (hoje México), cujos edifícios refletiam-se nos lagos salgados. O império asteca terminou sob o domínio de Hernán Cortés em 1521.

    O cristianismo chegou ao México com os conquistadores. Guerreiro e religioso, o povo asteca convivia com a morte na prática de seu politeísmo.

    Entre tantas lendas, acreditavam que os deuses Céu e Terra geraram os deuses Lua e Estrelas. Mas um dia Tonantzin, a deusa Terra, enquanto caminhava pelo deus monte Tepeyac, ficou grávida, concebendo o deus Sol. É por isso que o Sol nasce na Terra e não no Céu, como a Lua e as Estrelas. As deusas Estrelas não gostam do deus Sol, por ser filho adulterino de Tonantzin e Tepeyac. E a cada dia o deus Sol sob o ataque das deusas Lua e Estrelas, vai apagando-se pouco a pouco até cair totalmente vencido no final do dia, deixando o horizonte manchado do vermelho de seu sangue.

    O filho adulterino de Tonantzin e Tepeyac, desangrando-se quase totalmente, deixa o horizonte coberto com seu sangue. Durante a noite, apesar de governada pelos deuses Lua e Estrelas, o DEUS SOL NA ESCURIDÃO PODE REFAZER-SE GRAÇAS AO SANGUE DAS JOVENZINHAS SACRIFICADAS EM HOMENAGEM A ELE pelos astecas. FORTALECIDO, o SOL é capaz de SURGIR NOVAMENTE e clarear o dia.

    Com a dominação espanhola, os sacrifícios humanos foram proibidos. O topo da pirâmide onde se celebravam os sangrentos sacrifícios foi destruído, e no seu lugar foi construída a Igreja de Santiago, ainda hoje conservada.

    Mas continuavam vivos os mitos religiosos entre o povo. Os missionários esforçaram-se muito para que os astecas descobrissem e aceitassem o verdadeiro Deus, criador do sol, a terra, a lua e as estrelas. Mas poucos se convertiam. A idolatria estava arraigada neles. No “Colóquio dos doze apóstolos franciscanos com os sábios astecas”, estes não aceitaram que suas tradições religiosas fossem extintas: “E agora nós devemos destruir a antiga regra de vida?”

    A Nova Religião. Poucos anos depois, em 1531, “a antiga regra de vida” ia ser abandonada espontaneamente. Oito milhões de índios pediriam o batismo católico, por amor a uma jovem Rainha que um deles disse ter visto no monte Tepeyac. A jovem Rainha vestia as cores com que a rainha dos astecas se vestia nas grandes festas. E a jovem Rainha não era deusa. Era superior aos “deuses” sol, lua, estrelas, porque com eles se ornava. Mas estava em adoração ao fruto do Seu ventre. Usava o cinto de arminho que a rainha dos astecas usava quando estava grávida. Quem seria o Menino que a jovem Rainha esperava? Sobre o peito levava um broche com a Cruz de Cristo, tal como estava nos estandartes dos conquistadores espanhóis.
    “Presidindo” a vestimenta de rainha, a Cruz de Cristo, reproduzindo em tamanho pequeno a forma e círculo, como estava nos estandartes dos conquistadores.

    Os missionários franciscanos, batizavam até 15 mil índios por dia onde hoje está a linda igreja de “El Pozito” (o Poçinho).

    Toda a nação asteca, como um só homem, batizou-se e fez-se instruir na religião que veio com aquela jovem Rainha. Ela “pode ser chamada com todo o direito a Primeira Evangelizadora da América”, frisava João Paulo II, em 6 de maio de 1990.

    O índio, hoje São Juan Diego, não podia saber que o lugar, no Tepeyac, onde ele estava tendo a visão da jovem Rainha era exatamente o centro geográfico, milimetricamente, o umbigo de todo o continente americano. Símbolo de que a

    Senhora desejava ser também Rainha das Américas. E de fato, em 1945, Pio XII interpretava este simbólico de suposto desejo de Nossa Senhora de Guadalupe,
    declarando-a ‘Imperatriz de todas as Américas’.

    … ”.

    FONTE: http://www.clap.org.br/artigos/guadalupe/g_quemens.asp

    Viram que história triste e emocionante?

    Na sua ignorância, dia após dia, eles sacrificavam as jovens porque acreditavam que o Sol brigava com a Lua e as estrelas e, no entardecer do céu avermelhado, o Sol perdia sangue; e que, se não fizessem isso, o Sol iria morrer e não nasceria no outro dia; então, o mundo ficaria nas trevas para sempre.

    Por isso, a Imagem de Guadalupe converteu tantos índios ao cristianismo de forma tão pacífica; pois, ela era um verdadeiro códice para os nativos (que os colonizadores espanhóis não conseguiam entender); como, por exemplo, ela pisando sobre a deusa Lua que eles tanto temiam!

    Vale a pena assistir (no YouTube) o incrível documentário do History Channel “GUADALUPE: UMA IMAGEM VIVA” que conta a fascinante história e também os principais estudos científicos realizados na Imagem de Guadalupe, com entrevista de pintores, astrônomos, físicos e até do Dr. Aste da IBM.

    E também o excelente e sério documentário do Discovery Channel (disponível em DVD ou no YouTube) “O MISTÉRIO DO SANTO SUDÁRIO” e sua continuação “O SUDÁRIO DE TURIM”; que, ao lado de Guadalupe, também é um dos maiores milagres da Igreja.