Nota da Província Camiliana Brasileira sobre o pe. Christian de Barchifontaine e o aborto

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 2 meses 29 dias atrás.

[Referente à denúncia de que o sacerdote camiliano pe. Christian de Barchifontaine – feita, entre outros lugares, aqui mesmo no Deus lo Vult! – estaria flertando com o abortismo mais descarado e sem-vergonha, recebemos a seguinte nota de esclarecimento da Província Camiliana Brasileira.

Especificamente sobre o evento do CFM ocorrido em Belém do Pará, foi aparentemente este o material usado pelo referido padre na malfadada mesa redonda. A apresentação é sucinta e mal contém os tópicos que devem ter sido abordados durante a preleção do revmo. sacerdote; por ela somente, não dá para concluir nada. Inobstante, o padre Christian é conhecido pela proeza de escrever livros sobre bioética nos quais não menciona o aborto uma única vez (!), e este tão inusitado fato é por si só indício suficiente de que provavelmente existe alguma coisa de muito errada no conceito de “defesa da vida” do padre de Barchifontaine. Sentimo-nos, assim, no direito de continuar desconfiados. Reservamo-nos o direito de permanecer com um pé atrás.]

NOTA DE ESCLARECIMENTO

São Paulo, 27/03/2013

Prezado (a) Sr (a)

Saúde e paz!

Respondo e-mail de sua autoria, relacionado ao posicionamento do Pe. Christian de Paul de Barchifontaine, sobre a descriminalização do aborto no Brasil.

A verdade a ser dita é que, o Pe. Christian participou da mesa redonda do Conselho Federal de Medicina, CFM, defendendo a posição da Igreja Católica Apostólica Romana.

Houveram no passado, meados da década de 90, algumas denúncias, por interpretação errada da mídia, relacionadas ao posicionamento do Pe. Christian, totalmente esclarecidas pelas autoridades eclesiásticas.

A Província Camiliana Brasileira é parte da Igreja, comunga da doutrina ética cristã de defesa da vida. Em nenhuma instância é a favor da prática do aborto.

O referido religioso, Pe. Christian não tem feito nenhum pronunciamento público a favor da legalização do aborto, portanto, se o Sr.(a) está inconformado com essa questão, envie ao CFM, www.cfm.org.br, (que é a instância que está levando essa questão à diante) seu repúdio e, divulgue esta nota de esclarecimento em nome da verdade.

Respeitosamente, desejo-lhe uma Feliz Páscoa.

Pe. Leo Pessini
Provincial
Província Camiliana Brasileira

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

6 thoughts on “Nota da Província Camiliana Brasileira sobre o pe. Christian de Barchifontaine e o aborto

  1. Artur Costa

    Assim como fico com um pé atrás quando um franciscano ou jesuíta desconhecido fala, também assim fico quando um Camiliano fala. As experiências que tive debatendo com poucos camilianos que conheci, não foram boas.

  2. Emerson Lima Gondim Filho

    Para o padre Christian de Paul de Barchifontaine, Reitor do Centro Universitário São Camilo e Presidente da Sociedade de Bioética de São Paulo, os católicos devem “respeito pela vida desde a concepção até a morte. A Igreja não vai mudar a sua posição por causa da mudança de comportamentos da sociedade”, afirmou. “Com certeza, 99% dos casos são causados por falta de educação sexual.”

    É compreensível que para quem sente em seu coração a importância de defender o sagrado direito à vida não bater de frente com os pro-abortistas pareça a um primeiro olhar suspeito, mas não podemos esquecer que se batermos de frente o tempo todo nunca estabeleceremos um diálogo, o fato de um padre priorizar o diálogo como forma de evangelização ao invés da militância (não que esta não seja importantíssima) não deveria ser visto com tanta desconfiança, principalmente quando o resto da igreja o permite fazê-lo.
    Para quem crê que a igreja é a única representante legítima de Deus na terra desconfiar de “tramoias dentro da igreja” vai de encontro ao entendimento de que há um diálogo fraterno dentro dela e que o que nos é exposto é o resultado desse diálogo, mesmo que não compreendamos algumas coisas faz parte da nossa fé ter total confiança na igreja e considerá-la incorruptível e livre de qualquer suspeita, se o algum padre cometer um erro, pois como humano ele é imperfeito, a igreja certamente não o cometerá e o repreenderá da forma que deve ser feita, se ela não o fez devemos entender que não temos conhecimento suficiente a respeito do assunto para criticá-la, ao invés de ficar retransmitindo frases isoladas (todo texto fora de contexto não serve de pretexto), nessa situação proponho que devemos conhecer o diálogo na integra e ler o os textos escritos por ele ao invés de nos ater ao que falam dele.

  3. Jorge Ferraz (admin) Post author

    Eis o que diz o pe. de Barchifontaine, em livro escrito em co-autoria com o sr. Leo Pessini e vendido pela Loyola:

    «A bioética substitui a proibição pela liberdade incorporando a ética da responsabilidade. (…) Assim, em relação à bioética, o problema é integrar na justa medida e para cada caso concreto, uma ética de tolerância, uma ética da responsabilidade e uma ética da solidariedade, “sendo a tolerância uma conquista no caminho em direçaõ à solidariedade, este laço que une pessoas como co-responsáveis pelo bem umas das outras” (Zoboli, 1999: 20-21)» [p. 323]

    «Existem cinco argumentos que impedem ter certeza científica (!) que desde a fecundação há pessoa humana (Múnera, 1993: 10-13)» [p. 318]

    «” (…) Considerando os melhores conhecimentos hoje disponíveis, pode-se dizer que isso [=”capacidade de exercer a racionalidade”] acontece sem dúvida após o terceiro mês de gravidez. Com base nestes elementos, cientificamente, até 3 meses, não se pode afirmar que o embrião deva ser considerado pessoa humana” (Mori, 1997: 43-67)» [p. 319]

    «Proibir todo aborto é forçar a mulher e o casal a aceitar um processo fisiológico de criação que foi desencadeado involuntariamente. Não será perverter a ordem humana dar a um processo biológico uma força normativa que elimina, em muitos casos, toda possibilidade de escolha responsável e livre?» [id. ibid.]

    “Problemas atuais de Bioética”

    Eis aí os tais «textos escritos por ele». Concordo plenamente que é a eles que nos devemos ater, ao invés de ficar dando crédito «ao que falam dele». Por exemplo, ninguém em sã consciência deveria se ater a quem diz, aplicado ao pe. Christian, que «um padre priorizar o diálogo como forma de evangelização ao invés da militância (…) não deveria ser visto com tanta desconfiança».

    Abraços,
    Jorge Ferraz

  4. Emerson L. Gondim Filho

    Muitíssimo obrigado pela resposta!
    Fico feliz que o “direito de continuar desconfiados” (da sua publicação) agora tenha sido substituído pela certeza de estar certos, acredito que em frente aos fatos colocados não se pode dizer que isso é uma “interpretação errada da mídia” como afirma Pe. Leo Pessini na nota de esclarecimento, com base nisso creio que seja possível fazer uma denuncia muito mais sólida às autoridades eclesiásticas competentes, mesmo que eles não tenham agido com boa intenção basta por lado a lado o que pe. Christian escreveu com a doutrina da Santa Igreja e se torna inegável a incompatibilidade entre um e outro.
    Concordo que ninguem deveria se ater ao que eu disse, o ideal seria que todo mundo soubesse de tudo, porém afirmar que “um padre priorizar o diálogo como forma de evangelização ao invés da militância (…) não deveria ser visto com tanta desconfiança” me referindo a um padre que eu nunca vi na vida e sem conhecer os textos que você acaba de expor me parece bastante razoável, visto que a maioria dos padres são bem intencionados, se eu dissesse isso depois de sua resposta ai sim seria sinal de algum problema mental.
    Não entendo de direito canônico, mas não é possível fazer uma denuncia com base no livro que você citou?
    Porém reparei que o coautor do livro foi quem enviou a resposta em nome da Província Camiliana Brasileira, nesse caso teria como recorrer em uma instancia superior (obviamente denunciando os dois)?
    Novamente agradeço, parabéns pelo trabalho!