Domingo de Páscoa

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E antes que o sol rompesse as trevas da noite, o Sol da Justiça rompeu as Trevas da Morte. Antes que os raios do sol iluminassem o horizonte, o Sol Triunfal iluminava o Sepulcro agora e para sempre Vazio. Antes que nascesse um novo dia, o Amor renasceu: ressurgiu dos Infernos para a nossa salvação, venceu a Morte para a nossa glória, Aleluia!

Porque “esta é a Noite que lava todo crime”, como todas as igrejas do mundo cantaram ontem no Praeconium Paschale. Esta é a Noite pela qual somos redimidos, e a partir da qual podemos ter esperança: o último inimigo era a Morte, e ela acabou de ser vencida pelo Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. O Cristo que nós depositamos Sexta-Feira no Sepulcro deixou-o hoje para trás após ressurgir glorioso; se quando o Verbo desceu dos Céus a terra todos os anjos cantaram em êxtase o Gloria in Excelsis Deo, quão jubiloso não deve ter sido o cântico angélico nesta noite em que Ele subiu dos Infernos à terra?

Ressuscitou! A força desta palavra pode nos parecer já desgastada após o transcurso de tantos séculos; mas ela conserva todo o seu vigor e, se atentarmos bem, a glória do dia de hoje é perfeitamente justificada pelo singelo acontecimento d’Aquele Domingo de há quase dois mil anos. Enterramos os nossos mortos todos os dias, mas de todos eles apenas Um voltou por conta própria ao nosso convívio. De todos os túmulos que já foram levantados na história da Humanidade, este é o único cuja história não termina com o seu lacramento. Todos os dias nós entregamos os nossos defuntos ao pó da terra, mas esta é a primeira vez que a terra nos devolve vivo e glorioso Alguém que, anteontem, depositávamos frio e sem vida no sepulcro. Cristo ressuscitou, aleluia! Este grito que fora reprimido ao longo de toda a Quaresma pode, enfim, rebentar jubiloso do fundo de nossas almas. Cristo Ressuscitado é a razão da nossa esperança e o motivo pelo qual não é vã a nossa Fé.

Mais do que uma simples passagem da escravidão para a liberdade ou – mesmo! – do pecado para o perdão, o dia de hoje marca a verdadeira e definitiva passagem da Morte à Vida, e isto de um modo que está para muito além do alcance de nossas próprias forças. Cristo ressuscitou para que um dia ressuscitássemos também com Ele, e somos desde já partícipes de Sua gloriosa Vitória sobre a morte. Com Ele, é a nossa humanidade que ressucita para não morrer nunca mais. Que um Deus não ficasse prisioneiro da morte era coisa de pouca monta; agora, que um Homem ressurgisse dos mortos e irrompesse glorioso do Hades deixando atrás de Si um Sepulcro Vazio, é coisa que em muito transcende a nossa compreensão e que verdadeiramente nos assombra. Sim, hoje verdadeiramente podemos cantar o Aleluia triunfante, porque um de nós venceu a Morte e, a despeito de tudo o que fizemos, está gloriosamente Vivo!

E Aquele que nós crucificamos voltou para nos perdoar. Mais ainda: voltou Vivo para que pudéssemos viver para sempre com Ele. Ressurgiu dos mortos por amor de nós: a força do Amor é tão grande que a pedra do Sepulcro não a foi capaz de conter, nós não a podíamos mover mas Ele a removeu sozinho por nós. De fato, não cabemos em nós de tanto contentamento, agraciados que fomos com o supremo dom da Vida Eterna após o supremo crime da Crucificação do Filho de Deus: se é verdade que muito ama aquele a quem muito foi perdoado, quão transformadora não será em nossa vida a Ressurreição do Senhor se tivermos verdadeira consciência de que O matamos na Cruz do Calvário na última Sexta-Feira! Esta dignidade à qual fomos elevados com a Ressurreição de Cristo ainda hoje nos desconcerta. Ainda hoje e para sempre, aquele Túmulo Vazio nos maravilha e enche de temor.

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