Sobre a JMJ: bons frutos e traições

closeAtenção, este artigo foi publicado 4 anos 7 meses 14 dias atrás.

Com relação à notícia de que a organização da JMJ Rio2013 convidaria para fazer shows no evento cantores como a Ivete Sangalo e o Michel Teló (!), foi publicada ontem uma nota de esclarecimento do Comitê de Organização Local da Jornada dizendo simplesmente que tal participação «não está confirmada pela organização do evento». O desmentido tanto conforta quanto incomoda.

Conforta, porque ao menos esclarece que «as apresentações durante a JMJ Rio2013 são analisadas e devem ter o parecer final do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL), que exerce a função de Comitê Organizador Central da JMJ e está ligado ao Vaticano». Incomoda, porque parece não achar que se deva rejeitar com veemência a insinuação de que o show de um artista conhecido por cantar “ai, se eu te pego!, ai, ai, se eu te pego!” pudesse encontrar lugar em um evento católico com a presença do Papa e de fiéis do mundo inteiro.

Sobre o financiamento desses supostos shows, o pe. Marcelo Tenório esclareceu recentemente que «o dinheiro do patrocínio [da JMJ] não será usado para pagar os artistas», cujo cachê ficará ao encargo das próprias gravadoras – «que poderão adquirir posteriormente o contrato para produzir o DVD do evento». Mas, sinceramente, os maiores problemas aqui não são de ordem financeira. A mera proposta parece um escárnio deliberado; alguém pode me explicar qual a relevância cultural do Michel Teló que justifique a sua inclusão – mesmo como possível candidato! – numa “agenda de atividades culturais” de um evento católico?

Eu tenho um particular apreço pela Jornada Mundial da Juventude, desde que fui a Madrid há dois anos e me impressionei muito positivamente com tudo o que vi por lá. Foi lá, por exemplo, que demos eloqüente testemunho público a favor do Deus Altíssimo contra a turba dos inimigos de Cristo que nos assaltava; foi lá a última vez em que vi presencialmente o querido Papa Bento XVI, e guardo carinhosa lembrança de quando, após literalmente um dia inteiro de espera nos arredores da Plaza de Cibeles, fomos recompensados com um olhar direto do Vigário de Cristo, que voltou a cabeça e sorriu para nós. Foi naqueles dias fantásticos que o Vargas Llosa – agnóstico – escreveu que “Deus parecia existir”. Enfim, estou convencido dos bons frutos que o evento vêm dando ao longo dos últimos anos, e acho que ele tem tudo para continuar assim.

Bastando para isso, é claro, que ele não seja sabotado. E não consigo deixar de ver essas tentativas de acabar com a credibilidade da Jornada (desde p.ex. a recente matéria tendenciosa do Globo Repórter até essa idéia de colocar o Michel Teló para cantar para os católicos) como um levante orquestrado das forças do Inferno contra um evento católico que está dando frutos para a glória de Deus e a salvação das almas. Não consigo me dissuadir da idéia de que a JMJ incomoda a muitos, sim, e é isso que motiva tantas tentativas de corrompê-la.

Mas o evento acontecerá. Com o apoio dos bons ou as traições dos maus, ele acontecerá; e para o seu êxito a nossa participação é fundamental. O campo de apostolado é vasto e promissor, e nós não temos o direito de abandoná-lo aos salteadores que não têm compromisso com Deus nem amor à Sua Igreja. À Organização da Jornada eu suplico que avalie – de joelhos diante do sacrário – se o que quer que ela esteja cogitando fazer vai de fato servir à glória de Deus ou se, ao contrário, é vaidade mundana insuflada por Satanás para macular um evento católico. E a todos os que aspiram à glória de Deus e à exaltação da Santa Igreja eu peço que dediquem um pouco do seu tempo à JMJ: com a sua participação ativa ou com as suas orações pelo bom êxito do evento. Que a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro sirva para levar almas a Deus, é o que suplico à Santíssima Virgem Aparecida que nos conceda, apesar dos nossos tantos pecados.

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11 thoughts on “Sobre a JMJ: bons frutos e traições

  1. Evandro Henrique do Nascimento

    É lamentável que queiram se aproveitar da JMJ, descobriram que é um mega evento, e já estão querendo se aproveitar dos benefícios financeiros que um evento de 2 milhões de pessoas pode trazer, além disso querer desvirtuar do seu objetivo bastante claro de extrema espiritualidade querendo colocar outras “cores” como se fosse um carnaval fora de época, nada contra a cantora Ivete Sangalo, mas não cabe, e sobre esse Michel Teló, aí é piada de mau gosto. Artisticamente sinto saudades dos tempos de um Tom Jobim, Dorival Caymmi, etc, estes sim representam a cultura musical brasileira. Estamos numa Idade abaixa da Média em termos musicais em nosso Brasil, isto é um evento religioso, que pode ter representantes da música brasileira, voltados para o espiritual, é possivel sim.

  2. Marta

    Espero que os organizadores do evento tenham consciência do que estão a fazer.E penso que qualquer pressão da nossa parte – leigos, sacerdotes, bispos – é válida para que esse seja um evento realmente cristão.Não podemos deixar esse evento tão importante à mercê dos seus inimigos.

  3. Lailce

    Temos padres cantores muitos bons, a exemplo da Fábio de Melo, Pe Zezinho, Marcelo Rossi, cantoras como a Salete. Portanto, pra quê cantores da MPB, nesse evento, se eles não tem compromisso nenhum com a fé católica. Até hoje só vi o Luan Santana declarar-se católico e que começou a cantar na Igreja e tem uma tatuagem de terço no ombro.

  4. Sidnei

    No Frates foi anunciando também a presença de Milton Nascimento, que até onde eu sei, não seria nenhuma má ideia em traze-lo para apresentar durante o JMJ, pois em particular, gosto muito das canções de Milton Nascimento, porém, Ivete Zangalo e sobre tudo, Michel Teló?!, tenha dó!.

  5. Pedro Goulart

    O “esclarecimento” não é do Pe. Tenório, é uma atualização do próprio post do blog do Lauro Jardim. Fazendo uma pesquisa no google, vejo que a tal “informação” bombástica do blogueiro da Veja simplesmente não circulou entre os demais veículos da imprensa. Praticamente só encontro blogs católicos o fazendo.
    O que me causa desconforto não é a nota de esclarecimento supostamente fraca, e sim a completa incompetência crítica de muitos católicos , em especial blogueiros (o que não foi o caso deste blog), uma classe que em tese deveria ter um pouco mais de leitura, consequentemente aprendendo que não se acredita passivamente em tudo que se lê, que há critérios de razoabilidade a ser aplicados para se julgar uma suposta informação.
    A pergunta é: diante de todos os fatores, a natureza e veículo do texto, a credibilidade do autor para o assunto, as “fontes” utilizadas, a repercussão nula em demais veículos de imprensa, e a própria natureza bizarra e claramente conveniente da suposta informação, realmente é necessária uma refutação nominal da informação, artista por atista, algo que certamente daria publicidade a quem veiculou a informação em um texto menor do que esse post?
    Como outro fator, Lauro Jardim diz que foi fechado contrato de patrocínio com a Nestlé, que este seria o oitavo. Em post mais antigo, diz que o primeiro patrocínio foi com o Santander. Bom, isso é fácil de conferir não? http://www.rio2013.com/pt/a-jornada/patrocinadores-e-parceiros

  6. Marta

    Caro Pedro, posso estar enganada, mas enquanto não me provarem o contrário, tenho para mim que muitos blogueiros ( não é o caso deste blog) sabem perfeitamente a origem duvidosa das informações que ajudam a veicular, mas ainda assim o fazem para , como se diz vulgarmente, “botar lenha na fogueira”. Sem o menor respeito para as consequências que isso traz e sem nenhum compromisso com a verdade.Lastimável.

  7. Renan

    HÁ FORÇAS ESTRANHAS POR DETRÁS DISSO…
    SERIA EQUIVALENTE A CONVIDAR SATANÁS PARA A FESTA…
    Sem convidar ele aparece, imagine quando lhe faz convite para seus agentes atuarem durante o evento, hem?
    A intenção das ideologias comunistas por detrás dos Telós, Sangalo & Cia é distrair as mentes do jovens ao evento religioso, para cada vez mais os afastar da fé católica e os dispersar noutras atividades, mesclando com shows alienantes dos rocks e dancinhas sensuais, assim esvaziar o sentido primordial da JMJ, daí não alcançando ao todo os objetivos que é aprofundar a fé cristã da juventude, hoje em dia tão comprometidada por inúmeras atividades e exigencias da modernidade, muitas vezes deixando o primordial que é a fé para depois, pior, ou nunca.
    Os laboratorios de engenharia comunistas entendem a fundo de como aplicar seus golpes de forma despercebida, à gramsciana: “sutil, lenta e gradativamente” e instalar o ateísmo na sociedade; tais rocks são como um confeito venenoso de sabor adocicado, mas que vão aos poucos intoxicando até levar à fatalidade, pois suas músicas fazem apologia à devassidão e descompromisso total com a doutrina da Igreja, a contramão do Evangelho, equivalendo a convidar Satanás para festa.
    Precavejam-se os adultos dessas infiltrações e repassem aos jovens tais receios de camufladas segundas intenções que estão garantidamente por detrás para “melarem” a JMJ.

  8. Francisco de Assis

    O que ainda não foi abordado é que houve uma seleção para projetos de shows durante a jornada, supostamente democratizando o espaço. Entretanto não foi falado em momento algum que a inscrição de cada músico participante seria cobrada. R$ 288,00 (valor mínimo) por músico para viabilizar o show. Ou seja: o músico católico atuante nas atividades pastorais PAGA para tocar e os “grandes” nomes da música RECEBERÃO pelos shows… E mesmo que não recebam haverá uma vasta rede de patrocinadores que já vão bancar a estrutura do evento. Favor verificar, pois não se trata de denúncia infundada, está documentado por e-mail para todos os responsáveis pelos projetos aprovados. O prazo para finalização da inscrição é segunda, dia 15/04.

  9. Pingback: A JMJ e as feridas da Igreja Militante | Deus lo Vult!