Por que não ataco o Papa Francisco? Ora, porque não sou papista!

closeAtenção, este artigo foi publicado 1 ano 5 meses 9 dias atrás.

As reações ao último texto daqui do blog ensejam uma reflexão oportuna. Sintetizando diversos comentários no mesmo sentido, um leitor acusou-me de escrever escondendo informações “importantes” e “embaraçosas” a respeito da atual situação da Igreja. Como exemplo paradigmático do tipo de informações que estão (no entender dele, injustificadamente) ausentes das minhas análises, ele afirmou o seguinte:

Você, por exemplo, nada comenta sobre a montanha de evidências que mostram o Papa Francisco favorável à comunhão dos recasados

Ora, isso não é de todo exato. Eu nada comento a respeito deste assunto e de outros correlatos, exceto quando é para dizer que aquilo de que acusam o Papa não é exatamente assim como estão dizendo — nestes casos, aliás, eu já comentei aqui muitíssimas vezes: à guisa de exemplo, eu poderia citar o que escrevi quando disseram que o Papa era a favor do desarmamento, que ele condenara taxativamente a pena de morte, que dissera que o inferno não existia e/ou eterno não era ou até mesmo — pasmem! — quando se levantou uma polêmica terrível, instaurada, claro, por S. S. o Papa Francisco, para se saber se os cãezinhos e gatinhos iam ou não para o Paraíso. Não é portanto exatamente verdade que eu nada comento sobre aquilo que é desabonador a Sua Santidade. O que é verdade — e que provavelmente é o que o autor do comentário quis dizer — é que eu não confiro ares de seriedade e importância a este tipo de informação. Não lhe concedo cidadania aqui no blog.

E isto, sim, eu assumo: não, não faço eco, não mesmo, aos boatos desabonadores a respeito do Vigário de Cristo, e nem acho que outras pessoas deveriam fazê-lo, porque isto — como disse ontem no comentário e desenvolvo melhor agora — é irrelevante para o Catolicismo, irreverente para com o Santo Padre e daninho às almas.

Em primeiro lugar é irrelevante porque o que o Papa pensa ou deixa de pensar privadamente, ou mesmo aquilo que ele insinua em conversas informais, não faz parte do Magistério da Igreja, não é de adesão obrigatória aos fiéis católicos e, portanto, não integra a “regra próxima da Fé” que deve ser seguida por todo fiel. O que o Papa diz (ou mesmo pensa) privadamente não interessa à Fé. Não faz o menor sentido, e para ninguém!, pretender que o Catolicismo seja uma religião que se constrói e apreende na coloquialidade com o Papa — ou, melhor dizendo, com o filtro que os meios de comunicação apresentam do Papa –, como se já não existissem montanhas de conhecimentos a respeito do Catolicismo, como se tudo isso não fosse desde sempre obrigatório a todo católico (inclusive ao Papa!) ou como se o Cristianismo de vinte séculos estivesse a todo momento periclitante, sempre dependendo da próxima entrevista pontifícia para ser confirmado ou ruir por terra.

A Doutrina Católica existe há dois mil anos! Ela não é uma terra virgem a ser desbravada — e só então conhecida –, palmo a palmo, pelas incursões midiáticas de Papa algum. O que o Papa Francisco supostamente disse — para ficar no exemplo mais recente — a respeito da Eucaristia para os luteranos não é elemento chave para a compreensão das regras católicas a respeito da communicatio in sacris. É deprimente até mesmo que isso esteja sendo discutido.

Ainda que o Papa fosse realmente favorável à comunhão dos recasados — concesso non dato –, corroborando a “montanha de evidências” que o meu leitor garante existir, ainda assim, isso em absolutamente nada alteraria as questões doutrinárias que estão na raiz da proibição da comunhão eucarística aos divorciados em segundas núpcias. A Doutrina Católica não está à mercê das entrevistas pontifícias, e hiperdimensionar estas manifestações informais do Romano Pontífice tem o único efeito de catalisar uma confusão que não deveria sequer existir (como se, caso o Papa “autorizasse” os divorciados recasados a comungarem, o adultério deixasse de ser pecado ou o estado de graça deixasse de ser pré-requisito para o acesso à Santíssima Eucaristia).

Agora, é mesmo o Papa pessoalmente favorável a isso ou aquilo? E se for? Façamos um pequeno exercício de imaginação. Se fôssemos imaginar um mundo em que não houvesse a facilidade das telecomunicações com as quais nos já acostumamos hoje em dia — e fazê-lo não é nem tão difícil, basta retrocedermos umas duas décadas –, se imaginássemos, dizia, um tal mundo, o que se poderia esperar de uma situação que fosse rigorosamente igual à presente (do Papa no encontro com os luteranos) em todo o resto? A esposa luterana desabafaria com o carismático líder católico, este lhe dirigiria algumas palavras anódinas de conforto e pronto. A coisa não ficaria sendo revivida e reproduzida, em texto, áudio e vídeo, nos quatro cantos do mundo, e nem ganharia a dimensão que adquire nos dias de hoje, com os teólogos de plantão esquadrinhando minuciosamente o discurso improvisado do Papa — e, pior ainda!, perscrutando-lhe implícitas intenções. Não se cogitaria de extrair contradições entre a resposta coloquial de Sua Santidade e a doutrina católica rígida e criteriosamente sistematizada nos manuais de teologia. Ora, a raiz do problema, aqui, decorre do fato (absolutamente contingente) de cada palavra do Papa ser gravada, reproduzida e analisada por um número indeterminado de pessoas e uma quantidade indefinida de vezes. Se a mesma balança pudesse ser aplicada aos Papas do passado… quem ousará dizer que Bergoglio seria o primeiro Papa a fazer-lhe o prato pender para o lado da ambiguidade?

“Papista” não é quem acha que se deva poupar o Papa do escrutínio católico. Papista, ao contrário, é quem imagina que todo e qualquer suspiro que o Papa solte, em toda e qualquer situação possível e imaginável, deva necessariamente conter a mais límpida, perfeita e impecável transmissão de toda a Doutrina Católica, sem a menor possibilidade de erro algum. E se, por acaso, o Papa falhar nesta exigência, então — diz o papista — qualquer um está autorizado a expôr a contradição, questionar a catolicidade do Papa e vaticinar um futuro terrível para a Igreja que se encontra tão mal representada.

E aqui chegamos ao segundo ponto, a irreverência. A regra da caridade para os católicos, da última vez que chequei, mandava creditar, aos outros, todo o bem de que se ouvisse minimamente falar, e não lhes atribuir senão o mal que fosse visto com os próprios olhos. Isso, que é devido a toda e qualquer pessoa, é elevado à sétima potência quando estamos falando dos membros da Igreja Docente e à “70 x 7″ª quando estamos diante do Vigário de Cristo!

“Quando se ama o Papa” — dizia São Pio X — “não se objeta que ele não falou muito claramente, como se ele estivesse obrigado a repetir diretamente no ouvido de cada um sua vontade e de exprimi-la não somente de viva voz, mas cada vez por cartas e outros documentos públicos”. E, principalmente, quando se ama o Papa (e, lembremo-nos, todo mundo está obrigado a amar o Papa!) não se faz dele o pior juízo possível, dirigindo-lhe — pelas costas e em público — os mais desabonadores epítetos existentes no mundo cristão.

Só no post imediatamente anterior a este o blog foi brindado com excelentes pérolas da espiritualidade cristã, como a referência ao “maldito Concílio Vaticano II (…) e os seus porcos documentos” ou ao “Sinédrio bergogliano”. Nos demais textos aqui publicados a respeito do Papa Francisco — por exemplo, nos que citei mais acima — são bastante recorrentes as invectivas ao Vigário de Cristo, referindo-se ao seu “desatino” ou às “asneira[s]” que ele fala, por exemplo. “Antipapa” e “herege” também aparecem aqui com relativa frequência, e eu muitas vezes apago — mas basta uma passagem rápida pelas páginas de comentários de outros blogs onde este comportamento, ao contrário daqui, é incentivado, para que se veja a institucionalização do desrespeito ao Soberano Pontífice e a violação sistemática do IV Mandamento erigida a exigência de bom catolicismo, fora da qual parece não ser possível encontrar a salvação.

Tal hábito — verdadeira segunda natureza em muitos — é daninho à salvação das almas, por diversas razões, das quais as três seguintes parecem-me de não pequena relevância. Primeiro porque o distintivo do cristão deve ser a caridade fraterna, e não a maledicência — e não há nada mais contrário à caridade cristã do que um bando de marmanjos na internet, qual comadres, xingando o Papa uns para os outros sem que disso advenha nada a não ser um estado de desconfiança cada vez maior para com o Romano Pontífice. E a submissão ao Romano Pontífice é absolutamente necessária à salvação de toda criatura humana, como reza a Unam Sanctam, e nada mais difícil do que submeter-se efetivamente ao Romano Pontífice quando parte substancial do seu apostolado é consumida nos xingamentos a ele, incitando contra ele o ódio e o desprezo.

Segundo porque isso afasta as pessoas da verdadeira Igreja, na medida em que, deparando-se com a histeria histriônica dos sedizentes últimos cavaleiros católicos do mundo lutando contra a abominação instaurada na Igreja Santa de Deus, e percebendo o quanto isso é ridículo, pessoas normais e sadias terminam por ser empurradas para o “lado oposto” do combate — e o lado oposto não é o Deus lo Vult!, blog de bem pequena relevância e alcance, mas sim o modernismo relativista mais abjeto. É, portanto, no mínimo, um erro de estratégia.

Terceiro e não menos importante, porque esta atitude retroalimenta, fortalece e legitima os relatos anticatólicos dos quais se nutre o progressismo eclesial, o qual, para se impôr, precisa valer-se de um “espírito” do Concílio (ou do “sínodo”), de uma “vontade” dos líderes da Igreja que se encontra para além dos textos e documentos oficiais. Este relato adquire tanto mais relevância e verossimilhança quanto mais pessoas sérias e alfabetizadas levantam as suas armas contra o conteúdo do relato ao invés de se baterem contra o relato em si mesmo — acusando-o de falso e mentiroso, de cretino e desonesto, de não corresponder à verdade e de ser uma tentativa sórdida e canalha de ganhar a guerra do discurso uma vez perdida a guerra da doutrina, como seria de se esperar. Ora, se aceitamos em público que existe realmente um espírito do Vaticano II anticatólico (ao invés de dizer que isso é uma invenção dos inimigos de Cristo para fazer valer a sua própria vontade contra a Igreja), ou qualquer outro conceito do tipo, nós já entramos no combate concedendo ao inimigo um amplíssimo terreno ao qual ele, absolutamente, não faz jus.

A Igreja de Cristo, fora da qual não há salvação e nem santidade, é aquela formada por uma tríplice comunhão: de Fé, de Sacramentos e de Governo. Isto é matéria do Catecismo das crianças. E a comunhão “de Governo” se manifesta na submissão às mesmas autoridades legítimas, em particular ao Santo Padre, o Papa. Ora, é verdadeiramente esquizofrênico imaginar que a submissão ao Papa seja compatível com a incitação à desconfiança para com o próprio Papa. E pretender que esta sujeição não seja necessariamente visível e concreta — a um Papa visível e de carne e osso, portanto — é requentar concepções eclesiológicas já condenadas desde o Concílio de Trento. A grande discussão do mundo católico contemporâneo — a discussão verdadeiramente importante — não pode ser esta besteira de caçar interpretações heterodoxas nos discursos [de improviso] do Papa e nem a inconsequência de perscrutar as intenções do Romano Pontífice por detrás do [que os meios de imprensa apresentam do] seu dia-a-dia. Se a alta intelectualidade católica encontra-se reduzida a isso… então estamos muito pior do que nos demos conta, e surge aos nossos olhos, com horror, aquela perturbadora pergunta de Cristo a respeito de se o Filho do Homem, quando retornar, encontrará acaso ainda Fé sobre a terra.

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40 thoughts on “Por que não ataco o Papa Francisco? Ora, porque não sou papista!

  1. Torre Queimada

    Sr. Jorge,

    Você disse: Temos conceitos bem diferentes do que significa “raciocínio bem estruturado”

    Precisamente. Eu estava sendo irônico. Mas se você não conseguiu perceber isso… Nem com o “Georgius dicit” do início do “raciocínio”, que mostrava como você procede, escolhendo as premissas que lhe convêm e tirando as conclusões mais contraditórias… Parece que seu latinório é em via de mão única. A propósito, é bastante pedante, coisa de estudantezinho de Direito, ficar com esses “in casu”, “non sequitur” etc. para dar ares de seriedade em sua exposição. Digo e repito: é pedante, mesmo!

    Você disse: “Falou o Empanturrado”.

    Não tenho nenhuma pretensão a ser teólogo. E, sabendo mesmo das delicadezas dessa ciência, que já levou muitos homens de grande erudição e inteligência a cair em erros lamentáveis, não me aventuro a teologizar. Espanta-me que você e outros o façam – e “in casu” de modo arrogante -, chegando a conclusões levianas e induzindo almas menos preparadas a chafurdar no erro modernista de que estão imbuídos.
    Creio que você faria um grande bem, se apresentasse, como outros blogs o fazem, textos de piedade, de resgate da tradição, de cultura católica, de formação. No entanto, ao querer extrapolar suas habilidades – ne sutor supra crepidam! -, você se torna um ótimo… latinista (ironia!). Você não é teólogo! Não haja como tal! E é tanto mais lamentável sua atitude pelo fato de você agir como CLEANER, servindo-se de um saber que não possui. Eu prefiro aceitar o que meus olhos vêem e meus ouvidos ouvem há muito: o clero está destruído e o estrago vem de cima. São poucos os padres, bispos, cardeais efetivamente católicos (falo materialmente, não estou julgando os corações). E que falar dos papas pós-conciliares, que beijam o Alcorão, visitam mesquitas e templos protestantes, que recebem “bençãos” de hereges protestantes e de pagãos, que vão rezar nas sinagogas e no Muro das Lamentações. Que dizer dos bispos e padres que frequentam e – pro pudor! – celebram em lojas maçônicas. Nada disso é católico! No entanto, você não apenas encontrará meras desculpas, mas, com seus “non sequitur”, pretenderá demonstrar a ortodoxia de tudo isso. Como muito bem disse outro leitor: você não está fazendo apologia, mas propaganda.
    Não é necessário que você denuncie isso tudo. Não é necessário que você, a qualquer palavra um pouco menos católica de um papa ou de um bispo, venha com anátemas. O que é inaceitável é que, diante de palavras – e muitas – que chocam aquela sensibilidade do fiel que você tanto quer preservar, você corra para a internet e, com latinórios e silogismos, queirar dar ares de ortodoxia àquilo que, há pouco mais de 50 anos seria motivo de grande escândalo, de condenações severes “voire même” de excomunhão. Isso me faz pensar em uma palavra de Dom Lefèbvre, bispo verdadeiramente CATÓLICO, que já foi alvo de sua fúria CLEANER. O santo bispo – a quem conservadorizinhos como você devem a possibilidade de ainda poderem, em um ou outro lugar e com muitas dispensas e autorizações, poderem assistir à Santa Missa em rito tridentino – em uma fala de meados dos anos 70, quando já estava sob grande e iníqua perseguição dizia: “Se naquela época [antes do Concício Vat. II] eu tivesse formado meus seminaristas como eles estão sendo formados agora nos novos seminários, eu teria sido excomungado. Se eu tivesse, naquela época, ensinado o catecismo que se ensina agora nas escolas, teriam me chamado de herege. Se eu tivesse celebrado a missa como a celebram agora teriam me considerado suspeito de heresia e teriam me considerado fora da Igreja. Eu não compreendo mais. Alguma coisa mudou na Igreja.”
    Deixo-lhe aqui uma recomendação. Assista ao documentário “UM BISPO NA TORMENTA” (são quase 2 horas de material em vídeo; pode ser comprado em sites tradicionais, como da editora Permanência; o trecho que citei está em 1 hora e 19 minutos do documentário), que conta a história da luta de D. Lefèbvre contra a destruição da catolicidade, ele, que durante muitos anos foi missionário da África. Pode lhe ser útil. E digo isso, agora, como um irmão na fé que lhe quer bem. Esse documentário me fez ver com uma outra dimensão as coisas que têm ocorrido nos últimos 50 anos na Igreja. Talvez possa ajudá-lo a ver a situação com mais clareza…

  2. JB

    É Jorge contra Athanasius (Schneider)…

    Quanto ao artigo que você citou, ele é de um amigo anônimo do autor do blog e não é nem de longe tão contundente quanto você pois você nega que o texto permita uma interpretação kasperiana e o artigo ao menos concede isso.

    Posso concluir portanto que sua opinião, Jorge, é largamente minoritária e que um grande número de autoridades eclesiásticas, à direita (Cardeal Burke, p.e.) e à esquerda (Cardeal Marx, p.e.), discordam de você, sem falar na imprensa mundial (incluindo a mídia católica) e nos analistas leigos (incluindo bons católicos).

    É Jorge contra mundo…

    Quanto ao andar em círculos:

    independente do que pensam os inimigos da Igreja, independente da aceitação da doutrina da Igreja, a pergunta abaixo existe e é pertinente.

    “Por que o Papa Francisco, sendo contra a comunhão dos recasados, permite que isso seja objeto de debate?”

    Se sua resposta a esta pergunta é apenas “Não sei”, sua linha argumentativa está irremediavelmente comprometida pois existem explicações alternativas capazes de responder a esta e a várias outras perguntas semelhantes de maneira mais plausível.

    Enquanto você não for capaz de responder a esta pergunta (e outras semelhantes) de modo racional, sua argumentação será mais retórica e emotiva que lógica.

  3. Jorge Ferraz (admin) Post author

    JB,

    Sim, o texto do WDTPRS é de um amigo anônimo do pe. Z.

    Não, eu não nego que o texto (do Relatio Synodi) permita a interpretação Kasperiana, como não nego — v.g. — que a Unam Sanctam permita interpretação feeneyista. De novo, esta é uma discussão de seis anos atrás.

    Sim, acho que se pode provavelmente concluir que a minha interpretação é “largamente minoritária”.

    Não, não sei se dá pra inferir que (e.g.) o Card. Burke discorda de mim. Precisaria perguntar a ele. Do fato de ele não fazer a distinção proposta — entre a interpretação possível do texto e a intenção positiva da assembléia sinodal — não segue que ele a rejeite. Non sequitur (ah, meu gosto por latinismos…!), de novo.

    Sim, a pergunta — sobre o porquê de o Papa “permitir” o debate a respeito da comunhão dos divorciados recasados — existe.

    Não, ela não é pertinente, pelas razões que longamente expus aqui.

    Do fato de uma resposta ser “plausível” não segue nem que ela seja verdadeira e nem — muito menos — que conduza o fiel católico a uma tomada de posição mais piedosa, adequada, útil ou conveniente perante a crise da Igreja.

  4. JB

    Bem, Jorge, o Cardeal Burke disse, entre outras coisas, que o documento final do Sínodo é “misleading”. Não me parece que você concorde ou tenha alguma vezes usado esse adjetivo.

    Nenhum dos argumentos a favor da irrelevância daquela pergunta é sustentável. Chega a ser cômico um católico piedoso dizer que a opinião pessoal do Papa reinante sobre um assunto teológico-moral candente é irrelevante. É o caso para lhe perguntar: Há alguma opinião pessoal do papa que seja relevante a seus súditos?

    Se essa opinião pessoal irá de fato traduzir-se em ensinamento perene, é outra questão. Mas sem dúvida ela é relevante, mais não seja por questões sócio-políticas, já que o Papa é o Chefe de Estado mais poderoso do planeta.

    Há várias respostas logicamente possíveis à pergunta “Por que o Papa Francisco permite o debate sobre a comunhão dos recasados?”.

    A sua resposta a ela parece ser: “Não sei e não quero saber.”

    Fica evidente, portanto, que sua postura nesse debate é irracionalista. No fundo, seus argumentos têm por base o velho “há coisas que é melhor nem saber para não abalar sua fé”.

    Conclusão: Você faz propaganda católica e não apologética.

  5. Jorge Ferraz (admin) Post author

    JB,

    Como o Card. Burke, até onde me conste, não fez a distinção proposta pelo amigo do Pe. Z., parece-me não ser possível dizer se ele a aceita ou rejeita.

    A irrelevância da pergunta é patente. Ela só pode ser respondida a) por consulta direta ao Romano Pontífice ou b) por especulação. A primeira opção é impossível, a segunda contraproducente (porque potencialmente injusta, porque cultivadora de um estado de espírito hostil ao Vigário de Cristo a cuja sujeição está obrigada toda criatura humana que se quiser salvar etc.). 

    Ainda: como da resposta a esta pergunta não decorre nenhuma atitude concreta que o fiel católico possa tomar para melhorar a situação da Igreja / salvar a própria alma / qualquer outro objetivo justo, a insistência em uma abordagem — especulativa! — para a obtenção de um conhecimento que em si mesmo nada aproveita à salvação das almas ou à glória de Deus só pode ser classificada como uma curiosidade malsã. Isso e não outra coisa é que é cristalino aqui.

    Lamento muitíssimo que você enxergue nisso “propaganda católica” — e ainda tenha a audácia de apresentar esta proposição absurda como se fosse uma “conclusão”, sobrepondo um alardeamento de vitória à fundamentação racional da própria posição. Mas paciência, o meu papel é expôr os fatos tais e quais os percebo, não forçar ninguém a uma mudança de mentalidade.

  6. Jonas

    “Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles. Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: Também este homem estava com ele.Mas ele negou-o: Mulher, não o conheço.
    Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: Também tu és um deles. Pedro respondeu: Não, eu não o sou.
    Passada quase uma hora, firmava um outro: Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu. Mas Pedro disse: Meu amigo, não sei o que queres dizer. E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo.
    Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.” (São Lucas 22, 56-61)

    Aí está Pedro, o homem que personifica o Papado, negando a Cristo três vezes. É impossível não perceber o ensinamento presente neste trecho… Nem todo ato do Papa é necessariamente ortodoxo, nem toda fala do Papa reflete um ensinamento da Igreja. Esta questão é muito simples, não compreendo o motivo de tanta complicação.

    Concedendo que Francisco aprove em seu íntimo a comunhão aos recasados, isso não interfere em nada na vida de um católico devoto e praticante, desde que não se manifeste como ensinamento. Ora, Cristo prometeu que estaria com a Igreja até o fim dos tempos. Mesmo no tempo da tormenta (ou no tempo em que se criam tormentas) Cristo está na barca! Cristo não permitirá que o erro se manifeste como ensinamento. Isto é ortodoxo! Ou é ortodoxo crer que Cristo é um ser imaginário que não intervém na vida da Igreja? Ou é ortodoxo não perceber a presença de Cristo na Igreja?

    Ainda: há, sem dúvida, uma predisposição do pessoal dito “ortodoxo” a interpretar tudo o que o Papa diz no pior sentido possível. Alguns sites norte-americanos ficaram fulos com o Papa após seu posicionamento contrário à pena de morte, porém favorável ao desarmamento e ao cuidado com a natureza – posições abomináveis aos “conservadores” republicanos de lá -, e transferiram este descontentamento político em questões seculares para dentro da Igreja. Não me surpreenderia se é isto mesmo o que acontece aqui no nosso Brasil.

    A esquerda, ao ler as notícias espalhadas pela mídia internacional comemorou, sim; porém, quando conheceu Francisco mais de perto, decepcionou-se e o denunciou: “é só mais um Papa, é só mais um católico”. Alguns o criticam porque abraçou e foi gentil com um amigo gay (como se a gentileza e os gestos cordiais não fossem características de um bom católico), porém esquecem que ele recebeu e deu palavras de força a Kim Davis.

    Ademais, aonde estão os louvores às atitudes ortodoxas de Francisco, que muitas vezes foram esquecidas pelos seus antecessores? A simplicidade de Francisco, um atributo que sempre vi e admirei em bons católicos, que abriam mão de carros de luxo e “férias em Paris” para ajudar o próximo, é ortodoxa. O desprezo pelos bens materiais, pelo dinheiro; a crítica a este amor ao dinheiro que destrói muito da Igreja, esta praga que está presente em padres, bispos e cardeais: este desprezo também é atributo de um católico ortodoxo. O pedido para que os católicos se dirijam aos seus irmãos mais pobres, que os alimentem, que os vistam, que os ensinem o Evangelho com palavras e com obras: esta é também uma característica ortodoxa.

    O Papa fala em Misericórdia – Misericórdia! Uma palavra extremamente utilizada pelos mais antigos mestres cristãos, pelos apóstolos e pelo próprio Cristo! – e inferem disto que ele quer aprovar o casamento gay e o divórcio na Igreja!

    O Papa fala em inclusão – em abrigar os pecadores na Igreja, em buscar sua conversão completa ao Verbo! – e inferem disto que o Papa aboliu o pecado!

    O Papa propõe aos cristão que exercitem a caridade, que pratiquem obras de misericórdia – que deem de comer a quem tem fome, que deem pousada aos peregrinos, que visitem os presos; que ensinem os ignorantes, que corrijam os que erram, que sofram com paciência as fraquezas do próximo – e inferem disto que o Papa é um comunista!

    Porque não são rigorosos também com Burke? Não andava ele em carros de luxo na América? Não poderia ele andar num carro mais popular e utilizar o supérfluo em obras mais evangélicas? Essa ostentação cardinalícia é ortodoxa? Enquanto cardeais andam em carrões, irmãos padecem pelo mundo.

    Esta “ortodoxia” de alguns é ortodoxia pela metade… Esta também é uma crítica justa do Papa a alguns cristãos que, atingidos em seu ego, reagem com injúrias e má vontade. Ser católico ortodoxo é ouvir o Papa, refletir sobriamente suas palavras, com humildade, com Cristo na mente e no coração! E não ouvir tudo com pedras nas mãos.

    Para finalizar, gostaria apenas de dizer que sou grato a Bento XVI e o prefiro a Francisco. Mas Francisco tem muito a acrescentar ao católico que o escuta com boa vontade. E, repito, escutar o Papa com boa vontade é, sem dúvida alguma, profundamente ortodoxo.

    Grande abraço a todos e que Cristo esteja sempre com vocês,

    Jonas

    (Sou apenas um jovem católico universitário, Jorge. Se houver erro em meu texto, sinta-se à vontade para corrigi-lo).

  7. Torre Queimada

    JB e Jorge,

    Creio que seria interessante a leitura dos trechos abaixo que tirei do CATECISMO CATÓLICO DA CRISE NA IGREJA (na forma de perguntas e respostas), do Pe. Matthias Gaudron (publicado no Brasil pela Editora Permanência). Esse livro é essencial para se entender a atual crise da Igreja. Ele trata dos diferentes problemas que encontramos na Igreja atualmente. Recomendo muito a leitura a vocês para que tenham dados, informações e sobretudo argumentos sobre o problema. Destaco, em particular, uns trechos da parte que trata do magistério da Igreja e dos erros dos papas. Vejam, em especial, a citação do papa Pio IX sobre os católicos liberais (que se aplica bastante bem ao caso que vem sendo discutido nas mensagens) e o caso de Santo Atanásio, que chegou a ser excomungado, apesar de estar combatendo uma terrível heresia de seu tempo. Quem o excomungou foi um papa…
    O Catecismo, que é de 1997, analisa, inclusive a atuação do cardeal KASPER. O texto é tão atual, infelizmente!
    Eis os trechos sobre o assunto que acho interessante:

    Pergunta: Em matéria doutrinal, Paulo VI não defendeu a doutrina tradicional no seu Credo do Povo de Deus? E João Paulo II, na sua Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de 22 de maio de 1994, declarando abertamente que a ordenação de mulheres está absolutamente excluída?
    Resposta: Os papas atuais não são (graças a Deus não podem ser) deficientes de todo. Mas basta que o sejam em alguns pontos para que as conseqüências sejam trágicas para o conjunto da Igreja. Ora, de fato, esses papas, em numerosos casos, apoiaram os modernistas, abandonaram os defensores da Verdade católica e mesmo os condenaram.
    Pergunta: Pode-se citar exemplos do apoio trazido por João Paulo II aos modernistas?
    Resposta: João Paulo II nomeou Cardeais quatro líderes neomodernistas: os teólogos franceses Henri de Lubac e Yves Congar e os teólogos de língua alemã Hans Urs von Balthasar e Walter Kasper.
    Pergunta: Quem é Walter Kasper?
    Resposta: Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos Walter Kasper é, todavia, um inimigo declarado da Fé Católica. Em seu livro Jesus Cristo, nega abertamente muitos milagres evangélicos “(…) É-nos necessário qualificar como lendárias muitas das histórias de milagres contidas nos Evangelhos. É preciso procurar nessas lendas menos seu conteúdo histórico do que seu objetivo teológico.” Duvida da historicidade da Ressurreição (“Essa constatação de existência de um fundo histórico nos relatos concernentes à Sepultura não implica, de modo algum, uma prova em favor da Ressurreição). E vai até pôr em dúvida a Divindade de Nosso Senhor, empregando páginas e mais páginas para relativizar todas as passagens escriturísticas que lhe fazem menção. No entanto, Kasper foi nomeado cardeal por João Paulo II, em 2001, sem ter se retratado de nenhuma de suas teses.
    Pergunta: Bento XVI apoia também esses teólogos modernistas?
    Resposta: Em 24 de setembro de 2005, Bento XVI recebeu durante várias horas, em audiência privada, o teólogo herege Hans Küng, a quem João Paulo II sempre se recusara a receber por causa de sua revolta contra o Magistério da Igreja. Em outubro de 2005, o papa elogiou Urs von Balthasar por ocasião de uma conferência em honra desse teólogo modernista. Ele mesmo autorizou a Comissão Teológica Internacional a publicar, em maio de 2007, um documento colocando em xeque a doutrina da Igreja sobre o Limbo.
    Pergunta: Bento XVI não tratou de nomear Cardeais conservadores?
    Resposta: Várias nomeações efetuadas por Bento XVI são catastróficas.
    Mons. William Levada, nomeado em maio de 2005, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, acobertou padres homossexuais em suas dioceses sucessivas, nos Estados Unidos. É um dos prelados mais ecumênicos desse país. Foi o primeiro bispo americano a visitar uma sinagoga, e patrocinou, em sua catedral, manifestações que se enquadravam dentro do “espírito de Assis”, nas quais participaram judeus, muçulmanos, budistas, hindus etc. Ele, igualmente, declarou que a Transubstanciação era “uma palavra longa e difícil”, que “nós não empregamos mais”.
    Mons. George Niederauer, nomeado Arcebispo de San Francisco, é manifestamente um aliado dos homossexuais. Ele foi publicamente louvado por isso por Sam Sinnet e Francis DeBernardo, ambos presidentes de grupos homossexuais.
    Mons. Odilo Pedro Scherer, nomeado em 21 de março de 2007 Arcebispo de São Paulo, era antigamente o Secretário-Geral da progressista CNBB (Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil).
    Pergunta: OS PAPAS PÓS-CONCILIARES SÃO HEREGES, ENTÃO?!
    Resposta: No senso estrito da palavra, é herege apenas aquele que nega expressamente um dogma. Ora, os Papas Paulo VI e João Paulo II fizeram e disseram muitas coisas que prejudicaram gravemente a Igreja e a Fé e que foram capazes de confortar os hereges em sua maneira de proceder; mas não se pode provar que os papas tivessem consciente e voluntariamente negado um dogma. Eles devem de preferência ser contados no número daqueles católicos liberais que, de um lado, querem permanecer católicos, mas de outro, desejam agradar ao mundo e tudo fazer para ir a seu encontro.
    Pergunta: Não pode acontecer que um católico liberal leve a conciliação com o mundo até a heresia?
    Resposta: Uma das características desse gênero de católicos é que eles nunca querem se comprometer; por essa única razão, é-lhes muito difícil sustentar uma heresia com pertinácia.
    Pergunta: A pertinácia no erro é absolutamente necessária para ser herege?
    Basta contradizer um só dogma para ser materialmente herege. Mas para cometer realmente o pecado de heresia – ou seja, ser formalmente herege – é preciso que essa negação seja consciente e voluntária. Uma criança que, tendo mal aprendido seu Catecismo, atribua duas Pessoas a Nosso Senhor Jesus Cristo cometeu um pecado de negligência, mas não o pecado de heresia (ela profere uma heresia sem disso ter consciência, ela não é formalmente herege). Um católico liberal que multiplique as ambigüidades e as concessões para agradar ao mundo pode, de modo análogo, chegar a proferir heresias sem disso ter verdadeiramente consciência: ele não é formalmente herege.
    Pergunta: Qual é o ensinamento da Igreja sobre esses católicos liberais?
    Resposta: Desses católicos liberais, Pio IX dizia:
    “Estes são mais perigosos, seguramente, e mais funestos do que os inimigos declarados (…) porque, mantendo-se no extremo limite das opiniões formalmente condenadas, dão a si mesmos uma certa aparência de integridade e de doutrina irrepreensível, tentando assim aos imprudentes amadores de conciliação e enganando as pessoas honestas, que se revoltariam contra um erro declarado.”
    Pergunta: ENCONTRAM-SE, NA HISTÓRIA, EXEMPLOS ANÁLOGOS DE DEFICIÊNCIAS DE PAPAS?
    Resposta: Se houve, infelizmente, alguns papas cuja vida moral não foi exemplar, todavia, nas questões de doutrina, foram quase sempre irrepreensíveis. Há, no entanto, alguns exemplos de papas que caíram no erro ou que, ao menos, apoiaram o erro em vez de o combater. Foram os Papas Libério, Honório I e João XXII.
    Pergunta: Como o Papa Libério apoiou o erro?
    Resposta: O Papa Libério (352-366) sucumbiu à pressão dos arianos, que negavam a Divindade de Cristo. Excomungou, em 357, o Bispo Atanásio, o valente defensor da Doutrina Católica, e subscreveu uma profissão de Fé ambígua. A Igreja honra hoje Atanásio como um santo, e não o Papa Libério.
    Pergunta: Como o Papa Honório I apoiou o erro?
    Resposta: No século VII, Sérgio, Patriarca de Constantinopla, inventou a heresia do monotelismo. Esse erro pretendia que havia em Cristo uma só vontade, enquanto, na verdade, há duas: a vontade divina e a vontade humana. Sérgio conseguiu enganar Honório I (625-638) e atraí-lo para sua causa.
    Pergunta: O Papa Honório aderiu verdadeiramente ao erro do monotelitismo?
    Resposta: Parece que Honório não partilhava verdadeiramente o erro do Patriarca de Constantinopla; porém, não compreendendo bem toda a questão, e nela não vendo mais que uma disputa de teólogos, tomou partido de Sérgio e impôs o silêncio a São Sofrônio, que defendia a causa católica. Por essa razão, Honório foi condenado pelo Papa Leão II depois de sua morte.
    Pergunta: Como o Papa João XXII apoiou o erro?
    Resposta: João XXII (1316-1334) apoiava a falsa doutrina segundo a qual as almas dos defuntos só obtêm a visão beatífica depois do Juízo Universal. Antes gozariam simplesmente da visão da humanidade de Cristo. De modo análogo, os demônios e os homens perdidos só receberiam a pena eterna do Inferno depois do Juízo Final. Esse papa teve, ao menos, a humildade de se deixar corrigir, e retratou seu erro em 3 de dezembro de 1334, um dia antes de morrer.
    Pergunta: Qual lição se pode tirar desses três exemplos?
    Resposta: Por esses exemplos, e em particular pelo de Santo Atanásio, vê-se que pode acontecer de um único bispo ter razão contra o papa.

  8. Ygor

    Depois de ler o post e os comentários, tenho algumas observações a fazer.

    De um modo geral, tenho visto que quando o Papa fala algo distante da ortodoxia, quem o quer atacar reclama e alguns até o julgam. Já os que o defendem, ignoram a fala ou procuram uma interpretação excessivamente bondosa para salvar o que parece um grande erro.

    Por outro lado, quando o Papa fala algo próximo da ortodoxia, quem o quer atacar se cala ou diz que não fez mais que a obrigação. E os que o querem defender comentam e o exaltam.

    Concordo com o JB quanto à pergunta: “Por que o Papa Francisco permite o debate sobre a comunhão para recasados?” Acho importante perguntar isto. Mas concordando com o Jorge, eu tenho uma impressão positiva de uma possível resposta a esta pergunta.

    Como se tem visto, o Papa banca o pároco do Vaticano, é simples, vai até o povo e parece querer atrair o mundo para dentro da Igreja. Para isso dá telefonemas, entrevistas em aviões, visita protestantes, judeus e muçulmanos. Sua popularidade é reafirmada pela imprensa, é até elogiado pelo mundo, o que nos causa estranheza por conta do que disse Cristo sobre o mundo. Mas olhando para este mesmo mundo, vemos que os inimigos da Igreja perseveram em suas convicções e os católicos, em sua maioria, dão péssimo exemplo. As famílias de hoje não são estruturadas como antes. Há muito individualismo e uma influência nociva de tendências modernas na vida das pessoas, divórcios, filhos abandonados e uma religiosidade de aparências. Há também a ação devastadora dos eclesiásticos que não cumprem com sua missão. Diante de tudo isso, se o Papa fizesse como os papas de de outrora e simplesmente repetisse a sã doutrina, quem o ouviria? Apenas aqueles católicos instruídos. A imprensa nem estaria lá para o ouvir. Agora se o Papa permite opiniões heterodoxas vindas até de cardeais, determina um sínodo e no final reafirma a doutrina de sempre, podemos dizer que o mundo ouviu a doutrina de sempre e se não a levou em conta, azar do mundo. Qual é o resultado deste procedimento? Saberemos com o tempo, eu penso. Claro, posso estar errado.

    Agora, em relação ao estilo do Papa, eu tenho observações a fazer. Como professor de crianças, eu sei que sou um homem público e sou exemplo para elas. Então é certo que dentro ou fora de sala de aula, para elas eu sou professor e não posso ter duplo padrão no que digo ou no que faço. Como homem público, eu preciso medir minhas palavras e ações para não escandalizar ou desvirtuar meus alunos. De modo análogo, eu penso que o Papa, muito, mas muito mais que um homem público, o servo dos servos, para ser sal da terra e luz do mundo, além dos atos, deve medir suas palavras com maior rigor do que um professor qualquer. Somente os instruídos na sã doutrina podem permanecer nela, independente de um eclesiástico bom ou ruim. Mas a grande maioria, vê um padre, um bispo ou o Papa como aquele enviado de Deus. E isso tem um peso enorme. O que um papa diz ou faz, para a maioria, tem mais relevância do que a doutrina. Então se o Papa é ambíguo em seus discursos, a meu ver, ele põe muitas almas em risco.

  9. Otelo

    Esse papa é um comunista dissimulado. Está preparando caminho para o papa brasileiro, que escolherá o nome de João XIV. Aí é o Apocalipse…