«Se não acreditamos em Thor, por que crer no Deus cristão?»

“Se não acreditamos em Thor, por que crer no Deus cristão?”, questiona-se (incrivelmente, a sério) o Richard Dawkins. A estapafúrdia pergunta, feita por uma pessoa que vergonhosamente lidera uma recente lista “com os maiores intelectuais do mundo” (sic!), causa-nos perplexidade e angústia. Como ele pode ser tão burro?

Os ateístas fanáticos (dos quais o Dawkins é um excelente exemplar) padecem de uma grave deficiência intelectual que, aparentemente, lhes veta à razão o mais rudimentar raciocínio abstrato. Qualquer crente do mundo sabe responder a esta pergunta simplória e sem sentido. É embaraçosamente evidente: nós acreditamos em Deus e não em Thor porque Deus existe, e Thor não. Como é possível que uma pessoa supostamente estudada não consiga entender isso?

Se fosse possível escolher um sentimento para descrever o que estas patacoadas do Dawkins provocam, tal seria “vergonha alheia”. Ser ignorante não é vergonha; ser ignorante e julgar-se inteligente, contudo, é degradante. Mas nem o Dawkins nem os seus asseclas percebem o patético espetáculo que desempenham em público: cega-lhes a bazófia que não conseguem conter. Pensam que seus dogmas obtusos são verdades apodícticas. São manifestamente incapazes de pensar fora da minúscula caixinha que lhes estreita o horizonte intelectual. É verdadeiramente espantoso.

A pergunta relevante não é e nem pode ser por que acreditar em Deus e não em Thor. A pergunta relevante, como o percebe qualquer pessoa sã, é como saber que Deus existe mas Thor não; ou, dito de outra maneira, como saber qual é o Deus verdadeiro. A isto responde a Igreja com o que tradicionalmente se chama de praeambula fidei, os “preâmbulos da Fé”, ou seja, verdades alcançáveis à luz da razão natural que preparam e apontam para a verdade do Cristianismo. Tais são, por exemplo, o conhecimento natural a respeito da existência de Deus e a verdade histórica do Cristianismo, coisas que qualquer pessoa honesta é capaz de alcançar. O grande problema é que os fanáticos ateístas desprezam a Filosofia e a História e, depois, vêm reclamar “provas”. Comportam-se mais ou menos como aquele sujeito do qual falava Chesterton (inglês como Dawkins, mas mais inteligente do que este), que pede testemunhos da existência do sobrenatural e, quando apresentado a um sem-número de vozes unânimes de todos os tempos e culturas que o atestam, simplesmente responde que não servem porque se tratam de “pessoas supersticiosas que acreditavam em qualquer coisa”. Ora, para respondermos às gabarolices do Dawkins, poderíamos dizer simplesmente isso e mais nada: se não acreditamos em Chesterton, por que crer no biólogo inglês? E já estaria bem respondido.

A grande verdade é que não existe nenhuma razão plausível para que devamos dar mais crédito às sandices de Dawkins et caterva do que à voz dos sábios de todos os tempos. O fato daqueles não entenderem Filosofia não anula o acerto das conclusões metafísicas mais do que a ignorância de um aluno desleixado a respeito da Física Moderna compromete a Teoria da Relatividade. As alegações de explicações mirabolantes para fenômenos históricos incontestes não se assemelham em nada a “desmenti-los” ou “refutar-lhes” o significado que sempre se lhes atribuiu. A crendice pueril que eles têm numa “Ciência” etérea e endeusada [v.g. «[e]u não sei ainda, mas estou trabalhando para saber» – Dawkins, C.R., op. cit.] não tem o condão de tornar falso todo o conhecimento religioso humano acumulado ao longo dos séculos. O que lhes sobra?

Sobram os espantalhos sem sentido, todos eles versões mais ou menos sofisticadas do Bule Voador de Russell. Mas isso já cansou de ser respondido e, aliás, é muito fácil responder. Não há nada de novo sob o sol (o negrito é meu):

O “Bule Voador” realmente existe!

Ele foi crido por índios americanos que deram a ele nomes e varias personalidades, dedicaram cultos e acreditaram nele. […]

Os pagãos abundaram em “Bules Voadores”, e de muitas formas o cultuaram, seus ritos muitas vezes incompreensíveis aos não iniciados, carregavam definições milenares de contatos com estes “Bules Voadores”, que tanta influência em suas vidas exercia.

[…]

E os Judeus? Sempre acreditaram que seu “Bule Voador”, voava por eles e assim viveram e vivem a milhares de anos, pode ser que todo o contato que diziam ter com seu “Bule Voador” fosse ilusão, desespero e desejo, mas este “Bule Voador” que jamais viram foi sempre sem dúvida determinante na história deste povo e não foi preciso descobrir quem colocou o “Bule Voador” a voar.

Eu jamais pedira que Russel provasse sua história do “Bule Voador”, se sua existência fosse a única explicação plausível, do porquê tantos povos distantes no tempo e no espaço, desejassem chá de um mesmo bule.

Se o fanatismo ateísta permite aos que dele padecem entender ou não isto, é um outro problema. Mas o fato que salta aos olhos a quem analisa o fenômeno religioso é que Thor mais evidencia a existência de Deus do que a nega! Muito ao contrário de constituírem um empecilho à Fé, os inumeráveis panteões pagãos que juncaram a história da humanidade dão eloqüente testemunho em favor da existência de um Deus. Chesterton, de novo ele, diria com seu tradicional bom humor que os falsos deuses não lançam dúvidas sobre a Religião Verdadeira mais do que as notas falsas de vinte libras implicam na inexistência do Banco da Inglaterra. Que os ingleses de hoje tenham mais dificuldade para entender isto do que os de outrora apenas nos revela o quanto fomos capazes de regredir em cem anos.

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Jorge Ferraz (admin)

Católico Apostólico Romano, por graça de Deus e clemência da Virgem Santíssima; pecador miserável, a despeito dos muitos favores recebidos do Alto; filho de Deus e da Santa Madre Igreja, com desejo sincero de consumir a vida para a maior glória de Deus.

239 comentários em “«Se não acreditamos em Thor, por que crer no Deus cristão?»”

  1. O que tens a dizer sobre isto Jorge?

    Que não passa de um Troll sem caráter, Sidnei, e que a cada intervenção ele dá mais mostras disso. Além de tudo o que já foi muito bem respondido pelo Daniel (Flat Earth Societ, REALLY? Mas que gente ignorante!), veja só o que ele tem a cara-de-pau de citar em apoio à sua tese estapafúrdia:

    Yahweh, the God of the Israelites, his name being revealed to Moses as four Hebrew consonants (YHWH) called the tetragrammaton. After the Exile (6th century bc), and especially from the 3rd century bc on, Jews ceased to use the name Yahweh for two reasons. As Judaism became a universal religion through its proselytizing in the Greco-Roman world, the more common noun Elohim, meaning “god,” tended to replace Yahweh to demonstrate the universal sovereignty of Israel’s God over all others. At the same time, the divine name was increasingly regarded as too sacred to be uttered; it was thus replaced

    A tese estapafúrdia dele, lembremo-nos, é a seguinte:

    [A]s novas edições da Bíblia que circulam hoje trocaram a palavra “Javé” por “Senhor”, na tentativa de universalizar um deus que é muito específico de tribos que viveram no oriente antigo

    Ele diz e sustenta, sem corar de vergonha, que a troca da palavra “Javé” por Senhor foi feita i) nas “novas edições da Bíblia” e ii) para “universalizar” um deus específico de tribos orientais antigas.

    O texto que ele trouxe diz i) que tal substituição data de «[a]ter the Exile (6th century bc), and especially from the 3rd century bc on» [“depois do Exílio (6º século antes de Cristo) e especialmente do 3º século antes de Cristo em diante”]; e ii) que isso foi feito também porque «the divine name was increasingly regarded as too sacred to be uttered» [“o Nome Divino foi progressivamente se tornando muito sagrado para ser pronunciado”]. Ou seja, o texto que ele traz contraria frontalmente as duas afirmações idiotas que ele fez e, mesmo assim, ele cita dizendo que «a Encyclopedia Britannica nos dá razão»! É muito analfabetismo ou muita falta de caráter; outra explicação não existe. Considerando o histórico de participação dele aqui no Deus lo Vult!, eu diria que é um vergonhoso misto de ambos.

    [O grifo seletivo dele diz tão-somente que a mudança de nome se fez também “para demonstrar a superioridade do Deus de Israel sobre todos os outros”, o que nem de longe é a mesma coisa que “universalizar” um Deus de um povo específico, primeiro porque o texto faz menção expressa e taxativa a todos os outros deuses (que continuam sendo considerados inimigos do Deus de Israel – não há sombra de “universalização” aqui, e sim exatamente o contrário: trata-se da distinção entre o Deus Verdadeiro e os deuses pagãos, com a afirmação da soberania daquele sobre estes), e segundo porque o judaísmo de trezentos anos antes de Cristo não pode, sob nenhum critério, ser considerado uma “religião universal”.]

    O cara desdenha de Santo Tomás, mas certamente qualquer camponês medieval detinha um pensamento muito mais claro e lógico do que o que sua tagarelice vazia revela aqui. É exatamente isso, Sidnei: se a gente usa a Revelação somos obscurantistas e, se usamos a Razão, estamos repetindo sofismas medievais. Talvez o ateu ignorante esperasse que pensássemos não com o cérebro, mas como ele: com o fígado, para não dizer coisa pior.

    Abraços,
    Jorge Ferraz

  2. Caro Laércio,

    Eu acho muito curioso como, em discussões como essa, uma das partes sempre quer deixar a fé de fora. Acho que cabe aqui um questionamento: será que nós realmente entendemos o que é a fé? Ou, ao menos, sabemos a diferença entre fé e crença?

    Provavelmente porque uma das partes não reconhece a fé como uma virtude, mas como um vício. É o meu caso.

    Se nossa crença e nossa ciência não são capazes de alcançar a verdade, eis que a Verdade em pessoa, Jesus Cristo, vem até nos. Como quem abre o embrulho e revela seu conteúdo, Deus se revelou a nós. Porém, não revelou tudo, mas apenas aquela parte que é necessária para nós O buscarmos. Também não revelou a todos, mas apenas a alguns, em um dado momento da História, e os incumbiu da missão de transmitir esta revelação.

    Então é aí que entra a questão da fé. Comparar Jesus à pessoa que abre o embrulho qubra o raciocínio lógico e introduz a questão da fé. Essa comparação só é válida para quem acredita que Jesus nos abriu o embrulho. Eu não acredito nisso, não vejo nenhum motivo para acreditar.

    A analogia correta seria mais parecida com a seguinte: uma das mamães diz que o embrulho contém certo presente. Mas ela não viu o que havia dentro do embrulho. Ao contrário, ela ouviu uma outra mamãe dizer que contaram a ela que uma outra mamãe viu alguém comprar um embrulho. Fé é você aceitar que o embrulho contém esse presente sem jamais abri-lo.

    Não falo em tom de crítica. Voltando da analogia para a vida real, abrir esse embrulho não é fácil. Ninguém sabe como abri-lo. A diferença entre fé e ciência está em aceitar o que lhe disseram sobre esse embrulho (revelação) e insistir que não se sabe e continuar apalpando o seu conteúdo.

  3. Julio, evangelhos apócrifos já existem à muito mais tempo e com outras descrições. Porque você acha que ESSE evangelho apócrifo é diferente do de Maria Madalena ou do de Judas, hmm? Faça-me o favor e pare de acreditar em notícias sensacionalistas… “preocupa Vaticano”…. LOL! Ô sim, o Vaticano inteiro está se borrando com mais um evangelho fan-fiction apócrifo!

  4. Uns vão na igreja e sentem a presença de deus, outros vão no terreiro e sentem a presença dos orixás, os que vão em um centro espírita sentem a presença dos seus antepassados, e também tem os que meditam em meio a paisagem de algum templo oriental e sentem a comunhão com o universo. Isso só pra citar exemplos de algumas das religiões mais conhecidas.

    Isso acontece porque as sensações e emoções humanas são subjetivas em relação ao indivíduo que as sentem. Você pode ter uma experiência semelhante e de igual intensidade a de outra pessoa, mas ainda não vai ser a mesma experiência. Na maioria das vezes essas experiências ocorrem por estados de transe induzido pelos rituais típicos das reuniões religiosas (como comoção coletiva, cânticos e orações, fala ritmada, música emotiva) e são explicadas pelo poder da divindade em que a pessoa acredita, seja ela qual for. Os que não acreditam em nada, não sentem nada.

  5. Caro Rodrigo,

    Considero um pouco preciosista a forma como você analisa os meus argumentos. Você se prende demais a pequenos termos e afere muito mais do que eu estou tentando transmitir na sua refutação.

    Oras bolas, então eu disse que o conceito de Krauss é que o universo foi criado sem um criador. Isso basta para você desconsiderar o argumento? O que eu estou dizendo é que Krauss hipotetiza que o universo passou a existir sem ação de um criador. Não é tão difícil entender. Ainda que eu concorde com você que existem formas melhores de eu expressar o meu argumento, você há de reconhecer que existe uma ideia acessível. Se o meu emprego de palavras inadequadas deixar alguma dúvida ou causar estranheza, você pode questionar o argumento antes de descartá-lo.

    De forma semelhante, parece-me que você concluiu que Feynman proferiu uma imbecilidade porque utilizou a palavra “absurdo” para referir-se à natureza. Não lhe passou pela cabeça tentar antes compreender o que ele quis dizer com “absurdo”? A concepção (brilhante, na minha opinião) de Feyman é que a natureza nos é contra-intuitiva. E ele usa o termo “absurda” porque é assim que ela se mostra a nós. Ele próprio gostava de dizer que, “se você acha que entende física quântica, você não entende física quântica”. Porque é nesse nível de estranheza que nos enfiamos quando estudamos as “entranhas” da natureza. Você foi muito rápido e duro em dizer que Feynman chegou a um “nível de estupidez” e que seria “inepto” (perdoe-me se não uso a mesma palavra que você usou) fora de sua área de atuação simplesmente porque você se recusou a tentar compreender o que ele quis dizer, em vez do que o seu grande conhecimento dos significados das palavras (sem sarcasmo) lhe permite rapidamente interpretar.

    Estou pensando bastante no seu argumento sobre inteligência. Ele foi muito bem colocado. Está além do meu nível de refutação. Mas a conclusão à qual ele nos leva me soa muito estranha. Coloca o conceito de inteligência num nível muito alto. Eu sou um cientista da computação por formação, trabalho com inteligência artificial e tenho grande interesse em teoria da computação. E a forma como eu enxergo toda a natureza é algorítmica. A inteligência para mim nada mais é do que um algoritmo. O processo criativo nada mais é do que a reorganização de ideias e conceitos. Poderia ser feito por um computador, se nós soubessemeos construi-lo. Mas a questão é que esse processo depende do universo como uma máquina de cômputo para, vamos dizer, “rodar”. O seu argumento me soa como uma “inversão”. Você parece estar atribuindo propriedades ao universo com base nesse algoritmo.

    Mais que isso, eu acho muito preocupante o reconhecimento de que você está atribuindo propriedades a um objeto que pode ser inacessível tanto à razão quanto à observação. Com telescópios poderosos, nós podemos olhar o universo em sua infância, mas apenas quando ele já tinha cerca de 300 mil anos de idade. Antes disso, ele era quente demais para que os fótons pudessem se espalhar. Está chegando a nós, neste exato momento, luz (micro-ondas) emitida por uma “parede” de partículas sub-atômicas que nos permite estimar a idade do universo com grande precissão, mas que “esconde” o que existe por trás.

    Ou seja, por princípio, o único meio que temos para tentar entender o universo anterior a alguns milhares de anos é a matemática. E a matemática, assim como a filosofia, nada mais é do que uma linguagem que desenvolvemos para testar a realidade que nos cerca. A matemática nos tem sido muito útil. Com base nela, físicos hipotetizaram partículas que foram descobertas em aceleradores de partículas anos depois. A matemática e a química nos permitiram hipotetizar elementos químicos antes que elees fossem descobertos.

    Mas, assim como eu argumentei com a inteligência, argumento que tudo isso depende de um universo que respeita as leis que nós conhecemos para fazer sentido.

    Infelizmente, uma das conclusões a que os cientistas chegam com a aplicação das melhores teorias é de que, no princípio, o universo era absurdo. E aqui eu digo absurdo porque até mesmo a matemática tem dificuldades em expressar o que acontece. Só para você ter uma ideia (se ainda não tem), em vez de quatro forças fundamentais (gravidade, eletromagnetismo e forças nucleares forte e fraca) havia uma única superforça unificada em um espaço multidimensional reticulado. Como compreender esse cenário e esperar que ele atenda a uma linguagem formulada para explicar uma realidade humana?

    Como fica a causalidade? Ela é indispensável na sua argumentação. Se você quebrar a causalidade, você não pode retroceder até o “momento zero” e dizer que, antes dele, deve ter havido uma causa. Mas a questão é que a causalidade pode ter sido quebrada no princípio. Em trilionésimos de bilionésimos de segundo, o universo experimentou um crescimento (fenômeno chamado super-inflação) muito mais rápido que a velocidade da luz. Onde existe expansão mais rápida que a luz, existe quebra da causalidade.

    Talvez você fique confortável em dizer que tudo isso não passa de teoria sobreposta à teoria. Mas é alguma coisa. E se temos duas hipóteses conflitantes (a de que deus criou o universo e a de que o universo não exige um criador), então precisamos de observaçõs para tirar alguma conclusão.

    Estou convicto que não temos qualquer motivo para acreditar que o deus cristão (ou qualquer outro deus com características antropomórficas, como inteligência) criou o universo. Tampouco que exista a necessidade de que um criador original continue existindo.

    Aristóteles pode ter sido um homem extremamente inteligente. Mas ele chegou à conclusão da ausência do vácuo por motivos absolutamente errados. Ele “chutou” que não existe transmissão de força sem contato físico e que no vácuo a velocidade pode ser irrestrita. Daí o éter. Ele também “chutou” que um corpo necessita da ação constante de alguma força para seguir em movimento. Talvez a necessidade de que deus ainda exista seja parte do mesmo raciocínio incorreto.

    Eu reconheço a possibilidade de existir algum deus, assim como reconheço a possibilidade de não existir nenhum. Mas, diante de toda a informação que eu tenho acesso, estou muito mais inclinado a acreditar que não existe nenhum deus. Ao menos um deus inteligente, consciente, que saiba da nossa existência e interceda por nós de qualquer forma.

  6. Quanto ao Jorge,

    Apenas me limito a reproduzir o que foi dito por aqui:

    O texto se perdeu em meio aos xingamentos aos oponentes. No mais, só houve explicações agradáveis aos olhos dos crentóides mais histéricos: de crente para crente.

    Ou seja, ele não tá afim de debater, tá afim de xingar. Então que o faça, que bote todo o seu ódio cristão pra fora. A gente entende que isso é um desabafo pelo fato de não ser possível defender que a Bíblia seja uma “palavra divina” ou que seja “divinamente inspirada”. Go on.

    No mais, postei minhas fontes, e ele postou aquilo que ele acha que é, oferecendo uma visão dos judeus (que, cá pra nós, duvido muito que estes iriam concordar com a tese da universalização de um deus próprio de tribos israelitas, dos historiadores e linguistas – só o Jorginho de 7 anos de idade poderia achar que sua enciclopédia condiz com os fatos reais).

    Por fim, cada um escolhe acreditar naquilo que lhe faz feliz.

    Quanto ao Daniel Pires,

    Prometo uma resposta para hoje a noite. Mas só para antecipar, concordo com você quanto à Flat Earth Society. Ela não foi fundada por católicos. Me deixei levar pelo nome.

    Porém, de acordo com o documento de filiação da Sociedade, parece que eles não tinham preconceito com outras correntes religiosas. Tanto é que você, caso quisesse se filiar, poderia ser um padre, pastor ou rabino. Vai saber se havia católico no meio…

    Abraços e até mais.

  7. Caro Rafael,

    “Essa comparação só é válida para quem acredita que Jesus nos abriu o embrulho.”

    Na verdade, eu diria que Jesus é muito mais do que o homem que nos abriu o embrulho: ele é o próprio presente revelado.

    “A analogia correta seria mais parecida com a seguinte: uma das mamães diz que o embrulho contém certo presente. Mas ela não viu o que havia dentro do embrulho. Ao contrário, ela ouviu uma outra mamãe dizer que contaram a ela que uma outra mamãe viu alguém comprar um embrulho. Fé é você aceitar que o embrulho contém esse presente sem jamais abri-lo.”

    Isto seria basicamente uma analogia à transmissão da fé. Mas aqui há uma sutileza: se o embrulho nunca foi aberto, então isto não é fé. Isto é crença. Isto é o que nós vemos na maioria das religiões, com exceção do cristianismo (alguma outra?). A fé pressupõe que o embrulho foi, de fato, aberto. Talvez você não tenha sido testemunha ocular da abertura do embrulho. Talvez você não acredite no testemunho daqueles que presenciaram a abertura do embrulho. Talvez você não acredite na fidelidade com que este testemunho foi transmitido através dos séculos. Mas o embrulho foi aberto. Esta é a fé cristã.

    “Eu não acredito nisso, não vejo nenhum motivo para acreditar.”

    E você tem todo o direito! No fim dos tempos, nós veremos quem está certo…

  8. JBC: você não acredita em Thor??? Eu sim! Nos filmes (solo e no dos Vingadores) ele está muito legal! :)

  9. “Universalizar um deus” é diferente de ‘universalizar a soberania de um deus”. Esta última afirmação é a que foi feita na SUA fonte. O Jorge já debulhou seu argumento e você ainda insiste nele se autorefutando.

    “Porém, de acordo com o documento de filiação da Sociedade, parece que eles não tinham preconceito com outras correntes religiosas. Tanto é que você, caso quisesse se filiar, poderia ser um padre, pastor ou rabino. Vai saber se havia católico no meio…”

    Primeiro: Não quero saber se aceitam ou deixam de aceitar. O fato é que você disse que eram católicos. Não são. “Vai saber” não tem lugar no meio de um debate.

    Segundo: Tanto faz se aceitam católicos. Ainda que um católico se junte a essa sociedade, ele é porta-voz da Igreja? É a nossa posição oficial? Recebeu procuração pra falar em nome da Cúria? Seu argumento estapafúrdio equivale a dizer que se um católico se filia ao KKK, é porque todo católico é racista, ou se um membro da ATEA se filiar ao partido nazista é porque todo ateu é nazista.

    ————————–

    Teve um aí dizendo que “não sentiu nada”. Raciocínio não se sente, se percebe. Se você vai na Igreja esperando sentir alguma coisa, espera sentir o quê? Calafrios? Acha que Deus é um amontoado de sensações? Não me interessa o que sente ou deixa de sentir dentro da Igreja. Me interessa é a lógica por trás de afirmações, coisa que a Igreja nunca deixou faltar.

  10. Acredito que para acabar com o tumulto que esta havendo aqui, sugeria o Jorge encerrar este debate, pois vejo que o Jorge tem o sangue quente (o qual se estivesse no lugar do Jorge também teria perdido a estribeira faz tempo, por isto não entro nestes debates) e o JBC provoca até a exaustão, fica aqui o minha opinião.

  11. Estou convicto que não temos qualquer motivo para acreditar que o deus cristão (ou qualquer outro deus com características antropomórficas, como inteligência) criou o universo.Tampouco que exista a necessidade de que um criador original continue existindo.

    Eu reconheço a possibilidade de existir algum deus, assim como reconheço a possibilidade de não existir nenhum.

    Incoerente,não?

  12. Flavio,

    Não existe incoerência nenhuma aí. É um posicionamento cético perfeitamente válido. Eu simplesmente não reconheço nenhuma evidência (ou argumentação filosófica) que comprove ou refute a ideia de que o universo foi criado por alguma divindade.

  13. Hahaah, com os argumentos reutilizados sendo simplesmente vencidos, os perdedores dizem que “num vo brincá mais” porque o Jorge se expressou de maneira, embora um pouco áspera, direta. Não acabaram com seus argumentos, como esperavam fazer no início do debate, então fazem uso de um argumento da fraqueza? XD

  14. “Estou convicto que não temos qualquer motivo para acreditar que o deus cristão (ou qualquer outro deus com características antropomórficas, como inteligência) criou o universo.Tampouco que exista a necessidade de que um criador original continue existindo.”

    Estou convicto de que a tela que vejo agora não foi gerada por um processador. Muito menos que o processador continue sustentando a existência dessa tela. Está aí na minha frente porque é muito zueira.

  15. Claro. Informática básica e a criação do universo. Dois assuntos igualmente fora do domínio da ciência moderna e com idêntico espaço para especulação. Faz todo o sentido a sua comparação.

  16. Jorge, é bom começar a ver textos aqui combatendo o ateísmo; pois, a maioria dos sites de apologética católicos, geralmente, dão mais ênfase ao combate do protestantismo; Creio que o ateísmo ainda vai crescer muito no Brasil; não só pela ação de professores marxistas e anticristãos nas escolas, da ação de neo-ateus ativistas e do endeusamento da ciência moderna; mas, também, será engrossado pelas fileiras de crentes frustrados vindos dessas igrejas evangélicas neo-pentecostais da Teologia da Libertação.

    Basta ver que um dos ativistas da internet mais assíduos e cultos com quem já debati, um tal de Sr. Oiced Mocam, diz que foi evangélico por 50 anos e que se decepcionou com a religião.

    Pelo visto, o Movimento Ateísta está se organizando no Brasil e não estão para brincadeira não. Aconselho a todos ler o texto de um desses ativistas falando sobre a história desse movimento aqui no nosso país e seus objetivos:

    http://scienceblogs.com.br/100nexos/2013/02/atesmo-humano/

  17. Desculpe, o correto é “Teologia da Prosperidade” e não “Teologia da Libertação”.

  18. Prezado Laercio de Sousa

    Desculpe-me por ter de dizer isso, mas a sua intervenção aqui está muito proxima da heresia fideista:
    https://www.deuslovult.org//2013/05/16/se-nao-acreditamos-em-thor-por-que-crer-no-deus-cristao/comment-page-2/#comment-44864

    Fideismo é a heresia que prega que a razão humana, apenas com a sua luz natural, é incapaz de chegar a verdade alguma.

    Com efeito, nesse texto você afirma coisas como:

    a ciência permite chegar a um modelo cada vez mais próximo da verdade, mas nunca a alcançará. Não existem “verdades científicas”
    nossa crença e nossa ciência não são capazes de alcançar a verdade

    Em parte, você tem razão. Boa parte das conclusões das ciencias positivas são hipoteticas: suposições formuladas na falta ou no aguardo de outras melhores. Porém, será sempre assim? Será que mesmo as ciencias positivas ainda não chegaram a nenhuma conquista intelectual definitiva? O que dizer, por exemplo, das verdades matematicas, da resolução de um teorema, seja o de Pitagoras, seja um de Fermat? O fideismo, negando à razão humana a capacidade de conhecer autenticas verdades, leva ao relativismo, ao subjetivismo e ao cepticismo.

    Ademais, além de você tangenciar o erro fideista, parece também incidir no cientificismo: a ideologia que reduz todo o conhecimento humano às ciencias positivas. Em verdade, além das ciencias positivas, temos as ciencias filosoficas e também o conhecimento historico (que não é cientifico em sentido proprio e estrito). E, contrariamente ao que você diz, existem sim verdades cientificas, verdades filosoficas e verdades historicas, que podem ser naturalmente conhecidas pelo homem, às vezes até com certa facilidade, sem necessidade da Revelação divina.

    Você citou João Paulo II, ao dizer: “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva em contemplação da verdade.” Mas parece não haver entendido o que ele quis dizer, pois para você o espirito humano é um passaro manco, que deve voar com uma asa só — a da fé.

    Eu acho muito curioso como, em discussões como essa, uma das partes sempre quer deixar a fé de fora.

    Não acho curioso, não. Para haver uma discussão, é preciso que as partes compartilhem os mesmos principios. Do contrario, elas não se entenderão entre si. Enquanto tais, a fé ou a revelação não são argumentos convenientes a se apresentar a um ateu. Você deve ficar no terreno comum, que é o da razão natural. Além disso, vale a proibição biblica de jogar perolas aos porcos.

  19. Ao JBC e aos outros comentaristas ateus.

    Devemos lembrar que quem acabou com os deuses mitológicos foi o próprio judaísmo e cristianismo; tanto é que os cristãos eram acusados de ATEUS pelos romanos por não acreditarem em seus deuses.

    Hoje nós sabemos a causa do trovão e de outros fenômenos naturais que antes eram atribuídos aos deuses; e, também, que não há deuses morando lá no Monte Olimpo ou em qualquer montanha da Terra,

    Por acaso, a Ciência já atravessou o horizonte ou subiu no “pico do monte” da origem do universo, da vida e da consciência para sabermos se não há nenhum Deus lá?

    Muito pelo contrário, as evidências filosóficas, históricas e científicas a favor da existência de Deus são bem maiores do que da não existência de Deus.

    Vejamos:

    EVIDÊNCIAS FILOSÓFICAS:
    ————————————–

    Qualquer um entende que do NADA, nada pode vir a existir. Quando digo NADA, é o NADA ABSOLUTO da Filosofia (nem matéria e energia, nem espaço e tempo, nem espírito, nem matemática, nenhuma entidade real ou abstrata.) e não o ‘nada’ do vácuo quântico de Stephen Hawking e Krauss. No entanto, o universo existe e, portanto, não pode ter surgido no NADA.

    Observamos também que, no mundo, para tudo há uma causa; todo ser é contingente, pois depende da existência de outro ser para existir. Por exemplo, a causa do filho são seus pais; os seres vivos são formados por células, que são formadas por moléculas, que são formadas por átomos, que são formados pelas partículas subatômicas e assim por diante; toda a vida deriva da biologia, que deriva da química, que, por sua vez, deriva da física das partículas elementares; cuja causa é a energia e a matéria gerada no Big Bang.

    Porém, nesta sequência de causa e efeito, necessariamente deve existir uma causa primeva, um ser necessário, incontingente e eterno (que sempre existiu) e que é a causa de si mesmo e de todos os outros seres existentes. Portanto, logicamente e necessariamente, tem de existir pelo menos esse ENTE ETERNO que nunca foi criado e não causado por nada, mas que é causa de todas as outras coisas. Isso gera duas cosmovisões do mundo; uma que vai de cima para baixo e outra que vai de baixo para cima.

    Para os filósofos gregos, São Tomás de Aquino, os teólogos e os crentes, esse ENTE ETERNO necessariamente tem de ser infinitamente grande, sábio e poderoso; pois, ele tem de possuir todas as qualidades que dá ao entes contingentes (aqueles que para existir precisam de uma causa anterior). E esse ente ou ser eterno nós chamamos de DEUS. Estranhamente, o Deus revelado por Jesus Cristo possui todas essas qualidades.

    http://andrehenriquerodrigues.blogspot.com.br/2010/07/as-vias-de-sao-tomas-de-aquino.html

    Nesta cosmovisão de cima para baixo, a suprema inteligência (ou Logos) criou a matéria e a energia, o universo e tudo o que existe. Notem que essa suprema inteligência eterna não precisaria necessariamente ser um ser antropomórfico, ou seja, ter um cérebro, órgãos e membros; ela poderia ser um ente espiritual ou abstrato como a própria razão (ou logos), amor, poder, etc. Seria algo cuja existência naturalmente é eterna e sem causa.

    Estranho que a própria Bíblia diz: “Onde está o AMOR aí está DEUS, porque DEUS é AMOR”.

    Será que Deus criou o amor, é amor, ou é o próprio Amor? Eis a questão!

    Já para os materialistas, esse ENTE ETERNO não é algo inteligente ou consciente, mas algo como uma energia ou partícula primordial que pelo tempo e acaso mais seleção natural “criou” todas as coisas. Notem que, neste caso, o tempo tem que existir naturalmente.

    Nesta cosmovisão de baixo para cima, a matéria e energia ou partícula primordial eterna (aliada ao acaso + tempo + seleção natural) “criou” todas as coisas superiores a ela; inclusive a ordem, a beleza, a inteligência e a consciência.

    Essa cosmovisão era mais fácil de ser aceita antes do Big Bang, pois a grande maioria dos cientistas acreditavam que o universo era eterno e estático. Com a Teoria do Big Bang, comprovou-se que o universo teve um começo no tempo; e, portanto, teve uma causa; o que dificultou muito essa linha de raciocínio.

    Seja lá o que for, o fato é que ninguém pode negar que este mundo físico, lógico e matemático, cheio de ordem e beleza, parece ter sido projetado e criado por um matemático e artista extremamente inteligente, talentoso e poderoso.

    Penso que se o homem, ao longo de toda a sua história, com toda a sua inteligência, ciência e tecnologia, têm se esforçado tanto para entender só um pouquinho do universo; imagina a inteligência e o poder para se inventar e criar tudo isso?

    Pergunto:

    Pode a desordem e o acaso ter gerado a ordem e a vida?

    Pode a não-inteligência ter gerado o código genético, a inteligência e a consciência?

    (…)

  20. (…)

    EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS:
    ————————————

    Ora, se DEUS existe, é razoável que em algum momento da história da humanidade Ele se revelasse ao mundo.

    E há evidências de que isso realmente já aconteceu; primeiro, houve uma revelação ao povo hebreu e, depois, a revelação pública de DEUS na pessoa de Jesus Cristo.

    E como podemos saber que houve essa revelação?

    Ora, se tem duas coisas que homem nenhum não pode fazer são profecias e milagres autênticos, que violam as próprias leis da natureza. E a Bíblia está cheio de milagres e profecias:

    Por exemplo, o artigo da Wikipedia sobre ‘CRISTO’ mostra dezenas de passagens do Antigo Testamento (escritas séculos antes do nascimento de Cristo) que se cumpriram na pessoa de Cristo, inclusive: que ele nasceria de uma virgem, falaria em parábolas, faria milagres, seria rejeitado e traído por trinta moedas de prata, seria acusado injustamente, seria rejeitado e ferido por nossas iniquidades, seria cuspido e esbofeteado, teria os pés e mãos transpassados, oraria pelos inimigos,lançariam sorte para repartir suas vestes, o fariam beber vinagre, não teria os ossos quebrados, um rico o sepultaria, ressuscitaria no terceiro dia, etc., etc., etc.

    Alguns céticos argumentam que Jesus poderia ser um charlatão que aproveitou-se de algumas dessas profecias do Antigo Testamento.

    Porém, poderia ele ter forjado a profecia de sua própria crucificação, um instrumento de pena de morte usado pelos Romanos?

    “E Iahweh respondeu-lhe: Faze uma serpente abrasadora e coloca-a em uma haste. Todo aquele que for mordido e a contemplar viverá.” (Números 21,8)

    “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem.” (João 3,14)

    “Porquanto cães me cercaram; a assembléia de malfeitores me rodeou; traspassaram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles estão-me encarando e mirando. Repartem entre si os meus vestidos, e deitam sortes sobre a minha vestidura.” (Salmos 22,16-18)

    “Então o crucificaram. E repartiram as suas vestes, lançando sorte sobre elas, para saber com o que cada um ficaria.” (Marcos 15,24)

    “Ele, então, lhes disse: ‘Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?’ E, começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito.” (Lucas 24,25-27)

    E a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto demonstrou que tais profecias, realmente, foram escritas séculos antes do nascimento de Jesus Cristo.

    (…)

  21. (…)

    EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS:
    ————————————

    Em 1973, o astrofísico e cosmólogo Brandon Carter, sugeriu a ideia do Princípio Antrópico e o ajuste fino das constantes cosmológicas.

    É como se o universo, desde o Big Bang, tivesse sido feito na medida para a existência do homem; o que, necessariamente, nos leva a um criador extremamente inteligente; já que são tantas as coincidências que fica quase que matematicamente impossível ser pura sorte.

    A ideia do Princípio Antrópico é tão forte que uma das poucas alternativas para dispensar um criador seria a existência do multiverso; com infinitos universos, cada um com leis e constantes físicas distintas, para termos a probabilidade de um universo ajustado para a vida como o nosso. Ou, então, que o nosso universo fosse quase infinito e as leis e constantes físicas variassem de ponto a ponto do universo e nós estaríamos numa região favorável.

    Vale a pena ler:

    http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=art&cat=110&scat=82&id=5240

    http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/331504.pdf

    Interessante também são as afirmações do Dr. Robert Spitzer; que, além de físico e filósofo, é também jesuíta:

    “… Spitzer assinalou que as provas científicas mais recentes evidenciam que “o Universo não é infinito, mas finito, que começou em um certo ponto (estimado aproximadamente em treze bilhões de anos) e está em constante expansão.

    ‘A complexidade do Universo se apóia em um equilíbrio incrivelmente delicado de 17 constantes cosmológicas. Se qualquer uma delas se modificasse uma décima a tetragésima potência, estaríamos mortos e o Universo não seria o que é’, adicionou.

    Do mesmo modo, assinalou que ‘cada modelo do Big Bang mostra o que os cientistas chamam uma singularidade, e a existência de cada singularidade exige que exista um elemento externo ao Universo’.

    Neste sentido, recordou que Roger Penrose, o famoso matemático e físico inglês, corrigiu alguma das teorias de seu amigo e colega Stephen Hawking, concluindo que todas as teorias do Big Bang, inclusive a chamada ‘teoria quântica’, confirmam a existência destas singularidades.

    Todas as explicações nos levam ‘a uma força que é prévia e independente ao Universo. Pode soar a argumento teológico, mas é realmente uma conclusão científica’, assegurou conforme informa La Razón.

    O perito indicou que ‘não se pode não aceitar a existência desta singularidade. Esta teoria é tão sólida que 50 por cento dos astrofísicos estão ‘saindo do armário’ para aceitar uma conclusão metafísica: a necessidade de um Criador, fora do espaço e do tempo’.
    “.

    FONTE: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=17187

    Agora, se existe uma PROVA objetiva da existência de Deus, essa prova são os MILAGRES autênticos (que passam pelo crivo da própria Ciência) que ocorrem apenas na Igreja fundada por Cristo e em nenhuma outra religião do mundo. Pois, os milagres autênticos são o elo entre a fé e a razão, entre a ciência e a religião, entre Deus e os homens; são como que a assinatura de Deus para confirmar sua existência, sua Igreja e sua verdadeira doutrina.

    Se Jesus não existiu ou não fez milagres quando veio ao mundo e nem ressuscitou, com certeza, também não faz milagres agora; e, portanto, todos (repito: todos) os milagres da Igreja têm de ser falsos! Por isso, insisto tanto no estudo dos grandes milagres da Igreja, tais como: Santo Sudário (que nada mais é do que a foto radiográfica e tridimensional de um homem ressuscitando), Imagem de Guadalupe (cujo olho reflete a cena do milagre e cuja pupila dos olhos reage à presença de luz como se fosse um olho VIVO, cuja imagem mantém a temperatura de um corpo humano e têm batidas de coração, etc.), Santa Casa de Loreto (a casinha onde viveu a Virgem Maria milagrosamente transportada de Nazaré até Loreto, passando por outras cidades, durante a invasão islâmica à Terra Santa), Milagre Eucarístico de Lanciano (cuja hóstia e vinho virou carne e sangue de uma pessoa viva atualmente), Sangue de São Genaro (que se liquefaz no dia do seu aniversário), Coxo de Calanda (cuja perna reapareceu após enterrada por quase três anos), Espinho da Coroa de Cristo (cujo sangue coagulado se liquefaz a cada 11 anos, toda vez que a sexta-feira da paixão ocorre num dia 25 de março, o suposto dia da crucificação de Cristo), corpos e órgãos incorruptos de santos (que exalam perfume e destilam água e óleo por séculos) e tantos outros espantosos milagres que, por incrível que pareça, só ocorrem na Igreja Católica e em nenhuma outra religião do mundo. Isso é um fato espantoso e extraordinário que existe no mundo e que não deveria ser ignorado ou desprezado por quem quer que seja.

    Quem ainda não viu, não deixe de ver, por exemplo, o incrível documentário do History Channel “GUADALUPE: UMA IMAGEM VIVA” (http://www.youtube.com/watch?v=7yTwabUjgYQ) e também o excelente e sério documentário do Discovery Channel “O MISTÉRIO DO SANTO SUDÁRIO” (http://www.youtube.com/watch?v=M9j38PmEGWA) e sua continuação “O SUDÁRIO DE TURIM” (http://www.youtube.com/watch?v=h_1_ag_H6Kk).

    Ou ler os livros “Milagres – A Ciência Confirma a Fé” e “Os Milagres e a Ciência”, do Pe. Oscar Quevedo.

    Ou mesmo em sites como OEPNET (http://oepnet.sites.uol.com.br/milagres.htm) e CIÊNCIA CONFIRMA A IGREJA (http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br/).

    E, também, sobre a doutrina e história da Igreja no site VERITATIS SPLENDOR e em tantos outros sites de apologética católica.

    Recomendo ainda o programa ESCOLA DA FÉ, do ilustre Prof. Felipe Aquino (engenheiro, físico, doutor pelo ITA, escritor, ex-reitor de universidade, apresentador, etc.), na TV Canção Nova todas as quintas-feiras às 20:40 horas (e também no YouTube); onde ele ensina muito sobre ciência e religião, sobre a história da Igreja e sobre a fé católica.

    É ver para crer!

    Portanto, dá sim para ficar ‘brincando’ de ‘Deus existe ou não existe?’; desde que ignoremos as grandes profecias e os grandes milagres da Igreja.

    Meu raciocínio é muito simples: Se Deus não existe, então, Jesus não era Deus e, portanto, todos (repito: todos) os milagres da Igreja fundada por ele, necessariamente, têm de ser falsos. Caso contrário…

    Por isso, digo e repito:

    QUEREM SABER SE DEUS REALMENTE EXISTE? ESTUDEM OS GRANDES MILAGRES DA IGREJA!

  22. Prezado Rafael

    Provavelmente porque uma das partes não reconhece a fé como uma virtude, mas como um vício. É o meu caso.

    Por que a fé seria um vicio? Aliás, se Deus não existe, pode haver vicios, no sentido moral do termo? Se Deus não existe, existe pecado? A fé seria um pecado ateista?

    O que é a fé? Fé, do latim fides, é a confiança que se deposita na palavra de alguém. É um conhecimento indireto, isto é, mediado pelo testemunho de uma pessoa. A fé pode ser divina ou humana, conforme a confiança é depositada na palavra de Deus ou na palavra do homem.

    É pela fé humana, por exemplo, que conhecemos a historia dos povos, ou mesmo a geografia de outros países, se não tivemos a oportunidade de viajar por lá. Num processo judicial, o valor cognitivo de uma prova testemunhal ou documental igualmente depende da fé humana. Eu não preciso ter visto o nascimento do Rafael para saber quantos anos ele tem, basta confiar em seu registro de nascimento (que tem “fé publica”). A fé humana, portanto, é um conhecimento que empregamos e de que necessitamos praticamente a todo momento. Sem a fé humana, o individuo nunca realizaria o pleno desenvolvimento de suas faculdades, vegetaria na ignorancia e na barbarie. Sendo o homem, por natureza, um animal social, ele necessita da fé, não pode viver sem confiar na palavra dos seus semelhantes. Portanto, a fé está longe de ser um vicio.

    E a fé divina? Ora, se a fé humana está longe de ser um vicio, antes é utilissima e necessaria para a vida, imensamente mais valioso ainda será se o proprio Deus revelar sua palavra aos homens — pois Deus não pode errar, nem enganar, como por vezes acontece com o testemunho humano. A razão humana não pode demonstrar os misterios contidos na Revelação, porém pode demonstrar que a Revelação divina é possivel e util à humanidade.

  23. Mundos

    No mundo católico o amor é fruto do amor de Deus, no mundo ateu o amor é fruto de reações químicas.
    No mundo católico a compaixão e a solidariedade são frutos do amor, no mundo ateu são frutos de reações químicas.
    No mundo católico a vida tem valor como presente de Deus, no mundo ateu a vida é fruto de reações químicas.
    No mundo católico a Mãe é o reflexo do amor de Deus, no mundo mãe ateu é resultado de reações químicas
    Ou seja, tudo o que representa valores para os cristãos, são para os ateus apenas e frívolas reações químicas, indignas de respeito.

    O mais interessante, e paradoxal, é que a maior derrota dos ateus seria a vitória do ateísmo. O inferno para um ateu será, após sua morte, ele descobrir que estava certo. É quase demência.

    Um homem que imagina ser uma galinha é para si mesmo tão comum como uma galinha. Um homem que imagina ser um caco de vidro é para si mesmo tão sem graça como um caco de vidro. A homogeneidade de sua mente é o que o torna sem graça, e o que o torna louco. E somente pelo fato de percebermos a ironia de sua idéia que nós o acha­mos até engraçado; é somente pelo fato de ele não ver a ironia de sua idéia que ele é internado em Hanwell, não por outro motivo.
    (Chesterton – Ortodoxia)

  24. Daniel Pires,

    Seguinte:

    Universalizar um deus” é diferente de ‘universalizar a soberania de um deus”. Esta última afirmação é a que foi feita na SUA fonte. O Jorge já debulhou seu argumento e você ainda insiste nele se autorefutando.

    Vamos ver o que diz a minha fonte, que é Jaco Gericke:

    O que o mundo ocidental tem em mente quando se refere de maneira vaga e instintiva a “Deus” não é nenhuma realidade última, inefável e intocável além dos limites das faculdades racionais humanas que um dia irá surpreender os descrentes, desvelando sua cegueira cognitiva. Em vez disso, a entidade a que a maioria dos leitores se refere quando falam de “Deus” é na verdade uma versão misteriosamente anônima e aprimorada do que na verdade costumava ser uma divindade tribal jovem, bastante específica e singularmente híbrida do Oriente Médio chamada Javé. O truque foi feito quando o vocábulo “Deus” se perdeu na tradução – na Bíblia a palavra “Deus” pode, no hebraico do Antigo Testamento, ser tanto um nome pessoal como um termo genérico. Uma dignidade conceitual ilusória é criada nas traduções da Bíblia para o português nas passagens em que a palavra hebraica “deus” num sentido amplo é capitalizada, mesmo quando ela não funciona como um nome pessoal mas como o nome de uma espécie ou uma categoria natural (ou seja, um deus). Naturalmente, os tradutores fazem isso apenas quando o termo é usado para o “deus de Israel”, que num piscar de olhos torna-se o “Deus de Israel”.Can God Exist if Yahweh Doesn’t. The End of Christianity. John W. Loftus – traduzido por Gilmar Santos via Rebeldia Metafísica

    Sobre as traduções modernas da Bíblia terem substituído Javé por SENHOR, veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

    Não, não vai responder porque já está tudo exaustivamente respondido na internet, em sites como o veritatis ou o “descontradizendo contradições bíblicas”, entre outros, mas sua má vontade e preguiça intelectual impedem a pesquisa. Esse seu truque é pra expandir o debate de modo que se torne impossivel analisar cada acusação, já que para se mentir basta uma frase, quando para se desmentir precisamos de parágrafos. Você enfileira 5 ou 6 acusações numa só linha e quer que paremos para responder cada uma? Desonesto, você quer é afogar o oponente em um oceano de acusações, que se tornam inviáveis de se responder devido ao imenso VOLUME.

    Pesquisei esses sites que você indicou. Creio que o “descontradizendo contradições bíblicas” seja esse aqui. Bom, primeiro que ambos são sites apologéticos. O descontradizendo é baseado no livro “Manual Popular de Dúvidas, Enígmas e “Contradições” da Bíblia” de Norman Geisler e Thomas Howe. Um livro claramente apologético e sem nenhum respaldo em conhecimento histórico e científico que temos. Esse trecho a seguir deixa isso bem claro:

    GÊNESIS 1:27 – Adão e Eva foram pessoas reais, ou apenas um mito? PROBLEMA: Muitos eruditos modernos consideram os primeiros capítulos de Gênesis como um mito, e não os tomam como históricos. Mas a Bíblia parece apresentar Adão e Eva como pessoas reais, que tiveram filhos, dos quais todo o restante da humanidade proveio (cf. Gn 5:lss).
    SOLUÇÃO: Há uma boa evidência para crermos que Adão e Eva tenham sido pessoas reais. Primeiro, Gênesis 1-2 apresenta-os como pessoas reais, e até mesmo narra os importantes acontecimentos de suas vidas (o que é histórico). Segundo, eles tiveram filhos que foram pessoas reais, que também tiveram filhos reais (Gn 4:1,25; 5:1SS), Terceiro, a mesma frase (“são estas as gerações de”) usada para registrar dados históricos posteriores em Gênesis (6:9; 9:12; 10:1, 32; 11:10, 27; 17:7, 9) é empregada com respeito a Adão e Eva (Gn 5:1). Quarto, cronologias posteriores do AT colocam Adão no topo da lista (1 Cr 1:1). Quinto, o NT põe Adão no início da lista dos antecedentes de Jesus (Lc 3:38). Sexto, Jesus referiu-se a Adão e Eva como os primeiros “macho e fêmea”, fazendo da união física deles a base do casamento (Mt 19:4). Sétimo, Romanos declara que a morte literalmente reinou no mundo trazida por um “Adão” literal (Rm 5:14). Oitavo, a comparação entre Adão (o “primeiro Adão”) e Cristo (o “último Adão”) em 1 Coríntios 15:45 manifesta que Adão é tomado literalmente como uma pessoa histórica. Nono, a declaração de Paulo de que “primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1 Tm 2:13) revela que ele fala de uma pessoa real. Décimo, é lógico que teve de haver um primeiro casal real de seres humanos, macho e fêmea, pois, caso contrário, a raça humana não teria como começar a existir. A Bíblia chama a esse casal, que de fato existiu, de “Adão e Eva”, e não há por que duvidar de sua real existência.

    Vamos combinar: não dá pra levar a sério essa explicação. Primeiro porque tanto a arqueologia, a paleontologia e a antropologia nos dizem que o aparecimento do Homo sapiens surgiu da evolução de outras espécies, há cerca de 160 mil anos, na África, onde se tornou a espécie dominante devido às suas vantagens evolutivas. Segundo, porque até pra muitos teólogos isso não passa de uma parábola (nem vou entrar no mérito de cobras falantes).

    Por outro lado, disponho de livros de historiadores que atestam que muitas das práticas, crenças e superstições dos israelitas antigos foram colocadas na Bíblia como “mandamentos divinos”.

    Agora veja, eu havia citado em um comentário que a mestruação deixava a mulher impura. Ora, isso é claramente uma imposição ideológica das tribos israelistas patriarcais daquela época. Veja o que a autora Esther Fuchs diz sobre o tema:

    Porque a menstruação é exclusiva para mulheres, esta vem sem nenhuma surpresa de que a ideologia patriarcal tentaria associá-la com decepção e idolatria …. se a política patriarcal não pode negar a existência da mestruação e sua ligação inegável com a fertilidade e da procriação, pode degradá-la, definindo-a como impura e legislar por uma série de leis para contê-la. Da mesma forma, se a política patriarcal não pode negar a capacidade da mulher de pensar e falar, ela pode conter, ou deformá-lo, a relação das mulheres e da linguagem, minimizando e restringindo a diálogo feminino e implicando que ele é metaforicamente impuro, ou enganoso. Fonte, p.5

    Onde isso se reflete na Bíblia? “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição”. 1 Timóteo 2:11, “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio”. 1 Timóteo 2:12.

    Isso não é um mandamento de deus. Isso é uma imposição cultural dos que escreveram a Bíblia. Agora veja o que o tal Norman Gleiser diz sobre tais assertivas:

    Sétimo, quando entendidas em seu contexto, as passagens “do silêncio feminino” não estão negando o ministério das mulheres, mas estão limitando a autoridade delas. Paulo afirma que as mulheres não devem ter “autoridade sobre o homem” (1 Tm 2:12, NVI). De igual modo, depois de sua exortação às mulheres de permanecerem caladas (1 Co 14:34), ele as lembra de permanecerem “submissas”. É claro, os homens também estavam debaixo de uma autoridade, e tinham de se submeter à supremacia de Cristo sobre eles (1 Co 11:3). De fato, a prova cabal de que não há nada de degradante em se estar submisso a alguém é que Cristo, que foi Deus em carne humana, sempre é submisso ao Pai, tanto na terra (Fp 2:5-8) como no céu (1 Co 15:28).

    Não sei pra você, mas pra mim foi risível, ainda mais à luz do que os historiadores dizem a respeito do modo patriarcal de sociedade que os israelistas mantinham naquela época. (Ainda, se ele crê que Cristo era o Deus vivo, realmente não há nada de mais em estar submisso a si mesmo…)

    Ou seja, não adianta tentar fingir que certos trechos bíblicos são “alegorias” ou “metáforas”, como querem nos fazer crer os apologistas. Não, eles expressam, de fato, a concepção e o conhecimento dos israelitas primitivos de sua época. E isso não é exclusivo deles. Os escandinavos também tinham visões de mundo muito parecidas com as deles (“os deuses habitavam reinos nos céus”, “o céu era uma abóbada”, etc).

    Não concordo com o ateísmo militante de Dawkins, mas neste ponto eu tenho que concordar com ele.

    Abraços.

  25. Carissimo Rafael

    Considero um pouco preciosista a forma como você analisa os meus argumentos. Você se prende demais a pequenos termos e afere muito mais do que eu estou tentando transmitir na sua refutação.

    Não se trata de preciosismo, se trata de prezar a logica. O minimo que se requer de um argumento é que ele seja logico, que não envolva contradição interna.

    Oras bolas, então eu disse que o conceito de Krauss é que o universo foi criado sem um criador. Isso basta para você desconsiderar o argumento?

    Sim, porque ele nega no predicado o que afirma no sujeito. Se o universo foi criado, quem o criou? Se não houve Criador, como pode ter sido criado? Compreende que o seu argumento é suicida?

    Se o meu emprego de palavras inadequadas deixar alguma dúvida ou causar estranheza, você pode questionar o argumento antes de descartá-lo.

    Numa discussão, qualquer argumento é formulado em palavras. Para argumentar, exige-se um bom dominio da linguagem. Isso vale pra qualquer disciplina. Você não pode descontar em mim o onus de formular mal os seus argumentos.

    De forma semelhante, parece-me que você concluiu que Feynman proferiu uma imbecilidade porque utilizou a palavra “absurdo” para referir-se à natureza. Não lhe passou pela cabeça tentar antes compreender o que ele quis dizer com “absurdo”? A concepção (brilhante, na minha opinião) de Feyman é que a natureza nos é contra-intuitiva. E ele usa o termo “absurda” porque é assim que ela se mostra a nós. Ele próprio gostava de dizer que, “se você acha que entende física quântica, você não entende física quântica”. Porque é nesse nível de estranheza que nos enfiamos quando estudamos as “entranhas” da natureza. Você foi muito rápido e duro em dizer que Feynman chegou a um “nível de estupidez” e que seria “inepto” (perdoe-me se não uso a mesma palavra que você usou) fora de sua área de atuação simplesmente porque você se recusou a tentar compreender o que ele quis dizer, em vez do que o seu grande conhecimento dos significados das palavras (sem sarcasmo) lhe permite rapidamente interpretar.

    Todo esse seu trololó não deixou menos imbecil a frase dele. Além disso, não tenho como garantir que a sua interpretação seja a mesma que a dele.

    Estou pensando bastante no seu argumento sobre inteligência. Ele foi muito bem colocado. Está além do meu nível de refutação. Mas a conclusão à qual ele nos leva me soa muito estranha. Coloca o conceito de inteligência num nível muito alto.

    Pois é, era nesse nivel que filosofos gregos como Socrates, Platão e Aristoteles punham o conceito da inteligencia humana. E tenho de concordar com eles pois isso corresponde à minha propria experiencia.

    Eu sou um cientista da computação por formação, trabalho com inteligência artificial e tenho grande interesse em teoria da computação.

    Inteligencia artificial é um nome que se usa apenas por analogia e em sentido figurado. No sentido proprio da expressão, não existe inteligencia artificial.

    E a forma como eu enxergo toda a natureza é algorítmica.

    Aristoteles, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino também enxergavam a natureza desse jeito. Tem um sermão de Agostinho muito interessante sobre isso em que ele comenta o versiculo: “Todas as coisas foram feitas pelo Logos e sem o Logos nada foi feito” (Jo 1,3).

    A inteligência para mim nada mais é do que um algoritmo.

    A inteligencia é o algoritmo separado de seu suporte material. É o algoritmo se contemplando a si mesmo como tal.

    Infelizmente, uma das conclusões a que os cientistas chegam com a aplicação das melhores teorias é de que, no princípio, o universo era absurdo.

    Absurdas mesmo são apenas as frases do Feynmann e do Krauss :-)

    E aqui eu digo absurdo porque até mesmo a matemática tem dificuldades em expressar o que acontece.

    Só porque a matematica tem dificuldades em expressar uma coisa, não significa que ela seja absurda. Pode significar apenas que a matematica necessita de ulteriores desenvolvimentos ou que o fenomeno precisa ser melhor estudado.

    Só para você ter uma ideia (se ainda não tem), em vez de quatro forças fundamentais (gravidade, eletromagnetismo e forças nucleares forte e fraca) havia uma única superforça unificada em um espaço multidimensional reticulado. Como compreender esse cenário e esperar que ele atenda a uma linguagem formulada para explicar uma realidade humana?

    Esse cenario tem muito de hipotetico, porém, ainda que não se leve isso em consideração, não vejo nele nada de propriamente absurdo. Absurda é uma criação sem Criador, por exemplo.

    Como fica a causalidade? Ela é indispensável na sua argumentação.

    Sim, de fato.

    Se você quebrar a causalidade, você não pode retroceder até o “momento zero” e dizer que, antes dele, deve ter havido uma causa. Mas a questão é que a causalidade pode ter sido quebrada no princípio. Em trilionésimos de bilionésimos de segundo, o universo experimentou um crescimento (fenômeno chamado super-inflação) muito mais rápido que a velocidade da luz. Onde existe expansão mais rápida que a luz, existe quebra da causalidade.

    Quem garante? Não vejo nenhum problema em que as leis fisicas tivessem sido outras num estado inicial do universo. Aliás, mesmo no presente estado, os fisicos ainda não tiveram sucesso em conciliar, numa mesma teoria, a força gravitacional, a relatividade e a mecanica quantica. Porém, a causalidade é uma determinação do principio da razão suficiente que, por sua vez, é uma decorrencia do ser enquanto tal. Não é um principio deste ou daquele universo em particular, ou deste ou daquele estado do universo. Os principios do ser são os que permitem construir um algoritmo, sem eles não há algoritmo. O universo, por exemplo, em seu estagio inicial, pode ter um algoritmo complexissimo, bizarrissimo, completamente diferente de tudo o que a gente conhece hoje. Porém, sem os primeiros principios do ser não é possivel algoritmo algum, nenhum algoritmo pode existir.

    Estou convicto que não temos qualquer motivo para acreditar que o deus cristão (ou qualquer outro deus com características antropomórficas, como inteligência) criou o universo. Tampouco que exista a necessidade de que um criador original continue existindo.

    Isso é uma decisão sua, porque explicar eu já expliquei. Entender uma demonstração é um ato da inteligencia, aceitá-la é um ato da vontade. Como alguém já disse, o pior cego é o que não quer ver (cf. Jo 9,39-41).

    Eu reconheço a possibilidade de existir algum deus, assim como reconheço a possibilidade de não existir nenhum. Mas, diante de toda a informação que eu tenho acesso, estou muito mais inclinado a acreditar que não existe nenhum deus. Ao menos um deus inteligente, consciente, que saiba da nossa existência e interceda por nós de qualquer forma.

    Simplesmente armazenar informações não é inteligencia. Inteligencia é compreendê-las. Um livro é um repositorio de informações, mas nas mãos de um analfabeto é de bem pouca utilidade…

  26. Caro Rodrigo,

    Por que a fé seria um vicio?

    Eu tenho o hábito de reservar a palavra “fé” para uso no contexto religioso. Talvez incorretamente.

    A leitura do seu comentário também me leva a considerar que não acredito na existência de “fé divina”. O que você chama “fé divina” eu interpreto como uma “fé humana dentro de um contexto religioso”, visto que para mim aquilo que você chama de “Revelação” é uma obra humana que mistura ficção com relatos históricos e filosóficos. Então a crença em uma religião seria na verdade a crença em outras pessoas.

    Eu considero que esse exercício de fé é um vício porque facilmente interrompe questionamentos e é um perigoso mecanismo de controle e de propagação de irracionalidades. O próprio texto que originou toda essa discussão é um exemplo disso. “Acreditamos em Deus, mas não em Thor porque Deus existe e Thor não”. Lamento, mas isso para mim é um péssimo exemplo de uma mente fechada pela fé.

    Aliás, se Deus não existe, pode haver vicios, no sentido moral do termo?

    Qual seria o sentido moral do termo “vício”? A minha interpretação de “vício” é “defeito”. Físico ou moral. Essa é a primeira acepção do dicionário.

    É minha premissa que não precisamos de deus para sermos morais. Imagino que você irá discordar. Mas essa é uma discussão na qual eu não quero entrar, pois inevitavelmente a conversa convergeria para uma discussão em torno da existência de deus.

    Assumindo as minhas duas premissas como verdadeiras (mesmo que você discorde), um vício, do ponto de vista de um ateu, seria qualquer preceito imoral que um indivíduo sustente.

    Se Deus não existe, existe pecado? A fé seria um pecado ateista?

    Eu não consigo entender a profundidade que o significado da palavra “pecado” tem para para você, então eu não sei se consigo responder a essa pergunta satisfatoriamente. Mas vou tentar.

    Do meu entendimento (talvez pobre) de que pecado seria uma ofensa a deus, então não faria sentido pensar em “pecados ateus”. Talvez pudéssemos estender esse conceito à ideia de que um pecado seria uma ofensa à humanidade de um indivído, em vez de uma ofensa a deus. Então quase todos os pecados católicos poderiam ser vistos como “pecados ateus”, pois quase todos envolvem causar sofrimento evitável a outra pessoa ou mentir para si. Claro que pecados como negar a deus ou manter relações sexuais fora do casamento não seriam “pecados ateus”. Deixar de se questionar diante de uma argumentação de autoridade também seria um “pecado ateu”. Mas isso dependeria muito do que você considera que seria uma ofensa à humanidade de um indivíduo. Para mim, isso seria deixar de querer aprender mais sobre o mundo que nos cerca e desnecessariamente causar ou ignorar o sofrimento alheio.

  27. E há evidências de que isso realmente já aconteceu; primeiro, houve uma revelação ao povo hebreu e, depois, a revelação pública de DEUS na pessoa de Jesus Cristo.

    E como podemos saber que houve essa revelação?

    Ora, se tem duas coisas que homem nenhum não pode fazer são profecias e milagres autênticos, que violam as próprias leis da natureza. E a Bíblia está cheio de milagres e profecias:

    É a isso o que eu me refiro quando digo que a “fé é nociva”.

    A Bíblia não está cheia de milagres e profecias. Ela está cheia de registros de supostos milagres e profecias.

    Depende da fé acreditar ou não nesses milagres.

  28. Acabo de apertar F5 sem querer e isso me custou quase uma hora de sono perdido. Se eu vencer a frustração e voltar a tentar conversar aqui, vai levar um tempinho.

  29. Prezado Rodrigo Pedroso,

    Confesso que, após quase dez anos dedicados à vida acadêmica, entre bacharelado em Física, mestrado em Física Teórica e um doutorado não concluído em Física Experimental, a última coisa que eu esperava na vida era ser acusado de fideísta :-) Mas, como eu não quero ser um herege, vamos ver se podemos consertar as coisas.

    Primeiramente, não era exatamente esta ideia que eu tinha do fideísmo. Eu sempre entendi o fideísmo como “a heresia que prega que a razão humana, apenas com a sua luz natural, é incapaz de chegar a verdade alguma” SOBRE DEUS.

    Ou ainda, citando a Wikipedia: “Doutrina religiosa que prega que as verdades metafísicas, morais e religiosas, como a existência de Deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão, e só serão compreendidas por intermédio da fé”.

    Voltemos àquela analogia do chá de bebê. Imagine que a mamãe examinou bem o embrulho e, com base nas suas observações, consegue chegar a uma descrição cada vez mais próxima de um pote. Um herege fideísta diria que o conteúdo do embrulho poderia muito bem ser uma bicicleta, ainda que todas as evidências apontem para um pote, e que a única forma de sabermos o que tem no interior do embrulho é abrindo-o.

    É claro que eu não acredito nisto. Se a experimentação do embrulho aponta cada vez mais para o pote, é porque deve haver, de fato, um pote embrulhado. Porém, apenas com esta experimentação, eu não posso afirmar, por exemplo, se o pote é azul ou verde. Para isto, sim, é necessário abrir o embrulho.

    É claro que podemos chegar a algum conhecimento sobre Deus a partir da razão. Porém, da mesma forma com que não podemos ter um conhecimento completo sobre o presente sem abrir o embrulho, a razão sozinha não nos permite chegar ao conhecimento completo sobre Deus. Para isso, dependemos da revelação, ou seja, da fé.

    Achei interessante você ter citado a matemática. Eu gosto muito de comparar a matemática com os fundamentos da fé cristã, para sinalizar que ambas são ETERNAS, ou seja, não estão sujeitas à influência do espaço e do tempo, como a evolução dos valores morais da sociedade. Não tem essa de “como pode, em pleno século XXI, aceitarmos que 1 + 1 continue sendo 2”. Porém, para construir a matemática, você precisa partir de um conjunto de afirmações assumidamente verdadeiras, mas que não podem ser provadas: são os AXIOMAS ou POSTULADOS. A partir destes axiomas, sim, você prova todas as demais afirmações matemáticas que delas derivem.

    Provavelmente vocês todos devem ter estudado Geometria Plana na escola. Lá, vocês devem ter aprendido afirmações como “existem ponto, reta e plano”, “dois pontos distintos determinam uma única reta que os contém”, “três pontos não-colineares determinam um único plano que os contém”, etc. Estes são exemplos de postulados: vocês não conseguem provar que estas afirmações são verdadeiras. Vocês simplesmente as assumem e, a partir delas, provam as demais afirmações que delas derivem.

    No meu entendimento, a revelação divina funciona mais ou menos como os axiomas da matemática: a partir dela, recebida pela FÉ, você busca, a partir da RAZÃO, “provar” todos os outros aspectos a respeito de Deus. Esta busca é o que poderíamos chamar de TEOLOGIA.

    Ficou melhor agora? ;-)

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