O Nevoeiro

[ATENÇÃO! SE NÃO QUISER SABER O FINAL DO FILME, NÃO LEIA!]

Fui assistir “O Nevoeiro” hoje à noite – minha falta de carteira de estudante acaba por me empurrar para as sessões promocionais das segundas-feiras. O filme é tosco e cansativo – afinal, os monstros sem pé nem cabeça e a explicação ridícula da origem deles são maçantes -, mas tem alguns aspectos (dois, pelo menos) que podem render alguns comentários interessantes.

Primeiro: a crente. Óbvio que não gostei da personagem, em primeiro lugar por ser um claro exemplo de violação do Segundo Mandamento e de zombaria feita com as Escrituras Sagradas, e em segundo lugar por uma questão de justiça – nem o protestante mais tapado conseguiria ser como aquela mulher. A caricatura é grotesca e inverossímil; mas não pude deixar de olhar para o fundamentalismo daquela senhora sem me lembrar dos cátaros medievais. Não por similaridade de comportamento, porque imagino que nem os albigenses conseguiam ser tão insuportáveis quanto aquela mulher; mas (guardadas as devidas proporções) por causa do comportamento deletério para a sociedade.

O que faz a maluca? Enquanto os monstros estão matando todo mundo (as pessoas ficaram presas pelo nevoeiro dentro de um supermercado), ela “funda” uma seita da qual é pastora suprema e, convencendo as pessoas aterrorizadas de que tem um contato direto com Deus e de que as tragédias estão acontecendo como punição por causa dos pecados das pessoas, torna a convivência dentro do supermercado absolutamente impossível. Após ela pintar a miséria – chegando até a acusar um soldado de ser o responsável pela abertura das portas do inferno e incitar o povo a lançá-lo aos monstros, o que foi prontamente feito -, a cena apoteótica é quando as últimas pessoas sensatas [entre elas, uma criança] estão pensando em sair do supermercado para pegar o carro e fugir do nevoeiro e a doente aparece com uma faca dizendo que ninguém vai sair e exigindo a criança em sacrifício (!) para aplacar a ira divina.

Um dos “mocinhos” tinha uma arma, e com dois tiros na delinqüente o problema é resolvido. Mas fica o espécimen a ser estudado, como um exemplo (claríssimo) de quando a utilização da força é necessária para coibir uma (doentia) manifestação religiosa que provocaria uma tragédia se fosse deixada impune. E bem que poderiam ter dado dois tiros na senhora antes de tudo, para evitar a desgraça toda… não poderiam? Não, não poderiam, porque no início ela era insuportável, mas inofensiva. Agora, certamente poderiam tê-la amarrado e lançado no porão, empregando assim a força necessária – sem exageros – para manter a ordem no supermercado e possibilitar a colaboração efetiva de todos tendo em vista o bem comum (no caso, sobreviver aos monstros).

O segundo, é o fim do filme. Após conseguirem evitar os monstros e embarcarem num carro, os últimos cinco sobreviventes tentam fugir do nevoeiro andando, andando, andando… até que acaba a gasolina. Ficam, então, os cinco sem nenhuma perspectiva de sobrevivência, dentro de um carro com o tanque de combustível vazio, no meio do nevoeiro repleto de monstros assassinos… e com um revólver e quatro balas. A tentação é grande demais – afinal, o que eles podem fazer dentro do nevoeiro? O problema é que são cinco para quatro balas… todos, por fim, firmam tacitamente o acordo de que o suicídio é o melhor consolo, a última opção digna, o único caminho que restou.

Quatro tiros dentro do carro – e o protagonista, que abdicou do consolo da bala nos miolos em favor dos seus companheiros, sai do carro gritando, esgotado, para alcançar dolorosamente nas garras dos monstros o mesmo fim que os seus amigos conseguiram rapidamente com os tiros de revólver. Após gritar, chorar, chamar os monstros, eis que, por trás do nevoeiro, surge vindo em sua direção um gigante… tanque de guerra. Os soldados chegaram, trazendo caminhões de sobreviventes, tocando fogo nos monstros, e o nevoeiro começa a se dissipar, mostrando o sol a brilhar e o interminável comboio do exército salvador.

Após tudo o que eles passaram, no limiar da vitória, os cinco sobreviventes não morreram na praia – mataram-se na praia! A falta de coragem no último momento, a opção pelo caminho menos doloroso, a desistência no final, quando bastavam mais cinco minutos. A situação pode parecer sem saída; mas nunca é lícito entregar-se. Ainda que o exército salvador não viesse, não é moralmente aceitável o suicídio. Pode-se meter uma bala na cabeça da criminosa que dissemina o caos no supermercado, visando restabelecer a ordem, sim; mas não se pode meter uma bala na própria cabeça para fugir do desespero de uma (provável) morte terrível. O filme conseguiu um insólito final no qual a sobrevivência é pior do que a morte. Ensinando-nos, quiçá, as dolorosas conseqüências de uma escolha errada. Afinal de contas, nunca se sabe o que pode sair de dentro do nevoeiro; e é melhor morrer lutando do que perder as esperanças quando a aurora já rasga o horizonte.

Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve!

Nosso Brasil… triste Brasil! Triste Ilha de Vera Cruz, gigante colosso acorrentado qual Gulliver em Lilliput… o que frustra mais – diz uma velha frase de efeito – não é tanto o impossível, mas o possível não realizado. E, em contrapartida, o mais degradante não é o ataque certeiro bem-conduzido, e sim a punhalada pelas costas… nosso Brasil, traído, reduzido à insignificância, humilhado e escarnecido pelos seus inimigos! Quem poderia imaginar que esta Nação gigante poderia chegar a tão baixo…?

No vídeo acima, os militares entoam o Hino Nacional. E não titubeiam; rufam os canhões e explodem os obuses, permanecem intrépidos. No meio do bombardeio, no meio da tempestade. O povo brasileiro é um povo corajoso…? O que comemoramos no dia de hoje? Afinal, o que é independência – é meramente uma palavra que possa justificar a covardia institucionalizada? Independência é a possibilidade de se resfolegar na lama, humilhando-se e capitulando diante dos adversários? Afinal de contas, o hino nacional hoje tantas vezes entoado – “mas se ergues da justiça a clava forte / verás que um filho teu não foge à luta / nem teme, quem te adora a própria morte” – é letra morta? Uma mera formalidade, resquícios de um passado alheio ao nosso presente, no qual somos já incapazes de nos reconhecer?

Se o Hino Nacional fosse composto nos dias de hoje, poderíamos escrevê-lo sem corar de vergonha com a flagrante mentira? E, ainda – podemos cantá-lo hoje, sem que o rubor suba-nos à face? Algum dia, este hino já foi cantado com orgulho – vejam os soldados brasileiros em solo inimigo. O som dos bombardeios não foi capaz de abafar o brado das tropas brasileiras: ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve! E que vergonha é essa que, hoje, o hino esteja completamente destituído do seu conteúdo, qual cadáver sem vida, qual porta de madeira imponente toda carcomida de cupins! Como poderemos olhar nos olhos do povo brasileiro que cumpriu a sua quota de heroísmo? Ser-nos-á possível fitá-los sem baixar os olhos de vergonha?

Povo brasileiro, povo católico! Se o amor à pátria é importante e inegociável, quão mais importante não é o amor à Religião, à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, à nossa Mãe? E que vergonha é esta que uma grande nação católica possa abrir mão de tudo e se entregar passivamente diante dos inimigos de Nosso Senhor? Como poderemos olhar para Cristo in die iudicii e dizer-Lhe que fomos tão pusilânimes? Que escondemos sob o alqueire a luz da Fé que Ele nos comunicou? Como olhar-Lhe nos olhos e dizer-Lhe que lançamos fora as nossas espadas e, covardemente, permitimos que toda sorte de desgraças crescessem exuberantes no campo que Ele nos deu por cuidado? Que os lobos dispersaram o rebanho, que o joio sufocou o trigo, que as pragas e as aves devastaram a plantação… volto à frase de efeito acima evocada. Acaso estamos falando de alguma tarefa impossível… ?

Acaso é impossível que uma Nação faça valer os seus anseios? Acaso é alguma coisa de extremamente difícil que um colosso sacuda o pó e levante-se com a força que tem por natureza (gigante pela própria natureza / és belo, és forte, impávido colosso / e o teu futuro espelha essa grandeza) para construir um futuro digno de si? Nação católica! Vergonha que vivamos como se não tivéssemos Fé. Vergonha que o Estado Brasileiro não guarde semelhança com o seu povo! Vergonha que o povo não se importe com a sua Pátria! Vergonha que esvaziemos de significado o Hino Nacional, e o entoemos hipocritamente, com a mesma negligência com a qual entregamos o Brasil aos seus inimigos! Vergonha, que pareça não haver aurora no horizonte, não haver luz no fim do túnel, não haver esperança à qual se aferrar.

Para os montes levanto os olhos: de onde me virá socorro? O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra (Sl 120, 1-2). Levantai-vos, brasileiros, recobrai o ânimo, católicos. O filho não foi criado para a lavagem dos porcos, a Terra de Santa Cruz não veio à existência para ser repasto de chacais. Neste 07 de setembro, dia da Pátria, rezemos pela Pátria Amada. A fim de que ela desperte. A fim de que ela possa, dos filhos deste solo, ser Mãe gentil. A fim de que possamos entoar de cabeça erguida o Hino Nacional. E o nosso Brasil amado faça valer a sua história, e a Santa Cruz que um dia nomeou esta terra possa ser levantada bem alto pelo nosso povo brasileiro. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, rogai por nós!

A importância do bate-boca

Há discussões e discussões. Algumas são intrinsecamente infrutíferas, quando o assunto tratado tem pouca ou nenhuma importância para a salvação das almas ou – pior ainda – quando é-lhes prejudicial. Outras, são extrinsicamente infrutíferas, quando as condições não são propícias, ou quando os interlocutores não estão com as disposições de espírito exigidas para um debate frutuoso, ou quando se observa algum motivo semelhante. Por fim, há outras que são profícuas, que são todas as demais.

Tenho um natural otimismo com relação às discussões. Acredito que um número considerável delas vale a pena – a despeito do pouco fruto que elas pareçam dar – porque acredito que o ser humano tem uma natural sede da Verdade, e que argumentos racionais tendem a atrair a atenção das pessoas. Parece-me que foi Chesterton quem certa vez disse que, se ele tivesse um bom amigo e pudesse conversar com ele todas as noites por longos anos, conseguiria converter este amigo à Fé Católica. Neste aspecto, estou com o insigne escritor inglês.

Primeiro, porque acredito que a Fé Católica é “intrinsecamente convincente”; sendo Ela verdadeira, e possuindo o ser humano um inato desejo de Verdade, a Fé é, em Si, a resposta às aspirações últimas de todas as pessoas. Segundo, porque acredito na capacidade humana de mudar; uma vez que Nosso Senhor Jesus Cristo disse-nos para que pedíssemos, pois receberíamos, e batêssemos, pois abrir-se-nos-iam as portas, acredito piamente que um desejo sincero de encontrar a Deus é capaz de “mover o coração do Altíssimo”, e de provocar mudanças profundas e verdadeiras na visão de mundo das pessoas, quaisquer que sejam elas.

Para Chesterton, todavia, é necessário que o amigo dele seja “muito amigo” e que eles possam conversar por “muitos anos”. Isso acontece porque a Fé, embora seja em Si convincente, não Se apresenta à alma de maneira imediata. Obstáculos podem ser colocados ao esplendor da Verdade Católica. Principalmente dois: as duas pessoas que estão discutindo. E, exatamente por isso, discutir é necessário.

É necessário, porque existem preconceitos da parte de quem ouve que precisam ser quebrados – e quebrar preconceitos leva tempo. É também necessário, porque existem limitações de expressão da parte de quem fala, que precisam ser contornadas da melhor maneira possível – isso também requer tempo. Não acredito muito em “conversões miraculosas” de mudanças radicais de pessoas após pouca conversa e pouca discussão, porque milagres são raros e a minha (parca, reconheço) experiência me ensinou que é muito fácil colocar obstáculos a Fé, e muito difícil contorná-los. O que não significa que eles sejam “incontornáveis”.

Mas não é suficiente somente tempo, se não houver aquela “disposição de ânimo” necessária à assimilação daquilo que é ouvido. Chesterton fala em ser “muito amigo” do interlocutor; isso sem dúvidas seria muito bom, mas parece-me suficiente que você não seja muito inimigo dele. Ter inimizade por um contendor é a maneira mais fácil e eficaz de transformar uma discussão interessante em uma daquelas extrinsicamente estéreis – porque, mesmo que o assunto em si seja nobre e verdadeiro, se o adversário estiver “cego” pela inimizade que devota a você, não adianta de nada. Tempo, pois, para que os preconceitos sejam efetivamente derrubados; amizade (ou pelo menos “não-inimizade”), para que eles possam ser derrubados.

Há uma história atribuída a [se não me falha a memória] Santo Inácio de Loyola, segundo a qual o santo, certa vez, ao encontrar os seus filhos espirituais em silêncio, perguntou-lhes irado por que eles não estavam discutindo. Não sei se é história verídica ou se é anedota, e também vale salientar que a discussão entre a Fé e a incredulidade é de uma espécie diferente daquele na qual se busca aprofundar a Fé, mas o que eu quero reforçar trazendo este episódio à baila é que a discussão é importante, tão importante que não se podem privar dela nem mesmo os que já quebraram os muros iniciais do preconceito e começaram a dar passos em sua caminhada espiritual; a meu ver, nem mesmo estes o podem por três motivos principais.

O primeiro, para que aprendam a discutir. É necessário exprimir com fidelidade o que deve ser expresso, é necessário entender o pensamento do seu interlocutor [sem isso nada funciona], é necessário saber manter a calma e evitar a todo custo angariar inimizades. E discutir é fundamental para a pregação do Evangelho, para a propagação da Fé Católica, para a glória de Deus e para a salvação das almas.

O segundo, para que aprofundem o seu conhecimento; “entender para crer, crer para entender” é o conhecido adágio agostiniano, e é pressuposto da caminhada espiritual. Um corpo que não se desenvolve é um corpo morto e, nos caminhos espirituais, não progredir já é um retrocesso – para usar dois conhecidos ditados que vêm muito a calhar. Sempre há para onde progredir pois, aqui na Terra, é-nos impossível chegar onde não haja mais progresso espiritual possível.

O terceiro – e muitas vezes ignorado – motivo, é para que aprendam a aprender; coloquem-se “do lado de lá” da discussão, e saibam reconhecer os próprios erros e as próprias limitações. Isto é fundamental para o progresso espiritual – afinal, sempre há o que aprender – e é também fundamental para entender melhor a situação daqueles a quem os argumentos são dirigidos; sem isso, não se aprende a discutir.

“Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança”, escreveu o primeiro Papa; mas acrescentou logo em seguida: “mas fazei-o com suavidade e respeito” (1Pd 3, 15). De onde nós temos que, sim, discutir é essencial, mas também é essencial a maneira como discutimos. Se o bate-boca não dá resultado, não pode ser por culpa da Doutrina Católica; por conseguinte, deve ser procurado entre os contendores o culpado. Afinal, como já dizia o pe. António Vieira no Sermão da Sexagésima:

Sabeis, cristãos, porque não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque não faz fruto a palavra de Deus? — Por culpa nossa.

Isto pode, mutatis mutandis, ser aplicado a nós também. Aprendamos a discutir, para podermos trabalhar pela maior glória de Deus. E termino com as palavras do mesmo pe. Vieira, com as quais termina o conhecido sermão:

Veja o Céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o Inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus, e saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto: Et fecit fructum centuplum.

Amen.

Que há de extraordinário…?

De internis,  nisi Ecclesia.
[Orlando Fedeli, in A capela vazia]

As intenções, aquilo que é interno, o que passa no coração dos homens, nem a Igreja julga. É o que diz o conhecido ditado eclesiástico, repetido pelo prof. Fedeli na sua última crônica, último capítulo – espero – sobre a saída do IBP do Brasil.

Impossível não concordar. E impossível não se entristecer com os acontecimentos recentes. Primeiro, um instituto pontifício “polariza-se” no Brasil e, nascido e criado em atmosfera tupiniquim insalubre, tem a sua atuação enviesada por interesses que não estão perfeitamente alinhados com os da Santa Igreja. Depois, ao invés de se ajustarem as velas e prosseguir o caminho correto, a saída… finalmente, ao invés de se procurar tirar da atitude corajosa do IBP um bom ensinamento e um sinal de esperança, a perda de tempo com discussões inúteis sobre pessoas. Não raro, esquecendo-se do de internis.

As pessoas são falhas. Necessariamente falhas. Como perguntava retoricamente São Francisco de Sales, “que há de extraordinário em que a enfermidade seja enferma, e a fraqueza fraca, e a miséria miserável”? Por que, então, deter-se tão demoradamente e com tanto afinco nas desgraças das pessoas?

A situação atual perde-se na polêmica vazia; a última crônica da Montfort [em epígrafe] só vai exaltar os ânimos dos defensores da Associação. E quanto aos problemas reais, os que permanecem? E quanto aos estatutos do IBP, sem os quais é simplesmente impossível acusar de traição ou de interpretação errada qualquer um dos lados? Nem uma palavra…

Uma ave-maria pelo Santo Padre, pela exaltação da Santa Madre Igreja, pela extirpação das heresias; outra ave-maria pelo prof. Orlando, pelo pe. Renato, pelo pe. Navas, pelo pe. Laguerie e por todos os que estão envolvidos diretamente na dolorosa situação; e uma ave-maria por nós todos, é o que peço aos que por aqui passarem.

Ave Maria
Ave Maria
Ave Maria

Nossa Senhora, Refugium Peccatorum,
ora pro nobis!

P.S.: A tradução do latim em epígrafe está errada. Veja por quê.

Everything

Eu não morro de amores por vídeos. Recebi este por email, deixei esquecido na caixa de entrada… abri por acaso, em um momento de fraqueza. Quando vi os dois jovens dançando, tive impulso de fechá-lo; mas a curiosidade foi mais forte. E valeu a pena, porque a apresentação dos garotos é primorosa!

You’re all I want,
You’re all I need,
You’re everything,
You’re everything!

Lifehouse não é uma banda cristã, mas alguns dos seus integrantes são cristãos. Esta música fala de Jesus Cristo. E a menina deu show no vídeo.

Manchete capciosa

Uma bela mensagem sob um título malicioso: Papa admite mais flexibilidade em relação à admissão dos fiéis aos sacramentos. A malícia está no fato de que o único “rigor” existente em relação à administração dos sacramentos é a exigência de uma vida moral reta, o que exclui, p.ex., casais em segunda união do Banquete Eucarístico. Falar em “flexibilidade” daria, então, a entender que o Papa estaria “relaxando” a prática da Igreja e “liberando geral”, como há tantos que o desejam hoje em dia.

Não fui eu o único a pensar assim. A mesma notícia reproduzida em G1 (aliás, o título ficou muito estranho; “Papa explica como enfrentar sofrimento e sacramentos” passa a impressão de que os sacramentos estão sendo “enfrentados”, e não “explicados” como é o correto) apressou-se em declarar:

O porta-voz esclareceu que, sobre este tema, Bento XVI não fez referência à questão da comunhão para os divorciados, que, segundo as normas da Igreja, não podem recebê-la, pois são considerados pecadores.

À exceção da terminologia inadequada (não é porque “são considerados pecadores” simpliciter, e sim “porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia” – Sacramentum Caritatis 29), ao menos agiu com honestidade a agência de notícias e não procurou distorcer as palavras do Santo Padre.

Muito bonita e digna de destaque a resposta do Papa, quando foi questionado sobre o sofrimento:

Na segunda parte do pontificado, João Paulo II foi o testemunho verdadeiro de como carregar a cruz; neste mundo do activismo, do jovem e do belo, a mensagem do sofrimento e da paixão tem um valor particular. (…) A presença de Cristo no sofrimento é um ensinamento fundamental do cristianismo. Aceitar o sofrimento é uma dimensão da humanidade.
[Bento XVI]

Sim, o sofrimento é uma dimensão humana que foi glorificada na Cruz do Calvário! Por meio do sofrimento, é-nos possível assemelhar-nos ao Homem das Dores. Ah, consolo tão sublime e tão ignorado em nosso mundo hedonista!

Sugestão de leitura: Salvifici Doloris, de João Paulo II.

Non serviam!

Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos (Rm 5, 19).

O Pecado Original foi um pecado de desobediência. Adão e Eva, colocados no Paraíso Terrestre, culminados de dons por Deus, tinham como único dever não inverterem a ordem da Criação e manterem a diferença hierárquica – ontologicamente necessária – entre a criatura e o Criador.

Antes do pecado de Adão, a desobediência já havia entrado na Criação, quando Satanás rebelou-se contra Deus e proferiu o seu non serviam (Jeremias 2, 20). Lúcifer, igualitário, tem ódio da diferença hierárquica existente entre o Criador e as Suas criaturas, e – já que sabe ser impossível destruí-la – quer agir como se ela não existisse, e incitar os demais seres racionais a fazerem o mesmo. Conclamou os anjos à rebeldia, e arrastou alguns atrás de si; incita os homens, desde o primeiro casal, a aderirem à sua revolta metafísica e, desde então, o seu brado tem ecoado através dos séculos.

Os vícios se combatem com as virtudes que lhe são opostas e, assim sendo, combate-se a desobediência através da obediência. Difícil prática, sem dúvidas, posto que carregamos em nossa carne marcada pelo Pecado Original as tendências herdadas daquela rebeldia primeira. Tende o homem a querer ser senhor de si; é arrastado – por si mesmo, através das considerações de suas qualidades; pelo mundo, através da cobiça que as coisas criadas despertam; por Satanás, que é mentiroso desde o princípio e não almeja senão convencer o maior número possível de almas a cerrar fileiras consigo – para a desobediência, para a repetição do brado demoníaco original: non serviam!

Difícil prática obedecer, sem dúvidas! Ao homem obediente, exige-se que se reconheça menor do que lhe insinuam o demônio, o mundo e a carne. Exige que renuncie a si mesmo, e que, descendo do seu pedestal de orgulho, reconheça as suas próprias limitações e considere a dolorosa possibilidade de estar errado. Desobediência e orgulho – erros que caminham sempre lado a lado! Obediência e humildade – virtudes que não podem existir separadas. É, todavia, possível obedecer, porque, um dia, Deus se fez homem e “humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8). Os exemplos maiores de humildade e de obediência foram-nos dados por Nosso Senhor! A quem queremos seguir? Ao non serviam de Satanás, ou ao factus oboediens deixado como exemplo por Cristo Deus?

O pecado de Satanás, seguido por Adão e Eva, apresenta-se sob muitas formas nos nossos dias. “Obediência co-responsável” é desculpa furada de quem não quer obedecer; condenar a “obediência cega” é a semente do orgulho começando a desabrochar. Sempre é possível inventar exemplos e mais exemplos de situações hipotéticas nas quais o homem estaria realmente dispensado da obediência e ainda nas quais obedecer cegamente seria um pecado; mas quando esta hipótese é aplicada amiúde em situações concretas que não guardam com os exemplos aventados senão uma vaga e forçada semelhança, então nós temos um sério problema: nós temos a repetição do non serviam primordial sob uma nova roupagem. Afinal, aquele que é capaz de “se transfigura[r] em anjo de luz” (IICor 11, 14) também é capaz de dar ao seu brado rebelde uma aparência de virtude.

Obediência exige renúncia, e a renúncia mais dolorosa é, por vezes, aquela na qual nós temos que abrir mão de uma coisa que julgamos boa, e que pode até ser boa em si, mas que não convém a uma determinada situação. Sem dúvidas que isto pode ser uma grande desgraça e motivo de profunda tristeza, mas Deus, que não permitiria o mal se, dele, não fosse capaz de tirar um bem ainda maior, sempre pode transformar a boa obra interrompida em ato de obediência meritório. O IBP interrompeu a sua boa obra no Brasil por questões de obediência e, se é verdade que podemos e devemos nos vestir de luto pelo triste acontecimento, é igualmente verdade que o encerramento das atividades do instituto nesta Terra de Santa Cruz é um brado cristão eloqüente contra o grito subversivo de Satanás.

Ao non serviam diabólico, Aquela que venceu sozinha todas as heresias do mundo inteiro contrapôs o seu fiat. Seguindo os humildes passos de Maria Santíssima, deixa o IBP o seu trabalho na cidade fundada pelo beato José de Anchieta. Também Jesus interrompeu o seu trabalho de formação dos Apóstolos para, por obediência ao Pai, oferecer-Se na Cruz do Calvário. Que a alegria sobrepuje a tristeza e, à interrupção do bom combate, sobreponha-se a obediência humilde. Parabéns ao Instituto do Bom Pastor, tanto pelo que fez por nós, quanto pelo exemplo dado na partida. Que a Virgem Santíssima continue sendo em nosso favor e que as nossas orações e boas obras possam servir, um pouco que seja, para apressar o triunfo do Seu Imaculado Coração.

Marta, Marta…

Martha Martha sollicita es et turbaris erga plurima porro unum est necessarium Maria optimam partem elegit quæ non auferetur ab ea.
[Evangelium secundum Lucam 10, 41-42]

Duas irmãs receberam o Senhor em sua casa. Marta preocupa-se em servir a Jesus; Maria, empenha-se em ser servida por Ele. Marta é figura da vida ativa; Maria, da vida contemplativa. Gosto de ver também Marta como figura da ascese e, Maria, da mística; e, por fim, também enxergo Marta como figura da vocação leiga e, Maria, da vocação religiosa.

Sobre a vida ativa e a contemplativa, há comentários muito bons na Catena Aurea. Em particular, a seguinte explicação de São Gregório Magno é de uma magnífica clareza:

El cuidado de Marta no se reprende, pero se alaba el de María; son grandes los méritos de la vida activa, pero son mayores los de la contemplativa.

Até porque todos temos, em uma certa medida, necessidade de ação e de contemplação. Enquanto seres humanos, precisamos ter os olhos voltados para o exterior, para as nossas necessidades naturais; enquanto cristãos, precisamos ter os olhos voltados para o interior, para a nossa alma e a sua relação com Deus. Somos seres vivos, e precisamos cuidar do nosso corpo; somos filhos de Deus, e precisamos cuidar de nossa alma. Não há maniqueísmo na Doutrina Católica, nem mesmo na aparente “dicotomia” entre a vida ativa e a vida contemplativa, entre Marta e Maria: Jesus não repreende o cuidado de Marta – tanto que, como comenta Teofilato na Catena Aurea, Jesus nada disse quando chegou e viu que Marta estava trabalhando, somente a corrigindo quando ela foi interferir na contemplação da irmã – apenas elogia o cuidado de Maria.

Acontece que Maria deve ser grata a Marta, porque Jesus provavelmente não viria à sua casa se não houvesse quem O recebesse. Marta “prepara” a casa para que Maria possa ouvir o Senhor – esta verdade torna-se ainda mais evidente se olharmos para a ascese e a mística. Se a ascese pode ser vista como o esforço da alma que busca elevar-se a Deus, a mística seria, então, a contrapartida: o Deus que Se abaixa para chegar até a alma. Uma ascese que não esteja direcionada para Deus é vã; mas a mística de Deus – salvo raríssimas exceções – também não prescinde dos esforços ascéticos da alma. Maria não estaria aos pés do Senhor se Marta não estivesse cuidando da casa. A graça pressupõe a natureza, a mística pressupõe a ascese, a vida contemplativa pressupõe a vida ativa, Maria pressupõe Marta.

Mas os exercícios ascéticos não são um fim em si mesmo, devendo ter em Deus o seu objetivo. Os cuidados do corpo devem ser tomados na medida em que possibilitem os cuidados da alma, não devendo jamais esta ser descuidada por causa daquele. O objetivo de receber Jesus em casa é ouvi-lO falar, e não simplesmente recebê-lO; o papel de Marta é sem dúvida necessário, mas perde completamente a razão de ser sem o de Maria. Por isso o Senhor repreende Marta, não quando ela estava cuidando da casa – pois a vida ativa, a ascese, são necessárias – mas quando ela quis retirar Maria do seu lugar – pois a união mística com Deus, a vida contemplativa, são mais importantes.

Não obstante coexistam em cada um de nós a vida ativa e a vida contemplativa, as vocações específicas de cada um – à vida religiosa ou à vida leiga – direcionam a maneira correta de viver cada uma delas. Um religioso que descuide da sua contemplação para resolver os problemas temporais está sem dúvidas vivendo mal a sua vocação; mas a recíproca é também verdadeira, porque um pai que tanto se dedique à vida contemplativa que descuide de sua família também não está vivendo bem a sua paternidade. Cada um é aquilo que é; Marta é Marta, e Maria é Maria. Não queira Maria fazer aquilo que compete a Marta, nem deixe Marta de fazer o que deve para agir como Maria.

No final, pode-se ficar com a impressão de que Marta é a “gêmea má” da história. Mas tal impressão é falsa; Marta e Maria são necessárias, e dizer que a parte escolhida por Maria é a melhor [optimam partem] não é a mesma coisa de afirmar ser ruim a parte de Marta. Para dissipar os equívocos e acabar com todo dualismo que possa haver, a Igreja enalteceu a vida ativa, corroborou a ascese e glorificou a vocação leiga canonizando Marta. Não apenas Maria é chamada à santidade, pois Marta também tem a honra dos altares.

Hoje é dia de Santa Marta! Que ela possa interceder a Deus por nós, para que saibamos cuidar corretamente do nosso corpo e da nossa alma, esforçando-nos nos cuidados de nossa casa para que possamos estar aos pés de Jesus – e por nenhum outro motivo! – ouvindo as palavras de Vida Eterna que somente Ele tem para nos oferecer.

Sancta Martha,
ora pro nobis!

Enquanto o mundo passa

Qual é a principal diferença entre um anel de ouro verdadeiro e um anel de ouro falsificado? Não é somente o preço, óbvio, até porque os dois podem custar a mesma coisa – se o vendedor estiver mal intencionado e não disser que a mercadoria negociada é uma imitação. Também não é “a beleza” do ouro, porque para a maioria das pessoas não é evidente a diferença do metal verdadeiro para o “metal falsificado”. A principal diferença entre o anel de ouro e o anel falsificado é que o anel de ouro dura, e o falsificado, estraga, e todo mundo sabe disso, e por isso dá valor ao ouro verdadeiro.

“Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós” – escreveu Santo Agostinho em suas “Confissões”. E “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus” (Gn 1, 27). Tem, portanto, o homem uma certa sede de infinito, um fascínio pelo transcendente, um desejo de eternidade inscrito em sua própria natureza. É natural que o homem fuja de horror diante da morte, diante da possibilidade de deixar de existir; é-lhe um absurdo incompreensível. Como a fome física exige a existência da comida e a sede física, a existência da água, assim a fome e a sede de eternidade que o homem possui exigem a Vida que não passa. Não a encontrando no mundo visível, segue contudo buscando-a mesmo assim.

Na verdade, o homem carrega em si uma eterna insatisfação com a sua própria contingência; sabe que passa, mas não quer passar. Quer permanecer. Constrói monumentos portentosos, que possam dar testemunho dele ao porvir quando ele não for mais do que pó na terra. Busca o Elixir da Eterna Juventude, ou sob a versão “mística” prometida pelos alquimistas, ou sob a roupagem “racionalista” dos progressos científicos atuais. Cria fábulas e inveja secretamente o Peter Pan, por não ter uma Terra do Nunca onde consiga parar a inexorável marcha do envelhecimento que jamais se detém. E admira as coisas que permanecem ao longo do tempo, como os anéis de ouro.

O homem sente-se atraído pelas coisas que não passam – verdade universalmente atestada pelo comportamento humano ao longo de toda a História! Quereis, portanto, encantar uma alma? Mostrai-lhe o diamante indestrutível da Doutrina Católica, o esplendor imperecível da Verdade, o eterno brilho dourado da Fé! Oferecei-lhe um bem que não se acaba, que as traças e a ferrugem não consomem e os ladrões não roubam (cf. Mt 6, 20), e a vereis vender tudo o que possui para o adquirir (cf. Mt 13, 44).

Estranhos tempos estes em que vivemos, em que as pessoas julgam poder convencer as almas oferecendo-lhes utensílios descartáveis ao invés de diamantes eternos. Sob a desculpa de que são “úteis” e “modernas”, as idéias mais estapafúrdias são espalhadas por aí afora no lugar da “antiquada” Sã Doutrina de sempre. Para que serve esse negócio de Igreja? Digamos que as religiões são como “rios que desaguam todas num mesmo mar” – é bonito, é poético, é agradável para todos. Para que serve esse negócio de Sacrifício de Cristo? Digamos que basta às pessoas serem boas, porque, afinal de contas, Deus é Pai – não é mais lógico? Para quê tantas imposições morais? Digamos, enfim, que o homem é livre, e que o importante é o amor, pois foi Santo Agostinho quem disse “ama e faz o que queres”. E os exemplos podem multiplicar-se ao infinito. Sempre modernos, sempre descartáveis. Completamente incapazes de prender a atenção de uma alma que foi criada para os altares.

O que explica o “culto ao efêmero”, esta revolta metafísica que faz com que o homem procure, de toda maneira, sufocar as suas aspirações naturais e colocar, no seu lugar, um artificial desejo por aquilo que lhes é oposto? Acredito que foi a decepção. Após infinitas tentativas frustradas – após o tempo ter destruído até as Maravilhas do Mundo, após a alquimia ter fracassado vergonhosamente na busca da pedra filosofal, após as incuráveis doenças modernas, após as crianças terem crescido e deixado de acreditar em Peter Pan – o homem deve ter desistido de procurar aquilo pelo qual o seu coração anseia. Esqueceu-se ele de que o ouro não enferruja. Nunca subestimemos a capacidade humana de errar; quando pensávamos que os erros iriam conduzir, por via adversa, ao único acerto possível, o homem nos surpreende com mais essa: após enveredar por tantos caminhos errados que praticamente só restava o caminho correto a ser explorado, no liminar de segui-lo, pára o homem e afirma categoricamente não haver caminhos. Triste.

Pensava em tudo isso quando li uma reportagem da FOLHA segundo a qual alguns “católicos” pediram ao Santo Padre que libere os contraceptivos. A despeito de se dizerem católicos, é claro que eles não o são: os católicos se preocupam com o Eterno, não com o jornal do dia que amanhã vai estar embrulhando peixe. Os católicos julgam o mundo de acordo com as palavras do Sucessor de Pedro – estes, querem julgar o Papa de acordo com o que diz a OMS.

Hoje, a Humanae Vitae completa 40 anos. Os modernos certamente dirão que ela está velha e precisa ser substituída; os católicos, todavia, sabem que as palavras do Papa não são descartáveis. Os inimigos de Deus – afinal, os que odeiam as coisas imutáveis certamente odeiam Deus, o Ser Imutável por antonomásia – querem que o Papa “mude” a Doutrina da Igreja; as ovelhas do aprisco do Senhor sabem que a segurança só se consegue quando se constrói sobre a rocha, inabalável, inalterável. A loucura moderna pretende transformar a ferrugem em valor; não nos deixemos enganar. “Só tem valor o que muda e evolui”, diz o homem moderno; todo se pasa, Dios no Se muda, diz a santa do século XVI. Permaneçamos firmes, enquanto o mundo passa. Afinal, as coisas que permanecem são preferíveis às que se destroem; não nos esqueçamos de que o ouro não enferruja. E nem de que “[o] céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mt 24, 35).

Esperança na juventude

A FOLHA publicou uma notícia interessante: Brasil é o 3º país mais religioso entre os jovens, segundo uma pesquisa alemã. Os gráficos que foram publicados são auspiciosos (cliquem para aumentar) e falam por si sós:


[Hábito de rezar entre jovens]


[Jovens mais religiosos do mundo]


[Conduta religiosa no mundo]

Os comentários do sociólogo entrevistado pela FOLHA tentam jogar terra na boa notícia; segundo o que foi noticiado,

“[a] tendência é reduzir a religião a uma coleção de crenças”, afirma Pierucci. Para o professor, quando se reduz a religião “a uma simples adesão intelectual, começa-se a fazer misturas (de religiões)”.

A frase, do jeito que foi dita, soa-me absolutamente incompreensível. É justamente quando se encara a Religião sob o aspecto da adesão intelectual que ela resplandece em sua integridade, não permitindo ambigüidades e abominando todo sincretismo. Porque a Verdade é intolerante – leiam este sermão – e não admite “misturas” de nenhuma maneira.

Eu penso ao contrário do sociólogo; porque ele, enquanto “homem de ciência”, provavelmente despreza por completo a ação de Deus na vida dos homens. Não imagino que a religião será reduzida a uma coleção de crenças, mas que, ao contrário, ela irá florescer em uma Fé Viva e dar frutos verdadeiros nos próximos anos. E o motivo pelo qual eu penso assim é simples: os jovens estão rezando! Se eles rezam, então o Deus Altíssimo, que ama infinitamente, e que nos disse “pedi e recebereis”, não Se fará de surdo às preces deles, e os conduzirá – em resposta às orações – à Fé Verdadeira e à Vida em plenitude que Ele prometeu. Unamos as nossas oraçoes às deles, e peçamos de joelhos ao Senhor, por eles e por nós:

Ut mentes nostras ad caelestia desideria erigas,
R. Te rogamus, audi nos!

Amen.