“Novidades” Litúrgicas

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 7 meses 29 dias atrás.

ZENIT nos traz uma notícia muito animadora: segundo o Cerimoniário Pontifício, estão previstas algumas novidades nas celebrações litúrgicas presididas pelo Sumo Pontífice. No entanto, e graças a Deus, não estamos falando de rerum novarum, e sim de rerum vetarum… o próprio Monsenhor Marini o afirma taxativamente: “não se trata de fazer coisas novas, mas de fazer as coisas de forma nova”.

Uma delas, é a colocação de uma escultura da Virgem Maria com o Menino Jesus “junto ao altar da confissão desde a noite do dia 24 até o dia da Epifania, e não só na Solenidade da Santíssima Mãe de Deus”. O Natal é um tempo mariano por excelência – julgo excelente que se enfatize, então, na Liturgia o papel singularíssimo da Virgem. Maria é a Porta do CéuJanua Coeli -, por meio de Quem o Céu desce até nós. É por meio d’Ela que recebemos o Deus-Menino que no Natal festejamos – nada mais justo, então, que os fiéis sejam levados a contemplar e adorar o “Deus envolto em faixas” nos braços da Sua Mãe Santíssima, de quem O recebemos.

Será também eliminado “o tradicional rito de oferenda de flores das crianças em representação dos diversos continentes” após o Glória – as flores serão oferecidas somente “quando o [p]ontífice se aproximar do presépio para colocar a imagem do Menino Jesus”, ou seja, após a Missa. O Santo Padre está colocando ordem na casa, dando ênfase naquilo que é digno de ênfase (a escultura da Virgem Maria) e expurgando os elementos estranhos à Liturgia (as oferendas de flores) e que não ajudam os fiéis a penetrarem no Mistério do Sacrifício de Cristo tornado presente no altar da Santa Missa.

Mas a melhor parte da notícia foi saber que o Papa celebrará de novo “de costas para o povo” – de frente para Deus! – na Capela Sistina, por ocasião da festa do Batismo do Senhor:

«Celebrar-se-á. novamente no antigo altar para não alterar a beleza e harmonia desta jóia arquitetônica, preservando sua estrutura desde o ponto de vista celebrativo, e usando uma possibilidade contemplada pela normativa litúrgica.»

«Isso supõe que o Papa em alguns momentos, junto com os fiéis, se voltará para o Crucifixo, sublinhando também assim a orientação correta da celebração eucarística: a orientação ao Senhor.»

A orientação correta da celebração eucarística! Não se trata materialmente do versus Deum (posto que, senão, o versus populum seria “incorreto”, o que é absurdo), mas da orientação ao Senhor que o versus Deum expressa com grande e incontestável eloqüência. Deus abençoe o Santo Padre! E permita que ele continue corajosamente a trabalhar – sem medo dos lobos – pela exaltação da Santa Igreja de Deus.

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0 thoughts on ““Novidades” Litúrgicas

  1. André Serrano

    Prezado Jorge Ferraz, sempre visito o seu Blog que, por sinal, é de muito valor. Seu trabalho é fundamental diante de tantas aberrações que vemos diariamente, sejam a respeito da Igreja Católica, sejam a respeito do comportamento humano colocado a frente das pressões e descaminhos deste mundo.

    Nem sempre eu deixo um comentário mas acompanho diariamente os assuntos que você muito habilmente comenta e coloca em discussão.

    Vejo em seu trabalho um zelo especial pelas coisas divinas e sobretudo uma atitude de muita coragem.

    Desculpe-me se fujo do assunto em questão mas julguei importante aproveitar este momento para parabenizar você e tantos outros irmãos e irmãs que usam a internet como meio de evangelização e de esclarecimento da verdade.

    Um Feliz Natal e um Ano Novo com a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

  2. Everth

    Pax, irmão Jorge Ferraz.

    Muito feliz em ouvir mais uma boa notícia. A Igreja Católica está trazendo tradições antigas novamente às missas, tradições essas que enriquecem nossa fé.

    Peço encarecidamente que visite meu blog. Publiquei ele na hora de comentar.

    Espero que você possa avaliá-lo e enviar a resposta seja por e-mail, seja no blog mesmo.

    Aguardo respostas.

    In Corde Jesu Semper,
    Everth.

  3. Dionisio Lisbôa

    Sinto cada vez mais que o Santo Padre, aos poucos, de forma pedagógica, vai retirando as excrescências da liturgia… Seria tão interessante se a CNBB tanbém fizesse sua parte por aqui, tais como o odioso “Ele está no meio de nós” ou “que será derramado por vós e por TODOS”, quando o correto seria “E com teu Espírito” e “que será derramado por vós e por MUITOS”… Mas aqui eles estão mais preocupados com a Economia, com a Exologia etc… Não se preocupam em celebrar a Eucaristia da forma mais digna possível…

  4. Manuel

    Muito gostava eu de ver Jesus Cristo opinar sobre o assunto! É que realmente não encontro nada disso no Evangelho… Só umas coisas tipo “não sejais como os fariseus…”, “a minha casa é casa de oração e vós fizestes dela um covil de ladrões!”
    Diz-se tanta coisa, mas vejo muito pouco debater os temas centrais do Evangelho… Será que o insenso é mais importante do que a Palavra?

    Manuel Pereira

  5. Jorge Ferraz

    Caríssimo Manuel,

    Será que o insenso é mais importante do que a Palavra?

    Não, mas a Igreja – que é a Legítima Guardiã da Palavra – é mais importante do que a “criatividade”. Por que não A obedecer?

    Abraços,
    Jorge

  6. sandra nunes

    Manuel

    Seria interessante, se pudéssemos ouvir a opinião de Jesus, mas acredito que algumas pessoas daqui não concordariam com a opinião Dele.

    Paz de Cristo e o Amor de Maria

  7. Jorge Ferraz

    Sandra,

    Seria interessante, se pudéssemos ouvir a opinião de Jesus, mas acredito que algumas pessoas daqui não concordariam com a opinião Dele.

    Concordo in totum. A senhora é a primeira dessas pessoas, porque a opinião da Igreja – com a qual a senhora não concorda – é a opinião de Cristo:

    Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.
    Lc 10, 16

    Abraços,
    Jorge

  8. Manuel

    Meu caro Jorge

    Você diz coisas bonitas, as afinal também os fariseus podiam dizer o mesmo. Muitas vezes os nossos eclesiásticos fazem o mesmo, sempre o mesmo, porque a natureza humana é sempre a mesma. E contra isso se insurgiu Jesus. O Filho do Homem até do Sábado é Senhor. E que lhes – ou nos – diria
    Será que a liturgia celebrada pelos apóstolos era válida? É a nossa mais perfeita do que a deles? O Concílio Vaticano II pretendeu abrir as janelas para arejar a casa, como queria João XXIII, mas as pessoas gostam é do fumo das velas e do bafio da sacristia…

    Muito gostava de saber a opinião de Jesus, o chamado Cristo, sobre a represtinação dos paramentos barrocos realizada por Bento XVI, os altos tronos, todas essas antiguidades e velharias… Muito gostava eu de saber a opinião de Jesus sobre as fardas dos chamados Arautos do Evangelho… Muito gostava eu de saber a opinião de Jesus sobre a ressuscitação dos gritos de guerra medievais…

    Muito gostava eu de poder conversar com o Jesus da Boa Nova sobre o catolicismo desse imenso Brasil que me fascina, que me começou a fascinar com D. Hélder Câmara e que tem extremos que eu não imaginava…

    Um abraço desde Portugal
    Manuel

  9. Jorge Ferraz

    Prezado Manuel,

    Não visto o chapéu de “fariseu” que me ofereces. Jesus não se insurgiu contra a hierarquia, muitíssimo pelo contrário – Ele fundou a Hierarquia da Sua Igreja. Não existe outra opção para o católico que deseja se manter fiel a Cristo do que obedecer-Lhe em tudo.

    As “antiguidades e velharias” a que te referes são objetos que nutriram a piedade dos santos de todos os séculos da Igreja. E santos foram também produzidos pelos gritos de guerras medievais: foram homens como os cruzados que possibilitaram a existência do mundo como nós o conhecemos hoje.

    E, por fim, não existe um “catolicismo do Brasil”; o único Catolicismo que existe é o da Igreja de Cristo, Aquela que é “Coluna e Sustentáculo da Verdade”, sobre a qual as portas do Inferno jamais prevalecerão. O que passar – ou faltar – disso é ilusão e engano.

    Um abraço, desde Recife – talvez o ponto do Brasil mais próximo das terras de Portugal -, em Cristo e em Maria Santíssima,

    Jorge Ferraz

  10. sandra nunes

    Manuel

    Tenho 52 anos. Passei minha infância e minha juventude dentro da chamada Teologia da Libertação.

    Naquele tempo, aprendíamos a rezar mas também a trabalhar para o Povo Católico.

    Sempre trabalhamos com comunidades carentes, no Encontro de Jovens, no TLC e no Encontro de Casais com Cristo.

    Procuro viver dessa forma até hoje, apesar de sofrer críticas dos tradicionalistas, dos carismáticos e novos movimentos que surgem.

    Nunca fui à RCC ou na Canção Nova ou qualquer outro movimento Católico a não ser os mencionados.

    Não tive o prazer de conhecer pessoalmente o querido e saudoso Dom Helder Câmara pois ele ficava em Recife – Pernambuco e eu sempre morei em São Paulo – São Paulo. ( são mais de 2600km de distancia )

    Tive a felicidade e a honra de aprender e conviver com D. Paulo Evaristo Arms e D. Luciano Mendes ( saudoso )

    Não sei se você é Católico, mas a imensa maioria de Católico é como eu, isto é, não está ligada a nenhum movimento.

    Creio que em Portugal é a mesma coisa.

    A discussão para saber quem é o MELHOR CATÓLICO, não nos leva a nada.

    A intolerância não deve haver dentro da Igreja de Roma.

    Ainda vou para Portugal, talvez em 2010 quando meu caçula terminar a faculdade.

    Tenho uma promessa para cumprir em Fátima.

    E tenho muita vontade de conhecer a “terra mãe”

  11. Manuel

    Cara Sandra,
    prezado Jorge:

    Quero aclarar o seguinte: não pretendi chamar-lhe fariseu, Jorge, peço desculpa se pareceu, mas o que eu mantenho é que todos nós corremos o perigo de fariseísmo. É necessário alertarmo-nos mútuamente, e também confortarmo-nos uns aos outros no amor de Cristo, que é o essencial.
    Quero dizer que sou católico, que sou professor de História da Igreja no instituto teológico da minha diocese. Não tenho formação teológica propriamente dita. O estudo da História da Igreja, aliado à pesquisa da Igreja actual neste mundo incomensurável que é a net, abriu-me horizontes e fez-me reviver parte da minha juventude no movimento católico juvenil, com referências de Dom Hélder e as músicas do padre Zezinho. Aprofundei Monsenhor Óscar Romero. Os grandes vultos concialiares da Igreja na América Latina. Como esquecer D. Aloísio Lorscheider?
    Pelo que fico admirado com a eclosão dos novos movimentos ultraconservadores na América Latina, com o seu quê de extremista. Será assim o futuro dos cristãos?

    Que gosto do debate de ideias religiosas, porque fico perplexo com algumas coisas que vejo.

    A verdade é que aqui em Portugal não conheci nem conheço os extremismos que vejo no Brasil, foram para mim uma novidade…

    Gostaria de continuar a trocar ideias. Se quizerem privadamente, aqui fica [email protected]

    Manuel

  12. vanderley

    Caro Manuel

    Infelizmente, talvez, você desconheça o que a (teologia

    da libertação) Heresia da Escravidão “fêz” na Igreja nestes

    anos passados.

    Somente um discurso político-social e um abandono

    de toda espíritualidade e catequese.

    São pessoas formatadas com o ideal marxista-comunista

    ou bem próximas a isso.

    São como os “cavalos de Tróia ” dentro da Igreja.

    Por isso que são rejeitados por TODOS os movimentos

    da Igreja e pelas pessoas sensatas e com um mínimo

    de conhecimento.

    E graças a Deus, a Internet está possibilitando aos

    leigos conhecerem com mais profundidade essa

    “tragédia” que infiltrou-se na Igreja.

    Mas….

    “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

  13. Jorge Ferraz

    Caríssimo Manuel,

    Tudo bem, desculpas aceitas. Gostaria apenas de dizer que “movimentos extremistas ultra-conservadores” são chavões destituídos de significado objetivo, utilizados somente para alcunhar pejorativamente aqueles que são, simplesmente, católicos apostólicos romanos.

    A Igreja sofre, por causa dos Seus maus filhos; soframos com Ela, esforçando-nos para apresentá-La ao mundo com um pouco menos da infidelidade que é apanágio dos nossos dias.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz

  14. Manuel

    Não ponho em causa o Credo. Não ponho em causa os ensinamentos de Bento XVI. Mas ponho em causa o seu apego às peças de museu, que não me parece que confirmem na fé os irmãos. Sei que extremismos os houve e há de ambos os lados. Tão desrespeitosos para o principal são uns como outros. E basta centrarmo-nos na Celebração da Eucaristia. Aceito também convictamente que a Teologia da Libertação, na sua versão extremista/marxista é tão errada como a que faz a apologia ou pelo menos pactua com o capitalismo desenfreado que tantos teólogos esquecem e que tantos milhões de filhos de Deus miseráveis continua a fazer. Talvez continuemos a tranquilizar a nossa consciência deixando-lhes cair de quando em vez uma migalhinha sobre e sociedade estruturalmente injusta que amparamos. E assim vivamos muito gozo espiritual sem deixarmos de usofruir da seguarança material de que gostamos. E as bem-aventuranças, onde é que ficam? E Cristo, que não tem onde reclinar a cabeça, por onde é que andará?
    Ao longo dos séculos hove teólogos que justificaram a escravatura. Os papas não a condenaram. Foram os ímpios que o fizeram primeiro. E Cristo, por onde o traziam os cristãos? Eram as pompas litúrgicas que supriam isto? É assim que vamos continuar?

    Um abraço em Cristo.

  15. Jorge Ferraz

    Manuel,

    Insisto: o que tu estás chamando de “peças de museu” são objetos que nutriram a piedade dos santos da Igreja ao longo dos séculos. E, sim, honrar devidamente a Deus – resgatando o sentido do Belo diante da anti-cultura do mundo moderno – é, óbvio, confirmar na Fé os católicos.

    Na Liturgia, os símbolos exteriores existem para conduzir a contemplação dos fiéis à realidade invisível que acontece no altar da Santa Missa – um Deus infinitamente Santo feito homem e oferecido em Sacrifício à Trindade Santa e Onipotente. O que tu chamas de “pompa” é a aplicação concreta e exterior de um princípio incontestável de que, a Deus, deve-se dar o melhor. Sim, isso edifica. O que destrói a Fé dos católicos é o desleixo para com as coisas sagradas, que nós podemos miseravelmente encontrar nos nossos dias.

    Para corrigir “a sociedade estruturalmente injusta” é necessário que os cidadãos se corrijam e, para isso, é necessário que eles sejam os melhores católicos que possam; isso acontecendo, a sociedade obviamente será menos injusta. O palavrório esquerdopata, de pessoas que querem nos fazer acreditar ser possível mudar o mundo sem que, antes e primordialmente, mudemos a nós mesmos, ou – mais grave ainda – construir um mundo justo que não seja sob a égide da Cruz de Nosso Senhor, este lenga-lenga cretino é o maior responsável pela manutenção das injustiças presentes e – pior – pelo seu agravamento em proporções estratosféricas.

    Em suma: sejamos os melhores católicos que conseguirmos ser, trabalhemos com afinco na nossa santificação pessoal, esforcemo-nos em defender a Igreja de Nosso Senhor, propaguemos com ousadia a Sã Doutrina da Salvação e, quando menos esperarmos, estaremos já vivendo em um mundo melhor, no qual o Altíssimo, pela intercessão da Virgem Santíssima, fará a Boa Semente do Evangelho frutificar.

    Abraços, em Cristo,
    Jorge Ferraz