Retrospectiva: Israel e Santa Sé

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 5 meses 20 dias atrás.

– Uma TV israelense levou ao ar um programa “humorístico” blasfemo, no qual eram ofendidos Jesus e Maria. A Santa Sé protestou imediatamente; o Estado de Israel aquiesceu ao pedido do Vaticano e censurou o programa de televisão. As relações entre o Vaticano e Israel parecem ir bem.

– O Governo da Argentina expulsou Dom Williamson do país; em todo o mundo, líderes judaicos comemoraram. Segundo o presidente do Congresso Judaico Mundial, Ronald Lauder, a decisão é louvável “porque o governo argentino deixa muito claro que os negadores do Holocausto não são bem-vindos no país”, mas, segundo as autoridades argentinas, o motivo da expulsão foram problemas com o Ministério do Interior; o bispo teria declarado “ser um empregado administrativo da Associação Civil La Tradición, quando sua verdadeira atividade era a de sacerdote e diretor do Seminário que a Fraternidade São Pio 10° possui na cidade de Moreno”. As relações entre os judeus e Dom Williamson parecem ir mal.

– Dom Williamson retratou-se de suas declarações – que provocaram mal-estar – sobre o Holocausto; no entanto, e nada surpreendentemente, os judeus não aceitaram. Segundo eles, “Williamson não se retratou de suas teses mentirosas sobre o Holocausto. Só lamentou que o que disse tenha gerado tanta polêmica”. Óbvio. O que mais Dom Williamson poderia ter dito? A censura judaica sobre a discussão histórica está ultrapassando todos os limites do tolerável. As relações entre os judeus e Dom Williamson parecem estar indo muito mal. Espero que esta tensão não seja elevada às instâncias superiores, e não comprometa as relações entre Israel e a Santa Sé. Afinal, Israel é maior do que alguns judeus birrentos; e a Igreja evidentemente não é Dom Williamson.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

4 thoughts on “Retrospectiva: Israel e Santa Sé

  1. Antonio

    Caro Jorge,

    Sobre o último comentário, não são só os judeus que não aceitaram, mas também o pe. Federico Lombardi, que já está virando campeão em criar dificuldades para o papa e a fraternidade:

    http://www.zenit.org/article-20933?l=portuguese

    E olha em quem, do “lado de dentro”, ele se apóia: cardeal Bertone e sua secretaria de Estado!

    Enquanto isso, na sala de Justiça, o cardeal Sodano pratica sua bem colegial, modernista e SELETIVA “crítica fraterna”, a ninguém menos que o pe. Hans Küng, conclamando-o apenas a ser mais gentil!

    http://www.zenit.org/article-20930?l=portuguese

    E ainda arremata:

    “…
    ‘Não compreendo como um jornal italiano, que respeita o Papa, tenha querido dar tanta publicidade a esta entrevista’, acrescentou.

    Veja quanta incoerência de tratamento pós-conciliar. Enquanto o entrevistador de D. Williamson e sua intenção quase nunca são levados à discussão — mas apenas a histórica, pessoal e [talvez] errada opinião –, no caso do pe. Küng o foco de crítica não é a materialidade de suas heréticas afirmações, mas sim a iniciativa do jornal que deu vazão às suas idéias! Em miúdos, o problema de D. Williamson é objetivamente sua opinião (como se a Shoá fosse dogma de fé, insuscetível a discordâncias), a despeito de ser pública ou não. Já para as idéias do pe. Küng, o problema primeiríssimo é a publicidade; erro que, nas palavras desse cardeal, teria sido praticado mais pelo jornal do que pelo entrevistado.

    Abraço,

    Antonio

  2. Felipe Coelho

    Muito prezados amigos, Ave Maria Puríssima!

    Na esteira do primeiro dos dois links interessantíssimos apresentados pelo Antonio, recordo dois breves fatos e tiro a conclusão que deles decorre, à qual acrescento uma citação magnânima do principal ator desse drama:

    Primeiro fato: na Igreja Católica, os órgãos da Santa Sé são a voz do Papa e, tão logo eles se exprimam impunemente, a presunção é, evidentemente, de que o Papa está de acordo. Não havendo, por parte do Papa, contradição a seus porta-vozes, fala-se então, no mínimo, em aprovação tácita. Em verdade, mais ainda do que isso: como eles são extensões do próprio Papa, ainda que não compartilhem daquilo que, na autoridade dele, é indelegável, eles ainda assim, como órgãos da Santa Sé, chegam mesmo a obrigar, em certa medida, os fiéis e até o clero, ao se manifestarem.

    Segundo fato: quem vai contra a consciência, ainda que mal formada, peca (cf. I-II, q. 19, a. 5).

    Noutros termos: se alguém acha, equivocadamente, que uma verdade é mentira ou que um bem é mau, enquanto essa pessoa estiver nesses erros, ela peca se fizer esse bem ou se defender essa verdade, ao mesmo tempo que sua consciência mal-formada os condene como mal e mentira.

    Como bem observa, neste ponto, um observador lúcido:

    “Agora, querem a obrigá-lo a desdizer o que disse, e isto é algo que não se pode tolerar em hipótese alguma, sob o risco de remediar um mal por um meio moralmente ilícito. Nem mesmo os seus superiores da Fraternidade têm autoridade para fazê-lo ir contra a própria consciência; têm autoridade, isto sim, para mandá-lo calar-se (e parece que já o fizeram), mas não a tem para obrigá-lo a emitir um juízo contrário ao que pensa. Nem o Papa nem a Igreja têm essa jurisdição sobre o foro íntimo da consciência das pessoas, embora tenham autoridade magisterial para reprimir, apontar e impor limites e sanções aos erros, ensinar, moldar as consciências à verdade eterna, participada pelo próprio Cristo à Igreja. Em suma, a consciência, embora não seja a raiz da liberdade humana (como querem os liberais), é o seu invólucro, e não nos cabe rasgá-lo”
    ( http://contraimpugnantes.blogspot.com/2009/02/o-caso-d-williamson-uma-palavra.html )

    <bConclusão:

    a Sede da Igreja Conciliar está, da maneira mais pública e oficial, sob as barbas do seu cabeça e falando em nome dele, incitando um Católico a pecar!

    * * *

    Termino com uma citação do Bispo Williamson, que mostra sua enorme generosidade bem como oposição a todo sectarismo, infelizmente tão comum em certos meios, e que os dois fatos mais conclusão que precedem neste post, certamente, ajudam a compreender, entre uma infinidade de outros fatos afins que poderíamos citar:

    “[WILLIAMSON:] Acontece que eu não creio que o sedevacantismo seja o maior pecado que existe. O sedevacantismo foi diabolizado. Na pior das hipóteses, os sedevacantistas são orgulhosos e estéreis, mas também há alguns católicos bastante sinceros e inteligentes que simplesmente não conseguem acreditar que os últimos papas sejam verdadeiros Vigários de Cristo.
    [ENTREVISTADOR:] O senhor concorda que eles consagrem seus próprios bispos?
    [WILLIAMSON:] Não posso dizer que tenha sido uma sábia idéia para a maioria deles. Mas nós estamos passando por uma crise sem igual. E eu penso que a magnitude da crise pede muita caridade e compaixão, 355 graus, quase a volta toda da bússola, e mais caridade e compaixão a cada dia que passa. O Arcebispo [Dom Lefebvre] foi um homem de profunda caridade e confiança.”
    (Bispo Richard WILLIAMSON, Entrevista a Stephen HEINER de 2 de outubro de 2006, publicada na revista The Angelus, http://truerestoration.blogspot.com/2006/10/interview-with-bishop-richard-n.html ).

    Rezemos pelo Bispo Williamson e também pela derrocada desse capacho da Sinagoga que é a Igreja Conciliar.

    Em JMJ,
    Felipe Coelho

  3. Jorge Ferraz

    Caríssimos,

    Com relação à notícia – que, sinceramente, me surpreendeu e decepcionou – da não-aceitação pelo Vaticano dos pedidos de desculpas de Dom Williamson, faço apenas dois comentários:

    Primum: não é evidente que o Papa esteja em absoluta concordância com todos os órgãos da Santa Sé (e, aliás, dada a situação atual da Igreja, acho tal tese muitíssimo pouco provável). O Danilo postou algo no mesmo sentido há uns dias; acredito que paciência e canja de galinha não fazem mal para ninguém, e oremus pro pontifice nostro Benedicto.

    Secundum: é ainda menos evidente que o pe. Lombardi esteja exigindo uma negação direta daquilo no que Dom Williamson acredita; acaso isso foi dito em algum lugar?

    Abraços,
    Jorge