Papa Francisco, exorcista

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A Sala de Imprensa da Santa Sé disse hoje que o Papa Francisco não realizou um exorcismo no último Domingo. O Pe. Lombardi se refere à cena abaixo, ocorrida após a Missa de Pentecostes que o Papa Francisco celebrou na Praça de São Pedro (via Pe. Paulo Ricardo).

papa-francisco-exorcismo

Há também um vídeo que mostra em detalhes o encontro do Papa Francisco com o jovem:

Como explicar? Bom, é certo que o Papa não realizou nenhum “exorcismo”, se pelo termo entendemos o rito específico que se encontra no Titulus XI do Rituale Romanum. No entanto, a libertação do demônio não é um efeito rígido apenas decorrente ex opere operato do Ritual elaborado para este fim. O exorcismo não é um sacramento e portanto não pode ser comparado a estes: se é verdade que a remissão do Pecado Original dá-se no Batismo e somente por meio do Batismo (para sermos rigorosos, incluídos aqui tanto o Batismo Sacramental quanto o de Sangue e o de Desejo), que tem a sua forma própria [= “eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”] sem a qual não existe o Sacramento, o mesmo não pode ser dito da luta espiritual contra o Diabo.

A rigor, qualquer espécie de influência demoníaca (da infestação à possessão) pode ser vencida à força de orações, penitências, jejuns, sacramentos. Ora, a própria oração a São Miguel Arcanjo é também chamada de “pequeno exorcismo” (ou “Exorcismo breve”), e mesmo os fiéis leigos recorrem a ela com freqüência. Até a “Celebração dos Exorcismos” reformada traz algumas «Súplicas que os fiéis podem utilizar privadamente no combate contra os poderes das trevas». Nada impede, portanto, que uma pessoa (mormente um sacerdote) se engaje em luta espiritual contra o diabo sem que seja necessário seguir à risca as rubricas do Ritus exorcizandi obsessos a daemonio. E isso, ao menos em sentido latu, pode ser chamado de exorcismo.

Foi o que aconteceu com o Papa Francisco? Parece que sim, mas é lógico que não se pode dizer com certeza. A diferença entre os cumprimentos do Papa aos demais doentes e a sua oração sobre este jovem específico salta aos olhos (veja-se, para ficar mais claro, o vídeo com a Missa completa), mas isto é muito pouco para diagnosticar à distância uma possessão demoníaca sem possibilidade de erro. Em todo caso, a imagem é belíssima, com o Vigário de Cristo crescendo com autoridade sobre o jovem atormentado. Ao mandamento de “curai os enfermos”, Cristo imediatamente acrescentou o “expulsai os demônios” (cf. Mt 10, 8). Ao que parece, na dificuldade de fato de distinguir entre ambos os casos, o Papa Francisco preocupa-se em suplicar tanto por um quanto por outro, tanto pela saúde do corpo quanto pela da alma, sem se preocupar com os juízos de censura que as pessoas farão dos seus atos.

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6 thoughts on “Papa Francisco, exorcista

  1. Marta

    Ninguém está qualificado para dizer o que aconteceu realmente mas, sem dúvida, o Papa deu um grande testemunho da sua autoridade espiritual. Oxalá leve muitos à reflexão.
    Quanto à negação da Santa Sé, é estranha, porém pode ser uma atitude de cautela que a Igreja sempre teve em relação a casos desse tipo. Uma confirmação poderia gerar uma impressão muito forte em pessoas suscetíveis, produzindo uma espécie de histeria coletiva. Aguardemos na Fé em Cristo.

  2. Pingback: O exorcismo do Papa Francisco e uma verdade inconveniente | Ecclesia Una

  3. Marta

    É por esse motivo, e outros, que as declarações da Santa Sé soam estranhas,Emerson. A impressão que permanece é a de que varreram a situação rapidamente ( e muito sucintamente) para baixo do tapete, como se fosse algo que nem sequer deve ser mencionado. Ora, o Papa Francisco referiu-se a existência do Diabo em várias ocasiões, então é correto que os fiéis devam ser esclarecidos nesse sentido. Afinal, a prática do exorcismo, em todas as suas formas, é uma prática antiga dentro do catolicismo e o próprio Cristo a ordenava .Posso estar enganada, mas acho que vamos ter , a despeito dos esforços do clero progressista, uma grande reviravolta nesse sentido,

  4. Alexandre Magno

    Marta, a Santa Sé não estaria autorizada a MENTIR para “evitar uma espécie de histeria coletiva”. Se afirmaram algo que não é verdade, é porque entenderam-no como verdade. Assim eu espero.