O convite e a recusa

closeAtenção, este artigo foi publicado 8 anos 2 meses 24 dias atrás.

“Cantora gospel é impedida de se apresentar em Igreja Católica”, diz uma notícia que recebi hoje. O corpo da manchete, no entanto, dá margens a dúvidas sobre o quê, exatamente, aconteceu.

A primeira frase da reportagem diz o seguinte: “A cantora gospel Nery  Nascimento, foi impedida  pelo ministério de sua Igreja, de aceitar o convite para participar do culto de louvor e adoração na Igreja Católica Carismática de sua cidade”. O grifo é meu. Daí fica a pergunta: “Igreja Católica Carismática” refere-se a um grupo da Renovação Carismática que faz parte de uma paróquia católica apostólica romana, ou refere-se a este cisma de Belém? A manchete induz o leitor a pensar na primeira possibilidade; a primeira frase, na segunda.

De qualquer modo, todo o texto [seguido dos comentários] à exceção da frase supracitada parece considerar que são católicos apostólicos romanos, mesmo. Questiono considerando esta possibilidade:

1. O que vem a ser um “culto de louvor e adoração”?

2. Qual era o propósito de semelhante convite? Aproximar a cantora herege [e/ou a sua “comunidade eclesial”] da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, ou alguma outra coisa?

3. A exposição ao “show-pregação” de uma cantora gospel não é colocar a própria Fé em risco sem justificativa proporcionada? Todas as pessoas que iriam participar do tal “culto de louvor e adoração” tinham uma Fé madura o suficiente para não se deixar seduzir pelos enganos da cantora?

4. Qual a prudência de se convidar um herege protestante para um evento ecumênico (ainda concedendo, para ser benedicente, que o intuito dos responsáveis pelo convite fosse verdadeira e propriamente ecumênico) sem saber antes se ele é dócil ou hostil ao convite? Nunca leram nos Evangelhos que não se deve jogar pérolas aos porcos?

As perguntas são pertinentes. Entre os comentários feitos à notícia, um deles fala de um padre que, certa vez, convidou um diácono para fazer a homilia dominical e, após a fala do herege, este “converteu o padre e quase metade dos que ouviam a pregação”. O que significa que arrastou os católicos para longe da Igreja de Nosso Senhor.

Não sei se a história é verdadeira e, aliás, acredito que não seja; mas é óbvio que existe sempre a possibilidade de que um fiel católico seja seduzido pelas falácias protestantes, de modo que não convém expô-lo desnecessariamente ao risco de perder a própria Fé.

Costumo ver com apreensão a aproximação de católicos – e agora não falo mais deste caso da sra. Nery  Nascimento, e sim de coisas que vejo no meu quotidiano – a cantores protestantes, sob a justificativa de que as músicas são religiosas e não contém heresias. Ainda sendo verdade que a maioria das músicas protestantes não contenha expressamente heresias, o problema não é só esse. Músicas protestantes são omissas em temas centrais da Fé Cristã, de modo que são sempre incompletas. Músicas protestantes podem induzir ao relativismo religioso, porque “se fulaninho que é protestante faz músicas tão lindas de louvor ao Senhor, é porque o Espírito Santo age através dele”. Músicas protestantes podem pôr gradativamente a alma em contato com a “cultura” herética protestante e, assim, levar o fiel católico a perder a Fé. Et cetera.

De modo que fico feliz pela sra. Nery ter recusado o convite dos carismáticos, só pela possibilidade de que talvez tenham sido católicos; a recusa da herege privou talvez fiéis católicos de serem expostos a situações perniciosas e danosas às suas almas. Só fico pensando onde é que estão os pastores responsáveis por esta gente: porque ser necessário o lobo afastar-se voluntariamente das ovelhas ante a inércia dos legítimos pastores do rebanho do Senhor é vergonhoso.

Gostou? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someonePrint this page

17 thoughts on “O convite e a recusa

  1. Marca da Promessa

    Igreja Católica Carismática
    IGREJA VÉTERO CATÓLICA
    Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB)
    Igreja Católica Ortodoxa
    Igreja Católica Tradicionalista
    Igreja Católica Apostolica Romana Pós Concilio Vaticano II
    Igreja Católica Apostolica Romana (Sedevacantistas )

    Ora, ora, ora. A tal “Unidade do catolicismo” não existe.
    Mais uma prova inequívoca que a divisão não acontece só no protestantismo.
    A Igreja Católica também está dividida e se atacam mutuamente.

    Se as Igrejas Católicas estão se degladiando é porque já não tem unidade na Fé. Cada igreja se considera “A Igreja Verdadeira”.

    Com tantas Igrejas Católicas qual é a verdadeira ?

  2. Jorge Ferraz Post author

    Prezado “Marca da Promessa”,

    Com tantas Igrejas Católicas qual é a verdadeira?

    A que está com o Papa e submissa ao Papa, cum Petro et sub Petro. Porque, como já dizia Santo Ambrósio, onde está o Papa, aí está a Igreja: ubi Petrus, ibi Ecclesia.

    Do Catecismo de São Pio X:

    149) Que é a Igreja Católica?
    A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas batizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos Sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.

    150) Dizei precisamente o que é necessário para alguém ser membro da Igreja.
    Para alguém ser membro da Igreja, é necessário estar batizado, crer e professar a doutrina de Jesus Cristo, participar dos mesmos Sacramentos, reconhecer o Papa e os outros legítimos Pastores da Igreja.

    Abraços,
    Jorge

  3. carlos

    Todas as seitas citadas, se existem mesmo, são cismáticas. Logo, nenhuma delas faz parte da Igreja Católica.
    Carlos.

  4. Francisco Silva de Castro

    “Igreja Católica Apostólica Romana Pós Concilio Vaticano II” Não sabia que tinham fundado esta. quem fundou? O autor do tópico confunde divergências com ruptura. Pelo que sei todos os bispos e o própio Papa aceitam o Vaticano II…

  5. tht

    A verdadeira é aquela cuja catolicidade deriva de Cristo e não da pirataria de seu nome ou corrupção de sua Doutrina.

  6. Julie Maria

    Jorge, onde estou agora houve uma “pastora” durante uma Missa do lado do padre, no altar, o tempo inteiro… e no final ela exortou -com sua bíblia- os católicos que assistiam à Missa e o padre a se levantar,e “louvar a Deus, etc”.

    Olha, apesar de ter sido uma só vez e por justificativas que agora não vem ao caso… fiquei chocada. Parece que quando o abuso é tido como algo “normal” realmente não existe limite para ele.

    Misericórdia. Que os nossos pastores se tornem de fato pastores e assim contribuam para que os lobos desapareçam.

    Julie Maria

  7. Ângela

    Caríssimo Jorge,

    Por que o espanto? A união dos católicos carismáticos com os hereges protestantes existe desde sempre. De forma acintosa e escandalosa. Só não vê quem não quer.
    Em dezembro de 2006, fui à uma missa em Florianópolis/SC (sou do Paraná) e foi uma tortura só; do começo ao fim tivemos que aguentar as músicas da Ana Paula Valadão do Diante do Trono, e na hora da consagração apenas eu e a minha irmã nos ajoelhamos.
    A missa durou quase duas horas, a homília durou mais de meia hora, e tivemos ainda o “louvor e e adoração” e mais meia hora de prática dos famigerados carismas cda RCC. Cura e libertação, profecias, ciência etc., etc.E, para encerrar com chave de ouro, teve bolo dentro da Igreja, pois era aniversário do Padre.
    Choca-me, e muito, que pessoas ainda consigam ver frutos nesse movimento desastroso e horroroso que está protestizando a Igreja Católica, a começar pelos nossos Padres.
    Que tal começarmos a combatê-lo pra valer antes que seja tarde demais??

    Abraços em Cristo.

  8. Cleber

    Senhores, salve Maria!

    Se a noticia se refere à tal “igreja catolica carismática” e não à RCc, trata-se de uma maliciosa junção de conveniências, pois, à tal seita (icc) diz-se catolica para arrogar-se a verdade e desviar os Católicos desinformados, e diz-se carismática por ser a RCc responsável pela maior parte dos “católicos”, mas na verdade, a dita icc está mais para “TL” que para “RC”.

    A mesma está “ordenando” qualquer um que o queira, homem, casado ou solteiro, mulher, gay…juntamente com o excomungado d. Millingo. Faz combate ao celibato, une-se às tais “igrejas católicas irmãs” e diz que o papa não é papa. E para terminar, está também “unida” à TL e ao tao “MPC” movientos padres casados que abandonaram a Igreja.

    Enfim, é mesmo uma junção de conveniêcias que não tem outro senão perder almas.

    Não vale a pena acessar o link da tal ICC, é só para se passar raiva.

    Cleber

  9. anamaria

    A protestante negando, foi mais coerente que os católicos convidando…

  10. DFLD

    Acham um absurdo “convidar um herege protestante para…”

    E para participar do Concílio Vaticano II? É o quê?

    Neste caso os hereges não eram protestantes ou os protestantes não eram hereges?

    DFLD

  11. Jorge Ferraz Post author

    DFLD,

    Por favor, sem recortes. A minha frase é “convidar um herege protestante para um evento ecumênico (…) sem saber antes se ele é dócil ou hostil ao convite“. Note também, por favor, que “ecumênico” aqui não tem absolutamente nada a ver com “Concílio Ecumênico”…

    Abraços,
    Jorge

  12. DFLD

    Olá Jorge!

    Nem vou mais usar sua frase…O que eu quero dizer é que, de um modo em geral, se criticam quando chamam um herege protestante para participar de algo na Igreja (Culto etc.)

    Daí eu perguntei:

    “E para participar do Concílio Vaticano II? É o quê?

    Neste caso os hereges não eram protestantes ou os protestantes não eram hereges?”

    DFLD

  13. Jorge Ferraz Post author

    DFLD,

    Só que um Concílio Ecumênico é coisa bem diferente. Até em Trento tinha protestantes, inclusive com salvo-conduto.

    Abraços,
    Jorge

  14. DFLD

    Mas Jorge, se este Concílio foi convocado num contexto de contra-reforma, de que maneira[para que] houve essa participação de hereges protestantes?

  15. Teresa

    Caríssimo Jorge,
    Salve Maria!

    Creio que todos nós estamos aqui à procura da verdade e, dentro cada um da sua posição, julga defendê-la da melhor forma possível, servi-la e amá-la.

    Pois bem, desconheço por completo a existência de protestantes no Concílio de Trento. Você poderia explicar melhor a sua afirmação? Houve protestantes no Concílio de Trento? Se sim, como o sabe? Onde o leu/viu? Há fontes fidedignas disso? E se se confirma o que diz, qual foi o grau de participação dos hereges no Concílio dogmático?

    Há que matizar porque, poder-se-á pensar que a participação dos hereges no Concílio dogmático de Trento poderia equivaler-se, de algum modo, à absurda e totalmente fora de lógica participação dos protestantes no malfadado CVII.

    Ora nisto eu não acredito, em absoluto. Se houve hereges no Sacrossanto Concílio de Trento, não terá seguramente sido para que lhes fosse pedida a sua opinião acerca da santa Missa ou da nossa doutrina católica que foi, sabemos, o que se passou no V2.

    É a esse tipo de participação – activa – que o amigo Dfld se referia, relativamente ao CVII e que eu não acredito, repito, que tenha ocorrido em Trento.

    Um abraço em Cristo e um bom fim-de-semana!

  16. Pingback: Deus lo Vult! » Hereges, Cismáticos e Concílios Ecumênicos

  17. Enchridiana Violácea Maria Augusta Carvalho Madeira de Ley

    Vejam este vídeo; pastores protestantes velados sob falso véu de cristandade revelam que na verdade estava no coração de Lutero; protestantes e espiritismo, duas vertentes de uma mesma doutrina: