A Noite diferente das outras noites

Por que esta noite é diferente das outras noites? Esta é a frase que Mel Gibson coloca nos lábios da Virgem Santíssima no início do seu Paixão de Cristo. Trata-se ali de uma espécie de responsório judaico tradicional, o Ma Nishtana que há milênios é cantado no Seder de Pessach. Os judeus têm razão e esta noite é de fato diferente, tão diferente que merece uma liturgia própria e sem paralelo em todo o ano litúrgico. A missa da Quinta-Feira Santa é diferente de todas as outras missas, e nos comove e…

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Sábado Santo

É imenso o vazio do dia de hoje; incomensurável a tristeza dessas horas que Deus passou no Sepulcro frio. Sim, aprendemos no Credo que Ele desceu à Mansão dos Mortos, ouvimos no Catecismo que Ele foi aos Infernos para libertar os cativos, e muitos pregadores já nos ensinaram que, hoje, o Bom Pastor foi à busca de nossos Primeiros Pais, foi atrás das primeiras Ovelhas a se desgarrarem do aprisco do Senhor, foi encontrar-Se com Adão e Eva dos quais herdamos a mancha do Pecado Original. No entanto, nós não…

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Sexta-Feira Santa

É a Sexta-Feira. Se não quisermos contemplar os julgamentos injustos que sofreu Nosso Senhor; se não suportarmos acompanhar o Seu doloroso caminho até o Calvário; se não formos capazes de nos deter ouvindo aquele grito terrível que anunciou a consumação do Seu Sacrifício, e nem de fixarmos o nosso olhar no Cadáver pendente do madeiro da Cruz; enfim, se nos fosse possível deixar tudo isso de lado, olhar – ainda que de soslaio – para o Senhor Morto já nos seria tremendamente benéfico e já permitiria à nossa alma usufruir…

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Quinta-Feira Santa

Já começa a Páscoa do Senhor, e nós não conseguimos vigiar com Ele um pouco sequer. Já é a hora das Trevas, e ela nos pega dormindo. Dormiriam porventura São Pedro e os demais Apóstolos se sequer desconfiassem que aquela seria a última noite em que estariam com Cristo? A última vez em que Ele os chamaria para rezar? A derradeira ida ao Horto das Oliveiras? Decerto que não. Mas as hostes do Inferno avançam nas sombras, quando não são esperadas. O fim chega “como um ladrão”, para usar uma…

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Domingo, Regina Caeli, Laetare!

O Exsultet é um dos cantos litúrgicos que eu mais gosto de ouvir. Não seria de modo algum exagero dizer que eu passo o ano esperando a missa da Vigília Pascal, para escutá-lo. Exsultet jam angelica turba caelorum; / exsultent divina mysteria: / et pro tantis Regis victoria / tuba insonet salutaris. Na tradução para o português que possuo no meu missal (tridentino) de bolso: “Exulte agora a milícia angélica; celebrem-se, com júbilo, os divinos mistérios. E que a tuba da salvação proclame a vitória do grande Rei!”. O cântico…

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Sábado, soledad…

Não existe nenhuma cerimônia litúrgica, dentro do Tríduo Pascal, entre a Celebração da Paixão do Senhor de ontem e a Vigília Pascal de logo mais, à noite; nenhuma celebração se faz durante o dia do Sábado Santo. Julgo eu, para acentuar o caráter de ausência: o Senhor não está conosco, porque – como se grita na Via Sacra de Recife, a de José  Pimentel – “nós silenciamos; nós O condenamos; nós O crucificamos”. O Senhor está morto, e a Sua ausência sente-se tão profundamente no dia de hoje que, na…

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Sexta-Feira, Passio Domini

Na realidade, nada é tão escuro e misterioso como a morte do Filho de Deus, que junto com Deus Pai é a fonte e plenitude da vida. Mas também nada é tão luminoso, porque aqui refulge a glória de Deus, a glória do Amor onipotente e misericordioso. Card. Camillo Ruini, Via-Sacra no Coliseu, Sexta-Feira Santa 2010. Décima Segunda estação: Jesus morre na Cruz. Na Sexta-Feira da Paixão, nós não temos sequer missa. O único ato litúrgico do dia tem lugar às três horas da tarde, hora em que Nosso Senhor…

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Quinta-Feira, in Coena Domini

Eu gosto do som das matracas. Lá na paróquia, elas ainda são utilizadas: daqui até o Sábado de Aleluia, mas especialmente hoje, Quinta-Feira Santa. É quando as ouvimos pela primeira vez, em substituição aos sinos [aliás, recomendo – de novo – a leitura deste texto sobre a “morte” da Liturgia]. O som seco, de madeira, em forte contraste com o badalar musical dos sinos que estamos acostumados a ouvir. Há alguma coisa de diferente. O clima é mais grave: Nosso Senhor está prestes a ser traído. As matracas acompanham a…

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O Silêncio da Virgem Maria

No Tríduo Pascal, sempre associo o Sábado Santo à Vigília. Se a Quinta-Feira é o dia da Ceia, a Sexta, o da Paixão, o Sábado de Aleluia é o da Ressurreição. Claro, a Vigília Pascal celebrada na noite do sábado – o quanto mais avançada para o Domingo, melhor – é sem dúvidas da mais alta importância: é a maior celebração da Igreja, a Grande Festa, a Vitória de Nosso Senhor sobre a morte, o Túmulo Vazio, a Ressurreição sem a qual – como diz o Apóstolo – seria vã…

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A Paixão do Senhor

Hoje, Sexta-Feira da Paixão, nós não temos a Santa Missa – é o único dia do ano em que não a temos. Reunimo-nos, no entanto, para a Celebração Litúrgica da Paixão. A cerimônia é riquíssima e haveria muito o que falar sobre ela, mas gostaria de iniciar com uma pergunta simples: por que não há Missa? Santo Tomás de Aquino (Summa, IIIa, q. 83, a. 2, ad. 2) explica que a Eucaristia “é figura e imagem da Paixão do Senhor” e, por isso, no dia em que se recorda esta…

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